Loucuras de Agosto
26 Destino
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO
CAPÍTULO XXV – DESTINO
Aperto o cabo da arma, sentindo a adrenalina percorrer meu corpo intensamente. Observando aqueles brutamontes que se aproximavam em busca de nós em meio a correria dos passageiros que tentavam fugir da mira de suas armas, a única coisa que eu pensava era em proteger Freddie, que me encarava em alerta.
— Sam. Não faça isso. – Pede o moreno, provavelmente sabendo exatamente o que se passava em minha mente. Permaneço atenta ao que acontecia a minha volta, posicionando-me no ponto em que eu poderia atirar apenas uma vez contra cada um dos homens que nos seguiam, já que eu não tinha mais munição. – Vamos tentar entrar antes que eles nos encontrem. Por favor, não faça nada do que possa se arrepender depois.
— Eu não vou me arrepender. Entra que eu vou tentar distraí-los. – Respondo, respirando fundo para manter o foco.
— Sam! Não! – Freddie se coloca a minha frente e aperta meus ombros, quando eu levando a minha mão com a arma. – Você não pode fazer isso. Eu não vou deixar que faça uma bobagem dessa. Nós podemos dar um jeito juntos. Não faz isso, por favor.
— Nós não temos opção. Eu te amo. E estou disposta a fazer o que for preciso para garantir que você saia vivo. — Digo, dando um fraco sorriso. Ele me encara pronto para revidar, mas eu não dou tempo para que ele responda.
Posiciono minha perna ao lado de Freddie e tomando cuidado para que a arma não o machucasse, agarro-o pelos ombros e o empurro para trás em um movimento rápido. Ele cai, completamente surpreso com a minha ação repentina e eu me preparo para atirar no momento em que os capangas parecem nos encontrar.
— Sam!
Freddie tenta se levantar, mas eu piso em tórax, impedindo que ele se movesse. Engatilho a arma e respiro fundo, mirando no maldito que corria em minha direção com uma arma. No entanto, antes que eu pudesse atirar, um homem surge na minha frente, colocando-se de frente a arma que eu segurava. Um segundo lança uma espécie de arma de eletrochoque contra o homem que ainda corria em nossa direção, derrubando-o instantaneamente.
Assustada, piso no pé do loiro a minha frente e dou uma cotovelada em seu rosto, fazendo com que ele se afastasse. Tento acertar mais um golpe, mas ele consegue prever meu ataque e segura meu punho. Uso a mão com a arma, mas novamente sou imobilizada, fazendo com que a arma fosse ao chão. Afasto-me de Freddie, que tentava entender a situação e flexiono meus joelhos e rotaciono meus pulsos, tentando me soltar.
Ao ter a atenção do homem alto, loiro e musculoso, dou uma cabeçada em seu queixo e chuto sua virilha, que vai ao chão, encolhendo de dor. Ele ainda tenta se levantar, mas dou um chute em sua costela e corro até minha arma, colocando-a na cabeça do homem, pronta para atirar. Freddie se levanta e vem em minha direção, procurando ver se eu estava ferida. Afasto-me de Freddie e analiso o loiro no chão que ainda agonizava de dor. Aproveito para observar o colega dele.
— Você consegue respirar, Rogers? — Questiona o segundo homem de maneira humorada, derrubando mais três dos capangas de Hugh que vinham em nossa direção. Ele recebe um resmungo doloroso em resposta. – A culpa é sua por ficar subestimando uma Barton. Não devia ter abaixado a guarda. Eles são perigosos. Esqueceu que foram treinados pelo Barton e pela Natasha?
— Quem são vocês? – Pergunto, alternando a mira da arma entre os dois homens, enquanto observo suas aparências. O fato deles citarem o nome de tio Clint e tia Tasha me deixam em alerta. Se eles conheciam os dois podia significar duas coisas. Ou eles eram grandes aliados ou nossos maiores inimigos. Afinal, ninguém é louco o bastante para desafiar Natasha Romanoff e Clint Barton se não tiver muito poder e falta de noção.
— Eu sou...
— Anthony Stark. – Freddie completa a fala do homem de cavanhaque, jaqueta de couro preta, óculos amarelos que estranhamente combinavam com ele. Surpreendo-me com a resposta. – Você é o proprietário das Indústrias Stark e um dos maiores gênios da tecnologia de todos os tempos. Eu... eu sou um grande fã dos seus trabalhos brilhantes, sr. Stark.
— Gostei do garoto. – Comenta o tal Anthony Stark, estendendo a mão para o homem que eu havia levado ao chão. Ainda sentindo dores, o loiro se levanta e sorri com uma expressão de dor. – Consegue ficar de pé sozinho ou eu vou ter que esperar mais um pouco para te zoar sobre ter apanhado de uma garotinha, Rogers?
— Cala a boca, Stark. – Resmunga o loiro, soltando-se do amigo, que gargalha ao ver a expressão emburrada do outro. Rogers respira fundo e se vira para nós. – Fica calma, Sam. Nós não vamos machucar vocês...
— Até porque ela já mostrou que é mais forte que você. – Comenta Anthony, fazendo com que Freddie e eu prendêssemos o riso e Rogers lançasse um olhar repreendedor para o amigo. – Não adianta me olhar assim. Vimos agora mesmo que o que eu disse é verdade.
— De qualquer forma, eu sou Steve Rogers. Também sou agente da CIA e um amigo de longa data de Natasha Romanoff e Clint Barton. – Responde o loiro, mostrando o distintivo idêntico ao que tia Tasha usava. – Vocês não deveriam estar aqui sozinhos. Onde estão as agentes Sara e Hillary? Elas foram encarregadas de acompanhar vocês, certo?
— Fomos atacados no esconderijo em que estávamos e elas nos pediram para vir na frente. – Conta Freddie, passando o braço em volta da minha cintura. – Obrigado por ter nos ajudado. Estaríamos com grandes problemas se não fosse por vocês.
— Não foi nada. Eu realmente me divertir vendo o Steve apanhar. – Responde Anthony, lançando um sorriso irônico para Steve, que revira os olhos. – Eu deveria ter gravado. Seria a minha obra de arte. Acho que vou consultar as câmeras de segurança do aeroporto e pegar as filmagens para usar sempre que possível.
— Você não vai esquecer isso tão cedo, não é, Tony? – Resmunga Steve, dando um longo suspiro cansado.
— Eu nunca vou esquecer a surra que você levou da sobrinha do Barton. – Afirma o homem, sorrindo ainda mais. — Vou aproveitar dessa situação para fazer o Barton devolver o meu robô.
— Ele nunca vai te devolver e você sabe disso. Ele é louco por aquele robô. – Responde Steve e Tony ri, negando.
— Não dessa vez. Eu definitivamente vou ter o meu robô de volta. – Responde Stark, animado. – Agora ele está em dividas comigo. Ele não vai ter escolha além de devolver.
Tony e Steve começam a falar sobre a possibilidade de tio Clint devolver um robô que o Stark perdeu durante uma partida de pôquer. Freddie e eu nos encaramos, tentando entender aquelas duas pessoas estranhas. De alguma forma, eu realmente conseguia ver tio Clint e tia Tasha sendo próximos desses dois. Sorrio e encaro o relógio em meu pulso. Não tínhamos muito tempo. Nós ainda precisávamos embarcar.
— Bom, não temos tempo para conversa. Precisamos ir ou perderemos o nosso voo. – Aviso e eles me encaram por alguns instantes, parecendo preocupados.
— Será que não seria melhor nós acompanharmos os dois? – Questiona Steve e Tony parece em dúvida.
— Seria o melhor, mas... não podemos perder a nossa reunião. – Fala Tony, pensativo. Ele realmente parecia estar com problemas.
— Não se preocupem. Nós ficaremos bem. – Respondo com confiança. Os dois homens parecem incertos do que fazer. Olho novamente para o relógio em meu pulso e suspiro, virando-me para Freddie. – Nós só temos vinte minutos para embarcar. Eles podem acabar fechando a portas.
— Nós também precisamos nos livrar dessa sua arma. E ainda que a gente consiga, existe uma grande chance de a segurança não permitir que a gente embarque por causa das imagens das câmeras de segurança. – Comenta Freddie, apreensivo.
— Não se preocupem com isso. – Tony sorri e se aproxima de nós, tirando a arma de minha mão. Ele a entrega para Steve, que a guarda em sua cintura. – Qual seria a graça de se ter um agente da CIA e um gênio do seu lado se não puder tirar a vantagem disso? Nós cuidamos da segurança, enquanto esperamos o nosso voo para Londres. Steve vai dar um jeito em liberar vocês. Entrarei em contato com a Natasha para que possam ter algum apoio assim que chegarem em Hawkins. No entanto, se quer um conselho, recomendo que permaneça o mais discreta possível. Por mais que a CIA esteja no caso, a organização em que Hugh está envolvido é bastante perigosa e controla forças que ainda estão além do nosso conhecimento.
— Tony tem razão. – Fala Steve, fazendo sinal para que nos aproximássemos do portão de embarque de voos internacionais. – Hugh ainda está foragido e a situação se complicou um pouco nos últimos dias. A organização está agindo de forma desesperada desde que Ted Wheeler foi preso. Perdemos uma grande quantidade de agentes nos últimos meses com os ataques repentinos deles. Ao ponto de até mesmo agentes disfarçados como Hillary e eu termos que entrar em ação.
— Eles são como uma nuvem de insetos que se multiplicam a cada vez que achamos que acabamos com eles. – Comenta Tony, parecendo frustrado. Ele suspira e nos encara com seriedade. – Como Steve disse, Hugh ainda está foragido e pretende te usar para se safar. Por estarmos sobrecarregados, não conseguimos ajudar tanto. Então usem disfarces para evitar serem pegos. E não se preocupem. Clint não vai perdoar a ação de Hugh. E acho que você o conhece tanto quanto eu para saber que nunca é uma boa ideia se mexer com as pessoas que Clint Barton estima.
— Sim. – Concordo, suspirando. Encaro Freddie e ele sorri, oferecendo sua mão para que eu a pegasse. – Tudo bem. Obrigada pela ajuda. Nós faremos o que vocês estão dizendo.
— Agora é melhor nós irmos ou nós vamos acabar perdendo nossos voos. – Recomenda Steve, entregando o bilhete de passagem para a responsável que estava na porta de entrada da área de embarque de voos internacionais.
Enquanto passamos nossos bilhetes para liberar a nossa entrada, vejo os homens de Hugh sendo presos pela segurança do aeroporto. Steve é parado por alguns seguranças também por estar portando arma, mas ao exibir o distintivo de agente da CIA, ele acaba sendo liberado. Nós nos separamos após a revista.
Felizmente, Freddie e eu conseguimos embarcar no avião sem grandes problemas. Ainda assim, minha mente continuava a ter dificuldades para processar tudo o que tinha acontecido comigo e todo o contexto complexos que eu de repente me envolvi. Muito além da morte do meu pai, Hugh parecia ter se tornado parte de algo tão perigoso que até mesmo a CIA estava tendo dificuldades para conter.
— Tudo bem? – Pergunta Freddie, assim que nos sentamos. Seus olhos exibiam toda aquela doçura que me trazia conforto e tranquilidade.
— Sim. Eu só... estou pensando. Tentando processar tudo o que aconteceu. – Respondo, entrelaçando nossas mãos. Encosto minha cabeça em seu ombro e permaneço naquela posição por um tempo, procurando sem sucesso organizar a minha mente.
Freddie beija a minha cabeça e aperta mais nossas mãos. De repente, ele dá uma risada fraca e eu o encaro, sem entender o motivo dele estar rindo. Seu olhar parece distante e um sorriso nostálgico se faz presente em seu rosto. Seus olhos se encontram com os meus e ele me beija mais uma vez.
— Eu estava apenas lembrando que Carly tinha razão. Como eu tive coragem de transar com uma desconhecida em um banheiro de avião. Em circunstâncias normais, eu jamais teria feito algo tão surreal quanto isso. Mas acho que você sempre despertou o meu lado mais insano. – Comenta Freddie, encarando-me com tanto carinho que sinto meu coração acelerar.
— Parece que o destino gosta de pregar peças em nós. Eu jamais teria feito algo assim também. Sendo sincera, se não fosse por Beth, eu nunca teria o chamado para ir ao banheiro ter uma transa com um desconhecido. Mas minha irmã sempre soube como me convencer a agir de acordo com os seus desejos. Eu estava cansada de relacionamentos fracassados. Não suportava mais ter o coração partido por confiar em babacas. E eu sabia que eu também tinha uma parcela de culpa. – Respondo, sorrindo para Freddie. Ele acaricia meu rosto com carinho. – Quem diria que o nerd gostoso apaixonado por trens era o mesmo garotinho que era superprotegido pela mãe que chamava a minha atenção muito mais do que deveria ser considerado normal quando eu ainda era criança?
— Ah, você tem que admitir que locomotivas são muito interessantes. – Retruca o moreno e eu rio, negando.
— Só você pensa isso, nerd. Você é a única pessoa no mundo que eu conheço que se diverte assistindo documentários sobre trens. – Afirmo e ele bufa, fazendo um leve bico. Rio e o beijo.
— Mas era mesmo um documentário incrível. Se você observar os detalhes nas locomotivas que foram fabricadas naquele ano, você se surpreenderia. A forma como...
— Bebê, eu realmente não quero saber. – Digo, apertando as bochechas dele, fazendo com que seu bico aumentasse. Rio e mordo seus lábios, voltando a me sentar. – Eu te amo, mas não o bastante para passar as próximas dezesseis horas de viagem ouvindo falar sobre trens e todos os incríveis detalhes que só você acha interessante.
— Tudo bem. – Resmunga o outro, beijando minha mão. Sorrio e volto a encostar minha cabeça em seu ombro. Ele suspira e observa a janela do avião com um semblante pensativo. – E o que nós vamos fazer quando chegarmos em Hawkins?
— Eu não sei. Não posso voltar para casa por enquanto. Seria o primeiro lugar que Hugh procuraria. Mas quero a ajuda de meus primos. Já que não podemos contar com a CIA, a família Barton são as pessoas mais preparadas para atacar se for necessário. – Respondo encarando Freddie. – Aparentemente a minha família está envolvida nessa história muito mais do que havia imaginado. O Ted Wheeler que Steve comentou é o pai de Nancy. Sara está viva e envolvida na investigação sobre ele. Barry também sabe sobre essa história. Ted Wheeler era o presidente do laboratório que a mãe de Ben está internada, recebendo tratamento da grave doença que ela tem. Aaron também está metido com essa tal organização criminosa na qual Hugh também faz parte. Então acho que o melhor a fazer agora é reunir forças com a minha família. Nós sempre funcionamos melhor quando trabalhamos em equipe.
— Felizmente temos celulares e estamos indo para Hawkins. Será mais fácil para você se reunir com a sua família. E já que estamos indo para a nossa cidade natal e sua irmã vai se casar com ele, eu tenho certeza de que podemos contar com Daryl para conseguir um lugar onde podemos ficar até que Hugh seja preso. – Responde Freddie, soando um pouco mais confiante.
— Eu realmente tenho que tirar essa história a limpo com Beth. – Comento, relembrando desse fator importante. – Quando eu sai de Hawkins, Daryl vivia se esquivando das investidas da minha irmã. Um mês se passa e ela simplesmente vai se casar com ele? Definitivamente tem alguma coisa por trás dessas ações de Beth.
— Eu não conheço tão bem a sua irmã, já que você nunca me deixava ficar perto dela, mas eu conheço Daryl muito bem e definitivamente é estranho ele ter se casado e ainda mais tão rápido. Ele nunca lidou bem com relacionamentos. – Freddie parece tão descrente quanto eu sobre esse relacionamento repentino. – Será que aconteceu alguma coisa e eles se viram obrigados a se casar?
— Mas o que os levaria a casar assim tão depressa? – Pergunto, confusa.
— Gravidez? – Supõe Freddie e eu o encaro surpresa.
— Não. Não acho que seja isso. Beth tem um problema de saúde que a atrapalha a engravidar. Além disso, apesar de ter uma vida sexual surpreendentemente ativa, ela sempre foi bastante consciente. Sempre tomou muito cuidado para usar contraceptivos. Sem contar que mesmo que esse fosse o caso, Beth não é o tipo de pessoa que se casaria apenas porque engravidou. – Respondo, relembrando sobre as vezes em que conversamos sobre gravidez e casamento.
Antes que continuássemos nossa conversa, ouço o som de um celular tocando. Olho em volta e parece que não era de ninguém próximo a nós. Freddie então se afasta de mim e pega a mochila que estava aos nossos pés. Noto então que se tratava de um dos celulares que Sara e Hillary haviam preparado para nós. Pego o celular da mão de Freddie e atendo a ligação, torcendo para que fosse tia Tasha.
— Alô.
— Sammy! Eu acabei de chegar no aeroporto. Vocês estão bem? – Ouço a voz de Sara e suspiro aliviada por saber que minha prima estava bem.
— Sim. Já estou dentro do avião com Freddie. Acho que não vai demorar muito para o avião decolar. – Respondo, suspirando. – Você e Hillary estão bem? Se machucaram? Alguns homens de Hugh nos perseguiram e pode ser que eu tenha cometido alguns crimes para me salvar.
— Estamos bem. E sobre quais crimes exatamente você está falando? – Questiona Sara com preocupação.
— Ah, nada demais. – Desconverso, começando a sentir um pouco de culpa sobre meus ombros. Freddie me encara com curiosidade. – Mas, então, você vai embarcar com a...
— Samy, não muda de assunto. De que tipos de crime nós estamos falando? – Insiste minha prima e eu suspiro, sabendo que provavelmente seria bastante repreendida.
— Vamos dizer que eu supostamente atirei contra alguns carros, causando um engavetamento de pelo menos cinco veículos, roubei uma moto e uma jaqueta de couro, briguei no aeroporto e bati no seu colega de trabalho, Steve Rogers. Mas assim, não foi...
— O quê? Então foi você que causou aquela confusão na cidade? Ficou um engarrafamento gigantesco e foi difícil chegar ao aeroporto. – Resmunga Sara, suspirando. Ela então parece pensar sobre minhas ações e arfa. – Espera. Você disse que bateu em Steve Rogers?
— Sam bateu no agente Steve? – Ouço Hillary falar mais ao fundo, rindo. – Incrível. Você é ainda mais incrível do que eu imaginava, Sam.
— Ele apareceu de repente, então eu apenas o derrubei e bati algumas vezes nele quando ele tentou me impedir de atirar nos homens de Hugh. – Tento me justificar e Sara suspira.
— Ainda bem que ele te impediu. Ficou louca, Sam? Tio Clint e tia Tasha não nos treinaram para matar pessoas e você sabe disso. Nós aprendemos a atirar para mobilizar ou desarmar alguém que esteja ameaçando nossas vidas. – Repreende minha prima e eu suspiro, sabendo que ela estava certa. – E onde foi que você conseguiu uma arma?
— No carro de vocês. – Respondo, dando de ombros, mesmo sabendo que ela não me via. – E foi uma ação de pura sobrevivência. Freddie e eu fomos perseguidos por pelo menos oitos homens armados. Nós tivemos sorte de não sermos atingidos. Então é claro que eu tive que cogitar atirar neles.
— De qualquer forma, Hillary e eu vamos ter que resolver alguns problemas aqui na França, então vocês terão que ir sozinhos para Hawkins. Conversei com tia Tasha agora a pouco, informando sobre a situação. Ela irá enviar alguns agentes para acompanhar vocês na saída do aeroporto e manter vocês em segurança até que Hugh seja preso. Assim que pousarem, sigam para o banheiro do aeroporto antes da saída do portão de desembarque. Terão bolsas preparadas para vocês com disfarce para garantir que vocês não sejam reconhecidos. Depois disso vocês receberam uma mensagem com o carro que irão levar vocês para o esconderijo de vocês. Fiquem atentos e tentem não chamar atenção. – Explica Sara com seriedade. – Você entendeu, Sam?
— Sim. – Afirmo, sentindo um pouco de ansiedade.
— Agora eu preciso desligar. Entrarei em contato assim que vocês chegarem em Hawkins. E lembre-se. Não pode revelar sobre mim a ninguém. Isso é de extrema importância. Mesmo para a nossa família, a única pessoa que sabe é o Barry. Mantenha isso em segredo, por favor. — Pede a loira do outro lado da linha, parecendo receosa.
— Não se preocupe. Não contarei. Obrigada pela ajuda, Sara. – Agradeço com sinceridade e quase posso ver o seu sorriso gentil.
— Não foi nada, Samy. Cuide-se. Amo você. — Declara com doçura.
— Também amo você. – Respondo e desligo a ligação. Suspiro e me viro para Freddie. – Parece que temos um longo e caótico caminho pela frente. Mesmo em Hawkins, parece que teremos que lidar com alguns problemas.
— Bom, não seria a gente se não envolvesse um pouco de loucura. – Afirma Freddie, dando um sorriso divertido. De repente a comissária de bordo começa a passar as informações de voo. Respiro fundo, tentando controlar toda a adrenalina que se fazia presente mais uma vez. Freddie pega em minha mão mais uma vez e a beija, enquanto seus olhos exibem um brilho confiante. – Não se preocupe. Nós vamos conseguir sair dessa. Você vai ver.
— Vamos torcer para que você esteja certo. – Sorrio nervosa, mas um pouco mais confiante. No fim, não tínhamos muito o que fazer além de acreditar em nosso destino e manter as esperanças de que tudo daria certo.
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