Notas iniciais
Essa é a parte 1 de dois capítulos.
Espero que lhes agrade /o/

Loucuras do primeiro amor...


Por: SaahYumiko


“Sabemos o que somos, mas não sabemos o que podemos ser” – William Shakespeare


Os pés delicados envolvidos por um sapato de boneca corriam o máximo que podia. Estava quase sem fôlego. Como raios o seu chofer foi ficar doente assim? Ela tinha acabado de arrumar seu cabelo e vai tudo pro espaço por causa daquela corrida.

-Ohayo, Natsumi-chan! –O carteiro cumprimentava a menina com um aceno de mãos enquanto deixava um pacote sobre uma das grandes casas. Daquele bairro chique.

Era essa a vida de Natsumi Raimon, ela tinha tudo que queria, a qualquer hora, do jeitinho perfeito. O problema é que com isso vem um grande problema: aquela jovem era tão mimada, que achava que podia conseguir tudo que ela queria... Mas, estava errada.

-Ohayo! –A menina cumprimentou de volta, sem parar de correr, com aquele lindo sorriso no rosto. Ela era muito doce e educada, um fato que a fazia ser muito querida, não só naquele bairro, como praticamente a cidade inteira. Por seu pai ser uma grande influencia.

O sinal soou uma última vez quando um professor começou a fechar os portões grossos do colégio, mas ao avistar a jovem morena parou o gesto imediatamente, observando à sua volta para que ninguém o flagrasse beneficiando Natsumi.

-Obrigada, Yuri-sensei¹! –Ela agradeceu adentrando nos portões.

-Espero que isso não aconteça novamente, Raimon-sama. –Ele respondeu franzindo o cenho, cruzando seus braços, seu tom era sério, mas concluiu. –Senão terei que pedir para o diretor mudar o horário da entrada. –Por fim abriu um largo sorriso fazendo cafuné na colegial.

-Isso não será necessário! –Respondeu divertida em resposta, sabendo que o sensei jamais faria esse pedido absurdo para o diretor da escola.

Ela caminhou até sua sala ainda ofegante pela longa corrida, estancando os passos ao adentrar o último corredor e deparar-se com a única pessoa que desejava evitar: Shuya Goenji.

-Droga... –Balbuciou para si mesma, temendo que este a visse. Claro, nunca falou com ele, simplesmente perdia a fala quando ao menos tentava falar com ele, mesmo que sejam deveres da escola.

Goenji era a única coisa que Natsumi queria e não podia ter com o dinheiro. Ele era um garoto muito misterioso que chegou à escola sem mais nem menos e conquistou o coração da morena. É claro, mas um monte de outras adolescentes escandalosas com os hormônios a flor da pele.

Ela suspirou desgostosa enquanto via o garoto passar por ela sem ao menos vê-la. Ela se sentia invisível, não era possível. Todos os homens caiam aos seus pés, mas por que justo ele, que era o amor da sua vida, agia como se ela ao menos existisse?

-Raimon! –A durona professora saiu de uma classe e caminhou até ela, ajeitando os óculos em um gesto automático. –Não ligo que você é filha do presidente, nada lhe dá o direito de atrasar para minha aula. –Falou rispidamente. Era mais do que claro que aquela sensei não gostava de Natsumi. Ela achava a menina muito mimada, o que era realmente verdade.

-A-Ah... –Natsumi se assustou, por um momento chegou a achar que a professora era um monstro. Ficou sem jeito e seus orbes castanhos encontraram o chão, para disfarçar. –Desculpa, sensei, eu me perdi. –Péssima desculpa, mas não podia ficar enrolando.

É claro que a velha mulher não acreditou, Natsumi apenas ouviu um “Entre agora mesmo”, antes de correr para dentro da classe, e sentar-se ao lado de sua melhor amiga e a única que não ligava para sua quantia de dinheiro.

-É a primeira vez que chega atrasada. –Aki afirmou em um tom de voz ameno, sem tirar os olhos da matéria do livro.

-O maldito do chofer teve uma infecção intestinal. –A jovem disse com um tom raivoso, enquanto tirava da mochila um espelho e um pente para pentear os longos cabelos sedosos. –Vai ser descontado do salário.

-Não seja tão dura. Coitado.

-Dura nada. Me fez vir a pé. –Estava indignada, passando o pano no rosto úmido pelo suor da corrida, retocando a maquiagem. –Idiota.

Aki suspirou, começando fazer algumas anotações. Algumas vezes simplesmente não gostava quando Natsumi agia de uma forma tão imatura, exemplo agora, ainda mais quando sabia que sua amiga não era assim.

O tempo passou até rápido, principalmente que a jovem ficava olhando para o lado de fora da janela, pensando na única pessoa que lhe tirava da Terra. Era incrível o poder que um só garoto tem poder sobre Natsumi. Na verdade, ela nunca sequer sentiu uma coisa assim. Era uma sensação nova. Única.

-Ei, Nat! –Aki sacudiu-a pelo ombro, fazendo com que ela acordasse de seu estado de letargia. A morena apenas mirou suas esferas castanhas para a outra, mas ainda não estava na “Terra”.

Ela apenas acordou completamente quando Aki puxou seu braço, com certa indelicadeza e ela soltou um grito pequeno e balançou a cabeça freneticamente para os lados.

-Desculpa! Desculpa! –Ela disse entre tons altos e eufóricos enquanto juntava todo o seu material de um modo um tanto desengonçado, deixando cair vários livros e objetos. –Aliás, seu livro está aqui comigo. –Natsumi pegou embaixo da mesa um livro intitulado “Sociedade dos Poetas Mortos”, o livro favorito de Aki, mas em meio há tantos outros objetos em suas finas mãos, acabou por deixá-lo cair.

Aki virou os olhos em falsa decepção e sentou-se em uma cadeira, esperando a amiga atrapalhada. Quando Natsumi abaixou-se para pegar o livro, foi interrompida por uma mão masculina que segurou o livro antes dela.

-Então gosta de Sociedade dos Poetas Mortos? –Interrogou uma voz grossa e masculina, ela sabia exatamente de quem era. Quando levantou o olhar, quase caiu para trás. Era Goenji, que estava com um sorriso muito bonito nos lábios. Seu rosto era perfeitamente esculpidos pelos fios rebeldes e arrepiados do seu cabelo, ele não era muito branco, era bronzeado. Seus olhos eram negros e tão profundos.

-A-Ah. É meu favorito! –Mentiu. Na verdade, ela não gostava muito da leitura, só precisou daquele livro para emprestá-lo ao seu primo, que estava querendo muito lê-lo. As mãos femininas ficaram nervosas e começaram a esfregarem uma na outra, suadas e trêmulas.

-O meu também! –Ele não era de falar muito, mas as poucas frases já eram suficientes para tirar a menina do sério. Ela sorriu nervosa. –Quer algum dia sair comigo, ir lá para minha casa, por exemplo. Tem muitos livros lá.

-Sim! Sim! –Ela respondeu sem pensar duas vezes, estava esperando pelo momento que ouviria isso. Até esquecera a mentira que contou há pouco.

-Ok... Eu te busco no final da aula. –Goenji acenou a ela enquanto se afastava. Natsumi apenas acenou de volta enquanto os lábios finos moldavam um sorriso maior ainda, estava tão feliz e mal acreditava que aquilo estaria acontecendo.

Ela deu uma volta de 360° com o corpo, fazendo a saia do vestido voar um pouco e deu de cara com os orbes negros de sua amiga, que estava de braços e pernas cruzadas, fuzilando-a pelo olhar. Foi ai que se deu conta do que acabou de fazer.

-Eu não acredito!

-Calma, foi o pânico! –Ela tentou explicar-se para a amiga, sendo que a mesma não tolerava mentiras. Aki suspirou desgostosa.

-E o que fará agora? –A menina perguntou em um tom cansado, como se soubesse exatamente o que viria...

-Pode começar a fazer o resumo de todos os livros que você leu.

Aki arregalou levemente os olhos diante do pedido absurdo da jovem, quando abriu a boca para contestar, foi puxada pelo braço para fora da classe em direção ao pátio...

É... Seria um longo dia...

Continua...

Notas finais
Enfim, não ficou bom, né /o/
A continuação dessa e da minha outra fanfic pode demorar um pouco, porque estou muito perto dos exames finais, ai aperta u_u
Maas...
!Flores ou pedras!
.Reviews.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.