Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Desculpa o horário. Hoje foi bem difícil escrever. Quero gradecer demais aos comentários da Samantha, AndreaNeves, Mari e thais oliveira no capítulo passado. Espero que gostem desse capítulo. Boa leitura..

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO VII — CONFIANÇA

As luzes do quarto sendo ligadas atingem meu rosto e me incomodam. Puxo o cobertor para me proteger da claridade e me remexo, preguiçosamente. Ouço gritos e o som estridente de buzinas e acabo me lembrando que eu não estou em minha casa e sim em um maldito manicômio há muitos quilômetros de distância da minha cidade natal.

Bufo e empurro o cobertor que me cobria. Encaro o teto branco do quarto e repasso tudo o que tem acontecido em minha vida nesses últimos dias. Essa foi a primeira noite que eu consegui dormir desde que cheguei a Paris. De certa forma, eu me sentia mais calma tanto por finalmente ter conseguido dormir quanto por saber que eu não estava mais sozinha.

Eu jamais admitiria isso em voz alta, é claro, mas eu confiava em Freddie e me sentia muito mais aliviada por saber que ele estava tão determinado quanto eu para me tirar desse hospital psiquiátrico. Carly também sido de grande ajuda para me mostrar que mesmo em meio a tantas pessoas estranha, ainda havia aquelas em quem eu podia acreditar naquele lugar.

Levanto-me de minha cama e me sento assim que escuto batidas na porta. Eu estava faminta e me sentia animada só em pensar nos sanduíches de presunto que o nerd me traria. E assim como nos dias anteriores, ele abre a porta e entra com seu carrinho com o café da manhã e os medicamentos. No entanto, surpreendo-me ao ver um segundo homem entrar no quarto.

Ele era alto, careca e musculoso ao ponto de ser intimidador. Ao seu lado, Freddie mais se parecia com uma criança. Os olhos pretos eram grandes assim como seu nariz. O homem usava terno preto e esboçava uma expressão séria e fechada.

— Quem é ele? – Pergunto em alerta. Freddie me lança um olhar sério e significativo. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sentia que não gostaria nenhum pouco de descobrir.

Freddie fala em francês com o homem, que o responde e assente, dando um pequeno sorriso. O enfermeiro faz sinal para que o segurança esperasse onde estava e se aproxima com seu carrinho, mantendo seus olhos fixos nos meus. A cada instante que passava, mais apavorada eu ficava. Freddie para a alguns metros de mim e encara o homem antes de se virar para mim.

— O que está acontecendo? – Questiono, nervosa. Seus lábios exibem um “confie em mim” e nesse momento percebo que algo realmente muito ruim está para acontecer.

— Samantha, esse é o Claude. Ele será seu mais novo segurança. O sr. Leblanc pediu para ele ficar ao seu lado para te ajudar sempre que for preciso. Ele fala um pouco de inglês, então não precisa se preocupar. – Responde Freddie, forçando um sorriso, enquanto me entrega o prato com três sanduíches e o suco de laranja. Sinto aquele arrepio ao ouvir ele falar o meu nome novamente. Repreendo-me mentalmente por continuar me sentindo tão afetada por algo tão simples quanto ouvir o rapaz proferir o nome “Samantha”. Ele volta a falar em francês com o homem, que se aproxima cauteloso.

— Olá, Samantha. Eu me chamo Claude. – Apresenta-se o segurança com o forte sotaque francês. Sua expressão continuava indecifrável e eu não conseguia confiar nenhum pouco nele.

— Por que ele está aqui? – Questiono, bebendo o copo de suco de uma vez. Volto minha atenção para os sanduíches. Quando nervosa, eu descontava na comida. E quanto mais eu encarava esse enfermeiro, mais ansiosa eu me sentia. Ainda mais porque eu sabia que se ele foi mandado pelo diretor do hospital, Freddie não poderia jogar os medicamentos fora, como estamos fazendo nos últimos dias.

— Nós conseguimos a autorização para você frequentar as áreas comuns do hospital com os outros pacientes, Samantha. – Responde Freddie, tentando soar animado. Seus olhos exibiam aquele mesmo desespero de quem diz que eu deveria apenas seguir o que ele dizia.

— Sam. – Corrijo, colocando o prato vazio dos sanduíches sobre o carrinho de Freddie. Encaro o tal Claude com seriedade, mas logo volto minha atenção para o enfermeiro, que parecia a ponto de implorar para que eu não dissesse nada. Suspiro e forço um sorriso para o segurança. – Pode me chamar de Sam, Claude.

— Ok, Sam. – Concorda o segurança, encarando Freddie, como se esperasse a aprovação do rapaz, que sorri e assente para Claude.

— Agora que você terminou de comer, está na hora dos seus remédios, Sam. – Fala Freddie e o desespero toma conta de mim. Encaro-o com intensidade. Ele faz aquela expressão de que também não gostava da situação. – Eu sei que não gosta, mas vamos mostrar para o Claude como você melhorou.

Freddie então pega o copinho com dois comprimidos e me estende junto com um copo de água. Noto pelo canto do olho que o segurança nos observava com atenção. Relembro do pedido silencioso para que eu confiasse nele. Eu realmente não queria. Odeio remédio e o medo dos efeitos do que ele me daria faziam meu coração bater descompassado.

Ainda assim, eu sabia que precisava confiar no rapaz. Freddie não colocaria minha vida em risco. E ele havia me alertado sobre ter que fazer tudo o que ele dissesse se eu quisesse sair desse hospital. Obviamente, se o diretor resolveu colocar um segurança para me vigiar, devia estar desconfiado das ações de Freddie. Então, ainda hesitante, pego o copinho de medicamento e o copo de água, fazendo o enfermeiro sorri aliviado.

Respiro fundo algumas vezes e decido que precisava fazer isso. A minha vida e o emprego de Freddie estão em perigo. Finalmente coloco os comprimidos branco na boca e me imediatamente bebo a água. Surpreendo-me ao sentir um gosto cítrico e quase rio ao reconhecer os comprimidos de vitamina que Beth me obrigou a tomar uma vez. Tenho um pouco de dificuldade para engolir, mas me sinto muito mais aliviada ao saber que o único efeito que poderia ter era aumentar a minha imunidade.

— Muito bem, Sam. – Freddie sorri e vejo seus olhos brilharem. Sorrio de volta e suspiro ao ver a seringa na mão do rapaz.

— Isso é mesmo necessário? – Questiono, temerosa. Ele dá um fraco sorriso e assente, concordando.

— Infelizmente sim. Mas é para o seu próprio bem. – Afirma Freddie e eu apenas me viro para facilitar o acesso do rapaz ao meu braço.

A verdade é que depois de saber que o comprimido sedativo havia sido substituído por vitaminas, eu me sentia muito mais à vontade e aliviada para receber o segundo “medicamento”. O brilho dos olhos cor de molho barbecue eram o bastante para me garantir que tudo ficaria bem.

Depois de colocar as luvas, Freddie levanta a manga de minha blusa e com delicadeza aperta a pele com o polegar e o indicador. Para a minha surpresa, ele tinha a mão leve e mesmo quando me furou, eu não senti praticamente nada além de uma leve pressão. Calmamente, ele aperta a seringa e assim que termina de dar a injeção, remove a seringa, afastando-se para descartar as luvas e a agulha.

Entre comprimidos e injeções, eu sempre preferi os remédios intravenosos. Muito mais rápido e eu não tinha que ficar sentindo aquele gosto desagradável de remédio na boca ou enfrentar o desafio de engolir aqueles comprimidos gigantescos que faltavam pouco a ficar entalados em minha garganta. Ao contrário de Beth, que sempre fazia um escândalo quando precisava ser vacinada, eu nunca tive problemas com agulhas.

— Prontinho, Sam. Você já está liberada para conhecer os outros pacientes. – Responde Freddie, voltando-se para Claude.

Eles começam a conversar em francês. Eu odiava aquela sensação de estar por fora do assunto. Em determinado momento, Freddie parece incomodado e tenho a impressão de que argumentava com o homem sobre mim. O segurança cruza os braços e fala algo ao enfermeiro, que nega e responde firmemente.

Claude se encolhe levemente e me encara por alguns instantes e suspira, dando-se por vencido, antes de volta sua atenção a Freddie. Eu não fazia ideia do que disseram, mas foi inevitável não sorri convencida para o segurança, gabando-me de algo que eu nem mesmo sabia do era, mas tinha certeza de que Freddie tinha ganhado a discussão.

— Vá se arrumar. Assim que terminar, Claude vai te conduzir para o salão principal do hospital. – Orienta Freddie, dando um fraco sorriso.

— Por que ele? Aonde você vai? – Questiono, preocupada. Eu não queria ficar sozinha com o brutamontes.

— Eu preciso medicar os outros pacientes. Isso pode demorar um pouco. – Explica Freddie e eu suspiro, incomodada.

— Eu espero você. – Afirmo, encarando o segurança que continuava de braços cruzados e expressão fechada.

— Tudo bem. Claude ficará do lado de fora. Em uma hora eu volto. – Responde Freddie, ajeitando as louças de meu café da manhã.

Ele fala com o segurança, que vejo ranger levemente os dentes e sai do quarto. Freddie vai logo atrás, lançando uma piscadela para mim. Antes que ele fechasse a porta, trocamos rápidos olhares. Eu não sabia o que queriam dizer, mas me sinto mais calma depois disso. Ele sorri levemente e fecha a porta. Permaneço mais alguns segundos a encarando e me levanto para ir ao armário do quarto.

Bufo ao ver que tudo o que tinha naquele lugar era o uniforme horrível do hospital. Eu nunca pensei que sentiria tanta falta de minhas roupas ou das que Beth me obrigava a usar. Vou para o banheiro e encaro a calça e a blusa largas brancas com a logomarca do hospital psiquiátrico que eu usava e estremeço. Definitivamente, eu estava longe de estar sexy.

Em minha mente, sinto a intensa vontade de saber se naquele momento, Freddie continuava a me achar a mulher mais bonita que ele já viu na vida, como disse para Carly no dia que transamos. Arregalo os olhos ao me dar conta no que eu estava pensando. Não tinha motivos para me importar com a opinião do nerd quanto a minha aparência. Talvez eu esteja mesmo enlouquecendo. Bato algumas vezes em meu rosto e o lavo.

[...]

Como Freddie tinha dito, ele demorou um pouco a aparecer de novo. No entanto, eu me senti muito mais confiante com a presença dele. E assim como aconteceu mais cedo, no momento em que Freddie entrou no quarto, o segurança veio logo atrás como um carrapato. Ele parecia mais impaciente e mal-humorado do que mais cedo.

— Está pronta, Sam? – Pergunta Freddie e eu assinto, ansiosa. – Carly estará por lá também para te ajudar, caso se sinta deslocada. A atividade do dia é pintura, então acho que você vai se divertir com os outros pacientes.

— Tudo bem. – Concordo, levantando-me.

Freddie sorri e estende a mão. Observo-o confusa, tentando entender o que ele queria. O nerd revira os olhos e pega em minha mão, puxando-me para fora do quarto. Sinto um arrepio eletrizante percorrer meu corpo com aquele simples gesto. Engulo em seco, procurado controlar meus impulsos. Eu realmente não estava conseguindo me reconhecer.

Assim que saio do quarto, Freddie fecha a porta e lança um olhar significativo para o segurança, que mais uma vez se encolhe. Olho em nossa volta e me surpreendo ao ver o tamanho do corredor branco com inúmeras portas. Imagino que cada uma delas correspondia a um quarto diferente. Algumas pessoas passam por nós e cumprimentam Freddie com animação, que acena e sorri com gentileza como resposta.

Sem dizer nada, o enfermeiro volta a me conduzir pela mão. Não consigo evitar o impulso de encarar nossas mãos e era estranho como ao mesmo tempo que aquele toque me causava frio da barriga, o calor de sua mão também fazia eu me sentia confortável e segura. Instintivamente, entrelaço nossos dedos e recebo um olhar discreto de Freddie, que sorri de lado e aperta mais nossas mãos, antes de voltar a se virar para frente.

Nós andamos em completo silêncio até o elevador do andar, que me surpreendi ser o segundo. Freddie aperta o botão e no mesmo instante sinto o segurança ao meu lado. Incomodada, aproximo-me mais do enfermeiro e respiro fundo, procurando manter a calma.

— Você vai gostar deles. Eu garanto. – Afirma Freddie, dando aquele sorriso acolhedor. – Não precisa se preocupar. A maior parte dos pacientes falam inglês, então você vai conseguir se comunicar com eles.

— Falam? – Surpreendo-me com a informação. – Então esse hospício não tem apenas franceses?

— A sua grande maioria sim. Alguns são dos países vizinhos. Mas todos vieram de famílias ricas, que os obrigaram a aprender o inglês ou vieram de países que são fluentes em inglês como a Inglaterra. Eu te disse. O Troubled Waters é uma referência mundial em hospital psiquiátrico.

— Entendi. – Balbucio, ainda surpresa. Nesse momento, o grandioso e completamente metálico elevador chega ao nosso andar e nós entramos. Infelizmente, o brutamontes também nos acompanha. Viro-me para Freddie e encaro o segurança discretamente. – A versão mal feita do The Rock precisa mesmo ficar o tempo todo conosco.

— Sim. – Sussurra Freddie, suspirando. – Mas não se preocupe. Ele não vai interferir em suas atividades. Ele está mais para um espião.

— Merda. – Resmungo e recebo um olhar repreendedor do segurança. Reviro os olhos, desejando que ele desaparecesse em um passe de mágica.

Felizmente, não demora muito para que chegássemos ao térreo do prédio. Assim que as portas do elevador se abrem, arregalo os olhos ao ver a quantidade de pessoas que havia no local. O ambiente era completamente caótico, mas divertido. Uma música animada tocava e muitos dos pacientes cantavam e dançavam. Noto a enorme televisão ligada e inúmeras pessoas sentadas, assistindo ao desenho animado que passava.

Freddie me puxa para me aproximar de toda aquela multidão de loucos divididos em grupos que transformavam aquele lugar em um ambiente tão divertido. Vejo outros pacientes jogando xadrez e tinha até mesmo aqueles que liam ou coloriam em folhas com giz de cera. Definitivamente, aquele cenário estava longe de ser deprimente ou assustador como eu havia imaginado.

— Freddie!— Uma garota de olhos castanhos e longos cabelos ondulados escuros se aproxima e abraça o enfermeiro com intensidade. Ele solta minha mão e corresponde ao abraço com carinho. Um sentimento incomodo atinge meu coração. Eu não havia gostado nada daquele sorriso doce de Freddie para a linda garota.

— Jujuba! – Responde o rapaz, acariciando os cabelos da garota. Ele a afasta e sorri com diversão, virando-se para mim. – Jujuba, eu quero que conheça a minha amiga, Sam. Sam, essa é a Juliana. Mas ela gosta de ser chamada de Jujuba.

— Oi Sam! – E assim como fez com Freddie, a garota me abraça intensamente. Encaro o enfermeiro, pedido por ajuda e ele dá de ombros, como se dissesse que eu apenas resolvesse isso. – Eu sou a Jujuba. Se você é amiga do Freddie, também é a minha amiga.

— Oi Jujuba. – Digo, acabando por corresponder ao abraço. Ela então se afasta e encara Claude, apontando para ele com uma expressão desgostosa. – Ennuyeuse! Laid ! Vilain !

— O que ela disse? – Pergunto, interessada em saber o que significava aquelas expressões que tinha deixado o segurança com cara de quem tinha acabado de chupar limão azedo. Freddie parece se segurar para não rir.

— Ela o chamou de chato, feio e malvado. Jujuba não gosta de Claude, então sempre que tem a oportunidade, ela gosta de deixar claro isso para ele. – Conta Freddie e isso me faz ri.

— Gostei de você, Jujuba. – Digo para a garota, que abre um largo sorriso e volta a me abraçar. – E pelo visto você gosta de abraços.

— Abraços! – Grita, animada. Rio e Freddie me lança um sorriso amável. Jujuba se afasta e pega na mão do enfermeiro, sorrindo. – Ela é minha amiga, Freddie. Sam é minha amiga.

— Ela é doce como uma jujuba e bonita como a princesa Jujuba do Hora de Aventura. – Conta Freddie e vejo o rosto da garota corar com os olhos brilhando. Ela realmente havia gostado dos elogios. Ele ri e bagunça os cabelos dela, antes de me encarar. – Jujuba vive aqui desde que tinha quinze anos. Ela é bem seletiva aos amigos que ela faz. Então se ela faz amizade com você é porque ela gostou de você.

— Oh, entendo. – Digo e ela sorri, pegando em meu cabelo.

— Você é bonita, Sam. – Afirma, parecendo encantada com os meus cachos.

— Obrigada, Jujuba. Você é mesmo doce. – Respondo, achando adorável a sinceridade da garota. Ela sorri e me abraça de novo.

— Por que não apresenta seus amigos para a Sam, Jujuba? – Sugere Freddie, chamando a atenção da garota. – Ela é nova aqui e ainda não conhece ninguém. Ela também não fala francês, então poderia traduzir para ela?

— Sim! – Grita a garota, animada, enquanto pega em minha mão e na de Freddie. – Vamos Sam e Freddie!

— Não. Eu não posso...

Freddie tenta argumentar com a garota, provavelmente dizendo que não poderia ir conosco, mas Juliana não espera para ouvir o que ele tem a dizer, antes de nos puxar para o meio do salão onde todos estavam. Discretamente olho para trás e vejo Claude nos acompanhar com uma expressão contrariada.

Enquanto todos cumprimentavam Freddie com sorrisos doces e gestos animados, Claude eram recebido com xingamento e olhares agressivos. O sorriso de satisfação em meu rosto era inevitável. Pelo visto, eu não era a única que não ia com a cara do segurança. Ao mesmo tempo, eu acabava admirando ainda mais o carinho que Freddie tinha com seus pacientes e com os colegas de trabalham que o cumprimentavam.

— Esperem aqui. Vou buscar meus amigos. – Avisa Jujuba, olhando em volta, assim que chegamos a um bonito jardim, cheio de pacientes brincando com alguns enfermeiros.

— Ela é uma graça. – Comento, vendo a garota correr agitada pelo jardim.

— Sim. Ela é. – Concorda o enfermeiro, sorrindo amável.

— O que ela tem? – Pergunto com curiosidade.

— Esquizofrenia. – Responde, suspirando. – Ela é filha de um desembargador e uma famosa socialite francesa. Eles não sabiam lidar com ela e com as crises que ela dava nas festas da alta sociedade em que ela era obrigada a participar. Por causa disso, resolveram que a solução eram interná-la nesse hospital e fingir que ela não existe. Faz sete anos que ela está aqui e eles nunca vieram visitá-la. Ouvi dizer que eles dizem que a Jujuba morreu de uma doença rara.

— Que pessoas horríveis. – Comento, indignada com a história da garota.

— Infelizmente, essa é a realidade de muitos pacientes por aqui. Abandonados por não serem o modelo de filhos que a alta sociedade exige. – Conta Freddie, sem esconder a frustração dele. – Tudo o que eles precisavam era de compreensão e amor. Mas no fim, eles foram descartados como se não fossem nada. Isso é tão... frustrante.

— Mas felizmente, eles têm você. – Respondo, pegando na mão de Freddie, que me encara surpreso, mas sorri agradecido. – E pelo pouco que eu vi aqui, eles amam você. Tenho certeza de que todos os seus esforços ajudam e muito a suportar toda a dor que eles carregam.

— Obrigado. – Agradece o outro, envergonhado.

Nossos olhos se encontram e sinto meu coração bater loucamente em meu peito. Nossos dedos entrelaçados traziam sensações que eu nunca havia experimentado antes. No entanto, nosso momento é interrompido pela presença do brutamontes do Claude, que se aproxima ainda mais de Freddie, como um sinal de que ele estava lá. O enfermeiro suspira e solta a minha mão, voltando a olhar para frente.

— Freddie! – Uma voz masculina chama a nossa atenção. Nós nos viramos para trás e vejo um rapaz gordinho de cabelo em um moicano estranho.

— Gibby! – Cumprimenta Freddie, sorrindo um pouco mais animado. Assim que reconhece o rapaz. Ele se vira para mim. – Esse é o amigo que eu comentei. Gibby Gibson.

— Oi Sam. Ouvi falar muito sobre você. – Comenta Gibby, estendendo a sua mão. – É um prazer finalmente conhecê-la.

— Oi Gibby. Carly e Freddie também falaram muito sobre você. – Respondo, correspondendo ao aperto de mão.

O garoto lança um olhar significativo para Freddie, que discretamente assente. Gibby dá um tapa amigável no ombro de Claude, chamando a atenção do segurança. Eles iniciam uma conversar que eu não fazia ideia do que era. Freddie pega em minha mão e discretamente me puxa para trás. Carly também aparece e me lança uma piscadela antes de conversar animadamente com Claude.

— O que eles estão fazendo? – Questiono em sussurro, enquanto nos afastávamos.

— Ganhando tempo, mas não vão conseguir segurar Claude por muito tempo, então precisamos ser rápidos. – Responde Freddie, apressando nossos passos.

Nós nos misturamos em meio aos outros pacientes da clínica até que chegamos em uma parte do jardim onde ainda era possível ver Carly, Gibby e Claude, mas afastado o bastante para que não ouvissem nossa conversa. Encaro o enfermeiro com curiosidade e ele me lança um olhar um pouco desesperado.

— O que aconteceu? – Pergunto, preocupada. – Por que agora eu tenho um segurança?

— Lembra que eu disse que esse hospital é bastante vigiado? – Questiona Freddie e eu assinto, concordando. – Suspeito que o diretor tenha assistido as câmeras de segurança de seu quarto e viu que eu não estava te dando os seus remédios. Ele também sabe que somos da mesma cidade natal e pelo seu comportamento quando me viu, deve desconfiar que nós nos conhecemos. Claude é um dos seus seguidores fiéis, então com certeza vai fazer de tudo para descobrir o que estamos escondendo.

— Mas que merda! Maldito diretor! – Exclamo, irritada.

— Ele me contou isso somente agora de manhã, faltando apenas alguns minutos para o horário de ir medicar você e os outros pacientes. Tudo para não dar tempo de trocar a medicação por algo que não te prejudicasse. Felizmente, esbarrei com Carly e ela me conhece bem o bastante para saber quando tem algo de errado comigo. A princípio tentei evitar que ela soubesse a verdade, mas ela e Gibby foram bastante insistentes e eu tive que contar tudo a eles. – Revela o enfermeiro, surpreendendo-me. – Carly então teve a ideia de substituir o Propofol por soro fisiológico e o Bromidrato de Citalopram pelas vitaminas que ela está tomando para melhorar a imunidade dela.

— Eu amo a Carly. – Digo, aliviada.

— De qualquer forma, não foi apenas para isso que eu te chamei aqui. – Fala Freddie, apressado. Encaro-o, esperando descobrir então o que se tratava essa reunião de emergência. – A sua fuga já está com a data marcada e será daqui duas semanas.

— Duas semanas? Isso é muito tempo! – Exclamo, desesperada. – Minha irmã não vai conseguir segurar o maldito do Hugh por tanto tempo.

— Em duas semanas irá ocorrer um festival beneficente no hospital, onde o local será aberto para o público. Todos estarão muito ocupados recebendo os convidados de honra, então será mais fácil termos uma fuga. – Explica Freddie, estendendo um panfleto que estava no bolso de seu jaleco para mim. Tudo estava em francês, então eu não fazia ideia do que dizia, mas conseguia compreender que era uma festa importante. Escondo o panfleto em meus peitos e o vejo desviar o olhar, envergonhado. Não consigo evitar um sorriso em meus lábios.

— Então até lá, nós não conseguiremos conversar sobre a fuga e eu continuarei sendo furada todos os dias com soro e tomarei vitaminas. – Deduzo e ele suspira, pensativo.

— Não exatamente. Você terá sessões com a Carly três vezes na semana. Claude não pode participar das sessões, então ficará do lado de fora da sala. Eu acho que posso bloquear o sinal das câmeras do consultório dela por alguns minutos e o áudio também, além de conseguir entrar pela passagem secreta que descobri alguns meses atrás. Teremos no máximo dez minutos, mas já é alguma coisa. Irei conversar melhor com Gibby e Carly hoje a noite, mas tenho certeza de que eles vão nos ajudar. – Responde Freddie, dando um sorriso nervoso. – O que me preocupa é o que o diretor pode fazer com você. Ele ameaçou te levar para o quarto branco se você aprontar, então se comporte.

— Quarto branco? – Pergunto, confusa.

— Você não vai gostar de descobrir. – Afirma o enfermeiro, estremecendo. Ele parece preocupado com Carly e Gibby. – É melhor nós voltarmos. Eles já estão tendo dificuldade para manter o foco dele.

— Tudo bem. – Concordo e suspiro, ansiosa. Olho para Claude e sinto aquela intensa repulsa. Eu realmente odeio esse segurança e odeio mais ainda o chefe dele.

— Vamos lá. – Freddie pega em minha mão e me puxa de maneira apressada de volta para o local onde estávamos.

Eu não sabia o que esperar de agora em diante. Odiava a ideia de ter um segurança perto de mim e a forma como Freddie estava se arriscando cada vez mais para me ajudar. Eu queria uma forma de entrar em contato com tio Clint ou tia Tasha. No entanto, dessa vez, eu preciso aprender a me virar com os recursos que tenho, assim como eles me ensinaram quando criança. Então a única forma de sair desse hospital e voltar para Hawkins era abrindo mão do meu orgulho e aceitando seguir o plano de Freddie.

Notas finais
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