Love Between Skylines And Turnstiles

1 The Only Hope For Me - Único


Notas iniciais
Oi. Sentiram minha falta? -q
Terminei a fic ontem e já estou postando de novo, realmente... ¬¬'
Bom, enfim. Eu peguei alguns fatos da página do Gerard na Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Gerard_Way), em inglês porque a brasileira fala outras coisas. Caso interesse pra alguém ver que partes da fic são reais, eu citei algumas coisas que estão escritas na parte "Music" do artigo ^^
Espero que gostem!

Estou aqui sentado, digitando, perguntando-me como começar essa história, ao mesmo tempo em que me pergunto para quê. Bem, acho que às vezes sentimos vontade de contar um pouco do nosso passado, mesmo que sem motivo.

É o que estou sentindo agora. E acho que devo começar por ele.

Frank Iero. Passou pela minha vida como uma estrela cadente; rápida, linda, algo que você nunca esquece.

Eu não estava completamente satisfeito com o rumo que a minha vida estava tomando. Sabe quando você olha e pensa “É realmente isso que farei para sempre?”. Eu trabalhava nos estúdios do Cartoon Network, e se continuasse batalhando provavelmente iria crescer o bastante para me tornar um dos grandes desenhistas de lá. Isso era ótimo, eu realmente adoro arte, mas essa não foi a minha primeira opção. Havia tentado participar de algumas bandas, mas simplesmente não me achava — e os outros também não me achavam — bom o bastante. A guitarra não era para mim. E isso acabou com o meu ânimo de seguir uma carreira musical. Melhor parar de sonhar, certo?

Eu já estava aceitando que nada de grandioso aconteceria comigo. Eu já havia parado de cantar em frente ao espelho e de me imaginar em frente a multidões de fãs fervorosos. Isso tudo era besteira. Eu já devia me sentir sortudo por poder fazer algo que eu gostava, que era desenhar.

Mas algo grandioso aconteceu em minha vida, sim. Bem, talvez não tão grande assim.

Eu estava em um bar, cansado, sem saber porque eu simplesmente não ia para casa e dormia. Enquanto bebia distraidamente, notei uma ligeira movimentação ao meu lado. Algumas pessoas cercavam o homem sentado no banco. Eu sequer o havia notado ali, mas enquanto as pessoas se afastavam, muito sorridentes, consegui vê-lo. Cabelo preto e curto, camiseta do Misfits, jeans, e o mais impactante: um rosto absolutamente adorável. Foi um choque tão repentino, vê-lo assim, que desviei o olhar rapidamente, como se estivesse escrito na minha cara “te achei lindo”.

Uma última garota que falava com ele foi embora e acabou esbarrando a bolsa em mim, fazendo-me derrubar minha bebida. Ela não percebeu e continuou andando, e eu fiquei estático por um momento, com uma expressão de “que merda”.

— Ah, ela fez você derrubar — o homem falou, curvando-se para ver melhor o estrago.

Por que estúpido motivo eu comecei a corar, eu não sei, mas foi o que aconteceu.

— Ahn... é. Na verdade acho que ela quem derrubou, mesmo.

Ele riu e eu corei mais. Que droga.

— Toma — ele me entregou um guardanapo. — Eu limparia pra você, mas acho que seria intimidade demais.

Olhei para baixo e comecei a enxugar minha camiseta, tentando afastar o rubor do meu rosto antes de levantar a cabeça.

— Obrigado — eu disse, finalmente, depois de um tempinho razoável.

— De nada. A culpa foi minha que ela veio até aqui pra começar, né.

— É?

— É, essas pessoas vieram pedir autógrafos.

Arqueei as sobrancelhas.

— Ah... — comecei, sem saber bem o que falar, e ele sorriu.

— Não tem problema não me conhecer, isso não é algo ruim — ele disse, e estendeu a mão. — Frank Iero. Toco em uma banda chamada Pencey Prep.

— Ah, eu já ouvi falar — respondi todo animado, apertando sua mão, e ele riu. Corei de novo.

Ficamos quietos por um tempo, eu desconfortável e ele aparentemente curtindo a música que saía dos alto-falantes.

— Er... Deve ser legal ter uma banda — comentei, brincando com o copo vazio em minha mão.

— Se você gosta de verdade, sim, é ótimo.

— É, acho que entendo — acrescentei baixinho.

Ele franziu o cenho.

— Por quê?

— Só curiosidade. Tentei ter uma há um tempo atrás, mas não deu muito certo.

— Ah, nunca dá. Mas você não pode desistir.

Dei um sorrisinho fraco.

— Tarde demais.

— Ei, por quê? Nunca é tarde demais.

Dei de ombros, começando a me xingar mentalmente por ter continuado essa conversa.

— É sério... ahn, qual seu nome?

— Gerard. Gerard Way.

— Então, Gerard Way, nunca é tarde demais para perseguir seu sonho. Se você ama isso, você tem que continuar indo atrás. Não pode desistir só porque não é fácil.

— Mas é que eu não sou bom — acrescentei, tímido.

— Eu também não era, mas pratiquei. E vou continuar praticando até ficar melhor. Você devia fazer o mesmo.

Dei de ombros de novo. Ele não era o primeiro a me dizer essas coisas. Meu irmão vivia me falando para tentar de novo, mas eu estava decidido a deixar a música para trás.

— Tá, vou pensar — eu disse, querendo mudar de assunto. — Que tal então me falar mais da sua banda, pra me ajudar?

Ele sorriu e mordeu a isca. Falou sobre como começou a tocar, onde conheceu os outros integrantes, e eu fui me interessando vividamente em tudo que ele dizia. Acabei descobrindo que o Pencey Prep estava frágil e próximo de uma separação, e nesse ponto a conversa passou para assuntos pessoais, como relacionamentos e decepções. Antes que eu percebesse, estava contando a ele sobre meu próprio passado, dividindo minhas angústias e achando cada vez mais surpreendente que ele me compreendesse. Eu acabara de conhecê-lo, onde eu estava com a cabeça?

Mas não paramos de falar por muito tempo. Quando eu percebi que já era bem tarde, disse que precisava ir embora, e ele me ofereceu uma carona, já que eu havia ido a pé até o bar.

Aceitar aquela carona deve ter sido a segunda melhor decisão que eu já tomei na vida.

Quando chegamos em frente ao prédio onde eu morava, eu me virei para me despedir de Frank e fui surpreendido por seus lábios, grudando-se repentinamente aos meus.

Antes que eu pudesse ter qualquer reação, ele se afastou, corando violentamente.

— Desculpa, eu... eu acho que estou bêbado.

Era mentira, ele mal bebera. Eu também não, já que nos concentramos muito em nossa conversa. Estávamos bem conscientes de nossos atos.

— Eu... — fiquei paralisado por um momento, até que sorri. — Eu acho que eu também.

Beijei-o de novo, e pude sentir uma onda de surpresa passar pelo seu corpo. Quando pedi passagem com a língua, ele hesitou por somente um segundo antes de permitir.

Logo estávamos nos abraçando, ainda dentro do carro, e aumentando a urgência do beijo. Quando percebi o que estava acontecendo, afastei-me e o puxei para fora, guiando-o devagar até meu apartamento e só pensando rapidamente sobre a bagunça que estava lá, já que eu me mudaria em breve. Eu não sabia porque estava fazendo isso, e aparentemente ele também não, mas não paramos em momento algum. Entramos e prosseguimos, deixando nosso desejo nos devorar. E eu sabia que nunca me arrependeria daquilo.


————


Acordei no dia seguinte meio atordoado, tentando me lembrar da noite passada. Tudo veio de repente em minha mente quando notei o baixinho embolado nos lençóis ao meu lado. Era surpreendente que eu não tivesse caído da cama quando se via o tanto de espaço que ele usava para dormir. Ri baixinho e beijei seu rosto. Eu só o conhecia há uma noite, mas, de alguma forma, a situação parecia completamente natural, como se fossemos namorados.

Levantei, preparei café para nós dois e o acordei gentilmente, levando a comida para ele na cama.

— Bom dia... — ele disse sonolento, mas abriu bem os olhos quando viu a bandeja. — Ah, café na cama! Que romântico — terminou em um tom sarcástico.

— Vou entender isso como um “obrigado”.

Ele deu um sorriso lindo e começou a comer, e eu o acompanhei. Depois de um tempo, ele olhou em volta e perguntou:

— Pra que todas essas caixas? Você vai se mudar?

— É, achei um lugar melhor em outro bairro.

— Se quiser ajuda...

Pisquei para ele, assentindo.

De repente, lembrei-me de que era terça-feira e que eu estava atrasado para o trabalho. Muito atrasado.

— Frank, eu preciso ir! — exclamei, dando-lhe um susto e o fazendo quase engasgar com a torrada. Engoli meu café com uma rapidez surpreendente. — Você me fez esquecer da vida.

— Isso é bom?

— Pra mim, sim — respondi, começando a me arrumar. — Pro meu chefe é péssimo.

Ele riu e ficou me observando calmamente enquanto eu corria de um lado para o outro. Então começou a também se vestir.

— Acabei de lembrar, eu vou visitar um amigo no trabalho hoje, também tinha me esquecido... será que é na torre norte ou na sul? — falou para ele mesmo, antes de se voltar para mim. — Posso te deixar no seu serviço no caminho, fica perto das Torres Gêmeas?

— Fica, mas tenho que passar em outro lugar primeiro, pegar alguns esboços com uma pessoa de outra filial... Ah, droga, estou muito atrasado.

— Sossega, eles vão te perdoar.

Revirei os olhos. Sua calmaria quase me irritava.

Saí com Frank, tranquei a porta e voei para o elevador.

— Então... nós vamos nos ver de novo? — ele perguntou, meio tímido.

Eu o olhei, incrédulo. Tudo aquilo estava parecendo tão normal que eu tinha até me esquecido que fora uma noite só.

— Claro que vamos! — seu rosto se iluminou com minha resposta. O elevador chegou ao térreo e eu me apressei para fora. — Sinto muito você me ver assim, não estou te tratando do jeito que eu queria... Mas você pode me encontrar no bar hoje a noite de novo?

— Mesmo horário — afirmou.

— Certo. E Frank... — aproximei-me e dei-lhe um beijo, rápido, mas carinhoso. — Não... não esquece de mim, tá?

Ele sorriu.

— Não daria pra fazer isso mesmo se eu quisesse, Gerard. Agora vai, antes que seu chefe arranque sua cabeça.

Eu ri e segui seu conselho.

Passei o começo do dia meio avoado, mais pensando em Frank e na noite que passamos juntos do que em qualquer outra coisa. Aguentei uma ligeira irritação quando cheguei no prédio onde trabalhava, mas como eu nunca me atrasava, deixaram para lá.

Eu estava crente de que o Frank tinha sido a coisa mais marcante que aconteceria comigo naquele dia. E nunca odiei tanto estar errado.

Quando ouvi o barulho, primeiramente achei que tinha sido impressão minha, mas todos ao meu redor pareceram ter escutado também. Seguindo a origem do som, viramos juntos as cabeças em direção às grandes janelas, e ficamos paralisados com a visão que tivemos.

Uma nuvem gigantesca de fumaça começava a se projetar para cima, saindo de uma das torres do World Trade Center. Por alguns minutos, não se ouviu nenhum som além das respirações aceleradas de todos nós. Então algumas pessoas se aproximaram do vidro, tentando ver melhor, outros começaram a falar desesperadamente e outros, como eu, só continuamos parados.

Eu estava em choque. Puramente isso. Não conseguia me mexer, e não sabia exatamente porque. Na verdade, eu mal entendia o que tinha acontecido, ou porque me dava um sentimento tão ruim.

Quando a maioria das pessoas já havia corrido para fora, eu permanecia ali, em pé, estático, papéis na mão, olhando para a nuvem de fumaça. Só uma coisa conseguiu captar minha atenção, e foi uma forma veloz voando em direção à outra torre. Pareceu estar em câmera lenta; o avião chegou e, em minha mente, destruiu a segunda torre muito devagar.

Então, e só então, o choque passou. Só então o pânico começou a chegar. Aos poucos, fui entendendo que aquilo fora um ataque terrorista, e que pessoas estavam morrendo, e que eu tinha que sair dali e fazer alguma coisa, e que...

Frank.

Não. Não, não, não.

NÃO!


———


As horas passavam e eu continuava a estar sozinho lá.

O bar estava fechado, mas eu fiquei do lado de fora, esperando, e esperando, e esperando. Nada.

Eu não podia aceitar. Ele não podia... Existia uma chance de ele estar bem! Ele podia ter saído antes, ou talvez a sua visita fosse na torre sul, afinal, e ele tenha tido tempo de fugir antes do segundo ataque. Existia uma chance.

Mas então, por que ele não aparecia?

Depois de muito tempo, desisti e fui para casa. Ele não apareceu.

Não consegui dormir por mais que duas horas, e no dia seguinte, a primeira coisa que eu fiz foi procurar a lista de nomes de vítimas do atentado. Mas ainda faltava muito para que ela estivesse terminada, e muitas pessoas ainda estavam soterradas nos destroços. Só de imaginar Frank sendo uma delas... não, eu não aguentava. Era ruim demais imaginar aquele rosto tão doce e vulnerável ferido, dolorido, ou... morto.

Eu realmente tinha me apaixonado por ele em uma noite? E realmente o tinha perdido?

Passei a me fazer perguntas de um modo desesperado. Será que existia um motivo naquilo tudo? Por que eu teria conhecido alguém tão fácil de se amar e o perdido em tão pouco tempo? Por quê? Para quê?

Ninguém iria trabalhar naquele dia, e eu já não me importava se não fosse nunca mais. Mikey quis me visitar e conversar sobre o que aconteceu, mas eu não queria falar naquilo. Simplesmente me enfiei no meu quarto, peguei papel e caneta e comecei a escrever.

O que eu diria agora para Frank, se pudesse? Ou, ainda, o que eu diria para todos os que morreram?


You're not in this alone

Let me break this awkward silence

Let me go, go on record

Be the first to say I'm sorry

Hear me out


Continuei a escrever, alternando os pensamentos entre Frank e o atentado em geral. Mas que droga! Por que aquilo tinha que ter acontecido? Como podia? Frank havia morrido, ou ainda estaria vivo?


This broken city sky, like butane on my skin

And stolen from my eyes


Todas aquelas pessoas... Todas aquelas famílias... Onde Frank estava?


Hello angel, tell me where are you?


O que eu faria agora? Onde ele estava? Ele precisava me dizer! O que eu faria com a minha vida?


Tell me where we go from here!


—————


Frank não apareceu. Eu me mudei dois dias depois, e parei de ir ao trabalho. Decidido, fui me encontrar com meu amigo Matt.

— Quero formar uma banda — falei, no tom de quem dá o assunto por encerrado. — Você vai ser o baterista. Eu vou cantar. E a gente se vira a partir daí.

— E o seu trabalho? — ele perguntou, surpreso.

— Vou pedir demissão.

— Mas... você não gosta de arte?

— Adoro. Mas foda-se a arte. Eu preciso fazer mais do que isso. Preciso fazer diferença no mundo, preciso ajudar as pessoas, e eu sei que é através da música que isso vai acontecer.

— Tudo bem, Gerard, eu entendo, mas você já tentou antes e não deu certo... e você mesmo vive falando que é tarde demais...

Nunca é tarde demais.

Assim, uma semana depois do ataque que ainda era comentado em todo lugar, e que ainda seria por décadas, eu tinha uma banda. E Frank não apareceu.

Odiei-me por não ter pegado nada com ele, nem seu endereço, nem seu telefone, nada. Eu não tinha como encontrar sua família, e se por acaso ele estivesse vivo, talvez em algum hospital, eu não tinha como achá-lo também.

Mas era uma enganação continuar pensando que ele poderia estar vivo. Milhares de outros não estavam. Ele não estaria.

O máximo que eu podia fazer era honrar sua memória. Em uma noite, ele fez com que eu decidisse minha vida. Eu iria ser músico, não importava o que custasse. E o faria por ele.


———


Meses depois, já em 2002, a banda estava completamente formada. Chamei Ray Toro para tocar guitarra, assim eu ficaria somente no vocal; meu irmão decidiu se juntar a nós, no baixo, e deu a ideia para o nome. My Chemical Romance. Tudo parecia ótimo... Ao menos, tão bom quanto poderia ficar.

“Skylines And Turnstiles” acabou por ser a nossa primeira música. Fiquei feliz que minha dor pudesse ter dado em algo que prestasse. E mais feliz ainda que um certo baixinho que passou voando em minha vida pudesse ter servido de inspiração.

Agora eu conseguia pensar nele com um sorriso no rosto. Ele foi importante, mas afinal eu consegui superar sua perda. Nós sempre conseguimos, não é? Por mais difícil que seja. E mesmo sem conhecê-lo direito, eu sabia que era isso o que ele gostaria que eu fizesse.

Agora estávamos próximos a lançar nosso primeiro álbum, e Ray e Mikey me disseram que um outro guitarrista estava interessado em participar.

— Ele era do Pencey Prep — Ray me disse, e eu senti um calafrio. — Conhece? Eles se separaram.

— Conheço — respondi, sem acrescentar que sabia porque eles se separaram. Como teriam continuado sem o Frank? — Tá, manda ele vir fazer um teste.

Dito e feito. Ray marcou um dia com o cara por telefone e eu fiquei, como um jurado, aguardando sua chegada em minha casa.

E nada, nada poderia ter me preparado para o que eu veria.

Eu reconheci sua voz primeiramente, vinda do cômodo onde ele falava com Mikey.

— Por aqui? — ele perguntou, e logo entrou na garagem com meu irmão o guiando.

Não sei quem viu quem primeiro. Mas foi ele quem falou.

— G... G-Gerard?

Frank?, pensei, mas não consegui falar.

— Você... — murmurei tão baixo que ele com certeza não ouviu, mas deve ter lido meus lábios.

— Vocês se conhecem? — Mikey perguntou, e logo completou: — Gee, você tá pálido, o que aconteceu?

Eu não conseguia tirar os olhos dele. Ainda era tão lindo quanto eu me lembrava.

— Gerard, é mesmo você? — ele perguntou, baixo.

Assenti.

— Você... — repeti, como se fosse um idiota.

Frank olhou para Ray, Mikey e Matt.

— Podem nos deixar sozinhos um pouco?

Eles nos observaram desconfiados, mas se retiraram. Frank colocou a guitarra que trazia em um canto e se aproximou imediatamente.

— Gerard, eu não acredito! — ele me abraçou, e eu ainda estava chocado demais para corresponder. — Eu te procurei por todo lado! Não acredito que é você!

— Frank... — sussurrei, e finalmente consegui pensar claramente. Afastei-me dele e o analisei cuidadosamente, como que procurando indícios de que aquilo era um sonho. — Eu... eu achei que você...

Ele franziu a testa, confuso.

— Que eu o quê?

— 11 de setembro...

— Ah! Você achou...? Ah, Gerard, sinto muito!

Seus olhos se encheram de lágrimas subitamente, e os meus o imitaram.

— Desculpe, eu demorei demais... — ele soluçou. — Eu já tinha saído de lá quando os ataques aconteceram, mas eu vi de perto... e-e eu estava lá poucos minutos antes... Foi horrível, e e-eu não consegui sair de casa por uma semana... Depois te procurei, mas você já tinha se mudado, e eu não consegui te encontrar de novo...

— Já entendi, já entendi — sussurrei de novo, e o trouxe para um abraço de verdade. — Não precisa explicar, eu entendo.

— Desculpa — ele continuou, sem me dar ouvidos. — Eu não queria fazer você pensar que eu tivesse morrido.

— Tudo bem, Fran, você tá aqui agora.

Permanecemos abraçados por um bom tempo, até conseguirmos nos recuperar do acesso de choro. Então eu enxuguei as lágrimas e sorri para ele.

— Então, você quer participar da minha banda?

Ele sorriu de volta.

— Sua banda... Quem diria, né?

— É... alguém me disse uma vez que nunca era tarde demais para ir atrás de seu sonho. E eu acreditei.

E aquela com certeza foi a melhor decisão que eu já tomei na minha vida: formar essa banda. E com isso, reencontrar Frank.

— Então — continuei. — Pode começar.

Enquanto ele ia até sua guitarra, eu pensei em como tudo parecia perfeito agora. Já tínhamos uma gravadora, músicas prontas, e eu acabara de achar meu amor perdido.

Eu consegui encontrar felicidade entre os destroços. Eu poderia ter sido apenas mais uma memória, mas encarei toda a dor e me livrei dela, e só consegui por causa da minha única esperança... ele.

E aqui está a história.

A história do meu verdadeiro romance químico.


Notas finais
Notou o pedacinho de "Only Hope" no fim? xD
É isso. Estou em dúvida se gostei desse fim...
Comentem :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!