Love Bites

10 CAPÍTulo 10


Notas iniciais
Espero que gostem. Kailee Morgue - Discovery Taylor Grey - POISON SVRCINA - Who Are You? Ursine Vulpine ft. Annaca - I Am The Only One Emotional Music - Bury my heart

CAPÍTULO 10

Elizabeth

Lucien era bonito.

Cortei seus cabelos e lhe dei uma peça de roupa. Enquanto tomava banho eu saí para lhe comprar roupas.

Lucien não falava muito. Era calado. Na dele. Parecia sempre pensar em alguma coisa.

— Você sente fome?

— Não.

— Há quanto tempo está preso naquele lugar?

— Mais tempo do que consigo contar.

— Você é imortal como os vampiros?

— Não sou como os vampiros.

— Você é um lobo, não é? Como...?

— Sou um lobo, sim.

— Doí?

— Não. É como cocegas. É quente. Já me acostumei.

— Eu me lembro de você. Obrigada por segurar a minha mão.

— Não. Por favor. Não fale sobre isso.

Talvez ele se visse em mim, assim como me via nele na maioria das vezes.

—Você tem quantos anos? — Tentei mudar de assunto. Ele parecia não querer falar sobre o que ele era, ou o que vivenciou ali. Eu também não gostaria de falar tudo.

— Não sei. Meu último aniversário foi aos 27. Talvez eu deva ter um pouco mais dos 27 anos.

~~

Lucien

Havia perdido a noção do tempo. Já não sabia quanto tempo se passou desde a tragédia com minha família. Eu também já não queria saber.

Ela era uma droga pra mim. Eu a via como um monstro. Uma sangue suga. Mas meu lobo havia escolhido ela. Não o monstro, mas, a parte humana.

Me transformar em lobo, foi como receber um castigo e ao mesmo tempo minha própria salvação. Se não fosse por isso, eu me transformaria no mesmo monstro que eles eram.

Elizabeth era um deles. Ela matava. Ela sobrevivia. Mas eu não gostaria de machuca-la. Ela ia quebrando minhas barreiras como se fossem feitas de vidro.

Ela queria respostas. Eu não queria, nem podia, responde-las.

Vampiros fediam. Mas ela, tinha um cheiro delicado. Talvez fosse o amor que o lobo sentisse por ela e a recusa de abandonar tais sentimentos.

— Você está muito bem. O que acha do cabelo agora depois de cortado?

Era havia cortado meu cabelo. Foi difícil sentir seus toques. Era difícil sentir que ela era fria e não ouvir seu coração bater como antes.

Quando vi ela pela primeira vez, foi como se eu pudesse ver à luz depois de muito tempo.

Eu via apenas o escuro. Não vivia por mim. Era como ter um corpo sem alma e sem vontades. Eles me trancaram. Eu era o presente de sangue para Camille. Por muito tempo acreditei que a amava. Por muito tempo ela se alimentou de mim, mesmo que me achasse fedido. Ela me via como um prêmio.

Com o tempo, a diversão que sentia ao me visitar, foi acabando e seu interesse se dissipou. A hipnose que fez comigo havia acabado. Eu sabia que não era amor, era ilusão. Só de lembrar dela e deles matando minha família e a todos que eu conhecia, me deixava enojado.

Ela me tratava como um cão. Um bichinho de estimação. Ela conseguiu acabar comigo. Me despedaçar. Me fazia acreditar que eu era um ninguém. Me fazia acreditar que eu estava morto por dentro.

O mundo estava mudando, eu sabia. Eu não tinha noção se era dia ou noite. Mas sabia que estavam evoluindo. Comecei a escutar mais humanos, alguns barulhos estranhos do que chamavam de carro.

Eu sabia que havia passado muito tempo.

Eu não envelhecia. Ficar perto de vampiros, talvez, me deixasse mais forte e de alguma forma, com mais tempo de vida. Eles despertavam algo em mim. Meu envelhecimento ficava cada vez mais retardado. Quando me mordeu, quase morri. Senti a dor insuportável. Mas, o veneno despertou o lobo em mim. Foi uma batalha entre meu lobo e o veneno. Meu lobo venceu. Aro na época, cedeu aos caprichos de Camille e me deu de presente para ela. O lobo e o veneno em meu corpo diminuíam meu cheiro para os vampiros.

Alguns vampiros jogavam algumas coisas para que eu comesse. Meu orgulho foi diminuindo até chegar ao nada. Me alimentava de qualquer coisa. A fome em mim era sempre gritante.

Aquelas correntes eram bem frágeis. Eu podia sair. Eu podia. Eu sabia. Mas eu não conseguia. Só o fato de pensar nisso, eu era atingido por uma grande dor de cabeça. Eles jogavam comigo. Sempre.

Camille era uma desgraçada. Era pra ela ter arrancado meu coração.

Elizabeth despertou algo bom em mim. Vi esperança nela. Eu queria ter matado ela. Eu deveria. Mas falhei. Fiz dela um monstro como eles.

— Está bom. O cabelo está ótimo.

— Você sempre me parece pensativo. Você não vai voltar para aquele lugar de novo. Você pode partir se assim quiser.

Eu queria partir. Eu deveria ir. Mas eu conseguiria deixar ela para trás?

Eu queria me conhecer melhor. Saber minhas verdadeiras origens. Papai nunca comentou sobre lobos, nem minha mãe ou meus irmãos. Haviam outros como eu?

Qual era o meu destino?

— Obrigada.

— Você é um bom amigo, Lucien.

Ela era linda. Amava a sua voz. Amava a forma da qual ela me olhava. Seu olhar sempre me prendia ao dela. Amava a forma da qual ela sempre parecia cuidar de suas palavras e sempre parecer dizer a coisa certa para mim.

Eu a deixaria?

— Por que me deixaram viver, Elizabeth? Eu sei que ela morreu.

— Eu pedi por sua vida. Eles deixaram você viver. Apenas isso.

Eu sabia. Não era seguro falar com eles tão perto. Eles ouviam tudo o que dizíamos.

— Você pode sair? Eu gostaria de ir lá fora.

— Posso. Eu posso ir. Mas está sol.

— O que tem o sol?

— Eu brilho no sol, Lucien. Nunca viu um vampiro na luz do sol?

— Não.

— Olhe.

Ela correu até à janela e a luz do sol bateu em sua pele. Ela parecia uma pedra preciosa. Brilhava mais que um diamante.

— É lindo.

— É. Acho que é a única parte bonita. Mas acho que... um monstro sempre será um monstro.

Eu queria dizer que ela não era um monstro.

— Sinto muito, Elizabeth.

— Quando o sol se pôr, vamos ir lá fora. Vai conhecer muitos lugares bonitos.

Eu queria ir pra casa. Olhar meu lar. Mas eu sabia que não seria mais o mesmo e ele estava marcado pela morte de muitas vidas.

~~

Elizabeth

Lucien estava começando a se abrir comigo. Eu gostava disso.

Ele era muito bonito. Sempre evitava olhar para mim. Eu sentia algo por ele. Eu sabia que era um sentimento perigoso.

Ele queria sair. Eu o levaria para conhecer vários lugares. Eu gostaria que ele fosse livre. Eu não queria que ele fosse embora. Era solitário, mas ele era livre agora. No momento em que Aro o deu para mim, eu o libertei. Ele era livre para ser quem era e o que quisesse ser.

Quando enfim o sol se foi, saímos do castelo.

Meu controle estava uma merda. Eu precisava me alimentar. Por eu dar toda à minha atenção ao Lucien, havia esquecido de mim. Meus olhos deveriam estar pretos. Mas, ele precisava de mim.

Lucien parecia uma criança olhando tudo. Ficou encantado com os letreiros. Ele gostou muito dos carros.

— Gosto de sair quando escurece. É bonito.

— Eu gostaria de comer... o que me deu daquela vez.

— Pizza? Claro.

Eu ainda tinha algum dinheiro. Fomos a pizzaria e ele comeu algumas. Ele parecia sentir muita fome.

— É bom. Lembra a comida de minha mãe. Ela se juntava com minha irmã e fazia muita massa. Adorei esse recheio.

Ele se abria cada vez mais comigo. Me encantava.

— Minha mãe nunca cozinhou nada pra mim. Ela fazia apenas o café da manhã com coisas prontas e no máximo coisas pré-prontas. Ela era uma péssima cozinheira. — Me lembrei da minha própria mãe.

— Você tem vontade de ir ver sua mãe, Elizabeth?

— Tenho. Deus sabe como. Mas... Não posso fazer isto, Lucien. Mamãe morreu naquele dia. Aliás, papai e meu irmão também.

— Sinto muito. — Ele tocou minha mão.

Sua pele era quente. Eu estava com fome. Conseguia ouvir seu coração. Batia rápido. Muito rápido.

— Eu não sabia. Sinto muito.

— Tudo bem. Minha mãe era maravilhosa. Eu os odeio por isso. Ainda mais por me fazer como eles. Eu não queria.

— Eles acabaram comigo também. Doí. Eu sei.

— Eu penso em fugir todos os dias. Mas assim como você, não posso ir, Lucien, bem, agora, você pode. Por mais que eu queira, estou presa a eles.

— Precisamos achar uma saída, Elizabeth.

— Eu quero. Mas sou fraca perante à eles, Lucien.

— Eles precisam pagar, Elizabeth. Não podem matar humanos como se fossem meros petiscos.

Ele parou. Se calou ali.

— Eu sou assim, Lucien.

— Sinto muito.

— Eu sei. Eu quero ser livre. Mas não posso lutar sozinha, Lucien. Você também não. Eles têm força, nós não. Não quero matar você.

— Eu morreria feliz se pudesse fazer algo por você, assim como tem andado a fazer por mim.

— Obrigada. Mas não precisa fazer nada. Já fez muito.

— Quando me mandou embora...

— Não mandei.

— Bem, Elizabeth, quando me disse que eu poderia ir, eu pensei por algum momento que talvez... Eu gostasse.

— Você pode.

— Não quero. Mas penso que talvez eu encontre pessoas como eu.

— Eu sei. É solitário.

Talvez Lucien quisesse encontrar uma fêmea pra ele. Ele não ia querer ficar com uma vampira como eu. Um monstro. Ele mesmo falou sobre humanos.

— Eu gostaria de ir.

— Você pode.

Você não pode.

Eu preciso de você, Lucien.

Por favor, fique.

Eu queria dizer para ele. Mas não conseguia. Ele era livre. No fundo sabia que seria doloroso ficar e se lembrar de tudo. Vida maldita.

— Preciso descobrir quem sou. Preciso descobrir o que aconteceu depois de tudo o que houve comigo. Quero entender, Elizabeth.

Se eu pudesse chorar, eu choraria e fazia birra. Me agarrava em suas pernas e o imploraria para ficar. Inferno de vida. Merda. Droga.

— Você... eu não vou deixa-la. Você é importante para mim.

Ele se aproximava cada vez mais da mesa e segurou minha mão novamente.

Ouvir que eu era importante, pareceu me aquecer.

— Vou voltar. Não sei por quanto tempo ficarei longe, mas vou voltar. Eu te prometo, Elizabeth. Irei descobrir uma forma de você ir. Vou cuidar de você, eu prometo.

Eu queria que fosse verdade. Queria acreditar. Eu sabia. Estava me apaixonando por ele. Lucien estava indo encontrar a si mesmo, mas, de alguma forma, se houvesse outros, e sei que como os vampiros devem ser muitos, ele encontraria uma fêmea que o amararia e que talvez ele amasse e vivesse um feliz para sempre.

— Lucien, você pode ir. Eu entendo.

Não. Eu não quero entender. Quero que fique.

— Estarei aqui caso precise.

Levante da cadeira arrancando minha mão da sua. Tentei sair de passos humanos. E sabia que ele olhava para mim. Me acompanhava com os olhos.

Já fora do estabelecimento, senti que ele segurava meu braço. Aquela agitação não me fazia bem. Eu queria me alimentar. Eu estava a ponto de ficar insana. Eu podia ouvir os corações dos humanos batendo. Eu queria voltar e matar todos. Alguns andavam em volta e eu podia jurar sentir o gosto do sangue deles.

— Você está chateada?

— Lucien. Eu estou... Não consigo ficar mais tempo aqui fora. Preciso voltar.

— Entendi. Está com fome?

— Lucien, não me alimentei. Eu estou ficando à beira da loucura. Sinto muito.

Ele não largou meu braço. Pelo contrário, me abraçou.

— Vai ficar tudo bem. Eu já deveria ter percebido. Seus olhos estão negros e você está com olheiras.

— Não é sua culpa. Eu deveria saber qual era meu limite.

Eu não o abracei de voltar. Gostei da sensação de sentir seus braços em volta de mim. Seu coração batia forte, muito mais forte do que antes. Ele era perigoso pra mim.

— Eu gosto de você, Elizabeth. Gosto desde que coloquei meus olhos em você. De alguma forma, o destino te colocou em minha vida e me deu esperança.

Eu queria ele em minha vida.

— Você é a minha, Lucien.

— O que?

— Minha esperança.

Coloquei minha cabeça em seu ombro. Seu cheiro de alguma forma me acalmava.

— Vamos andar uma pouco. Consegue fazer isso? Quando chegarmos ali, do outro lado, apenas faça o que precisa ser feito.

Balancei minha cabeça em negativo, ainda colada em seu pescoço. Eu não queria matar ele. Eu sempre perdia o controle.

— Não posso, não quero ferir você.

Minha voz saiu baixa. Muito baixa.

— Eu confio em você.

— O veneno...

— Não importa. Algo aconteceu comigo... o veneno não fara nada comigo.

Seu tom soou baixo. Ele não parecia acreditar nisso.

Sem que eu percebesse, ele dava pequenos passos comigo ainda em seus braços. Havíamos chegado na parte escura da rua, ele não soltou meu corpo.

— Não farei isso.

Tentei me soltar, mas ele me segurava de forma firme. Então parei de me debater em seus braços e encarei sua face bonita.

— Não vou fazer isso. Não quero. Não quero!

Ele soltou-me por um instante, tirando uma de suas mãos de mim e a outra repousada em minha cintura. Ele tocou meu rosto e o acariciou lentamente.

— Eu confio em você. Eu não vou morrer, curo rápido. Você mesma viu.

Sua mão escorregou para meus cabelos. Ele puxou minha cabeça de encontro ao seu pescoço. Bebi de seu sangue. Meu monstro o abraçou com força. Temi quebra-lo no meio e tentei me controlar.

Lucien não se moveu, nem mesmo reclamou de dor. Eu queria mais, estava difícil parar. Eu queria mais.

— Não sei se aguento mais, Elizabeth.

Ele já me achava um monstro, se eu deixasse que ele morresse, eu... ele nunca mais me olharia como em olha agora.

Ele então me empurrou com força.

— Chega, Elizabeth.

Meu corpo estava tremulo. Me sentia mais forte e mais saciada. Ele segurava meus ombros com força. Seu pescoço ostentava uma pequena mordida e ainda saia um pouco de sangue.

— Me desculpe. Me desculpe.

Tentei me afastar dele, mas ele não me soltou.

— Eu me ofereci, não tem problema, Elizabeth.

Ele já queria ir embora. Agora ele iria e também se afastaria para sempre de mim.

— Não me machucou. Eu estou bem. Vê?

A mordida estava fechando. Já havia curado. Me senti aliviada.

— Sim. Mesmo assim me desculpe.

— Eu gosto de tudo em você, por mais que eu odeie o que se tornou, gosto de tudo, Elizabeth. Então, jamais vai me machucar, assim, como, jamais vou machucar você.

— Você ainda vai embora?

— Sim.

— Você disse várias vezes que gosta de mim. Como me vê, Lucien?

Fui ousada. Mas eu queria saber.

— Vejo você como uma mulher.

Então fique. Eu o vejo como um homem.

Ele olhava para meus lábios de forma fixa.

— Então me beije, Lucien.

Onde estava minha vergonha?

Ele segurou em meu rosto e se aproximou de mim de forma rápida. Seu beijo tinha pressa, tinha fome, tinha paixão. Eu queria mais dele. Mais de tudo o que eu poderia ter de Lucien.

De alguma forma ou de outra, ele era a minha luz.

Notas finais
Comentem! Adoraria saber o que estão achando. Ficou meio longo esse capítulo, ein. kkk bjs!