Era uma tarde chuvosa, o cheiro de chuva era evidente com a janela aberta da Angel Coffee Shop, o lugar de trabalho de Alex.

Tocavam alguns clássicos do jazz bem baixinho como All of Me, Someday My Prince Will Come, What a Wonderful World e entre outros.

A porta de entrada ficava de lado para o balcão estendido com uma porta dobrável, atrás estava o cardápio escrito com giz em grandes e garrafais letras brancas enquanto uma cor verde indicava produtos promocionais e a rosa a mistura do dia da casa. De frente para o balcão, após espaçar da porta, haviam as mesas de madeira com suas respectivas cadeiras, as mesas perto das paredes eram maiores e assentos acolchoados haviam.

Alex estava na diária higienização dos copos, lavando-os, e xícaras e talheres para seu primeiro uso do dia mesmo que já houvesse os limpado no fim do expediente anterior. Uma pia que ficava no extenso balcão.

—CLANG-

Tocou o sininho da porta, indicando que cliente entrara no lugar.

Alex levantou seus olhos da xícara branca que lavava para a porta e sorriu.

— Bom dia, Alex. Como estamos hoje? – Cumprimentou uma alegre Srta. Sally, ex-professora de Alex. Ela ainda portava seus belos cabelos ruivos, agora com alguns fios grisalhos a mais, presos em um coque. Fechava o guarda-chuva e o depositava no devido descanso de guarda-chuva junto a porta.

— Bom dia, Srta. Sally. Eu adoro dias chuvosos, sou suspeito em falar de dias assim. – Sorriu enquanto automaticamente pegava um vidro lacrado de café especial da loja, algo que a ex-professora sempre comprava. – O de sempre, não é?

— Esperto, sim. Já acostumou, não? Não fico sem a minha mistura de grãos. – Ela riu, aproximando-se do balcão e já recebendo o vidro de café em uma sacola de papel pardo. – Que, falando em ficar sem. Achei que o garoto Chris sempre estaria com você aqui, pois uns... 10 anos atrás? Como estou velha... Oh, céus... Vocês não largavam um do outro.

Alex parou ao ouvir aquele nome mas de forma tão sutil que a inocente mulher nada percebeu, ele continuava a sorrir para ela.

— Algumas... Circunstâncias... Impedem. – Ele disse, devagar, tentando completar sua frase.

Ela balançou a cabeça para cima e para baixo devagar.

— Sim, vocês cresceram. Ele deve ter sua própria ocupação também, não é? Não é como uma velha e nostálgica professora que vem quase todos os dias comprar um cafezinho. – Ela riu – Mas o tempo sempre vai dar uma brecha e o que é nosso, volta.

Alex estranhou um tanto aquela última frase – “Parece que não nesse caso, professora” – pensou.

— Eu vou aproveitar essa boa chuva agora e um acompanhante perfeito...

— A senhora se casou? – Perguntou Alex meio que abruptamente.

— Besteira. Me refiro a um bom livro... De terror... Eu adoro. Não preciso de mais nada. – Riu a srta. Sally, atrás da sacola da Angel Coffee Shop, outra de papel, da livraria ao lado, ela levantou o braço mostrando a sacola. – Bom, já tomei muito do seu tempo, menino. Novamente muito obrigado pelo ótimo serviço.

— Eu que agradeço, é sempre muito bom ver a senhora. – Ele fez uma pequena reverencia, sorrindo.

— Se cuida, guri. – Respondeu a professora, indo para a porta, coletando seu guarda-chuva e abrindo-o, o sino da porta tocou e a professora foi-se pela porta de vidro.

Novamente a música e o barulho da chuva dominavam o ambiente.

Até que novamente o barulho da porta, em um curto espaço de tempo. Alex levou seus olhos para o novo cliente. Os olhos rapidamente se encontraram com o de Chris e sentiu seu rosto corar um tanto.

— Alex... – Disse Chris, acenando com a cabeça e acenando com a cabeça, aproximando-se do balcão, ele não estava molhado, provavelmente viera de carro.

— Chris. Você sumiu. – Alex disse, a voz um tanto baixa.

Chris assentiu com a cabeça.

— Minha vida foi muito complicada daquele dia em diante. Deve ter ouvido. – Disse, aparentemente envergonhado de encarar Alex, que assentiu.

— É verdade, me desculpe, egoísmo de minha parte. – Alex se corrigiu rapidamente, pois ele mesmo, Alex, não tinha aquele enorme tanto de responsabilidade que seu “amigo+” tinha, Alex até se viu para fora do balcão, estando agora em frente a Chris.

— Não, na verdade, eu... – Disse Chris que foi interrompido pela porta.

— Ufa, finalmente. – Sorriu uma Anne que se aproximava do balcão de mãos dadas com uma criança de cabelos pretos. – Oi, Alex, quanto tempo!

Alex rapidamente foi de sua expressão perdida para uma cordial.

— Anne, tudo bem? Olha como esse garoto cresceu. Quantos anos você tem, rapagão? – Riu Alex olhando para o menino que era a mistura perfeita de Anne e Chris. Ele se abaixou na frente do menino.

— Eu vou fazer dez. – Disse o garoto, que faltavam alguns dentes na parte de cima. Animado, herdou a energia de Chris só desses poucos gestos.

— Já já vai poder até dirigir o carro dos seus pais. – Alex brincou, bagunçando os cabelos do menino.

— Eu vou?? – Exclamou o menino Caleb e olhou para seus pais com grandes olhos sonhadores.

— É... É... Mas isso vai levar um tempo ainda. – Um desconcertado e até um tanto preocupado Chris respondeu. “Putz, eu jogo GTA e ele fica olhando. ” – Pensou Chris desesperado.

— Ah... – Desiludido, Caleb voltou seus grandes olhos verdes para Alex que dava uma risadinha. – Ô tio...

Alex deu um pequeno sobressalto “Tio? Já?

— Você vem na minha festa? – Continuou Caleb e seus olhos aumentaram mais ainda, sonhadores. – Vai ser de Pokémon.

— Festa? De aniversário? – Alex respondeu e olhou para Anne e Chris, a mulher assentiu, Chris parecia meio perdidinho, sonso como sempre.

Caleb segurava um cartão de aniversário nas mãos quando Alex se deu conta, estava um tanto amassado.

— Aaah, eu sentei em cima. Desculpa. – Caleb se desculpou ao ver o estado do papel, não estava tão amassado assim, Alex o pegou das mãos do menino.

— Eu vou sim, pode deixar. – Sorriu e Caleb sorriu de volta, com seu sorrisinho banguela.

Chris baixou seus olhos para Alex que sentiu e olhou de volta, Chris desviou o olhar.

— Foi para isso que viemos, também, e vou pegar mais um pote do preparado que a srta. Sally nos indicou lá fora, estávamos conversando. – Anne disse.

— Se bobear, é a srta. Sally que paga nossas contas. – Alex riu, voltando para trás do balcão, pegando mais um vidro do preparado ao armário ali atrás e Anne também riu, pegando seu cartão na carteira.

— Aqui está, muito obrigado pela sua compra e... Muito bom ver vocês novamente. – Ele disse, o olhar repousando em Chris ao fim das palavras, Alex já tinha passado pelo seu choque de realidade fazia muito tempo, respeitava o rapaz agora casado e sabia que era errado deseja-lo e é claro que não o faria, seu coração não deixaria. – Até me surpreendo que Caleb me reconheceu, afinal eu o vi quando era só um bebê.

— Ah, o papai tem uma foto de vocês na carteira. – Caguetou Caleb, inocente e animado. Anne riu e Chris corou.

— Moleque! É só uma foto antiga da escola com Nishi junto...

— A foto tá grudenta. – Caleb interrompeu novamente, para desespero de Chris, Anne riu mais alto.

— Foi quando você derrubou chocolate nela. – Respondeu Chris.

— Hm. – Mas Caleb já tinha sua mente em outro lugar, mais precisamente ao cardápio da coffee shop. – Quero chocolate.

— E qual que você quer? – Alex disse, novamente indo para o lado do menino com um cardápio.

— Ah... Tem tantos! – Caleb, com seus grandes olhos, disse admirado.

Foi uma tarde estranha. Uma tarde chuvosa, com cheiro de café, chocolate, nostálgica e nova, tudo ao mesmo tempo. Para mesclas de sentimentos de Alex.