Love Cook, Love Food
6 Confessionário

Sanji foi levado algemado até a delegacia mais próxima e posto numa sala vazia. Disseram-no que ele seria interrogado por um por um famoso policial que já estava a caminho e que iriam decidir se ele era culpado ou não.
Dentro da casa do cozinheiro haviam marcas de tiros na parede, o sofá estava coberto de sangue, móveis quebrados e danificados... um verdadeiro cenário de crime. Acharam também cinco pinos de cocaína escondidos em sua residência.
Mas o pior de tudo eram as gravações. Por ser uma casa muito grande, existiam várias câmeras no local e todas elas mostravam claramente Sanji no vídeo cometendo essas infrações, o que o deixou realmente confuso.
– Você é Sanji Harris?
Um policial alto, gordo e de cabelos grisalhos entrou no local, quebrando o silêncio que lá havia.
– Sim! E isso tudo tá muito estranho, eu não fiz nada! Eu quero falar com o Luffy, onde ele está?!
– Não é você quem faz as perguntas aqui. Você vai ficar bem quieto e responder a tudo que eu disser, entendeu?
– Isso é um absurdo, você sabe quem eu sou?
– Eu pensei ter dito que era eu quem fazia as perguntas! — O policial bate com as mãos na mesa, quase quebrando-a e falando num tom de voz alto.
– Ei, ei, eu só quero entender que merda tá acontecendo aqui. Pelo menos me diga se o Luffy está bem!
– Isso é o que eu quero saber. Onde o Luffy está? Responda!
– Como eu vou saber?! A última vez que eu o vi ele estava no meu quarto! Eu sai por algumas horas com uma Dama e quando eu voltei a policia estava na minha casa. Foi o que aconteceu.
– E como você explica a filmagem de vocês dois brigando?
– Sei lá, eu não tô entendendo nada! Só sei que eu não podia fazer essas coisas estando em outro lugar, certo? Pode perguntar pro dono do restaurante. Eu te digo o nome.
– Disso tudo eu já sei. Pessoalmente, não acho que um pirralho mimado como você seria capaz de fazer alguma coisa contra o Luffy. Ele é bem forte, sabia?
– Pirralho mimad...? Olha como fala comigo, policial de merda! Mas espera um pouco... você conhece o Luffy?
– Eu sou avô dele e... EI, SOU EU QUEM FAÇO AS PERGUNTAS AQUI!
Sanji mudou seu tom de voz, ficando mais nervoso do que já estava.
– AVÔ?! Então foi você! A culpa é toda sua seu avô de merda!
– Como você ousa falar com o Chefe de Policia nesse tom, pirralho insolente?! Abaixa a voz!
– NEM PENSAR! Se não fosse por você e aquele chapéu idiota eu estaria deitado com a mulher mais linda do mundo nesse exato momento! Eu tenho todo direito de ficar com raiva de você e da sua família de merda, não tenho?!
– Pera, pera... o que você quis dizer com chapéu?
– Oh, achei que era você quem fazia as perguntas... parece que o jogo virou, não é?
– Cala boca! Tudo o que eu quero é achar os meus netos. Agora me diga como você e o Luffy se conheceram?
Sanji contou que o conheceu quando ele estava fugindo de algumas pessoas e que salvou a vida dele. Também contou que decidiu cuidar de seus ferimentos e deixá-lo ficar em sua casa por alguns dias até que se recuperasse.
– Então foi assim que aquele moleque de merda arruinou a minha vida. Feliz agora?
– Só vou estar feliz quando eu o vir novamente! Mas me diga... ele estava com outra pessoa?
– Outra pessoa? Não, por quê?
– O idiota do pai dele vendeu ele e o irmão. Quando eu soube disso eu fui obrigado a dar uma surra naquele merda e desde então eu estou procurando pelo Luffy e pelo Ace, mas... nos jornais você só estava com o Luffy.
– Ah, esse aí eu não cheguei a conhecer. É uma pena, mas parece que ele está morto.
– Mor...to...?
Os olhos do policial perderam o brilho. Garp tinha esperanças de que um dia poderia voltar a ver os dois netos e, agora que estava começando a chegar perto, essa notícia surge do nada.
– Ele morreu tentando salvar o irmão... bom, pelo menos foi o que o Luffy me contou. Depois disso ele foi sequestrado por um tal de Teach, fugiu, me achou e agora estamos aqui. É tudo o que eu tenho a dizer.
– O Luffy não é de mentir, então o Ace realmente est... espera, o que você disse agora? Repete a última parte!
– O quê? Ele fugiu e eu achei ele. Eu já tinha contado isso.
– Não, não, a outra! O nome da pessoa que o sequestrou!
– Teach?
Garp mais uma vez entrou em choque. Realmente aquele nome já lhe era conhecido, mas...
– AQUELE DESGRAÇADO... ELE ESTÁ VIVO?! Agora sim, tudo faz sentido!
– Ei, ei, calma... o que aconteceu? Você conhece esse cara?
– Pode apostar que sim! Ele é um maluco que faz de tudo para conseguir seus objetivos. Provavelmente foi ele quem chamou a policia e plantou provas contra você, mas eu pensei que ele tivesse morrido anos atrás!
– Mas isso é bom, né? Você agora pode rastreá-lo e pegar o Luffy de volta. Quando você conseguir fazer isso diga a ele ir à merda e arruinar a vida de outro! E também manda esses policias chatos saírem do meu pé!
– Tá, que seja, não tenho mais tempo pra perder contigo.
O interrogatório acabou e Garp levou Sanji, já sem as algemas, para fora da sala. Um jovem loiro bem alto estava lá fora, junto com os policiais, aguardando o retorno dos dois ansiosamente.
– Vovô! O que aconteceu lá dentro e por quê ele está desalgemado?!
– Ele é inocente, podem deixá-lo livre. Sabo, o responsável por tudo isso é o Teach. Eu já te contei sobre ele, não é?
– Teach... Ué, ele não tinha morrido?
– Por algum motivo parece que ele está vivo e nós precisamos encontrá-lo agora mais do que nunca! Se ele conseguir aquele chapéu todos nós teremos problemas!
Mais uma vez, Sanji interrompeu a conversa dos outros e começou a gritar com Garp, o segurando pela camisa e já com muita raiva de tudo aquilo.
– VOCÊ FICOU LOUCO? O Luffy desaparece por anos e você só consegue se preocupar com um chapéu de bosta?! Você é realmente um péssimo avô!
– Ei, há cinco minutos atrás você não tava nem aí pro Luffy e agora me vem com essa? Cuida da sua vida!
Garp já estava cansado do modo de agir de Sanji. Mesmo quase sendo preso, ele continuava a falar em um tom arrogante com um dos maiores policias da França. Uma coisa realmente chocante!
– É claro que eu me preocupo com ele! É que na verdade, eu... bom, quer dizer, nós dois...
– Vocês dois o quê?
Antes que Sanji pudesse completar sua frase, seu pai chegou na delegacia já aos berros como de costume.
– SAANNJIIII! O QUÊ SIGNIFICA ISSO?!
– P-Pai?! Que droga, eu esqueci completamente! Provavelmente algum paparazzi de merda já lançou alguma notícia sensacionalista sobre mim!
– Porte de drogas? Eu sabia que você era viciado em cigarro, mas cocaína já é ridículo! E que história é essa de homicídio? É com essas mãos que você cozinha?!
– Eu posso explicar! Armaram contra mim, foi isso que aconteceu. Eu não tenho nada a ver com isso! Diz pra ele, avô de merda!
– Sim, é verdade, ele é inocente. — Afirma Garp. — E para de me chamar assim!
– NÃO QUERO SABER. Amanhã todos os jornais estarão falando de você e a partir de hoje a sua fama vai ser totalmente negativa e você NÃO VAI MAIS PODER LEVAR O NOME DA NOSSA FAMÍLIA!
– M-Mas, pai! Deixa eu tentar te explicar, por favor!
– Você não tem mais o direito de me chamar assim, Sanji! Considere-se expulso da família, do Baratie e de todos os outros restaurantes que eu comando!
– Como assim...?
– Você está deserdado! Sabe o quê isso significa, não é? Nada mais de perfumes, mansões, carros de luxo... e nem dessas maquiagens que você insiste em ficar comprando e eu não gosto!
– Não gosta? Sério? Q-Quer dizer, você não pode fazer isso, pai! Eu sou inocente!
– Cala boca, já mandei não me chamar mais assim!
Após terminar de gritar com o "ex-filho", Zeff retirou-se da delegacia, batendo a porta com bastante força e direcionando todos os olhares para ele.
Sanji estava completamente desnorteado, sem rumo. O que seria da vida dele agora? Estava sem casa, sem emprego, sem nada! O loiro encostou-se em uma parede qualquer e foi caindo até sentar-se no chão, começando a chorar.
– Ei.– Sabo se aproximou de Sanji, sentando ao seu lado no chão.
– O que você quer? — Falava sem paciência, tentando abafar as lágrimas.
– O vovô me disse que você salvou a vida do Luffy. Eu só queria lhe agradecer por isso, sinto muito pelo seu pai.
– Eu não preciso nem da sua pena e nem do seu agradecimento. Agora, se não se importa, eu gostaria de ficar um pouco sozinho...
– Isso tudo é culpa do meu irmão, não é? Eu preciso me responsabilizar pelo que ele faz! Tem algo que eu possa fazer para ajudá-lo?
– Fazer pra me ajudar...? — Sanji olha com uma cara séria para o outro. — Sim, tem uma coisa que eu quero que você faça.
– E o que seria?
– Ache o Luffy, dê uma surra nesse desgraçado do Teach e depois queime esse maldito chapéu de merda! É isso que eu quero que você faça, entendeu?!
– Bom, isso são três coisas... e a última eu não posso fazer, mas as duas primeiras eu prometo! Trarei de volta o Luffy e o Ace com toda certeza!
– Ah, o Garp não te contou? Bem, deixa pra lá! Tem mais uma coisa que eu quero que você faça, Sabo.
– Há meio segundo atrás você estava me dando foras e agora já está me pedindo outro favor? Que seja, o que você quer?
– Relaxa, esse é mais fácil. Eu quero que você me leve junto! Deixa eu te ajudar a trazer o Luffy de volta, por favor!
Agora sim, Sabo ficou ainda mais confuso. "Esse cara é bipolar?", pensava.
– Como assim?! Olha pra você! Se você chegar perto de alguém como o Teach você vai morrer logo de primeira!
– Escuta aqui! — Sanji segurou a camisa do outro, com raiva. — Eu perdi tudo por causa desse pirralho de merda, eu já não tenho mais vida nenhuma! Minha casa está totalmente destruída, pra onde você quer que eu vá?!
– Sim, eu entendi essa parte, mas---
– Cala boca, eu não quero saber, eu vou de qualquer jeito!! Eu prometi pro Luffy que iria cuidar dele e é isso que eu vou fazer, entendeu?
– Eu não tô entendendo, você tá falando coisas sem sentindo! Afinal você odeia o meu irmão ou você gosta dele?!
– ODEIO, ODEIO AQUELE PIRRALHO DE MERDA! Eu deveria tê-lo deixado morrer quando tive a oportunidade, isso sim!
– Então porque você quer salvá-lo?!
– Porquê...?
Sanji tentou se acalmar um pouco, mas seu coração ainda estava bem acelerado e ele sentia a dor batendo em seu peito novamente. Seus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez e ele não conseguia raciocinar direito.
– Sim, porquê?!
Sabo pergunta mais uma vez, já quase sem paciência, quando Sanji demora, mas finalmente responde com uma voz já bem fraca e cansada.
– Por que eu amo ele!
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