Love Beyond Life

4 Capítulo 3 - Cinzas do passado


Notas iniciais
Hey, meus amores, como estão? Bom, leiam as notas finais, pois conterá minhas desculpas e motivos pelo atraso, já que eu deveria ter atualizado na segunda feira.

Após três horas ou mais Percy finalmente havia me convencido. De uma maneira ou de outra, não havia como fazê-lo desistir da ideia, até que finalmente concedi ao pedido; um passeio na montanha russa. O medo de altura prevaleceu durante todo o percurso. Meu rosto mudou de cor a cada manobra do brinquedo entre os ladrilhos. Ficando roxo, vermelho e, por fim, um leve tom esverdeado no final do passeio. Talvez “diversão” não seja a palavra correta para descrever, tortura, aflição, agonia ou qualquer palavra de tormento descreva o que eu realmente senti.

Minhas pernas demoraram a se acostumar novamente com o chão, uma sensação insana como se o chão fosse feito de borracha. Meu estômago fervilhou durante alguns minutos. Percy, por outro lado, não parecia ter sofrido impacto algum pela adrenalina. Não parava de sorrir e murmurar algo excitado, pelo visto o passeio foi realmente bom para ele.

Paramos em frente a uma fila descomunal. O sorriso de Percy logo desapareceu ao me encarar, provavelmente percebendo o meu estado neurótico. Ele se aproximou para me fitar de perto.

– Tudo bem? – ele indagou. – Qual é, Thalia? É apenas um brinquedo – ele apontou para o brinquedo em frente. – Crianças estão na fila.

Observei o proceder do brinquedo a nossa frente; dez cadeiras presas a um imenso braço mecânico que rodopiava girando as pessoas de cabeça para baixo. Congelei no mesmo instante. Aquilo parecia ser pior do que a tortura que encarei agora a pouco.

– Sabe o que é irônico? – sibilei. – Irônico é esse lugar se chamar “Park de diversões”, quando na verdade deveria se chamar torturalândia, ou qualquer coisa do tipo.

Sentei-me no banco mais próximo que encontrei. Percy me seguiu, tentando compreender a causa do meu declínio psicológico. Ele apoiou a perna esquerda sobre o banco, me fitando por alguns segundos sem mencionar uma palavra sequer. Fitei-o por uma fração de segundos, tentando imaginar o que se passava em sua mente.

– Me desculpe – ele suplicou. – Você me falou do seu medo de altura, mas mesmo assim insisti e...

– Não – interferi. – Não tem que pedir desculpas toda hora, você já fez isso mais de uma vez hoje. Além disso, o problema sou eu... e as lembranças que esse lugar me trás.

– Esse Park? – Percy questionou.

– Não, não esse Park – comecei. – Quando meu pai... bem, quando eu era criança meu pai costumava me levar a vários parks. Ele e meu irmão, Jason, aproveitavam todos os brinquedos, e eu ficava observando os dois. Meu pai insistia para que eu me juntasse a eles, mas eu nunca conseguia superar esse medo. Nem mesmo quando ele prometia que nada de ruim aconteceria... – um sorriso amargo surgiu em meus lábios, mas desapareceu com a mesma velocidade em que apareceu. – Ele era muito focado no trabalho, quase nunca conseguíamos ter momentos assim... juntos. Mas nas raras vezes que isso acontecia, ele conseguia focar toda a sua atenção na gente.

– Você sempre se refere a ele no passado... – Percy prosseguiu. – O que aconteceu com ele?

Eu estudei a expressão dele durante um tempo. Qualquer outra pessoa que me fizesse tal pergunta não receberia uma resposta agradável. Talvez até uma agressão física. Mas com Percy eu senti liberdade para desabafar. Ele mantinha os olhos verdes fixos em mim desejando a resposta que eu demorei a proferir.

Ele não precisava saber de tudo. Portanto, resolvi contar apenas o que eu me permiti lembrar. Algumas lembranças, no entanto, nem mesmo o travesseiro deveria saber. Esse tipo de coisa que jamais poderá ser escrito em diários ou algo do tipo, é uma espécie de lembrança amarga preservada no fundo do subconsciente. Às vezes atravessam a minha mente, mas eu me obrigo a reprimi-las. Não adianta preservar lembranças de tempos felizes, já que após o devaneio, a realidade voltará a predominar.

– Então... – ele interrompeu meu raciocínio.

– Certo dia ele partiu – murmurei. – As coisas estavam bem ruins entre ele e minha mãe. Ela desconfiava da fidelidade dele para com ela... e no fim, estava certa. Ele tinha outra família... filhos... Enfim, acho que já deu.

– Como ele era? – Percy perguntou. – Luke... como era o Luke?

Pronto. Ele me dilacerou completamente. Primeiro havia enfiado a adaga no meu peito, agora ele havia arrancado a lâmina maldita e enfiado novamente dilacerando golpes contra o meu ser. Isso era cruel da parte dele, mas tenho certeza de que pela falta de concepção de Percy, ele não havia perguntado com a intenção de me machucar.

– Acho que já chega de falar do passado – rosnei, soando mais grossa do que imaginei. – Você sabe ser bem inconveniente. Mas já que quer fazer uma viajem ao passado, que tal encerrar esse assunto falando do seu?

– Inconveniente – ele riu. – O que quer saber?

– O que quiser contar – repeti. – Você fez eu me confessar agora, então nada mais justo do que você fazer o mesmo. Não vai querer ser chutado Perseu.

– Oh, com certeza não. – ele sorriu. – Eu não quero terminar como o Leo.

– Sábia escolha, Perseu – admiti. – Ah, aquele incidente com o Leo na piscina não foi nada.

– Bem, acho que eu tenho uma ideia melhor – ele afirmou. – Ao invés de lembrar-se de algo que já passou, que tal mudarmos esse seu pensamento sobre o Park de diversões e transformar a “torturalândia” em algo divertido, o que acha?

– Não, não mesmo – discordei. – Já tive fortes experiências em um único dia.

Ele me levou para casa logo após uma longa tentativa de faturar um prêmio em um dos jogos. O céu logo ganhara um tom cinza, acompanhado de a leve chuva. Percy me entregou seu casaco de nylon azul-marinho, devido à brisa gélida que assoprara contra nossos corpos. Eu hesitei em recebê-lo, mas Percy insistiu para que eu aceitasse.

Ele havia feito inúmeras perguntas sobre o meu passado, mas não respondeu um sequer sobre o seu. Mudava de assunto quando eu perguntava, portando, achei melhor esquecer. O que quer que ele esteja ocultando de passado, não seria condescendente de minha parte obrigá-lo a falar. Há coisas que lutamos para esquecer, mas acabam ficando marcadas para sempre em nossa mente.

– Enfim, desculpe por não ter ganhado o prêmio – ele sussurrou, assim que nos aproximamos do apartamento.

– Tudo bem – concordei –, não é parte minha personalidade colecionar pelúcias.

– Percebi – ele riu. – Você tem uma personalidade forte. Isso é bom.

– Escuto isso às vezes – retruquei. – Mas nunca me falaram que isso podia ser algo bom.

– Isso é ótimo – ele concluiu. – Garota misteriosa, que deixa segredos ocultos atrás de um delineador impactante. Que briga de volta e discorda de tudo. Isso é bom. Torna-se uma pessoa difícil a aproximação... é excelente. Até porque as coisas fáceis são chatas e as difíceis são as mais almejadas – ele retirou uma mecha do meu cabelo colocando-a atrás da minha orelha, logo em seguida aproximou-se depositando um beijo no meu rosto, apenas alguns centímetros longe da minha boca. – Até mais.

Eu não tive a oportunidade de falar mais nada antes dele sair. Entrei em casa esbarrando nos objetos enquanto caminhava até o interruptor mais próximo. Não havia sinal algum de Jason e Nico, que passaria a semana conosco enquanto sua mãe e irmã estavam fora da cidade. Assustei-me ao me deparar com a figura estática sentada no sofá. Minha mãe. Se é que ainda devo chamá-la assim.

Doeu vê-la daquele modo. Mas afastei qualquer sensação de remissão. Ela havia escolhido aquele destino ao nos abandonar. Fitei- lhe por alguns minutos antes de expressar qualquer reação. Sua aparência estava arruinada assim como as roupas sujas e maltrapilhas. A mão esquerda brincava com as mexas de seu cabelo desgrenhado enquanto a outra segurava um copo de Whisky.

– O que veio fazer aqui? – murmurei curta e grossa.

– Preciso de uma razão para voltar ao lar? – ela devolveu a pergunta. – Thalia, quando vai parar de me julgar? – ela colocou o copo cuidadosamente sobre a mesa de centro, cruzou as pernas de maneira sensual e voltou a me encarar novamente. – Não posso simplesmente sentir saudades? Você e seu irmão tem feito muita falta. A propósito, onde está o Jason?

– Não interessa – suspirei. – É melhor ir antes que ele a veja. Esse não é mais seu lar.

– Quanto drama! – ela exclamou. – Você se parece muito com seu pai olhando por esse lado. – Ela segurou novamente o copo de Whisky. – Minha querida, às vezes, com o passar do tempo, você descobre que esse é o único casamento perfeito que existe – ela sorriu, apontando para o copo de Whisky e gelo. – Boa noite. Acho que já vou. Diga ao Jason que mandei um “oi”.

– Não quer mesmo vê-lo? – sussurrei. – Eu já imaginava.

– Não se ele fizer tanto drama quanto a irmã – ela devolveu, ríspida como sempre.

Ela voltou a proferir algo que não dei muita atenção. Subi as escadas a caminho do meu quarto sem olhar para trás. Passei pelo quarto de Jason, mas não havia sinal algum dele ou de Nico. Joguei-me na cama com a cabeça enfiada o travesseiro. Retirei o all star com os pés jogando-o do outro lado do quarto.

Imediatamente mergulhei em lembranças. Novamente estava de volta a minha infância. Repensei em todos os momentos drásticos que consegui me lembrar. Lembranças ruins que torturavam a mente. Abri os olhos tentando afastá-las, pensando no dia que havia sido perfeito apesar de tudo. Logo o cheiro salgado e a sensação calorosa extraída do casaco de Percy me trouxeram uma sensação reconfortante, que há muito não sentira. O sono aos poucos foi invadindo meu ser, e em questão de instantes já me consumia por completo. Percy Jackson meu sonífero.

Notas finais
Então, o que acharam do capítulo? Espero que tenham gostado, coloquei apenas um beijinho no rosto, pensei em colocar um mais caliente, mas isso seria muito precipitado. Um leitor deu a ideia de aumentar a classificação da fic para +18. Porém não pretendo fazer isso, sorry. Mas vocês leitores fãs de THG, incesto e Percy Jackson estou escrevendo novas histórias com tais temas. estão curiosos sobre o que acontecerá, mas não pude retratá-los nesse capítulo, mas com certeza relatarei nos próximos. E, por último, mas não menos importante quem estiver a vontade para fazer recomendações, façam. Contribui para capítulos extras.