Love Death Birth
2 Love Death Birth
Notas iniciais
Em uma tarde comum uma figura de cabelos e trajes negros como a noite se senta em um banco no alto de uma colina. A figura observa o sol indo lentamente adormecer mais uma vez.
Uma figura de roupas claras e cabelos louros se aproxima do banco.
– Olá velha amiga. — disse a figura ensolarada
– Olá meu caro. — respondeu uma jovem de cabelos longos e pretos, de pele branca.
– Como foram suas ultimas visitas — disse um jovem de pele branca e cabelos loiros.
– O de sempre. Na verdade tenho algo para te perguntar...
– Diga — sorriu e se sentou.
– O que você acha sobre o que chamam de amor?
-- Amor? — o loiro se mostrou pensativo — Sentimento de afeição coisas assim. Pode ser recíproco ou não, você sabe.
-- Saber meu caro, eu sei mas não entendo os seres humanos — disse a jovem — tão frágeis e mortais, mas sempre fazendo coisas sem sentido.
-- Algum humano te surpreendeu?
-- Um último cliente — se virou para o jovem o o olhou confusa — tirou a própria vida por uma traição.
-- Não entendeu o porquê? — sorriu.
-- Para que dariam sua vida, mesmo que insignificante, por causa de uma outra pessoa. — pôs a mão no queixo de forma pensativa.
-- Minha cara Morte, no meu caso, meus clientes nascem amando. — explicou — Nascem amando viver, amando seus pais e parentes próximos. No caso dos suicidas, morrer por amor pode significar um fim de uma grande dor.
-- Mas amar, é um laço tão forte assim? Será que vale mesmo a pena arriscar tudo por um bem amado?
-- Talvez sejam viciados, como se fossem dependentes — disse a jovem.
-- Pode ser que considerem algo necessário para sua sobrevivência.
-- Talvez, eles mesmos passaram milhares de anos e muito do falam é o amor — disse o loiro.
-- Seja nas músicas, poesias. — ela encontrou respostas nas lembranças.
-- Mas e a traição? — continuou ela — Se amam uma pessoa e criam um laço com ela porquê enganá-la, para que procurar amor em outro lugar que não o que havia escolhido como eterno.
-- Não sei — disse o loiro — Não sei porque escolhem tanto sofrimento para suas vidas e para as vidas daqueles que juraram amar.
-- São os votos não são? — perguntou ao jovem — Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Mas traição? Isso é não é humano, pode ser qualquer outra coisa, menos humano.
-- Talvez já tenha ouvido falar em uma frase que muitos amaram — disse ironicamente — "Tu te tornas eternamente responsável...
-- ...por aquilo que cativas." — fechou os olhos e sorriu em seguida — Talvez isso seja algo que eu ainda não entenda completamente.
-- Já que não somos humanos devemos nos contentar em refletir sobre algo que eles apenas precisem sentir.
-- Fazer o quê? Não me cativam. Aliás, me odeiam como se fosse o fim de tudo que conheciam.
-- Mal sabem eles que eu sou seu sucessor, e você a minha.
-- Num ciclo sem fim.
-- Entre a Vida e a Morte infinitamente permanecerão — disseram juntos.
-- Talvez me acostume com a ideia de ninguém gostar de mim. — sorriu a Morte.
-- Eu gosto de você minha companheira. — disse Vida sorrindo
-- Pare de brincadeiras. — gargalhou
E assim o Sol se pôs e as duas figuras, clara e escura, se dissiparam em fumaças que seguiram caminhos para onde deveriam visitar naquele momento.
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