Loucuras de Verão
10 Guia turístico
Notas iniciais
Bebi mais um pouco do suco de abacaxi, quando Layla entrou na varanda. As refeições eram todas feitas lá. A enorme mesa de mármore da cozinha servia apenas para cozinhar.
— A rainha da virgindade acordou cedo hoje. — Ela falou de bom humor me deixando surpresa.
— Eu vou fazer um city tour. Você. — Comecei a falar mas ela me interrompeu.
— Nem vem aquele salva vidas veio com essa mesma história de city tour pra cima de mim. — Ela negou com a cabeça.
— Qual é o problema com o passeio? É de graça. — Não entendi o drama dela.
— Eu conheço essa cidade desde pequena, não há nada que eu não saiba sobre Alhena. — Ela falava com indiferença.
— Eu acho que você deveria ir, não conhece a cidade e nem sabe quando vai voltar aqui. — A avó dela me apoiou.
— Ótimo, assim eu passo o dia inteiro com o Trevor. — Ela sorriu se animando.
— E eu vou passar o dia inteiro com o salva vidas. — fiz uma expressão de felicidade e apaixonada ao mesmo tempo.
— Eu shippo esse casal. — Ela riu da minha cara.
— Não mesmo — Bebi o resto do suco e levantei. — Boa sorte com o Trevor. É bom que ele seja isso tudo aí mesmo. — Avisei e ela revirou os olhos.
— Ele é melhor que esse seu salva vidas aí. — Ela apontou na minha direção.
— Meu? — Questionei indignada. Me despedi e fui procurar o ônibus do city tour.
Ele estaria na rua principal em frente a praia. Dava uns dois minutos da casa onde eu estava hospedada. Havia uma pequena fila formada na porta do ônibus. A grande maioria eram adultos e idosos. Depois de alguns minutos a fila começou a andar. O salva vidas estava na porta recebendo as pessoas. Ele sorriu assim que notou minha presença.
— Você veio. — Ela parecia feliz de mais.
— Eu vim pelo passeio não por você. — Fui direta.
— Tenho certeza que não vai se arrepender. — Certificou ele.
— Você é o que? Voluntário? — Levantei a sobrancelha curiosa.
— Na verdade sou o guia turístico — Falou convencido.
— Whatever — Disse sem animação e entrei no ônibus.
Escolhi um acento ao lado da janela e em poucos minutos o ônibus partiu em direção ao centro. Observava a paisagem passar rapidamente pela janela. Alhena era uma cidade muito simples. Não havia casas luxuosas nem lojas de marcas. Todo comércio pertencia aos moradores locais.
— Bom dia, meu nome é Ryan. — Falou o salva vidas-Guia turístico. — Estou muito feliz de todos estarem aqui hoje para conhecer um pouco melhor a cidade de Alhena que vai além de praias bonitas, acreditem. — Pela primeira vez Ryan estava sendo simpático. Nem parecia o cara da praia. — Estamos nos aproximando do marco zero da cidade. Foi exatamente aqui onde tudo começou. — Ele falou apontando para um monumento. — Porque antigamente o foco da cidade eram os engenhos de cana de açúcar. Esse território que estamos passando agora eram várias fazendas. Isso se dava ao fato do solo ser muito bom para o plantio da cana de açúcar e além disso essa região é mais árida, nãos chove muito por aqui, por tanto a cana que aqui produzíamos era mais adocicada que em outras regiões mais chuvosas.
O ônibus continuou o seu trajeto, e Ryan continuava a contar a história da cidade.
— A parte onde fica a praia começou a ser explorada aos poucos, primeiro os ricos construíram suas casas de verão por lá, que serviam para passar as férias, mas logo a cidade cresceu chegando até aquela região, fazendo essa parte aqui do centro ficar desvalorizada, dando destaque para os comerciantes montarem seus negócios por aqui. — Contava ele empolgado.
Olhava atentamente para fora da janela não dava pra imaginar que um dia aquela cidade era apenas mato. Agora só tinha algumas árvores espalhadas por ali.
— Bem, vamos fazer um pausa aqui na praça antes de retornamos ao tour. — Ele bateu as mãos uma na outra empolgado. O ônibus estacionou e depois de um tempo todos começaram a descer.
— Está gostando? — Ele perguntou quando me aproximei da porta.
— Não posso negar que é muito interessante — serrei os olhos. — Você é formado na área?
— Sim, fiz um curso técnico de guia de turismo. Essa é a minha área de atuação na prefeitura. — Explicou ele enquanto andávamos pela praça.
— Legal! — Exclamei o deixando surpreso.
— Bem, eu vou comprar água. — Ele apontou para o outro lado da rua e se despediu.
Observei ao redor. Havia uma igreja na praça, típico de cidade pequena. Do outro lado da rua havia uma sorveteria. Um casal estava sentado do lado de fora tomando um milk shake. Uma mulher com um cachorro passou ao meu lado. O céu estava límpido. Inspirei o ar puro e sorri. Aquele era um ótimo lugar para se viver. As pessoas pareciam não se importar com o tempo. Eram calmas, tranquilas.
Fui até a sorveteria e assim que passei pela porta de vidro dei de cara com Ryan sentado no balcão. Me aproximei dele pedindo um casquinha.
— Está me seguindo? — Ele se virou para mim.
— Foi você quem insistiu para eu vim. — Lembrei recebendo meu sorvete.
— Foi — Ele concordou olhando para o nada. Eu continuava tomando meu sorvete.
— Você gosta do seu trabalho? — Perguntei depois de uns minutos de silêncio. — Que dizer, você gosta daqui? Da cidade, do que você faz por ela? — Ele se assustou com a pergunta.
— Sim, eu gosto de mais. Tanto a cidade quanto do meu trabalho. — Falou empolgado.
— Eu to vendo, é o único dia que você está de bom humor. — Provoquei. Eu gostava de irrita-lo. Mas ele não se abalou. Apenas sorriu.
— Hora de voltarmos. — Ele pagou a água agradeceu e depois saiu. Eu fiz o mesmo.
O sol batia em seus cabelos castanhos criando um áurea a sua volta. Ryan não era um anjo, estava longe disso. Mas a visão era hipnótica. Olhei mais uma vez a praça. Um grupo de idosos jogavam xadrez embaixo de uma enorme árvore.
Os turistas vinham em minha direção respirei profundamente acompanhado-os. Eu entrei no ônibus com a certeza de que estava apaixonada.
Pela cidade!
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