— Deixa eu ver se entendi... — Após Alex dar um jeito de fazer os dois sentarem ao sofá, ele sentou-se na frente dos dois, em uma cadeira separada. Isso, inclusive, era para já os acalmarem os ânimos quanto um ao outro. — Você, todo esse tempo, do nada, virou um superstar de pop coreano, é isso?

Jeon assentiu.

— Como que eu nunca soube disso? — Alex franziu o cenho e deixou a mão cair pro lado com a palma pra cima, num ato de dúvida.

— Talvez se tivesse surfado um pouco na internet... — Jeon disse e Alex mordeu o lábio inferior, realmente não tinha tanto o hábito de ficar online no computador ou mesmo no smartphone. — Mas tudo bem, eu realmente preferia que fosse uma surpresa.

— Olha, eu fico é surpreso de você aparecer do nada aqui e... — Alex gesticulou com as duas mãos pra ele pra cima e pra baixo. — Enorme!

Jeon sorriu de canto, vaidoso, levou a mão direita aos cabelos e deslizou os dedos pelos cabelos negros e sedosos. Caleb estava numa batalha interna de ficar impressionado e ficar enciumado.

— Sim, o tempo, né? Ontem, você resgatou meu aviãozinho de brinquedo. Hoje, eu quero lhe levar comigo pelo meu aviãozão. — O sorriso do rapaz coreano se expandiu.

— Não foi só a altura que cresceu, não é? — Alex disse cruzando os braços.

— Ah não, com certeza não. — Jeon coçou o queixo, corou um pouco. Caleb fez cara feia.

— Que que vocês entendem tudo de duplo sentido? Eu quis dizer a falta de vergonha na cara, garoto. — Alex riu e depois de ouvir isso, Caleb sorriu, maroto. — Mas... É muito bom te ver de novo, Jeon. E eu fico muito feliz pelo seu sucesso e como está realizado.

— Quase... — Murmurou Jeon, inaudível, quando Alex se levantou e ambos os rapazes acabarem se levantando junto

— Chegou bem em tempo, eu vou preparar a ceia. — Disse Alex que mexeu nos longos cabelos loiros prendendo-os.

— Pera, tem comida? — Caleb disse num sobressalto.

— É claro, eu só vou esquentar tudo rapidinho. Sim, você vai ganhar o seu "peru" — Falou o risonho Alex falando peru dobrando os dedos indicadores e médio, para reação de Jeon olhar com a cara torta para Caleb.

— E-ei! N-não é isso! — Caleb respondeu a careta de Jeon.

— Cara, então tu é desses é? — Provocou Jeon para uma reação do rosto de Caleb parecer que ia derreter de tão vermelho.

— Crianças, não. — Foi só Alex interferir na pequena discussão que os dois, de repente, viraram anjos de primeira camada celeste. — Podem terminar com a árvore de Natal e, Jeon, tem onde ficar?

— Na verdade eu corri pra cá quando o avião pousou. — Respondeu Jeon, que inclusive esquecera a mala lá fora quando entrou com tudo na casa.

— Como não está com jet lag? — Disse Alex, curioso, olhando o rapaz de cima a baixo.

— Oras, eu... — Começou Jeon, para suas pernas ficarem trêmulas e ele acabar caindo com tudo no tapete fofo. — Droga, é.

Caleb deu com os ombros e levou as mãos a altura da cabeça "Eu sei lá?"

Alex riu, foi ao rapaz, pediu ajuda a um hesitante Caleb de ajudar o seu... rival... mas foi auxiliar mesmo assim, levantaram o garoto de cabelos negros que tinha um aroma de Noir Tease by Victoria's Secret.

— Descanse, não se esforce. — Disse Alex e acariciou aos cabelos do rapaz que deitara no sofá e a cabeça sobre uma almofada fofa. E se direcionou a Caleb que olhava tudo nada satisfeito. — E você pode cuidar do resto da decoração, pode?

Caleb balançou a cabeça positivamente tão energicamente que quase ficou tonto, a ponto de cair pro lado e vigorosamente levantar-se animado e começar a enfiar tudo que é enfeite na árvore.

— Menos o meu laço de cabelo, né? — Disse Alex quando viu seu prendedor num galho da árvore.

— É que você cheira muito bem, tive que colocar pra árvore cheirar bem também, né? — Respondeu sem nenhuma vergonha na cara.

Alex foi para a cozinha aberta, conseguia ver Jeon deitado e em seu smartphone e Caleb calculando cuidadosamente a distância de um enfeite para o outro, ele havia retirado o laço de cabelo de Alex ali e prendeu em seu próprio cabelo, por cima, como uma xuxinha, parecendo aquelas crianças que só tinha muito cabelo em cima e que ali que daria para prender um tufo. Esquentou um suculoso tender em suco de maionese e mel, arroz com pedaços de alho, purê de batata e outros que, quando terminou, já quase realmente era Natal.

Ele terminou de colocar a mesa. Três lugar, três pratos natalinos, três copos, três garfos, três facas, três descansos de pratos de Papai Noel e, logo, três pessoas sentadas a mesa degustado de uma deliciosa comida, até o relógio da parede bater meia noite.

Eles levantaram-se e Caleb e Jeon foram abraçar a Alex, que pararam e olharam um para o outro às farpas, para logo Alex abraçar os dois juntos bem forte e aos risos.

— Feliz Natal!

Os rapazes continuaram com sua refeição, para depois guardar o que sobrou e enfim lavar a louça, num papo animado de como foi que Jeon conseguiu se tornar um cantor de sucesso e como raios a casa ainda não fora inundada por armies e demais fãs.

— Nem brinca. Eu agradeço todo o amor e carinho mas pode ser um tanto complicado ficar sem privacidade. — Jeon disse mexendo a cabeça. Caleb ouvia tudo atentamente, o lado de admirador agora se mostrando. Se jogou no sofá.

O relógio se deu bem tarde da noite, madrugada.

— Tem onde ficar, Jeon? Pode passar a noite aqui se quiser. — Ofereceu Alex.

— Ah, a minha casa de sempre. Nem sei como é que está hoje, só sei que tá pra lá. — Disse e deu de ombros. — Na verdade, eu muito que bem aceito esse convite, obrigado. — Sorriu, um sorriso bem grande, bonito e luminoso.

Alex corou, Caleb fez cara feia, o admirador se foi.

— Caleb também vai passar a noite aqui, os pais dele viajaram e estou, eh, cuidando dele. — Agora foi Jeon que fez uma cara feia. — Pode terminar de guardar a louça, Caleb?

Alex deu as costas para pegar a mala de Jeon e rumou para as escadas.

— Aqui, eu vou te levar para o quarto que vai ficar. — E ao ouvir Alex falar aquilo, Caleb se eriçou, que nem um gato em alerta, olhou pra Jeon e fez sinal de "tô de olho em você", Jeon mostrou a pontinha da língua e Caleb deu um pulinho de fúria, correu pra eles sutilmente quando Alex e Jeon subiram as escadas mas o garoto tropeçou no tapete fofo e caiu com tudo com um baque inaudível, resmugou com a cara no tapete.

Ao se ver sozinho com Alex, Jeon perguntou:

— Esse garoto... É filho do... do... ?

— Uhum. — Confirmou Alex.

— Ah, hm... — Jeon de repente se sentiu envergonhado de talvez ter trazido algumas memórias, aparentemente, más para o loiro. — Sinto muito...

Alex chegara ao quarto no fim do corredor, deu acesso a um quarto de paredes listradas azuis, uma cama de solteiro simples, armário com espelho na porta, escrivaninha com gavetas e deixou a mala encostada ao armário.

— Sente pelo que? — Perguntou Alex arqueando uma das sobrancelhas.

Pela janela, a neve caia, vagarosamente, preenchia a escuridão da noite, Jeon se aproximou.

— É... Ele é... O motivo de qual seu coração se partiu.

Alex sorriu.

— São águas passadas, na verdade. Meu coração está quase completo. Vida segue. — Deu de ombros.

— Eu gostaria de completá-lo... — Jeon estava agora bem próximo de Alex, pegou em suas mãos e cobriu-as com as próprias. — ... Se me permite.

Silêncio... Seguido de passos leves descendo as escadas.