Love And A Happy New Year
1 One-Shot
Notas iniciais
I
Dezembro havia chegado, preparações para o final de ano começavam e também o final do segundo período do ano letivo.
Duas amigas de infância, Haru e Kai, estavam conversando durante o almoço; que estavam fazendo na sala; sobre o que fazer no ano novo; já que Kai iria viajar no natal...
Haru: Uma garota alegre, meiga e um pouco tímida, tem onze anos de idade, um metro e quarenta de altura. Cabelos castanhos e longos, sempre presos a um rabo de cavalo, seus olhos também eram castanhos, um fato engraçado da garota é que nunca a viram usando uma bermuda ou calça, sempre saias e vestidos. Está no sexto ano do primário.
Kai: Amiga de infância de Haru, também com onze anos, porém mais alta, com um metro e cinquenta de altura. Ela é uma tomboy, ou seja, ela costuma usar roupas mais masculinas e agir muitas vezes de forma que parecesse mais com um garoto. Por estar no primário, a escola não tem nenhum uniforme e por isso ia para a escola do seu jeito; bermudas, calças, blusas e regatas mais masculinas. Seu cabelo era curto, apenas pouco comprido para o curto dos garotos e na cor preta, e olhos cinzas. Assim como Haru, também estava no sexto ano do primário e na mesma sala que ela.
─ Podemos ir ver os fogos de artifício na minha casa! Da para ver bastante coisa pela sacada e ai você pode ficar lá e também podemos ir ao templo juntas! ─ Planejava Haru com um sorriso bem alegre em seu rosto.
─ Sim, vai ser legal, meu pai disse que posso ficar na casa de uma amiga no ano novo já que vamos viajar no natal! ─ Kai soltava uma breve risada, observando a amiga com seus planos para o ano novo.
─ Que bom! ─ Gritava Haru sem ao menos se importar com as outras crianças que estavam na sala e ao se lembrar delas, corava bruscamente, deixando aquele ar animado ir embora para ficar um ar tímido. O que fazia Kai vir mais e deixar a amiga cada vez mais sem jeito.
Minutos depois o sinal tocava e então a aula iria começar assim que o professor chegasse. Haru e Kai arrumaram os lugares para deixarem na ordem, como sentavam uma na frente da outra, as vezes comentavam sobre jogos que poderiam jogar juntas, sendo chamadas por falta de atenção pelo professor uma vez ou outra.
Como sempre, no final da aula, as duas iam para casa juntas, se separando quando chegavam na estação do metrô; onde Kai entrava para ir para casa.
Haru, feliz com aquela novidade, andava saltitando a caminho de sua casa. Como era ainda uma criança, muitos que a viam achavam graça, os que a conheciam, até comentavam coisas como “Pelo visto está bem animada Haru-chan!” ou como “Parece que a Haru-chan ganhou o dia!” e afins.
O caminho todo estava sendo daquela maneira, mas ao chegar perto de sua casa, acabou encontrando seu irmão mais velho; Tsubasa de quinze anos de idade; no caminho para casa também. A garota mudava completamente seu humor, ficando um pouco mais reservada, deixando a felicidade dentro de si.
─ Ei! Haru! ─ O irmão já tocava na cabeça dela ao se encontrarem, não demorava muito para retirar a mão assim que bagunçava os cabelos de sua irmã.
─ Seu bobo, pare de desarrumar meu cabelo assim! ─ Arrumava seu cabelo assim que podia, emburrando ao olhar para o mais velho rindo da situação dela.
─ Seu irmão aqui não é nenhum bobo, ele só gosta da irmãzinha que tanto o despreza! ─ Se fazia de vítima, mas acabava rindo logo depois, mais uma bagunçando os cabelos dela.
─ Claro que é um bobo, gosta de ficar brincando comigo dessa maneira! ─ Haru, já irritada, estirava sua língua para o irmão, arrumando seu cabelo novamente.
Não demoravam muito para chegarem na casa deles, quando chegaram, a menor já corria até sua mãe para dizer a novidade sobre Kai passar o ano novo lá, aquela novidade era aceitada pela mãe e com certeza iria ser aceitada pelo pai da garota. Ainda mais feliz, Haru correu logo para seu quarto, começando a cantarolar e dançar de animação. O irmão até ria da situação da garota, logo ficando pensativo sobre a relação entre sua irmã e a amiga dela...
Enquanto Haru dançava e cantava em seu quarto, Kai chegava no apartamento que morava, cansada da viagem, a garota ia diretamente para a cama se deitar, ouvindo seu pai chegar momentos depois:
─ Cheguei! ─ O mais velho já ia no quarto de sua filha para ver se ela estava lá. ─ Kai?
─ Ah! Bem-vindo de volta papai! ─ A garota se levantava e ia até seu pai para dar um beijo no rosto.
─ Então, alguma novidade? ─ Com a pergunta ia para a sala, deixando suas coisas em cima da mesa para novamente olhar sua filha.
─ Sim! A Haru-chan disse que posso passar o ano novo lá! ─ Voltava a ficar animada ao lembrar daquilo.
─ Que bom! Vocês estão sempre juntas, deveriam começar a namorar! ─ Falava brincando e rindo, mas ele não seria contra caso aquilo realmente acontecesse, até via sua filha como um filho muitas vezes pelas roupas dela.
─ P-Papai! ─ Kai corava bruscamente, não achava nenhuma graça naquilo e por isso corria para seu quarto. O pai ria com a ação da garota, mas ele não sabia que a fazia pensar muito naquele assunto...
Tanto Haru quanto Kai imaginariam como seria legal passarem o ano novo juntas, coisa que nunca fizeram totalmente como naquela vez e nas poucas vezes que uma dormiu na casa da outra foi por motivos escolares, mas aquela vez seria diferente para as duas garotas.
Os últimos dias escolares antes das férias de inverno; que engloba o natal e o ano novo; tinha sido normal, planos eram feitos pelas amigas sobre o que fazer no ano novo e uma surpresa apareceu, ao invés de se encontrarem no dia trinta e um, a mãe de Haru dava a ideia de ser dia trinta, assim poderiam passar a véspera e o ano novo o tempo todo juntas ao invés de se encontrarem na véspera. Kai adorava aquela ideia e se sentia mais animada para o ano novo chegar, assim como Haru.
Então as férias começavam, Kai ia viajar com seu pai para a casa de seus avós no interior, por sorte, a amiga pode ir até a casa dela para poder se despedirem já que viajariam de carro.
─ Tenha um bom natal Kai! Aqui está seu presente de natal! ─ Haru entregava um presente para a amiga, era um ursinho de pelúcia para “quebrar” aquele ar masculino do quarto dela.
─ Aqui está o meu Haru-chan! ─ Kai entregava o presente, era um carrinho de brinquedo.
Quando as duas abriram os presentes e o viram, começavam a rir, achando graça na situação:
─ Haru-chan você é mesmo uma fofa! ─ Continuava a rir.
─ E você é uma boba! Eu sou uma menina! ─ A garota corava com aquela situação, nunca imaginaria que ganharia um carrinho de Kai, mas entendia os sentimentos dela com aquele presente. ─ Mas eu amei! ─ E então as duas se abraçaram.
Antes de entrar no carro, Kai dava um beijo no rosto de Haru; as duas coravam naquele momento, Kai por ter feito aquilo e Haru por ter recebido aquele beijo. Quando via o carro partir, a garota ficava observando-o ir embora e comentava baixinho:
─ Foi bom... ─ Aquele comentário era o mesmo comentário que Kai dava no carro. Tanto o irmão de Haru; que estava com ela no momento; e o pai de Kai percebiam aquilo tudo e a aproximação das duas garotas, os dois podiam prever o que poderia acontecer se continuassem juntas daquela forma, sendo que, o pai deixaria a filha fazer as escolhas que ela quisesse, a ajudaria apenas quando ela pedisse ajuda. E o irmão iria tentar proteger as duas da forma que podia, já que sabia como era cruel o mundo para uma pessoa; ainda por cima uma criança; que se apaixonava por uma outra pessoa do mesmo sexo.
Durante todo aquele dia, Haru pensava sobre aquele beijo e sobre o que sentia em relação a sua melhor amiga, teria que pensar bem até o dia que ficariam juntas, já que parecia; na visão de Haru; que Kai já podia ter se decidido, afinal nunca tiveram aquele tipo de contato antes...
II
Durante as festividades de natal, as duas garotas se divertiam com suas respectivas famílias; alguns parentes de Haru foram para a casa do natal. E Kai encontrava alguns na casa de seus avós que não via a alguns anos.
Até durante o natal, a família de Kai visitava o túmulo da mãe da garota; que tinha morrido quando ela tinha apenas sete anos de idade. Antes de irem embora do túmulo, a garota pediu para ficar mais um pouco, queria falar com sua mãe sozinha, tendo seu pedido aceito, se virava para o túmulo mais uma vez e começava a falar:
─ Mamãe, estou apaixonada, eu acho pelo menos... É meio confuso ainda, mas no ano novo eu vou saber! Só queria que você fosse a primeira a saber! Ela é uma garota também... É a minha melhor amiga, lembra da Haru? A garota que me defendeu no meu primeiro dia de aula na primeira série porquê eu me vestia diferente das outras garotas... ─ Começava a chorar ao lembrar da cena, aquilo foi o motivo das duas se conhecerem e se tornarem amigas. ─ Bem é só isso mesmo, até mais mamãe! ─ Não demorava muito para a garota sair dali, fazia algumas preces para os deuses cuidarem da mãe dela onde ela estivesse naquele momento e saia do cemitério.
Enquanto isso na casa de Haru, uma tia da garota estava vendo televisão no momento que Haru passava, a chamando para conversar:
─ O que foi titia? ─ Perguntava a garota ao se sentar ao lado da mais velha.
─ Sabe, você já tem onze anos, ano que vai fazer doze e vai entrar no ensino médio¹ e você já deve estar já de olho em alguns meninos, né? E como vai essas paqueras Haru!? ─ Aquela pergunta saía como se fosse algo normal, a garota não podia deixar de corar com aquilo, pensava em Kai naquele momento, mas não podia responder que estava gostando de uma garota, iria guardar segredo sobre aquilo.
─ Eu não tenho titia! Na escola me dedico apenas aos estudos e as amizades! ─ Respondia daquela forma, corando um pouco mais com a situação.
─ Não precisa ficar com vergonha! Você já está começando a ficar naquela idade de olhar para os meninos de outra forma e... ─ A mulher era interrompida por Tsubasa.
─ Ei! Tia, me desculpe, mas a Haru tem um dever escolar para fazer e ela não pode deixar de fazer! ─ Por sorte o que falava não era mentira, a garota tinha sim deveres para fazer, mas não faria naquele momento.
─ Sim! É verdade, me desculpe titia! ─ Salva pelo irmão, foi correndo para seu quarto, o mais velho a seguia e quando estavam no segundo andar, Haru podia agradecê-lo. ─ Obrigada Onii-chan! Você me salvou!
─ Eu sei... Mas não se preocupe, eu sei como te salvar e vou te ajudar! Seu irmão que você acha bobo vai te ajudar! ─ Ria com o que falava.
─ É bobo, mas tem grande coração! ─ Haru abraçava o mais velho, até tirou um sorriso gentil do rosto dele com aquilo. Mas não demorou muito já que Haru ia fazer os deveres escolares e Tsubasa iria fazer os dele junto com a irmã e assim poderiam se ajudar caso necessário.
Ao longo dos dias, além das festividades, a saudades que Haru e Kai sentiam uma da outra também aumentava, elas queriam se ver mais uma vez e assim dizerem o que sentiam uma pela outra, mas o dia da volta de Kai estava chegando e com isso a tensão e o nervosismo também aumentavam...
Quando a garota voltava para a cidade, ia assim que possível ver a amiga; aproveitando que tinham passado em casa, o pai já comentava sobre ela ficar lá, afinal era dia vinte e nove e não via problema ficar mais um dia, a garota adorava aquela noticia e quando a mãe de Haru soube, também não pode negar.
As duas ficavam extremamente alegres com aquilo, iriam ficar mais um dia juntas do que o previsto e poderiam fazer mais coisas, mesmo que essas mais coisas se resultariam a apenas brincar e jogar.
III
As duas estavam felizes e foram se divertir um pouco, Tsubasa deixava as garotas jogarem seu videogame; o instalando na televisão do quarto da irmã; e as duas se divertiam com alguns jogos de lutas e corrida. Haru não era fã daqueles tipos de jogos, mas era até divertido e Kai gostava.
─ Então Kai, o que achou daquele beijo que você me deu na bochecha naquele dia antes de viajar? ─ Haru corava um pouco, mas não quanto Kai, que até tinha se assustado.
─ Err... Foi bom! Eu gostei e você? ─ Respondia meio sem jeito, evitando de olhar para a amiga.
─ Eu gostei também, mas não pude retribuir, então... ─ Com suas palavras, Haru beijava de leve a bochecha da amiga, fazendo ambas corarem ainda mais. ─ Gostou?
─ S-Sim! ─ Kai a respondia gaguejando um pouco, não acreditava que tinha sido retribuída...
─ Que bom! ─ Haru não pode conter a felicidade ao ouvir que a outra tinha gostado do beijo. Não demorando muito, as duas logo voltavam a se concentrar no jogo.
O resto daquele dia tinha sido normal até a hora do banho; por algum motivo desconhecidos para a mãe de Haru, as duas garotas escolheram tomar o banho separadas; sendo que nas vezes anteriores tinham tomado juntas. Tsubasa já sabia o motivo daquilo, até ria ao saber e quando perguntado pela mais velha apenas respondeu “É coisa delas mãe!”, a mulher não aceitava aquela resposta, mas vendo que não tinha outra opção, resolveu aceitar.
Na hora de dormir, a mãe tinha preparado um futon para as garotas dormirem juntas; elas ficavam felizes, mas também ficavam coradas com a situação. Quando pegaram no sono, as duas estavam de mãos dadas e de frente para a outra, estavam sorrindo também, mostrando com aquelas poucas feições que estavam gostando daquele tempo juntas.
No dia seguinte, as duas continuavam a se divertir juntas brincando e jogando, estavam praticamente inseparáveis naquele momento e era o que queriam, mas um sentimento estranho apareceu, um sentimento de algo não resolvido... Tinham acabado de almoçar e foram se divertir lendo alguns mangás até uma cena romântica aparecer, o que deixou as duas sem jeito, mas continuaram a ler.
A mãe de Haru tinha saído para comprar algumas coisas para o ano novo que tinha esquecido, ficando apenas Kai, Haru e Tsubasa na casa, já que os pais de Haru eram separados e o pai estava vivendo no exterior.
─ Kai! Seu pai já te deu dinheiro do ano novo? ─ Perguntava alegre para a amiga ao se lembrar daquele detalhe.
─ Deu sim! Mas eu não gastei! Nem abri! Deixei em casa e ele me deu um dinheiro extra para usar quando formos para o templo! ─ Falava animada, não eram bem de vida, mas o pai de Kai sempre se preocupava com ela e sempre que podia dava algum dinheiro para que ela se divirta com alguma coisa que goste. ─ E já recebeu o seu?
─ Não, minha mamãe só vai dar quando for ano novo mesmo! ─ Fazia um biquinho fofo ao falar aquilo. ─ Mas tudo bem! Eu tenho um dinheiro para usar quando formos para o templo também! ─ Estava alegre com aquilo, sabia que não gastariam muito, mas iam gastar para lerem a sorte e talvez comprar algum brinquedo de ano novo.
As duas continuaram aquela conversa sobre o que fazer com o dinheiro de ano novo, acabou que as duas resolveram juntar todo o valor e comprar doces e algumas pelúcias, assim como alguns brinquedos. Como o assunto havia sido resolvido, partiram para outro:
─ Posso te dar um beijo? ─ Perguntava Haru.
─ P-Pode! ─ Kai corava com a pergunta, aceitava apenas porquê tinha gostado do beijo e queria outro, mas no momento que iria virar seu rosto para receber o beijo no rosto, foi surpreendida por ter sido nos lábios, sendo um selinho. ─ H-Haru! ─ A garota ficava com o rosto completamente corado com aquilo e sem jeito, mas tinha gostado.
─ Que foi, não gostou? ─ Fazia outro bico, não acreditaria que ela não tinha gostado do selinho.
─ Sim eu gostei... E aqui o seu! ─ Sem esperar muito, a garota retribuía o selinho da amiga com outro selinho, fazendo-a corar igualmente.
─ Sua boba! Por que fez isso!? ─ Haru estava envergonhada, tal como Kai estava.
─ Porque você me deu um e eu te dei outro! E ponto final! ─ A garota emburrava e cruzava seus braços, aquela atitude fazia com que Haru risse, levando a amiga rir logo depois.
As duas voltavam a ler o mangá que haviam parado quando Haru tinha feito a pergunta do dinheiro já que não tinham mais nada sobre o que falar, e não queriam falar nada. Enquanto isso Tsubasa pegou as duas conversando e acabou por se esconder, vendo toda aquela cena dos selinhos e achando fofo. Estava feliz pelas duas e não iria se intrometer, não naquele momento, resolveu então ver um pouco de televisão em seu quarto.
Pouco tempo depois, elas trocaram para outro mangá, mas naquele mangá teve vários beijos, praticamente um após o outro, as duas garotas coravam ainda mais, aquele mangá era de um romance e o volume que estavam mostrava capítulos cheios de beijos entre os personagens que se amavam, o que deixou as duas com duvidas, afinal, se o beijo; incluindo selinho; eram coisas de namorados e não de amigos, as duas eram o que afinal?
─ Eu não sei... ─ Respondia Kai a aquela pergunta, estava com dúvidas e Haru não parecia responder, também mostrando-se com dúvida.
O dia passava, as duas deixaram aquela questão de lado e foram curtir o resto do dia, indo dormir cedo comparado ao dia anterior. Afinal o dia seguinte seria o último dia do ano e elas queriam aproveitar o máximo possível.
IV
Era dia trinta e um de dezembro, o último dia daquele ano, o dia que poderia mudar o curso da vida de Haru e Kai!
Logo no começo dele, a mãe de Haru mostrava um quimono na cor rosa e com flores desenhadas para sua filha, era o tipo de quimono que ela usaria; o obi também estava combinando, sendo o mesmo desenho, mas na cor vermelha.
─ Obrigada mamãe! ─ Dizia alegre, dando alguns saltos e abraçando a mais velha. ─ Vou usar esse quimono quando formos amanhã para o templo!
─ Haru, eu pensei que poderíamos ir hoje também, afinal o templo vai fazer um festival e tem uma ótima vista da colina! ─ Comentava a mais velha, sorrindo de forma gentil para as duas garotas.
─ Sim! Ótima ideia mamãe! ─ Falava animada, dando mais alguns saltos.
─ E para você Kai ─ A mulher observava a outra garota. ─ Sei que você é uma garota, mas você age e se veste um pouco como um garoto e se parece como um também! ─ Ria um pouco. Mostrava para ela um quimono masculino preto com seus detalhes brancos.
─ P-Para mim? ─ Kai corava com aquilo, nunca imaginaria que receberia um quimono masculino para usar, se fosse com seu pai nem vestiria um quimono e com seus parentes do interior iria ser obrigada a usar um quimono feminino, mas ali estava sendo diferente. Kai também gostava de quimonos masculinos, não pensando duas vezes em pegá-lo e agradecer a mãe da amiga. ─ Muito obrigada! Muito obrigada mesmo! ─ Os olhos até lagrimejavam um pouco, estava feliz com aquilo.
─ Kai! O que houve? ─ Haru observava a amiga de forma preocupada.
─ É que eu gostei muito desse presente! ─ Falava animada, abraçando Haru em retribuição ao abraço que recebia assim que terminava de falar.
─ Que bom Kai! Fico feliz que tenha gostado! ─ A mais velha comentava com um sorriso no gentil em seu rosto, sendo seguido na frase por sua filha que falava “Sim, muito bom!” o que a fez rir com a infantilidade da filha.
As duas garotas resolviam experimentar os quimonos que ganharam, mas também resolviam que não iam se ver naquele momento, deixando uma surpresa na hora de irem para o templo. A mulher ajudava Haru enquanto Tsubasa ajudava Kai por já ter vestido um quimono daquilo.
─ Você não é do tipo pervertido... ─ Comentava Kai ao observar Tsubasa.
─ Claro que não sou! ─ Tsubasa sorria forçadamente, não acreditando que tinha aquele tipo de fama. ─ Mas se eu fosse um, eu nunca faria nada com a garota que a minha irmãzinha ama! ─ A garota ficava corava com tais palavras, não acreditando no que ouvia, negava aquilo, mas Tsubasa apenas ria e acabava comentando. ─ Talvez vocês estejam confusas agora, mas sei que logo essa confusão acabe e ai você vai ver!
─ Vou ver o que? ─ Perguntava curiosa.
─ Você vai ver quando chegar a hora! ─ Deixava a garota totalmente curiosa, no fim das contas até achava aquilo divertido, mas tentava acalmar Kai sobre ela ser paciente e depois de muito sacrifício, conseguia fazê-la esperar até o momento certo.
Naquele exato momento em que Kai e Tsubasa falavam sobre a tal coisa, Haru e sua mãe conversavam sobre amor, a mais velha respondia coisas que qualquer mãe poderia responder sobre amor para uma filha de onze anos de idade.
─ Sabe... É sobre a Kai... ─ Haru nem precisava terminar aquela frase para a mãe entender que parecia apaixonada pela garota.
─ Você pode amá-la sim e eu não irei contra sua opinião! ─ Respondia aquilo abraçando a filha.
─ Obrigada... ─ A menor sorria alegre com aquilo, sabia que poderia ir em frente com sua decisão, mas apenas a revelaria no momento certo.
Ao ver que ambos os quimonos ficavam bem nas duas garotas, elas voltaram com suas roupas anteriores, voltando a se divertir normalmente, sendo que Haru não comentava nada com Kai sobre o que tinha falado com sua mãe, mas Kai comentava que pensava que Tsubasa era um pervertido, o que fez Haru rir e explicar que costumava fazer aquele mal entendido julgando algum garoto como um pervertido apenas por vê-la de calcinha por algum acidente. Então as duas continuavam com aquela conversa e rindo com as situações engraçadas.
O tempo passava e a noite já chegava, para aproveitarem o festival, resolveram então fazer um lanche antes de sair; novamente, as duas se trocavam separadamente e fizeram uma surpresa para a outra. Haru, além do quimono e um uchiwa², também usava um prendedor de flor em seu cabelo, fazendo seu habitual rabo de cavalo ser mais fofo. Kai por outro lado usava apenas o quimono, mas tinha uma espada artesanal na cintura, deixando um clima mais de samurai para a garota:
─ Você parece um garoto Kai! ─ Comentava a amiga rindo um pouco, fazendo-a corar.
─ M-Mas estou usando uma calcinha! ─ Não era que Kai não gostava de ser tratado como um garoto, ela apenas gostava de roupas de garotos e agia como um garoto, mas no fundo era uma garota e não queria ser um garoto. As vezes até ela ficava confusa com aquelas coisas, mas Haru a entendia, não completamente, mas entendia.
─ Eu sei Kai, eu sei! ─ Continuava rindo, porém parava ao esticar sua mão para a garota. ─ Então vamos?
─ Vamos! ─ Kai segurava na mão da amiga, não demorando para as duas saírem de casa acompanhadas por Tsubasa, que iria apenas levá-las até o templo e voltar para casa.
Ao se despedirem do mais velho, Haru puxava Kai para dentro do templo, lá elas jogaram algumas coisas e ganharam alguns brinquedos, se divertiam. Algumas pessoas pensavam que Kai era um garoto, o que a deixava sem jeito, afinal não se via parecido com um garoto, seu cabelo era até um pouco maior que o da maioria dos garotos, mas ainda sim era um pouco masculino.
─ Não importa como você se pareça Kai! Você está linda assim! ─ Haru falava alegre, deixando novamente um clima de romance entre as duas. Estavam até de mãos dadas enquanto andavam e o rosto de ambas estava avermelhado.
─ O-Obrigada... Mas você está mais bonita... ─ Falava envergonhada, virando seu rosto para o lado, não querendo encarar a amiga, mas com isso recebia um beijo no rosto. Fazendo-a corar mais e virar seu rosto para ela. ─ E-Ei!
─ Mas você fica linda envergonhada! ─ As palavras de Haru deixavam Kai cada vez mais envergonhada e sem jeito.
─ Vamos comer um pouco! ─ Mudava de assunto para poder se acalmar, escolhendo comerem takoyaki.
E quando terminaram de comer, ficavam descaçando um pouco naquele banco até ouvirem que já estava próximo da meia noite e com isso o show dos fogos de artifícios. Haru rapidamente levava a amiga para a colina que sua mãe havia comentado, levando Kai consigo.
A colina ficava bem ao lado do templo e tinha uma grande cerejeira; mas como era inverno não tinha nenhuma flor de cerejeira; o local dava para ver boa parte da cidade e tinha boa visão do céu. Tinha mais algumas pessoas ali, mas não eram tantas e as duas amigas poderiam ficar sem nenhum problema; haviam encontrado o professor de educação física delas e por sorte ele tinha uma segunda toalha que elas podiam usar para se sentar, já que não queriam sujar os quimonos com a grama.
Haru se sentava e esperava Kai se sentar para segurar nas mãos dela, fazendo-a corar mais uma vez. Sentia que a hora estava chegando, também escolhia a virada do ano para se declarar.
“Dez! Nove! Oito!”
A contagem começava, muitas pessoas gritavam os números, para não perder tempo, Haru se enchia de coragem e assim falava.
─ Kai! ─ Quando a amiga foi virar o rosto para vela, Haru não perdeu tempo, tinha apenas dez segundos. ─ Eu te amo!
“Sete! Seis! Cinco!”
─ H-Haru! ─ Kai ficava com o rosto completamente corado, não sabia o que falar, muito menos o que fazer, mas logo se decidiu e encarou a amiga. ─ Eu também te amo!
“Quatro! Três! Dois!”
Se vendo sem muito tempo, Haru beijou Kai, mas não era um simples selinho e sim um beijo de amantes, o mesmo beijo que viam naqueles mangás.
“Um! Zero! Feliz ano novo!”
Enquanto muitas pessoas viam os fogos de artifícios que começavam a ir para o céu quando o sino do templo tocava meia noite, Haru e Kai se beijavam, o beijo se tornava cada vez mais intenso, as duas se envolviam em uma esfera de amor com aquele beijo. Nenhuma delas queriam parar, apenas o fazia quando Kai ficava sem fôlego.
─ Kai! Seja a minha namorada! Eu te amo muito, muito mesmo! ─ Os olhos de Haru brilhavam naquele momento.
─ Eu também te amo muito Haru! Eu aceito sim ser sua namorada! ─ Pegava nas mãos da namorada, não tirando seu olhar dos olhos de Haru, percebendo o quanto eram lindos, assim como a garota.
Infelizmente aquele clima foi quebrado pelo professor, o mais velho estava sem jeito com aquilo, mas as parabenizam pelo namoro e se oferecia para levar as duas para a casa; Haru não deixava de comentar que Kai estava ficando em sua casa naquele feriado, então o professor só teria que ir até uma casa.
V
Na manhã, Haru e Kai falaram a noticia para a mãe e irmão de Haru, tal como o pai de Kai pelo telefone; os três ficavam felizes com a noticia, dando parabéns para as duas.
Quando voltaram no templo, Haru pedia para que o namoro durasse o máximo possível e na hora de tirarem a sorte, Kai tirava grande sorte, principalmente no amor enquanto Haru tirava sorte com os estudos.
Tsubasa não pode deixar de explicar a situação delicada que elas tinham entrado, tal como certas “regras” para um bom namoro e para não criarem grandes problemas. Quando perguntado por Kai como ele sabia daquelas coisas, o mais velho respondia que via seus amigos namorarem e via essas coisas “de perto”, aprendendo também pela internet para que sempre pudesse ajudar seus amigos com namoros, mas nunca pensaria que iria ajudar sua irmã, não tão cedo como pensava...
O resto do primeiro dia do ano foi até diferente, as duas se beijavam sempre quando podiam e até tomavam banho juntas. Mas durante o banho não passava de beijos já que eram crianças e além do conhecimento ser apenas o que tiveram na escola, elas ainda não tinham nem curiosidade de tentar saber um pouco mais sobre a parte do namoro que incluía coisas “além” dos beijos e abraços.
As duas começavam uma linda e pura história de amor. Não sabiam o que poderiam enfrentar, mas com a ajuda das pessoas que as amam teriam forças para vencer os possíveis obstáculos por acreditarem no amor que uma tinha pela outra!
Notas finais
¹ Chūgakkō (Lit. Escola Média), pode ser traduzida como Ensino Médio; tem três anos de duração e se equivale ao 7º a 9º ano da educação brasileira.
² Uchiwa - Um leque japonês que normalmente é de plastico e estático quando balançado, normalmente usado em festivais.
Conto com seu review e sua opinião para melhorar ainda mais nas minhas histórias.
Para quem gosta, planejo fazer um especial orange, então por favor, quem quiser, comente!
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