Love & Drugs

2 There's no turn back now...


Mudar de cidade sempre parece ruim e dessa vez não foi diferente. Casa nova. Novos vizinhos. Um meio irmão responsável que me leva de carro até a escola no primeiro dia de aula. E o primeiro dia de aula também é ruim. Ou chega a ser pior que isso. Escola nova. Pessoas novas. Novas regras. Tudo era novo demais, e mesmo preferindo minha vida anterior eu não a teria de volta. Alex me acordou às seis da manhã para que eu não me atrasasse no primeiro dia. Nem tudo... Ao menos eu não sentia falta do reformatório. Meu novo uniforme poderia ser comparado às roupas usadas por grandes empresários. Passamos numa Starbucks para comprar nosso café e tomamos juntos antes que ele me deixasse na escola. A escola. Dois grandes prédios, uma entrada bonita com direito à grama recém cortada e bem cuidada, um enorme campo logo ao lado, um estacionamento para alunos e outro para o corpo docente. Adolescentes de todos os tipos correndo para o lado interior dos prédios. Alguns apenas acabavam de chegar. O céu estava nublado, mas segundo o que vira o noticiário, não choveria no dia de hoje.

“É só a escola... Você vai ficar bem, certo?” ouvi Alex dizer e apenas assenti saindo do carro. Assim que dei um passo à frente chegando ao gramado perfeito ouvi o som estridente do alarme de início às aulas tomar conta do lugar. Olhei para trás e o carro de Alex já não estava mais parado próximo à calçada. Minha mochila estava leve, Alex disse que eu deveria ir até a sala da diretora antes de qualquer atividade escolar, já que a tal senhora queria conversar comigo. As pessoas que moravam na cidade pareciam ter saído de capas de revistas famosas, ou prontas para um ensaio fotográfico enquanto eu me julgava comum demais para estar entre eles. Como em 'Party In the USA' da Miley Cyrus, eu era a caipira no meio de todas aquelas pessoas, só não estava usando botas. Tudo o que eu via eram saias e bolsas de grife, decotes, saltos gigantes e rostos perfeitos. Por sorte, o uso de uniformes não era obrigatório. Eu vestia uma camiseta de uma de minhas bandas preferidas que deixava minha barriga à mostra, uma calça apertada na cor preta, um casaco amarrado na cintura, e minha inseparável touca. Depois de uma série de perguntas que me fizeram me sentir num interrogatório como os que via em filmes, ela me entregou meus livros, e os horários de aula.

Devido ao fato de Alex já ter resolvido as pendências quanto a matrícula no dia anterior, apenas andei pelo corredor cheio de alunos tentando encontrar o armário de número trinta e nove. Encontrei o mesmo perto do bebedouro e segui pra lá. Abrir foi... Não foi. Eu simplesmente não conseguia abrir o armário e por mais que eu colocasse a combinação certa, ele não abria de jeito nenhum. Por mais clichê que possa parecer, aquela cidade era pequena, então todos os olhares estavam voltados para a garota nova, que não era nova. Que no caso, era eu. Ignorei os olhares sobre mim e continuei lutando contra o armário. Senti alguém se aproximar e bater no armário fazendo com que o mesmo abrisse e antes que pudesse dizer algo, ele já havia se afastado e agora fazia um hi-five com garotos com o dobro de seu tamanho. Continuei olhando até que ele olhou de volta e sorriu. Minhas bochechas com certeza coraram, então balancei a cabeça para sair daquele 'transe' e voltei a olhar para o armário. Guardei os livros, fechei o armário e me pus a andar com o quadro de horários em mãos. Segui o corredor, agora vazio e encontrei minha primeira aula. Literatura nunca foi meu forte, e não seria agora. Dei duas batidas na porta e um senhor veio até a mesma abrindo-a em seguida. Me apresentei como nova aluna e ele pediu que eu entrasse e encontrasse um lugar. Não foi muito difícil. Havia uma carteira desocupada no fundo da sala, ao lado de um garoto, que aos olhos de uma pessoa normal, seria considerado um rejeitado. Eu sempre soube que seria alguém que enxergaria através de todos os outros sentados ali, sua personalidade, seu gosto musical, eu entenderia e não julgaria. Algumas coisas nunca mudam. Ou apenas possuem características que as fazem parecer as mesmas. Dentro daquela sala, eu percebi que nada seria tão diferente a não ser que eu fizesse diferente. Eu não queria o diferente, mas também não rejeitaria o que de início me parecera ser considerado novo. Fui para meu lugar sentindo os olhares me acompanhando. Com certeza lembrariam de mim. Quem esqueceria a garota que quase morreu de overdose? Bom, ninguém esqueceria.

Notas finais
RELEMBRANDO: A história não incentiva o uso de drogas. Fanfic movida à base de comentários. Quanto mais comentários, favoritos e visualizações, mais atualizações.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.