Loucuras de Agosto

5 Investigação


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Tudo bem com vocês? Estão se divertindo com a história? Espero de verdade que sim. O capítulo de hoje foi mais paradinho e calmo. No entanto, prometo que no próximo iremos nos divertir. Ah, e não se esqueçam que os diálogos em itálico são em francês. Muito obrigada Samantha, Mari e thais oliveira pelos comentários no capítulo passado. Vocês são incríveis! Boa leitura..

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO IV — INVESTIGAÇÃO

Eu me sentia completamente perdido. Depois de passar horas pensando no que eu faria a respeito de Sam, eu não sabia o que fazer. Estranhamente, eu acreditava em sua história maluca, digna de Oscar pelo enredo bem desenvolvido. No entanto, por mais que eu tentasse ignorar aquela demônio loiro, eu simplesmente não conseguia. Para a minha surpresa, eu estava realmente ponderando em ajudá-la a sair do Troubled Waters.

Ainda assim, a minha parte mais racional insistia em me fazer hesitar sobre essa loucura. Eu sabia que precisava investigar a veracidade da história de Sam antes de colocar em risco a minha carreira e acabar sujando minha ficha criminal. E é exatamente por isso que assim que eu consegui um intervalo em meio a correria do trabalho, não perco tempo em ligar para a única pessoa que poderia ter as respostas para as minhas dúvidas.

— Finalmente lembrou que você tem uma prima, Fredward Karl Benson? – A voz carregada de ironia de minha prima ecoa pelo telefone trazendo um sorriso divertido em meus lábios.

— Deixa de ser exagerada, Elena Gilbert. Eu conversei com você semana passada. – Respondo, encarando o bonito céu aquarelado de Paris. O sol estava começando a se pôr e junto dele um belo cenário se fazia presente na capital francesa.

— Errado. Você me deixou no vácuo semana passada e nunca mais apareceu. – Retruca, dando um falso suspiro decepcionado.

— Eu deixei? – Questiono, confuso. – Mas eu jurava que tinha respondido à sua pergunta. Acho que respondi mentalmente e esqueci de te enviar a resposta por mensagem.

— Eu tenho muitos dons nessa vida, Freddie. Eu sou linda, inteligente, teimosa, excelente dançarina, canto e toco violão muito bem, sou divertida e uma prima incrível, mas infelizmente, eu ainda não adquiri o poder de ler mente. – Bufa a garota, fazendo com que eu acabasse rindo de sua loucura. — O que eu fiz para merecer primos assim? De um lado eu tenho Barry com sua lerdeza e sua incrível capacidade de se meter em problemas. Do outro, eu tenho você com sua indiferença e falta de amor pela minha pessoal.

— Acrescente o dom do drama e da atuação na sua extensa lista de dons. – Respondo e ela ri, divertida. — E você não pode falar nada sobre a capacidade de Barry de se meter em problemas. Você é uma Barton. Estar envolvido em problemas é o que tornam vocês tão únicos.

— Eu sou uma Barton com muito orgulho. E pode ser que você esteja certo, mas nada me impede de me irritar com vocês. – Argumenta e eu quase posso ver a garota dando de ombros e sorrindo como se estivesse coberta de razão. Rio de seu comportamento. — De qualquer forma, eu posso confirmar a sua presença no casamento da minha mãe ou eu vou ter que colocar a mensagem do sobrinho e primo ingrato que você é no livro de recados do casamento?

— É claro que eu vou. Acha mesmo que eu perderia a chance de ver tia Isobel se casando com o pai do amor da sua vida? Estou ansioso para ver a você tentando disfarçar que não está namorando com Damon. Obviamente, estou prevendo que isso será perda de tempo, já que vocês estão longe de ser discretos e provavelmente todo mundo já terá descoberto o relacionamento de vocês quando o casamento acontecer. – Provoco e ela bufa, mas logo ri.

Elena e Damon eram o casal improvável mais provável de acontecer. Eles se conhecem desde que nasceram e cresceram como membros do que eles chamam de família Barton, que segundo minha prima, é uma família ligada por uma conexão muito mais forte que laços sanguíneos. Aparentemente, eles possuem uma ligação inexplicável e que os une de uma forma na qual eles jamais se separam.

Ainda que todos soubessem que todo o ódio que minha prima e o Damon cultivam um pelo outro desde criança não passasse de amor reprimido, foi necessário que o pai de Damon se casasse com a mãe de Elena e eles fossem obrigados a conviverem juntos para que eles finalmente aceitassem seus sentimentos.

Infelizmente, essa relação provavelmente não seria bem vista pelos pais e pela sociedade, por isso, Damon e Elena tentavam esconder ao máximo seu relacionamento. O único problema é que eles são incrivelmente intensos e impulsivos, então eu sabia que era apenas questão de tempo até que seu relacionamento viesse à tona.

— Para. Você mesmo acabou de dizer que eu sou uma ótima atriz. Damon e eu vamos conseguir ser discretos. – Responde Elena e eu acabo rindo, achando graça de sua ingenuidade.

— Discreto é uma palavra que não existe no vocabulário de vocês. – Afirmo, apoiando minhas costas no banco onde eu estava sentado e jogo minha cabeça para trás, fechando os olhos para sentir a brisa suave que batia em meu rosto. Agosto havia chegado e trouxe com ele o intenso e insuportável verão parisiense.

— De qualquer forma, fala logo o que você quer comigo. Tenho certeza de que você não ligou apenas para ouvir a minha bela voz. Eu te conheço muito bem para saber quando você quer alguma coisa. – Fala Elena, com um misto de curiosidade e preocupação. – O que aconteceu?

Pondero sobre conversar com minha prima sobre Sam. De todas as pessoas com quem mais tenho contato, Elena é a que conhecem melhor a demônio loiro, afinal, Sam também faz parte da família Barton e convive com minha prima desde que nasceu. Se havia uma pessoa que poderia tirar as minhas dúvidas sobre Samantha, definitivamente era Elena. No entanto, ainda havia uma parte de mim que hesitava falar a respeito da loira.

— Freddie? Ainda está aí?

— Estou. – Respondo, suspirando em seguida. – Elena, você ainda tem contato com a Samantha Puckett?

— Sammy? Sim. Eu tenho. Quer dizer, pelo menos eu estava tendo até o tio dela aparece com o rosto todo machucado, dizendo que Sam havia surtado de vez e a enviado para uma clínica psiquiátrica para que ela pudesse aprender a controlar a raiva dela durante o velório de tio Kyle. – Comenta minha prima, melancólica. – Nossa, Freddie, foi terrível. Se você precisava ver como Sammy e Beth estavam desoladas. Eu acabei também me lembrando do enterro do meu pai e do seu pai. Foi muito desgastante e perturbador.

— A Sam bateu no próprio tio? – Questiono, fingindo estar surpreso com a informação. Por hora, eu deixaria a presença de Sam no Troubled Waters em sigilo. – Bom, ela sempre foi violenta, então nem mesmo me surpreendo com esse tipo de atitude.

— Na verdade, foi surpreendente e satisfatório. Diferente da Sam que você conviveu quando criança, ela amadureceu muito. Desde que namorou com Damon, ela passou a ser mais calma e parou de implicar tanto com as pessoas. – Responde, surpreendendo-me.

— Espera. Sam Puckett namorou com o seu Damon? Quando foi que isso aconteceu? – Pergunto, incrédulo.

— Ah, isso aconteceu alguns meses depois que você foi para a escola de nerd em Seattle. Mas o relacionamento deles não durou muito tempo e hoje eles são como melhores amigos. O mais interessante é que depois disso, Sam se tornou uma pessoa mais responsável, mesmo que ainda não levasse a escola tão à sério. Ela se formou em Administração e durante a faculdade passou a trabalhar na empresa do tio Kyle. Sammy se tornou uma mulher incrível. Ela tem uma desenvoltura impressionante para vendas. É perspicaz e sabe usar bem argumentos a seu favor. Por isso, as Corporações Puckett cresceram tanto nos últimos dois anos. – Explica Elena, usando seu tom orgulhoso ao falar sobre a prima de consideração. Ela então suspira e parece preocupada. – Eu realmente gostaria de saber onde Hugh a colocou. Aposto que ele fez alguma coisa para tirar a Sammy do sério só para aprontar alguma coisa contra ela.

— Ele é tão ruim assim? – Questiono, relembrando das palavras de Sam sobre o tio ter sido o responsável pela morte de seu pai.

— É difícil de explicar. A verdade é que eu nunca fui muito com a cara do Hugh. A forma como ele parece manipular as pessoas sempre me fez duvidar do caráter dele. E isso só me faz pensar que internar Sam foi apenas uma jogada dele para mantê-la longe. Ainda mais agora que a pessoa mais provável a assumir a presidência da empresa era a Sam. – Conta minha prima, pensativa. – Eu tenho quase certeza de que ele está escondendo alguma coisa. Por qual outro motivo ele manteria segredo sobre onde internou Sammy? Provavelmente está com medo de que a gente descubra algo que a Sam saiba ou deseja aumentar suas chances de se tornar o presidente da empresa, agora que tio Kyle faleceu.

— Como foi que o pai da Sam morreu mesmo? – Pergunto, sentindo que precisava ouvir de outra pessoa que eu não estava ficando louco por acreditar na história surpreendente de Sam.

— Segundo os médicos e a polícia, a causa da morte foi suicídio por overdose medicamentosa. Mas sendo sincera, eu não acho que a morte dele tenha sido mesmo suicídio. Tio Kyle amava viver e odiava remédios assim como Sam. Eu lembro que ele tinha muita dificuldade para engolir comprimidos. Então, se formos ser racionais, por que ele escolheria morrer por ingerir os medicamentos que ele sempre parecia querer vomitar quando colocava na boca? Não faz o menor sentido. – Conta minha prima, suspirando frustrada.

— Entendi. – Respondo, pensativo. Suspiro e nesse momento meu relógio começa a apitar, indicando que meu horário de descanso tinha acabado. – Leninha, eu preciso voltar ao trabalho.

— Tudo bem. Não desapareça e trate de me responder. Depois que quero saber o motivo de tanta curiosidade para saber sobre a Sammy. – Fala Elena, sem disfarçar o tom malicioso em sua voz. Suspiro e ela ri. – Isso mesmo Freddie Benson. Não pense que escapou de nossa conversa. Você sabe que eu não vou te deixar em paz até descobrir a verdade.

— Eu sei do que você está falando. – Digo, nervoso.

— Freddie...

— Tchau, Elena. – Despeço-me de minha prima, sem dar chances para que ela me deixasse ainda mais envergonhado.

Respiro fundo e guardo o celular em meu bolso. Eu precisava conferir como Sam estava e dar seus medicamentos. Por isso, olho pela última vez para o bonito céu do entardecer da capital luz, antes de retornar para o hospital, onde passo por todo o sistema de segurança dele até que minha passagem fosse autorizada pelos seguranças.

Observo alguns pacientes espalhados pelo hospital, aproveitando o tempo livre antes do jantar para interagir e realizarem atividades que os divertiam. Esse era um dos poucos momentos em que eles tinham liberdade para conversar com os outros sem que os enfermeiros estivessem em cima deles, tentando controlá-los.

Cumprimento alguns pacientes com sorrisos gentis e palavras de carinho, sabendo o quanto era importante para eles esse tipo de postura. A grande maioria dos enfermos internados nesse hospital possuíam um histórico de abandono e dificilmente receberam o amor da família. Por causa disso, por menor e mais simples que fosse o contato social que tínhamos com os pacientes, eles acabavam vendo nos enfermeiros que cuidavam deles a figura familiar que nunca tiveram presente.

Enquanto seguia para a farmácia do Troubled Waters Mental Hospital para separar os medicamentos de Sam e dos outros pacientes que cuido, ouço vozes alteradas no corredor do hospital. Conforme me aproximava, mais alta a discussão ficava. Surpreendo-me ao reconhecer a voz de Gibby entre as três vozes que ecoavam de forma fervorosa pelo local.

— Não se meta onde não foi chamado, Gibson. — Responde Gerard, um dos enfermeiros franceses mais intragáveis do hospital, rispidamente.

— Eu não vou permitir que você machuque os pacientes, Gerard! — Afirma Gibby, quase avançando contra nosso colega de trabalho. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas apresso meus passos, sabendo que precisava intervir naquela briga.

— Não. Não. Não. Ruim. Não. Não pode. Ruim. Malvado. Muito ruim. — Nesse momento, noto a presença de Richard, um paciente de quem cuido desde que entrei no hospital. Ele estava completamente atordoado e parecia prestes a chorar, enquanto colocava as mãos nos ouvidos para não ouvir os gritos dos dois enfermeiros.

Richard odiava barulhos altos e isso sempre o deixava agitado. Isso se devia tanto ao trauma desenvolvido por conviver em um ambiente hostil de irmãos que viviam brigando pela herança bilionária de seus pais na qual ele havia se tornado o principal herdeiro, em uma tentativa falha de fazer os irmãos cuidarem de Richard, que sofre de esquizofrenia hebefrênica.

Como consequência, essa doença trazia grandes dificuldades para o homem se adaptar a situações de estresse. Além disso, esse tipo de esquizofrenia também é marcado pela presença de sintomas que remetem à infância, já que ocorre regressão de comportamento e os pacientes passam a agir de forma mais infantil e passiva. A dificuldade de assimilar a realidade é traço marcante desse tipo específico da doença, assim como das demais manifestações da esquizofrenia.

Por isso, eu sabia que precisava acabar com toda aquela confusão antes que Richard perdesse o controle e se tornasse violento. Eu não queria que ele fosse levado para o isolamento novamente. Da última vez, ele havia sofrido bastante e demorou um bom tempo até que ele superasse a experiência traumática.

— Eu posso saber o que está acontecendo aqui? — Questiono, atraindo a atenção dos três homens. Richard sorri e corre em minha direção.

— Freddie. Freddie. — Fala Richard, abraçando-me. Sorrio e correspondo ao abraço, tentando tranquilizar o homem de quase cinquenta anos. Encaro Gibby e Gerard com seriedade, antes de voltar a minha atenção ao paciente que continuava agitado.

— Ei, amigão, eu cheguei. Está tudo bem. — Afirmo, usando um tom de voz mais ameno, enquanto acaricio sua cabeça. Meus olhos se mantinham fixos ao dele. Ver a intenção das pessoas através dos olhos sempre deixava Richard um pouco mais relaxado.

— Freddie. Não pode brigar, não é? Não pode. Não pode. — Dita Richard, encarando Gibby e Gerard com repreensão.

— Isso mesmo. Não pode brigar. – Concordo com o paciente. – Por que não vai para sala brincar com o Pipoca, amigão? Ele está sentindo a sua falta. Você não deveria estar aqui.

Richard sorri ao ouvir o nome do gatinho que é mascote do hospital e parece se esquecer da cena que o abalou instantes atrás. O paciente balança a cabeça repetidas vezes, batendo palmas com animação.

— Está bem, Freddie. – Ele então se afasta e vai animado para a sala do hospital onde os outros pacientes estavam. E assim que me vejo sozinho com os dois enfermeiros, eu os encaro com seriedade.

— Vocês perderam o juízo de vez? Como puderam brigar dessa forma na frente de um paciente. Ainda mais com um paciente como Richard? — Questiono, irritado.

— Esse babaca teria batido no Richard se eu não tivesse aparecido e o impedido. – Conta Gibby e Gerard parece ficar furioso com a acusação de meu melhor amigo. – Se ele está achando que eu vou apenas assistir uma cena absurda como essa em silêncio, ele está muito enganado.

— Eu já disse e vou repetir. Não se meta em assuntos que não são do seu interesse! E você... – Gerard aponta para mim, encarando-me como se estivesse me avaliando. – Você não é ninguém, então fica na sua. Você é só o filho de um soldado qualquer. Não pense que só porque o diretor te passou uma tarefa importante, você tem algum direito de mandar em mim. E você, Gibson, está muito encrencado. Eu vou contar ao diretor que você tem incentivado uma rebelião dos pacientes contra o Troubled Waters Mental Hospital e que está envolvido na fuga de Nicole Angeles. Eu tenho certeza de que ele não vai pensar duas vezes antes de te demitir.

— O quê? – Sussurra meu melhor amigo, surpreso com a informação.

— Ótimo, Gerard. Eu vou junto com você para contar ao diretor para onde está indo o nosso estoque de medicamentos. Ele com certeza vai ficar feliz em saber que você está contrabandeando remédios de alto controle para traficantes no submundo. Melhor ainda, eu aproveito também para chamar a polícia e resolvemos tudo judicialmente. – Ironizo, fazendo Gerard arregalar os olhos. Ele abre e fecha a boca algumas vezes, surpreso. – Dá o fora daqui, Gerard. E se eu soubesse que você está tentando prejudicar Gibby ou machucou um dos pacientes mais uma vez, pode se considerar um homem preso.

— Isso não vai ficar assim. – Resmunga Gerard, que se afasta imediatamente, em passos largos e pesados.

Suspiro de alívio por ter conseguido impedir que a situação piorasse. Viro-me para Gibby que parecia frustrado e pensativo. Eu sabia exatamente como ele se sentia. Infelizmente, essa não era a primeira e nem a última vez que lidávamos com alguns dos enfermeiros babacas do hospital, que pareciam maltratar os pacientes por diversão.

— Você está bem? – Pergunto, preocupado.

— Sim. – Responde, suspirando. Ele me lança um sorriso cansado. – Obrigado. Se você não tivesse aparecido, eu provavelmente teria feito uma grande besteira.

— Obrigado por defender Richard. – Agradeço e trocamos sorrisos, enquanto fazíamos nosso toque com olhos brilhando em cumplicidade. Lembro-me então das ameaças de Gerard e encaro Gibby com curiosidade. – Quem foi Nicole Angeles? E você realmente a ajudou a fugir daqui?

Gibby trabalha no Troubled Waters Mental Hospital desde que conseguiu uma bolsa de estudos em uma universidade francesa, quando ainda cursava enfermagem. Então, ele está trabalhando no hospital há quase oito anos. Por isso, ainda havia muitas coisas que eu não sabia sobre a vida do meu melhor amigo nesse hospital.

O rapaz me encara por alguns instantes e posso ver que ele estava hesitante em contar sobre essa mulher. Ele olha em volta e me puxa pelos corredores do hospital até que chegássemos no armário do zelador do hospital. Assim que entramos dentro do armário, Gibby confere se fomos seguidos ou se alguém tinha notado nossa presença, antes de fechar a porta e ligar a luz do cômodo.

— O que está acontecendo? – Pergunto, confuso com o comportamento atípico de meu melhor amigo.

— Você não pode contar sobre isso para ninguém, Freddie. Esse é o único lugar em todo o hospital que não possui câmera e escuta. – Explica o rapaz, suspirando. – Se o diretor ao menos sonhar que tenho algum envolvimento com a fuga de Nicole, eu estarei com grandes problemas.

— Tudo bem. – Concordo, ansioso. – Não se preocupe. Eu não vou contar a ninguém sobre isso.

— Nicole Angeles era uma paciente que assim como a maior parte dos paciente internados aqui, foi obrigada a vir para o Troubled Waters por causa da família que não aceitava que ela fosse imperfeita, como eles mesmo gostavam de falar. Ela foi a primeira paciente de quem eu cuidei e por causa disso, acabei desenvolvendo um carinho muito grande por ela. Nicole era sofria muitos abusos aqui dentro e isso me fez criar coragem para ajudá-la a fugir daqui. Não foi fácil. Fracassamos diversas vezes, mas de alguma forma, consegui tirá-la daqui sem ser pego. – Conta Gibby, surpreendendo-me. – Mas claro, isso foi há oito anos atrás. Depois que ela fugiu, eles aumentaram o sistema de segurança desse lugar, tornando-o em uma verdadeira prisão.

— Então houve realmente uma paciente que conseguiu fugir desse lugar. – Comento comigo mesmo.

— Sim. Mas foi praticamente uma missão suicida. Eu precisei descobrir os padrões de comportamento dos seguranças e quebrar muitas fechaduras para conseguir tirá-la daqui. Eu tenho certeza de que eu jamais conseguiria fazer algo semelhante ao que fiz daquela vez hoje em dia. – Responde Gibby, suspirado. Ao ver o quanto eu estava fissurado em descobrir mais sobre a fuga, meu melhor amigo me encara confuso. – No que você está pensando, Freddie?

— Nada. – Respondo, sorrindo ansioso.

Aquela poderia ser a luz que eu precisava e buscava para pensar em como tirar Sam do Troubled Waters. Por mais que eu quisesse compartilhar com meu melhor amigo o que anda acontecendo comigo, por enquanto, eu sabia que precisava manter a calma e pensar bem em minhas ações ou posso acabar prejudicando a vida de pessoas inocentes.

— Mas você me deu uma ideia maluca. – Comento, deixando Gibby ainda mais confuso. — Enquanto tento organizar meus pensamentos, que tal você me explicar com detalhes como ocorreu a fuga de Nicole Angeles de um dos hospitais psiquiátricos mais seguros no mundo?

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara