ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO XXIII – SURPRESA

Depois da ligação misteriosa que Freddie recebeu de tia Tasha, não perdemos tempo e retornamos para a casa onde estamos nos mantendo escondidos. Eu não conseguia acreditar que finalmente retornaria para Hawkins, para a minha vida. E enquanto arrumava as poucas coisas que haviam sido preparadas por Carly e Gibby para passarmos esse tempo escondidos, noto que a saudade que sentia da família e do meu trabalho era muito maior do que eu havia me dado conta.

Assim que Freddie e eu colocamos as malas na sala, o som de um carro estacionando se faz presente. Nós nos encaramos e é inevitável não sorri com a esperança de finalmente colocar um ponto final nessa loucura que me envolvi desde a morte de meu pai. Ansiosos, apressamos nossos passos para fora de casa e sorrio ao reconhecer Hillary descendo do lado do motorista. Ela estava acompanhada de uma mulher loira que usava boné e óculos escuros, impossibilitando que eu conseguisse ver mais de seu rosto.

— Hillary! – Freddie se apressa em se aproximar da garota, que rapidamente o abraça apertado. – Você está bem?

— É claro que eu estou. Quem você pensa que eu sou? – Brinca a garota, afastando-se do moreno. Ela então se vira para mim e abre um grande sorriso. – Oi Sam! Como você está?

— Oi Hillary. Eu estou bem. E é muito bom saber que você também está. – Comento e logo recebo um abraço caloroso de sua parte. – Obrigada por ter vindo. Eu me sinto mais calma com você por aqui.

— Depois de tudo o que aconteceu, eu não podia perder a volta de vocês para Hawkins. – Responde a morena, sorrindo enquanto se afasta de mim. – Agora, eu quero apresentar uma pessoa muito especial para vocês. Principalmente para você, Sam.

— Para mim? – Questiono confusa, encarando a loira que continuava a se manter afastada com o rosto um pouco escondido. Por algum motivo, o pouco que eu via da garota parecia bastante familiar. Eu sentia que eu a conhecia de algum lugar, mas era difícil reconhecer da forma como ela estava. E então, viro-me para Hillary, buscando mais respostas. – Quem é ela, Hillary? Por que tenho a impressão de que a conheço?

— Por que você não se apresenta? – Hillary se vira para a garota que a acompanhava com um sorriso encorajador. – Eu tenho certeza de que ela vai gostar da notícia.

Observo as duas, tentando entender sobre o que Hillary estava falando. Por algum motivo, eu estava nervosa. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas sentia que era alguma coisa muito importante. Encaro Freddie e ele esboçava aquela expressão como se tentasse se lembrar de onde conhecia aquela pessoa.

— Assim espero. – Responde a garota, falando pela primeira vez desde que chegou. Ela então retira o boné da CIA que ela usava e os óculos escuros. Nossos olhos se encontram e ela sorri daquela mesma forma que eu não vejo há dez anos. – Oi Samy. É muito bom te ver novamente.

— Sara? – Sussurro, sem acreditar no que meus olhos viam. – Como... como isso... isso é possível? Você... o quê?

— Sara... Hopper? – Questiona Freddie, tão surpreso quanto eu. – Mas você não tinha... morrido?

— Oi Freddie. Já faz alguns anos desde a última vez que nos vimos. Você se tornou um homem muito bonito. Nem mesmo se parece com aquele garotinho franzino que era superprotegido pela tia Marissa. – Comenta Sara, com um sorriso nervoso, enquanto brinca com os próprios dedos – uma mania que tinha desde que era criança. Ela respira fundo, tentando se acalmar, e me encara mais uma vez. – Acho que preciso me explicar. Podemos entrar para conversar?

Hillary e Sara nos encaram com expectativa. Eu não sabia como reagir. Minha mente tentava processar o fato de que Sara Hopper, a mesma pessoa que eu vi ser enterrada quando ela tinha apenas treze anos após lutar durante anos contra a leucemia, estava viva e me encarando com tanta ansiedade. Tudo era confuso e irreal demais para conseguir acreditar tão facilmente no que meus olhos viam. De repente, eu já não tinha mais certeza se eu estava acordada ou dentro de um sonho que parecia ser real demais.

— Vamos entrar. – Responde Freddie ao ver que eu era incapaz de dizer qualquer coisa. Ele passa o braço por cima dos meus ombros e me puxa para ir em direção a casa de madeira. – Vem Sam. É melhor nós conversarmos lá dentro. Parece que Sara tem muito o que nos contar.

Por ainda estar atordoada, tudo o que faço é permitir que Freddie me conduzisse, enquanto Sara e Hillary nos seguem. Sento-me no sofá e observo as garotas se acomodarem nas poltronas próximas a mim. Ouço Freddie dizer algo sobre fazer café, mas eu nem mesmo me preocupo em prestar atenção. Permaneço em estado de choque, encarando Sara, ainda perdida na realidade onde eu me encontrava.

A suposta morte de Sara mexeu e muito com a família Barton. Na época ela namorava com Oliver, então foi difícil para o rapaz aceitar a morte da primeira namorada e entrou em uma profunda depressão, isolando-se. Nancy foi outra pessoa que não soube lidar com a morte da melhor amiga e se afastou de nós. Aaron, que também era apaixonado por ela e já era uma pessoa de um terrível temperamento se tornou ainda mais cruel. Damon se envolveu com pessoas erradas e desapareceu.

Tudo aconteceu porque além de sermos jovens demais para aceitarmos a morte precoce de uma das nossas melhores amiga, tia Tasha também foi embora sem dizer adeus e tio Clint se fechou para o mundo, sem conseguir aceitar todos os acontecimentos. Foi um momento sombrio na vida de todos os membros da família Barton, que só voltaram a se reunir e superar aquela fase depois de quase três anos.

— Aqui está o café. – Anuncia Freddie, colocando uma bandeja com as xícaras de café sobre a mesa de centro da sala. Ele entrega uma xícara para cada uma de nós e se senta ao meu lado. – Eu não sei como gostam do café de vocês, mas espero que esteja do agrado de vocês.

— Obrigada, Freddie. Está delicioso. – Afirma Sara, após bebericar um pouco da bebida. Ela suspira e coloca a xícara sobre a mesa de centro novamente. Noto Hillary lançar olhares repreendedores e fazer alguns gestos para que Sara conversasse comigo. A loira suspira mais uma vez e finalmente me encara. – Samy, antes de tudo, eu sinto muito pela morte do tio Kyle. Ele era um homem incrível e...

— Como você pode estar viva? Eu te vi sendo enterrada. Eu... eu chorei sobre o seu caixão, Sara! – Grito, nervosa. Aos poucos, a ficha parecia cair e eu sentia meu corpo tremer em raiva, tristeza, alegria... tudo se misturava de forma intensa e causava uma confusão dentro de meu peito.

— Eu sinto muito, Samy. Você tem todo o direito de estar com raiva de mim, mas eu tive meus motivos para fazer o que fiz. – Responde Sara, dando um fraco sorriso para mim.

— Que motivos, Sara? O que aconteceu realmente? Eu vi o seu corpo sem vida. Como é possível você ter simplesmente ressuscitado? O que foi que você fez? – Questiono, nervosa. Eu sentia minha respiração pesar e era um pouco difícil controlar as minhas emoções.

— Fica calma, Sam. – Sussurra Freddie, preocupado. Ele pega a minha xícara e coloca sobre a mesa, antes de aperta nossas mãos, transmitindo um pouco de apoio naquele momento. Respiro fundo algumas vezes, encarando o rapaz. Seus olhos exibiam aquele brilho acolhedor que me acalmava e me dava forças.

— Como... – Inicio, mas paro de falar, sem saber como colocar em palavras tudo o que eu pensava. Respiro fundo mais uma vez. – O que aconteceu? Como você se tornou uma agente da CIA? Por acaso tia Tasha está envolvida de alguma forma com sua suposta morte?

— Está. – Confessa Sara e eu sinto a dor da traição se intensificar em meu peito. Como a mulher teve coragem de mentir sobre algo tão importante quanto o fato de Sara ainda estar viva? – Mas não da maneira como você está pensando.

— E de que maneira ela está envolvida então? – Pergunto, mantendo o tom de voz calmo, enquanto aperto intensamente a mão de Freddie.

— Quando éramos crianças, durante um dos acampamentos de tio Clint, eu ouvi tia Tasha conversar no telefone com o nosso chefe sobre um programa de experimento que a CIA estava desenvolvendo. O programa consistia em treinar crianças e adolescentes para se tornarem agentes especiais. Eles queriam ver o quanto o desempenho de seus agentes poderia melhorar se eles os desenvolvessem desde a infância e sem contato com amigos e famílias. Basicamente, as crianças precisavam ser consideradas mortas pela sociedade e se tornarem fantasmas. Como alguém que estava prestes a morrer, eu pensei que esse programa pudesse ser a oportunidade perfeita para eu fazer algo de real importância. O problema é que tia Tasha e o chefe dela se negaram a me receber. O programa precisava de crianças e adolescentes saudáveis. Eu estava lutando contra a leucemia há uns cinco anos, então ele sabia que meu corpo estava muito frágil e que eu não aguentaria o treinamento especial naquelas condições.

— Então você resolveu forjar a própria morte e obrigar tia Tasha a te tornar uma agente da CIA? – Pergunto, um pouco incrédula. Ela desvia o olhar e noto que eu não estava tão longe assim da verdade. – Como você fez isso, Sara? Como conseguiu superar um câncer tão severo quanto a leucemia e começar a trabalhar para a CIA? E por que fez isso? Tem noção do quanto nós sofremos com a sua morte? Nós...

— Eu sei. E sinto muito por isso. – Lamenta Sara, interrompendo-me. Ela se levanta e anda até a janela da sala, encarando a paisagem da floresta que nos cercava. Sara então se vira para mim e vejo a determinação em seus olhos. – Mas sendo sincera, eu não me arrependo do que eu fiz. Se eu voltasse no tempo, eu teria pedido a ajuda de tio Clint novamente e entraria para a CIA sem pensar duas vezes.

— Por que escolheu deixar a nossa família? – Questiono, levantando-me.

— Você não imagina o que é crescer ouvindo dos médicos que você morreria antes dos quinze anos. Que não importava o quanto eu quisesse viver, porque havia uma bomba relógio com o cronometro ligado, pronto para explodir e me matar. Não sabe o quão desgastante e doloroso é ter que passar por procedimentos tão agressivos que te faz perder as forças, destrói a sua saúde física e emocional. Meus únicos momentos felizes eram quando nós íamos nos acampamentos do tio Clint, mas a minha realidade torturante retornava todas as vezes em que eu ia para casa. Além de lidar com as consequências do tratamento do câncer, eu tinha que conviver com as brigas insuportáveis de meus pais em casa. Por causa da minha fragilidade, eu não conseguia ir para as aulas e a única amiga que estava sempre comigo era Nancy. Eu sobrevivia a cada dia com uma parte de mim morrendo a cada noite. Eu não aguentava mais essa vida, Sam. Não suportava mais ir dormir sem saber se acordaria no dia seguinte. – Sara se aproxima de mim e pega em meus ombros. – Pode parecer loucura, mas mesmo com todos os problemas, a minha morte também tornou todos mais fortes. Meus pais finalmente seguiram suas vidas e quando a família Barton voltou a se reunir, todos se tornaram ainda mais próximos.

— Como se curou do câncer? – Repito minha pergunta e ela me desvia o olhar. – Sara!

— Da mesma forma como você conseguiu sobreviver após o seu nascimento. – Responde e eu a encaro ainda mais assustada.

— Sara! Isso é sigiloso. Naty não ficará feliz em saber que está revelando essa parte da história. Já não basta ter contado tudo a Barry? Quanto mais pessoas souberem, mais perigo elas correm. – Hillary a repreende, mas Sara parece não se importar.

— Você usou o... Mirakuru? – Sussurro e ela assente. – Mas... isso estava extinto. Como você...?

— Tio Clint. – Explica Sara e eu não demoro a entender que o excêntrico homem estava envolvido muito mais nessa confusão do que eu podia imaginar. – Ele me ajudou a entrar na CIA. E foi ele quem conseguiu realizar o tratamento e me salvar.

— O que é esse Mirakuru? – Pergunta Freddie, confuso. Encaro Sara por alguns instantes antes de me voltar para o rapaz.

— Um soro criado durante a Segunda Guerra Mundial que era capaz de aprimorar a capacidade física humana. Ele serve como uma bomba de nutrição que cura as células doentes e fortifica as saudáveis. No entanto, esse soro possui muitos efeitos colaterais e poucas pessoas resistiam ao uso dele. – Respondo, virando-me para o enfermeiro, que parece surpreso com as informações. – Minha mãe teve uma gravidez bastante complicada e meu nascimento não foi fácil. Ela estava grávida de gêmeas e minha irmã acabou morrendo junto com a minha mãe. Eu também teria morrido se meu pai não tivesse decidido confiar em tio Clint e permitido que ele me desse um pouco desse soro, que ajudou a desenvolver meus pulmões, meu coração e me fez enxergar.

— Você já experimentou algumas vezes da força de Sam, Freddie. O soro a tornou incrivelmente resistente a medicamentos e ela raramente fica doente. O mesmo aconteceu comigo. Ele curou a minha leucemia. Eu tenho certeza que teria morrido a dez anos atrás se não fosse por pelo Mirakuru. – Complementa Sara, voltando a se sentar. — Por causa dos riscos e todos os efeitos colaterais, ele não concordou que o tio Clint usasse o soro em mim. Ele jamais iria se opor ao irmão mais velho, então ele deixou isso de lado. Por isso, depois de minha suposta morte para a sociedade, tio Clint assumiu a responsabilidade por mim e pelo tratamento que foi mantido em sigilo até recentemente.

— E como você forjou a sua própria morte aos treze anos de idade? Eu conheço tia Tasha o suficiente para saber que ela jamais concordaria em ajudar com isso. Então suponho que tio Clint cuidou de todos os detalhes. – Sugiro e ela assente, concordando.

— Ele concordou em me ajudar a entrar no programa da CIA, mas com uma condição. Eu precisava superar dois grandes desafios que seriam as provas necessárias para mostrar ao agente Fury que eu tinha todas as qualidades necessárias para fazer parte da S.H.I.E.L.D. – Explica Sara, enquanto eu me sento com Freddie no sofá. — A primeira exigência do CIA para participar do programa é a criança ou o adolescente se tornar um fantasma para o mundo. Isso significava que eu precisava morrer para família e amigos. Então, se eu conseguisse convencer a todos que eu morri, eu já estaria cumprindo com a primeira exigência do programa. A segunda prova era sobreviver a um estudo de tio Clint que poderia me curar da leucemia. Era um experimento recente e perigoso. Não havia nenhuma prova de que eu sobreviveria e nem sabia quais seriam os efeitos colaterais. Se eu falhasse em qualquer um dos desafios, eu teria que desistir de qualquer forma.

"Na teoria, não foi tão difícil assim forjar a minha própria morte, tendo Clint Barton do seu lado. Ele tem dinheiro, poder, conhecimento e contatos. Tudo o que eu precisei foi das ferramentas corretas e de muita confiança. Então, primeiro eu tive que parar de tomar meus medicamentos para ter uma piora. Depois disso, tio Clint conseguiu a Atropa belladonna, um veneno que se ingeridas em maior quantidade, induz a um sono semelhante à morte. Mas eu só tinha doze horas antes de acordar. E é aí que entra o poder e contatos de tio Clint. Por todos estarem muito abalados com a minha morte, ele tomou conta de todo o velório e sepultamento. Eu morri ao amanhecer e fui enterrada duas horas antes do efeito do medicamento passar. Vinte minutos depois que eu fui enterrada, seus contatos me desenterraram e voltaram a fechar o meu túmulo". — Sara me lança um sorriso confiante e eu nem mesmo sei o que responder.

— Não sei dizer se você foi corajosa ou maluca por usar Beladona para simular a sua morte. – Comenta Freddie e eu o encaro um pouco confusa. – Como ela disse, é um veneno que faz o organismo entrar em uma espécie de hibernação, um modo de economia de energia. O coração bate tão devagar e sua respiração se torna tão fraca que todos acreditam que você morreu. Mas para alguém que estava com a saúde tão frágil, isso foi ainda mais arriscado. Ela realmente poderia ter morrido facilmente.

— Mas o importante é que eu não morri. Logo depois disso, passei pelas outras partes dos desafios do tio Clint. O Mirakuru me curou e eu me tornei a primeiro membro da equipe especial da CIA. Eu sou responsável por cuidar de casos de segurança mundial. – Responde Sara e eu a encaro um pouco confusa.

— Se você é responsável por cuidar de casos especiais que envolvem a segurança mundial, por que você está aqui? – Pergunto e ela sorri, quase como se estivesse orgulhosa de minha pergunta.

— Esse mundo é realmente muito pequeno. – Comenta a loira, cruzando as pernas. – Recentemente descobrimos a ligação do Hawkins National Laboratory com o uso de Mirakuru. Barry se envolveu no caso onde duas pessoas foram mortas com o uso do soro e acabou descobrindo a verdade. Esse laboratório na verdade faz parte de uma grande organização criminosa mundial. Ela está presente em vários países do mundo. E entre os membros dessa organização estão Hugh Greene e Aaron Moon.

— Aaron? – Questiono, surpresa. Ele é um dos membros da família Barton. – Eu sei que o Aaron não vale nada, mas ele ainda é um membro da nossa família. Se envolver em algo assim é como ir diretamente contra tio Clint. Aaron não seria burro o bastante para desafiá-lo dessa forma. E como foi que Hugh se envolveu nessa história?

— Isso ainda está sendo investigado. O fato é que depois da morte de tio Kyle, Beth entrou em contato com a tia Tasha e iniciamos uma investigação sobre Hugh. Descobrimos o envolvimento dele em alguns esquemas perigosos. E foi por isso que eu entrei no caso. Eu vim aqui para garantir que você retorne em segurança para Hawkins. Hugh está foragido, mas acreditamos que será mais fácil proteger você nos Estados Unidos, já que muitas das nossas ações são controladas pelo governo francês. – Explica Sara, voltando a se levantar. – Nós...

— Cuidado! – Grita Freddie, pulando em cima de Sara no momento em alguém atira contra nossa casa. – Todos para o chão!

Assim como dito por Freddie, todos se jogam no chão no mesmo instante em que a casa de madeira é bombardeada de tiros. Sara e Hillary no mesmo instante pegam suas armas e tentam atirar de volta, iniciando a troca de tiros intensas. Freddie se aproxima de mim e me abraça, tentando me proteger dos tiros.

— Freddie, Sam! Estejam prontos para correr para o carro quando eu mandar. – Avisa Sara, recarregando as suas armas no momento em que os tiros se cessam. – Hillary.

— Sim! – Responde a outra garota, trocando olhares com Sara. Hillary então joga as chaves de seu carro para Freddie. – O carro é blindado. Dentro dele há uma bolsa com os passaportes e as passagens de vocês. Sigam para o aeroporto. Nós em breve os alcançaremos.

E assim quando recebemos o sinal de Sara, abrimos a porta da sala e corremos para o carro das garotas, enquanto a troca de tiros se reiniciou. Entramos no carro o mais rápido que conseguimos e Freddie acelera em direção ao aeroporto. E naquele momento percebi que a paz que eu tanto desejava poderia estar longe de acontecer.