Love Between Girls
1 Um.
Notas iniciais
O despertador tocou. Tateei o criado mudo ao lado da cama, procurando-o, quando encontrei fui logo batendo a mão nele, fazendo com que ele desligasse. Desejei dormir mais um pouco. Aconcheguei-me sob as cobertas, mas a claridade que entrava pela janela me obrigou a abrir os olhos.
Com um suspiro me sentei e olhei em volta, olhando o lugar desconhecido.
Ah, sim. Era meu quarto, bem, meu novo quarto, naquela nova casa – que talvez fosse um pouco grande demais para três pessoas.
Fui até o banheiro, me lembrando que hoje era meu o primeiro dia de aula na escola McCurdy, na qual as aulas já haviam começado há algum tempo, e que por obrigação, eu devia comparecer. Que terrível!
Tomei um banho, sem molhar os cabelos, apenas deixando que a água quente relaxasse meus músculos. Depois de sair do banheiro, vesti uma blusa banca, meu indispensável jeans surrado e meu All Star, logo em seguida, amarrei meu cabeço num rabo de cavalo. Tentei imaginar que minha vida aqui no Reino Unido, em Londres, iria ser melhor que eu tive no Nashville.
Desci para tomar café com meus pais, carregando minha mochila. Eles se sentavam em uma pequena mesa na cozinha. Mamãe estava sentada na cabeceira da mesa, comendo ovos com Bacon, já papai, estava sentado a sua direita e lia um Jornal enquanto tomava um café.
– Bom dia. – cumprimentou papai, a voz grave.
– Bom dia querida – disse mamãe com a voz doce. – Ansiosa para seu primeiro dia de aula?
– Não exatamente... – respondi incerta, pegando os cereais e uma tigela no armário.
Sentei-me ao lado esquerdo de mamãe.
– Mas cadê a animação Srt. Selina? – papai disse, segurando meus ombros e me balançado. – Vai da tudo certo, você vai ver. – encorajou.
Ele sabia muito bem da vida anti-social que eu levava em Nashville, e não queria que eles ficassem insatisfeitos com isso aqui, afinal, eu só estava á dois dias aqui, não podia tirar conclusões precipitadas. Então ri, sem animo, mas queria passar confiança para eles.
– É. Talvez o senhor tenha razão – tentei parecer animada.
Engoli os cereais rapidamente, já estava quase na hora do ônibus chegar. É, ônibus. Papai cismara de que um ônibus para ir para escola era mais seguro que um carro, mas prometerá um pra mim assim que eu fosse para a universidade.
Estava sentindo que faltava algo... Meu diário! Corri para o meu quarto para pega-lo. A agenda vermelha escuro, grossa e surrada estava sob o criado mudo, era ali eu anotava tudo, de lembranças até segredos. Deus que me livre se alguém lesse!
A buzina alta do ônibus soou do lado de fora da casa. Enfiei a agenda dentro da mochila e desci num átimo.
– Tchau mamãe. Pai. – gritei enquanto passava por eles na cozinha.
– Tchau querida – gritou mamãe, ao mesmo tempo em que papai me desejava “Boa Sorte.”
Do lado de fora, um ônibus amarelo vivo, escritas “ESCOLARES” com letras grandes e negritadas em uma facha preta que contornava toda a lateral do ônibus, me esperava. Pude vê algumas cabecinhas curiosas olharem pra mim pela janela. Ignorei e corri até o ônibus.
Uma mulher com um boné na cabeça vermelho escrito “McCurdy’ dirigia.
– Procure logo um lugar para você, garota, nós vamos parti. – ela disse com simpatia.
Assenti e fui procurar um acento.
O ônibus era cheio. A conversa ali entre os alunos era um zumbido, onde não se entedia nada. Varri o lugar com os olhos, procurando um banco vazio. Meus olhos pararam encantados em uma garota extremamente linda, seu cabelo loiro lindo, caia até ondas nas pontas até o meio de suas costas, seus lábios carnudos e perfeitos, cobertos com um gloss, seus lindos olhos azuis faiscavam de raiva para a garota em seu lado, mas mesmo assim, não deixavam de ser lindos. Nem mesmo a raiva que parecia tomar conta dela, conseguirá tirar sua beleza encantadora.
Andei até o banco vazio que havia que havia atrás do banco onde ela se sentava, sem deixar os meus olhos dela. Sentei-me, percebendo que o ônibus já se movimentava sob mim.
– Você é mesmo impossível, Miler! – exclamou a menina de cabelos pretos e lisos que se sentava em seu lado. Irritada, ela se levantou e se sentou no lugar que estava vago ao meu lado.
Miler, então era esse seu nome...
– É a garota nova, não é mesmo? – perguntou a garota de cabelos pretos, interrompendo meus devaneios.
– Ahm? – disse desconcentrada. – Ah, sou eu sim – confirmei.
– Oi, eu sou Demer. – ele estendeu a mão pra mim, com um sorriso, que por sinal era lindo.
– Sou Selina – eu apertei sua mão.
Percebi a loira se levantar. Logo desviei meu olhar para ela, captando cada um dos seus movimentos. O jeito que ela mexia em seu cabelo, seu rebolado enquanto ela andava, era tão sexy ao mesmo tempo tão sutil...
– Ei! Você não vem? – perguntou Demer, mais uma vez tirando-me dos meus devaneios.
Percebi que já havíamos chegado à escola, e os alunos já saiam do ônibus.
– Ah, sim. – me levantei e fui logo atrás de Demer.
– Quem é a loira que você discutia? – perguntei por curiosidade, enquanto andávamos pelo campus.
– Minha querida irmã. – Demer revirou os olhos.
Irmã? Talvez fosse bom saber disso, conseguir alguma aproximação com ela através de Demer... Epa! Mas no que estava pensando? É claro que não.
– Ah, isso explica a conhecidência de nomes. – notei.
– Só se for aos nomes. Porque não somos nada parecidas. Agora mesmo discutíamos porque seu carro está no concerto e ela foi obrigada a vir de ônibus, então ficou toda irritadinha. Não só hoje, mas dês do começo da semana, porque é a “semana do seu aniversario” – Demer fez aspas no ar com os dedos –, e ela está toda preocupada com os preparativos e blah, blah, blah. – tagarelou ela.
Pelo que parecia, ela não suportava o comportamento da irmã.
– Então, qual é sua primeira aula? – perguntou Demer. – Talvez possa te ajudar a encontrar os prédios. – ofereceu.
– Muito obrigada – agradeci, tirando o papel amarrotado com os horários anotados do meu bolso. – Ahm... Espanhol – respondi.
– Mais que sorte! É a minha primeira aula também – comemorou sorrindo.
Sorri de volta.
– Antes eu vou deixar alguns livros em meu armário, você me acompanha?
– Claro! – aceitou na mesma hora.
Nos fomes até o corredor onde reservaram um armário para mim. Coloquei alguns livros que não iria precisar nas aulas de hoje juntamente com meu diário, preferia deixá-lo guardado ali a correr o risco de perdê-lo. Depois de bater a porta do armário, me virei para Demer, que me esperava logo ali.
– Vamos? – perguntei.
– Sim.
Nós seguimos para a aula de espanhol. Demer fez a gentileza de sentar comigo.
– Ahm... – eu hesitei. – Demer, a sua irmã... Ela cursa que ano? – perguntei.
Nem eu mesma sabia por que eu queria tinha tanto interesse de saber sobre aquela garota.
Demer me olhou estranho.
– Terceiro. Por quê?
Dei os ombros.
– Curiosidade.
No mesmo momento, o professor entrou na sala.
– Buenos días de clase. – cumprimentou ele, em espanhol.
Tentei o Maximo me concentrar na aula, mas meus pensamentos estavam todos voltados para a linda garota com seus olhos azuis.
– Olha se você ta querendo tentar alguma coisa com Miler, vá logo desistindo – avisou Demer no almoço, quando nos sentamos numa mesa no refeitório lotado.
Será que tava tão claro assim?
– O que? Alguma coisa? Como assim? Nem pensei nisso... – neguei constrangida, desviando os olhos para o hambúrguer na bandeja.
– Tipo, amizade, você sabe – esclareceu, tirando um livro da mochila e colocando sobre a mesa. – Ela é bem difícil. Além de só ter “amizade” – ela fez aspas no ar com os dedos. – com gente popular.
– Ah. – foi a melhor resposta que encontrei.
Outra decepção.
– Não vai comer? – perguntei, dando uma mordida no hambúrguer.
– Não. Tenho que estudar algumas coisas, depois como qualquer coisa. – ela respondeu voltando os olhos para o livro.
Miler então passou bem próximo da nossa mesa, conversando espontaneamente com um cara forte e alto.
Senti um aperto no coração.
O que aquela garota estava fazendo comigo?
As alas voaram, foi difícil na saída, pois Demer pediu para que esperássemos Miler no campus, fiquei feliz com a idéia, talvez conseguisse algum tipo de aproximação com Miler, mas a vi beijar o mesmo cara que ela estava no refeitório, e depois veio até nós, passou pela irmã entrando no ônibus, sem amenos dizer “oi”.
Magoada era pouco.
Cheguei em casa logo respondendo a pergunta da mamãe, como já imaginava.
– Como foi à aula? – perguntou ela enquanto passava pela cozinha.
– Legal. – respondi, quase correndo para a escada e indo par o quarto.
Tomei um banho, ainda com aquela garota em minha cabeça. Era tão linda e... Eu sentia a necessidade de ter seu corpo junto ao meu e seus lábios nos meus mais do que qualquer coisa. Revirei os olhos de excitação só de imaginar. Aquela garota estava mesmo provocando reações em mim que eu nunca tive.
Quando sai do banho, já com meu pijama, desejei ter alguém para conversas. Mas a única coisa que encontrei foi o meu diário.
“Diário, hoje o primeiro dia de aula. Um dia estranho, coisas estranhos, sentimentos desconhecidos – detalhe, por uma garota. Ela é linda, mas não tive coragem de me aproximar, observá-la já foi o suficiente, mesmo com a vontade de ter seus lábios enroscados nos meus. É estranho. Sua irmã, Demer, é uma garota legal, amigável... diferente da irmã. Talvez, um dia, me aproxime dela através de Demer; aquela linda garota, a qual desde que o momento que á vi, passei a desejá-la. 24 de março.”
Atirei-me na cama, abraçada com o diário. Dormi logo. Foi uma noite cheia de sonhos, quais Miler sempre estavam incluída neles.
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