Loucura

1 Capítulo Único - Maldito Crank


Estava amanhecendo, Thomas constou, ao ver o céu escuro começar a clarear. Sabia que precisava sair do Berg quando amanhecesse, mas alguma coisa na história o estava incomodando. No fundo, o garoto sabia que seu medo era deixar Newt sozinho, mas acreditava que sentia isso por perceber o vírus tomando a mente do amigo. Não deixava de ser.

- Pensando, Tommy? – olhou para o lado e encontrou o loiro sentando-se com ele. Voltou a olhar para frente.

- Não consegui dormir.

- Eu também não – replicou Newt. Thomas sorriu breve e notou o garoto fazer o mesmo.

- Gostaria de não precisar fazer isso – murmurou o moreno, sentindo um peso sair de suas costas ao admitir aquilo. O mais velho encarou-o por alguns instantes, para então rir. Thomas achou o som maravilhoso.

- Nenhum de nós queria nada disso Tommy – respondeu o outro. – Mas precisamos disso. Precisamos mostrar que o que o CRUEL fez foi errado. Pelo Alby. Pelo Chuck – olhou para o amigo ao dizer isso, e Thomas sentiu como se tivesse levado um soco, como sempre acontecia ao se lembrar do garoto que salvara sua vida. Seu primeiro amigo de verdade na Clareira.

- Pelos clareanos – generalizou, querendo parar de pensar em Chuck. Newt concordou.

Os dois se mantiveram em silêncio pelo tempo que se passou, observando o dia nascer. Quando o sol finalmente iluminou o Berg, anunciando que estava chegando a hora de continuarem com o planejado, o moreno achou ter ouvido Newt chamando-o.

- Tommy? – o loiro chamou novamente, agora alto e claro. Thomas olhou para ele.

- Sim? – devolveu a pergunta, sem notar a aproximação do amigo.

Então, o que aconteceu depois simplesmente surpreendeu o garoto. No instante seguinte, Newt estava inclinado sobre ele, os lábios se tocando em um beijo casto. O loiro não parecia querer quebrar o contato, e Thomas percebeu que também não o queria.

Quando enfim se afastaram, Newt o encarava com os olhos brilhantes de lágrimas. Thomas não se atreveu a abrir a boca ou tomar uma atitude. Continuou olhando o outro, sem acreditar no que havia acontecido.

- O que foi isso? – perguntou, tomando coragem para falar algo. O Clareano apenas deu de ombros e baixou a cabeça.

- Talvez eu já esteja consumido pelo Fulgor – murmurou. – Um maldito Crank – repetiu o que sempre dizia. Então se levantou.

Thomas observou o loiro se afastando, magoado sem saber exatamente por que. Então Newt parou e, inesperadamente, voltou. Abriu um sorriso triste e sentou-se de frente para o garoto.

- Ou talvez não – sussurrou, beijando o moreno outra vez e se afastando rapidamente. – Melhor manter isso entre nós.

- THOMAS!

Era Minho. Newt sorriu e se levantou. O asiático entrou no recinto com um olhar curioso.

- O que estavam fazendo? – questionou, para logo depois balançar a cabeça. – Não importa. Precisamos ir. Vai ficar bem, Newt?

O loiro concordou, saindo do local. Thomas continuou olhando o ponto por onde o mais velho tinha saído, sem conseguir esquecer o beijo de minutos antes.

- Thomas? Vamos?

“melhor manter isso entre nós”. O moreno balançou a cabeça.

- Vamos.

Saiu e deixou Newt, esperando que pudesse voltar e discutir o que havia acontecido. Por mais que quisesse, não conseguia esquecer o loiro.

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