Love Cook, Love Food
40 Primeiro dia com ela

Um excelentíssimo dia de sol no Canadá! No dia posterior a terem aceitado ficar e cuidar de Boa Hancock, depois de arrumarem um quarto para a garota em seu navio-restaurante, Sanji e Luffy despertaram juntos em seu próprio quarto. A primeira coisa que fizeram de manhã foi conversar sobre a situação da menina que passaria a morar com eles.
– Eu estava pensando em colocá-la numa escola. – Sanji diz, cuidando de seu visual pois odiava acordar todo descabelado. – A Hancock nunca foi à uma.
– Você acha? – Luffy responde, despreocupado. – Sei lá, ela é nova na cidade, acho que a gente deveria levá-la pra comer carne e passear por aí.
– Precisamos de um pouco de responsabilidade, Luffy, ela é uma criança que precisa estudar. Aliás, será que ela passou bem a noite? Ela nunca dormiu aqui e tudo mais.
– Vamos lá encontrá-la então.
Ambos saíram de seu quarto após se vestirem de um modo mais adequado, dirigindo-se até onde Boa Hancock se encontrava. Bateram na porta e, quando entraram, a menina já estava acordada, sentada na cama usando um vestido e penteando o cabelo.
– Bom dia! – Ela diz alegremente.
– Bom dia! – E ambos respondem igual.
– Como foi a noite, Hancock? – Sanji pergunta.
– Ah, graças ao Sabo eu me acostumei a dormir com o navio balançando no mar, e também sempre dormia em locais diferentes, então foi tudo bem.
– Ótimo, então vamos tomar café da manhã. – Luffy exclama eufórico. – Hora do presunto!
– Ei, deixa eu te perguntar uma coisa. – Sanji ignora completamente o marido esfomeado e vai se sentar ao lado da morena. – O que você acha de ir à escola?
– Escola? Eu nunca fui à uma.
– Escola é o lugar onde você aprende coisas e arruma amigos, é bem importante.
– Mas eu não conheço ninguém, sei lá.
– Olha, se nós dermos sorte talvez dê pra você ficar no mesmo colégio do Rosinante. Que tal?
– S-Sério? – Os olhos dela brilham. – Legal, aí eu vejo se dá pra fazer ele falar alguma coisa!
– Acho que vocês só não vão poder ficar na mesma turma porque ele é mais novo que você.
– Eu quero sim! Eu gosto de ler e a Koala me dava algumas aulas, então eu sei algumas coisas.
– Beleza então, eu vou conseguir o telefone do Doflamingo e perguntar onde o Rosinante estuda, mas enquanto isso vamos ao preparo do café da manhã de vocês.
Sendo assim, o loiro levou os outros dois até a cozinha, onde preparou o café da manhã e Luffy ensinava à Hancock diferentes maneiras de brincar com a comida antes de comê-la. Após Sanji terminar sua refeição e dar vários chutes no moreno por disperdício, foi telefonar para Trafalgar afim de conseguir falar com Doflamingo.
Apesar de tanto o médico quanto o outro loiro não serem criaturas, digamos, amigáveis, Sanji acabou conseguindo o nome da escola onde Rosinante estudava e o garoto ficou animado com a futura ida de Boa Hancock. Logo depois, o cozinheiro foi comprar os materiais escolares e matriculá-la no colégio.
No dia seguinte, Boa já estava de uniforme preparando-se para seu primeiro dia de aula. Os rapazes a levaram para a escola, que era bem grande e tinha um pátio enorme, crianças correndo por todos os cantos e um prédio gigante onde aconteciam as aulas.
– Então é isso. – Sanji estava agachado, dando um último retoque em seus cabelos e verificando se sua roupa estava direita. – Tá pronta?
– N-Não sei direito... – Ela ficou um pouco tímida.
– É normal ficar nervosa no começo, mas depois você vai ver que a escola é bem legal.
– Você gostava de estudar, Sanji?
– Sim! E tinha muitos amigos.
– Ué. – Luffy os interrompe. – Você tinha me dito que apanhava todos os dias, tiravam sarro de você, enfiavam sua cabeça na privada, rasgavam seus livros, puxavam seu cabelo, cortavam seu cabel–
– P-Para de falar isso, idiota! – O loiro cala a boca do outro com as mãos e se vira pra garotinha, meio constrangido. – H-Hahaha, i-isso é só brincadeira dele! Não é, Luffy?
– V-Vão bater em mim?! – Hancock se desespera.
– Se alguém te bater, bate neles também! – Luffy a incentiva.
– Cala boca! – Sanji bate na cabeça dele. – Tsc, ouve nada do que esse idiota te disser, Hancock, a escola é o paraíso dos adolescentes.
– Tá bom...
– Então eu acho que é melhor nós deixarmos você aqui agora, certo?
– Vocês vão embora? Mas eu não conheço ninguém aqui, eu não quero ficar sozinha.
– Será que o Rosinante veio mesmo? – Luffy pergunta. – Eu não tô vendo ele aqui, ele deve ter ficado em casa comendo carne.
– Nós procuraríamos o Rosinante contigo, mas não podemos entrar na escola. – Sanji diz. – Não se preocupa, vai ser um ótimo dia!
– Tá bom. – Ela diz, um pouco desanimada, um pouco insegura. Os outros dois rapazes se preparavam para ir embora.
– Tchau, Hancock/Hamock! – Diziam juntos, acenando até saírem.
– Tchau! – E ela respondia do mesmo modo.
A menina resolveu deixar a insegurança de lado, colocando a mochila nas costas e se preparando para adentrar de vez. O pátio estava lotado de crianças que brincavam enquanto o sinal da aula não batia, mas nenhuma a interessava. Hancock estava mesmo a fim de encontrar Rosinante, que era o único que conhecia.
Mas acabou não o encontrando e precisou ir para sala de aula, uma vez que o sinal tinha tocado. Logo que a adentrou, todas as crianças ficaram olhando para si, se perguntando quem ela seria, porém, Boa os ignorou e sentou-se em uma carteira qualquer. Não demorou muito para que uma professora chegasse no local.
– Bom dia, turma! – Ela os cumprimentou e foi respondida. – Hoje nós teremos uma aula nova chamada Boa Hancock. Ela já está aí?
– E-Eu... – Boa levanta a mão sem saber muito bem o que fazer.
– Oh, é você! Seja muito bem vinda, Hancock.
– O-Obrigada.
– Você é estrangeira, certo? Não precisa ficar tímida. De onde você é e qual é a sua idade?
– Ahn, eu vim da Síria e tenho doze anos.
– Uuuuh.... – As demais crianças ficaram impressionadas e ficaram cochichando entre si, o que deixou Hancock um pouco desconfortável.
– Oh, você é asiática? – A professora torna a dizer. – É bem longe daqui. Mas enfim, você é muito bem vinda!
– Obrigada.
Hancock foi se sentindo cada vez mais segura em estar ali e começou a acompanhar a aula normalmente, inclusive, uma outra garota, que se sentava à frente dela, virou-se para cumprimentá-la. Também era morena e tinha os mesmos olhos azuis.
– Oi! – Ela a cumprimentou. – Hancock, né?
– Oi! Sim, e você?
– Pode me chamar de Robin. Você veio mesmo da Ásia?
– Sim, mas agora eu moro em um navio no mar.
– Sério? Legal, eu adoro viajar! Apesar de só ter lido sobre a Ásia, nunca fui lá de verdade. É legal?
– Bom, o meu país não era muito legal...
– Verdade?
– É, tinha muita guerra lá, então disseram pra eu vir pro Canadá porque era mais seguro. Você gosta de ler?
– Sim, minha matéria preferida é história, e você?
– Ahn, na verdade é a primeira vez que eu venho à escola, então eu não sei.
– Se quiser eu posso te mostrar alguns livros. Ah, e se você puder me contar mais sobre o seu país também seria legal.
– Pode ser.
Hancock e Nico Robin acabaram virando amigas graças aos seus interesses em comum; uma gostava de ler sobre países exóticos e a outra tinha nascido em um. Ficaram conversando até bater o sinal do intervalo, onde foram se sentar juntas no pátio. Boa acabou ganhando um livro para ler emprestado e ofereceu à outra o sanduíche que Sanji havia feito para si.
– Sobre o que é esse livro? – Hancock perguntou.
– É sobre–
– …
Robin acabou parando de falar quando notou a presença de um garotinho loiro de dez anos que havia aparecido, tendo seus olhos escondidos debaixo de uma grande franja e um rostinho vermelho tímido. Ele também estava com as duas mãos para trás, como se estivesse guardando algo.
– Rosinante! – Hancock exclama, feliz e batendo as pernas. – Eu achei que não iria te encontrar aqui.
– … – Ele não fala nada, mas faz um aceno com uma das mãos e, em seguida, aponta para a outra menina.
– Ah, essa aqui é a Robin. Robin, esse é o Rosinante.
– Ele é mudo? – Robin sussurrou para a outra.
– Não, ele só é meio tímido mesmo.
– Ah tá.
– O que você tá escondendo aí? – Hancock perguntou, observando o garotinho com as mãos para trás.
O garoto loiro fica mais tímido ainda e começa a olhar para baixo, tentando arrumar coragem para mostrar o que havia trazido. Demorou um pouco, mas ele enfim, conseguiu mostrar o que era. Tratava-se de um buquê de flores vermelhas.
– I-Isso é pra mim?! – Hancock ficou com os olhos brilhando e pois uma de suas mãos na boca. Rosinante apenas faz um “sim” com a cabeça.
– Nossa, que lindas! – Robin também se surpreende.
– Obrigada. – Ela aceita as flores. – Senta aqui com a gente, Rossy.
Logo, as duas meninas morenas começaram a conversar por quanto Rosinante as ouvia e ria junto com elas, mas sem dizer nada graças a sua timidez. Só se separaram quando o sinal bateu e cada um foi para sua turma, visto que o loiro era mais novo que ambas.
Hancock acabou gostando da escola e se identificou com os livros que Robin a emprestava, além de não ter sido difícil para ela se enturmar. Ao final da aula, quando todas as crianças saíram de suas turmas e foram aguardar seus pais no pátio, a morena fez o mesmo, esperando Luffy e Sanji, que logo chegaram.
– Yo, Hancock/Hamock!
– Oi! – Ela foi correndo na direção dos dois.
– E aí, como foi o primeiro dia de aula? – Sanji perguntou ao mesmo tempo em que iam para o carro. – Viu o Rosinante?
– Foi muito legal! Eu fiz uma amiga e olha só o que o Rossy me deu. – Ela mostra o buquê de flores.
– Wow, ele te deu flores? – Luffy exclama.
– Hm... esse garoto já tá querendo coisa errada, tenho certeza que é por influência do Torao. – Sanji diz, resmungando.
– Como assim? – Hancock pergunta.
– Ah, é que você é uma menina linda, provavelmente todos os homens vão querer te dar flores quando você for mais velha. Eu me preocupo, só isso.
– Mas ele é dois anos mais novo que eu.
– Eu sei, eu exagerei, foi mal, é que vocês crianças crescem muito rápido. Enfim! Quer fazer alguma coisa? Já que você é nova na cidade a gente podia passear.
– Sim! Pra onde?
– Bom, que tal o Shopping? Lá você compra algumas roupas e coisas pra enfeitar o seu quarto.
– E carne! – Luffy diz. – No shopping tem praça de alimentação.
– Então tá bom.
Sendo assim, os três foram para casa uma vez que Hancock ainda precisava trocar o uniforme da escola, dirigindo-se para o shopping logo após. Sanji fez questão de escolher o maior shopping, o que deixou a menina encantada graças a quantidade de peças de roupas, acessórios e atrações que lá tinham.
Luffy insistiu para que fossem à pista de boliche ou patinação, porém, Sanji arrastou a garotinha até as lojas de roupas e a deu um catálogo de vestidos infantis. Hancock não ligou muito no começo, mas eram peças tão diferentes das que estavam acostumadas que seus olhos até ganharam um novo brilho.
– Nossa, esse aqui é lindo! – Ela apontou pra um vestido vermelho, contudo logo viu a etiqueta de preços. – M-Mas por que é tão caro?
– É caro porque é de qualidade e meninas elegantes como você merecem o melhor da vida. – Sanji diz.
– Eu não acho que a Hamock precise de tudo isso, ela só tem doze anos. – Luffy fala, não se importando com a loja.
– Bom, vamos deixá-la escolher. Quer experimentar, Hancock?
– Uhum.
Ela pegou o vestido vermelho com detalhes e laços dourados e foi ao vestiário trocar de roupa, prendendo o cabelo até mesmo com duas presílias amarelas para ficar ainda mais bonita. Ao finalizar, foi ao encontro novamente dos dois rapazes que se surpreenderam.
– Nossa, você ficou incrível! – Disseram juntos.
– Awn, eu sempre quis escolher roupas assim! – Sanji exclama. – Ei, será que se eu desenhar algumas você usaria?
– Usaria! – Ela responde.
– Então vamos fazer mais compras!
Novamente, ignorando totalmente a vontade de Luffy de querer brincar e comer, Sanji e Hancock fizeram uma limpa em todas as lojas do shopping. Compraram acessórios para enfeitar seu novo quarto, brincos de ouro, anéis, vestidos, roupas, tudo! A menina estava adorando gastar tanto dinheiro, visto que nascera em um país pobre.
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