Love Drought
1 Capítulo Único: Love Drought
Notas iniciais
Love Drought
By: Sr. Artie
Capítulo Único
Encarando o céu noturno, uma imensidão vasta de um negro absoluto, sem lua ou nenhuma estrela para trazer uma ínfima luz, Sakura lembrou-se inevitavelmente dos olhos de Sasuke. Era incrível como ela sempre se sentia mal após transarem.
Não existia nada de bom no relacionamento deles. O Uchiha era um homem medíocre, assombrado por fantasmas do seu passado medonho. A Haruno era uma tola sonhadora que um dia chegou a acreditar que o amor conseguia vencer tudo. Não é preciso dizer que ela estava enganada. Bastava apenas olhá-la agora, enquanto observava o céu nessa noite, só e amargurada.
Havia deixado Sasuke sozinho no seu apartamento logo depois que o efeito do êxtase oriundo do sexo passou. Não ousou olhá-lo, estava cansada daquela situação pesarosa, mas sabia que se o fitasse, nem que fosse por um mísero segundo, ela desistiria de ir e de deixá-lo para trás, como aconteceu todas as outras vezes.
Passando pela porta do apartamento, saiu sem rumo, caminhando lentamente naquela noite fria. Vagou por alguns minutos, até que conseguiu se localizar espacialmente. Sakura tinha cruzado Konoha a pé, até chegar no Monumento dos Hokages. Viu o rosto de Tsunade esculpido naquela enorme pedra. “Por que não consigo ser tão forte quanto você?”, questionou-se.
A Iryō-nin constantemente se perguntava porque diabos ela havia escolhido passar por aquele inferno. Sabia que era uma boa pessoa, ninguém poderia dizer que não. Sempre foi dedicada e esforçada em tudo que se comprometia a fazer. Tinha se dedicado em ser uma ninja quando criança, batalhou para ser a Kunoichi que ela finalmente se tornou, porque ela nunca recuava. Se ela tinha uma meta à sua frente, então a perseguia até atingi-la.
Talvez ela tivesse confundido um pouco as coisas. Quando Kakashi perguntou os objetivos de cada um dos integrantes do time 7, não chegou a responder qual era o seu. Lembrava de se enrolar toda pensando em Sasuke. Ele era seu objetivo.
Em virtude disso, enquanto foi uma genin, ela perseguiu o moreno; era cega pelo fanatismo que tinha. Carregava consigo a certeza de que naquela época ela não amava o Uchiha; diferente disso, o idolatrava.
Entretanto, foi somente quando viu Sasuke possuído pela marca da maldição que percebeu o quão assustador ele era. Ainda assim, não correu; o abraçou, implorando que parasse.
A única parte boa acerca dos infortúnios que aconteceram no exame chunin, foi que, gradativamente, o fascínio exagerado de Sakura parou. Ela percebeu que o rapaz estava muito machucado para se preocupar com algo como o amor. Ele não precisava de uma amante, mas de uma amiga. Essa seria ela.
Todavia, as coisas não ocorrem da maneira que planejamos. Sasuke decidiu fugir da Vila em busca de poder para conseguir realizar sua vingança. No entanto, lá estava ela, com a visão nublada pelas lágrimas que escorriam pelos seus olhos e com a voz embargada devido ao choro, gritando que o amava, implorando que ele a levasse junto consigo.
A última coisa que ela lembrava daquela noite era dele dizendo “Obrigado”. Às vezes, Sakura desconfiava se Sasuke realmente dissera aquilo, sendo esta uma postura tão atípica dele.
No fim de tudo, a questão que permaneceu foi a de Sasuke sempre aparentar correr dela, do amor que ela sentia. Foi assim quando eram crianças, no fim da Quarta Grande Guerra Ninja, e continuou sendo assim assim depois de adultos.
Regada de dúvidas e culpa, Sakura se questionava se toda aquela situação não era consequência de seus atos. O Uchiha a empurrou para longe várias vezes, mas ela sempre voltou. Fora ela quem tinha insistido. Infelizmente, percebeu tardiamente o seu erro.
Quando a guerra acabou e Sasuke e Naruto se enfrentaram, Sakura chegou a acreditar que aquele ciclo de ódio acabaria ali, no Vale do Fim. Pensou que o coração do Sasuke estava expurgado daquelas emoções ruins. Provavelmente, ainda estaria machucado, mas ela era uma médica; seu amor conseguiria curar um coração ferido.
Investiu mais e mais em Sasuke, o cercou com seu carinho e sua paixão, até que ele não tivesse outra opção senão aceitá-los.
Gradualmente, desenvolveram uma relação que era fora dos padrões comuns. No entanto, esta cabia perfeitamente dentro dos padrões Sasuke e Sakura. Ele sempre com seus olhos insípidos. Ela sempre vívida e alegre.
O ditado diz que uma maçã podre é capaz de comprometer toda uma cesta. Isso não é uma mentira. A tristeza fastidiosa do moreno, pouco a pouco, sugou toda a felicidade que a Haruno tinha dentro de si, enclausurando-a com seus demônios.
A Iryō-nin o perguntou não uma, nem duas, mas incontáveis vezes: “Sasuke-kun, você me ama?”. As onix apáticas não demonstravam nada. A voz grossa e rouca, sem emoção alguma, dizia: “Sim”.
Por mais que a resposta vinda dele constantemente fosse positiva, a rosada nunca conseguiu acreditar nela. Conhecia o homem tão bem a ponto de conseguir dizer quando ele estava mentindo. Por esse motivo, o questionava novamente: “O que eu fiz de errado?”.
Um vento frio soprou, fazendo o corpo de Sakura arrepiar-se. Havia saído às pressas e nem ao menos se dera ao trabalho de pegar um casaco para agasalhar-se. Pensou que deveria retornar logo, pois poderia pegar um resfriado se continuasse exposta ao sereno.
Não tinha levantado-se do chão quando sentiu aquela assinatura de chakra tão conhecida por perto. Virou-se para olhá-lo.
— Sasuke-kun.
O Uchiha estava calmo, bem protegido do frio com sua capa preta. Na sua mão, tinha uma túnica branca com detalhes vermelhos – a que Sakura usava em suas missões.
— Não devia ter saído sem um casaco. A noite está fria e, segundo a previsão do tempo, não irá demorar a chover – disse, estendendo a sua mão para a Haruno pegar a túnica.
Estranhamente, ela não se moveu. Pensou nas suas divagações e em tudo o que o relacionamento com aquele homem a havia proporcionado: culpa e dúvidas, além de tristeza numa escala estratosférica. Amar Sasuke só tinha lhe causado dor.
— Ne, Sasuku-kun, dez de nove vezes em que eu te perguntei se me amava e recebi um “sim” como resposta, eu sei que você estava mentindo para mim.
Não tinha lágrimas nos olhos, como no dia em que ele deixou a vila, ainda um genin. Só tinha uma pontada de dor na voz, salpicada de tristeza e culpa.
— Só que nas nove vezes, eu sei que você estava tentando realmente me amar. Então, estou tentando ser justa por você repetidamente tentar estar aqui por mim, se importando comigo. – continuou – Contudo, suas ações parecem ser tão poucas; sempre apegado às suas emoções permanentes, eternizadas no seu coração.
Sakura não tinha a intenção de lavar sua alma para Sasuke exatamente ali, no Monumento dos Hokages, mas ela desejava falar. Havia represado tanta coisa dentro de si, que naquele momento de rompimento dos muros, apenas deixaria tudo escapar por sua boca.
— Todo o amor que tenho te dado passa despercebido. Você sabe que é minha vida, porque aparenta odiar o fato de estar vivo? Está querendo me matar? – Questionou – Ou por acaso o problema é comigo? Se eu não fosse quem sou, você me trataria ainda desse mesmo jeito? Ou nunca serei o bastante para você?
Uma enxurrada de perguntas caía sobre o moreno; ele não tinha tempo de respondê-las porque Sakura não parava de falar. Ela estava tentando se livrar das dúvidas que manteve cativas dentro de si.
— Me desculpe por perguntar tanta coisa de uma única vez, mas eu sempre estou perdida nos meus sentimentos, sou apenas uma humana. – confessou como se revelasse um segredo. – Sasuke-kun, me diga, o que eu fiz de errado? Sinto que essa pergunta já virou clichê, estou continuamente te fazendo ela, mas nunca obtive uma resposta.
— Sakura… – Sasuke tentou interrompê-la.
— Apenas me responda. Sempre fui comprometida e focada no que diz respeito a você. Prestei atenção, fui devota. Sasuke-kun, me diga o que fiz de errado? – Suplicou. – Ah! Já perguntei isso, me desculpe.
A última frase foi dita em claro deboche, não cabendo naquele desabafo. Além disso, o choro que a seguiu serviu apenas para aumentar o contraste.
— Eu passaria minha vida na escuridão para salvar a nós dois, mas você gosta de viver sozinho no negrume... Sinto em dizer que suas feridas nunca irão se curar, porque você não permite que se aproximem para tratá-las. Não permite que eu me aproxime. – disse se desfazendo em lágrimas. – Infelizmente, só dá para melhorar comigo, pois eu sou a única forte o suficiente para te suportar.
Sakura sentia-se um lixo por ter que implorar pelo amor de Sasuke. Entretanto, sabia que estavam estagnados num deserto escaldante, com uma gigantesca montanha à sua frente, impedindo-os de continuar. Às suas costas, uma guerra brutal se desenrolava, impossibilitando-os de voltar.
— Você e eu poderíamos mover uma montanha, acabar com uma guerra, ou até mesmo fazer chover agora. – Naquele momento, ela olhou para o céu, lembrando-se que o Uchiha dissera que não demoraria a chover. – Você e eu, Sasuke-kun, podemos acabar com essa seca de amor que há dentro de você, basta apenas que você me escolha e deixe para trás o seu passado. Eu prometo que assustarei todos os seus fantasmas. – Fitou os olhos dele e com determinação disse: – Só precisa me escolher.
O homem não expressava nada em seu olhar. Contudo, por mais inexpressivos que aqueles olhos fossem, a kunoichi os conseguia decifrar com uma incrível facilidade. Infelizmente, as íris negras diziam, por trás dos seus disfarces, que ela nunca seria escolhida.
O deserto metafórico em que Sasuke e Sakura estavam presos nunca chegaria a receber uma única gota de água de chuva, porque somente a rosada seria capaz de aceitá-lo e fazer com que aquela seca de amor parasse.
Ele morreria sozinho, pois era esse o destino de quem escolhe o ódio ao amor durante toda uma vida. Se a Haruno não quisesse ser arrastada para o mesmo caminho que Sasuke tendia a seguir, ela deveria partir.
Então, o deu as costas e se afastou, sozinha e de coração partido.
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