Um mês e alguns dias depois...

Sanji P.O.V

Último dia do ano. Depois de nós passarmos o natal juntos, eu e o Luffy agora estamos em um navio pela primeira vez. Eu iria levá-lo para a primeira viagem no mar no nosso segundo aniversário, mas como o fim de ano estava perto, decidi esperar.

O importante é que agora nós dois estamos aqui. Ele está apoiado na proa, observando o mar e eu estava atrás dele, o abraçando pela cintura. É uma manhã de sol e as ondas batiam no navio, as gaivotas voavam por aí e o vento calmo batia em nossos rostos, bagunçando nossos cabelos. A sensação era ótima.

– Então é assim que o mar é? – Luffy comentou, com um sorriso no rosto enquanto olhava para as nuvens, aproveitando a brisa.

– Agora você entendeu o porque de eu querer lhe trazer tanto pra cá? – Disse, beijando levemente seu pescoço e olhando para o horizonte.

– Entendi... é realmente lindo. Dizem que os oceanos são tão grandiosos que o ser humano conhece mais a terra do que o mar.

– É verdade. E algum dia nós dois vamos percorrer o mundo inteiro e ver cada cantinho do mar.

Como eu imaginei, o Luffy simplesmente estava encantado com essa vista. Não é pra menos, afinal, os mares do Canadá são lindos. O cruzeiro também estava cheio por ser o fim de ano, embora a maioria das pessoas preferisse vir só de noite. Eu fiz questão de vir de manhã pra nós passarmos o dia juntos.

Esqueci de mencionar, mas a Nami, o Usopp, o Zoro e até o Mihawk estão aqui também. Embora a nossa briga tenha diminuído bastante, eu e o Marimo ainda não nos damos bem. Sei lá, eu simplesmente não fui com a cara dele mesmo. Pelo menos agora que ele tá tendo um caso com o próprio treinador ele deixa o Luffy em paz.

Neste momento nós estávamos reunidos na piscina do navio, brincando um pouco. Nós seis sentamos no chão e botamos uma garrafa no centro da roda formada, por ideia do Usopp, que sugeriu que brincássemos de Verdade ou Desafio.

– Como se brinca dessa coisa? – Perguntei.

– Não acredito que você não sabe! – Exclama Usopp, como se fosse crime nunca ter jogado isso. – É bem simples, a gente gira a garrafa e quem estiver com o bico apontado pergunta pra outra pessoa se ela quer Verdade ou Desafio.

– Parece meio idiota pra mim.

– É bem divertido. – Diz Nami. – Eu jogava com a minha irmã na época da faculdade.

– Foi graças a esse jogo que eu comecei a namorar com o Torao.

– QUÊ? Eu definitivamente não vou jogar isso!

– Não seja um estraga prazeres, Cook. – Interrompe o Marimo. – Vai, vamos jogar. Eu prometo que deixo você ganhar.

– Como se eu precisasse da sua ajuda pra ganhar alguma coisa, Marimo de merda.

– Deixem a rivalidade de lado e vamos jogar! — Nami nos interrompeu e girou a garrafa. O bico caiu para o Usopp e a outra parte caiu para o Luffy.

– Luffy, você deu sorte de ser o primeiro! Verdade ou Desafio?

– Desafio!

– Hum... então você terá que lamber o chão...

– Parece fácil.

– … do banheiro dos funcionários!

– Q-Quê? Sério?!

– Vai desistir? E eu soube que lá é bem sujinho, hein...

– C-Claro que não, eu nunca desisto.

E assim, nós seis fomos com o Luffy até o banheiro dos funcionário para vê-lo lambendo o chão. Este navio pode ser lindo e arrumado, mas o banheiro realmente é bem fedorento. Confesso que foi divertido ver a cara do Luffy com a língua pra fora tentando cuspir os pelos que ele acabou encontrando no chão! Só não quero saber de onde esses pelos vieram... enfim, retornamos para o jogo.

– Então agora é o Luffy quem gira a garra? – Perguntei. Ele ainda estava tentando tirar os germes da língua.

– Eu vou girar. – Assim que ele girou, o bico da garrafa parou em mim e o Marimo ficou com a outra ponta.

– Oh, isso vai ser divertido. – Lancei para o esverdeado um olhar bem descontraído e um sorriso diabólico. – Então, o que vai querer?

– Vindo de você? Vou querer Verdade mesmo.

– Ah, está com medo de aceitar um desafio meu, Marimo-kun?

– Hã? Eu quis dizer Desafio! Não ouviu direito, sobrancelhudo surdo?

– Ótimo, foi o que eu pensei. – E agora, o que será que eu obrigo esse idiota a fazer? Será que tem alguma regra contra "te desafio a cometer suicídio"? Se bem que eu tenho uma ideia melhor... – Beleza, Marimo, tá preparado?

– Eu nasci pronto.

– Então eu te desafio a se ajoelhar pro Mihawk e confessar todo o seu amor por ele! – Heh, aquele monstro não é capaz de falar coisas melosas. Os dois nem tinham começado a namorar oficialmente! Vai ser bem divertido.

– C-Como? I-Isso é impossível... – Ele ficou vermelho instantemente e eu já tive vontade de cair no chão de tanto rir!

– Oh, isso vai ser interessante. – Mihawk se levantou e lançou um sorriso pro outro, que ficou mais vermelho ainda. Os outros da roda estavam achando aquilo tão engraçado quanto eu! E, pra não parecer um covarde, o Zoro se ajoelhou mesmo.

– E-Então.. eu gosto de você...

– Ah, só isso? – Mihawk bufou, com tédio. Eu, Luffy e Usopp já estávamos morrendo de rir.

– Nada disso, você pode ser melhor que isso! – Afirmou Nami. – Tenta ser mais romântico, do mesmo jeito que o Sanji e o Luffy são.

– É, Marimo! Abra seu coração. – Exclamei.

– Tsc... eu vou matar você, Cook...

– Nem precisa, eu já tô quase tendo um ataque de tanto rir! – E assim, ele bufou mais um pouco, suspirou bem fundo e olhou nos olhos dourados do treinador.

– Eu já te olhava na academia antes de tudo isso acontecer, então quando você me convidou pra sua casa eu fiquei feliz porque eu não achava que você iria entender isso, mas eu só quero que você saiba... mesmo que você tivesse me dado um fora eu iria te perseguir pro resto da vida, Mihawk porque... eu amo você. Pronto, falei.

– Olha, quem diria, você conseguiu mesmo falar. Estou impressionado.

Parece que o Mihawk gostou mesmo de ouvir isso. Até eu fiquei surpreso, achei que ele não seria capaz de falar esse tipo de coisa e a Nami achou lindo também. O Luffy e o Usopp riam como idiotas juntos, então deixamos isso pra lá e voltamos com o jogo.

Depois de muito tempo jogando já estava quase caindo a tarde, mas o sol ainda estava forte. Os rapazes foram pra piscina, a Nami foi pegar um sol e eu fiquei com o Luffy na cadeira pegando um bronze também. Ele pois o chapéu de palha de lado, se deitou no meu peito e nós ficamos vendo os outros na água.

– Sanji, esse lugar é lindo...

– Gostou mesmo? Eu sabia que você ia gostar do mar.

– Dá uma sensação de liberdade, como se nós fossemos os donos do mundo. Como se nós dois pudéssemos ir pra onde quiséssemos. E o vento é ótimo também.

– E nós dois podemos. Eu te prometi que iria viajar o mundo inteiro com você e é isso que eu vou fazer, assim que eu arrumar um emprego em algum restaurante no ano que vem.

– Ei, Sanji, sobre isso...

– Sim?

– E se nós tivéssemos um restaurante no meio do mar?

– Um restaurante no meio do mar? – De imediato achei a ideia meio estranha, mas os olhos do Luffy pareciam brilhar.

– É! O seu pai é dono de vários restaurantes, e agora que vocês fizeram as pazes ele poderia te ajudar a construir um no mar. Não é legal?

– Não sei, eu não falo com ele há um tempo e seria meio estranho chegar falado "E aí, você pode me dar um restaurante pra eu jogá-lo na água?"

– Você não gostou da ideia?

– Gostei, é bem diferente e seria legal morar no mar. Só acho que é meio difícil conseguir fazer isso.

– Antes você dizia que seria difícil vir morar comigo em outro país, e agora nós estamos aqui. Nada é impossível.

– Quer saber? Você tem razão, Luffy. Eu preciso de um emprego e não é uma má ideia ter um restaurante só meu, fora que assim nós dois moraríamos juntos e você poderia trabalhar comigo.

– Então você vai fazer mesmo?!

– Vou falar com o meu pai. Se ele aceitar me ajudar, eu faço.

– Sério?! Legaaaaaaal!!

Depois de nós conversarmos mais um pouco, o sol começou a bater muito forte então eu decidi passar protetor no Luffy para ele não se queimar. Ele sentou-se à minha frente e eu fui passando o creme, até eu notar uma coisa estranha. Por algum motivo, a nuca dele estava brilhando.

– Luffy... seu pescoço tá brilhando.

– Meu pescoço tá brilhando? Como assim?

– Sei lá, tá brilhando. Quer que eu pegue o seu chapéu pra te proteger do sol?

– Q-Quero...

Aquilo me deixou preocupado, mas ignorei. Peguei o chapéu de palha para por em sua cabeça e fazer seu pescoço parar de brilhar, mas foi aí que tudo ficou mais estranho ainda. O brilho da nuca refletiu no chapéu, como se fosse uma espécie de espelho e apareceu algumas palavras como mágica no pescoço dele.

– L-Luffy... tem alguma coisa escrita no seu pescoço...

– S-Sanji, você tá me assustando já. Primeiro o meu pescoço brilha e agora ele também fala?

– Sei lá, eu também não tô entendendo nada. Tá escrito em inglês em umas letrinhas muito pequenas.

– Você consegue ler?

– Consigo. Parece um código escondido, coisa de detetive mesmo. Eu vou ler pra você.

"Boa tarde, meu nome é Gol D. Roger.

Se você está conseguindo ler isto, parabéns, você encontrou o meu tesouro. Porém, este tesouro é algo que pode tanto destruir o mundo como também pode lhe dar a alegria eterna. Cabe a você decidir que fim vai dar a ele.

Há centenas de anos atrás, existiu uma pessoa chamada Joy D. Boy. Ele deu início a uma linhagem antiga e todas as pessoas descendentes desta linhagem tem o código escondido em alguma parte de seu corpo. Vocês são os responsáveis por trazer paz ou catástrofe a este mundo. Os herdeiros legítimos da Arma Ancestral, One Piece, que pode acabar com os quatro mares existentes.

Contudo, se não desejarem acabar com o mar, vocês podem usar esta arma para garantir a felicidade eterna. Juntar os quatro mares que ligam o mundo e assim, criar um novo mar. O mar que liga todos os continentes e dá alegria eterna a quem o conduz. O mar chamado "All Blue"."

– T-Tudo isso tá escrito no meu pescoço?!

– Eita porra, agora eu tô com medo. É esse o código que o Teach tava procurando?!

– O que a gente faz, Sanji?

– Sei lá, eu não quero confusão! Vamos fingir que nunca vimos isso?

– T-Tá...

– Aliás, pensando bem, esse tal de mar "All Blue" dá um belo nome pra um restaurante aquático, não acha?

(...)

Decidimos deixar este assunto pra lá. Eu liguei para o meu pai e falei sobre essa ideia, ele achou que eu finalmente estava dando um rumo à minha vida e ficou feliz por isso. Também me deu o nome de uma pessoa que me ajudaria a construir o restaurante, um tal de "Shanks".

O tempo foi passando até o cair da noite. Nami estava bebendo um champanhe e esperando dar meia noite junto com o Usopp. O Marimo e o Mihawk estavam em algum canto por aí, perdidos, provavelmente se pegando escondido. Eu fiquei com o Luffy observando os fogos de fim de ano e nós fizemos uma promessa.

– Promete que nós dois vamos viver juntos pra sempre, Sanji?

– Prometo. E vamos viajar o mundo inteiro no mar, junto com o nosso novo restaurante.

– Yosh! Então é uma promessa. Faltam cinco segundos pro ano novo e é ótimo poder passar tudo isso com você!!

– Então vamos à contagem regressiva?

5

As pessoas já estavam comemorando. Bebidas foram levantadas e isqueiros foram acesos, tudo junto a uma música de festas e um clima incrível no navio.

4

Nami e Usopp já tinham bebido tanto que começaram a se pegar mesmo ainda não dando a hora certa. Eu e o Luffy ainda olhávamos para cima para ver os fogos.

3

Por algum motivo, senti que do outro lado do navio, Zoro e Mihawk estavam na mesma situação, visto que antes de saírem eles falaram que passariam o Ano Novo em uma parte escondida do navio. Acho que eles começaram a namorar oficialmente.

2

Agora sim, estava quase na hora. Eu e o Luffy estávamos abraçados e felizes por termos conseguido ficarmos juntos por tanto tempo. Eu também só pensava na futura vida que teríamos com essa ideia maluca do restaurante.

1

E, finalmente, o Ano Novo. Com o ano novo, novas promessas vieram e novas pessoas inesquecíveis entrariam em nossas vidas. Fora que nós poderíamos ficar juntos oficialmente. Só eu, ele e nosso futuro trabalho.

00:00

Feliz ano novo!!

Notas finais
Yay, por essa vocês não esperavam!!