Louca Obsessão
14 Desconfiança
Notas iniciais
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14. Desconfiança
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Podia sentir Inuyasha em seu encalço, mas isso não a impediu de seguir em frente. Correu pelo quintal encontrando a figura musculosa de Sesshoumaru parada com os braços cruzados frente ao peito enquanto olhava para a direção de seu refúgio. Aquilo era estranho. Se fosse Suikotsu o homem que estava em sua porta Sesshoumaru não pensaria duas vezes antes de matá-lo, não é mesmo? Disso não possuía duvidas, então... Quem seria?
Com a duvida estampada em sua face, aproximou do youkai tentando recuperar o fôlego pela corrida. Apoiou uma das trêmulas mãos em suas costas largas fazendo-o desviar seus olhos sombrios para a sua direção.
— O que foi? – Perguntou entre uma respirada, e outra.
Sesshoumaru nada dissera, apenas girou nos calcanhares voltando à atenção para a direção que olhava. Seguiu seu olhar e se surpreendeu com o que seus olhos encontraram. Entre abriu os lábios sentindo seu queixo tremer, uma mistura de alivio e saudade a consumiu. Deu um passo a frente sem desviar a atenção do homem alto encostado em seu carro estacionado em seu portão. Curvou os lábios em um sorriso dando mais um passo a frente.
O moreno alto desencostou-se de seu veiculo em um solavanco assim que percebera a sua presença. Seus olhos negros estavam fixos em sua figura, com passos firmes e duros ele começou a caminhar em sua direção. Rin avançou mais alguns passos, movendo as pernas para alcançá-lo. Sua vontade era de abraçá-lo forte, matar as saudades pelos dias em que ficaram separados. Ainda não acreditava no que estava diante de seus orbes, mas assim que notou a expressão raivosa na face do outro, seu sorriso morreu.
— O que você está fazen... – Antes que pudesse questioná-lo, teve o braço agarrado com brutalidade.
— Tem ideia do que passamos sem nenhuma notícia sua? – Ele rosnou alto enquanto intensificava o aperto de seus dedos. – Porque raios não fez uma maldita ligação, Rin? Porque não mandou uma maldita mensagem? – Chacoalhou seu corpo em busca de explicações.
— P-Pare com isso! Está me machucando... – Choramingou ela.
O alto homem de cabelos negros presos por uma cumprida trança estreitou seus olhos quando a ouviu protestar, a pequena engoliu em seco diante de seu olhar. A presença intimidadora de Sesshoumaru se fez presente atrás de si, com rapidez ele agarrou fortemente o pulso do outro o fazendo protestar de dor.
— Solte-a! – Sesshoumaru conteve um rosnado.
Seus dedos se fecharam ao redor do pulso do estranho homem com firmeza. Rin encolheu-se quando o viu se contorcer diante do aperto. Céus, se aquilo continuasse Sesshoumaru quebraria seu pulso. Pediu aos céus para que nenhuma tempestade acontecesse. Com um puxão brusco o youkai tirou-lhe as mãos do homem que apertavam o delicado braço de sua humana e intensificou o aperto quando o viu relutar em soltá-la.
— Não aprecio repetir minhas palavras! – Rosnou evidenciando perigo. – Tire suas patas imundas de cima dela!
Sentiu as costas chocando-se contra o peitoral de Sesshoumaru. Um dos braços do youkai rodeou sua cintura mantendo-a próxima de si, protegendo-a do estranho homem. Rin escutou-o grunhir de dor quando Sesshoumaru fizera questão de torcer o pulso do outro. A pequena alarmou-se, se aquilo continuasse...
— O que quer com minha Rin? – Indagou o youkai, com a voz ríspida.
— Sua Rin?— Descrente, ele gargalhou alto.
Sesshoumaru deu um passo à frente com a tamanha insolência por parte do outro. Mais que depressa, a pequena espalmou ambas as mãos sobre o peitoral do youkai impedindo-o que cometesse algo insano. Tentar segurar um homem enorme estava sendo um difícil desafio, em comparação com seu pequenino corpo Sesshoumaru era grande, em todos os sentidos. Ele não entendeu o porquê de sua Rin estar defendendo-o, pelo o que notara ambos pareciam se conhecer e isso o incomodou.
— Eu que lhe pergunto! Porque minha irmã estava em sua casa?
Irmã? Franziu o cenho sem desviar os orbes sombrios de sua direção. O que diabos aquele verme estava dizendo? Sendo irmão ou não de sua preciosa humana, Sesshoumaru arrancaria sua língua pela sua tamanha ousadia em enfrentar-lhe. Sentiu o delicado toque de Rin sobre seu braço, seus orbes sombrios mudaram de direção e passaram a observar o rosto bonito de Rin. Como um pedido silencioso, ela lhe pedia para que o libertasse.
O outro apenas observava a cena, sem deixar de notar a forma como ambos se olhavam. A contra gosto Sesshoumaru afrouxou o aperto e até então o denominado irmão de Rin, puxou o pulso de volta acariciando a região onde o youkai o segurou.
— Ainda não me respondeu, Rin. O que estava fazendo com esse cara? – Torceu o nariz quando se referiu á Sesshoumaru.
O youkai estreitou seus olhos, não apreciando a forma como este dirigia a palavra para si. A pequena soltou um suspiro demorado. A última coisa que não esperava encontrar era um Bankotsu raivoso carregado de perguntas e insinuações.
— Porque está aqui Bankotsu? – Ignorando a sua pergunta, ela o questionou.
— O que esperava que eu fizesse, Rin? Que ficasse em casa escutando as lamentações da Vó Kaede enquanto você não nos dava notícias? – Alfinetou-a com sua ironia. – Tem noção do que eu fiz pra chegar até aqui? Por Deus, eu dirigi como um louco! – Ele rosnou enraivecido.
A pequena encolheu-se com suas palavras. Bankotsu estava certo! Sempre esteve. Sentia-se mal por fazer sua família se preocupar tanto consigo. Sesshoumaru havia lhe quebrado o celular, então como telefonaria para sua família? Até mesmo havia se esquecido de avisá-los sobre os últimos acontecimentos, mas só os deixariam mais aflitos se lhes contasse que Suikotsu retornara.
Vendo seu desconforto, Bankotsu pigarreou procurando controlar seu tom de voz. E claro, ignorar os olhares sombrios que o platinado lhe lançava.
— Não seja tão irresponsável, poderia ter ao menos telefonado. Teria evitado essa situação toda! – Continuou a repreendê-la, dessa vez mais calmo.
Meneou a cabeça em concordância. Bankotsu estava certo! Não tinha palavras para retrucar sua repreensão, se ele estava nervoso daquele modo era devido a enorme preocupação que sentira. Preocupação esta que o fez deixar suas responsabilidades em sua cidade para vir em busca de si.
— De uma hora para outra você some sem dar notícias, nós ficamos preocupados.
— Eu sei, desculpe. Não telefonei porque quebrei meu celular e não tinha nenhum outro meio de entrar em contato com vocês.
Aquilo não deixava de ser verdade, porem não havia sido ela a culpada por seu celular estar quebrado. Mas seu irmão não precisava estar ciente disso não é mesmo? A troca de olhares entre os dois homens se intensificaram. Não culpava o irmão por desconfiar de Sesshoumaru, ainda mais depois de tudo o que Suikotsu a fizera passar. A tensão entre eles foi quebrada no momento em que Inuyasha apareceu, questionando o que acontecia.
— Está tudo bem por ai? – Franziu o cenho aparentemente desconfiado, enquanto se aproximava dos outros três. – Quem é esse cara Sesshoumaru?
Prostrou-se ao lado do meio-irmão e cruzou os braços, destacando seus músculos bem trabalhados. Inuyasha encarava Bankotsu com a mesma intensidade que o meio-irmão.
Ora, que descuido o seu. Com toda aquela confusão não havia apresentado-os.
— Sesshoumaru, Inuyasha... – Começou ela. – Este é Bankotsu! Meu irmão mais velho!
— Oh! – O hanyou relaxou a carranca fechada e piscou os olhos surpreso.
Bankotsu acenou a cabeça em sinal de cumprimento, mas ainda mantinha a expressão desconfiada em sua face.
— Não sabia que tinha um irmão Rin. – Inuyasha suavizou os braços cruzados e os deixou penderem ao lado de seu corpo.
— Eu também não sabia que costuma passar a noite fora de casa. – Bankotsu alfinetou, aparentemente não engolindo o fato de encontrá-la junto a estranhos.
Rin soltou um suspiro de advertência. Seu irmão era incrivelmente turrão, alguém difícil de conviver.
— Estes são os vizinhos de que lhe falei Bankotsu!
Sesshoumaru a encarou, e pela sua expressão a pequena podia imaginar o que se passava em sua cabeça. Provavelmente pensava sobre ela ter falado de si para sua família. Então seu irmão já tinha consciência de seu relacionamento com sua menina? Provavelmente sim.
— Ah sim, me recordo disso. – Torceu o nariz diante da sua revelação.
Mas que diabos de homem! Rin não o culpava por ser assim, sabia que Bankotsu era dessa forma apenas por ser superprotetor demais, mas o que ele não sabia é que havia momentos em que sua proteção exagerada a incomodava.
— Bem, é um prazer conhecê-lo... Eu acho! – Inuyasha lhe estendeu à mão, sendo muito a contra gosto fortemente cumprimentado por Bankotsu. – Avisarei á Kagome e minha mãe que não se trata de ninguém suspeito! – Dizendo isso, deu-lhe as costas voltando para dentro de casa.
Parou de respirar no momento em que Inuyasha se afastara. Os olhos sombrios de seu irmão não abandonaram seu rosto, o que a fez desviar a atenção para qualquer canto que não seja a expressão desconfiada de Bankotsu. Rin podia imaginar em que sentido aquelas palavras o fez pensar. Estremeceu diante de seu olhar, Sesshoumaru agarrou-lhe a lateral do braço procurando tranquilizá-la. Não! Rin não possuía intenções de revelar á seu irmão o que acontecera á dias atrás. Não se sentia totalmente preparada para contar-lhe que Suikotsu estava novamente em seu encalço.
— Suspeito? O que ele quis dizer com isso Rin? – Instigou-a falar. – Por algum acaso ele se refere à Suikotsu? – Rosnou na menção do nome do outro.
Sentiu o sangue se esvair lentamente de seu corpo. Suas bochechas ficaram frias o que a fez suspeitar de que talvez estivesse tão branca quanto um papel. Céus, e se alguém os escutasse?
— Por Deus Bankotsu! – Repreendeu-o. – Aqui não é lugar para comentar a respeito desse assunto. – Olhou ao redor constando de que não havia ninguém na rua naquele horário da manhã.
Viu seu irmão balançar a cabeça em concordância, não deixando de soltar um suspiro demorado.
— Não ter notícia suas não foram o único motivo que me fez vir até aqui! – Cruzou os braços frente ao peito, demonstrando certo desconto por entrar naquele assunto. – Suikotsu não está mais na cidade!
Ela mordeu o lábio inferior com força. Então seu irmão já sabia...
— Eu sei! – Sussurrou tão baixo, que até mesmo Sesshoumaru estranhou sua voz fraca.
A mandíbula de Bankotsu travou naquele mesmo instante. Ouvira certo? Sua irmã tinha consciência de que aquele maldito sairá da cidade? Se Rin sabia sobre isso então... Só poderia significar uma coisa...
— Você sabe? – Bankotsu alarmou-se. – Você o encontrou?
— Foi ele quem me encontrou Bankotsu! – Revelou sem delongas.
O viu passar a mão pelos cumpridos cabelos mal acreditando no que sua irmã mais nova lhe dissera. Então havia chegado tarde demais! Droga, mil vezes droga! O moreno se amaldiçoava em pensamentos.
— O que diabos aconteceu Rin? O que ele te fez? Você está bem? – Transtornado, lhe lançou inúmeras perguntas de uma única vez.
Sentiu o peito apertar. Ver seu irmão em meio à tamanha angustia a matava por dentro. Culparia eternamente Suikotsu por tudo o que acontecia em sua vida. Se não fosse por aquele homem doente poderia pensar a respeito de ter uma vida tranquila e aparentemente normal. No entanto, por outro lado, se não fosse por ele jamais teria conhecido Sesshoumaru.
— Graças ao Sesshoumaru, nada aconteceu. – Tranquilizou-o.
Bankotsu desviou sua atenção para encarar o youkai parado atrás de sua irmã, elevou o olhar encontrado o dono dos olhos âmbares. Com expressão suavizada, ele demonstrava alivio. Sentia-se como um idiota naquele momento. Havia tratado-o com demasiada arrogância e havia sido ele quem socorrera sua irmã. Bankotsu estava envergonhado, e completamente arrependido por sua atitude. Porem não se desculpou, seu orgulho não o permitia.
— Tem o meu sincero agradecimento Sesshoumaru. – Por mais que estivesse errado, tudo o que fez foi apenas agradecer.
O youkai nada dissera, apenas deu de ombros. Não fizera aquilo para escutar seu mísero agradecimento, fizera aquilo por sua Rin.
— Agora entendo perfeitamente o porquê de estar na casa dele. – Bankotsu parecia compreender a situação. – Onde ele a encontrou?
— Ele invadiu minha casa! Disse que havia rastreado meus telefonemas e as minhas compras efetuadas com o cartão de crédito. – Seu irmão coçou o queixo pensativo e Rin notou sua barba por fazer. – Quando soube disso, quebrei o celular e estou evitando usar o cartão.
— Eu lhe avisei! – Tirou a mão do queixo e apontou o indicador em sua direção. – Eu sabia que cedo ou tarde isso ia acontecer. – Grunhiu irritado. – E onde esse merda está agora?
— Ninguém sabe ao certo Ban! – Meneou a cabeça em negação. – Sesshoumaru tem um conhecido confiável que está investigando seu paradeiro, mas até agora não sabemos de nada.
É claro que não saberiam de nada! Suikotsu era esperto, seria tolice o subestimar. Bankotsu pensou, enquanto apoiava ambas as mãos em sua cintura e erguia a cabeça para o alto para soltar um sonoro suspiro.
— Ele é o único que sabe sobre isso? – Meneou a cabeça em direção ao youkai prostrado atrás de si.
— Sim! – Respondeu a pequena, sem rodeios.
— Não é seguro ficar mais aqui Rin e você sabe disso.
— Não existe lugar mais seguro do que ao lado deste Sesshoumaru, eu suponho. – O youkai o advertiu, com os olhos sombrios e estreitos para o irmão de sua menina.
Bankotsu ergueu a cabeça e o enfrentou de queixo erguido. O clima pesado se instalou entre os dois homens novamente e com a intenção de quebrar o clima, Rin optou em perguntar á Bankotsu sobre sua família:
— Como está a Vó Kaede? — Mordeu o lábio inferior nervosamente.
Seu irmão desviou os olhos do youkai para voltar a lhe dar atenção.
— Tirando a preocupação, está bem! – Garantiu á ela. – E agora que me perguntou, lembrei-me de algo. Irei telefonar a ela para avisar de que está tudo bem, assim a deixo menos preocupada e mais aliviada.
Quando Bankotsu se afastou, Rin girou nos calcanhares para encarar Sesshoumaru estranhando o olhar estreito com que este encarava seu irmão que estava ao telefone á poucos metros de distancia do casal.
— Seu irmão quer tirá-la de mim, quer levá-la daqui! – Sesshoumaru rosnou entre dentes. – E caso ele tente... – Deixou a ameaça no ar.
Rin arregalou os olhos. Oh não! Tudo o que menos queria era que Sesshoumaru e Bankotsu se confrontassem, e por mais que seu irmão fosse turrão ele não tinha chances alguma contra a montanha de músculos que Sesshoumaru possuía em forma de corpo. Prezava por seu irmão, e não queria se permitir entrar na situação de ter que escolher um dos dois.
Seu corpo tremulou e Sesshoumaru notou seu nervosismo. Sentiu o toque delicado de sua enorme mão em contato com sua face. Virou a cabeça de lado e deixou-se ter o rosto embalado por Sesshoumaru. Sua tentativa de acalmá-la nada adiantou, em questão de segundos percebeu Bankotsu finalizar a ligação e voltar a caminhar. Engoliu em seco quando o viu retornar.
— Vó Kaede ficou mais tranquila quando a avisei de que por aqui está tudo bem. – Guardou o celular dentro do bolso da calça. – Quer dizer, nós sabemos que não está tudo bem, mas evitei deixá-la preocupada.
Rin meneou a cabeça, concordando com a forma de pensar de seu irmão. Certamente, contar a verdade para sua avó só a deixaria ainda mais nervosa e preocupada.
— O que pretende fazer agora Rin? Acredito que não queira mais ficar aqui, não é mesmo?
A pequena engoliu em seco, entre abriu a boca tentando encontrar as palavras certas para dizer á Bankotsu que não partiria com ele. Sentiu as costas quentes com a tamanha intensidade com que Sesshoumaru a observava por trás, possivelmente esperando que Rin negasse sua oferta.
— Vou esperar no carro, leve o tempo que for para organizar suas coisas. – E dizendo isso, seu irmão deu-lhe as costas para voltar para o seu carro estacionado.
Rin o viu se afastar e Sesshoumaru manteve-se rígido, seu corpo inteiro emanava perigo. Engoliu mais uma vez em seco antes de tomar coragem e começar a falar:
— Eu não vou! – Disse com firmeza na voz.
Pego de surpresa, Bankotsu parou de andar no mesmo instante em que escutara as palavras de sua irmã mais nova. Girou nos calcanhares e cruzou os braços frente ao peito musculoso, descrente do que acabara de ouvir.
— Como assim você não vai? – Deu um passo a frente, avançando em sua direção.
— Eu tenho o direito de escolha, e eu quero ficar aqui! – Ergueu a cabeça e o enfrentou de queixo erguido.
Bankotsu franziu o cenho. Jamais esperava uma reação dessas vindo de sua irmã, ainda mais diante de tal situação. Rin não estava em direitos de escolher! Céus, será que ela não compreendia a gravidade do problema em que se metera? Cerrou os dentes com força. Seus olhos iam de Rin á Sesshoumaru e ele começava a entender os motivos por trás daquela decisão. Riu de nervoso e fez uma careta quando viu o corpo rígido de Sesshoumaru avançar. Não acreditava no que estava diante de seus olhos. Então, sua irmã se envolvera com seu vizinho.
— Ah, agora eu já entendi! – Torceu o nariz em sinal de desaprovação. – É por causa dele não é mesmo? – Balançou a cabeça, descrente. – Eu não esperava isso de você Rin, ainda mais depois de tudo o que aconteceu.
Escutou sua repreenda calada. Levou o olhar para baixo e encarou os próprios pés.
— Eu agradeço o que tem feito pela minha irmã Sesshoumaru, mas eu continuo não confiando em você. – Bankotsu o enfrentou, com a raiva estampada em seu rosto.
A pequena ergueu o olhar e o encarou horrorizada, não imaginando uma reação como aquela. Abriu a boca chocada e arregalou os olhos ao mesmo tempo. Rin entendia a desconfiança absurda que seu irmão possuía. Depois de tudo o que Suikotsu a fizera passar, seu irmão passou a desconfiar de tudo e todos que se aproximavam de si. Porque então seria diferente com Sesshoumaru?
— Bankotsu! – Rin o repreendeu chamando seu nome. Seu irmão lhe deu as costas e continuou seu trajeto até alcançar seu carro. – Onde você está indo?
— Estou voltando para casa porque pelo jeito minha irmã prefere ficar com um estranho a ter que voltar a viver com a sua família. – Bateu a porta com tamanha força que até mesmo ela encolheu-se diante de sua fúria.
— Espere um pouco, não vá antes de conversarmos direito! – Inconformada com a atitude do irmão, Rin aproximou-se do carro e se debruçou em sua janela aberta.
Bankotsu deu de ombros, ligou o carro não demonstrando qualquer interesse em iniciar uma nova conversa com Rin.
— Só lhe deixo um conselho antes de ir: Cuidado para não quebrar a cara e não se decepcionar mais uma vez. – Com os olhos febris, ele virou a face de lado para lhe fitar o rosto.
A pequena mordeu o lábio inferior e agarrou a janela do carro com força. Sentiu um nó na garganta e seus olhos lacrimejaram.
— Se algo acontecer, não será eu quem irá consolá-la. Você sabe que sou contra tudo isso, então não venha chorar depois para mim. – Balançou a cabeça em desaprovação e colocou seus óculos Ray Ban aviador sobre o rosto quadrado.
— B-Bankotsu...— Sua voz saiu embargada.
— Vamos Rin, seu vizinho está lhe esperando. – Bankotsu enfatizou quando se referiu á Sesshoumaru.
Com delicadeza, ele tirou sua pequenina mão cerrada na janela de seu carro e a contra gosto Rin deixou seus braços penderem ao lado de seu corpo, derrotada. Quando seu irmão se viu livre de sua insistência, arrancou com o carro permitindo que este cantasse pneu. Ao longe, Rin observava o carro de Bankotsu sumir. Seu irmão havia lhe dado às costas e aquilo a destruiu por dentro.
Passou a ponta dos dedos sobre seu rosto afastando as lágrimas e dera uma fungada antes de virar-se e encontrar um Sesshoumaru mais perto do que esperava. O youkai estreitou seus olhos âmbares quando notara que estava chorando, sua expressão indecifrável não a deixava ter uma ideia do que realmente se passava na cabeça de Sesshoumaru.
— Me desculpe Sesshy. – Pigarreou, tentando manter a voz firme. – Me desculpe pela atitude de Bankotsu, eu não imaginava que ele fosse agir desse jeito.
Rin achava realmente que Sesshoumaru se preocupava com aquilo? Suas preocupações no momento eram inteiramente á respeito da pequenina humana á sua frente que tentava a todo custo conter suas lágrimas.
— Esqueça-o Rin. – Sesshoumaru lhe pediu.
Esquecer? Como ela poderia ser capaz de esquecer uma cena como aquela? No entanto, Sesshoumaru tinha razão! Havia coisas mais importantes para se preocupar, cedo ou tarde acabaria fazendo as pazes com seu irmão. Aquilo era apenas mais um mal entendido, uma briga como todas as outras que já tivera com Bankotsu e que não tardaria para que se resolvessem. Deixou um suspiro no ar e colocou um sorriso nos lábios antes de voltar para a casa do youkai. Passou as mãos no rosto tentando afastar a cara de choro, imaginou que suas bochechas e a ponta de seu nariz estariam avermelhadas.
Quando voltou, encontrou apenas Izayoi sentada em um dos sofás. Não havia visto nenhum sinal de Kagome e Inuyasha.
— E seu irmão querida? – Foi a primeira coisa que ela perguntou quando a avistou sozinha com seu enteado. – Porque ele não entrou?
— Ele já foi embora Izayoi! – Procurou não transparecer a voz embargada, mas estava sendo difícil enganar sua doce vizinha que a olhava com expressão confusa.
— Mais já? E eu perdi a oportunidade de conhecê-lo, que pena.
— Ele só estava de passagem. Quem sabe uma próxima vez, não é mesmo? – Curvou os lábios em um sorriso.
— Tem razão! – Em um solavanco ela se levantou, mantendo-se de pé. – Diga a ele que estou ansiosa para conhecê-lo e espero que não demore a nos visitar.
— Eu irei avisá-lo, obrigada.
Rin agradeceu. Quando sua doce vizinha estava prestes a se virar para voltar para a cozinha, estacou no mesmo lugar.
— Ah! – Exclamou, lembrando-se de algo importante. – Totousai ligou e pediu para que você entrasse em contato com ele Sesshoumaru.
O corpo de Sesshoumaru ficou rígido. Maldito seja Totousai! Havia deixado claro para não envolver sua família naquele tipo de assunto, então porque raios aquele verme ligara diretamente para a sua casa? Naquele momento, sentiu uma vontade imensa de matá-lo. Izayoi o encarava com desconfiança, provavelmente inúmeras coisas se passavam por sua cabeça naquele momento.
— O que você quer com ele querido? – Indagou a matriarca. – Da ultima vez que Totousai prestou serviços para a empresa foi para investigar sobre o caso de desvio de dinheiro.
Desvio de dinheiro? Rin piscou os olhos sem entender o rumo daquela conversa. O que Izayoi queria dizer com tudo aquilo? Pelo o que entendera da ultima vez em que esteve no escritório de Totousai, foi que o idoso homem foi contratado para investigar a respeito de um homem denominado Naraku Onigumo. E agora Izayoi o questionava a respeito de desvio de dinheiro? Rin não era esperta o bastante, mas não era difícil de suspeitar de que ambas as coisas poderiam ter algum tipo de ligação.
— O que está acontecendo dessa vez Sesshoumaru? – Izayoi voltou a questioná-lo.
— É apenas uma precaução para que o mesmo erro não volte a acontecer. – Justificou ele.
— Assim espero. – Ela concordou. – Seu pai é um homem ausente por conta de suas viagens, e ele depositou toda a sua confiança em suas mãos meu filho.
Rin podia sentir todo o carinho de Izayoi quando a mesma o chamara de filho. Sabia que Sesshoumaru não era seu filho biológico, mas ela o considerava como tal. Izayoi era de fato, uma mulher incrível que transbordava amor por todas as suas entranhas.
— Caso desconfie de algo, não deixe de comunicar seu pai querido.
— Farei isto. – E dizendo tal coisa, afastou-se enquanto retirava o celular de dentro do bolso da calça.
Rin imaginou que Sesshoumaru se afastara com o intuito de telefonar para Totousai. Pobre homem, sentia que ele o repreenderia pela ousadia em que tivera em telefonar para sua residência.
— Ora, ele poderia ter pelo menos acompanhado você e terminado de tomar seu café da manhã. – Izayoi o repreendeu enquanto o via se afastar. – Não ligue para ele, querida.
Izayoi lhe estendeu as mãos pedindo para que se aproximasse, e assim o fez. Sua doce vizinha a guiou em direção à cozinha e indicou a mesa com um aceno de cabeça. É verdade, com a repentina aparição de Bankotsu havia se esquecido de terminar seu café da manhã. Mas os últimos acontecimentos a fez perder seu apetite. Antes que Izayoi estranhasse seu comportamento, achou melhor mordiscar uma fatia de pão e tentar engolir a comida a muito custo. Achou que poderia enganá-la, mas a expressão de compaixão no rosto de sua vizinha denunciava o contrário. Ela sabia que algo havia acontecido e não demorou em juntar-se á Rin na mesa e bombardeá-la de perguntas.
— Está tudo bem Rin? – Tocou sua mão delicadamente, transmitindo-lhe segurança e ao mesmo tempo coragem para que pudesse respondê-la. – Está acontecendo algo querida?
De inicio Rin balançou a cabeça em negação, obrigou os lábios a se curvarem em um sorriso demonstrando de que estava realmente bem. Mas Izayoi não se deu por vencida, sabia que algo a incomodava.
— Quer se abrir comigo?
Abrir-se. Ah, como queria um ombro amigo para afogar suas frustrações naquele momento. Conhecia a insistência de sua vizinha e ela não pararia de questioná-la enquanto não lhe contasse o motivo de estar daquele jeito. Sendo assim, decidiu abrir-se.
— Briguei com Bankotsu. – Revelou à pequena sem desviar a atenção da fatia do pão que comia contra sua vontade.
— Quem é Bankotsu querida? – Sua vizinha franziu o cenho, confusa.
— Meu irmão! – Levantou o olhar, encarando-a.
— Ah! – Izayoi exclamou, compreendendo enfim o motivo de estar com o rosto amuado.
A expressão de sua vizinha se suavizou, e Rin notou seu rosto ficar mais aliviado. Não contaria á ela o motivo de sua briga, jamais. Dizer o que a levou a brigar com Bankotsu seria o mesmo que revelar a Izayoi toda a sua historia com Suikotsu e ela não se sentia totalmente preparada em envolver mais uma pessoa naquela situação.
— Brigas são tão normais, ainda mais com irmãos. – Sua vizinha sorriu. – Não fique com essa carinha querida, em breve tudo se resolverá. – Garantiu ela.
Sabia disso! Suas brigas com Bankotsu nunca duravam muito tempo.
— Sesshoumaru e Inuyasha costumam brigar muito? – Sorriu com o pensamento.
Imaginou que sim. Ambos possuíam personalidades opostas e tinha consciência do quão difícil seria conviver com ambos.
— Antigamente sim! – Izayoi confessou entre uma risada e outra. – Claro que eles nunca se desculpavam, são orgulhosos demais para fazer isso. Mas não guardam rancor um do outro.
— Eu imagino. – A pequena sorriu.
— No começo, foi extremamente difícil. Sesshoumaru havia perdido a mãe muito cedo e quando o conheci ele já era quase um homenzinho.— Izayoi conteve uma risada com a lembrança. – Ele demorou a me aceitar e a aceitar o meio-irmão também.
Rin não sabia disso. Já havia se perguntado sobre a mãe biológica do rapaz, mas só agora descobrira o que realmente acontecera com ela. Seria este o motivo que o fez se tornar tão frio?
— Eu não tinha ideia. – Rin lamentou-se.
— Felizmente aquela fase passou.
Rin balançou a cabeça em concordância, tranquilizou-se com as palavras de sua vizinha. Sem perceber, seu humor havia mudado. Não se sentia mais angustiada como anteriormente. Izayoi a fez mudar os pensamentos, fazendo-a pensar em outra coisa diferente da briga que tivera com o irmão mais cedo. Sua mente se dirigiu a ligação que Totousai fizera e automaticamente se lembrou da conversa de sua vizinha com Sesshoumaru.
— Posso lhe perguntar uma coisa? – Perguntou com cautela.
— Claro querida, pergunte o que quiser! – Recebeu um sorriso de Izayoi.
— Quem é Naraku Onigumo?
O sorriso de Izayoi se apagou devagar, e ela passou a ter uma expressão séria em seu rosto. Rin franziu a testa e por um momento de consciência havia se arrependido por ter feito tal pergunta. Pela maneira como Izayoi passou a se portar, imaginou que aquele poderia ser um assunto um tanto quanto delicado.
— Ele foi um sócio de meu marido. – Izayoi ajeitou-se sobre a cadeira mantendo a postura ereta.
— Ele foi? Não é mais?
— Não, não é. – Viu-a suspirar. – Recentemente descobrimos que ele desviava dinheiro da empresa.
Rin entre abriu a boca chocada. Então suas suspeitas estavam realmente certas. Totousai prestara serviços para a empresa no intuito de provar que Naraku Onigumo desviava dinheiro para sua conta.
— Isso é sério! – A pequena murmurou baixo.
— Eu sei! Mas já tomamos certas providencias. – Izayoi garantiu. – Atualmente meu marido está brigando na justiça. Nós o processamos e estamos lutando para ver a cor desse dinheiro novamente.
— É uma quantia alta? – Inquiriu curiosa.
— Absurdamente alta! – Izayoi suspirou em resposta. – A empresa entrou em crise, mas com a ajuda de Sesshoumaru e Inuyasha desde então estamos tendo melhoras.
— Que bom!
Colocou-se na situação de Inu no Taishou. Naraku era um sócio, e para possuir esse posto precisaria ser alguém de extrema confiança. Confiança esta que fora quebrada no momento em que ele passara a roubar o dinheiro da empresa. Com Suikotsu não havia sido diferente. Rin confiava nele e sua confiança foi destruída no momento em que ele mostrou ser quem realmente era.
— Depois que isto aconteceu, ficamos receosos de fazer sociedade com outras pessoas. Meus meninos passaram a ser o braço direito do pai!
Sorriu. Izayoi emanava orgulho quando se referia aos seus filhos.
— Eu cheguei a perguntar á Sesshoumaru sobre isso, mas ele não me respondeu. – Na realidade, fugiu de sua pergunta.
— Por certo não queria que se preocupasse.
Fazia sentido. Quando perguntara a ele sobre o assunto estavam em busca de Suikotsu. Sesshoumaru a poupara de futuras indagações.
— Que tipo de empresa trabalham?
— Trabalhamos com construção querida. Inu no Taishou é formado em engenharia civil, e meus meninos estão seguindo os mesmos passos do pai.
E ali estava novamente. O brilho nos olhos de sua vizinha quando comentava a respeito de seus filhos.
— E você Rin? É formada em algum curso? – Izayoi apoiou ambos os cotovelos sobre a mesa e se inclinou para frente.
— Cursei arquitetura, mas por motivos pessoais não conclui o curso.
Motivos estes que se chamavam Suikotsu, mas sua vizinha não precisava saber disso não é mesmo?
— Oh que pena! – Izayoi tocou-lhe o braço em sinal de conforto.
Sim, era realmente uma pena. Suspirou com as lembranças de sua faculdade. Pensou que ela fosse perguntar o motivo de sua desistência, mas Izayoi a respeitou e nem sequer se prostrou curiosa diante da sua decisão. A conversa deu-se por encerrada quando um rabugento Inuyasha atravessou a porta da cozinha anunciando a sua saída com Kagome.
— Não nos espere para o almoço, mãe. – O hanyou revirou os olhos. – Levarei Kagome parar ver alguns arranjos para o casamento e você sabe o quanto isso vai demorar! – Ele bufou.
— Pare de ser tão chato e ajude minha nora como se deve. O casamento é seu! – Izayoi o repreendeu.
— Não estou reclamando de ajudá-la mãe, mas ela está me deixando louco! – Deixou os ombros caírem em sinal de derrota. – Ora está falando do vestido, ora fala da decoração, das flores, do prato principal... Ela só sabe falar disso!
Segurou a risada quando o escutou desabafar. Se continuasse daquela maneira temia que Inuyasha desistisse de se casar. Aproveitou a distração parar empurrar a fatia de pão que comia para o lado, o que chamou a atenção do meio-irmão de Sesshoumaru.
— Não vai comer mais isso? – O hanyou se referiu a sua fatia.
Pega de surpresa, Rin corou como um tomate. A pequena negou com a cabeça e em questão de segundos Inuyasha roubava sua fatia de pão. Segurou a risada quando o viu dar uma enorme abocanhada no alimento.
— Nunca se sabe quando Kagome me deixará comer novamente! – Ele murmurou entre uma mordida e outra. – Estou indo! – Disse de boca cheia, afastando-se da cozinha.
Izayoi cobriu o rosto, envergonhada da atitude do filho.
— Eu não o eduquei desse jeito, Rin. – Murmurou por entre suas mãos.
Rin se permitiu rir. Como não rir mediante á tal situação? Teria entrado na brincadeira se a presença de Sesshoumaru não a fizesse desviar sua atenção. Os olhos âmbares, presos em seu rosto a fez sustentar o olhar e o encarar com a mesma intensidade. Em nenhum momento teve o olhar desviado de sua face. Sesshoumaru a fitava como se conversasse com trocas de olhares, ela não precisava de palavras para compreender o que a expressão de seu youkai queria lhe dizer.
Havia algo estranho, Rin pensou. Aos poucos seu sorriso sumiu e uma linha de preocupação se instalou em seu rosto.
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