Love And Rock N Roll
35 CAP. 35/02 – AQUI SEM VOCÊ
Notas iniciais
Segue mais um capítulo..
Betado por Kiki Cullen... Obrigado querida♥
ESCUTEMMMMMMMMMMM PLEASE!!! rs
http://www.vagalume.com.br/3-doors-down/here-without-you-traducao.html
CAP. 35/02 – AQUI SEM VOCÊ
Edward-POV
O tempo passava; dezoito meses que eu havia visto seu lindo rosto pela última vez, quinhentos e oitenta dias que me fizeram mais velho .. e ainda contando. Eu não aguentava mais de saudades da minha menina, eu não suportava mais ficar longe de tudo que ela representava em minha vida.
Eu tinha momentos de loucura por tanta saudade; e eram nesses momentos que eu descobria que ainda não estava pronto. Eu falhei, eu menti, eu trapaceei em meu próprio tratamento na ânsia de querer estar ao seu lado. Erros e mais erros que completavam minha extensa lista de desregramentos. Não estava sendo fácil. Nunca seria fácil não estar ao seu lado.
Menti, fugi, enganei, feri com palavras pessoas que me ajudavam na terapia, tudo na vão tentativa de tentar chegar próximo á ela; recaídas que demonstrava o quanto eu estava doente, e o quanto eu estava melhorando também.
Eu não só tinha crescido como pessoa, mas também espiritualmente e profissionalmente.
Eu já tinha uma direção em minha vida, eu sabia o que eu queria e não era mais aquele cara que tinha duvidas sobre o futuro, e precisou estar ao redor de pessoas menos privilegiadas do que eu, para que tivesse consciência disso. Hoje eu não era só mais um paciente em uma clinica de reabilitação para dependentes químicos; hoje eu era apenas o “colaborador” Edward, um cara desconhecido que saia pelas noites de Forks com Petter com um único propósito.
Estender á mão a quem precisava. A mesma mão com que ele me salvou no passado.
Nós saíamos pela madrugada, desprovidos de qualquer ajuda financeira, munidos apenas de palavras de conforto, compreensão, vivencia, caridade, compreensão e acima de tudo completamente desprovidos de julgamentos. Eu havia aprendido da forma mais dolorosa que para ser um humano decente, não era preciso ser soberbo; que para se destacar na vida, eu não precisava ter o carro do ano, nem a roupa de marca, nem carregar comigo a querência de ser o dono da verdade, pois sabia por experiência própria que quando a vida vem cobrar o pedágio por nossas transgressões, e seu corpo o auxilia nessa penitencia, não há riqueza material que te abone ou supra suas necessidades. Em minhas vigílias pelas ruas frias, eu encontrava em cada homem caído um pedaço de mim; eram homens em sua maioria que tinham se entregado ao vicio da bebiba por terem perdido tudo, ou perderam tudo por causa dela. Eles viviam em uma linha tênue entre o passado e o futuro, do que foram e do que eram indubitavelmente. Eram pais de família que se entregaram ao vicio por terem perdido essa mesma família. Eram em sua maioria, pessoas que possuíam uma bagagem de vida extensa, e encontravam no álcool, ou em outras drogas uma fuga, uma saída rápida para o sofrimento.
Exatamente como eu. E exatamente como Charlie Swan.
Encontrar Charlie na mesma praça em que Petter e Charlotte haviam me resgatado meses atrás, trouxeram vários sentimentos em mim. Mas em um primeiro momento, eu não achava que era mais do que uma maldita ironia do destino.
E eu posso ter caçoado ou não dessa ironia.
O fato era que; encontrar o homem que tinha uma grande participação na destruição da vida da minha menina remeteu-me instantaneamente um retrocesso em meu tratamento, e após tantos meses lutando arduamente contra meus deslizes de temperamento, eu simplesmente me deixei levar. Aos socos, ponta pés e gritos enfurecidos, eu tirava do banco da praça e jogava ao chão o homem que por tanto tempo tinha causado dor em quem deveria amar incondicionalmente. Eu vociferava minha ira em um homem apático, derrotado e que em nenhum momento revidou aos ataques que eu desferia em seu corpo.
Eu tentava matar, um homem já morto. Porque ali na minha frente, após cessar minha ira, o que eu via, era á sombra do que um dia tinha sido um grande policial.
Por semanas ele ficou internado, o saldo da minha violência eram algumas costelas fraturadas, o nariz, e inúmeras escoriações. Charlie ficou internado, e eu fui detido, processado pelo estado, acrescentando em minha lista criminal, serviços que eu deveria prestar á comunidade, para seguir com a sentença em liberdade. Mas em nenhum momento eu me sentia arrependido.
Recebi minha sentença com um sorriso no rosto; minha punição, que era dar aulas gratuitamente de vilão á crianças carente, recebi com um sorriso no rosto, e nas minhas visitas obrigatórias á Charlie, estranhamente eu era recebido com um sorriso no rosto.
O velho me agradecia por ter apanhado.
Eu não poderia dizer que eu tinha perdoado Charlie, ou se algum dia eu poderia fazê-lo, mas a derrota faz coisas estranhas com as pessoas. O pai de Bella, de longe era o cara mesquinho, frio e indiferente que eu conheci. Nas minhas visitas, as quais eu saia mudo e entrava calado, o home envelhecido e derrotado deitado á cama em minha frente, chorava de arrependimento e implorava por perdão.
Perdão que nunca partiria de mim.
Foi através das visitas obrigatórias enquanto eu sentava em uma cadeira e apenas brincava com a meia do meu tênis que eu descobri praticamente a vida de Charlie. Foi através de suas palavras, que eu soube sobre Renne, que eu conheci a estória daquela que deu sua vida, por amor a minha bonequinha. Era através de suas lamentações que passei não compreender, mas talvez, não julgar tanto suas atitudes, mesmo que elas feriram de forma cruel a mulher de minha vida. Tive o conhecimento que desde o momento que se descobriu grávida de Isabella, Renee corria risco de vida, que os médicos haviam a alertado que era impossível que as duas sobrevivessem, descoberta essa que me travavam qualquer movimento, gelando minha espinha, somente por imaginar que eu poderia não ter conhecido minha menina, mas que me fizeram enxergar as coisas por um ângulo diferente. Não que as atitudes de Charlie pudessem ser justificadas, nunca seriam, mas puderam e me deram o que pensar; porque se eu tomasse por base a forma intensa que eu amava Isabella, eu também ficaria furioso se ela aceitasse colocar em risco o que vivíamos; a vida que tínhamos, por outra em desenvolvimento, ainda mais se já tivéssemos dois filhos.
E ficar furioso, foi o que ele fez.
Foi em seus desabafos, que eu entendi que Charlie amava a filha, mas a dor e o rancor por ter perdido o amor de sua vida, acrescentando o fato de que Bella era copia fiel de sua esposa morta lembrando-o todos os dias daquilo que perdeu, foi demais para suportar, ele simplesmente tinha entrado em um carrossel de rancor e não soube como sair dele. Dias se transformaram em anos, anos em meses e ele não sabia mais como demonstrar sentimentos por aquela que carregava seu sangue, e era prova viva da misericórdia de sua mulher.
E eu percebia ali, no quarto frio, estéril e sem vida de um hospital, que simplesmente que Charlie não valia mais o meu ódio. O remorso e o arrependimento que ele sentia, por si só era seu maior castigo, pisar em Charlie, seria a mesma coisa que espezinhar um lixo... ele somente iria feder, e poucas coisas poderiam ser recicladas.
Com muita calma e conversa Petter e Charlotte mostraram-me que ainda assim, ali estava á chance de provar á mim mesmo que eu havia mudado, que eu não era mais o Edward arrogante e despreocupado com a vida, e sim um homem de verdade, com sonhos, metas e principalmente digno de ter de volta Isabella do meu lado; e foi com esses pensamentos que providenciei a internação de Charlie na clinica, mas deixando bem claro para ele, que eu não fazia isso por ele, mas sim por Bella, porque se um dia ela o decidisse perdoá-lo, o mínimo que ele poderia fazer era estar sóbrio.
Eu ainda era Edward Cullen, afinal.
- Olhando essa foto de novo? – brincou minha mãe sentando-se ao meu lado, com um café em sua mão. Hoje era dia de visitas, e algumas semanas eu havia começado a permitir sua presença.
- Você não sabe como isso me traz paz – respondi acariciando a face de Bella com o polegar.
- Ela está linda nessa foto – comentou, bebericando sua bebida.
- Ela é linda sempre.. minha bonequinha – respondi, tentando desdobrar a ponta da foto que estava curvada por estar em minha carteira como um amuleto da sorte. Eu sempre seria grato ao meu pai por esse agrado.
- Você a ama demais não?
- Ela é minha vida mãe, é por ela que estou aqui – confessei, notando seu semblante se tornar triste – Me desculpe! – pedi, mas não poderia enganá-la dizendo que minha cura e busca por ajuda se devia a ela ou minha família, porque isso não poderia estar mais longe da verdade.
Tudo era por Bella e por mim.
- Não fico triste por isso filho – respondeu sem graça – Mas sim por ter sido tão cega, por não ter sido uma boa mãe e uma boa esposa. Se eu tivesse me preocupado mais, olhado ao redor e ter saído do meu mundo fútil, eu poderia .. nós todos poderíamos estar vivendo de outra maneira.
- Se culpar não vai resolver os problemas, tentar achar um culpado também não, nós somos o que somos, o que plantamos, e precisamos lidar com isso – comentei ainda acariciando a foto da minha menina. Eu precisaria tirar algumas fotos da foto com meu celular, para não correr o risco de algum dia perder ela.
- Estou tão orgulhosa de você – elogiou com a voz embargada – e de tudo aquilo que esta realizando nesse ultimo ano; você se tornou um homem, cresceu.. eu tenho certeza absoluta que você vai conseguir tudo de volta – sorriu pegando em minha mão.
- Do meu passado somente quero Bella de volta, peço todos os dias para isso, essa distância está me matando, se não fosse por papai me confortar contando encontro que teve com ela em Los Angeles, eu acho que não suportaria – confidenciei.
- Outro dia ele me disse que você o faz narrar o encontro como se fosse a primeira vez, todas as vezes que ele vem, ou seja todos os dias – brincou. Eu parecia uma maldita criança pedindo para o pai contar a mesma estória todos os dias antes de dormir.
- É porque é como se sempre fosse a primeira vez! – confessei tímido.
- Eu sei – suspirou – você fazia isso com ele antes de dormir – revelou, fazendo-me rir.
Definitivamente algumas coisas nunca mudam.
- Alice perguntou novamente se pode te visitar – perguntou cautelosa. Falar sobre minhas irmãs ainda era um passo difícil para mim, especialmente Rose.
- Ainda não, eu prometo em breve...hum.. como está seu neto? – perguntei curioso, era a primeira vez que eu perguntava sobre o filho de Rose, mas não porque não estivesse interessado, mas saber sobre sua gravidez havia sido um choque para todos, e eu ainda não tinha me acostumado com a ideia.
Eu continuava achando que uma pessoa como ela não deveria ser mãe.
- A cara de Emmett – suspirou – ele é lindo, gordinho...
- Ela já o avisou sobre o filho? – perguntei curioso, porque se Bella soubesse do sobrinho com certeza ela viria á cidade....
- Ainda não.. seu pai acha que já passou do momento, mas ela ainda tem medo .. sua irmã mudou Edward, Rose não é mais a mesma. – tentou puxar assunto.
- Nenhum de nós é, ainda temos muito que crescer, por isso papai ainda não voltou para casa – alfinetei. Ainda me aborrecia que ela continuava amenizar para o lado de Rose.
- Bem... eu vou indo, eu prometi passar em sua casa para deixar um pacote de fraldas para o Junior – levantou-se acariciando meu rosto – Fique bem meu filho, eu amo você!
- Eu também mãe, até outro dia! – despedi beijando sua bochecha.
Minha vida não era exemplar, não era confortável, não tinha glamour e de longe eu era o cara “maneiro e legal” da minha adolescência, mas eu era homem. Eu tinha e estava me transformando num homem verdadeiro e real, que teve suas agruras, suas quedas, cometeu enganos e erros infestos, mas que acima de tudo tinha pelo que lutar.
Tinha meu amor por Bella para seguir em frente, e isso era o que importava, a certeza de estaríamos juntos ainda me acompanhava.
- Em breve bonequinha.. estaremos juntos em breve.. Eu te amo! – murmurei beijando novamente sua foto e colocando na carteira.
O horário de mais uma aula tinha chegado, era o momento de terminar minha canção dedicada á ela.
“Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento.”
Notas finais
Vamos papear...
É impressionante o crescimento e o amadurecimento de Edward.. eu fico encantada com a forma que ele assume seus erros e se exalta com seus acertos. É muito gratificante.
Wow.. Charlie... quem diria?... O mundo dá muitas voltas, e como Edward disse, não tem desculpa para a forma terrível com a qual ele tratou Bella, mas pelo menos pudemos entender que não era de uma forma gratuita. Isso pode acontecer mais vezes de que possamos imaginar, Edward mesmo disse que poderia agir da mesma forma.
Esme se aproximando, em breve Alice e logo teremos o reencontro do nosso casal apaixonado...
Ansiosas?
Eu estou!! :´)
Obrigado por ler...
Beijos c/ carinho Lyyssa♥♥♥
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