Notas iniciais
Desculpem pelo capítulo OOC. Fugiu muito do tom do resto da fic e ficou excessivamente dialogado, mas eu simplesmente não consegui desenvolver bem esse final e deixei assim mesmo. Enfim, aí está a resolução da fic.
Eu já li niisan escrito de várias formas, não sei qual a certa, então, deixei niisan mesmo [acho bonito assim].
Ah, digam o que acharam! E podem criticar à vontade, eu sei que chutei o balde no final XD

Shun entrou em seu quarto ofegante, suas mãos tremiam de nervoso. O que será que se passava na cabeça de Hyoga para fazer aquilo na frente dos amigos? Antes que o cavaleiro pudesse achar uma resposta sentiu braços lhe envolvendo a cintura.

- Você está bem? – perguntou o loiro que lhe abraçava por trás.

- maluco Hyoga? A gente não combinou que ia manter segredo? – disse Shun alterado.

Cisne pouco se importava sobre o que os outros iriam pensar ao vê-los juntos. Havia concordado em manter a relação em segredo somente para agradar Shun que estava preocupado com a reação dos amigos — principalmente com a do irmão e a da deusa Athena. Mas o russo duvidava que Saori fosse se opor ao romance; e quanto a Ikki, melhor ainda se o cunhado ficasse revoltado e partisse para nunca mais voltar.

- Foi ele quem começou – justificou-se o russo, soltando um risinho. – E não precisa se preocupar porque o Seiya acha que era tudo brincadeira.

- O Shiryu sabe – afirmou Andrômeda.

- É eu percebi, mas ele não pareceu se importar – o loiro tentava tranquilizar o amado. — Ah, não fica assim – sussurrou no ouvido de Shun e começou a beijar-lhe o pescoço. – Por que a gente não vai para algum lugar onde eu possa te agarrar em público? – perguntou.

- Hyoga! – exclamou o rapaz cuja irritação já tinha sido derretida pelos beijos do loiro.

- Vamos ao cinema! – decidiu o russo.

- Cinema? – repetiu o outro.

- É, cinema. Não é isso que namorados fazem?

Hyoga parou os beijos e finalmente soltou o amado.

— Eu vou tomar um banho rápido e a gente sai – disse enquanto se retirava do quarto, mas antes de sair fez um último comentário. – No escurinho do cinema ninguém vai nos ver – piscou um olho e saiu.

Andrômeda corou com a malícia implícita na frase. Não conseguia ficar irritado com o russo. Entre suspiros começou a separar algumas peças de roupa para se arrumar também.

- Shun.

Alguém o chamava, mas não era o namorado. Virou-se para ver quem era, embora não fosse necessário, pois conhecia bem aquela voz.

- Ei, você não ficou chateado comigo pelo que aconteceu lá embaixo, não é? Quero dizer, desculpa pela babaquice.

Seiya estava em pé próximo à porta que Hyoga deixara aberta, mas sem coragem de entrar no quarto.

Shun corou ao lembrar a cena.

- Ah, não se preocupe, não fiquei chateado.

Apesar da sinceridade, não convenceu o amigo

- Claro que ficou! Você saiu correndo da sala – concluiu o moreno coçando a cabeça e arrepiando os fios castanhos.

— Está tudo bem, Seiya. Eu fiquei com vergonha, só isso – Shun não mentia.

- Claro, ! Um macho te agarrando... você tinha que ter dado um soco bem na cara dele, isso sim! – disse o moreno enquanto lançava socos no ar.

Andrômeda riu da inocência do amigo.

- Tem certeza que não tá puto comigo? – Seiya já estava mais relaxado, então, aproximou-se do outro rapaz.

- Porque... – o moreninho coçou a cabeça mais uma vez, meio constrangido – eu gosto muito de você. A última coisa que eu quero é que se sinta mal por algo que eu fiz.

O rapaz juntou as mãos na altura da cabeça em sinal de prece.

- Eu prometo que não faço mais isso! Nunca mais vou brincar assim.

Os olhos verdes se arregalaram, nem mesmo Shun estava levando aquela situação tão a sério. Também tinha muito carinho por Seiya e se surpreendeu ao ver o amigo tão preocupado. Pégasus era um fanfarrão, mas de certa forma era esse o seu charme. Era sempre o moreno que alegrava e divertia os demais com suas piadas e palhaçadas.

— Não precisa prometer nada. É exatamente essa sua espontaneidade o que eu mais gosto em você, Seiya. Por favor, não mude o seu jeito de ser, senão eu vou ficar chateado de verdade – Shun abriu o seu mais lindo sorriso.

- Nossa, fiquei até emocionado – o moreno enlaçou o amigo num abraço apertado que quase sufocou Andrômeda. – Pô cara, você é o meu melhor amigo – confessou. – Só não conta pro Shiryu senão ele vai ficar com ciúmes.

Shun apenas riu e retribuiu o abraço, sem saber ao certo se o que Pégasus dizia era verdade ou não.

- MAS QUE MERDA É ESSA?! – esbravejou Hyoga ao ver os dois rapazes agarrados. – O que está acontecendo aqui?

O loiro se segurava para não voar em cima do moreno e enchê-lo de porrada. Ficou esperando uma explicação razoável para aquela cena ridícula.

Shun gelou imediatamente ao ver a cara de fúria do namorado e tentou se desvencilhar do abraço, mas não conseguiu. Quando olhou para Seiya este tinha um sorrisinho sacana no rosto, como uma criança prestes a aprontar uma traquinagem. Shun balançou a cabeça negativamente numa súplica muda para que o amigo não fizesse aquilo que estava pensando. Arrependeu-se imediatamente de tudo o que dissera. Aparentemente Pégasus entendera o “por favor, não mude” como um passe-livre para as suas gracinhas.

- Ora, está acontecendo exatamente o que você está vendo, eu vim aqui roubar o seu namorado – Seiya fechou os olhos e fez biquinho para dar um beijo na bochecha de Shun.

- Humm... – gemeu em tom provocativo. A pele macia se mostrando surpreendentemente agradável ao toque dos lábios do moreno.

Um barulho estalado ecoou pelo quarto quando a boca de Seiya se descolou da bochecha corada. O rapaz mal continha as risadas, virou-se para ver a expressão de paspalho que Hyoga deveria ter agora, mas só enxergou o punho do loiro lhe acertando o meio da cara. Foi jogado contra a parede e quase caiu no chão com a força do soco que recebeu.

- Porra Hyoga, maluco? – disse esfregando a mão no rosto e vendo se o nariz ainda estava no lugar.

Shun abraçado à cintura do russo fazia uma força descomunal para impedir que este avançasse sobre Seiya.

- Para Hyoga! Ele só estava brincado, não era de verdade – suplicou.

- Eu vou moer esse pangaré de porrada! – berrava o loiro.

- Qual é o seu problema, cara? Eu só estava zuando! Não to entendendo o motivo do stress, você fez a mesma coisa lá embaixo – lembrou a cena do casal no sofá da sala.

- Você é retardado ou o quê? Eu posso beijar o Shun, você não! – falou como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Por que não? – Seiya realmente não entendia.

- Por que o Shun é meu namorado, imbecil! – o russo fez questão de enfatizar o adjetivo indelicado.

O moreno ficou mirando os dois com uma expressão de interrogação. Hyoga se acalmara um pouco e agora abraçava Shun possessivamente.

- É verdade Seiya, estamos juntos – confessou o garoto de olhos verdes.

A falta de reação de Pégasus fez com que Hyoga perdesse seu último resquício de paciência. Então, o loiro resolveu tomar uma medida drástica para convencer o amigo: segurou o rosto de Shun entre suas mãos e beijou-lhe intensamente, enfiando a língua ferozmente na boca do amado. Este não pôde fazer nada além de se entregar à paixão provocada por aquele contato.

- Caralhooooooooo! – exclamou Seiya tapando rapidamente os olhos com as mãos.

O rapaz só afastou as mãos do rosto quando o loiro garantiu que ele já poderia olhar.

- Que porra é essa? Vocês tão doidos – disse atordoado – quer dizer... que vocês... juntos...mas...que bagulho doido é esse? – Seiya não conseguia formar uma frase conexa.

Shun afundou o rosto no peito do amado e começou a chorar.

- Eu disse que eles não iam entender! Nossos amigos vão nos odiar agora – choramingou.

Hyoga o aninhou em seus braços e beijou carinhosamente os cabelos verdes. Pégasus, ao ver as lágrimas do amigo, recuperou um pouco da razão.

- Ei, peraí Shun, também não é assim.

O moreno deu um longo suspiro e, depois de por o pensamento em ordem novamente, continuou.

- Eu não odeio vocês, eu só fui pego de surpresa. Eu não vou negar que acho isso meio esquisito, mas... acho que com o tempo vou acabar me acostumando – Seiya abriu um sorriso que tranquilizou os outros dois rapazes, depois, dirigiu-se somente a Shun. — Aquilo que eu falei não era mentira. Você pode acreditar Shun, pra mim nada mudou.

- Obrigado! – Andrômeda deu um abraço forte no amigo que foi prontamente retribuído. As lágrimas, agora de alívio e não mais de tristeza, escorriam compulsivamente dos olhos verdes.

Hyoga não gostou nada daquela intimidade estranha entre os dois e foi logo separando o abraço, mas dessa vez sem violência.

- bom, bom... todo mundo já se entendeu – disse contrariado.

- Calma Oga, sem ciúmes.

Seiya já estava provocando novamente, mas antes que percebesse o olhar frio que o loiro lhe lançava, deu-se conta de algo muito importante.

– Imagina só quando o Shiryu souber disso! – tentou prever qual seria a reação do Dragão.

Os namorados trocaram olhares entre si.

— Acho que ele já sabe, Seiya – notava-se um pouco de pena no tom de voz de Andrômeda.

Pobre Pégasus! Totalmente alheio à realidade.

- O quê!? – exclamou em surpresa.

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No dia seguinte, a primeira coisa que Seiya fez ao encontrar Shiryu foi perguntar “Por que você não me contou sobre Shun e Hyoga? Seu traíra!”. O cavaleiro de Dragão estava na cozinha tomando seu café da manhã quando foi interpelado pelo amigo.

— Ah, então você descobriu – falou.

- Claro! Eles deram um beijo de cinema bem na minha frente! Eu não ia precisar ter visto aquilo se você tivesse me contado antes – reclamou.

Shiryu imaginou a cena e achou graça. Depois acalmou o amigo dizendo que também descobrira do caso há pouco tempo e que o fizera sozinho, apenas observando a mudança nos dois e juntando as peças do quebra-cabeça. Ninguém havia contado nada para ele, portanto, não achava justo espalhar a notícia sem o consentimento dos principais envolvidos.

— Isso é assunto deles, Seiya. Não vou me meter na vida dos outros, nem fazer fofoca e, sinceramente, espero que você também não – disse.

Pégasus bufou contrariado, mas sabia que o amigo tinha razão.

- Tá bom, eu sei – concordou. – E você, achando o que dessa estória? – perguntou curioso.

- Convenhamos Seiya, esses dois se gostam faz tempo. Já era hora deles reconhecerem isso – o Dragão era muito perspicaz.

- O quê? Não brinca!

O moreninho sentia-se o maior idiota. Como ele nunca percebera essas coisas?

— Se você fosse mais observador, teria notado – constatou Shiryu. – Mas eu não acho que mais alguém saiba, além de nós.

Seiya ficou pensativo por um tempo. Sentou-se numa cadeira e ficou se balançando, apoiado apenas nos dois pés traseiros do assento.

- Então, o Ikki não deve saber – concluiu. – Cara, eu não quero nem imaginar o que o Ikki vai fazer quando descobrir.

Sua voz ao pronunciar a última frase saiu alta demais.

- Descobrir o quê? – Fênix acabara de chegar na mansão Kido e ouvira o comentário.

Seiya levou um susto com a presença inesperada, se desequilibrou e caiu com cadeira e tudo. Shiryu, por sua vez, afundou a cabeça nas mãos lamentando a boca grande do amigo. Como eles iriam escapar daquela situação? O Amamiya mais velho não iria deixá-los em paz até que lhe contassem tudo. Felizmente, foram salvos pelo caçula.

- Ikki! – exclamou Shun em um misto de surpresa e felicidade ao ver o irmão. – Que bom que voltou – o rapaz abraçava o mais velho intensamente.

Fênix respondeu com um afago nos cabelos verdes.

- Como você está? – perguntou.

- Ótimo! – respondeu o mais novo com um sorriso de orelha à orelha.

Shun nunca fora de poupar sorrisos para o irmão, mas Ikki notara uma alegria no caçula que não era usual. Por fim, achou que aquela felicidade toda era por conta da sua chegada e rapidamente esqueceu a conversa entre Seiya e Shiryu.

- Olá, Ikki – cumprimentou um russo enciumado.

- Oi, Hyoga.

Fênix, até então, não havia percebido a presença do loiro que estava logo atrás de Shun.

— Então Ikki, voltou apenas para nos visitar?

O moreno sentiu certa hostilidade na pergunta de Hyoga.

- Não, eu vim a pedido de Athena – respondeu.

Imediatamente os cavaleiros se sobressaltaram, imaginando que a Deusa estivesse em perigo ou que algo grave tivesse acontecido.

- Fiquem calmos, não deve ser nada importante senão vocês já saberiam.

Ikki tentava baixar os ânimos dos demais cavaleiros, embora ele mesmo estivesse um pouco apreensivo.

- O que você está esperando? Vai logo perguntar pra Saori o que ela quer – Seiya estava um tanto irritado pela preferência dada ao cavaleiro de Fênix, mas sua preocupação com a segurança de Athena era maior.

Ikki ia resmungar qualquer coisa, mas também foi incentivado pelo irmão a procurar a Deusa o mais rápido possível. Vagou pela mansão até encontrar Tatsumi que lhe informou que Saori esperava-o no escritório.

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Pouco tempo depois Ikki apareceu com a cara fechada e soltando fogo pelas ventas. Encontrou Seiya e Shiryu largados na sala; Pégasus dedilhando o violão que ele achava que sabia tocar e Dragão bebendo chá.

- Vocês não acreditam pra que a Saori me chamou aqui! – estava revoltado.

- A gente já sabe da festa, o Tatsumi acabou de nos contar – disse Seiya enquanto tentava acertar a nota.

Athena em breve visitaria o santuário e os cavaleiros de ouro decidiram lhe dedicar uma homenagem. Na verdade, Mu teve a ideia de fazer uma recepção especial para a Deusa, porém, os demais guardiões do santuário começaram a interferir na elaboração do evento e o transformaram numa grande festa. É claro que os seus cinco cavaleiros de bronze preferidos não poderiam faltar na comemoração.

- Espero que você vá, Ikki. Tinha medo de que não atendesse ao meu pedido se não o fizesse pessoalmente – disse Saori com um sorriso no rosto.

Se não fosse mulher e se não fosse sua função protegê-la, Ikki teria dado um murro na cara de Athena. Fazer com que ele se deslocasse até ali só para receber um convite de festa era um absurdo. O sangue subiu à cabeça de Fênix, mas Saori estava certa, ele não poderia negar um pedido feito pessoalmente pela Deusa. Só não entendia porque tinha que fazer parte daquela palhaçada. Aceitou o convite, mas se negou a passar os dias que antecediam a viagem à Grécia na mansão. Comprometeu-se apenas em comparecer no dia e horário marcados.

- Bem, até a festa então – despediu-se de Seiya e Shiryu.

- Já vai? Pensei que fosse ficar e ir junto com a gente para o santuário – falou Pégasus.

- E ficar escutando você arrebentar as cordas desse violão? Nem morto – debochou.

Seiya respondeu mostrando a língua e Ikki revirou os olhos com a atitude infantil.

- Cadê o Shun? – perguntou; o irmão era a única pessoa com quem fazia questão de falar antes de ir embora.

Os outros dois apenas se entreolharam e o Amamiya mais velho fez a pergunta mais uma vez.

- Deve estar por aí – desconversou Shiryu.

- Procura o Hyoga que você acha o Shun – maldou Seiya irritado pelo insulto aos seus dotes musicais.

- O que você quer dizer com isso? – Fênix percebeu a malícia na fala de Pégasus.

- Ele quis dizer que o Hyoga foi dar uma volta no jardim, talvez o Shun tenha ido com ele – Dragão tentava remediar a gafe do amigo.

Ikki achou aquele diálogo muito estranho, mas estava sem paciência. Deixou os dois e saiu da mansão para ir atrás do irmão. Andou um pouco pelo jardim e avistou o caçula e o loiro conversando próximos a uma árvore.

Desde quando esses dois são tão amiguinhos?” – pensou.

Geralmente Shun ficava grudado no Amamiya mais velho quando este estava por perto, principalmente quando havia tempo que não se viam. Ikki estranhou o comportamento que considerou indiferente, mas não deu muita importância. Continuou na direção dos rapazes, até que viu uma movimentação exótica entre os dois. Hyoga levara a mão ao rosto de Shun e o afagava com carinho. O garoto ria um pouco encabulado com o toque, mas não demonstrava sinal de desagrado. De repente as palavras de Seiya ecoaram na mente de Fênix e o cavaleiro apertou o passo para alcançar o irmão antes que pudesse presenciar uma cena pior. Puxou o caçula pelo braço, afastando-o do loiro. Shun gelou ao constatar a presença do mais velho, perdia-se tanto no azul dos olhos de Hyoga que nem percebera a sua aproximação.

- O que vocês estão fazendo? – perguntou Ikki trincando os dentes.

- Conversando, só isso – respondeu um Shun visivelmente culpado, embora não houvesse cometido crime algum.

- E conversavam sobre o que?

Fênix fulminava Hyoga com os olhos, mas o russo não se intimidava. Devolvia o olhar letal e ainda tinha estampado um sorriso de deboche na cara.

- Sobre o amor – respondeu.

No mesmo instante Ikki disparou um soco, mas desviou no último segundo passando a poucos centímetros da cabeça dourada e acertando a árvore na qual o cavaleiro de Cisne estava encostado.

Shun entrou em pânico. Nos últimos dias percebera que o namorado era simplesmente incontrolável.

— Acho que a conversa com a Saori não foi boa. Você parece nervoso... cunhado.

O próximo soco ia acertar em cheio a cara do russo e Ikki certamente não se arrependeria de cometer um assassinato. Porém, Shun impediu que o irmão desferisse o golpe.

- Por favor, não o machuque – Andrômeda esforçava-se para segurar o braço do irmão.

- Saia da frente Shun! – ordenou Fênix.

- Não, eu não vou deixar que faça nada contra ele – sua voz era firme e decidida.

- Shun, sai da frente, senão...

Antes que Ikki pudesse completar a frase Hyoga se pôs entre os irmãos, afastou o primogênito com um empurrão e puxou o caçula pela cintura protegendo-o em um abraço.

- Não se atreva a tocar nele.

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Enquanto isso no interior da mansão Kido, alguém se divertia muito observando a confusão que se estabelecia no jardim.

- Eles vão brigar Shiryu – Pégasus espiava da janela o embate entre o loiro e o moreno. – Eles estão disputando o Shun – ria descaradamente.

- Isso não é engraçado Seiya. A gente deveria ir lá ajudar, antes que algo realmente grave aconteça – Dragão já se preparava para intervir, mas foi impedido pelo amigo.

- Fica na sua Shi, vamos ver o que vai acontecer. Eu quero saber quem vai ganhar.

O moreninho adorava ver o circo pegar fogo e, sem sombra de dúvidas, aquela seria uma luta admirável. Entretanto, para infelicidade de Seiya, a discussão terminou tão logo começou.

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Fênix olhou para o casal a sua frente. Sua vontade era surrar aquela cara de pato idiota e parar de tirar sangue dela somente quando o loiro já tivesse virado ruivo. Mas Shun estava agarrado ao russo que, tão indignado estava pela ameaça de Ikki, não percebera que era ele quem estava sendo protegido. Fênix olhou fundo nos olhos verdes e imediatamente soube que não poderia contestá-los.

- Fique com ele então! – gritou raivoso e partiu, dando as costas para o irmão.

- Ikki!

Shun se desvencilhou do namorado e correu em direção ao Amamiya mais velho. O loiro tentou protestar, mas foi dissuadido.

- E você fica aí, Hyoga! – Andrômeda ordenou e foi obedecido.

Quando alcançou o moreno agarrou-se à camisa azul que ele vestia impedindo sua partida.

- Ikki, por favor, tente entender. Não me odeie niisan... – suplicava Shun entre lágrimas.

O mais velho não aguentava ver o pequeno chorar.

- Não diga bobagens! Eu não te odeio Shun, eu te amo – Fênix virou-se para abraçar o irmão e depositar um beijo sobre os fios verdes. – Vem comigo.

- Pra onde? – perguntou o menor confuso.

- Qualquer lugar! – Ikki enlaçava o irmão com mais força. – Prometo que nunca mais vou te deixar sozinho, pra onde for vou te levar comigo.

Shun virou o rosto para fitar Hyoga que permanecia no mesmo lugar em que ele o deixara.

- Você quer ficar? Quer ficar por causa dele?

A voz de Ikki era séria e calma, mas o caçula não conseguiu identificar qual emoção se expressava nela. Shun apenas assentiu com a cabeça e Fênix bufou desgostoso da resposta. Após refletir um pouco, manifestou-se.

- Tudo bem, eu não vou me opor.

Andrômeda abriu um sorriso tão grande que mal lhe cabia na face; abraçou o irmão com toda a força que possuía. Ficaram assim por um tempo; tempo demais como pôde constatar o russo que os observava de longe.

Gentilmente Ikki afastou o irmão e o olhou com o semblante sério.

- Shun, se você tivesse que...

- Você, Ikki. Eu escolheria você, sempre você niisan. – respondeu sem que Fênix precisasse completar a pergunta. – Mas, por favor – as lágrimas voltaram a marejar os olhos verdes – não me peça isso. Eu gosto dele... gosto muito.

Ikki suspirou, odiava dar o braço a torcer.

- Ok, eu já disse que não vou impedir esse namorico ou o que quer que isso seja. Mas é melhor esse loiro aguado andar na linha – advertiu.

Ambos riram, e depois que Andrômeda prometeu que deixaria Ikki fazer um pato assado do loiro caso ele aprontasse alguma coisa, despediram-se.

- Nos vemos na festa – disse o moreno tranquilizando o caçula.

Andrômeda voltou para onde estava Hyoga. O russo tinha a cara enfezada e os braços cruzados sobre o peito.

- Precisava isso tudo? – disse Shun apontando para o tronco congelado da árvore em que o loiro se escorava.

- Precisava tanto agarramento? – o russo recebeu como resposta um virar de olhos.

- Vamos... – Shun puxava o namorado em direção à mansão – antes que você vire um pato assado.

Hyoga foi resmungando, e vez ou outra lançava um olhar pra trás, desafiando Fênix que permanecia observando-os de longe. Só foi embora quando os viu sumir adentrando a mansão.

Ah, Shun! Sempre te vi tão inocente, sempre tão frágil. Quem diria, está se saindo muito mais esperto que o seu irmão mais velho.” Ikki riu do próprio pensamento.

- Eu deveria ter pedido umas dicas a você antes de partir – falou para si mesmo.

Não gostava de ver o russo cheio de mãos bobas pra cima do seu irmãozinho, mas vendo os dois juntos não pode deixar de sentir sua alma mais leve. Suspirou profundamente e deixou escapar um sorriso esperançoso. Se Shun conseguiu, talvez Fênix também tivesse uma chance de ser feliz ao lado do seu loiro.

Quem sabe nessa festa...

Notas finais
Nossa! Esse meu Seiya ficou tãaao cariocão! Não pense que todos os cariocas são assim fanfarrões, ein! XDDD Afinal, eu sou do Rio [agora sim vão ficar com má impressão].
Pra quem, assim como Seiya, estava esperando um confronto mortal entre o pato e a galinha pintadinha, perdão. Acho que pelo último parágrafo deu pra perceber o porquê da reação amena do Ikki. Pra falar a verdade eu acho o Ikki um cara bem compreensivo, ele só faz pose de durão. E o Shun tem o irmão na mão, com aquele jeitinho manhoso ele consegue tudo o que quer. Huhuhu ^.^
Vocês já notaram que a continuação vai ser Ikki X Shaka, né? A tal festa não foi só uma desculpa pro Fênix aparecer na mansão. Já estou escrevendo o primeiro capítulo e a fic vai se chamar Só você me machuca (q brega!). Daqui a pouco posto, mas já vou avisando que vai ter bem menos romance e muito mais violência. XD
Obrigada a [fofíssima] Mitchan Amamiya, Misuki Shu, naneyagami, Sorel e [a querida] Kassandra pelos comentários.
Bjossssssssss
Auf Wiedersehen (ou Bis Bald).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!