Love Between Life And Death
5 Capítulo 5
Notas iniciais
- Ah meu deus, eu não acredito- Victória estava boquiaberta e com um sorriso bobo no rosto- minha...ah!
- Acha que ela vai se adaptar aqui?- o diretor arrumava a papelada de folhas em cima da mesa.
- Bom... pelo o que vi ela pareceu se dar muito bem com a Gabriela e o Luís, o que é estranho pra mim.
- Sim, eu me lembro bem! Ela não tinha amigos, certo?
- Certo!- a professora ficou parada pensando por alguns segundos, então fez alguns gestos com as mãos quando começou a falar novamente- bom...quando Luna era pequena ela não gostava de se relacionar com as crianças, ela tinha medo, sempre teve, era muito quieta. Rafael sempre a ajudou, ele foi o pai que David não foi para Bibiana. Ah, mas eu me culpo tanto Carlos, eu podia ter feito alguma coisa e...- o diretor a interrompeu.
- ssshhh!- ele fez um sinal com a mão no rosto dela, a professora tinha lágrimas nos olhos- você não teve culpa. Ela merecia uma família melhor, longe daqueles problemas.
- Mas eu não agüento olhar para aquele rostinho dela e não me lembrar de Melanie, não me lembrar de David, Rafael e da família que éramos...- ele a abraçou.
- Vai ficar tudo bem amor! Já passou!- ele voltou a olhar a esposa- tudo vai ficar bem agora, vamos pra casa.
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- Alô, oi Gabi!
- Oi Luís!
- Então, ta tudo bem ai?
- Sim!- a menina se calou no telefone.
- Ah, o que aconteceu? – Luís perguntou aflito.
- Não é nada...
- Gabriela, sei quando você está fingindo, só quero saber o porque está mal, é difícil falar sobre isso?- ele disse um pouco mais bravo agora.
- Eu...- os olhos de Gabi se encheram de água- fui ver a Anne hoje!
- Ah... desculpa- ele ficou quieto- já faz um tempo que eu não vou lá.
- Sim, já fazia um tempo também, mas vi uma coisa hoje que me lembrou ela, então resolvi ir lá. Pra conversar, sei que ela está em um lugar melhor agora, longe de todas aqueles problemas.
- Sim Gabi, eu queria poder te abraçar, estar ai com você agora, não sei se ajudaria, mas sei como você sente falta dela, como eu também sinto, ela era muito próxima.
- Realmente, queria que estivesse aqui- a menina soluçava no telefone.
- Por favor Gabi, não chora!
- Vou rezar, talvez assim possa a ver de novo!
- Ta bom anjo, boa noite- ele se cala ao telefone.
- Luís? Ainda ta ai?
- Oi? To sim.
- Você vai sempre estar comigo não é?
- Sim, é claro que sim, sempre!
- Promete?
- Prometo minha linda, agora boa noite!
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Bi ainda estava mexendo em seu blog que dessa vez tinha várias visualizações e comentários devido ao que ela postara. Até Gabi tinha visto. Ela havia ficado um pouco receosa de colocar algo daquele tipo, mas não hesitou.
“Olá gente! Me desculpem, ontem eu acabei nem entrando no blog, nossa, eu mal comecei e já deixei de postar um dia, que lindo, haha!, mas então... eu acabei de me mudar. Eu estava morando em Londres, mas acabei voltando para o Brasil, numa pequena cidade chamada Gramado e pra quem não sabe fica no Rio Grande do Sul. É o último estado lá de baixo do mapa. Eu ainda estou me acostumando com esse lugar, é estranho pra mim, tudo se parece muito com o lugar onde eu morava e por um lado está sendo horrível pois esse lugar é um pavor pra mim, o que dificulta tudo. Eu conheci muita gente nova, meus vizinhos são gente muito boa, conheci a Gabriela e o Luís, que são meus novos amigos. Robert, Calissa, Henri, o diretor e os professores me pareceram ser bem queridos. Bom... no outro dia eu disse que ia falar de mim, mas eu acabei mudando um pouco o rumo das coisas. Então vamos começar do começo....
Quando eu era pequena eu entrei em uma casa, e ainda me lembro como se fosse hoje. Ela era grande e era cheio de crianças. Tinha crianças de todos os tamanhos e todas as idades.
~ 10 anos antes ~
- Rafa, que lugar é esse?
- Calma, você já vai ver Lu- Rafael pegou a irmã no colo e foi entrando na imensa mansão branca, onde havia no jardim alguns brinquedos e crianças que eram cuidadas por professoras. Estaria certa?
- Bom dia Srta Maria!
- Bom dia Rafael! O que faz aqui? E ainda com a pequena Luna?- Bi se encolheu contra o corpo de Rafael.
- Bom...desculpe encomodar, mas a senhora sabe aonde está a minha mãe?
- Ah, eu não sei querido, faz alguns dias que eu não a vejo.
- Muito obrigada, tenha um bom dia- ele disse educadamente.
- Pra você também!
Rafael foi saindo porta a fora decepcionado. Luna olhava tudo com muita atenção, até que na frente da casa onde Rafa foi colocá-la na cadeirinha ela avistou uma menina, da mesma idade dela, no jardim da grande mansão.
- A menina Rafa, a menina- ela apontava o dedinho para fora do carro e balançava as pernas para mostrar ao irmão a menina que estava no jardim.
- Você quer ir lá?
Ela assentiu. Ele a pegou no colo novamente e foi até a menina que agora brincava com uma peça de lego.
- Oi!- Luna disse para a menina que logo que ouviu a exclamação virou seu rosto para Bi.
- Oi! Quem é você?
- Eu sou Luna! Como é o seu nome?
- July.
~
Então... eu nunca tive uma amiga sincera, desde que conheci a July, apenas a minha psicóloga, mas ela não era como uma amiga de verdade. July ela era a minha melhor amiga, só era. Eu a conheci quando tinha 3 anos. Nós nos encontramos algumas vezes, mas minha mãe não me queria perto dela, então tentava me deixar o mais longe possível daquela casa. Um tempo depois nós moramos juntas, ainda éramos crianças. Estar naquele lugar nunca se comparará a nada, mas ao mesmo tempo eu sempre tive alguém para me apoiar, sempre que precisei, ela sempre estava lá ao contrário de outros. Nós éramos como irmãs, mas um dia uma família veio para levá-la embora. E depois disso nós perdemos contato. Eu nunca havia feito nenhum amigo, eu era muito fechada, só tive ela como amiga. Mas hoje isso mudou. Eu conheci a Gabi e sinceramente espero que nossa amizade dure bastante tempo. Bom...acho que por hoje é isso, obrigada aos que estão curtindo o blog, as postagens e os textos. Beijos”
Depois disso Bi se sentiu um pouco aliviada, porém insegura. Mas como Lise havia dito, era uma forma de terapia, e de verdade podia ajudar.
Bi recebeu muitas perguntas depois daquela postagem, mas as que mais a intrigaram foram:
“Você e July nunca mais se falaram, mas você não sabe aonde ela está?”
“E se July morreu?”
“Como que você e ela foram morar juntas?”.
Quando Bi leu aquilo ela ficou sem saber o que responder, principalmente a segunda pergunta, “e se July morreu?” e se de verdade July tinha morrido? Bi já havia passado por tanta coisa que não merecia sofrer mais por isso. Quando ela começou a ir na psicóloga uma das primeiras coisas que tratou foi sobre isso e esse assunto para ela já estava encerrado. Mas e se July estivesse morta? O que ela faria? Como se sentiria?
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Henri não parou de pensar na menina que havia conhecido horas atrás. Ela era linda e tinha um ar tão doce que estar com ela naquele momento fazia o esquecer de Anne por um tempo. Porém não podia deixar de notar algumas semelhanças entre as duas. Ele havia prometido a sua amada que não ficaria com mais ninguém, que ela era o verdadeiro amor de sua vida. Mas ele não podia deixar de viver, apesar de querer deixar sua vida o mais breve possível. Ele a prometeu que ficariam juntos novamente, que ele iria achar o assassino que teria feito tal desgraça e tristeza. Mas naquele momento a voz de Bi ecoava em sua cabeça. Seus cabelos negros, sua pele branca, lábios lindos e os olhos...ah, os olhos! Ela tinha um olhar profundo, de quem pede ajuda, de quem tem uma imensa dor em seu peito, sim, Henri conseguia a distinguir certamente. Mas ao mesmo tempo era uma menina tão envolvente, que ficar perto dela talvez agora não seria mais uma escolha. Queria a conhecer melhor, mas ficar longe da garota parecia ser uma outra opção favorável. Ele se esticou na cama e encarou a parede, quando pequenas recordações daquele lugar onde estava naquela tarde voltaram.
— Eu duvido você atravessar aquela cerca, entrar no cemitério, vandalizar um dos túmulos e sair ilesa- Henri olhava a menina com deboche e ela achava aquilo tudo fácil demais.
- E o que eu ganho em troca?- ela o encarou debochada.
- Esteja no meu quarto as 20h30min hoje- antes que a garota pudesse protestar ele continuou- meus pais não estão em casa.
- Você será minha recompensa?- ela mordeu a boca com os dentes.
- Ou algo mais fácil!
- Talvez difícil- Anne passou a mão entre as pernas de Henri, ele gelou- feito!
A menina desceu da árvore em um pulo rápido e ágil, Henri se assustou.
- Não vai ir comigo?
- Annabeth, eu estava brincando- a garota riu!
- Não brinque comigo!
- Não vou mais- ele desceu da árvore, Anne gargalhava e a neblina daquela noite congelante fazia uma sombra da lua, sim, eles estavam sozinhos.
- Me dê a metade da recompensa agora- ela o fuzilava com os olhos.
Ele a pegou fortemente pela cintura em um movimento rápido que a deixou sem fôlego quando Henri a encostou sobre o seu corpo. Eles tomaram fôlego novamente e se beijaram. Henri beijou a loira tão fortemente que os movimentos de suas línguas eram rápidos. Ele a segurou no pescoço e pelos cabelos e ela era inteiramente dele. Quando Henri mordeu a boca da menina ela se afastou.
- Já se cansou?- Henri perguntou se gabando.
- Cansar? HÃ!- ela cruzou os braços- se isso for apenas a metade, você será uma péssima recompensa.
- Você sabe que não.
- Então isso é apenas 1/5 do que você me deve.
- Pode ser!- ela riu.
- Volte a sua inocência por favor!- ela se encostou ao corpo do garoto.
- Perto de você, nunca!- eles continuaram a se beijar.
Henri voltou as recordações de Anne para as de Bi, daquela tarde.
- Porque disse antes que ninguém vem aqui?- a menina o olhava atentamente.
- Se você olhar bem, ali atrás tem um cemitério, e digamos, só digamos, que as pessoas não gostam de cemitérios.
Bi levantou o pescoço e viu centenas de túmulos pelo o que se poderia dizer, atrás de uma cerca que separava o lugar.
- Gosto de cemitérios...
- Você é a segunda pessoa que me diz isso!
- Quem foi a primeira?
- Uma amiga minha- ele ficou em silêncio por alguns segundos, então ela prosseguiu.
- Digamos que ali deveria ser um lugar calmo, onde pessoas pudessem finalmente descansar por ter sofrido tanto em suas vidas- ele a fuzilou- mas a maioria o vêem como um lugar ruim e isso o torna ruim.
- É...- eles estavam sentados no gramado e a noite já estava próxima demais para dizer que teriam que voltar para casa.
- O que está achando desse lugar?
- Bem...- a garota puxou as mangas do casaco- eu estava comparando Gramado com Londres, sabe... são bons lugares, mas...
- As pessoas não são – Henri tentou complementar o que Bi iria dizer.
- Isso- ela concordou- Obrigada!- ele sorriu para ela.
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