Loucuras de Agosto
15 Descoberta
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO
CAPÍTULO XIV — DESCOBERTA
— Os pacientes realmente ficam animados quando a Hillary está aqui. – Comenta Gibby e eu o encaro, vendo-o observar a modelo que interagia de maneira animada com alguns pacientes que a rodeavam.
— Eles sentiam a falta dela. A maioria a viu crescer ou conviveram com ela no período em que ela passava as férias aqui. Não é de se estranhar que eles se animem com a presença dela. – Respondo, voltando a ajudar Alan a se acomodar para comer o pão que ele havia preparado com os outros pacientes na aula de culinária.
Discretamente, observo Sam conversando e rindo com Hillary. Eu não sabia dizer o que eu havia perdido para que a relação das duas tivesse mudado tão drasticamente de um dia para o outro, mas ver a loira sorrindo tão animada com as histórias contada pela modelo me trazia um sentimento de paz e alívio. Eu gostava de ver Sam sorrir. Era sempre contagiante.
— Você e ela realmente nunca tiveram nada? – Questiona Gibby e eu o encaro um pouco confuso. Ele ergue a sobrancelha, mas dá de ombros. – Hillary. Eu sei que vocês se conhecem desde antes de você entrar no Troubled Waters e que ela gosta de você desde essa época.
— Hillary e eu somos apenas amigos. – Declaro, voltando a encarar Hillary, que ao notar nosso olhar, acena e lança uma piscadela, antes de voltar a sua atenção para Jujuba, que mostrava algo a ela.
— Eu sei que você está apaixonado pela Sam, mas realmente nunca pensou em tentar alguma coisa com Hillary? Ela é uma garota incrível e parece gostar muito de você. Além de ser incrivelmente gata. – Comenta Gibby, cruzando os braços, enquanto me encara com curiosidade.
— Eu não me lembro de ter dito que estava apaixonado pela Sam. – Resmungo e ele me encara com aquela expressão de deboche.
— E precisa dizer? Nós não somos melhores amigos à toa, Freddie. Eu posso ver só pela forma como você a encara. Precisa ser muito idiota e extremamente cego para não ver que você está caidinho por ela. – Ironiza Gibby, colocando a mão sobre meu ombro. – E está tudo bem, cara. Eu entendo. Se eu não tivesse uma namorada tão incrível como a Carly, eu também ficaria interessado na loira. Vocês compartilham muitas histórias juntos como o nerd e a valentona da escola e agora você está prestes a se tornar o herói dela. É claro que iria acabar acontecendo algo assim. É aquela velha e clichê história. Os apostos de atraem.
— Cala a boca, Gibby. – Resmungo, empurrando a mão dele. Gibby apenas ri, divertindo-se com o meu mau-humor. – E não. Nunca pensei em ter algo com a Hillary.
— E por que não? Você tem noção da sorte que tem de ter uma gata como ela louca por você? – Questiona o outro, encarando-me como se eu fosse um idiota. – Muitos queriam estar no seu lugar, cara.
— Pronto, Alan. Agora sim você pode ir se divertir com o Ronan e a Violette. — Digo ao adolescente, que sorri animado.
— Está bem, Freddie. — Alan responde, levantando-se para ir onde estavam os amigos, que assistiam televisão.
Sorrio vendo o garoto correr animado, enquanto recolho o prato e o copo que o rapaz usou. Ao virar para colocar as louças no carrinho que seria levado pelas moças da limpeza do hospital, encontro o olhar de Gibby, ainda esperando alguma resposta de minha parte. Suspiro, cansado.
— Hillary é brilhante. Em todos os sentidos. Ela é brilhantemente linda e inteligente. Hillary é aquele tipo de pessoa observadora que se adéqua a personalidade da pessoa com quem está lidando. É quase impossível não gostar de seu jeito extrovertido e não se atrair por ela. Eu estaria mentindo se dissesse que não sinto atração física por ela. Você mesmo disse. Ela é realmente linda. – Respondo, observando Hillary fazer trança nos longos cabelos de Jujuba, enquanto conversava com Sam e tinha Claude ao seu lado, quase implorando por sua atenção.
— Mas...? – Gibby me analisa, ainda esperando minha justificativa.
— Eu não consigo ser como você, Gibby. Simplesmente não seria certo me envolver com ela sabendo de seus sentimentos por mim. Seria como se eu estivesse me aproveitando da situação apenas para me vangloriar por ter ficado com ela. – Completo, dando de ombros. – Enquanto Hillary sempre foi uma pessoa brilhante, que logo se torna o centro das atenções por onde quer que passe, eu sempre fui o seu oposto, sendo ignorado pela maior parte das pessoas. Nunca pareceu certo cogitar estar com ela. E acho que meu coração sempre soube que eu jamais poderia corresponder aos seus sentimentos.
— Por que será que eu sinto que não é só isso? – Comenta Gibby, encarando-me desconfiado. – Se eu fosse chutar, eu diria que na verdade, você sempre teve uma certa loira de olhos azuis em seu coração e nunca foi capaz de admitir.
— Não diga bobagens. – Resmungo e ele ri, balançando a cabeça em negação.
— Parando para pensar agora, Carly disse que Sam sempre foi a força motriz que te levava a cometer loucuras. – Meu melhor amigo desvia o olhar para observar Sam e me lança um sorriso malicioso. – Você até mesmo me disse que a sua transa com ela no banheiro do avião tinha sido mágica e que você nunca se sentiu tão atraído por alguém como se sentia por ela e seus olhos intensos. Talvez, mesmo sem a reconhecer, inconscientemente, seu corpo sabia que Sam era a mulher da sua vida.
— Você está passando tempo demais com a Carly. – Respondo, desviando do outro para deixar as louças no carrinho que estava encostado na parede próxima a nós.
— Você sabe que o que eu estou te dizendo é verdade. Eu mesmo senti como é diferente quando estamos com a mulher que a gente ama, cara. Com Carly, não é apenas sexo, como sempre acontecia com as outras mulheres. Acho que eu finalmente entendi o que dizem sobre fazer amor. – Insiste Gibby, exibindo um sorriso doce ao falar da namorada. – Ela me fez sentir coisas que eu nunca senti antes. Foi como se nossos corpos e nossas almas tivessem se encontrado, sabe?
— Eu realmente fico feliz em saber que se sente assim com Carly, Gibby, mas minha relação com Sam é... – Suspiro e meus olhos automaticamente recaem sobre a garota. – É diferente. Nós simplesmente somos incompatíveis. Essa história de os opostos se atraem só acontece em livros de romance clichê. Na realidade, tudo é complicado demais. Nós vivemos em mundos diferentes e estamos em sintonias diferentes. Então... apenas esqueça isso. A partir de amanhã, nossas vidas seguirão caminhos diferentes. Ela voltará para Hawkins e vai iniciar uma nova batalha para provar os crimes do tio dela. Eu permanecerei aqui, seguindo minha vida como enfermeiro, enquanto tento criar coragem de enfrentar minha mãe e fazer o que eu realmente sempre sonhei.
— Freddie... – Gibby suspira, contrariado, no entanto, ele sabia que eu estava certo. Não havia o que se fazer. Sam e eu estamos destinados a viver separados. Foi assim dez anos atrás e será assim agora. – Tudo bem. Não vou mais insistir nisso. Então que tal aproveitarmos esse tempo livre antes de irmos medicar os paciente para ouvir as histórias divertidas de Hillary em Londres? Eu tenho certeza de que isso vai te animar.
— Certo. Vamos lá. – Respondo, dando um fraco sorriso. Gibby passa o braço por cima dos meus ombros e me conduz para onde estava o grupinho de pacientes, que ouviam atentamente as histórias de Hillary.
E enquanto nos aproximávamos, os olhos de Sam recaem sobre os meus. De alguma forma, sinto que ela parecia querer dizer alguma coisa. Assim que alcançamos o grupo, Hillary para de contar sua história e Gibby e eu nos tornamos o centro das atenções.
— Veja só quem resolveu se juntar a nós. Sejam muito bem-vindos, senhores. – Brinca Hillary e Gibby faz uma reverência exagerada, fazendo os pacientes rirem, divertindo-se com suas idiotices.
— Muito obrigado, milady. – Gibby responde, forçando um sotaque britânico. Hillary ri e balança a cabeça, negando.
— Eu que agradeço a honra de sua presença, sir Gibson. – A modelo entra na brincadeira, arrancando ainda mais risadas dos pacientes com seu sotaque. Sorrio e discretamente me aproximo de Sam.
Ela me encara de maneira significativa e volta a encarar Hillary. Noto o olhar desconfiado de Claude, mas ele não fala nada. Sam então começa a bater os dedos na mesa ao seu lado e posso ver que ela continuava a me observar pelo canto do olho. Sinto que aquele era um sinal para que eu prestasse atenção nela. Nesse momento, noto que suas batidas não eram apenas batuques entediados.
..-. .-. . -.. -.. .. . --..-- / . ..- / .--. .-. . -.-. .. ... --- / -.-. --- -. ...- . .-. ... .- .-. / -.-. --- -- / ...- --- -.-. .
“FREDDIE, EU PRECISO CONVERSAR COM VOCÊ”
Ela estava usando Código Morse. Arregalo os olhos levemente e parece que eu não havia sido o único a notar isso. Hillary desvia o olhar de Gibby e nos encara brevemente. Ela também parece ter entendido a mensagem de Sam e nos lança um olhar severo, como um aviso de que deveríamos ter cuidado. No entanto, para não levantar suspeitas, a modelo volta a conversar com os pacientes e atrair a atenção de Claude.
Discretamente, faço um sinal em minha mão, indicando que eu havia entendido a mensagem. Sam assente e apoia o cotovelo na mesa, fingindo estar entediada. Volto a me aproximar de Gibby, que por estar tão concentrado na história de Hillary, se assusta com a minha mão sobre o seu ombro. Sorrio, desculpando-me silenciosamente.
— O que foi? – Ele sussurra, quando eu discretamente belisco seu braço. Aquele era o sinal de que ele precisava manter a postura.
— Distraia Claude. – Peço no mesmo tom.
— Por quê? – Questiona, preocupado. – Aconteceu alguma coisa?
— Sam precisa conversar comigo. Acho que é algo importante. – Sussurro, virando-me para trás, como se estivesse observando algum paciente.
— Tudo bem. – Concorda Gibby, parecendo incerto sobre o que deveria fazer. Ele suspira e olha em volta, provavelmente procurando algo que pudesse servir como distração. De repente seus olhos param em algum ponto da sala e sorri presunçoso. – Deixa comigo.
Observo meu melhor amigo ir até Evan. O jovem de cabelos pretos ondulados que iam até os ombros e olhos verdes cristalinos estava sozinho, encostado na janela da sala, encarando o jardim do Troubled Waters com os olhos vazios. Ao notar a presença de Gibby, ele assume uma postura defensiva e desconfiada. O enfermeiro então começa a conversar com o rapaz, que não demora muito a encarar Claude.
Eles conversam por mais alguns instantes e eu vejo Evan assentir, concordando com algo que Gibby disse, antes de começar a tomar distância, enquanto encara Claude. Meu melhor amigo faz sinal para que eu me preparasse e eu passo a me aproximar de Sam lentamente. Sinto o olhar de Hillary sobre mim, encarando-me com desconfiança. Discretamente, mostro a palma da minha mão esquerda e faço um “v” com a direita, indicando que ela deveria ter atenção. Eu não sabia o que Gibby planejava fazer, mas esperava que se o plano dele não desse certo, ela interferisse. Hillary assente antes de voltar a conversar com os pacientes.
E então tudo acontece de maneira rápida e confusa. Evan pega um ursinho de pelúcia que estava jogado em algum canto da sala. Ele grita alguma coisa e joga o urso em Claude, acertando o rosto do segurança. Antes que ele tivesse qualquer reação, outros pacientes começam a jogar coisas em Claude, gritando algo como “acerte ele”, enquanto riam, provavelmente pensando que era algum tipo de brincadeira.
Os enfermeiros tentam conter os pacientes e em meio a confusão, Sam me puxa pela mão para longe de Claude, que tentava se proteger dos objetos que eram lançados contra ele, sem ver o que acontecia a sua volta. Passamos por Hillary e ela faz sinal com as mãos, indicando que eu tínhamos cinco minutos para conversar. Assinto e sigo Sam até o canto mais afastado e escondido da sala de principal do hospital.
— O que foi? O que precisa conversar comigo? – Questiono, ansioso. – Nós só temos cinco minutos. Gibby e Hillary não vão conseguir nos cobrir por mais tempo.
— Não preocupe. O que eu tenho para dizer é rápido. – Afirma a loira, mexendo em seu pescoço. Nesse momento noto que ela usava um colar. Encaro-a desconfiado, tentando desvendar como ela conseguiu a joia, quando todos os pacientes do Troubled Waters são proibidos de usarem qualquer acessório. – Pega.
— Onde conseguiu esse colar? – Pergunto, enquanto pego o delicado cordão com um pingente delicado em formato de coração.
— Hillary. – Responde e eu a encaro ainda mais confuso, tentando entender qual o objetivo da modelo de dar um colar para Sam, sabendo das regras do hospital. – Ela disse que ele é dispositivo de localização. Eu quero que você use isso e o acione caso esteja em perigo. Ele provavelmente vai emitir um sinal que dirá a ela onde você está para que possa te ajudar.
— Você deveria usá-lo, afinal, é você que vai sair daqui. – Digo e ela nega, colocando a mão sobre a minha, quando tento devolver. – Sam?
— Apenas fique com ele. Pode parecer estranho, mas sinto que você vai precisar. – Afirma, encarando-me com seriedade. – Por favor.
— Tudo bem. – Concordo, surpreso pela forma como ela parecia desesperada para que eu aceitasse o colar. Coloco-o em meu pescoço e o escondo em minha roupa. – Pronto.
— Ótimo. Nós já podemos voltar. – Responde Sam, puxando-me pelo pulso de volta para a confusão que continuava a se desenrolar com os pacientes jogando bichinhos de pelúcia e almofadas contra Claude, enquanto todos os enfermeiros tentavam controlar a situação.
Estranhamente, sinto uma intensa vontade de dizer mais alguma coisa a Sam, mas não sei dizer exatamente o que era. Resolvo ignorar essa loucura em minha mente e corro até o megafone que eu guardava para casos de euforias como essa, onde não conseguíamos conversar de maneira pacífica com os pacientes. Aciono o som agudo dele, que faz todos se encolherem e levarem as mãos ao ouvido.
— Já chega, pessoal. Todos parem imediatamente com essa brincadeira ou todo mundo vai voltar para os seus quartos e ficarão de castigo até amanhã em seus quartos. – Digo no megafone em francês e os pacientes imediatamente se acalmam, temendo a punição. – Agora recolham os animais de pelúcia e as almofadas. Coloquem em seus lugares e peçam desculpas ao sr. Dupont. Não foi nada legal o que vocês fizeram.
Desanimados, eles fazem o que eu peço. Encaro Sam brevemente e ela agia como se nada tivesse acontecido. Hillary e Gibby me questionam silenciosamente se estava tudo bem e eu assinto, concordando. Ao fim de toda a organização, orientamos os pacientes a retornarem para seus quartos para tomarem banho e tomarem seus medicamentos antes do horário do jantar e a troca de turnos dos enfermeiros.
Como de costume, preparo os remédios de cada um de meus pacientes com total atenção e sigo para seus quartos, deixando o de Sam por último, como de costume. Cansado pelo dia agitado, suspiro cansado e me aproximo do quarto da loira, encontrando Claude na porta com sua costumeira expressão de tédio. Ele me lança um olhar irônico e se afasta para que eu entrasse.
— Boa sorte. – Deseja o homem e sinto um frio subir em minha espinha ao notar seu sorriso de satisfação.
Preocupado com o que poderia ter acontecido com Sam, abro a porta do quarto e me surpreendo ao ver que a loira estava acompanhada do diretor Leblanc e mais quatro homens desconhecidos. Ao notarem minha presença, todos se viram para me encarar e os olhos de Sam esboçavam um desespero que indicava que estávamos bastante encrencados. Confirmo minhas suspeitas ao reparar no panfleto do festival beneficente anual do Troubled Waters Mental Hospital.
— Fredward! Entre, por favor. Estávamos esperando por você. – O diretor me cumprimenta com um sorriso incomum de sua parte.
— Diretor Leblanc? O que faz aqui? – Pergunto, entrando com meu carrinho de maneira cautelosa. Meu coração batia tão intensamente que parecia prestes a sair pela boca e ver como Sam se tremia em nervosismo não ajudava em nada a me sentir mais calmo.
— Corre, Freddie! Vai embora daqui! – Implora Sam em desespero.
— Não seja assim, srta. Puckett. Fredward veio para dar o seu medicamento. Isso é jeito de tratar o enfermeiro que cuida tão bem de você? – Questiona o diretor, aproximando-se de mim calmamente.
— Não! Não machuca ele! – Sam ameaça avançar, mas dois homens a seguram, enquanto o diretor lança um olhar frio para a loira, que se encolhe, temerosa.
— Eu não faria isso se fosse você, srta. Puckett, ou se esqueceu da conversa que acabamos de ter? – Fala o homem com o tom baixo e cortante. – É melhor você ficar bem quietinha se não quiser complicar ainda mais a situação de seu adorado enfermeiro.
— O que está fazendo, sr. Leblanc? – Pergunto, encarando de forma ameaçadora os homens que ainda seguravam Sam com brutalidade. Ao notar meu olhar, ele sorri e faz sinal para que seus capangas a soltassem.
— Eu é quem deveria perguntar isso, Fredward. – Responde o diretor, alcançando meu carrinho. Ele estende o panfleto do festival que segurava e me encara como se estivesse tentando me ler. – Poderia me dizer o porquê do panfleto do festival que eu te dei estar nas coisas da srta. Puckett?
— Eu apenas contei a ela sobre o evento que aconteceria no hospital, senhor. Não imaginei que deveria ser segredo para ela, já que há cartazes sobre o festival em todo o hospital e todos os pacientes foram orientados a criarem obras para expor durante o evento. – Afirmo, reunindo toda a coragem que tinha para encarar o diretor com firmeza.
— É mesmo? – Comenta o diretor, pegando o copinho com as duas pílulas que eu daria para Sam. Sinto o nervosismo me atingir ainda mais intensamente. Sam continuava a sussurrar que eu deveria ir embora, parecendo fazer um grande esforço para não chorar. Eu nunca a vi tão desesperada como naquele momento.
— Sr. Leblanc? – Chamo, vendo-o pega a pílula e a analisar com atenção. – Algum problema.
— Isso é o que nós vamos descobrir. – Responde o homem, colocando o comprimido de vitamina na boca. Arregalo os olhos, assustado. – Como eu imaginava.
— Senhor, isso... – Tento me justificar, mas ele apenas ergue a mão, indicando que eu devia me calar. O homem então pega a seringa que deveria conter o Propofol e aperta um pouco sobre sua mão. Ele então experimenta o sabor da substância e suspira, negando.
— Vitaminas e soro fisiológico, Fredward? Bom, tenho que confessar que foi realmente um bom plano. Faz sentido o sr. Dupont nunca ter desconfiado de você. Você encontrou excelente substitutos. – Confessa o homem, encarando-me com seus olhos negros intimidantes. – Não poderia esperar menos de meu mais inteligente enfermeiro. Mas é realmente uma pena que eu tenha descoberto o seu plano. Agora a srta. Puckett pagará caro pelos erros que você cometeu.
— Sr. Leblanc, por favor...
— Levem-na para o quarto branco. – Ordena o diretor, virando-se para os homens que estavam ao lado da garota.
— Não! – Tento avançar, mas outros dois homens que o acompanhavam me seguram. Em seguida, sinto uma descarga elétrica de alta tensão em minhas costas. Caio no chão, sentindo uma dor angustiante, enquanto meu corpo sofria vários espasmos musculares. Tento me mexer, mas era como se meu corpo estivesse sendo queimado.
— Para! Você prometeu! Não! Não machuca ele! Por favor! – Ouço Sam gritar e consigo virar levemente minha cabeça parar ver a loira tentar vir em minha direção.
— Contenham-na. – Decreta o diretor, sem demonstrar qualquer emoção. Nesse momento, um dos homens que tentavam conter Sam pega uma seringa de seu bolso e fura o braço da garota com brutalidade. Tento me mexer ou dizer qualquer coisa, mas eu não tinha controle algum sobre meu corpo. Em poucos segundos, Sam cai desacordada sobre a cama e é amparada pelos dois homens. – Levem-na para o quarto branco.
Seguindo as ordens do diretor, os dois homens colocam Sam em uma maca, prendendo seus braços e pernas. Ao garantir que ela não conseguiria se soltar mesmo que acordasse, eles deixam o quarto sem nem mesmo olhar para trás.
— Sam. – Sussurro, sentindo a dor em meu corpo amenizar um pouco.
O diretor se abaixa de frente para mim e puxa meu cabelo, obrigando-me a encará-lo. Seus olhos negros me observam atentamente, como se pensasse o que deveria fazer comigo.
— Por que você tinha que me trair dessa forma, Fredward? Eu realmente tinha grandes expectativas quanto a você e a possibilidade de assumir a diretoria do hospital quando eu me aposentasse. Até mesmo planejava te convencer a se casar com minha única filha para que os negócios continuassem dentro da família. – Comenta Louis Leblanc, suspirando frustrado.
— Sol...te a... Sam... – Balbucio, ainda sentindo os efeitos da descarga elétrica que recebi da arma de eletrochoque.
— No seu lugar, eu ficaria muito mais preocupado com o que vai acontecer com você. – Responde o diretor, soltando meu cabelo. Seus olhos esboçavam toda a fúria que sentia naquele momento. – Sr. Dupont! — O segurança não demora a aparecer. – Leve Fredward para o nosso quarto do castigo. Mostre a ele o que acontece quando um idiota decide me trair.
— Sim, sr. Leblanc. – Responde Claude, abrindo um largo sorriso. Ele se aproxima de mim, enquanto estralas os dedos das mãos. – Preparado para conhecer o inferno, Freddie? Eu terei o prazer de te fazer chorar, implorando pela sua mamãe.
— Quero... ver você... tentar. – Sussurro, dando um sorriso convencido. Furioso, Claude me dá um forte soco no rosto. Tudo ao meu redor fica escuro e não demora muito para que eu acabasse entregando-me a inconsciência, apenas desejando com todas as minhas forças que Sam ficasse bem.
Fale com o autor