Love By Time 2
14 Eu te amo?
Na verdade, até que não foi de todo mal envolver-se na moda andrógina o que incluia tanto as vestimentas masculinas e femininas. Sentia-se, na verdade, até mesmo confortável com aquelas roupas do sexo oposto. Tanto que Alex muitas vezes se pegou olhando para o muito iluminado espelho enquanto estava a vestir um vestido longo e mangas longas de um tecido tão leve e meio transparente que parecia até que não vestia nada, isso enquanto uma das assistentes fazia uma escova em seus cabelos.
Pareceu um mundo diferente quando passou pela maquiagem:
— Pronto, o que achou? – A maquiadora, antes associada às modelos femininas, Sukiyo Nanda, perguntou sorridente que seus olhos puxados quase sumiram frente a sua franja diagonal.
Alex ficou alguns segundos tentando arranjar as palavras certas mas quando abriu a boca, só o que saíram foram alguns sons roucos e Suki riu satisfeita.
Mas aquele... Aquela... do reflexo realmente era uma mulher, onde estava seu restinho de masculinidade? Sumiu.
— Tudo pronto? – Amelia apareceu na sala branca, sorrindo e olhando para Alex. – Olha só, arrasou. – Admirou a moça negra de trajes negros colados que cuidadosamente pousou as mãos nos ombros de Alex que levou um sustinho e olhou para ela. – Vamos?
— Belíssima. Belíssima. – Exclamava Reno que disparava sua fotos energeticamente enquanto Alex tinha de acompanhar diferentes poses e olhares, as pequenas nuances que ele sabia que era muito importante e Reno deixaria alto e claro se ele não estivesse de acordo.
Entre aqueles muitos flashs, Alex pôde vir a figura de Jake ao longo, de braços cruzados, camisa formal com as mangas enroladas, calças pretas e os olhos fixos. Alex precisava realmente ter um diálogo com o homem sobre o que vêm acontecendo, ainda mais que Raymond, do nada, pareceu ter compromissos demais para ter um diálogo diretamente com o pai do rapaz. O tempo passou e parece que Jake acreditava que eles tinham bastante intimidade para muita coisa que Alex sabia que eles não tinha coisa nenhuma.
Caleb apareceu logo alguns dias depois da autorização de sua presença e ele pôde conhecer boa parte do prédio embora não pudesse simplesmente sair andando pelo edifício. A pedido de Alex, eles andavam de mãos altas e foi extremamente assustador quando Jacob os encontrou juntos. Seus olhos pareciam como se fosse muito perigoso se ele tivesse alguma arma consigo ou mesmo algum objeto pesado ou pontiagudo que corria o sério risco de ser atirado, muito provavelmente, contra Caleb que só teve um pequeno espasmo e riu comentando de ter sentido um calafrio e o jovem olhou para Jake. Caleb acenou com a cabeça e tinha uma expressão facial de indiferença, ele realmente não gostava de Jake e não era por pouco pois Caleb havia visto, sem intenção, algumas mensagens que o homem mandava para seu namorado e não gostou nem um pouco. Eles sumiram da vista de Jake ao virar um dos muitos corredores do prédio.
— Avise-me quando este garoto vier. – Jacob exigiu à recepcionista que consentiu com a cabeça
— Uau! Olha só isso aqui! – Caleb exclamou ao entrar em uma sala particularmente pequena mas uma das paredes era composta apenas de uma janela enorme que dava vista para Seattle, havia espelhos de camarim ali e cadeiras aparente bem macias fora um sofá e uma pequena mesa de café, duas poltronas de rodinhas viradas para a janela. – Que legal! – Ele disse e se jogou numa das poltronas que quase virou e Alex riu quando o rapaz tentou se quilibrar.
— Venho descansar muitas vezes aqui, quase não vem ninguém... Só o Jacob que acaba aparecendo por conta de. – Alex indicou a câmera de segurança.
— Eca... O Jacob. – Falou num tom de nojo. – Detesto ele. Assediador do car...
— Cay! – Alex censurou. – Eu não quero nada com ele. Só tenho planos com uma pessoa. – O loiro dos cabelos longos disse e sentou-se ao colo do amante e deu uma risadinha enquanto encostou a testa junto a dele. – Eu te amo, sabe? – Alex disse, um tanto tremido.
Caleb ficou deslizando os dedos pelos cabelos do outro.
— Eu também. – Caleb riu.
— Ah, você se ama? – Alex ergueu os sobrancelhas e riu.
— Ah, ei, você me entendeu vai. – Respondeu Caleb.
— Sim, eu entendi, mas eu quero ouvir. – Alex falou em tom brincalhão.
— Olha só, um tempo atrás você nem podia nem ouvir eu falar isso e você nem conseguia falar isso. – Caleb retrucou também brincando e Alex olhou para o lado. – Não se preocupa com isso de novo... Idade e sei lá que mais, eu já tenho 17 e sei o que quero, não tenho 14, 13, 12, sei lá. Não sou criança.
Alex balançou a cabeça positivamente.
— E, bem... – Caleb segurou ao rosto de Alex pelo queixo. – Eu te amo. – E deu aquele sorriso dele de canto que fazia o coração de Alex disparar e corou então Alex lhe deu um selinho e o abraçou enquanto riam.
O tempo passou mesmo e Caleb, enquanto em seu banho, no seu dia de folga, pensou já que seu aniversário estava quase aí, embora houvesse mais um tempinho, enquanto a água morna deslizava por seu corpo e muito havia em seus pensamentos. Especialmente aquele homem que era basicamente dono da agência que seu amorzinho trabalhava e parecia que estava tentando agarrar a seu loirinho.
Irritado, ele desligou o chuveiro, agarrou a toalha que pendurou nos ombros e saiu do banheiro diretamente para o corredor onde tropeçou no gato Filisteu e quase foi pro chão.
-Ou ou ou! – Exclamou tentando se equilibrar.
— Vai voar o passarinho, viu. – Riu a bisavó dele quando apontou pra parte debaixo do rapaz que ficou todo corado e tratou de vestir a toalha na cintura. O gato parecia extremamente tentado a pular naquele passarinho.
— Ah, desculpa, vó. – Gemeu Caleb, envergonhado e apressou o passo para seu quarto enquanto ouvia as risadas da senhora e ela chamando o gato.
Caleb bateu a porta atrás de suas costas e suspirou, definitivamente passaria da agência. Vestiu uma camisa branca simples, calças jeans e tênis e tratou de seguir ao carro, mas precisaria também ter uma desculpa para interromper o expediente de Alex. A meio caminho de sair de casa, olhou para a cozinha e decidiu fazer um lanche também para levar para o rapaz.
— Menhaw?! – Exclamou Filisteu no chão, olhando para Caleb preparar aqueles sanduíches de rosbife, alface, queijo, lemonpepper e azeite. Caleb jogou um pedaço da carne para o gato que comeu agradecido.
Caleb embrulhou os pães cuidadosamente e colocou-os numa cestinha de piquenique que encontrou depois de perguntar a bisavó onde estava, já que os pais estavam fora a trabalhar e rumou para o carro.
“Não faça nada que eu não faria” – Mariko disse no grupo de mensagem dos garotos.
“Mete o socão” – Owen apoiou uma briga mas logo a seguir apagou a mensagem.
Beau enviou uma figurinha de gato comendo milho que parecia sorrir.
“Só vou levar uma comidinha pro crush”. – Caleb enviou.
“Crush? Vcs tão praticamente noivos” – Mariko enviou e uma figurinha de um macaco fazendo bico.
Caleb riu, deixou o seu smartphone no banco do carro e deu a partida rumo ao centro.
— Amanda! – Caleb exclamou quando entrou ao saguão de entrada e a recepcionista, Amanda, sorriu para o mesmo embora seu coração tenha errado o compasso já que tinha novas ordens. – Para a garota mais bonita daqui. – Ele riu e deu para a mesma um sanduíche envolto de um guardanapo, retirado de dentro da cesta.
— Obrigada, Caleb. Vai ver Alex? – Ela perguntou e ele assentiu. – Certo, bem, eu vou avisar que está aqui.
— Valeuzão! Espero que goste! Inventei de última hora. – O rapaz riu enquanto as portas do elevador se fechavam. Nesse instante, Jacob fora notificado da presença do rapaz e este foi até o camarim de Alex, aquela mesma sala que ninguém usava, apenas Alex para descanso.
A porta se fechou atrás do homem e Alex, sozinho e sentado em frente ao espelho onde ele tentava retocar sua própria maquiagem mas de forma inexperiente, assustou e olhou para Jacob.
— Jake. Pois não? – Alex disse para o homem que se aproximava.
— Caleb está vindo. – O homem disse, direto.
Alex levantou-se rapidamente e foi para a porta a um passo apressado, com um ar contente mas foi impedido por Jacob que segurou em seus ombros.
— Não quero mais vê-lo aqui. – Ordenou.
— Tenho autorização do seu pai. – Alex respondeu e sentiu as mãos lhe apertando com mais força, que assustou Alex.
— Eu não quero mais vê-lo aqui... Não... Não quero mais ele perto de você. E você... – Jacob olhou para a nuca de Alex que sentiu um calafrio. – Não quer que ele se machuque... Não é?
Alex tremeu e ofegou, sentiu o maior pegando em suas mãos e removendo a aliança de compromisso.
Caleb bateu no camarim e segundos depois ele abriu, encontrou Alex de costas e olhando para uma das grandes janelas que iluminavam aquela sala.
— Oi, bebê, cheguei. – Caleb anunciou sorrindo. – E trouxe comidinha pra gente.
Alex olhou para baixo e depois direto para a janela.
— Ah, eu... eu... não tenho fome. – Alex disse.
— Não mesmo? Da última vez que disse isso, seu estômago roncou de fome e... – E realmente, depois dele falar aquilo, o estômago de Alex roncou e Caleb apontou. – Viu? Vem, eu fiz sanduíches pra gente e trouxe fritas também, olha. – E ele começou a abrir a cestinha para retirar os alimentos dali para deixar em cima do sofá que ficava logo atrás das cadeiras de camarim.
— Caleb, eu... eu acho que você não deveria mais vir aqui. – Alex disse tropeçando nas palavras e corrido, parecia estar inclusive se abraçando, as mãos aos braços.
— Eu não to entendendo, Alex... – Caleb foi aproximando-se do rapaz, devagar.
— Vai pra casa, Caleb! Vai! – Alex exclamou e Caleb franziu o cenho, sem entender e olhou para as mãos de Alex e não encontrou o anel que lhe dera.
— Amor, vamos...
— Vai embora!!
Caleb estremeu, os olhos marejados, pegou sua cesta de volta, olhou para Alex e sumiu pela porta que Alex ouviu bater.
Grossas lágrimas pretas escorriam e pingavam nas coxas de Alex, lágrimas sujas de rímel e delineador.
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