Love: Consequences And Effects
6 Love: notas importantes (part 3)
Notas iniciais
Capitulo 6
Notas importantes: O amor é algo que vai fazer você se preocupar. Mesmo que você não perceba você se preocupa, repara, o amor é algo que mexe com você sem que você perceba.
~~Domingo; 7:00am; Apartamento do Georg
Georg acordou bem disposto, dormiu bem. Ao contrario de Georg, Samantha não dormiu bem. Georg já havia levantado, estava passando pelo corredor, lembrou da garota. Abriu de leve a porta do quarto dela, apenas o suficiente para ver se ela estaria ali.
Ele se assustou um pouco ao ver que a garota não estava ali, abriu completamente a porta e procurou ela... nem aqui e nem ali ela estava. Georg se acalmou e continuou a procurar Samantha.
Não estava nem na cozinha, nem na sala, nem em nenhum dos cômodos do apartamento. “Onde ela está” – Ele pensou. Então lhe veio a ideia de olhar no próprio quarto, passou pelo corredor, a porta do armário de casacos não estava nem fechada nem aberta, tinha um pequeno vão de luz passando por ela.
Georg pensou “por que não?” e abriu a porta do armário. E acabou por se surpreender ao ver Samantha enrolada em uma coberta chorando. Ela abraçava os joelhos, escondendo o rosto, os cabelos secos voltavam a ficar levemente cacheados. Georg não sabia o que fazer.
Sentou-se na frente da garota, tentando acalmar ela. Ele não sabia bem como fazer aquilo, começou fazendo um pequeno cafuné na cabeça da menina, o que fez ela levantar levemente a cabeça, ainda chorosa, seus olhos, lindos eram verdes e Georg só percebera aquilo naquele momento, se encheram de lagrimas.
Ela jogou o seu corpo para trás se escondendo atrás dos casacos na parte mais escura do armário. Georg abriu um vão entre os casacos. Lá estava a menina, com medo, não queria sair para ver a luz do dia, sua respiração estava acelerada e irregular, seus olhos cheios de lagrimas não aguentavam a luz do dia, ela não queria sair de lá dentro.
Georg calmamente tentou conversar com ela, ele em um tom meio rouco de voz disse calmamente para ela na tentativa de acalma-la:
- tudo bem... é só um pesadelo – ele disse
- n-no – ela disse com uma voz tremula e fraca – they... will... hurt... m-me (“eles vão me pegar”) – ela disse pausadamente, entre soluços, ainda chorando
Georg logo entendeu que ela tinha uma facilidade em falar em inglês, mas entendia perfeitamente o alemão. Então ele continuou a falar com ela:
- eles quem? – Georg disse – ninguém vai te machucar
- y-yes.. they... will... (“sim eles vão”) – ela disse chorando e soluçando mais que antes – vampires... never... hurt.. you, b-but.. the-y.. will... hurt... m-me (“vampiros nunca vão te machucar, mas eles vão me machucar”) – ela disse
- não eles nunca vão te pegar – Georg disse
- a-and, i-if... the-y... g-get... m-me-e... a-a-and.. s-sun... goes... down.. i-in-to... the... ground – ela mal conseguia falar, ela começa a chorar e soluçar cada vez mais
- olhe... já amanheceu, não tenha medo, vem – Georg esticou a mão para ela
Samantha pegou na mão de Georg. Ele delicadamente puxou ela para fora do armário, a menina saiu, ela olhava para cada canto da casa com medo de que algo acontecesse. Tímida entrou no quarto correndo, pegou seu bloco de desenhos, seu lápis e sua borracha.
Parecia uma criança assustada, com medo de tudo. Georg olhou para ela abraçar seu caderno de desenhos... era como uma criança segurando um ursinho de pelúcia, mas tinha uma inocência especial. Não era qualquer um por ai que tem por volta de 17, 20 anos que entra em um armário e chora por causa de um pesadelo e depois abraça algo como se fosse uma criança.
Georg segurou no pulso dela e puxou ela até a cozinha, que era separada da sala de jantar apenas por uma pequena bancada. Georg entrou na cozinha, no centro havia uma mesa, nessa mesa o fogão, a mesa era adaptada para ter algumas gavetas e armários, em volta tinha uma outra bancada, também adaptada para ter armários.
Ao lado dessa bancada ficava a geladeira, ao lado da geladeira a pia, depois alguns utensílios de cozinha, vendo da esquerda para a direita. Essa bancada tinha um formato em “L”. Era mais pratico para a cozinheira, a geladeira ficava até perto do fogão e ela tinha uma mesa inteira para colocar tudo o que ela iria usar.
Samantha se sentou no balcão, Georg preparava algo para comer. Uma vez ou outra ele olhava o que ela fazia, Samantha desenhava algo rapidamente em seu caderno como se fosse urgente, como se ela precisasse desenhar aquilo.
Georg com duas canecas prontas de cappuccino se aproximou dela. Ela logo terminou de desenhar e fez questão de mostrar a Georg seu desenho. Eram dois homens... uma aparência normal, de um jeito até assustador.
- They... (“eles”)- ela disse
- Eles são os vampiros do seu sonho? – Georg perguntou enquanto ela esfregava os olhinhos com sono
Ela assentiu com a cabeça ainda esfregando os olhos.
- bem, eu vou deixar eles bem longe de você. – Georg disse sorrindo
- And if they get me and the sun goes down, take a spike and could you put the spike in my heart? (“ e se eles me pegarem e o sol se puser no chão, pegue uma estaca e você poderia enfia-la no meu coração?”) – ela disse em um tom triste de medo, como se soubesse que aquilo iria acontecer.
Ela abaixou a cabeça e voltou a terminar o desenho. Georg começou a pensar no tipo de garota que ela seria, como alguém aparentemente tão inocente quanto uma criança conseguiria pensar em algo tão profundo.
Ele encostou levemente no braço dela. Ela levantou a cabeça, seus puros e inocentes olhos se direcionaram a Georg. Ele empurrou a xicara de cappuccino para ela. Ela entendeu a mensagem, tomou todo o conteúdo da xicara em poucos segundos e voltou a desenhar.
Quando eles terminaram de tomar café da manha Georg lembrou que teriam de comprar roupas novas para a menina.
- vem Samantha, vamos ter que comprar roupas novas para você, o que você acha? – Georg disse
Ela assentiu com a cabeça. Georg pegou o celular e ligou para o Bill.
-alô? – Bill atendeu sonolento
- oi, Bill? Aqui é o Georg, você pode me ajudar com uma coisa? – Georg perguntou
- posso, o que foi? – Bill perguntou
- precisamos comprar roupas para a Samantha e eu não entendo nada de roupas femininas – Georg disse
- Tudo bem, daqui a uns... 45 minutos eu passo ai na sua casa, pode ser? – Bill disse
- ok – Georg disse – Tchau
- tchau
Ambos desligaram o celular, Georg olhou para a menina naquela camisa gigante que parecia mais um vestido. Ela estava sentada em um banquinho, quase deitando em um desenho.
- Samantha – Georg chamou ela
Ela rapidamente olhou para a direção de Georg assustada.
- vem, vamos trocar de roupa, a gente vai sair e comprar algumas para você – Georg disse
Ela se levantou, abraçando o caderno e seguiu o Georg. Georg foi até seu quarto, pegou as roupas femininas que ele tinha achado na noite passada, pegou uma badana e um óculos escuro.
Pegou todas as roupas da menina que ele encontrou, separou as limpas das sujas e entregou todas a menina. Ele voltou ao seu quarto e rapidamente se trocou, colocando um disfarce. Não, ele não saiu de palhaço pelas ruas, ele apenas colocou uma camisa branca normal, um casaco menos chamativo, uma jeans normal, um all star, chapéu, óculos.
Enquanto isso Samantha esperava Georg sentada no sofá da sala, com seu bloco de desenho e um lápis na mão. Georg desceu as escadas e se surpreendeu com a menina sentada no sofá. Ela colocou as mesmas jeans rasgadas e a blusa cheia do sangue dos curativos que a enfermeira Mariana havia arrumado para ela sair do hospital no dia anterior.
Ela tinha colocado a camisa colada de Melanie por baixo, era uma camisa preta, de mangas longas, bem justa. As jeans rasgadas nos joelhos e a blusa davam um toque especial, algo meio roqueiro, a bandana amarrada no pescoço e os óculos.
Não demorou muito para a campainha tocar, provavelmente seria Bill. Georg foi até o interfone, dizendo que ele poderia subir. A menina tinha deixado o caderno de lado para saber o que teria acontecido. Ela seguiu Georg de um lado para o outro.
Georg pegou as chaves, atravessou a sala e trancou a porta. Samantha estava na frente do elevador olhando para cada canto, ela estava um pouco assustada. A porta do elevador se abriu mostrando Bill.
- Oi – Bill disse
- Oi – Georg disse
- Eai Samantha... morar com esse chato deve ser horrível né? – Bill bricou rindo
- Tá Bill... não assusta a menina – Georg disse
- Você que vai assustar ela com uma roupa dessa, ainda bem que eu to aqui e pelo o que eu vejo ela tem um bom gosto – Bill disse – vai ser divertido fazer compras com ela
- ela não parece animada Bill – Georg disse
- é só porque ela não lembra como é bom fazer compras – Bill disse – ah, eu vim de taxi, então vamos no seu carro?
- claro, já imaginei que algo assim ia acontecer – Georg disse – O Tom ainda não voltou com o carro?
- é, e o meu está na manutenção – Bill disse
~~Domingo; 10:30am; Shopping
- Eu não acredito que andamos o shopping inteiro, só gastamos 150 reais, e grande parte disso foi na papelaria – Bill disse
- Eu acredito – Georg disse rindo – sim ela gosta de fazer compras Bill
- Deus... essa menina não é normal – Bill disse – e como foi com ela? No hospital? Teve algum problema com ela?
- Foi bem, não tive nenhum problema no hospital, é quase como cuidar de uma criança, ter que explicar como se funciona tudo, não tive muitos problemas, só hoje que ela teve um pesadelo e não conseguiu dormir – Georg disse
- serio? Parece mesmo uma criança e tipo ela fez que nem aquelas crianças de filmes que pegam um papel e desenham o monstro? – Bill disse brincando e rindo
- E o pior é que ela fez isso mesmo, só que o foda é que ela desenha bem pra caralho – Georg disse
- porra – Bill disse rindo – e como era o monstro?
- eram dois caras, segundo ela eram vampiros... tenho a impressão que eu já vi eles em algum lugar – Georg disse
- tá né – Bill disse rindo – que imaginação fértil
Samantha se aproximava com três casquinhas de sorvete que eles tinham pedido para ela comprar. Bill deu um papel e algumas notas para ela, ela entregou para o atendente e voltou com três casquinhas de sorvete. Ela andava de um jeito engraçado para não deixar o sorvete cair no chão.
Ela se sentou junto com eles em uma das mesas da praça de alimentação, Bill logo foi puxando assunto com o Georg:
- então Georg, porque você não leva ela lá no ensaio amanha, acho que ela vai gostar, melhor do que ela ficar trancada no seu apartamento vendo desenho animado a manha toda – Bill disse
- ia ser legal – Georg disse – o que você acha Samantha?
- só concorda Samantha – Bill disse
Ela concordou com a cabeça como Bill havia pedido.
- eu adoro esse jeitinho dela, nem sabe do que se trata e aceita tudo – Bill disse
- vamos deixar ela longe do Tom – Georg disse – sabe só para prevenir até ela se lembrar
- concordo – Bill disse – uma criatura fofa dessas não pode ficar perto do meu irmão
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