O casamento de Nishi e Doug seria realizado num evento mais intimista porém num espaço aberto. Era em uma espécie de espaço de lazer fora da cidade que era necessário chegar até a reserva para poder entrar no espaço marcado. Pra todo lado era verde, muitas árvores, o limite do terreno era impossível de se ver mas era fácil de ver as decorações típicas de um casamento como as cadeiras brancas enfileiradas com um espaço no meio que dava caminho para o altar com muitos piscas e flores brancas além da mesa do responsável que registraria-os como marido e mulher, decidiram deixar padres e religiosidades de lado.

Em Seattle, Chris, Anne e Caleb deram carona para Alex.

Caleb bateu na porta da casa do moço e este o abriu dentro de segundos.

— Uau, tá bonito. – Alex elogiou.

— Eu que o diga. – Caleb respondeu com um sorriso, puxando o outro pela cintura e lhe dando um selinho. Ambos pareciam que combinar vestir exatamente as mesmas vestes formais de terno, pareciam uma dupla sertaneja com exceção de Alex ter os cabelos longos e compridos presos a um rabo de cavalo e Caleb ter feito, com muito esmero, um penteado que devia resistir ao mais forte dos temporais.

Foram interrompidos quando Chris buzinou e gesticulou para o pulso para expressar-se que estavam em cima da hora.

— Geralmente é a noiva que atrasa, tá? – Chris exclamou do carro e Anne riu.

Caleb e Alex apressaram-se a adentrar o carro.

— Steph não vem? – Alex perguntou procurando a bebê.

— Muito nova pra isso, chamei uma babá pra cuidar tanto dela quanto a vovó. – Anne respondeu olhando para Alex.

— Acho que a bisa é que mais precisa da babá. – Brincou Caleb com os dentes fechados e erguendo as sobrancelhas.

— Você subestima sua bisavó. Ela foi a inspiração para a criação do Indiana Jones e do James Bond. – Chris brincou e todos olharam para ele, perplexo. – Tá, a piada não funcionou. Vamo lá vai. – Ele colocou as mãos no volante e deu a partida rumo ao local marcado.

Não levou tanto tempo quanto imaginavam, o sol estava se pondo e havia caminhos iluminados pelo percurso, o portal iluminado em certa área foi o que mais chamou atenção e era ali o lugar certo. Estacionaram o carro junto de poucos outros e sairam para pisar na grama muito fofa.

Realmente poucas pessoas estavam lá e não conheciam quase ninguém. Alguns parentes de Nishi, alguns de Douglas. Douglas, aliás, que estava um homem lindo naquele terno foi cumprimentá-los com felicidade, apertando a mão de todos.

— Nunca que pensei que ia te ver um dia sem jaqueta, Doug. – Alex brincou.

— Ah, minha jaquetinha... Nishi não deixou eu usá-la hoje. – Doug, com sua voz forte, riu que arrepiou os pelos dos braços de Alex. – Podem se sentar, daqui a pouco começamos a cerimônia e depois para a comida. Ah, a comida. Eu não sei a bruxaria dos contatos da Nishi mas essa mulher me surpreende a cada dia que passa. – Ele disse com tanto carinho na voz que eles todos se sentiram confortáveis, o homem olhou para o lado, sonhador e deu uma risadinha que era possível saber que estava pensando em sua noiva.

— Lindos. Meus parabéns – Anne falou. – Trouxemos presentes, já vamos deixá-los lá em... – Ela disse olhando aos arredores procurando por algum sinal de onde deveria descarregar seus presentes.

— Ah, pode deixar, pode deixar. – Douglas falou e chamou dois rapazes negros, carecas, sorridentes e muito atraentes, pareciam ter a idade de Caleb. – São meus primos, podem deixar com eles.

— Certo, aqui, se puderem me acompanhar. – Chris chamou e os rapazes o seguiram até o carro e Anne também os acompanhou. – Vou precisar de ajudinha mesmo.

— Então... Bem... Eh... Sintam-se em casa... Muito obrigado por terem vindo. – Doug disse quando uma senhora a alguns metros de distância gesticulou com a mão, chamando-o. – Qualquer coisa só me chamar.

— E aí, que horas vão tocar o country? – Uma voz sarcástica falou aos ouvidos de Alex e Caleb que se viraram para se deparar com Mariko, Owen e Beau.

— Oi, pixual! – Caleb cumprimentou-os com um abraço bem forte. Todos estavam bem formal embora sabia que podiam acabar confundindo Beau com um daminho de honra por conta de seus traços mais delicados que quase parecia uma criança e Owen que mais parecia um guarda-costas, só Mariko que parecia ter se inspirado na série Wandinha para com seus trajes negros.

— E aí, melhorou o nariz? – Owen apontou para o nariz de Caleb, pareceu meio sem graça de tocar no assunto mas achou necessário.

Caleb com seu curativo no nariz riu.

— Cara, tá tudo bem. Acontece. – Sorriu para Owen, compreensivo. – Quem sabe assim fico bonito? Dá um certo charme nariz quebrado, sabe como é.

— Não chegou lá a quebrar... Tanto... – Alex complementou fazendo um bico pensativo.

— Pedi pra minha mãe se podia tirar e ela passar uma maquiagem, sei lá. Mas ela achou melhor não. – Caleb deu de ombros.

— Seu nariz tá vermelho, parece até um coelho. – Riu Beau.

— Você é um coelho. – Caleb retrucou e todos automaticamente assentiram.

— Ei! – Reclamou Beau.

— É... Ah... Um coelhinho lindo. – Soltou um muito corado Owen com seus cabelos presos e Beau olhou para ele e sorriu.

— Vamos nos sentar, pessoas? Ah, oi, Owen, Mariko, Beau. Boa noite. – Anne cumprimentou-os e eles cumprimentaram de volta para depois todos irem procurar um lugar para sentar-se, eis que viram que todas as cadeiras tinham nomes então procuraram os de correspondentes de cada um.

Alex sentou-se ao lado de Caleb que pegou na mão de Alex, automaticamente, e seu dedo maior acariciou a mão do outro. Ouviram um chorinho de criança que, entre a audível conversa que estava no ambiente, chamou a atenção de Alex e Caleb que olharam para trás e viram Doug e mais algumas pessoas aparentemente tentando acalmar uma pequena criança de vestidinho rosa que mais lembrava uma fadinha.

— Vou ver o que aconteceu. – Caleb falou para Alex que concordou e o rapaz levantou-se a ir lá.

— Oi oi, o que houve? – Ele perguntou para Doug, estando atrás dele.

— Ah, esta é a minha sobrinha, ela é a daminha de honra, tem 4 anos. Ela está com medo e vergonha de entrar pra entregar as alianças. – O homem disse com certo desapontamento nos olhos e olhou para Alex. – O que ele está fazendo ali? Alex é um dos meus padrinhos.

— Ah? – Caleb franziu o cenho. – Acho que ele esqueceu. Eu vou falar com ela, como ela se chama?

— Nesy. – Doug respondeu e foi até Alex que, quando ouviu o que Doug disse, deu um pulo da cadeira e Caleb riu, para Alex e Doug se aproximarem.

— Nishi não me disse... Ou disse? – Alex falou revirando toda sua memória. – Mas, bem, ah... O que fazemos?

— Você e Caleb entram junto dos outros padrinhos. E é isso. – Doug instruiu.

— Posso só fazer um lance antes? – Caleb pediu e Doug assentiu, Caleb então foi até Nesy que parecia só recarregar o choro pra chorar mais. – Oi, Nesy, né? Tudo bem? – Caleb se aproximou cuidadosamente da menina e se agachou enquanto, aparentemente, os pais dela o olhavam atentamente.

A menina parou de choramingar quando viu Caleb.

— Então... Eu vou entrar também mas eu to com muito medo e eu to com vergonha de ir sozinho. Você pode vir comigo? – Caleb falou com muita atenção e carinhosamente, Nesy então abriu um pequeno sorrisinho. – Legal. Brigado, viu? Assim que for pra gente entrar eu te chamo, ta? – E Nesy assentiu movendo sua cabecinha e de repente pareceu ficar toda sonhadora e os pais sorriram gratos para Caleb que retribuiu e ele foi junto de Doug e Alex.

— Resolvido. Vamos entrar juntos Alex e eu e depois quando for a Nesy, eu dou a volta e entro com ela, tudo bem assim? – Caleb fez sinal de positivo com as duas mãos para Doug.

— Fantástico, cara, valeu. – Doug agradeceu sorridente. – É melhor então se prepararem. – Acrescentou quando ouviu uma música suave começou a tocar.

Não demorou muito para Doug ir para seu posto em frente ao altar junto do responsável por casar a ambos e os convidados apressarem-se a se sentar e logo a fila dos padrinhos se formar. Alex se pôs sorrindo ao lado de Caleb e ficaram de braços dados, trocando risadinhas tanto de ambos se sentirem honrados por serem padrinhos quanto pela felicidade de seus amigos. Logo, eles marcharam pelo corredor e poder ver Beau cutucar Owen que havia adormecido e quase caíra em cima de Mariko mas recuperou a compostura rapidamente e franziu o cenho ao ver Alex e Caleb pelo corredor junto dos padrinhos. Caleb deu de ombros.

Logo então o momento mais esperado da noite chegara: Uma deslumbrante Nishi desfilava com seu longo vestido branco, a maquiagem mais perfeita que alguém poderia imaginar e seus cabelos presos com vários cristais ao decorer de várias juntas de cabelo. Doug parecia perder o fôlego ao ver sua noiva e parecia que suas pernas iriam ceder, os padrinhos perceberam isso e todos pareciam a postos para segurar o amigo.

— V... Você está... – Doug comentou baixo para Nishi quando ela parou ao seu lado e ele pareceu perder a voz, mordeu os lábios e puderam ver algumas lágrimas escorrerem pelo rosto do homenzarrão.

— Caraca, ele chora. – Caleb comentou baixo para Alex que lhe deu um cutucão nas costelas. – Au!

Acompanharam a cerimônia e os dizeres do homem que os tornaria marido e mulher. Caleb comunicou para Alex que iria para junto de Nesy e Alex assentiu com a cabeça. Caleb deu a volta de maneira que foi bem sutil, já que o espaço era imenso e aberto.

— Oi oi, cheguei! – Caleb falou para o grupo que estava Nesy junto. – Vamos? É nossa vez.

Nesy assentiu com a cabeça e deu sua mãozinha para Caleb enquanto a outra mãozinha carregava uma cestinha com as alianças dentro.

Não deu outra, Nesy entrou agora firme e forte pelo corredor que todos acharam adorável a cena dos dois, Caleb sorria e tentativa o máximo de possível não roubar a cena, queria toda atenção para a garotinha que sorria deslumbrada até parar em frente de Doug e Nishi que acenaram grata para o rapaz. Doug pegou as alianças com uma mão trêmula e Caleb levou Nesy para o cantinho depois do casal e ficou junto com a menina ali que parecia não querer desgrudar do rapaz.

Nishi parecia segurar muito mais sua compostura do que Doug que muitas vezes parecia que ia desmaiar ou chorar de emoção, especialmente na troca das alianças.

— E eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar sua esposa. – Disse o homem diante deles após assinarem aos documentos no altar.

Doug envolveu Nishi com um abraço tão forte que os dois pareciam que qualquer hora tornariam-se um e beijaram-se amorosamente, todos seus amigos aplaudiam.

Aplausos cujo som iam bem longe, longe... Mas não chegavam até os longínquos prédios brilhantes e acesos de Seattle, especialmente o prédio da agência, que lá em cima, alguém trabalhava.

Amelia servia café a uma xícara branca de porcela com bordas prateadas numa pequena cozinha branca. Ela pegou a xícara com pires cuidadosamente e os levou para fora da cozinha, seus passos com salto alto eram ruidosos já que não havia quase ninguém por ali. Ela entrou por uma porta, alguém rabiscava uma folha enérgicamente.

— Voltou a desenhar vestuários, foi? – Amelia perguntou, pousando a xícara ao pires em cima da mesa de vidro.

— Agora que eu encontrei uma inspiração... Sim. – Respondeu o homem que desenhava, debruçado sobre o papel, levantou a cabeça e sorriu para Amelia. Jacob pegou a xícara pela asa e bebericou de seu café, estalou os lábios depois do gole mais fervososo. – O que acha? – Ele levantou a folha de papel e mostrou para Amelia que se debruçou um tanto sobre a mesa para enxergar melhor.

— Um vestido de noiva? Para quem?

— Quem mais? Para Alex. – Jacob sorriu.

— Alex não estava planejado apenas para vestes masculinas e unisex? – Amelia perguntou.

— Estava. Antes. Mas desde o início, nunca foi. Ele será muito mais. – Jacob falou, virando sua cadeira de costas para Amelia e gesticulou com a mão para ela se retirar e assim o fez que Jacob pode ouvir seus passos cada vez mais distantes. Jacob ficou a olhar para seu desenho. – Ele será meu.