Love Bites
2 CAPÍTulo 2
Notas iniciais
CAPÍTULO 2
Elizabeth
Minha mala estava pronta.
Eu não queria fazer uma viagem em família. Eu não queria fingir brincar de casinha com meus pais a beira de um divorcio. Eles queriam tentar novamente vivenciar um casamento feliz, mas eles estavam na falência de algum sentimento mutuo.
Então, aqui estamos nós. A família feliz indo para a Itália. E lá vamos nós.
— Elizabeth! Vamos logo com isso! Não temos o tempo inteiro para suas demoras! Ande logo menina! – Gritava minha mãe do andar debaixo.
— Já vou! – Caramba que mulher chata!
Peguei minha mala e a joguei para o lado de fora do quarto e fui a chutando até chegar à escada e a jogar escada a baixo. Estou brava. Brava por não ficarmos em casa pra mim ser uma adolescente feliz. Eu só queria passar mais tempo com meus amigos e meu crush Norman.
Cansei da mamãe tentar ter uma vida normal com papai.
Eles vivem brigando. Todos os dias eram gritos e mais gritos e farpas trocadas. Eles não se amavam mais e tentar algo que não vai dar certo, era ridículo.
Eu sou uma garota mimada, eu sei que às vezes extrapolo em minhas decisões e ações, mas sou humana e quero uma vez na minha pequena vida, escolher por mim mesma.
Mamãe gostava era da vida de mentiras que viva com papai. Ele traiu mais do que um cachorro no cio. Ela perdoava que nem uma cara de pau fingindo que tudo estava bem. Não sei se ela tinha essa necessidade de ter ele por perto ou se não queria ver a verdade que estava em abaixo de seus olhos.
Não nego que vivíamos de puro luxo. Mas também não nego que tenho vergonha dela não ser forte o suficiente para viver sozinha sem papai.
~ ~ ~
O quarto do hotel era bem luxuoso.
Fiz vídeo chamada com minhas amigas e postei várias fotos em minhas redes sociais. Se era para estar ali, pelo menos fingiria que estava gostando e faria inveja em algumas vadias da escola.
Mamãe saiu com papai para jantar fora. Meu irmão deveria estar em alguma festa de merda e eu decidi ir em alguns pontos turísticos.
Quando anoiteceu, voltei para o hotel. Pedi uma garrafa de vinho e coloquei na conta de papai. Aproveitei aquela banheira com água quente e bebi todo o vinho. A cama era bem macia e o travesseiro parecia ser feito de pena de ganso de tão macio que era.
Então caí no sono.
No dia seguinte, mamãe ligou para meu quarto avisando que íamos fazer um passeio em família, pois havíamos ganhado um convite para visitar um castelo esquisito.
Havia mais pessoas com a gente, alguns falavam nossa língua outros não falavam nada.
Os corredores eram antigos e escuros. Conforme fomos adentrando o local, mas sombrio e curioso às coisas ficam. Eu queria ficar no quarto do hotel e curtir minhas músicas tranquilas, mas toda a história, o lugar e o seu toque de mistério... Era fascinante.
A mulher que estava nos guiando parou em frente duas portas e enormes. Ela abriu e entramos numa sala mais iluminada. Haviam espelhos pelo teto e em alguns cantos da sala. A porta da sala bateu. Olhei assustada e percebi que estava fechada. Então o lugar virou uma cena de filme de terror. Pessoas sendo arrastadas pelos pés, gritaria, sangue.... E juro que quase me mijei.
Então foi pânico total. Foi cada um por si. Todos corriam e tentavam abrir a porta. Com toda a confusão, eu não conseguia achar a minha família. Eu estava em pânico, não sabia o que fazer. Então, vi uma cena que me chocou total, meu irmão teve a cabeça decapitada. Gritei como nunca na minha vida.
Então chamei a atenção de um deles. Seus olhos eram vermelhos. Seus cabelos eram loiros e a pele pálida, quase como se brilhasse. Ele parecia um cadáver muito bonito. Olhei para todos os lados, eu queria um refugio.
Então, um homem correu em direção a coisa e a coisa pegou-o pela camisa e cravou os dentes no pescoço do homem. Percebi que as portas pouco antes fechadas, agora estavam abertas. Não pensei duas vezes e corri em direção a porta. Então senti dentes em meu braço. Tentei puxa-lo, mas eu não tinha força. Olhei e vi uma mulher de cabelos pretos. Ela então me segurou com força e não parou de chupar meu braço. Doía feito o inferno. Me senti fraca quando ela me soltou e eu caí no chão. Ouvi minha assassina ser chamada por uma menina que aparentava ser bem nova. Elas deixaram o local ainda rindo. O lugar parecia uma zona de guerra, todos mortos. Eu não sabia identificar onde estava minha família. Pensei em mamãe, em papai e no meu irmão que há pouco vi morrer. Meu coração doía muito. Era como se eu estivesse sufocando. Meu corpo queimava. Meu coração disparava demais.
Eu me sentia tonta demais.
Levantei meia tonta, era como se eu estivesse bêbada. Meu corpo queimava. Eu estava pegando fogo. Olhei para a porta a berta e corri o mais rápido que eu pude. Eu sabia que aquelas coisas eram rápidas, mas eu queria viver. O horror não saía da minha mente. Eles eram cruéis demais.
Eu estava muito tonta, parecia que em qualquer momento eu desmaiaria ali mesmo. Senti meu corpo cair escada abaixo, eu nem percebi a escada. Minha vista estava turva, quando senti meu corpo no chão, me senti destruída. Mas parecia que eu não sentia mais dor. Mas não sentia meu corpo. Eu estava apavorada.
Tentei usar um pouco de força para arrastar meu corpo para algum lugar. O local era escuro, eu não enxergava nada. Cheguei a cogitar estar cega. Mas virei minha cabeça e vi a claridade na escada. Era um bom sinal.
O lugar fedia a fezes e a urina. Era nojento.
Pude escutar choramingo. Parecia existir mais pessoas ali em baixo. Meu corpo chegou à exaustão. Entrei em convulsão. Todo meu corpo tremia. Tudo estava dolorido e queimava. Então eu gritei. Senti meu corpo se contorcer.
Por um momento, avistei olhos escuros e brilhantes. Mas por incrível que pareça, eu não senti medo. Então ouvi um uivo alto, era como se estivesse sofrendo ou sendo torturada.
Então apaguei.
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