Loucuras de Agosto

17 Consequências


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Aqui estamos com mais um capítulo. Ontem foi um dia bem complicado e eu estou desde ent~so sem inspiração. Espero que ainda assim eu tenha conseguido fazer um bom trabalho nesse capítulo. Novamente lembrando que todo o diálogo que estiver em itálico indica que eles estão conversando em francês. Quero agradecer demais a AndreaNeves, thais oliveira e Mari pelos comentários adoráveis no capítulo passado. Vocês realmente me dão muita inspiração para continuar a escrever. Obrigada! Espero que gostem desse capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO XVI – CONSEQUÊNCIAS

Desgraçado! – Claude desfere mais um soco violento contra meu rosto, fazendo com que a cadeira onde eu estava amarrado caísse e ocasionasse mais dores em meu corpo, no entanto, permaneço firme, mordendo meus lábios para impedir que qualquer som saísse, dando o gostinho ao segurança de me ver sofrer.

Eu não fazia ideia de onde eu estava ou de quanto tempo estávamos nesse joguinho onde eu era o saco de pancadas de Claude, mas eu não me permitia emitir nenhuma prova de que estava sofrendo e nem o quão miserável eu me sentia naquele momento. Minha mente seguia me torturando com as imagens de Sam sendo sedada e levada pelos homens do diretor Leblanc, enquanto eu assistia a tudo sem poder fazer nada.

Imaginar a loira presa no quarto branco em estado vegetativo me causava uma dor ainda mais dilacerante que os socos e chutes que eu recebia de Claude. Nada disso se comparava ao aperto em meu peito e a culpa angustiante que eu sentia por não ser capaz de cumprir com a minha promessa de mantê-la a salvo e de tirá-la desse hospital psiquiátrico.

Diga alguma coisa, porra! – Exige Claude, pisando diversas vezes em minha costela. Travo os dentes para conseguir suportar a dor. Seus ataques estavam se tornando cada vez mais brutais. – Por que a Hillary gosta de você? O que ela viu em um inseto como você? O quê?

Claude estava tão fora de controle que consegue levantar minha cadeira com facilidade e me joga contra a parede. A cadeira de madeira se quebra com o impacto e sinto uma dor aguda em meu tórax. O ar começa a desaparecer de meus pulmões e eu sabia que não demoraria muito para que eu voltasse a perder a consciência se continuasse a receber os golpes violentos como aquele.

— Por que ela olha para você da forma como deveria me olhar? Me diz! – Ele me puxa do chão, desvencilhando-me das cordas que me prendiam ainda as partes quebradas da cadeira. Claude me levanta pelo pescoço, sufocando-me, enquanto exibe uma expressão bestial. Com os olhos arregalados e avermelhados, a respiração forte e o rosto vermelho com as veias do pescoço se sobressaindo me mostravam o quanto ele estava tomado pela fúria. — A Hillary é minha, maldito! Fique... longe... dela!

— Ela... nunca... será sua. – Sussurro, tentando me soltar de seu aperto em minha garganta. O oxigênio começava a faltar em meu cérebro e não demoraria muito a perder a consciência.

Ele então me joga no chão e se afasta, indo em direção a uma mesa onde tinha diversos objetos de tortura como facas e bisturis. Finalmente livre de seu aperto, levo minhas mãos ao meu pescoço e começo a tossir, ainda atordoado. Observo o maldito pega uma pequena adaga na mesa e se vira para mim, sorrindo diabolicamente.

Já que ela insiste a exaltar a sua suposta beleza, vamos ver o que ela vai fazer quando ver como você vai sair daqui. Duvido que ela vai continuar te achando bonito. – Claude ri de forma psicótica e eu o observo se aproximar, sem forças para me levantar.

Claude! O sr. Leblanc disse que não podemos matá-lo. – Alerta um dos capangas do diretor, encarando-o com seriedade.

O sr. Leblanc disse que eu não podia matar esse maldito, mas não disse nada sobre desfigurar a cara, cortar as orelhas e língua ou perfurar os olhos dele. – Responde Claude, encarando-me com os olhos brilhando em expectativa. – Você é tão sortudo que o diretor continua a te proteger mesmo depois de traí-lo tão estupidamente. Eu não irei matá-lo. Mas não se preocupe, Freddie, eu só vou machucar muito, mas muito você. E quando eu terminar, você vai desejar nunca ter cruzado meu caminho e atrapalhado minha vida como você e sua família fizeram.

Claude me puxa pelo cabelo e sorri daquela forma aterrorizante. Ele levanta a adaga e pela forma como ele encarava meus olhos, eu sabia que ele estava realmente pronto para me deixar completamente irreconhecível. Permaneço em silêncio. Eu já não me importava mais com o que aconteceria comigo, mas minha mente continuava a exibir as memórias de meus últimos momentos com Sam. De seu lindo sorriso e dos olhos brilhantes. Relembro de como nossos corpos se encaixaram tão perfeitamente naquele minúsculo banheiro de avião. Eu daria tudo para ter aqueles momentos de volta. Daria minha vida se fosse preciso apenas para garantir que ela sairia desse lugar viva e saudável. E então vejo a adaga na mão de Claude vir em direção ao meu olho direito.

Já chega, sr. Dupont! Afaste-se de Fredward. — A voz do diretor ecoa de maneira firme no quarto, fazendo com que a mão do segurança parasse antes que a adaga atingisse meu olho. No entanto, ele permanece a me encarar, com a arma a poucos centímetros de distância de meu rosto. – Eu mandei você se afastar dele, sr. Dupont. Obedeça às minhas ordens.

— Mas sr. Leblanc, ele é um maldito traidor. Nós precisamos dar uma lição nele para que todos aprendam que não se deve desafiar o seu poder. – Insiste Claude, mas ao ter a arma de um dos capangas do diretor na mira de sua cabeça, ele nota que sua decisão não deveria ser questionada. Claude me joga com brutalidade no chão e se afasta.

Ótimo. Agora vá tomar um ar. Você está precisando se acalmar e relembrar que quem toma as decisões nesse lugar sou eu. E eu pensei que tivesse sido bem claro quando disse que eu não queria que você o matasse. Da próxima vez que você sequer pensar em me desobedecer, considere-se um homem morto. Estamos entendidos? — Questiona o diretor, aproximando-se de Claude com uma expressão intimidadora. Claude parece paralisado de medo e é incapaz de responder. – Eu perguntei se nós estamos entendidos, sr. Dupont. Eu terei que usar métodos mais extremos para que você compreenda?

— Eu entendi, sr. Leblanc. – Responde Claude, nervoso.

Muito bem. Agora saia. – Ordena o diretor, afastando-se do segurança, que ainda me encara mais uma vez, expressando toda a raiva que ainda guardava de mim, antes de desaparecer pela única porta e entrada de ar que havia no quarto.

Apoio minhas costas na parede e fecho os olhos por algum tempo, tentando me recuperar e suportar as dores dos ferimentos que Claude havia causado em mim. Respiro fundo algumas vezes e sinto o olhar do diretor sobre mim. Volto a abrir meus olhos e ele permanecia de frente para mim, encarando-me com intensidade. Ele suspira e se vira para o capanga que permanecia na sala.

Saia você também. Eu preciso conversar com o Fredward. – Resmunga o diretor e o homem assente, saindo da sala em seguida, deixando-nos às sós. Vejo o diretor vasculhar os próprios bolsos e tirar um maço de cigarro junto com um isqueiro. – Eu preciso fumar.

O homem pega um cigarro e guarda o maço de volta em seu bolso, suspirando em seguida. Permaneço quieto, apenas o observando-o para tentar entender o que ele planejava fazer comigo. Ele encara o cigarro por alguns instantes e o coloca na boca.

— Sabe, eu estava determinado a parar de fumar. Dessa vez eu tinha levado isso à sério e já estava há seis meses sem colocar um mísero cigarro na boca, mas você e a srta. Puckett são... — Ele acende o cigarro e dar um forte trago, antes de suspirar e soltar a fumaça lentamente pela boca. Como um viciado que finalmente tem contato com sua droga depois de um longo e doloroso período de abstinência, ele volta a tragar, mas dessa vez a fumaça sai pelo seu nariz enquanto ele esboça um sorriso de satisfação. — Vocês são realmente trabalhosos.

O diretor guarda o isqueiro no bolso de seu terno e anda de um lado para o outro com o cigarro preso entre seus dedos. Seus olhos negros semelhantes a escuridão amarga de uma noite sem estrelas recaem sobre mim e ele para de andar.

— Por que está fazendo isso, sr. Leblanc? Por que machucar uma garota inocente? Nós dois sabemos que Sam não precisa de medicamentos e nem mesmo deveria estar aqui. Então por quê? – Pergunto com a voz baixa e ainda tendo um pouco de dificuldade para falar. Ainda assim, parece que ele consegue entender minhas perguntas, pois me encara como se eu fosse um idiota e começa a rir.

— Por quê? – Repete o homem, rindo com escárnio. – Não é óbvio o motivo? É claro que eu estou fazendo isso por dinheiro. Acha que é fácil manter um hospital psiquiátrico afundado em dívidas desde sua fundação e o estilo de vida de uma esposa preocupada com status? Se eu achava que a mãe de Hillary era terrível, isso é porque eu não conhecia a minha atual esposa. Noemi consegue ser ainda mais fútil que Natalie. — Louis leva o cigarro a boca mais uma vez, expressando o quanto estava estressado. – Francamente! Tudo o que Noemi sabe fazer é pedir e comprar. Eu já perdi as contas de quantos colares de pedras preciosas ela me fez comprar nesses últimos cinco anos de casamento.

— Colar? – Repito e a palavra parece servir como um gatilho para as minhas memórias.

— Sim. Ela tem uma estranha coleção de colares. – Resmunga o diretor, afrouxando sua gravata. Ele tira também o terno que usava e puxa a cadeira que estava ao lado da mesa com objetos de tortura para se sentar e voltar a fumar mais relaxado. – O último colar que ela me fez comprar pertenceu a rainha Marie Antoinette e custou mais de três milhões de dólares. Essa merda de colar...

Ignoro os resmungos do diretor que naquele momento desabafava sobre as ostentações da atual esposa, algo que eu jamais o imaginei compartilhando comigo, e relembro de minha última conversa com Sam.

— Onde conseguiu esse colar? – Pergunto, enquanto pego o delicado cordão com um pingente delicado em formato de coração.

— Hillary. – Responde e eu a encaro ainda mais confuso, tentando entender qual o objetivo da modelo de dar um colar para Sam, sabendo das regras do hospital. – Ela disse que ele é dispositivo de localização. Eu quero que você use isso e o acione caso esteja em perigo. Ele provavelmente vai emitir um sinal que dirá a ela onde você está para que possa te ajudar.

— Você deveria usá-lo, afinal, é você que vai sair daqui. – Digo e ela nega, colocando a mão sobre a minha, quando tento devolver. – Sam?

— Apenas fique com ele. Pode parecer estranho, mas sinto que você vai precisar. – Afirma, encarando-me com seriedade. – Por favor.

Disfarçadamente, levo minha mão ao meu pescoço e sinto o colar ainda preso em minha garganta, escondido dentro de minha camisa. Fingindo estar incomodado com o aperto que sofri de Claude, aperto o pingente de coração com os olhos presos no diretor, que continuava a explicar os motivos que o levaram a precisar de tanto dinheiro.

Eu não sabia se o colar funcionaria. Sem ter tido tempo para analisar o pingente e sua tecnologia, eu não sabia dizer se Hillary realmente receberia minha localização. Na verdade, se fosse em outro momento, eu jamais envolveria a garota nessa confusão, mas ela é a minha única chance de sair desse lugar e salvar Sam. Então mesmo indo contra os meus princípios, decido que esse não é o momento de ser orgulhoso.

Com esperanças de que Sam estivesse certa e que Hillary conseguisse enviar minha localização para a polícia, volto a dar minha atenção ao diretor, que termina suas reclamações sobre a esposa e fumava seu cigarro em silêncio. Respiro fundo e minha ação parece atrair os olhares tenebrosos do diretor.

— Como... você descobriu? – Exponho a pergunta que martelava em minha mente desde que encontrei o diretor no quarto de Sam com seus capangas.

O homem se levanta e apaga seu cigarro, esfregando a bituca na mesa com as armas de tortura. Ele solta a fumaça que prendia lentamente e me encara com um brilho divertido em seus olhos.

— Tudo começou no seu primeiro encontro com a srta. Puckett. Foi evidente que ela te reconheceu assim que entrou naquele quarto. A forma como ela olhou para você como se você fosse a salvação dela me fez perceber que vocês já se conheciam e ela confiava em você. E então, veio a segunda parte estranha da história. A paciente tinha uma grande resistência a medicamentos e tudo o que eles faziam eram deixá-la mais calma? Você sabe, Fredward, eu também me formei em enfermagem. A dosagem que eu receitei de Propofol e Bromidrato de Citalopram deveriam deixá-la em coma induzido. Mesmo que ela fosse resistente a esses medicamentos, a srta. Puckett ao menos apresentaria alguma mudança brusca. Ficaria sonolenta e extremamente enfraquecida. Mas ao encará-la, era evidente que ela estava mais forte e energética do que nunca. Então resolvi rever as filmagens da câmera de segurança escondida no quarto dela.

— Então você realmente possui câmeras nos quartos dos pacientes. – Confirmo minhas suspeitas e ele ri, encarando-me como se eu tivesse feito uma pergunta idiota.

— É claro que eu tenho. Eu preciso saber o que os pacientes estão fazendo e como meus empregados estão se comportando. Mas se todos souberem que estão sendo vigiados pelas câmeras nos quartos dos pacientes, vocês iriam acabar procurando por elas e encontrando formas de desativá-las. Por isso, no primeiro dia de trabalho, eu digo que os quartos e os banheiros são os únicos pontos do hospital sem câmera. – Responde o homem, dando de ombros. Ele então volta a se sentar em sua cadeira e me encara com seriedade. – Eu vi que você permitiu que ela usasse seu celular e que jogou fora os medicamentos. Confesso que isso me deixou bastante decepcionado, Fredward. Você era uma das pessoas que eu mais confiava nesse hospital.

— Eu jamais poderia dar aquela quantidade absurda de medicamento para ela. Isso poderia matá-la! Quando eu me formei, fiz um juramento que dizia que eu faria de tudo para salvar a vida das pessoas. Você deveria saber que eu nunca daria uma mistura arriscada como essa para Sam ou qualquer outro paciente. – Respondo com determinação e ele suspira.

— Bom, eu ainda tinha esperanças de que você voltaria a ser o enfermeiro bonzinho e obediente, então te dei mais uma chance. Essa era a chance perfeita para te transformar. Soube pelo o sr. Greene que você e a srta. Puckett nunca se deram bem. Ela te perseguiu e maltratou muito quando eram criança até o dia em que você mudou para Seattle. Então, pensei que você me ajudaria a controlar a srta. Puckett e finalmente se vingaria dela. Para mostrar que estar ao meu lado era vantajoso, eu até mesmo revelei que esperava que você se tornasse meu sucessor. Você tem talento, Fredward. É bonito, inteligente e sabe conquistar as pessoas. Com um pouco de treinamento, você se tornaria um excelente sócio. O problema é que você continuou a mentir para mim. – O diretor do Troubled Waters suspira, balançando a cabeça em negação.

— Você realmente não me conhece. Não importa o que Sam fez comigo no passado. Eu jamais colocaria a vida de uma pessoa em perigo apenas porque eu não me dou bem com a pessoa. – Afirmo, incrédulo com a falta de empatia que o diretor parece demonstrar pelas pessoas.

— De qualquer forma, eu precisei usar seguranças para garantir que você não me trairia. Eu pensei que ter o sr. Dupont em cima de você o impediria de seguir com seu plano de ajudar a srta. Puckett, mas novamente me enganei. Você conseguiu trocar os remédios e dessa vez passou a “medicá-la”. Ainda assim, eu sabia que tinha alguma coisa de errado. Mesmo recebendo o medicamento, a srta. Puckett não apresentava mudança alguma. – Continua o diretor, ignorando minha resposta anterior. – Mas hoje eu finalmente entendi o que acontecia. Você tinha dois comparsas. Seus melhores amigos, sr. Gibson e a srta. Shay. Pelas câmeras de segurança, eu vi quando o sr. Gibson iniciou a confusão no salão e você e a srta. Puckett aproveitaram para conversar sem que o sr. Dupont percebesse.

“Pensei então em vasculhar o quarto da srta. Puckett para entender o que planejavam fazer e então qual não foi minha surpresa ao encontrar o panfleto do evento em suas coisas? Naquele momento eu entendi tudo. Você planejava usar o festival beneficente anual para ajudar a srta. Puckett a fugir.” – Louis se levanta e se aproxima de mim com um olhar de decepção. – Eu tenho que confessar que suas ações foram muito bem calculadas. Você foi bastante discreto. Se não fosse pelos seus dois erros, eu jamais perceberia. Mas agora que eu descobri toda a verdade, vocês precisarão lidar com as consequências de seus atos.

— E o que planeja fazer comigo agora? Vai me matar? – Questiono ousadamente. Olho para a mesa com as armas de tortura e o olhar do diretor acompanha o meu. Eu estava desamarrado e sozinho com ele. Mesmo machucado, eu ainda conseguiria fazer algum estrago se conseguisse alguma das armas. — Você sabe que se eu sair daqui todo o seu esquema de corrupção será revelado.

— Uma ameaça, Fredward? Estou orgulhoso de você. Está até mesmo cogitando me matar. Parece que você não é tão bonzinho quanto eu pensava. – Comenta o homem, sorrindo com satisfação. E a tranquilidade com a qual encarava a situação me deixa temeroso. Ele ainda tinha alguma carta na manga. Eu tenho certeza disso.

— O que você está planejando? – Questiono, cauteloso. – O que está escondendo?

— Você é sempre muito esperto, Fredward. – Responde o diretor, observando-me com um sorriso divertido no rosto. Ele suspira e volta a se sentar. – Sabe, depois que descobri a verdade, eu pensei seriamente no que deveria fazer com vocês. Ao acionar o sr. Greene, recebi ordens claras de que deveria dar um fim a sua adorada sobrinha da maneira mais dolorosa e torturante possível. Ele até mesmo me pagou o dobro do que me pagaria só para ter certeza de que Samantha Puckett teria uma morte terrível e brutal.

“Mas eu não sou um assassino à sangue frio, Fredward. Eu posso fazer tudo por dinheiro, mas se uma paciente morre de maneira tão trágica estando em meu hospital, minha repulsão é afetada. Eu também não poderia dizer que ela fugiu. O Troubled Waters Mental Hospital é conhecido pelo seu forte sistema de segurança. Samantha conviveu bastante com os funcionários e os outros pacientes para seu desaparecimento passar despercebido.

Então, resolvi levar a srta. Puckett para o quarto branco. Infelizmente, ela realmente é resistente a medicamentos, então mesmo usando dosagens mais altas, ela consegue agir. Os sedativos possuem uma ação de menos de dez minutos nela. E eu confesso que já estou me cansando dela.” – Conta Louis, parecendo entediado. – Você está certo. Se você saísse daqui eu poderia ter grandes problemas. Eu também não quero te matar, Fredward. Apesar de sua teimosia, eu gosto de você. Quando eu olho para você, eu vejo o mesmo jovem que eu costumava a ser. Então, eu quero te fazer uma proposta. Mas não uma proposta qualquer. Uma excelente proposta.

— Proposta? Que tipo de proposta? – Pergunto, ainda pensando em alguma forma de pegar uma arma, antes que ele pudesse me impedir.

— Nós vamos esquecer tudo o que você fez até agora e eu vou te tornar meu sócio. Vamos fingir que a srta. Puckett nunca existiu. Você me ajudará a conseguir mais pessoas que planejam desaparecer com seus familiares de maneira discreta, como o tio da srta. Puckett. Eu conheço seu poder de argumentação melhor do que ninguém. Você pode convencer as pessoas facilmente. Isso com certeza aumentará nosso lucro. – Responde o diretor e eu começo a rir, realmente sem acreditar em suas palavras. – Qual é a graça, Fredward?

— A graça é você achar que eu realmente aceitaria participar de algo assim. – Afirmo, furioso.

— Bom, se você recusar a minha proposta, pode dar adeus a sua amada e doce Samantha Puckett. Neste exato momento, eu tenho três homens prontos para esfaquear a srta. Puckett até a morte. Nós estamos no segundo subsolo. Até você chegar ao terceiro andar, ela já estará morta. Se você tentar me machucar, o mesmo acontecerá com ela. Meus homens estão ouvindo toda a nossa conversa. Se eu apresentar qualquer som de dor ou parar de falar por mais de cinco minutos, eles estão autorizados a entrar no quarto branco para matá-la. A escolha é sua, Fredward. — Explica Louis, parecendo se divertir com o meu desespero. – E então? Você aceita a minha proposta?

— Você é doente. – Afirmo, sentindo meu coração bater em desespero. Ele ri e me encara em desafio, sem realmente se abalar. Sua confiança era assustadora. – Se você estiver falando a verdade, ainda que eu aceite sua proposta, você poderia muito bem mandar seus homens a matarem.

— E é por isso que você terá que confiar em mim, meu caro, Fredward. – Responde o diretor, cruzando os braços, enquanto exibe um sorriso presunçoso. – E qual será a sua resposta?

E antes que eu dissesse qualquer coisa, a porta do quarto é escancarada, assustando-nos. Tanto eu quando Louis encaramos a única entrada de ar do local e nos surpreendemos ao encontrar Hillary com seu olhar intimidador, enquanto segurava duas armas. Ela usava colete a prova de bala com o nome da CIA gravado nele, botas coturnos e eu ainda conseguia ver mais duas armas em sua cintura.

— A resposta dele é não, querido papai. – Fala Hillary, entrando no quarto. Ela me encara com preocupação e faz uma análise rápida.

— Não, Hillary! O que você está fazendo? Precisa salvar a Sam! – Digo, desesperado.

— Olha, sinceramente, eu estou cansada de vocês dois. – Resmunga Hillary, parecendo frustrada. – Eu disse para tomar cuidado, mas vocês não me ouviram. Depois eu disse que era para a Sam usar a droga do colar, mas ela resolve te dar. Se ela tivesse acionado o sinal quando meu pai entrou no quarto dela, tudo teria sido resolvido sem grandes problemas. Mas não, vocês nunca ouvem a Hillary. Ai quando eu decido salvar a Sam, ela me manda salvar você. Quando eu venho salvar a Sam, você acha ruim e me mandar ir salvá-la.

— O que você está fazendo Hillary? – Pergunta Louis, assustado com a aparição da filha. – Que roupa é essa?

— Isso, meu odioso pai, é a minha verdadeira profissão. E por sua causa, eu estou bastante encrencada. Então cala a boca e coloca as mãos na cabeça que eu vou te algemar e finalmente te mandar para a cadeia, que era onde você deveria estar há muito tempo. – Responde Hillary, aproximando-se com as duas armas ainda apontadas para o pai. Ele a encara sem acreditar. – Anda. Eu não tenho o dia todo.

— Hillary... – Começo, preocupado com Sam.

— Ela está bem, mas continua no quarto branco. Eu nunca fui muito boa com tecnologia e a droga da porta não abria. Antes que eu a explodisse, o reforço dos homens que a vigiavam chegou. Infelizmente eles foram bastante trabalhosos. Quando eu finalmente terminei de dar uma surra neles, recebo o seu sinal. Então resolvi te tirar daqui primeiro. Vou precisar da sua ajuda para destravar aquela porta. – Responde Hillary, parecendo cansada. Ela então se vira para o pai. – E o que você está esperando? Eu já mandei você colocar a droga das mãos na...

De repente, Louis retira uma arma de sua cintura e simplesmente atira contra Hillary. No entanto, Hillary prevê a ação do pai e se move, atirando contra ele. Tudo aconteceu de forma tão rápida que tudo o que consigo ver é o diretor do hospital caindo no chão com um tiro na cabeça e Hillary com a mão no ombro, tentando estancar o sangue do local baleado. Assustado, corro até a garota, que comprimia os olhos e apertava os lábios para impedir gritar de dor.

— Hilary! Você está bem? – Pergunto, vendo que ela sangrava com intensidade.

— Ah, estou ótima. Acabei de levar um tiro e matei o meu pai. Não poderia estar melhor. – Ironiza a garota e eu acabo me encolhendo com a fúria evidente em sua voz. Ela respira fundo algumas vezes, parecendo tentar controlar as emoções. – Tudo bem, Hills. Você é forte. Isso não é nada. Isso não é nada. É sua primeira vez levando um tiro, mas você não vai chorar. E também não vai chorar pelo desgraçado do seu pai. Ele não merece isso. Você é forte. Fez o que precisava.

— Hillary... – Sussurro, preocupado. – Deixa-me ver esse ferimento. Talvez eu possa fazer...

— Não temos tempo para isso. Hugh mandou homens para matar Sam. Ela está correndo perigo. Eu consegui acabar com os que estavam no hospital, mas eles conseguiram chamar por reforços ainda. Nós não sabemos quantos e quem são os nossos inimigos. Alguns agentes da CIA estão a caminho a pedido de Natasha, mas eles devem demorar para chegar. O irmão de Carly está esperando com ela e Gibby do lado de fora do hospital. Essa é a nossa chance de tirar a Sam daqui. O festival já se iniciou, então vamos aproveitar que todos estão ocupados com as apresentações para tirar vocês daqui o mais rápido possível. – Explica Hillary com um autocontrole emocional impressionante.

— Mas e você? O seu ferimento...

— Não é hora de se preocupar comigo, Freddie. Eu sou uma agente da CIA. Fui treinada para sobreviver a perigos como esse. Esse tiro não é nada. E você me prometeu que ficaria bem e que tiraria Sam desse lugar em segurança, não importasse o que acontecesse. Então a hora chegou. – Hillary me interrompe, encarando-me com intensidade. – Vamos cumprir a sua promessa. Essa é a nossa única chance. Entendeu?

— Tudo bem. – Concordo, um pouco contrariado, mas Hillary estava certa. Eu fiz uma promessa e eu vou cumprir com ela. Não importa o que aconteça.

Notas finais
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