Notas iniciais
bem eu não sei exatamente o que dizer então vai ficar só no "Boa Leitura".

Singular.

Distinto, único, sozinho... Era assim que Gêmeos se sentia, Sozinho.

Já eram 5 da manhã e nem um resquício de sono, olhando para a parede com medo do que o seu subconsciente havia lhe preparado, ele fecha os olhos e novamente vem àquela vaga lembrança embaçada e torturante, a falta de oxigênio, o frio insuportável, ninguém te escuta.

E novamente ele desperta com o sentimento de que perdeu a voz, o sentimento de que foi totalmente sua culpa. Ele se levanta de sua cama, e caminha pelo escuro descalço procurando por algo que deixe sua mente sã ou pelo menos calmo, como ISRS ou Benzodiazepinas, suas pílulas da felicidade.

Ele corre até a cozinha, escorregando no carpete e batendo sua boca na perna da mesa e a cabeça no piso gélido, meio tonto se ergue pegando seus remédios que estavam em cima da mesa, ele sabem muito bem que não se deve toma-los a qualquer hora por qualquer motivo, mas que se foda, a única coisa que deseja é uma boa noite de sono, depois ele pensa nas consequências e assim ele engole os remédios a seco.

Ele respira fundo se sentando no chão encostando sua cabeça na perna da mesa, ele passa sua mão em seu rosto e só agora percebe o sangue que saia de seus lábios, solta um suspiro e olha em volta da cozinha em breu, o medo de escuro ainda o assombrava, mas não era isso que no momento o perturbava e sim a falta.

A falta de ar, a falta de voz, a falta de sono, a falta de sanidade e principalmente a falta de alguém a falta de si mesmo, onde será que ele estava? Deve ter morrido em meio às flores ele deveria ter morrido.

O coração acelera, ele se deita no chão olhando para o teto branco desbotado.

Branco; definitivamente a cor mais chata de todas, não é alegre e divertida como amarelo e nem é tranquila e divina como o azul é apenas branco, é apenas o Gêmeos.

O sangue ainda escorria, o coração ainda batia rápido, o desespero ainda o corroía, mas ele insistia em acreditar que o remédio fazia efeito, que ainda estava vivo, mas uma coisa ele não podia negar essa noite estaria em branco.

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Gêmeos: – Verão

Gêmeos desce daí, agora! –: grita Virgem vendo seu irmão em cima de uma arvore, o mesmo se levanta ficando de pé no galho e grita — Eu sou o rei do mundo!

Para de palhaçada e desce agora seu embuste! — diz Virgem se aproximando da arvore e o mais novo protesta — Hey! Não vale xingar com palavras que eu não sei o que significa!

Só! Desce –: diz o pré-adolescente autoritário rangendo os dentes e o menino diz desafiando sua autoridade com seu típico sorriso — Me obrigue.

Virgem deu mais um passo e no mesmo instante o galho se quebra e por impulso o mais velho se joga no gramado conseguindo pegar o irmão, ele suspira aliviado e em seguida olha para o menino e diz — Dá próxima vez eu deixo você cair.

O mais novo não conteve ao soltar uma risada

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Gêmeos: – Outono.

Aqui. –: diz Virgem entregando uma caneca com chocolate quente para o mais novo que sorri ao ver o liquido quente, Virgem se senta no sofá voltando a ler o seu livro e tomando seu café, Gêmeos olhou para a janela vendo as folhas secas caindo e em seguida passando por ela uma brisa gélida que lhe da um arrepio, ele volta a beber seu chocolate quente e diz ao mais velho — essa estação não faz o menor sentido às vezes tá frio às vezes tá calor, será que dá pra se decidir?! Porque essa ventania de calor e frio não tá dando certo!

O mais velho soltou uma risada e diz a Gêmeos — que nem você não é mesmo? Frio e quente ao mesmo tempo arrastando tudo com sua ventania.

Ele bagunça o cabelo do bicolor que da um sorriso e Virgem corresponde o sorriso e em seguida pergunta olhando para a janela — que tal a gente dar um passeio no bosque?

Não tá meio tarde?— pergunta Gêmeos confuso afinal o irmão não gosta que passeiem a noite. Virgem volta sua atenção ao livro e diz — se não quiser ir tudo bem

Não! Eu quero ir sim! — diz o menino animado se levantando empolgado e puxando o irmão.

E assim eles foram para o bosque pulando e chutando as folhas secas enquanto conversavam, até que o mais novo pisou em falso caindo de cara no chão em uma parte onde não havia folhas, e como qualquer criança começou a chorar, o mais velho foi correndo socorrer o irmão o levantando e vendo seu rosto que nele tinha um arranhão, ele acariciou o machucado, secou suas lagrimas e o acalmou.

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Gêmeos: – Primavera.

Então como eu havia dito... — falava Virgem ensinando matemática para seu aluno; Gêmeos abre a porta vendo seu irmão ocupado, então de vagar ele fecha a porta e calmamente vai em direção as escadas, mas é parado no meio pela pergunta de seu irmão — como foi a aula Gêmeos?

Ele para no pé da escada engolindo a seco e responde sem olhar para o virginiano — ótimo! Na medida do possível.

Ele sobe as escadas, rápido sem escutar o que o irmão iria dizer e se trancando no quarto, Virgem estava confuso, mas já sabia que isso envolvia problemas.

Ele pediu para o aluno voltar para casa e subiu as escadas indo até o quarto do irmão, bateu três vezes na porta, mas nada, soltou um suspiro e disse ao irmão— Não vou sair daqui até você abrir essa porta.

Passaram se longos minutos até que Virgem desistir de esperar e abrir a porta com uma chave reserva, entrando no quarto escuro com pôster de bandas como Fall out boy, e prateleiras com livros de ficção ou fantasia e vários filmes de terror e no fundo estava Gêmeos encolhido em sua cama coberto até o topo por lençóis, Virgem senta ao seu lado e Gêmeos olha de relance para o irmão e logo voltando seu olhar para os lençóis e Virgem pergunta ao mais novo em um tom preocupado — o que foi?

Ele não obteve respostas, mas sentiu seu irmão tremendo como se estivesse tentando segurar as lagrimas, ele coloca sua mão no ombro dele e diz — Esta tudo bem, você sabe que pode contar.

O adolescente vira seu olhar para o irmão mais velho com lagrimas penduradas, fazendo com que o virginiano pode-se ver perfeitamente o olho esquerdo roxo do menino e alguns arranhões em sua face, ele passa seu polegar delicadamente no rosto machucado da criança e o mesmo se joga nos braços do irmão chorando enquanto o mais velho diz em um sussurro acariciando os cabelos preto e branco do menino: – calma, eu vou te proteger...

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Gêmeos: – Inverno.

Vamos Gêmeos, vamos voltar pra casa — foi a ultima coisa que Gêmeos ouviu antes do gelo rachar, ele olha para o chão trincado tremendo já vendo o seu fim e de vagar olha para trás vendo o seu irmão também assustado, Virgem da um passo pra frente e Gêmeos começa a chorar, enquanto em passos lentos e pequenos o irmão tentava chegar até ele, mas o gelo se racha por completo e sem mais nem menos ele é engolido pela lagoa congelado.

Ele tentava se puxar de volta para a superfície, trabalho que parecia impulsivo, ele gritava desesperado o nome do Irmão, mas a voz era abafada pela água, do mesmo jeito que suas lagrimas eram imperceptíveis, ele não queria morrer, mas parece algo inevitável ou você conhece um garoto de 17 anos que não sabe nadar que conseguiu sobreviver num lago congelado sem a possibilidade de pedir ajuda?

Falando sobre ajuda, onde estava seu irmão? Correu para a cidade procurando ajuda, fugiu por medo ao ver o irmão sucumbido ou também foi pego pelo lago, ele não sabe, ele não vê.

Ele grita ainda mais desesperado, não sentia nada, mas seu pulmão, e seus olhos já estavam cansados e de pouco em pouco seu corpo vai se entregando.

“É tão frio aqui”.

Virgem: – Acorde.

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Gêmeos acorda em um pulo com a respiração desalinhada, ele olha ao redor e vê que ainda esta na mesma casa, na sua casa, mas o medo as lembranças tudo tão rápido como se fosse agora, ele entrou em desespero.

Ele se levanta e corre para fora de casa entrando no bosque perto dela, correu desesperado sentindo a terra molhada em seus pés, seu coração bate cada vez mais rápido, por que a porra do remédio não fez efeito?

Ele para por falta de ar, passando a manga de seu pijama em seu rosto para tirar o suor, olha para frente vendo a lagoa Louloúdi ele solta uma risada fraca e um tanto desesperada ao estar de frente onde tudo começou, deu um passo para frente vendo tudo ao redor cheio de flores dando juiz ao nome, se aproxima da lagoa em passos trêmulos para ver seu rosto, mas não vê nada. E então lhe vem uma pergunta.

“Eu deveria pular?”.

Não havia motivos para ele estar lá, não havia motivos de ele ter sobrevivido, ele deveria terminar o que foi feito atrás, Mas algo o prende, uma palpitação, as pernas bambas, os fleche de memória. Seria covardia ter medo de morrer?

Ele olha firme e aflito para o lago a procura de seu reflexo, a procura de si mesmo.

“Procure mais fundo”.

“se jogue”.

Ele se inclina, mas logo da um passo para trás com medo, deixe de ser frouxo Gêmeos acabe com isso e se mata, é o certo a fazer.

Certo? O que é certo? Se para um parece o correto, mas para outro é um crime.

Certo: Exato; sem erros; que não é mentiroso; que exprime a verdade: resultado certo. Seguro; que não suscita dúvidas.

Mas ele nunca sabe o que é de fato inevitável, exato, para ele sempre a duvidas sempre a mais perguntas e perguntas; será que existe algo que não haja duvidas?

Porem nesse momento não a tempo para duvidas. É sim ou não, azul ou vermelho, direita ou esquerda, rápido!

Em meio a pressão de um turbilhão de pensamentos ele olha pela terceira vez para a lagoa a procura de si e pela terceira vez não vê absurdamente nada.

Singular, para sempre sozinho.

Por um minuto ele apaga, caindo na lagoa como quem cai em sua cama, batendo-se contra a água fria, ele abre novamente os olhos vendo um brilho, mostrando que o sol já chegou, olha pares os lados vendo as flores marinhas; ele fecha os olhos novamente; diferente da outra vez, ele não tenta fugir, ele não tem nada a perder.

O ar vai ficando pouco, talvez ele vá para Elíseos um lugar onde as almas dos homens honradas e cheios de virtude são levadas, não, ele não vai, se não, ele não seria Gêmeos Mercúrio, á pessoas que contaram suas historias e a Gêmeos o filho da puta depressivo e ingrato.

Uma lagrima escorre, apenas uma lagrima singular, como ele.

De repente ele se sente puxado d’água e sendo carregado, mas estava tão cansado e sem fôlego que dormiu.

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Gêmeos acorda deitado em um sofá cheio de edredons e com outra roupa, ele olha para os lados tentando descobrir onde estava quando vê Baco sair da cozinha, ele sorri pra o bicolor e diz — que bom que acordo.

Por quanto tempo eu dormi? Diz que foi muito — pergunta o geminiano enquanto passava a mão na nuca e o garoto de cabelos azuis responde: – bom são oito horas então... Acho que por uma hora.

Que merda — murmurou Gêmeos olhando para o chão, Baco vai até o garoto lhe entregando uma caneca com chocolate quente, o taurino se senta ao lado do bicolor e o pergunta — o que aconteceu?

Eu não sei, eu só estava procurando uma fuga, eu vi algumas lembranças antigas e entrei em pânico, falta de ar, palpitação, medo, culpa, eu não sei... — diz Gêmeos olhando para o chão tentando compreender o porquê. Ele ficou em silencio olhando fixamente para o chão tendo pequenos fleches do que aconteceu misturado com as memórias perdidas, cada vez mais rápidas, mais bagunçadas.

Touro Baco pousa a mão no ombro de Gêmeos que sai de seu transe, e o azulado pergunta ainda com a mão em seu ombro — Você esta bem?

Mercúrio olha para Touro vendo sua preocupação, ele olha para a caneca com chocolate quente e diz com m sorriso tremulo — esta tudo bem.

Notas finais
Adeus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!