Love By Time: O amor que o tempo trouxe
24 Foguinho
Não apenas o sr. Brown e a mãe de Chris, Amelia, vieram visitar seu neto como também aproveitaram para ver a avó de Chris que também estava no hospital, a vovó Jaracy, que passara por uma cirurgia em um dos seus joelhos e passava bem. Ela pediu para ver seu bisneto e quando trouxeram ele para vê-la, já se sentindo melhor mas ainda com o suporte no ombro, a idosa quase o agarrou e, talvez, quase tivesse mandado a ambos a ficar de recuperação novamente o que fez Caleb rir. Mariko, Jimin, Beau e Owen também vieram visitá-lo. Beau e Owen estavam estranhamente próximos demais... O que Caleb achou adorável. Inclusive Owen até começou a se vestir melhor, a se cuidar melhor aparententemente que até perdeu a expressão rígida que tinha antes.
Caleb não demorou a sair do hospital, ele teve de passar por sessões de fisioterapia depois que consistia de musculação e demais exercícios para fortalecimento do ombro, coisas que ele achou muito divertido de fazer.
— Isso aqui vai pro lixo, né? – Anne disse depois de pegar, com os dedos indicador e do meio o par de tênis todo gasto de Caleb que tinha se gasto mais ainda depois do episódio do acidente na chuva. Jimin estava lá fazendo companhia.
— Ah, meus tênis da sorte. – Choramingou quando Anne jogou o par de tênis num saco.
— Tanta sorte que veio parar aqui. – Anne respondeu.
— Vivo! – Exclamou seu filho, sentado na cama de hospital que ele havia sido transferido anteriormente, de bermudas e regata.
— Ainda bem. Esses sapatos fedem. – Intrometeu-se Jimin inexpressivo, sentado ao sofá e fuçando em seu smartphone. “De que lado que cê tá?” – Caleb reclamou.
— Muito esperto. – Ela riu. – Na verdade, eu já havia te comprado outro par de tênis como presente de Natal atrasado, eu só não achei muito tempo pra ter te dado antes. E acho que agora vai precisar de outro smartphone, não? Afinal o seu quebrou naquele dia.
— Aah, que legal, onde estão? – Os olhos do rapaz brilharam. – Ah, quanto ao smart...Eu compro, mãe, eu to trabalhando. – Falou todo orgulhoso.
— ... Em casa. – Anne murmurou. Havia esquecido de trazer os calçados. Ele teria de ir embora de chinelos. Caleb fez bico.
— Mano, vou lá. Minha carona chegou. – Jimin disse levantando-se do sofá, guardando o aparelho em seu bolso da calça, a porta do quarto se abriu dando visão a Jeon que cumprimentou a todos inclinando a cabeça, ele usava outro par de óculos escuro e um boné com peruca castanha.
Jeon foi para o lado de Jimin que pegou em seu braço e abraçou-o, sua expressão facial não mudou nem depois de agarrar o braço do outro.
— Ué. Vocês dois? – Caleb foi de cara pro chão ao testemunhar aquilo.
— Que tem? – Jimin disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Desde quando? – Perguntou apontando para os dois. Jeon sorriu:
— Loooonga história.
— Nem tanto, deve dar pra uns 5 capítulos dependendo de quantas palavras tiverem em cada um. – Brincou Jimin. – Ok, looonga história talvez.
— Ficam uma gracinha juntos. – Anne elogiu e Jimin corou, mesmo que não mudasse suas feições. Ambos então fizeram uma curta reverência.
— Até depois e se cuida. – Jeon disse. Jimin acenou e ambos foram para a porta que abriram e sumiram através dela.
— Quem diria, né? – Caleb observou para sua mãe.
— Não me surpreendo nem contigo e nem com seus amigos, Mariko estava de olho em um enfermeiro. – Anne riu enquanto fazia a pequena malinha de seu filho, que dava até graças a Deus o quão saudável ele estava após exames. – Devem ter pego seu foguinho.
— Anne Lal-Austen e Caleb Austen. – Chamou uma voz conhecida que entrou logo no quarto com um caderno nos braços.
— Sra. Henning, bom dia. – Cumprimentou Anne e Caleb sorriu para ela.
— Como estamos hoje? Vamos pra casa, é? – Disse ela com um sorriso. – Vou pegar a sua bandeja de café da manhã também.
— Sim, enfim vamos. – Anne respondeu.
— Muito bem, mas não se esqueça de continuar com exercícios. Se for necessário, visite a clínica de fisioterapia. Seu plano cobre tudo. – Amy Henning observou. – Precisam de uma carona? Já estou de saída também daqui a pouco.
— Ah não, obrigada. – Agradeceu Anne. – Chris está a caminho. Ele conseguiu uma promoção que dá mais liberdade a ele no trabalho.
— Uau, parabéns. – Congratulou a sra. Henning que aproximou-se da mesinha ao lado da cama e ali coletou a bandeja com os recipicientes vazios de comida, deixando seu caderno embaixo deste. – Certo, eu ainda vou ficar por aqui mais um tempo, caso precisem é só me chamar. – Ela parecia exausta já que havia madrugado por lá e sumiu pela porta.
Caleb sentou da maca para o sofá, puxou a lamparina móvel para cima de sua cabeça e ligou a luz, gostava de sentir aquele quentinho. Era inverno mas muitas vezes insistia em usar vestes que não eram adequadas para a estação. Para Anne, esse era um dos “foguinhos” de seu filho.
Chris logo entrou no quarto com suas roupas sociais de trabalho, agora ele tinha que aparentar estar ainda mais formal ao ir para sua empresa: Bom dia, família. Cade o menor? Ah ali, fazendo fotossíntese. – E riu.
— Sou apenas uma plantinha. – Caleb brincou, ele estava sentado no sofá com os braços pra cima do encosto e deitou a cabeça ali também, ficou com o rosto pra cima.
Anne e Chris então se aproximaram da sua “Plantinha”, decididos a contar, enfim, sua novidade.
— Estávamos nos preparando para te contar isso. – Chris começou, explicitamente animado e Caleb levantou a cabeça e olhou para eles, curioso.
— Você vai ganhar um irmãozinho... ou irmãzinha. – Explodiu Anne contente.
A reação de Caleb foi a de se levantar rapidamente e meteu a cabeça com força na luminária que tombou na parede. Ele gemeu e seus pais se assustaram. Colocou a mão aonde bateu, que ficou uma marca.
— Uau, um irmão... ou irmã! Que da hora!! – Abraçou aos dois com um braço só e seus pais se entreolharam num misto de surpresa, susto e animação e depois saiu do abraço limitado. – Na verdade, eu preciso perguntar algo pra Sra. Henning.
A medida que os dias foram passando, Chris fez seu 31º aniversário em Fevereiro, Caleb foi se recuperando rapidamente mas acabou criando gosto com exercícios físicos tanto que não demorou a também a voltar para seu trabalho no supermercado e realizar seu serviço com mais destreza e facilidade, tanto que o rapaz, determinado e animado, levou um belo aumento salarial que o permitiu comprar outro smartphone logo.
— Eu acho que vou demorar a me acostumar com esse. – Caleb falou para Alex, debruçado no balcão do café enquanto explorava seu iPhone 13 Pro. – Eu tinha me acostumado com o sistema operacional do outro. – Ele também havia contado de Jeon e Jimin, que deixou Alex surpreso igual ele quando presenciou o que viu e ficara muito feliz por ambos.
— É bem diferente mesmo. – Riu Alex, que não pode deixar de reparar que ele foi ganhando massa e músculos. Achou que era que o rapaz estava crescendo cada vez mais e Alex quase se sentiu um velho caquético. – Não sente frio? Usando regata no inverno.
— Mas a primavera tá quase aí, a neve já derreteu e ainda mais cedo esse ano. – Ele respondeu e desviou os olhos do smartphone para a janela para testemunhar um pouco de neve, lá do jardim, caindo de cima de um arbustinho cheio de botões de flores que estavam para nascer. – E seu aniversário também tá aí.
— Nem me lembre. – Alex foi limpando talher por talhar que estava logo ali na pia que ficava atrás do balcão em uma camada inferior. – Eu já sinto dores em lugares que eu nem sabia que existia. – E pousou os talheres na secadora, secou as mãos em uma toalha pequena que estava ao lado, olhou para onde Caleb estava com o olhar fixo e ficou com as mãos ao balcão. – O que olhas?
Caleb virou-se para ele e aproveitou para pegar em uma das mãos de Alex com ambas as suas, sem receio algum e acariciou-o, Alex se assustou e olhou para ele, o rosto todo corado.
— Só algo que está pra desabrochar, em breve.
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