Notas iniciais
[Notas da NanamiUchiha >>>] Antes de tudo, quero agradecer à Nekochibiwalker por ter comentado o Capítulo anterior e não deixar de acompanhar a nossa Fic. Eeeeee eis que chega a tão aguardada reunião entre pai e filha!! O Jellal tem estado uma pilha desde que descobriu da Wendy, mas como irá reagir ao estar frente-a-frente com ela? Se fosse eu, levantava-a no ar e apertava-lhe aquelas bochechas *-* Mas isso sou eu xD. E como será que ele vai reagir se entretanto se cruzar com a Erza? Bem, continuem a ler para descobrir o/

Sentia o suor a escorrer-me pelas costas, à medida que atravessava a cidade, sentindo o solo queimar por baixo das sapatilhas gastas. Não tinha nem um cêntimo, logo não podia apanhar nenhum transporte. A única coisa que me restava era mesmo as minhas pernas e um longo caminho à minha frente. Tinha partes em que corria, não conseguindo aguentar mais a tortura que era aquela distância. Mas rapidamente abrandava, pensativo, sob que medidas tomar se eu encontrasse a Erza.

Não fazia tenção de encontrá-la, pelo menos não desta primeira vez. Só queria ver a menina. Mas sabia que era pouco provável que ela deixasse a menina em casa durante muito tempo, ainda mais num dia de feriado como era hoje… O que tinha de fazer era vê-la o mais depressa possível e sair antes que a mãe voltasse.

Parei na rua que fazia esquina com o apartamento. Quase nada tinha mudado, continuava a ser o prédio mais degradado de uma rua com má fama. Espreitei à esquina, como quem procura alguém e não como quem procurava não ser visto. Dava-me jeito não levantar muitas suspeitas para o meu lado. Olhei somente em volta para ver se ninguém estava de olhar fixo em mim, antes de espreitar de novo para a entrada do prédio.

Ela foi a primeira coisa que eu vi. Os cabelo chamavam-me a atenção, mesmo que eu não quisesse. Erza... Ela não tinha mudado nada. Nem um só dia parecia ter passado... E isso só me magoava mais. Porque nada voltaria a ser como antes, disso tinha eu certeza. Esperei só mais um pouco, até deixar de ver os reflexos cor de rubi que o cabelo dela praticamente lançava em todas as direcções e aproximei-me depois do edifício. O andar continuava a ser o mesmo… A porta do prédio continuava com o mesmo defeito na fechadura… As escadas de madeira continuavam a fazer o mesmo rangido irritante a cada passo que era dado.

Irritantemente nostálgico.

Olhei de novo em volta, tirando um pequenino clip que encontrara no bolso e toquei à campainha, enquanto o abria. Se não estivesse ninguém em casa, entraria para, pelo menos, poder ver uma foto da menina. Queria saber como ela era. Estava prestes a meter o que agora era a ponta de um arame na fechadura quando ouvi passos, apressados. Afinal estava gente em casa…

– Então, o que deixaste em casa, mam...? – O chilrear da voz dela quedou-se, ao perceber que não era a mãe que ali estava, à soleira da porta. Vi os enormes olhos castanhos, iguaizinhos aos da Erza, arredondarem-se ainda mais, de surpresa. A mão que segurava a porta tremeu e, tal como eu, ela ignorou a gatinha branca que tinha vindo ter com ela e que lhe miou, aos calcanhares. Uma mãozinha pequena viajou depois para o seu cabelo, enquanto ela observava a ponta, como que a querer confirmar a cor, e olhava de novo para mim. De um momento para o outro, saltou-me para os braços. – Papá!

Todo eu tremia, ao amparar o corpinho pequenino nela, quando ela bateu contra o meu peito. Ajoelhei-me à altura dela, deixando os braços pequeninos, suaves e quentes dela rodearem-me o pescoço. Passei as mãos pelas costas dela, deixando de combater o sorriso que, aos poucos, me rasgava o rosto. Os músculos protestavam por tal. Já não sorria há demasiado tempo.

– Wendy… Minha Wendy…

– P... Papá... T... Tive tanto medo de... De nunca te poder ver... P... Papá... – Era como se aquele respirar pesado e custoso me despertasse ainda mais memórias. Ela também tinha asma? Só a levantei ao meu colo, leve como uma pluma, entrando com ela em casa e amparando-a sempre no meu peito.

– Calma… Calma, respira fundo, não tenhas medo. Tens bomba?

– N... N... No q... Quarto... M... Mamã... – Vi a mãozinha dela dirigir-se ao peito, massajando-o como tantas vezes vira a Erza fazer. Percorri o pequeno espaço que separava o sítio da sala do dos quartos, seguindo instantaneamente para o quarto que, há tantos anos atrás, havia sido atribuído a qualquer herdeiro que pudéssemos vir a ter. Nem isso tinha mudado. Pousei a Wendy na cama, procurando logo pela bomba de asma dela, encontrando-a sob a mesinha de cabeceira. De imediato apoiei-a no meu peito, ajudando-a a inalar o medicamento.

– Está aqui. Pronto. Vá... Respira fundo. Devagarinho. – Senti-a a mão dela ainda a agarrar o meu pulso, como que temerosa de que me fosse embora, de uma altura para a outra. Por entre duas inalações, dirigiu-me o sorriso mais meigo que já tinha visto.

– Estás aqui, papá…

– Estou. Estou aqui agora. Por isso calma... Quero ver-te bem pequenina.

– Eu... Já tinha pedido à mamã para te irmos buscar. Íamos lá quando ela chegasse. Estragaste a nossa surpresa, tonto! – Fechei os olhos, quando ela me passou, suavemente e com todo o cuidado, a o dedo pela cicatriz que eu tinha na cara. Não parecia fazê-lo com medo, nem com nojo. Parecia estar somente a admirar, até. Ela não me rejeitava, pelo contrário. Parecia que sempre havia estado ansiosa por me ver, por me poder tocar, como se fosse algo vital para ela.

A Erza não lhe tinha escondido quem o pai era, e eu não tinha previsto isso.

– Vocês iam lá buscar-me, era?

– Era, já tínhamos tudo combinado. Sabes… A mamã tem muitas saudades tuas… – Entendi bem a expressão dela, aquele brilhozinho no olhar dizia-me tudo. Ela tinha na ideia que eu tinha vindo para ficar, para continuar a família que tinha criado. E eu não lhe queria destruir o sonho… Nem a fazer sonhar alto de mais.

– Isso não é bem verdade, sabes? – Disse baixinho, enquanto a sentava melhor no meu colo. O corpo dela, automaticamente, moldou-se ao meu, tal e qual uma peça de puzzle. – Mas depois falamos sobre isso. Agora quero saber sobre ti. Eu sei tão pouco…

– O que queres saber?

– Que tal… Tudo?

O sorriso dela iluminou o quarto, por inteiro.

– Hmm… Então. Sou a Wendy Fernandes. Tenho 6 anos e meio. Estou na segunda classe e sou a melhor da minha turma! Nasci no dia em que tu e a mamã começaram a namorar, pelo que ela me contou. O meu ídolo é o meu pai. E adoro gatos! Agora tu, fala-me de ti.

Pisquei algumas vezes, combatendo um sorriso, perante tudo o que ela dissera e a forma como ela me falava. Como se estivesse, de facto, a falar com o seu maior herói, tendo as bochechas muito coradas e os olhos brilhantes.

– Bem… Sou o Jellal Fernandes. Tenho 26 anos. Nunca fui bom aluno, porque sou preguiçoso para ler e escrever. Nunca cheguei a completar os meus estudos, pelo que tenho a certeza que tens muito a ensinar-me. Não tenho a certeza de quando nasci.. Mas hoje ganhei uma musa. – Passei-lhe o indicador pelo nariz, ao que ela gargalhou. – E gosto moderadamente de gatos... Acho eu. E… Bem… Estive demasiado tempo longe de ti.

A resposta dela foi por-se de pé sob a cama e abraçar-me bem forte pelo pescoço. Eu só me deixei cair para trás, deixando-a deitar-se sobre o meu peito, ficando a fazer carícias por este.

– És um tonto, papá. Mas és tal e qual o que a mamã sempre me contou, sabes? Eu só tinha visto uma foto tua, eu era muito pequenina, devia ter uns quatro anos ou assim… A mamã teve de escondê-las sabes? Para ninguém encontrar. Nem eu. Senão, levavam-me para aquele sítio de gente má.

Franzi o sobrolho, confuso, ao mesmo tempo que até agradecia por as crianças serem tão desbocadas e verdadeiras.

– Que sítio de gente má, linda?

– Sim, aquelas casa com meninos que são tirados aos pais. Quando foste para prisão, a mamã começou a receber visitas da Assistente Social cá a casa. Queriam me levar embora... Mas a mama não deixou que me levassem. Ela enfrentou-os como uma guerreira! – Ela levantou um punho no ar, como quem empunha uma espada, visivelmente eufórica por me estar a contar tal coisa.

– É... A tua mãe sempre foi muito teimosa. – Disse somente, com sorriso meio forçado por ter de falar tão directamente dela, enquanto pensava. Visitas da Assistência Social… Podiam ter levado a menina embora… Teria sido por isso que...? Não... Se fosse por isso ela teria arranjado uma forma de pelo menos me avisar do que estava a fazer. Ela já não queria era saber. Mas era bom saber que pelo menos ela fazia tudo pela menina.

– Sim. Pois é. É muito teimosa. Havias de a ver... Ela levou muito tempo para convencer aquele homem estranho a defender-te no tribunal, sabes? Eu ouvia as conversas dela ao telefone, às vezes. Não sei como ela conseguiu... Ele é mau. Não gosto dele. Se ele fosse bom teria ajudado depressa, não teria demorado tanto, não achas? Já podias estar connosco há mais tempo se ele fosse bom.

O mundo parou de girar à minha volta. Quem me tinha defendido no tribunal fora o Cobra. Isto, claro, antes de o Loke me ter dito que a denúncia para a minha ordem de prisão partira dele. Ele fizera todos os possíveis para eu ficar na prisão o máximo de tempo possível, para o seu nome não ser associado a nada… Teria sido a Erza também a pedir para ele fazer isso?

– Espera… Foi a mãe que falou com o Cobra?

– Hm… Eu não sei se ele se chama isso… – A Wendy levou a mão ao queixo, pensativa. — Ele era... E... E... Qualquer coisa com “E”...

– Erik…

– Isso! Pronto! Mas não acredites nele se o voltares a ver, papá. Ele é mau. Eu... – Ela baixou a cabeça, receosa do que iria contar a seguir. – Por favor não contes à mamã mas... Eu ouvi-o... Ameaçar-nos, sabes? Ele veio cá uma noite... Eu não estava a dormir e ouvi tudo… – Ela ajoelhou-se na cama, inclinando-se para mim, falando como se fosse um segredo. – Ele disse que... Não te tirava de lá, se ela não pagasse. E disse que o pagamento era muito alto. Lembro-me de ouvir uma porta abrir e depois fechar, mas como depois não ouvi mais nada pensei que ele tinha ido embora. Mas depois... Ouvi a voz dele de novo. Pouco tempo, mas pelo que me pareceu, era ele. E a porta fechou outra vez. E depois... A mamã estava a chorar. Tenho medo do que ele possa ter feito à mamã, sabes?

Cerrei os punhos. Aos poucos e poucos, eu começava a formar teorias que cada vez mais eram confirmadas por aquilo que a Wendy dizia. O que tinha até agora era o suficiente para me fazer sentir enojado. A Erza tinha-o procurado, sem dúvida, para ele me defender. De certeza completamente na ignorância de que tinha sido ele a meter-me lá dentro, e que não tinha qualquer intenção de me ver cá fora tão cedo. E o Cobra brincara com ela, extorquindo-lhe sem dúvida muito mais do que dinheiro, por um trabalho que levaria anos a ser cumprido.

Mordi a bochecha por dentro, sentindo o sabor a ferro no mesmo instante. Obriguei-me a mim mesmo a respirar fundo.

– Wendy… Vamos parar de falar deste assunto, sim? O papá quer aproveitar este tempinho contigo, e não se quer exaltar muito. Vamos pensar em coisas boas. E eu depois, quando conseguir, falo com a tua mãe, sim? – Passei-lhe as mãos pelo cabelo, alisando-o por entre os meus dedos. – Quero aproveitar o tempo que tenho contigo.

– A mamã disse que, se quisesses, depois íamos morar noutro sitio todos. Tu queres, não queres? Eu queria muito… – Era-me tão difícil resistir àquele olhos… A Erza fazia exactamente a mesma expressão quando me tentava convencer de algo.

– Eu… Eu ainda não sei se vou ficar aqui, Wendy. Tenho muitas coisas a resolver primeiro com a tua mãe…

– Ohh, mas… Eu... Prometi à mamã que ficavas. Ela... Tem medo que não queiras vê-la. E eu... Prometi, para não a ver chorar. Ela nunca chora ao pé de mim, sabes? Mas... Mas eu sei sempre quando ela o faz, eu ouço-a muitas vezes... Quando ela pensa que estou a dormir…

Tive seriamente de morder a língua para não dizer algo como “pois, sabes, a tua mãe tem bastante razão em ter medo, porque eu não quero olhar para a cara dela tão cedo”. Mas dado que ela já estava tão triste, tive de me coibir de o fazer.

Limitei-me a afagar-lhe mais os cabelos, deixando as mechas escuras entrelaçarem-se nos meus dedos e o leve perfume do seu champô entranhar-se na minha pele. Beijei-a na testa.

– Quando ela chegar, depois vemos, pode ser? Prometo que... Vou fazer tudo para ficar, está bem?

– Juras?

– Juro que vou tentar.

Uma vez mais, um sorriso radiante preencheu o quarto.

Notas finais
[Notas da SahhChan >>>] Bem e parece que foi desta que o Jellal viu mesmo a filhota dele e pôde estar com ela para conhecê-la. Eu achei-os tão fofinhos ^-^ Vou confessar - não era para dizer isto mas não aguento kkk' - Eu quase chorei quando a Nanami me entregou o Capítulo e pediu para eu ler. A sério, ao ler isto quase que chorei meeeesmo kkk' Eu sou assim, não liguem rsrsrsrsrs' Pois bem, em princípio amanhã teremos um novo Capítulo e as emoções prometem continuar a vir à flor da pele. Esperamos que tenham gostado e que deixem a vossa Review para sabermos a vossa opinião. Sayonaraaa o/