Love Cook, Love Food
13 Um novo começo

Finalmente a entrevista se iniciou! Sanji e Luffy estavam sentados em poltronas em um grande palco, com uma plateia incrivelmente cheia ao fundo, junto com uma entrevistadora chamada Nicole Mouret, que parecia bem feliz em recebê-los.
Luffy estava nervoso com as câmeras por todo lado, luzes, gritos da plateia e várias pessoas olhando para ele ao mesmo tempo. Sanji já não ligava muito para tudo isso, por estar mais acostumado.
– Bom, gente, nós estamos aqui hoje com a ilustre presença do maior cozinheiro da França, Sanji Harris, e um ilustre desconhecido!
Nicole iniciou apresentando os rapazes para o público. Todos aplaudiram e gritaram bem alto, deixando o garoto do chapéu de palha mais nervoso ainda.
– É uma honra estar junto a uma donzela belíssima como você, Nicole.
Sanji já inicia a entrevista já com seu ar conquistador de sempre. Luffy ficou olhando para ele com raiva, mas sem dizer nada.
– Ora, mas você é um cavalheiro, Sr. Harris!
– Não precisa me chamar assim, mademoiselle, chame-me apenas de Sanji por favor. É por isso que eu vim aqui, não é?
– Sim, exatamente, a França inteira quer saber o que aconteceu com o Chefe do Baratiê! Conte para nós, Sanji, qual é a sensação de ser uma das pessoas mais ricas da França, perder tudo de uma vez só, e ficar pobre? Deve ter sido um choque!
– Você é bem direta, né? Primeiramente não, eu não fiquei pobre. O dinheiro que eu tenho atualmente na minha conta bancária é muito superior ao valor que você vai conseguir na sua carreira inteira, se continuar em um emprego horrível como esse. Bom, por sorte você é bonita.
Todo mundo do local começa a rir, inclusive Luffy, e Nicole estava claramente envergonhada do fora que havia levado do cozinheiro, mas tentava disfarçar mudando de assunto.
– M-Mas nos diga, Sanji, quem é esse garoto que você trouxe consigo? Ele não parece ser daqui. É estrangeiro?
– Meu nome é Luffy. — Ele começa a falar. — Eu sou da Cidade de Foosha!
– F-Foosha..? Aquela cidade pobre e perigosa..?
Sanji ficou com raiva do comentário da entrevistadora, que pareceu pré-julgar o garoto pela sua condição financeira, e decidiu interrompê-los.
– Não precisa falar assim da cidade do Luffy, tem várias perguntas mais importantes para fazer. Né?
– Sim, claro. Luffy, conta pra gente como você e o Sanji se conheceram! Os dois vieram de mundos diferentes, né?
– Como assim mundos diferentes? — Luffy indaga. — Por acaso o Sanji veio de outro planeta? Legal, eu não sabia disso!
– É claro que não, idiota, isso foi só uma expressão!
– Sério?
Todos começaram a rir novamente da confusão que o garoto fez e a entrevistadora, já meio sem graça com aquela situação, voltou a mudar de assunto.
– Hahaha, você é bem engraçado, Luffy! Mas você não respondeu como aconteceu o primeiro encontro de vocês dois.
– Ah, eu tava fugindo de uma máfia, aí o Sanji me salvou, e...
– M-M-Mafia?! Você é um procurado ou alguma coisa assim, garoto de Foosha? — Todos ficaram surpresos. Sanji voltou a interferir.
– Hahaha, claro que não! É só uma piada! Você acreditou mesmo nisso, Nicole?
– C-Claro que não! E-Ele tem bastante humor pelo visto...
– Ele tem sim! E respondendo sua pergunta, ele é irmão de uma conhecida minha. Nós acabamos virando amigos depois disso.
A entrevista seguiu normalmente, todos levaram o que Luffy havia dito como piada. Ele não entendeu muito bem o motivo de não poder contar a verdade, mas acabou ficando calado para Sanji não brigar com ele.
– Então, Sanji, conte-nos sobre a sua família! Você e o seu pai brigaram depois dos escândalos envolvendo esse garoto e de você ter sido preso?
– É, mais ou menos isso... eu não fui preso, Nicole. Um idiota armou pra mim, mas isso já foi resolvido e ele está preso atualmente. Sobre o meu pai, nós realmente brigamos e agora eu não trabalho mais no restaurante dele.
– Como foi passar por tudo isso? Alguém te apoiou?
– No começo foi horrível, eu não sabia o que fazer além de chorar. Mas esse garoto me ajudou a superar tudo isso e agora eu tô bem.
– Então foi esse garoto quem te apoiou? Mas ele não tinha sido o responsável por tudo isso? Se não fosse por ele você não precisaria de apoio nenhum.
– B-Bom, eu também achava isso no começo, mas não é bem assim...
– Como assim?
– É verdade que ele foi o motivo de eu ter perdido tudo, mas eu também ganhei muita coisa nova quando nós viramos amigos. Ele me fez perceber que você pode ter uma vida boa sem precisar de fama, dinheiro, essas coisas.
– Sério? Hahahaha, não sabia disso! Então você seria feliz mesmo sendo pobre?
– Nicole, nem tudo gira em torno do dinheiro. Quando você começar a gostar de alguém você vai perceber isso, assim como eu percebi.
Sanji P.O.V
Essa mulher é incrivelmente chata, que porre! Ela precisa mesmo ficar me chamando de pobre o tempo todo? Chega a ser pior do que eu antigamente, tsc.
Mas o Luffy pareceu ficar um pouco feliz depois do que eu disse. Pelo menos isso é bom, antes ele estava tão caidinho... ele deve estar odiando essa situação mais do que eu. Essa coisa precisa acabar logo.
– Começar a gostar de alguém, Sanji? Hum... isso me lembra uma coisa!
– O quê?
– Você é conhecido também por ser um galanteador! Sempre é visto com uma mulher diferente, mas esses dias nunca mais saiu com uma. É possível que você esteja apaixonado?
A plateia inteira começou a cochichar, murmurar, depois dela ter falado aquilo. Mas essa tal de Nicole tocou bem no assunto que eu não queria falar!
O Luffy já desviou o olhar de mim, disfarçando. Eu não posso falar sobre nós dois mas ao mesmo tempo eu não posso negar que estou namorando, se não ele fica bravo comigo e eu não vou me perdoar!
– B-Bom, sim... eu estou namorando atualmente.
– SÉRIO? Quem diria, o maior mulherengo da França namorando! Há quanto tempo vocês estão juntos? Ela está aqui no estúdio?
– Uma semana mais ou menos... e sim, tá aqui no estúdio.
Eu preciso tomar cuidado com as palavras, principalmente com os pronomes! Se eu chamar o Luffy de "ela" ele vai ficar zangado comigo. Que merda eu faço agora? Desvio de assunto?
– E qual é o nome da pretendente?
– Isso não vem ao caso, eu vim aqui explicar sobre o relacionamento entre mim e a minha família.
– Mudando de assunto? Assim eu fico mais curiosa para saber quem ela é! Mas então tá, o que você pretende fazer agora que foi deserdado?
– Eu não sei, mas eu acho que vou mudar de país e começar uma vida nova.
– E vai levar a sua garota junto?
– V-Vou...
– Desculpe mas não dá para controlar a curiosidade! Pelo menos nos diga algo sobre ela, Sanji. O que fez você se apaixonar?
– Ah, isso é fácil. Foi seu sorriso, o modo como sempre ficou ao meu lado mesmo eu sendo um completo idiota. Mesmo depois de tanta confusão, de ter que me aturar ficando irritado, das pequenas brigas que nós dois sempre temos... mesmo depois de tudo isso, essa pessoa ficou ao meu lado e me apoiou quando ninguém mais se importou. Além disso, foi graças a essa mesma pessoa que um buraco vazio no meu peito foi preenchido com amor e carinho.
Dava para ouvir o público gritando e aplaudindo, como se eu tivesse dito uma coisa realmente importante. Nicole também parecia bem tocada com aquelas palavras e Luffy voltou a me olhar, com um sorriso disfarçado. Acho que eu fiz bem.
– Own, que lindo! Ela deve ter muita sorte de ter um namorado como você. Mas fala aí, Luffy, você está tão calado. Você tem uma namorada também?
– Sim, tenho sim.
– E pode nos dizer o nome dela?
– Eu gostaria muito, mas só a minha família sabe, então eu não posso falar.
– É um relacionamento escondido então? Isso é tão... excitante!
– Não é excitante, é chato. Eu queria falar pra todo mundo sobre a gente, mas tenho que esconder...
– Ah, que pena! E você está na mesma situação, Sanji?
O que eu faço? Eu sei que esconder isso acaba machucando o Luffy e eu realmente quero contar sobre o nosso namoro, mas o meu pai tá assistindo a esse programa idiota. Se ele souber vai me odiar mais ainda!
– Sanji?
Bom, se bem não vai fazer muita diferença se ele me odiar ou não. Aliás, ele já me odeia, só iria aumentar o grau da raiva. E também eu já estou decidido a fugir com o Luffy pra fora da França, então eu e meu pai não nos veremos mais.
– Ei, Sanji...! Acorda!
Então eu conto? Se eu contar vou ser motivo de piadas, mas eu nem vou conviver mais com essas pessoas. E se eu contar o Luffy vai ficar mais feliz comigo, né? E nós dois fugiríamos rapidamente.
– SANJI!
– Ahn? Quê?
– Você ficou aí no mundo da lua, pensei que tinha dormido! Já voltou ao normal?
– Ah... eu acabei me distraindo, foi mal. Qual foi a pergunta?
– Você está em um relacionamento escondido da sua família?
Então é agora que eu preciso decidir. Meu pai já me odeia e se eu continuar escondendo isso, eu vou me odiar. Mas cara... que medo, sério, tem muita gente aqui!
– Eu estava... mas agora acho que não vou mais esconder.
– Não vai?
Tá, é agora que eu preciso tirar coragem não sei de onde. O Luffy já tava me olhando meio ansioso e provavelmente já percebeu meu nervosismo. Agora é tudo ou nada... você consegue, Sanji!
– Ei, Nicole.
– Hum?
– Me agradeça por isso, este vai ser o programa com maior IBOPE que você já viu.
– Opa! O que você pretende fazer?
– Você vai ver.
Me levantei da poltrona. Minhas pernas estavam tremendo e meus punhos se fecharam devido o nervosismo de fazer o que eu iria fazer, mas naquele momento eu não podia simplesmente desistir no meio do nada.
Fui em direção onde Luffy estava sentado e pedi para que ele se levantasse. Ele não parecia estar entendo a situação muito bem, mas fez o que eu mandei.
Nós dois estávamos em pé, um de frente para o outro, então eu me agachei e retirei do meu paletó uma pequena caixinha que eu havia comprado para dar-lhe de presente outra hora, mas não tinha melhor oportunidade do que agora.
A plateia toda se levantou, mas não emitiram nenhum som, como se estivessem ansiosos por alguma coisa. Nicole também parecia surpresa e pois somente uma mão cobrindo sua boca. Luffy ficou nervoso.
– S-San..ji...?
– Luffy, mesmo sendo um período tão curto de tempo, é o período mais belo e feliz que já vivi. Quando você apareceu no meu carro naquele dia, eu jamais imaginei que você poderia preencher um espaço que nem mesmo eu desconfiava que existia. Hoje eu olho para o passado e percebo o quão vazia era minha vida, o quão entediante meu cotidiano era e quanto tempo eu perdia com mulheres que eu nem mesmo lembrava o nome.
– Sanji... — Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
– Eu sei que é muito de repente, mas se algum dia nós dois realmente quisermos fugir daqui, ir para um lugar distante e adotar dois filhos, eu preciso dar o primeiro passo. E eu não vejo hora melhor que agora.
– S-Sanji, eu...
– Monkey D. Luffy, quer casar comigo?
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