Os dias que se passaram a seguir, após aquele “fatídico” Natal, não pareciam mais como os que sempre se passavam. Alex tinha um novo motivo para se sentir ansioso, uma ansiedade que o parecia fazer novamente ter 13 ou 14 anos, lá naquelas épocas em que sentimentos se afloravam como territórios desconhecidos. Este território, porém, era como um retorno a ele depois de muito tempo e toda uma nova flora, uma nova fauna, havia crescido abundantemente, tanto que não conseguia mais se localizar e parecia tudo novo novamente e não sabia se, de repente, pudesse sair algum animal selvagem do meio daquele mato de seu coração.
Alex não estava respondendo as mensagens de Caleb com tanta frequência como antes. No caso, Alex não estava nem pegando direito em seu smartphone. Chris havia retornado de sua viagem e um relutante Caleb teve de voltar para a casa de seus pais, Alex nem conseguia olhar nos olhos de Chris direito, para suspeita deste.
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— Você tem algo a me dizer? – Perguntou Chris, arqueando uma sobrancelha, olhando para Alex, parados na entrada da casa.
Alex ficou imóvel por alguns segundos até sacudir a cabeça negativamente. Chris continuou a olhar para Alex, se aproximou do loiro.
— Eu te conheço. Sei quando tem algo errado.
— Não é nada... Sério... Eu só... Me sinto muito sozinho às vezes e Caleb foi um ótimo garoto e ótima companhia. – O cabisbaixo Alex levantou a cabeça e sorriu, um pequeno sorriso.
Chris suspirou e suas sobrancelhas relaxaram.
— Ah, Alex... – Levou a mão até a nuca e deslizou-a por lá.
— Vá, eles estão te esperando no carro. – Disse Alex que olhou para o carro atrás de Chris, via Caleb olhando um tanto escondido atrás do banco e sua mãe no smartphone.
Chris ficou quieto por uns segundos e depois assentiu com a cabeça.
— Muito obrigado por cuidar de Caleb. Espero realmente que ele tenha se comportado. Aqui... Feliz Natal – E deu para ele uma sacolinha que segurava.
— Como um anjo. – Disse Alex que acenou ao Chris andar para trás retribuindo o sorriso. – Aah que legal, muito obrigado... Eu vou ficar te devendo um agora, sabe como é. – Sorriu amarelo, o sorriso de Chris aumentou e riu.
— Não precisa me dar nada. Eu é que preciso... Reparar... Muita coisa. – Disse Chris, quase como um murmúrio. – E deu de costas para o loiro.
“Minha lista de dívidas de Natal só aumenta” – Pensou Alex.
Chris andou até o carro, ao se aproximar, sua família olhou para ele e sorriu, ele retribuiu com um sorriso maior ainda, era óbvio o quanto ele amava ali a todos. Anos atrás, anos e anos atrás, Alex sonhava com uma situação igual e, claro, com Chris neste sonho.
Entrou na casa e fechou a porta. Silêncio. De repente um friozinho estranho percorreu pelo seu corpo que o arrepiou todo. Temperatura? Corrente de ar? Solidão? Na mesma hora, a imagem de Chris, de Caleb, veio tudo em sua cabeça que ele sacudiu tentando se livrar daquelas imagens.
A porta bateu e ele se assustou. Abriu a porta e era sua mãe, voltando exausta do trabalho do hospital.
— Olá, querido, desculpe o sumiço novamente. Muito trabalho de repente e estávamos todos em alerta por causa de uma nova gripe, então né.... – Ela foi falando arrastada de cansaço, os olhos quase mal se abriam, ela sorriu, deu um beijo na bochecha do filho e foi entrando. Alex a ajudou com suas coisas além de lhe preparar uma refeição decente e um bom banho. Ela havia voltado no almoço de Natal para depois sair novamente. – Caleb ja foi? Tão bonzinho o menino, será que já tem uma namorada?
Alex sorriu amarelo e ficou um tanto sem jeito, para depois deixar sua senhora descansar como devia, viu ela sentar-se ao sofá para tentar assistir algo na TV e no mesmo instante cair no sono. Seu filho a cobriu carinhosamente e depois voltou a se aprofundar em seus pensamentos.
“Eu acho que... Acho que está na hora...” – Alex pensou, pegou em seu smartphone e instalou um aplicativo de relacionamentos.
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Alex conversava com vários rapazes em seu aplicativo de relacionamentos mas nenhum realmente parecia lhe chamar aquela atenção específica então sempre que aparecia uma oportunidade de sair com alguém, se desvencilhava com desculpas vazias. Nisso alguns continuavam a conversar com eles, outros desapareciam de sua lista como se nunca tivessem existido. “Superficial... Tão superficial”, ele pensava quando isso acontecia.
Uma notificação em seu smartphone e não era do aplicativo de relacionamentos.
Jeon: Oi! Tudo bem por aí?
Alex: Tudo bem e por aí?
Jeon: Tudo bem J
Jeon: Vamos sair? Fiquei sabendo de um restaurante que abriu na cobertura de um edíficio e estou com muita vontade de ir, o que acha?
Alex pensou, fez bico, arqueou a sobrancelha, mas não tinha mais nada a perder, não é?
Alex: Claro.
Alex foi digitando novas mensagens mas as de Jeon chegaram muito antes, como se ele já estivesse engatilhado por aquela resposta.
Jeon: Legal! Te pego ás 19:00. J
Alex deu uma risadinha. Esse era aquele mesmo garoto que tinha ajudado com um brinquedinho que caiu fora de sua janela? Como o tempo muda as coisas... Uma nova mensagem de Jeon, era uma foto... Era uma foto daquele aviãozinho, ele segurando, sua mão muito maior do que antes, segurando agora o brinquedinho minúsculo.
Alex avisou sua mãe que iria sair, ela nem questionou para onde ele iria, só desejou-lhe uma boa saída, que tivesse cuidado e Deus acompanhe.
Banhou-se, hidratou-se, não lembrava da última vez que tinha realmente saído de casa a não ser que fosse apenas para trabalhar.
Suas vestes escolhidas foram uma mistura de elegante para casual. “Preciso renovar meu guarda-roupa”- Pensou quando viu que tinha realmente poucas opções para uma saída, mas conseguiu fazer uma boa mistura. 
Então viu sobre sua cama o presente de Chris, ele abriu o pacote prateado, era um perfume Angel de Mugler. Um perfume gourmand delicioso que Alex, na primeira, sentiu um soco de patchouli para depois vir um doce encantador.
— Bom, ja que vamos sair... – Murmurou Alex, que borrifou o perfume em seu pescoço e pulsos e esfregou.
— Nossa, que cheiro bom. – Ouviu lá de baixo sua mãe exclamar e Alex riu, desceu para a sala para encontrar sua mãe deitada ao sofá assistindo televisão. – Que perfume gostoso, ein?
— Chris deu para mim de Natal. – Disse Alex.
Sua mãe ficou quieta por uns instantes.
— Esse rapaz sempre soube o que te dar. – Ela disse e foi aos poucos sentando-se ao sofá. – Alex... Você já... Sabe... Fez alguma coisa... Sabe... Coisas com Chris?
Alex virou uma estátua e depois sacudiu a cabeça negativamente.
— Não, nunca fiz nada disso. – Respondeu.
Sua mãe pigarreou e voltou a se deitar.
— Certo... É com ele que vai sair?
— Não, é Jeon.
— Jeon voltou? – Sua mãe ficou surpresa.
— Eu esqueci de comentar... Realmente muita coisa a comentar...
De repente, uma buzina de carro lá fora que fez ambos se sobressaltarem e isso fez com que ambos fossem para fora e se deparar com um carro elegante e aparentemente bem caro, era uma Mercedes AMG GT 63 S.
— É... Realmente tem muita coisa para me contar. – Disse ela, tentou ver o rapaz, Jeon abaixou o vidro e acenou para ambos, que retribuiram. – Nossa, ficou bonitão. – Ela disse baixinho. – Bom, boa saída!! Deus os acompanhe e comportem-se.
Alex ouviu a porta de casa bater atrás de suas costas, ainda bem que já tinha recolhido tudo que precisava e foi até o carro, que Jeon havia saído para abrir a porta para o ‘amigo’.
— Nossa, muito elegante você ein? – Disse Alex num sorriso.
Jeon sorriu de volta, um sorriso tão bonito que fez Alex ficar corado.
— E você está com um cheiro bem gostoso. – O rapaz coreano disse ao adentrar o carro, se debruçou um tanto sobre Alex para sentir melhor o aroma. – Ah, Mugler. Muito bom. Vamos?
— Mostre o caminho, chefia. – Riu Alex e Jeon deu a partida.
Nem perceberam que um boquiaberto Caleb estava logo ali na calçada, ele que estava indo até a casa de Alex de surpresa.
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