Notas iniciais
Ai que saudades enormes que eu estava de todos vocês ♥ Primeiramente quero pedir desculpas pela demora com as atualizações e dizer também que eu não abandonei a fanfic e nem pretendo! Estamos na reta final, seria loucura abandoná-la nessa altura do campeonato. E ver mais uma estória minha estar quase concluída me faz ter aquele sentimento de ter alcançado mais um objetivo ♥ E se não fossem vocês eu não teria chegado tão longe, obrigada meus amados *w*

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28. Covil

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Massageou o estomago por cima do tecido da roupa, não entendia porque havia amanhecido com seu corpo tão revolto. Sentada no sofá da sala Rin procurava forças para controlar seu mal estar. Não sabia se aquilo era resultado de seu nervosismo por pensar que em breve estaria correndo atrás de provas contra Suikotsu. Ou talvez aquilo fosse resultado do que acontecera entre ela e Sesshoumaru na noite anterior? Tocou a região sensível de seu pescoço e se permitiu sorrir, mas logo seu sorriso fora substituído por uma careta quando seu estomago se agitou mais uma vez. Se houvesse tomado seu café naquela manhã imaginou que agora estaria debruçada dentro do vaso sanitário, colocando tudo o que comera para fora.

— Fiz um chá querida. – sua doce avó entrou na sala carregando uma caneca fumegante de chá. – Tome tudo e então se sentirá melhor.

— Obrigada vó Kaede. – apanhou a caneca e assoprou-a antes de dar os primeiros goles.

— A casa ficou vazia sem você! – ela disse com um ar solitário em volta de si. – E voltará a ficar quando partir novamente.

Abaixou a caneca, deixando o chá de lado para encarar sua querida avó nos olhos. Largou-a sobre a estante ao lado e pediu com as mãos para que Kaede se aproximasse. A fez sentar-se ao seu lado no sofá e lhe capturou as mãos geladas e levemente calejadas.

— Não vou mais me ausentar como fiz da ultima vez e nem deixar de mandar notícias. Prometo também que irei sempre visita-la.

— Eu sei querida, apenas não estou acostumada a deixar meus passarinhos voarem. – Rin sorriu com a doçura pela comparação de sua avó. – Mas se isso a faz feliz, então também me faz. Agora vá, tome o chá antes que esfrie.

Kaede pegou a caneca e a colocou de volta em suas mãos. Com seu incentivo Rin voltou a beber a bebida quente. O liquido desceu a muito custo, mas parecia que o chá a fazia se sentir melhor. Viu sua avó retornar para a cozinha e de dentro dela Sesshoumaru surgiu. O corpo recheado de músculos caminhou até onde estava se permitindo afundar ao seu lado no sofá. Tivera que fechar os olhos com o carinhoso afago que recebia em suas coxas. Um dos braços do youkai se infiltrou atrás de si, ao redor de seus ombros, o que fez com que se inclinasse em direção ao peitoral malhado.

— Minha Rin se sente melhor?

— Um pouco, o mal estar já está passando. – fitou-o por cima da caneca de chá. – Estou nervosa com a ida até a casa de Suikotsu. Aquele lugar me traz lembranças que eu prefiro deixar enterradas.

Recordar sobre a ultima vez que estivera naquela assombrada casa fazia seu mal estar retornar. Seu estomago revolto protestou diante das lembranças. Olhou em direção a cozinha se mantendo atenta para que sua avó não escutasse o que conversavam.

— Iremos quando se sentir disposta doce Rin. – envolveu uma das mechas negras em um dos dedos.

— Desculpe estragar seus planos, sei que queria resolver isso o quanto antes para voltarmos.

— Podemos ir mais tarde, agora relaxe. – roçou o nariz por seus cabelos, próximo à região da orelha e ela tivera que encolher para afastar a suave cocega que sentiu.

Terminou de tomar sua bebida quente e ela se levantou para devolver a caneca na cozinha.

— Eu volto já! – mandou-lhe um beijo no ar e se afastou.

Sesshoumaru a seguiu com o olhar até que ela desapareceu pela porta. Rin caminhou até a pia onde sua avó estava preparando mais uma de suas maravilhosas receitas e antes de começar a lavar sua caneca, ela deixou um beijo nas rechonchudas bochechas da mulher. Kaede riu com seu gesto e imaginou que a neta estivesse se sentindo melhor.

— Melhorou? – Kaede mexeu o recheio do pão, colocou um pouco em sua palma e o provou, sorrindo pelo saboroso sabor em sinal de aprovação.

— Sim, estou bem agora. – ensaboou sua caneca, enxaguando-a em seguida.

— Isso é um bom sinal querida.

Colocou a caneca do escorredor e secou as mãos no guardanapo de pano. Encostou o quadril na pia de mármore e ali ficou, assistindo sua avó cozinhar. Estar de volta lhe trazia um sentimento gostoso. Se pegou pensando em sua vida antes de mudar-se, em sua faculdade trancada, nos poucos amigos que deixara para trás, em Hakudoushi. Como será que ele estava? Havia comprado outro carro? Continuava estudando? Havia tantas coisas que queria saber ao seu respeito que quando se deu conta já estava perguntando a sua avó:

— Tem notícias de Haky, vó Kaede?

— Oh, não! Desde que você se mudou não soube de mais nada dele querida. – picou a salsinha na tabua e acrescentou-a no recheio. – Por que não aproveita sua estadia e não o convida para o almoço?

Rin mordeu a parte interna de sua bochecha. Será que deveria? Não era uma má ideia convidá-lo para um almoço, fazia tempo em que não o via. O pensamento a agradou. Escutou ao longe o som de um celular tocar e tudo dizia que o aparelho tocava na sala. O barulho lhe era familiar, era o toque de Sesshoumaru.

— Acho que vou fazer isso! – anunciou. – Você não se incomoda, não é mesmo?

— Nem um pouco. Será um prazer recebe-lo novamente. – apontou a colher engordurada em sua direção, e ela sorriu.

Puxou o rosto de sua amável avó e beijou-lhe mais uma vez a bochecha antes de deixar a cozinha e retornar para onde seu youkai a esperava. Encontrou-o conversando em seu celular e como presumira, o toque era realmente de seu aparelho. A conversa que levava envolvia assuntos da empresa. Talvez conversasse com Inuyasha, ou seu pai. Tudo indicava que era com um dos dois, mas quando a conversa tomara outro rumo, ela precisou sentar-se novamente no sofá. Sesshoumaru, que estava em pé com o celular colado ao ouvido seguiu seus movimentos com os olhos até que ela se acomodasse no estofado de couro.

— Nós ganhamos essa maldita causa! Aquele desprezível do Naraku terá que nos devolver centavo por centavo que roubou de nós!— Sesshoumaru escutou a voz do irmão do outro lado da ligação.

O youkai sentiu-se relaxar. Durante anos, aquela com certeza eram uma das noticias que mais aguardou em ouvir. O caso contra Naraku durou meses, o que ocasionou por contáveis dias de dores de cabeça. Naraku possuía seus truques, assim como um bom advogado á seu favor. No entanto, ninguém mexia com a família Taishou e saia impune no final das contas.

— Quando a audiência aconteceu? – quis saber.

— Essa manhã!— Inuyasha cantarolou como se estivesse comemorando a vitória sobre o outro. – Desde que ganhamos nosso pai não parou de beber o champagne, desconfio que ele deva estar na quinta garrafa.

A risada abafada do mais novo apenas denunciava o quanto compartilhava da alegria de seu pai. Vitórias serviam para serem comemoradas não é mesmo?

— Mas me diga, sua ida até a capital está sendo proveitosa?

— Rin passou mal, não fomos ainda até onde queremos. – respondeu.

— E quando pretendem ir até a casa desse fodido de merda? – sua voz mudou, tornando-se mais ríspida quando tocara em outro assunto delicado.

— Em breve... – murmurou, sem desviar os orbes de sua menina.

— Não pode perder tempo Sesshoumaru! Quanto mais se ausentar mais chances ele terá de agir, você sabe disso. Veja o que aconteceu com Jakotsu...

— Não me dê ordens Inuyasha e tampouco conselhos da forma como tenho que agir. – rosnou entre dentes. – Este Sesshoumaru sabe bem o que faz.

Então Sesshoumaru conversava mesmo com o irmão, constatou ela.

— Espero que saiba mesmo! — caçoou. – Pare de perder tempo e vá atrás dessas benditas provas e volte o mais rápido que puder.

Rin encolheu-se com a reação dos músculos de seu youkai. Seja lá o que Inuyasha dizia, Sesshoumaru não parecia gostar.

— Sua função é apenas de me deixar ciente de tudo o que acontece em minha ausência, o que faço não é de sua conta.

— Ótimo!— o tom de ironia perfurou seus ouvidos. – Faça o que achar melhor então.

— Aquele verme não seria demente o suficiente em tentar um novo ataque, não neste curto período de tempo. – comentou simplesmente, ignorando as farpas lançadas para si.

— Mas suspeita de que ele venha a agir em breve! — afirmou com veemência. – É de Suikotsu de quem falamos, afinal.

Rin girou a cabeça temendo que sua avó escutasse toda a conversa. Mas para seu alivio Kaede não surgiu pela porta da cozinha, no entanto, não deixou de pedir aos céus para que ele se controlasse e não citasse nomes enquanto conversava com Inuyasha.

— Mas acredito que por enquanto ele não vai mover seus pauzinhos.— Continuou o hanyou.

— Responda, o lobo de farda descobriu alguma coisa?

Sesshoumaru se mostrava ciente de todas as reações de sua humana. Viu-a segurar a respiração por alguns segundos e ele imaginou que seu mal estar tivesse voltado.

— O que ele encontrou está sendo analisado no laboratório, mas não saiu nenhum resultado ainda.

— Me mantenha informado sobre isso. – ordenou.

— É o que estou fazendo, não?— ironizou mais uma vez. – Se preocupe apenas em descobrir alguma das merdas de Suikotsu e voltar para casa. Enquanto isso eu irei conversando com você e lhe deixando ciente de tudo o qu...— houve uma pausa.

Sesshoumaru arqueou suas sobrancelhas estranhando o silencio do outro. Rin pareceu perceber sua mudança de reação e ela pegou-se pensando o que Inuyasha dissera para fazê-lo mudar tão bruscamente.

— Inuyasha? – Sesshoumaru o chamou em busca de respostas.

— E-Eu voltarei a ligar mais tarde, preciso resolver uma coisa primeiro. — disse, sem mais nem menos.

— Não ouse desligar esta ligação. – Sesshoumaru grunhiu contra o aparelho, apertando-o entre os dedos.

Mas Inuyasha não o escutara. Antes mesmo que ouvisse sua resposta, ele já havia desligado. Quanta audácia, Sesshoumaru arrancaria seus dedos por desligar na sua cara. Enfiou o celular de volta no bolso traseiro da calça e trincou os dentes para não soltar algum impropério. Mas o que diabos estava acontecendo? A forma como Inuyasha se manteve calado durante a ligação lhe dizia que algo de muito errado acontecera. Girou nos calcanhares e se deparou com os questionadores olhos de sua menina, que parecia assisti-lo de perto durante um bom tempo.

— O que Inuyasha disse que o deixou tão transtornado Sesshy?

A pequena voltou a virar o rosto em direção a porta da cozinha, apenas para constatar de que podiam continuar a conversar, sabendo que sua avó estava lá dentro alheia a tudo o que ocorria no outro recinto da casa.

— Ele quer que voltemos!

— Por quê? Aconteceu algo? – remexeu-se no sofá, seu desconforto era notório.

— Inuyasha teme que possa acontecer!

Rin já havia cogitado sobre o assunto. Não, ele não seria louco de tentar um novo movimento. Mas levando em conta de que Suikotsu com quem lidava, todo cuidado era pouco. E ainda tinham o casamento de Inuyasha e Kagome que se aproximava a cada dia que passava. Isso a fazia se lembrar de que quando retornasse precisaria apanhar o vestido que deixara na loja para os últimos ajustes antes da cerimonia.

— Quer ir ainda hoje atrás de informações? — sua voz soou baixa aos ouvidos de seu youkai.

Rin encolheu-se no sofá e ele percebeu seu leve tremular. Sesshoumaru não a julgava. Sabia o quão tensa sua menina ficava diante daquela situação. Sabia também que por ela jamais voltaria a colocar os pés dentro dos domínios daquela maldita casa. E infernos, como ele desejava acabar com todos os seus medos e receios. Ela estava com ele agora, era sua de corpo e alma. Não havia mais o que temer!

— Sente-se disposta para acompanhar-me?

Ela abaixou a cabeça e entre laçou seus dedos unindo-os sobre seu colo. Umedeceu os lábios com a língua ainda sentindo as reações que aquilo tudo causava em seu corpo. Rin queria recuar, todavia, o que fazia ali se havia resolvido deixar tudo em pratos limpos? Ela não podia hesitar mais. Viera até ali com apenas um objetivo em mente: Descobrir outro podre de seu ex-namorado obsessivo, que o faria ser levado para a prisão. Não queria e nem poderia demorar mais que o suficiente, precisava tirar esse peso das costas o mais rápido possível.

— Sim, eu estou bem. – erguer a cabeça para olhá-lo, procurando não deixar sua voz vacilar do contrario.

Seu youkai observou todas as suas emoções, e sua Rin parecia malditamente convincente em tudo o que dizia.

— Já que teremos que invadir, precisamos fazer isso à noite. Longe dos olhares de curiosos. – ela sugeria de maneira racional.

De fato, uma invasão só poderia ser feita quando o sol repousasse. A linha de raciocínio de Rin não estava errada.

— Faremos isso quando escurecer!

Rin meneou a cabeça em concordância, ciente de sua decisão. E por mais que concordasse, em seu intimo uma batalha acontecia. Entre a coragem e a racionalidade. A ideia de que voltaria a visitar o lugar onde habitavam seus pesadelos mais sombrios a fazia sentir novamente aquela náusea que a arrebatara mais cedo. Tentando fazer seu corpo relaxar Rin ocupou a mente pensando em outros assuntos que não envolviam Suikotsu, o que a fez dizer a primeira coisa que lhe veio na cabeça:

— Estou pensando em chamar Hakudoushi para que venha até aqui.

Escolheu bem suas palavras antes de começar a falar. Conhecia o lado possessivo de seu youkai e a ultima coisa que desejava era que ele criasse aversões por seu amigo antes mesmo de o conhece-lo.

— Você quer vê-lo? – sua voz soou ríspida.

Seu tom de voz apenas comprovava o que ela já desconfiava. Sim, Sesshoumaru já desprezava Hakudoushi antes mesmo de vê-lo. Raios de homem possessivo!

— Isso o incomoda?

Rin não conseguiu manter sua pergunta para si mesma. O seu divertimento alcançou Sesshoumaru e ele soube o que ela estava fazendo. Rin estava tentando provoca-lo, infernos.

— Se esta for a sua vontade...

Sua boca se curvou. A ideia não o agradava nem um pouco, entretanto, ele aceitara apenas para acatar suas vontades. Seu youkai era tão adorável!

— Haky não me vê com outros olhos Sesshy, somos como irmãos.

A revelação não surtiu o efeito que ela esperava. Eram como se suas palavras entrassem por um ouvido e saísse pelo outro. Tanto que o semblante fechado continuou a enfeitar os traços marcantes do youkai. A pequena tinha vontade de rir, mas conteve-se.

— E mesmo que ele tivesse algum tipo de interesse por mim... – Rin alfinetou-o, olhando para os lados sentindo a pele queimar com a intensidade que Sesshoumaru a fuzilava. – Eu só sou capaz de amar um único homem!

Sua doce voz o atingiu em cheio. E por pouco ele não lançara ao alto um rosnado de satisfação. Escutar sua humana dizer que o amava o deixava completamente desarmado. Seus instintos de querer toma-la novamente começavam a dar os primeiros sinais. Rin o viu marchar até onde estava, em seus lábios um sorriso surgiu no momento em que se vangloriou por ter conseguido quebrar as muralhas de seu youkai. O assunto Hakudoushi se fez esquecido. Ansiosa, esperou o próximo movimento que ele faria enquanto ia até ela. A visão de seu youkai curvando-se para manter o mínimo de distancia possível fez com que seu centro se aquecesse de expectativa. Mas antes que ele alcançasse seus lábios um pigarro os interrompeu. Ela soltou um suspiro irritado, conhecia bem aquele som e de quem eram o dono dele. Nenhum dos dois precisou girar o pescoço para ver que Bankotsu os observava do pé da escada.

— Ei, pare de enfiar a língua na garganta da minha irmã! – resmungou.

Acredite Bankotsu, Sesshoumaru já enfiou sua língua em lugares que mal imagina irmãozinho. Ela queria dizer isso, e como queria. Mas imaginou a discórdia que cairia sobre aquela sala se resolvesse abrir a boca. Se permitiu então a apenas revirar os olhos. Afastou de Sesshoumaru antes que seu irmão dissesse mais alguma coisa que pudesse ascender à língua afiada de seu youkai. E por mais que estivessem bem agora, não queria outro desentendimento em sua vida tão cedo. O viu mover-se dando a entender de que sairia da sala, mas ela o deteve antes disso:

— Iremos até o covil quando anoitecer!

Seu anunciou fez Bankotsu parar o seu percurso. Covil, ele sabia bem onde Rin queria chegar com aquela comparação.

— Pretendem mesmo invadir...

Aos seus ouvidos, o murmurinho que seu irmão deixou no ar lhe pareceu bem mais com uma afirmação a uma indagação.

— Conhece outra forma para entrarmos na casa?

— Não, o meio mais rápido é invadindo mesmo! – Bankotsu coçou o queixo ignorando completamente a ironia lançada para si. – Espero que não estejam me deixando de fora. Se pensam que ficarei aqui de braços cruzados sabendo que estarão lá, quero deixar claro que isso não vai colar.

— Se eu quisesse deixa-lo de fora não teria avisado você! – Rin disse o obvio.

E ela estava malditamente certa. Bankotsu deu de ombros e anunciou em seguida:

— Estou pronto desde já, me chamem quando decidirem partir! – E dizendo isso, se afastou voltando a seguir seu caminho.

Desde quando Bankotsu se tornara tão autoritário? Rin não o julgava, além de si seu irmão era uma das únicas pessoas ao qual desejava vê-la livre dessa tormenta que se denominava Suikotsu. Quando seus olhos o perderam de vista, ela os dirigiu para um Sesshoumaru de feições sombrias que tentava a todo custo voltar a falar com Inuyasha em seu celular. Pensou em deixa-lo sozinho para que pudesse resolver seus problemas com o seu meio-irmão, e levantando-se do sofá foi que Rin tomou a iniciativa de tentar falar com o seu amigo que há tempos não o via.

Com o antigo celular quebrado foi inevitável não perder sua lista de contatos salvos em seu aparelho. E para achar o numero de Hakudoushi, Rin tivera que usar à tática mais comum, procurar o numero do amigo em sua agenda de telefones. Por sorte ela o encontrou e a sensação de alivio e felicidade encheu seu peito imediatamente. Por outro lado, a indecisão também a consumiu e ela não sabia se ligava ou simplesmente lhe mandava uma mensagem. Optou então por mandar-lhe uma mensagem rápida, até porque não sabia como reagiria quando escutasse sua voz depois de tanto tempo. Não conseguiu deixar de imaginar no clima estranho que cairia sobre os dois. Deixaria isso para quando o encontrasse pessoalmente, o que esperava que fosse acontecer muito em breve.

Seus dedos digitavam sobre a tela do celular com agilidade e Rin leu e releu a mensagem diversas vezes antes de enfim apertar o botão de enviar.

Oi Haky, é a Rin!! Como você tem passado ? Eu estou de volta na cidade e queria muito aproveitar para vê-lo mais uma vez e queria que viesse hoje almoçar aqui em casa. Ps:. Eu sinto sua falta!!! A vó Kaede também sente!!!

Pronto! Estava feito! Agora era só aguardar para que ele a respondesse e rezar para que seu numero não tenha mudado. Mordeu o canto de seus lábios de maneira nervosa. A resposta não demorou a chegar e ela se viu prendendo a respiração antes mesmo de começar a ler a mensagem.

Não acredito que você está de volta!!!!!!

Leu a primeira linha e de imediato ela não conseguiu conter o sorriso que iluminou seu rosto, mandando embora toda a tensão e o nervosismo que se acumulou em seu sistema. Continuou a ler o restante da mensagem sem evitar que seus lábios continuassem curvados.

Eu estou ótimo e feliz que tenha voltado Rin... E mds, que numero de telefone é esse??? Você o mudou??? É por isso que eu não conseguia falar com você!! Não precisa me pedir duas vezes, você acha mesmo que eu não iria vê-la sabendo que está de volta??? Estarei aí daqui a pouco, conte com isso.

Seu sorriso apenas se alargou ainda mais. Aparentemente Hakudoushi continua o mesmo de sempre e quando achou que sua relação com seu amigo se tornaria estranha depois de tanto tempo ausente, ela se enganara. Com ele tratando-a daquela maneira nem parecia que haviam ficado tempos sem trocar ao menos uma ligação. Tudo parecia ser como antes, estar de volta em sua casa ao lado de sua família e seu amigo lhe dava a impressão de que nunca havia se mudado. De que nunca deixara para trás tudo aquilo que a fazia se sentir tão bem.

Completamente eufórica pelo seu reencontro com Haky, enviou um rápido “estou te esperando” antes de deixar o celular jogado sobre qualquer móvel da sala. Girou nos calcanhares reparando que seu youkai continuava tentando entrar em contato com Inuyasha, aparentemente não obtendo nenhum resultado. Rin estranhou seu comportamento se questionando apenas para si que algo acontecera. Algo que Sesshoumaru não lhe dissera ainda. Certamente o abordaria mais tarde, porque ela não ficaria sossegada enquanto não descobrisse o que tanto o atormentava. Pensando assim foi que ela voltou ao encontro de sua avó, anunciando com extrema felicidade que Haky viria para o almoço:

— Consegui falar com ele! – atravessou a cozinha encostando o quadril na lateral do balcão de mármore.

— Então Haky vai vir para o almoço? – Sua querida avó compartilhava de sua empolgação.

— Foi o que ele disse! Disse também que daqui a pouco vai estar aqui e que não perderia a oportunidade de nos ver sabendo que estou de volta na cidade.

— Por pouco tempo não é mesmo? – a voz de Kaede falhou, lutando contra os sentimentos que não desejava transmitir para a sua neta.

— Já conversamos sobre isso vó. – locomoveu-se ficando ainda mais perto de sua querida avó.

Passou as mãos por seus braços rechonchudos como se a acalentasse e tirasse todo o peso de anos que se instalara em seus ombros miúdos. Seu coração se apertou, lhe doía ver tanta tristeza presente naqueles olhos que tanto amava. Naqueles mesmos olhos que se esforçara durante anos para ensinar-lhe os valores da vida.

— É que ter você aqui me faz se sentir menos sozinha!

Suas palavras apenas a deixaram ainda mais tristes por ter que partir em breve. Se pudesse, Rin seria capaz de colocar todos em uma caixinha e leva-los para todo lugar onde estivesse. Assim nunca os abandonaria, nunca os deixaria.

— Eu prometi a você, não prometi? – Rin segurou suas mãos. – Não vou deixa-la vó Kaede! Não tem porque se sentir mais sozinha!

Os amorosos orbes marejaram e as rugas ao redor deles se sobressaíram com mais evidencia. Ah céus, se sua avó continuasse com isso era ela quem iria começar a se afogar em lagrimas.

— Veja só o que está fazendo comigo minha criança.— afastou a vontade de chorar limpando o rosto com as mãos. – Pare de me fazer chorar! – pediu. – Deixe-me terminar o almoço em paz.

— Você quer ajuda? Posso arrumar a mesa?

— Está se sentindo bem para me ajudar?

— Seu chá levanta defunto Dona Kaede! Eu estou ótima! – flexionou os braços mostrando o quanto estava forte.

— Estou vendo! – ela ironizou. – Acho que você não anda comendo muito bem. Sesshoumaru está te alimentando?

Oh, você não imagina o quanto! Ela quase dissera isso, quase. No entanto, não se sentia a vontade de conversar sobre sua intimidade com sua avó. Além do mais, o que ela pensaria de si se lançasse ao alto palavras tão sugestivas quanto aquelas?

— Sim, eu estou me alimentando. Não tem que se preocupar com minha saúde. – esticou a toalha sobre a mesa de madeira, ajeitando-a ali.

— Não foi o que me pareceu hoje mais cedo...

— Vó, eu estou bem! – Rin continuou a afirmar.

E realmente estava! Não havia nada de errado consigo. Aquilo tudo não passava de nervosismo já que em poucas horas estaria invadindo os domínios de Suikotsu.

Não sei não...— pensou alto, enquanto mexia a panela no fogo. – Isso pode ser baixa resistência, por isso perguntei se estava se alimentando bem.

— Estou ainda cansada da viagem, é natural ficar assim!

Aquilo também poderia ser resultado do que acontecera com ela e Sesshoumaru na noite passada. Rin ainda era capaz de sentir os caninos de seu youkai cravados na curvatura de seu pescoço delicado. E só de pensar nas sensações que ele a fez sentir enquanto desvendava cada canto de seu corpo a fez sentir uma gostosa contração em seu centro. E não demorou a perceber que estava começando a se excitar com a simples lembrança dos acontecimentos que ainda estavam frescos em sua cabeça. Oh céus, aquele youkai conseguia tirar sua sanidade até mesmo em pensamentos.

Tratou logo de afastar o que tanto a fazia se sentir quente em seu interior. Voltou a dar continuidade ao seu trabalho em montar a mesa para o almoço, mas sua atenção foi novamente desviada quando Sesshoumaru surgiu na cozinha, encostando-se no batente da porta. Engoliu em seco quando o viu varrer seu corpo com seus olhos observadores. Sentiu os mamilos duros e doloridos contra o tecido do sutiã e ela corou de vergonha quando percebeu o quanto estava ligada a ele. E se ela estava excitada, ele saberia. Os olhos escurecidos de Sesshoumaru lhe diziam isso. Então aquela era umas das ligações que a marca lhe proporcionava? Só de pensar de que agora ele sentia quando ela estava necessitada apenas a deixava ainda mais ansiosa para tê-lo. Oh Infernos, Rin estava quente e seus fluidos pareciam querer se libertar.

Procurou manter a postura e ignorar a forma lasciva com que ele a encarava. Aquela troca de olhares sensuais era terrivelmente errada quando sua avó se encontrava tão próxima de ambos. O que ela pensaria de si se os visse daquela maneira? E foi justamente naquele instante que o som da campainha soou pela cozinha, fazendo Rin se sentir aliviada por ter outra coisa em que pensar a não ser no tentador homem que lhe despia as vestes com o olhar.

— Haky chegou! – Kaede presumiu, antes mesmo de constatar quem havia de fato acabado de chegar.

Eu atendo!— Em outro cômodo, Bankotsu gritou avisando que ele quem atenderia a campainha.

Rin relaxou seus músculos por não ter mais os olhares ferozes de Sesshoumaru sobre seu corpo, todavia, o youkai se prostrava ainda mais incomodado pela chegada do suposto amigo de sua humana. Ele manteve o corpo rígido quando a voz de outro homem chegou aos seus ouvidos. E Rin reconheceria aquela voz a quilômetros, principalmente sua risada única.

— Vá querida, vá vê-lo. Eu termino de arrumar a mesa. – sua avó a despachava da cozinha, sem qualquer resquício de culpa por isso.

Deixando a mesa pela metade, não pensou duas vezes antes de abandonar a cozinha e se encaminhar para a sala de estar sendo sempre seguida por Sesshoumaru que parecia mais um cão de guarda naquele momento. Ele também estava interessado em descobrir quem era o outro homem por quem ela nutria sentimentos fraternos.

Vestido casualmente, lá estava Haky. Bankotsu o abraçou e desferiu tapas fortes em suas costas como um cumprimento completamente masculino. Seu amigo parecia o mesmo de sempre, apesar de notar que seu cabelo platinado havia crescido um pouco desde a última vez que o vira.

— Não me julgue Haky, você sumiu e eu sempre pensei que mortos não ressuscitassem. – escutou Bankotsu brincar ao mesmo tempo em que o cumprimentava.

Hakudoushi retribuiu os mesmos tapas nas costas de seu irmão e por cima de seus ombros foi que seu olhar parou sobre si, e sobre um Sesshoumaru prostrado bem atrás da única figura feminina da sala.

— Eu também pensei que não, mas veja só até sua irmã resolveu aparecer! – sua voz a envolveu completamente e Rin se sentiu muito bem por estar ouvindo-a uma vez mais.

Ela sorriu. Hakudoushi se desfez do abraço que trocava com seu irmão para só assim dar-lhe a atenção que esperava. Seu miúdo corpo foi envolvido por um abraço apertado carregado de saudade e até mesmo seus pés deixaram de tocar o chão quando seu amigo a ergueu no ar.

— Que bom que veio Haky! – Rin envolveu o pescoço grosso dele, correspondendo ao abraço.

Mas logo se afastou. A figura grande de Sesshoumaru emanava ondas de perigo por todo o recinto e a ultima coisa que desejava era que a sua aversão contra Hakudoushi aumentasse ainda mais.

— Como se eu fosse deixar de vê-la.

— Como você tem passado? – ela quis saber.

— Estou bem! E pelo jeito você também! – Hakudoushi avaliou-a atentamente.

Se outro homem lhe dissesse isso pensaria que era um flerte muito conhecido. Mas ali, vindo de alguém como Hakudoushi, um amigo de longas datas, não havia qualquer tipo de insinuações em sua frase. Ele realmente via o quanto sua ausência fizera bem para ela. Prostrando-se mais ao seu lado, Sesshoumaru a rodeou proclamando território. Os olhos de seu amigo se elevaram e foi então que manteve pela primeira vez o olhar preso na figura ameaçadora do youkai. Ele não precisava ser esperto o bastante para entender o se passava ali. Agora sabia o que tanto fizera bem para sua amiga.

— Haky, quero que conheça uma pessoa. – sua doce voz o fez quebrar o contato visual que trocava com o outro platinado. – Sesshoumaru já me ouviu falar muito de você, mas você ainda não sabe sobre ele então... Quero apresenta-los.

Seu amigo voltou a encará-lo e pegou Sesshoumaru analisando-o silenciosamente. Deu de ombros. Sinceramente? Hakudoushi não se preocupava nenhum um pouco com isso. Porque é o que ele também estava fazendo naquele mesmo instante. Conhecendo o passado de Rin, era natural se interessar por quem sua amiga se envolvia e ele não estava disfarçando seu interesse pelo irmão mais velho dos Taishou.

— Espero que ela tenha falado só coisas boas de mim. – estendeu a mão para cumprimenta-lo. – É um prazer Sesshoumaru.

Sesshoumaru não recuou. Agarrou-lhe a mão estendida com força e a balançou no ar mostrando o quanto poderia ser educado.

— Acredite, eu disse!

— Se conheceram no lugar onde você ficou todo esse tempo Rin? – Curioso, Hakudoushi os indagou.

— Somos vizinhos! – Sesshoumaru foi mais rápido que ela na hora de respondê-lo.

— Puxa! Sério mesmo?

Hakudoushi não escondeu sua surpresa em sua expressão. Rin balançou a cabeça confirmando as palavras de seu youkai.

— Antes eram não é mesmo? Porque agora não são mais apenas vizinhos! – Bankotsu completou, o que fez as bochechas de Rin esquentar.

Ah ele já imaginava isso desde o momento em pusera os olhos no youkai. A maneira como a rodeava evidencia tudo! Além do mais, o youkai sentiu-se satisfeito por seu cunhado ter anunciado que sua Rin já se encontrava comprometida consigo.

— Que bom Rin! – Haky sorriu, verdadeiramente. – Serio, é muito bom ver que você decidiu seguir em frente.

— Uma hora eu tinha que fazer isso não é? – Sorriu, porem seu sorriso não chegou aos olhos.

Puxou Haky pelos braços e o fez se sentar em um dos sofás da sala. Bankotsu afastou-se dizendo que chamaria Kaede na cozinha para que se juntassem com eles. Afundou-se no estofado de couro de frente a Hakudoushi, tendo o corpo de Sesshoumaru sempre tão perto do seu.

— Você continua estudando?

Não conteve mais uma de suas perguntas, céus havia tanto para conversar. Tanto a dizer. Queria que Haky a colocasse a par de tudo o que perdera desde que foi embora.

— Eu não desisti do curso, é uma pena você não estar mais nele Rin.

Sentiu o tom doloroso que emanava dele. Não, ela não queria que sentissem pena dela. Ainda mais quando sabia o real motivo que a fez abandonar tudo.

— Eu não desisti Haky, quero voltar e me formar como sempre quis antes. É só que... Agora não é o melhor momento... – abaixou o olhar fitando suas próprias mãos unidas em seu colo.

— Eu sei! Eu sei disso!

— Será questão de tempo Rin. – Sesshoumaru a prometeu.

A pequena inclinou o rosto para ele e sorriu docemente pela promessa que sabia que Sesshoumaru a cumpriria. Confiava cegamente em suas palavras. Cada uma delas. Hakudoushi olhava e de um para o outro encontrando uma ligação muito forte entre os dois. Ele pode ver claramente em seus olhos o quanto aquele homem a fazia bem.

— Aqui ficou sem graça desde que você foi embora. – Haky continuou a conversa. – Pretende ficar aqui ou vai voltar em breve?

— Eu preciso voltar, por mais que eu queira ficar. – confessou. – Eu me sinto dividida porque tantas coisas boas me aconteceram naquele lugar que não quero simplesmente dar as costas.

Viu-a quando agarrou as mãos de Sesshoumaru e disse com a voz sonhadora:

— Eu conheci pessoas maravilhosas Haky! Apesar de tudo eu estou feliz!

Sim, ela estava! Sua felicidade transbordava por suas entranhas. Ela estava diferente, mudada, mais madura talvez. E a razão de tudo isso estava ali, bem ao seu lado.

— Se isso a faz feliz, então não abandone a felicidade.

Sim, ela não abandonaria a felicidade. Não abandonaria as coisas que a fazia se sentir bem. Continuaria a viver com daqueles que amava e enfrentaria seus medos e receios ao lado do homem por quem se apaixonara. Sentiu um calor consumindo-a por dentro. O conselho de seu amigo era tudo o que ela precisava. Diante aquele dia que se iniciou tão turbulento, Rin acolheu aquele conselho, prometendo a si mesma que não o esqueceria. Jamais. E que buscaria forças nele sempre que estivesse derrotada, lembrando-se de todas as coisas que a fazia feliz.

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Engoliu em seco quando os pneus do carro de Sesshoumaru pararam de se mover. A noite caíra sobre a cidade e com isso o momento que tanto procurou evitar havia chegado. Sem conseguir desviar os olhos daquela casa tão conhecida, Rin se deixou encolher sobre o banco de couro e por pouco a Audi não balançou igualmente como o seu corpo tremulo.

Havia passado uma tarde agradável ao lado de Hakudoushi que há tempos não o via. Mas nem mesmo se recordando dos momentos que passara com o amigo foi capaz de espantar seu nervosismo que a acompanhara desde muito cedo. Rin não estava pronta para fazer aquilo que a obrigara voltar novamente para a sua cidade. Mas para se ver livre das garras de Suikotsu ela precisava enfrentar seus medos e entrar dentro daquele maldito covil.

— Prontos? – A voz de Bankotsu soou do banco traseiro.

Não, ela não estava pronta! Na verdade seu mal estar começava a dar os primeiros sinais de que retornaria muito em breve. Seu peito se comprimiu e uma falta de ar dolorosa a prendeu como uma maldita mão que apertava seu pescoço e a sufocava devagar. Nem mesmo sua voz queria sair. Vendo seu desconforto, seu youkai desligou o carro e segurou-lhe a mão com suavidade transmitindo a ela toda a segurança que desejava almejar.

— Este Sesshoumaru não vai permitir que nada lhe aconteça.

E como se aquilo fosse um banho de agua fria, Rin se sentiu mais encorajada a seguir em frente.

— Eu sei! – disse com firmeza, surpreendendo-se por conseguir falar.

— Apenas não se afaste de mim, esta tormenta está perto de acabar doce Rin.

Faltava pouco. Estavam tão perto do objetivo deles, mas ela ainda sentia que estavam tão longe.

— Você não precisa entrar! Se quiser eu e Sesshoumaru vamos até lá e você fica aqui no carro. – seu irmão sugeriu, poupando-lhe da experiência de voltar a pisar dentro daquela casa desprezível.

— Não! – respondeu quase aos gritos. – A questão não é querer Bankotsu, eu preciso ir até lá! Só assim vou conseguir parar de temer as coisas e continuar vivendo. Não posso ser um gato assustado para o resto da vida!

Bankotsu mordeu a parte interna da bochecha e assimilou cada palavra que escutou de sua irmã. Oh infernos, ela estava coberta de razão!

— Apenas me dê um tempo para arranjar coragem. – suplicou.

— Sem problemas, você tem o tempo que desejar. Mas lembre-se que se entrarmos naquela casa não podemos demorar, temos que ser rápidos. E continuar com o carro parado em frente a casa desse merda só vai levantar ainda mais suspeitas, então por favor, seja rápida na sua decisão!

Passou a mão por suas madeixas castanhas e se deixou abalar ainda mais pela maneira grosseira como Bankotsu estava tratando-a. Mas ela não o culpava, estar ali também o irritava fortemente.

— Certo, então vamos logo!

Tomando uma ultima respirada, Rin tomou coragem e abriu a porta do carro mantendo-se de pé na calçada. Suas pernas não estavam tão firmes como desejava que estariam, mas ela não podia desistir. Não agora! Sesshoumaru contornou pela frente da Audi e se manteve bem ao seu lado. Acionou a trava do carro pela chave e quando a enfiou dentro do bolso frontal, agarrou-lhe a mão fazendo-a caminhar bem ao seu lado. Logo atrás de si, vinha Bankotsu que olhava em todas as direções para constatar de que não havia ninguém por ali. A cada passo que dava seu coração falhava uma batida dentro do peito. O leve aperto que sentiu em sua mão a fez perceber que até mesmo isso Sesshoumaru era capaz de sentir.

Ao alcançarem o portão de ferro, um cadeado preso a uma corrente grossa era o que o mantinha fechado. Sem pensar duas vezes Bankotsu agarrou a primeira pedra de tamanho adequado que encontrou para utilizá-la como forma de arrombamento. A pancada foi alta e com uma única tentativa, o cadeado se desfez em sua mão e a corrente cedeu. Empurrou o portão devagar e sorriu quando o viu aberto.

— Vamos! – os chamou com um gesticular de mãos, mas antes conferiu se não havia nada que os impedisse de entrar nos domínios daquela casa.

Como presumira, não havia ninguém e muito menos animais que pudessem tomar conta do local. Bankotsu foi à frente enquanto Sesshoumaru a guiava com a enorme mão colada em suas costas. Quietos e completamente concentrados a qualquer tipo de barulho que surgisse em meio à penumbra da noite, alcançaram a porta da entrada. Rin arfou involuntariamente quando se viu frente a frente para aquele pesadelo.

Sem esperar qualquer tipo de movimento por parte de Bankotsu, Sesshoumaru se adiantou impulsionando o corpo grande para trás e com força chocando o ombro de encontro a madeira maciça. Com facilidade conseguiu arrombar a porta fazendo parecer aos seus olhos que aquilo era algo tão fácil de fazer.

— Eu ficarei para dar cobertura. Se eu estranhar alguma coisa aqui fora, eu ligo avisando-os para sair da casa. – Bankotsu os instruiu.

Sesshoumaru não apreciava receber ordens, mas seu cunhado estava coberto de razão por se prevenir daquela forma. E possuindo Rin ao seu lado, todo cuidado era necessário para mantê-la segura. Seu youkai foi o primeiro a entrar na casa e Rin tateou o ar com as mãos procurando os músculos de Sesshoumaru para que ela pudesse se agarrar neles.

— Não saia de perto de mim. – ele pediu, agarrando-a pela mão e obrigando-a a segurar seu braço com força.

— Não vai acender as luzes?

— É arriscado demais, então ligue a lanterna do celular.

T-Tá...

Caçou seu celular dentro do bolso da calça e fez o que Sesshoumaru lhe pedira. Quando a lanterna foi acionada, ela prendeu a respiração assim que viu a desordem da casa. A bagunça estava por todos os lados, os moveis estavam parcialmente destruídos e uma grande quantidade de lixo se acumulava pelo caminho.

— Um furacão passou aqui? – sua pergunta saiu esganiçada.

— Me responda uma coisa, existia algum lugar da casa onde Suikotsu ficava mais tempo? – o rosnado preso em sua garganta

— Q-Quer saber onde fica o quarto dele? – ela perguntou o obvio. – O quarto dele seria o lugar onde deveríamos começar a procurar, mas existe um cômodo onde ele o mantinha sempre trancado. E lá era o único lugar da casa que eu nunca me atrevi a entrar.

A pedidos de Sesshoumaru, Rin o guiou em direção ao cômodo que dissera. Com passos incertos ela subiu as escadas, mas a enorme mão de Sesshoumaru em seu quadril apenas a incentivou ainda mais a continuar sua caminhada. O caminho era tão conhecido ao mesmo tempo tão assustador que ela quase dera meia volta e correra para fora daquela maldita casa. Mas ela não podia desapontá-lo, não agora. Atravessando o corredor dos quartos ela se encolheu ao passar por uma das portas onde ficavam os aposentos de Suikotsu. Guiou Sesshoumaru mais a frente e só parou quando indicou a ele que aquele era o lugar que citara.

— Está trancada! – o youkai girou a maçaneta algumas vezes apenas para constatar de que estava fechada, como ela mesma dissera.

E assim como fizera com a primeira porta, ele impulsionou seu enorme corpo fazendo seu ombro se chocar contra a madeira, e com um estrondo a porta se escancarou. Rin iluminou o lugar com a lanterna e prendeu a respiração com o que encontrou. Horroriza, levou as mãos até os lábios e conteve a vontade de gritar.

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Notas finais
A primeira coisa que quero dizer nas notas finais é pedir para que não me matem com o fim desse capítulo kkkkkk Eu o dividi por que ficou extremamente grande porque na realidade eu não iria parar nessa parte, mas como eu sou um poço de bondade... Vocês não imaginam o quanto este capítulo foi aguardado por mim! Foi essa a ideia que fez surgir LO!! Acreditem, foi uma das cenas que mais aguardei para colocar as ideias para o papel. Porque ela foi uma das primeiras ideias que tive, mas só poderia ser colocada no final da estória, então sim... Eu tô feliz pra caramba por ter conseguido escrever ela kkkkk E alguém aguardava a participação do Haky aqui na fanfic ? Confesso que eu não iria escrever uma cena com ele mas eu pensei: Poxa, não posso terminar a fanfic sem ter uma participação do Haky pra fechar com chave de ouro... Então espero que tenham gostado, ela serviu para quebrar um pouquinho da tensão tão rotineira que envolve a trama. Em geral, espero que tenham apreciado o capítulo e em breve eu volto com o cap 29!! Vejam só, estamos quase alcançando a risca do 30° cap *U* FELICIDADE DEFINE ESSA AUTORA s2 s2