Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Estou de volta com mais um capítulo. Vocês não imaginam o quanto eu fiquei feliz pelos comentários maravilhosos que recebi no capítulo passado. Muito obrigada Samantha, AndreaNeves e thais oliveira! Vocês são incríveis! E antes que eu me esqueça, preciso avisar que todo o diálogo que estiver em itálico é que está sendo conversado em francês. Enfim, boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO II — REENCONTRO

— Bom dia. – Cumprimento Carly, entrando na pequena sala de descanso do Troubled Waters Mental Hospital. Mais uma segunda-feira havia começado e com ela todo a preguiça e o desanimo me invadiam. Bocejo um pouco e vou até o armário para pegar a minha caneca. Eu precisava urgente de café para despertar por completo.

— Só se for para você. – Resmunga Carly, deitando o corpo sobre a mesa, enquanto afasta sua caneca de café. Rio de seu mal humor matinal e a expressão cansada, que eu sabia se tratar de uma forte ressaca.

— Eu avisei que não valia a pena ir a uma festa em pleno domingo. – Provoco e ela me lança um olhar nada amigável. Caminho até a cafeteira e coloco um pouco em minha caneca. – Onde está o Gibby?

— Provavelmente na casa de alguma mulher que ele nem mesmo se lembra o nome. – Resmunga a garota e logo entendo o principalmente motivo de seu estado deprimente.

Carly e eu nos conhecemos desde crianças. Estudamos juntos desde o jardim de infância e nunca mais nos separamos. Felizmente, um pouco depois de conseguir o emprego no melhor manicômio de Paris, pude indicá-la para trabalhar como psicóloga, que, com seu excelente currículo, não demorou muito a ser chamada.

E assim que colocou seus pés no Troubled Waters Mental Hospital e acabou se envolvendo em um acidente bobo envolvendo café, piso escorregadio e Gibby Gibson, um dos poucos enfermeiros estado-unidense do hospital psiquiátrico, ela acabou se apaixonando pelo rapaz. O grande problema é que por mais divertido e boa pessoa que ele seja, Gibby também é extremamente mulherengo.

— Deveria contar a ele como se sente. – Aconselho, sentando-me de frente para a garota, que bufa e esconde o rosto entre os braços. – Ainda que não seja correspondida, essa é a melhor forma de se livrar desse sentimento.

— Você é sempre tão gentil. – Murmura com ironia, enquanto eu bebo meu café. Ela levanta a cabeça e suspira, entristecida. – Esquece isso. Eu não vou contar para ele.

— Contar o que para quem? – Gibby de repente surge na sala com um grande sorriso estampando seu rosto. – Bom dia, meus lindos e amados amigos. O dia não está bonito?

— Bom dia. Quanto bom humor. – Comento, rindo. Fazemos o toque idiota que criamos e trocamos risos divertidos. Ele segue para a cafeteira, pegando um pouco de café. Carly bufa e volta a abaixar a cabeça, visivelmente incomodada. – Poderia nos dizer o motivo de tanta felicidade em plena seis horas da manhã de uma segunda-feira?

— Cara, a noite de ontem foi incrível! Você perdeu a melhor festa de Paris! – Conta Gibby, sentando-se ao lado de Carly.

— Nem foi grande coisa assim. – Retruca minha melhor amiga e Gibby ri, enquanto encara a garota com incredulidade.

— Fale por você mesma. Aquela festa foi insana! Tinha tanta mulher bonita que eu me sentia no paraíso. Foi surreal. Eu acho que nunca beijei tanto em uma noite como ontem. E o melhor é que eu consegui ir para casa de uma gata que... uau, ela era incrível. – Gibby suspira, sorrindo como bobo. Encaro discretamente Carly, que simplesmente volta a beber seu café. Vejo seus olhos brilharem com tristeza e de repente me sinto culpado por ter recusado ir com eles a essa festa. Conhecendo Gibby, ele bebeu demais e acabou deixando a garota de lado para ir a caçada, como ele mesmo dizia. – Você devia ter ido.

— Devia mesmo. Talvez assim eu não tivesse ficado sozinha. – Fala Carly e Gibby lança um sorriso envergonhado para a garota.

— Bom, vocês sabem muito bem que eu não gosto de ir a festas. Eu sempre me sinto deslocado. Além disso, eu preciso das minhas preciosas oito horas de sono para conseguir trabalhar bem no dia seguinte. – Respondo, dando de ombros e eles me lançam sorriso irônicos. – Podem dizer o que vocês quiserem, mas eu não me arrependo de não ter ido. Enquanto vocês estão aí sofrendo com a ressaca, eu estou descansado e pronto para mais uma semana intensa de trabalho.

— Você é tão certinho que às vezes chega a ser irritante. Por que eu sou seu amigo mesmo? – Brinca Gibby, pegando um donut que estava sobre a mesa. Dou de ombros e termino de beber meu café.

— Eu sempre digo que ele tem que aproveitar mais a vida. – Comenta Carly, colocando o rosto sobre o punho com o cotovelo apoiado na mesa. – Você nunca se arrisca. Parece um velho de noventa anos perto da morte.

— Isso não é verdade. Eu me arrisco sim. – Digo e meus melhores amigos riem, como se eu tivesse acabado de contar uma piada. – É verdade.

— A única vez na vida que você se arriscou foi quando transou com uma desconhecida no banheiro de um avião. – Aponta Carly, fazendo Gibby ri.

— Toda vez que eu lembro dessa história, eu não consigo não rir. Ele é tão ingênuo que só se tocou que a garota queria transar com ele quando ela o beijou. – Comenta Gibby, gargalhando. Carly também ri e eu bufo, sem poder retrucar os comentários irritantes de meus amigos.

— Se eu encontrar essa garota, preciso agradecer a ela por termos pelo menos essa história divertida para contar do Freddie, porque se fosse depender dele, o maior risco que ele correu foi sair de casa sem a carteira dele. – Provoca Carly, sorrindo divertida.

— Você não estava de mal humor? Por que não volta a reclamar da segunda-feira e de como foi deixada para trás por Gibby ao invés de pegar no meu pé? – Respondo, irritado. Mas ao contrário do que eu planejava, isso só faz os dois idiotas rirem ainda mais.

— Você falou certo. Eu estava. Mas é sempre tão divertido te tirar do sério, que nem mesmo me importo por não ter dormido nada essa noite. – Carly me lança um olhar divertido, pegando um donut da caixa. Ela morde e suspira, apreciando o doce. Reviro os olhos e sigo até a pia da sala para lavar minha caneca.

— Bom dia. Freddie, o diretor quer você na sala dele agora mesmo. — Avisa Hector com seu forte sotaque francês interiorano. Troco rápido olhares com Gibby e Carly, imaginando o que o diretor queria tão cedo comigo.

— Obrigado, Hector. Você sabe sobre o que ele quer conversar comigo? – Respondo e ele balança a cabeça, negando. – Certo. Obrigado.

— Boa sorte. – Deseja Gibby e eu suspiro.

— Obrigado. – Agradeço, colocando minha caneca de volta no armário. – Eu vou precisar.

Sigo para a sala do diretor, temendo nossa conversa. Louis Leblanc, assim como eu, é um franco-americano bastante misterioso. Ninguém sabia muito sobre a sua vida além de que sua mãe era francesa e o pai nasceu Chicago. De todo modo, os boatos que circulavam pelo hospital psiquiátrico era que ele era um homem perigoso e que era melhor não desafiar sua autoridade. E nas poucas vezes em que tive contato com o homem, eu realmente senti que ele era alguém com o qual eu jamais gostaria de ter a atenção, fosse ela positiva ou negativa.

E assim que chego em sua sala, respiro fundo para tentar me acalmar e arrumo meu uniforme. Cumprimento dois enfermeiros franceses que passavam por mim e finalmente crio coragem para bater na porta do diretor. Por algum motivo, eu estava nervoso. Algo dentro de mim me dizia que essa conversa me traria grandes mudanças.

— Entre. — Dita o diretor com seu tom de voz frio. Abro a porta e o encontro sentado em sua mesa, mexendo em alguns documentos. Ele levanta o rosto e seus olhos negros me encaram com intensidade. Observo-o, um pouco intimidado. – Fredward Benson.

— Bom dia, senhor Leblanc. Hector me disse que gostaria de falar comigo. – Digo e ele assente. Assim como Carly e Gibby, o diretor era uma das poucas pessoas com quem eu conversava em inglês no hospital.

— Sim. Entre por favor. – Pede, enquanto organiza a papelada que estava em sua mesa. Ele então faz sinal para que eu me sentasse de frente para ele. Faço o que ele pede e o observo, um pouco intimidado. O diretor então me estende um envelope pardo, que imaginei ser o prontuário de algum paciente. – Esse será seu novo desafio.

— Meu novo desafio? – Repito, confuso, enquanto abro o envelope. Retiro os papéis que estavam dentro dele e confirmo as minhas suspeitas de ser um prontuário. No entanto, antes que eu lesse a ficha do paciente, volto minha atenção ao diretor do hospital. – O que quer dizer com isso, senhor?

— Você fez um excelente trabalho com Thomas Laurent mês passado. Ele era um dos nossos pacientes mais violentos e você conseguiu ser o único a dar os medicamentos a ele e a ganhar sua confiança. – Começa o diretor, dando um meio sorriso.

— Obrigado, senhor. – Agradeço, ainda ansioso.

— E é por isso que eu quero que você pessoalmente cuide de um caso complicado. – O diretor parece hesitante. – Essa paciente chegou ontem e tivemos problemas para medicá-la. Ela é tão agressiva que enviou três dos meus enfermeiros mais fortes para o hospital. Aparentemente, ela odeia comprimidos e por isso ninguém conseguiu fazer com que ela tomasse os medicamentos e até mesmo os sedativos parecem não surtir tanto efeito com ela.

— Isso é... surpreendente. – Comento, um pouco assustado com as informações do diretor sobre essa nova paciente. – Eu não sei se... eu sou mesmo a pessoa adequada para lidar com essa paciente. Mesmo tendo sucesso com o Thomas, ele não era tão agressivo assim. E eu também não tenho tanta experiência assim. Talvez Gibby ou Martin sejam mais adequados para lidar com essa paciente.

— Não se preocupe, Fredward. Eu tenho certeza de que você vai se sair muito bem. Esse caso é bastante especial e sei que você é um homem de confiança. Além disso, nossa paciente veio de sua cidade natal. Talvez isso possa fazê-la ficar um pouco mais calma. – Revela Louis e isso acaba fazendo eu voltar a minha atenção para o prontuário em minhas mãos.

Passo a capa do prontuário e meus olhos recaem sobre o nome da paciente. Surpreendo-me ao reconhecer o nome presente na ficha. Mesmo que se tenha passado quase dez anos desde a última vez que nos vimos, eu ainda mantinha aquele nome bem vivo em minha mente. Samantha Joy Puckett, também conhecida como o demônio loiro que infernizou a minha vida desde o primário até o fundamental.

— Samantha Puckett. – Sussurro, sentindo um frio subir minha espinha. – Isso só pode ser brincadeira.

— Algum problema, Fredward? – Questiona o diretor e eu o encaro com um sorriso sem graça. Respiro fundo e balanço a cabeça, negando. Eu precisava ser profissional. Aquele não era o momento para o meu eu adolescente de anos atrás dar as caras.

— Não, senhor. – Respondo, voltando minha atenção para a ficha da Puckett. Estranho a falta de informações no relatório como sua foto e os motivos de sua internação. – Desculpe, senhor, mas o relatório da paciente está incompleto. Aqui não está informando o estado clínico ou possíveis acontecimentos que poderiam ter ocasionado a atual situação da paciente. Eu preciso dessa descrição para saber quais os procedimentos devo adotar.

— Essas informações não são necessárias. – Responde o homem, exibindo um olhar perigoso. — Tudo o que precisa saber é o que está descrito no prontuário da paciente.

A reação do homem deixa claro que esse assunto não estava aberto a discussão. Carly já havia comentado algumas vezes sobre a ter quase certeza de que o Troubled Waters Mental Hospital esconde segredos perigosos. E o seu principal argumento era a presença de pacientes que não necessitavam de internação, sendo obrigados a permanecer isolados dos outros pacientes. Agora, diante de um evidente caso suspeito, eu começava a entender o que minha melhor amiga queria dizer.

— Tudo bem, senhor. – Concordo, sabendo que não adiantaria discutir com o homem e, para a minha surpresa, eu estava preocupado com a demônio loiro. Se eu quisesse conferir com os meus próprios olhos o que levou a garota a ser internada em um hospital psiquiátrico à seis mil, setecentos e cinco quilômetros de distância, precisava colaborar com o diretor do manicômio. – O senhor tem razão. Lamento pela minha petulância. Prometo ser mais cauteloso de agora em diante.

— Excelente. Agora vamos. Eu irei apresentá-la pessoalmente a você. – Responde o homem, apresentando uma expressão mais amena. Ele se levanta e faz sinal para que eu o acompanhasse.

Ainda incomodado com a situação, sigo o diretor pelos corredores do hospital. Cumprimento alguns pacientes e profissionais, sem realmente prestar atenção nas pessoas que falavam comigo. Minha mente trabalhava intensamente, criando teorias que explicassem o que estava acontecendo e como Sam tinha ido parar no Troubled Waters.

De repente, gritos femininos abafados ecoam pelo corredor. Encaro o diretor com preocupação e ele suspira, mostrando que aquela era uma das pacientes mais trabalhosas com quem ele já tinha lidado. E então, os momentos que vivi sendo o saco de pancadas de Sam voltam em minha mente e sinto meu estômago se revirar de ansiedade.

“Fica calmo, Freddie. Ela provavelmente nem lembra mais de você. Quer dizer, a última vez que vocês se viram foi no aniversário de sua prima Elena a nove anos atrás. Basta fingir que vocês não se conhecem. Vai ser fácil!” – Penso comigo mesmo, tentando me acalmar e ter uma visão mais positiva dessa situação. Definitivamente não tinha como isso ficar pior.

E então o diretor para de andar e se vira para a porta com grades da ala dos pacientes mais agressivos. Os gritos se tornam mais altos e é possível ouvir o som de objetos metálicos indo ao chão. As vozes de Troy, Jules e Hugo se misturam a confusão do que deveria estar acontecendo naquele quarto.

— Como pode ver, não estar sendo fácil controlar a srta. Puckett. – Comenta o sr. Leblanc e eu preciso controlar o impulso de comentar que nem precisava abrir a porta para saber que os três enfermeiros mais experientes do hospital estavam longe de controlar a demônio loiro. – Mas tenho confiança de que você conseguirá acalmá-la.

— Assim espero, senhor. – Comento, incerto de que realmente poderia controlar a garota.

O diretor do hospital me dá duas batidinhas em meus ombros, em um incentivo, e abre a porta. E se eu achava que os enfermeiros estavam sofrendo para conter a garota, assim que tenho a visão completa do quarto, vejo que sofrimento era eufemismo para o que os três homens passavam na mão da paciente.

A cena do quarto mais se assemelhava a um filme de guerra. O lugar estava uma verdadeira bagunça, com lençóis, medicamentos, bandejas com equipamentos de segurança e outros objetos quebrados espalhados pelo chão. Mas aquilo não era nada comparado ao que a Puckett fazia contra os enfermeiros que a acompanhavam.

A garota estava com os braços presos a algemas na cama e ainda assim, conseguia asfixiar Troy com as pernas em volta de seu pescoço, balançando-o intensamente. Jules tentava soltar o colega de trabalho, mas também acabava sendo vítima dos movimentos violentos da paciente. Hugo estava com a mão sobre o nariz, que sangrava excessivamente, gritando que não aguentava mais.

— Me tirem daqui! – Grita a garota, completamente fora de controle. – Eu não deveria estar aqui!

— Ajudem-me, por favor! – Implora Troy, começando a ficar roxo. Ele também já estava com o nariz sangrando e a bochecha machucada.

— Mas o que está acontecendo aqui? – Questiona o diretor em francês, tentando chamar a atenção, mas sua presença não é o bastante para fazer Samantha parar de atacar os enfermeiros.

— Eu não aguento mais! — Grita Hugo, correndo para fora do quarto como se estivesse fugindo de um monstro.

— Falem a minha língua! – Exige a paciente e eu estava começando a achar que eu deveria seguir o exemplo de Hugo e correr para longe daquele lugar.

— Solte-o! O que você está fazendo? Você vai matá-lo! – Grita Jules, preocupado com o estado do amigo, que estava começando a perder a enfraquecer.

— Precisa fazer alguma coisa! – Fala o diretor, encarando-me com seriedade.

— Hã... certo. – Sussurro, completamente perdido. O que eu poderia fazer com aquela mulher surtada que tinha derrubado três enfermeiros que tinham pelo menos meio metro há mais que eu? Respiro fundo e me aproximo com cautela. Assim que alcanço a cama em que a garota estava, afasto Jules e finalmente encaro a paciente. No entanto, se eu achava que não poderia piorar, eu realmente estava ingenuamente enganado. – Samantha... Puckett?

Ao ouvir minha voz, ela para de se debater e seus olhos azuis se encontram com os meus. Incrédula, ela finalmente solta Troy, que rapidamente corre em direção a Jules, tentando recuperar o fôlego. Nós nos encarávamos com os olhos arregalados e as bocas balbuciando sons desconexos, simplesmente porque não conseguíamos acreditar no que o destino havia aprontado contra nós.

Eu sentia meu corpo inteiro em inércia e minha mente em branco. Mesmo temeroso, eu estava pronto para encontrar uma das melhores amigas de minha prima e pesadelo de infância, mas não a garota que não saía de minha cabeça e me fazia ter sonhos inapropriados desde que transamos no banheiro do avião a seis meses atrás.

— Nerd gostoso do avião? – Sussurra a loira, abrindo e fechando os olhos várias vezes, como se não conseguisse acreditar no que via.

— Você é realmente Sam Puckett, demônio loiro, que me infernizou a infância inteira, e a mesma maluca com quem eu transei no avião? – Questiono apenas para que nós dois ouvíssemos. Eu ainda não queria que o diretor soubesse que nós nos conhecíamos. Pelo menos, não até eu descobrir o que estava acontecendo.

— Pelo menos aprendeu a falar a palavra transar. – Provoca com um sorriso malicioso. No entanto, não demora muito para que ela assuma uma expressão confusa. – Mas, espera. Você... disse que eu te infernizei na infância? Quem é você?

Noto que éramos encarados pelos enfermeiros e o diretor do hospital. Felizmente, eles temiam demais a garota para se aproximarem e falávamos baixo o suficiente para que somente nós dois ouvíssemos a conversa. Respiro fundo, tentando me acalmar.

— Apenas fique quieta. – Sussurro para a garota, que parece ficar irritada com o meu pedido, mas o acata ao ver o diretor do hospital se aproximar.

— Eu sabia que você era bom para acalmar as pessoas, mas estou impressionado, Fredward. – Comenta o sr. Leblanc, sorrindo com satisfação. Ele se vira para os dois enfermeiros que se tremiam e pareciam bastante assustados. – Vocês podem ir descansar. Fredward cuidará do resto.

— Sim, senhor! – Respondem os homens, indo imediatamente para fora do quarto.

— Fredward? – Repete Sam, parecendo se recordar de alguma coisa. Lanço um olhar desesperado para a garota, fazendo sinal para que ela não dissesse nada. Felizmente, a loira parece entender o que eu queria, e força um sorriso. – Que tipo de nome é esse?

— Vejo que está muito mais calma, srta. Puckett. – O sr. Leblanc tenta dar um sorriso amigável, mas Sam permanece me encarando intensamente. – Esse é o nosso jovem enfermeiro, Fredward Benson. Ele será responsável por cuidar de você e atender a todas as suas necessidades durante sua permanência no Troubled Waters Mental Hospital.

— Fredward... Benson? – Sussurra Sam com os olhos levemente arregalados.

— Bom, agora que vocês se conhecem, eu os deixarei sozinhos. Pedirei para que alguém venha limpar o quarto. – Avisa o diretor do hospital, dando um sorriso contido. Ele então se vira para mim e seus olhos exibem um brilho perigoso. – Cuide para que ataques como esses não se repitam.

— Sim, sr. Leblanc. Farei o meu melhor. – Respondo, enquanto permaneço com os olhos sobre Sam. Ela me encara assustada, mas parece ainda mais confusa por não entender o que eu dizia.

O homem de cabelos e olhos tenebrosos, nos encara mais uma vez, antes de sorri polidamente e deixar o quarto. Minha atenção volta para Samantha, que continuava a me encarar como se eu fosse alguma alucinação ou um ser não identificado. Aproveito os instantes de calmaria para observá-la melhor.

Ela estava com o olho direito roxo, algumas escoriações pelo bonito rosto, provavelmente resultado de alguma briga recente na qual havia se envolvido. Nesse instante, lembro-me de como Samantha conseguia enganar a todos com a sua aparência angelical ainda quando criança.

Ninguém imaginava que por detrás dos olhos azuis cristalinos, o sorriso doce e os cabelos ondulados loiros angelicais existisse um ser demoníaco pronto para transformar a vida de quem ela não gostasse em um inferno. Engulo em seco e respiro algumas vezes, tentando não enlouquecer com o fato de que transei com a pessoa que eu jurei odiar até os últimos dias da minha vida, sem nem mesmo saber que era ela.

— Freddie Benson. Isso só pode ser alguma espécie de brincadeira de mal gosto. – Sussurra Sam, atordoada. Por mais alguns instantes, permanecemos em silêncio. Até que ela respira fundo e morde o lábio inferior antes de me encarar em desespero. – De qualquer forma, eu não tenho tempo para isso. Você precisa me tirar daqui antes que seja tarde demais.

Notas finais
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