Loteria de Diamantes

1 Pedras não mais valiosas que o seu sorriso


sobre os ossos que não viram obsidianas e nem mesmo rubis.

("ah, mas o que vale mesmo é a intenção!")

A grama verde está úmida.

Não molhada, nem seca, nem queimando e muito menos escorregadias.

Está úmida, confortável de andar, e Uraraka sente que pode deslizar sobre elas na mesma medida em que sente que está andando nas nuvens.

E agora, perto do topo da colina, as nuvens estavam perto. Não o suficiente para poder andar nelas, mas o suficiente para poder observá-las por horas a fio sem se cansar.

O Castelo Real, ao longe, torna-se uma bela vista. Ainda mais com toda a flora que cresce perto dele e o bosque mais ao longe. Se tivesse seu objeto fotográfico, com certeza iria retratar o momento.

Contudo, seu foco mudou. O Castelo e seu bosque logo não passavam de uma mera memória; assim que o cheiro característico chegou, pelo mesmo vento que bagunçava seu cabelo. Ela se virou rapidamente. O sorriso largo crescendo instantaneamente nos lábios, ao saudar quem chegava:

ㅡ Oi! Chegamos quase juntos, sabia? Aposto que na próxima vez a gente acerta os horários. ㅡ Diz, acenando animadamente e chegando mais perto.

ㅡ Oi, bochechas. Sim, tomara. Ou tomara que eu chegue mais cedo que você, aí eu jogo na sua cara que você não tem senso de horário. ㅡ A risada no canto dos lábios se fez presente enquanto falava, crescendo apenas quando ela chegou perto o suficiente para dar um pisão no seu pé. Ele riu. ㅡ Ok, talvez eu possa pegar leve com você. Não precisa ficar com raiva. ㅡ Murmurou, junto de uma risada ao ver a cara emburrada dela ao não conseguir acertar seu alvo.

ㅡ Você é muito chato, sabia? ㅡ Resmungou, dando língua para ele, enquanto o pegava pela mão e puxava para que andassem.

Katsuki apenas riu novamente, fazendo seu ombro bater com o dela levemente, ao começarem a seguir rumo ao melhor lugar do topo da montanha. Era um pouco depois do que Ochako estava antes, mais longe, porém mais plano e, bem, mais alto.

A visão era de tirar o fôlego.

Katsuki concorda, mas concorda enquanto olha o cabelo da castanha ao vento.

A cor dos fios assim parecia brasa, um castanho avermelhado.

Um dos tons que Katsuki mais gostava.

Claro, depois do tom das próprias brasas. Da madeira pegando fogo e o cheiro inundando.

Provavelmente, Uraraka sente esse cheiro, já que olha para o loiro com uma careta.

Bakugo já sabe o que está por vir, então ele já acena com a cabeça, adiantando-se. Consegue prever a bronca e como os olhos dela ficam brevemente irritados enquanto têm a ele como foco.

ㅡ Sim.

ㅡ Você nem sabe o que eu vou perguntar!

ㅡ Óbvio que eu sei, tá na sua cara, Bochechas.

Uraraka bufa. ㅡ Não sabe, não!

ㅡ Tá ㅡ Katsuki revira os olhos, internamente achando graça ㅡ, então pergunta.

ㅡ Se lavou antes de vir?

ㅡ Sim. ㅡ Ele repete no automático. Ah, espera. ㅡ Não. Achei que você fosse perguntar se eu vim direto da oficina.

ㅡ Ah, tá. ㅡ Revirou os olhos. ㅡ Bem que senti cheiro de coisa pegando fogo.

ㅡ Do jeito que você fala, parece que eu vou entrar em combustão já, já. Tira o cavalo da chuva, Bochechas.

Ela ergue uma sobrancelha, bufando e cruzando os braços. Parando de andar, faz com que Katsuki pare também, meio passo atrás.

ㅡ Tá dizendo que eu quero que você entre em combustão? Ver você pegar fogo deve ser chato, além de ilegal. Com certeza botariam a culpa em mim! ㅡ Reclamando, bufa novamente. O loiro, desviando o olhar, ri, achando graça daquilo. Mas Katsuki também não perde a chance de alfinetar de volta:

ㅡ Para botarem a culpa em você, teríamos que estar juntos e você não sabe quando eu vou entrar em combustão ㅡ apontou, olhando ela, agora, com o canto do olho. ㅡ, então, por algum acaso, você vai estar sempre comigo?

Bakugo, com as sobrancelhas erguidas, estalando a língua no céu da boca e dirigindo esse... Esse sorriso a si é uma coisa que faz Ochako ter que prender a respiração, mas ela não percebe, presa demais em revirar os olhos e continuar fingindo que está emburrada.

ㅡ Bem, e se eu estiver, hein? Vai fazer o quê?!

ㅡ Nada. ㅡ Estalou a língua de novo. Os olhos dela finalmente se encontram com os dele. Eles aproveitam o silêncio, meio presos na atmosfera e meio continuando a provocação mútua. Mesmo que se passe alguns bons segundos, Katsuki volta a responder: ㅡ Aproveitar a companhia, eu acho?

Não é uma pergunta de verdade, mas Bakugo não está afirmando.

Bem, é algo como uma resposta, pelo menos.

E, independente disso, Uraraka não desvia o olhar. Mas suas bochechas coram.

Enquanto eles se sentam (haviam silenciosamente decidido que ficar ali já estava bom; alto o suficiente), um vento passa por eles, gelado, mas agradável.

ㅡ De que você tá rindo, hein?! ㅡ Perguntou, irritado, soprando o ar pela boca. Mal estenderam a toalha para se sentar, que Uraraka começou a rir! E foi logo quando olhou para ele! Veja bem, não importa que eram amigos desde que se conhecem por gente, Katsuki simplesmente vai encher a testa dela, em todas as vezes que ela rir dele.

ㅡ Você tá muito engraçado assim!

Katsuki sente um tique nervoso no olho, a destra se levantando.

ㅡ É sério! Você tá parecendo aquele cachorro que o Izu fez a mãe dele adotar com o padrasto dele...

ㅡ Eu não sei o que é pior, Chako, você me comparando à um cachorro, ou você rindo desse jeito dizendo que eu pareço um cachorro. ㅡ Resmungou, revirando os olhos, quase desistindo de ficar irritado quando viu ela comprimir uma risada, comprimindo os lábios e desviando o olhar.

ㅡ Estou chamando você de bonitinho! Ora essa, não pode mais elogiar?

Ela, com um bico nos lábios e emburrada, só conseguiria fazer Katsuki rir. Mas agora ele ria de nervoso, porque não conseguiu controlar um rubor que queria aparecer em suas bochechas.

Bufou, revirando os olhos novamente. Deu um peteleco bem no meio da testa dela mesmo assim.

ㅡ Pode, mas você sabe, né, vou dizer pro Deku que você me comparou ao cachorro da tia Inko. Ela vai adorar, mas tenho certeza que ele vai se sentir ofendido. ㅡ Afirmou, convicto, soprando uma risada no rosto dela. ㅡ Tô falando sério; "Nossa, Uraraka-chan, logo o Kacchan? Creeeeedo...", consigo ver ele falando isso e fazendo aquelas caretas estranhas...

Uraraka, por outro lado, ao invés de se ofender ou retirar o que disse, desatou a rir de novo.

ㅡ Você imitou a voz dele direitinho! PFFFFFFF, vou falar pro Izu. ㅡ Agora, a risada, para Katsuki, beirava a maléfica. Novamente, revirou os olhos.

ㅡ Vai nada, bobalhona. Quero é ver se ele vai acreditar!

ㅡ E se ele acreditar? Vai fazer o quê? ㅡ Ergueu uma da sobrancelhas, se preparando para tentar imitar Izuku também, que na visão dela, diria "não, a Uraraka-san não faria isso". Mas foi interrompida pela voz dele, soando muito perto de si. O tom grave acompanhado de algo que Ochako não soube distinguir. Foi estranho, mas não é como se fosse ruim.

ㅡ É a segunda vez que você repete isso. ㅡ Foi a resposta que ela teve. ㅡ "Vai fazer o quê?", quer tanto assim saber minhas ações, Bochechas? Achei que a fofoqueira fosse aquela do cabelo rosa e a louca dos sapos.

O tom estranho continuava presente, Ochako ainda não o entendeu, mas se sente acanhada. Algumas respostas vagam por sua mente, mas o sorriso estranho de Katsuki faz ela decidir que era melhor não responder, então ela se contenta em virar o rosto e se emburrar de novo.

ㅡ Anda logo, estou faminta.

ㅡ Ué, e a novidade?

ㅡ Dá um tempo, Katsuki! ㅡ Disse, mais alto, num tom reclamão. ㅡ Anda, podemos, pelo amor dos deuses, comer logo? O suco que eu trouxe vai esquentar demais e a culpa é sua!

ㅡ Minha? Você que tá reclamando aí, igual uma songa monga. Dá um tempo você, ô, Bochechas. ㅡ Deu-lhe um peteleco no ombro, mas não deixou de fazer o que ela disse: agora, ambos estavam sentados.

Ochako, enquanto ajeitavam o que trouxeram, percebeu que o tom que ele usara para perguntar se iria ficar sempre com ele, foi o mesmo de segundos atrás.

Fazia sentido, é óbvio; era o mesmo assunto, não?

.... Né?

Um arrepio passa pela sua coluna, porque assim que percebe isso, sente que Katsuki a está encarando. Antes de olhar para ele, ela tenta adivinhar sua expressão: cenho levemente franzido, olhos mais claros do que o de costume. Rosto tranquilo, sem sorrisos estranhos ou coisas que ela não conseguia identificar.

Ele suspira, e assim que ela nota e se prepara para abrir a boca, sua voz é cortada pela dele.

ㅡ Em alguns momentos- ㅡ Katsuki começa. A voz falhando um pouco, então ele tosse rapidamente. ㅡ Em alguns momentos, Bochechas, você parece demais com o Deku.

ㅡ Não sei como devo interpretar isso. ㅡ Disse, desviando o olhar, preferindo pegar um dos pães. Katsuki, ao seu lado, observou o que ela olhava. A geleia. Passou para ela, com calma, também. ㅡ Obrigada. Não sei se isso é bom ou ruim...

ㅡ Vocês pensam demais, às vezes. ㅡ Respondeu, dando de ombros. Ochako, enquanto ele fala, finalmente olha para ele de novo. ㅡ Não é do mesmo jeito, eu sei que não- ㅡ Parou de falar, do nada. Sua mente mais ou menos travando quando sua mão encostou na dela, que estendeu o sanduíche que acabou de fazer. ㅡ Estou querendo dizer que você está com a boca aberta e os olhos longe há alguns segundo- nossa, tá muito gostoso. Enfim, não fica murmurando igual ele. Com a boca e voz, eu digo, mas dá para perceber quando está murmurando internamente.

ㅡ Contanto que você não fique me zoando pra lá e pra cá... ㅡ Disse, como quem não quer nada e voltando a fazer mais um sanduíche. Dessa vez, com mais bananas do que no outro.

ㅡ Mas é óbvio que eu vou, Bochechas. ㅡ Respondeu, num riso. Seu sorriso e expressão eram firmes, mas a expressão do riso ainda estava ali, como se Ochako tivesse contado a mais engraçada piada. Mas some, por uns segundos. É algo rápido, mas surgiu tão rápido quanto desapareceu. ㅡ O poder da amizade, sacou? Não vou parar de zoar você... ㅡ Uma pausa é feita assim que Katsuki come mais um pedaço do sanduíche. O gosto do tomate infelizmente não disfarça o gosto ruim que de repente apareceu na sua boca. ㅡ A não ser que você continue trazendo essas frutas gostosas. Nossa, muito boas, Bochechas.

ㅡ Eu sei, né?! A Tsucchan me ajudou a colher elas hoje de manhã. E ora, Katsuki, você é muito chato. Não serei subornada com elogios! Não os sobre as minhas frutas, humpf.

ㅡ Credo, que chata. ㅡ Revirou os olhos, rindo fraco.

Ochako, que também revirou os olhos, dirigiu-se à bolsa dele, procurando os copos de metal e logo depois colocou suco. Primeiro um copo e antes de de fato colocar no segundo, parou e se virou para o outro.

ㅡ Eu não acredito! Que boca enorme, credo! Virou um jacaré? Olha só!!!- já foi metade- ora, Katsuki, seu palerma! ㅡ Deu-lhe um cascudo. Fraco, claro, mas Katsuki sentiu a dor. Bem, a dor de engasgar, porque foi pego desprevenido e respirou errado, mas sentiu dor. Ochako sentiu-se vitoriosa.

ㅡ Está vendo? Nisso que dá esse seu olho grande aí, hmpf!

ㅡ Você é quem fica botando essas pragas em mim! ㅡ Respondeu, depois de um longo momento de tosse e assim que ele termina de falar, a castanha entrega o copo para ele.

Ochako não respondeu e Katsuki não quis continuar a conversa. O silêncio, então, juntou-se ao vento agradável que os circulava.

Alternando entre comer mais um pedaço do sanduíche e pegar umas frutas que estavam no potinho de cerâmica que Ochako trouxe e beber suco de laranja, Katsuki sorriu. Ele não sabe exatamente porquê, mas sabe que sorriu no mesmo momento em que o cheiro de Ochako foi percebido por seu olfato novamente.

A castanha, olhando-o pelo canto dos olhos, soltou um riso, soprado, deixando sua voz juntar-se ao vento. Quando ele virou novamente para si, a Uraraka percebeu que o rosto tranquilo de Katsuki era o que representava esses momentos.

Encostando sua cabeça no ombro dele e se mexendo o suficiente para que sua saia não se mexa muito e para que ele não se afaste, mesmo que poucos centímetros. Katsuki percebeu quando ela chegou perto: o cheiro de baunilha ficou ainda mais forte.

Depois de comer um morango, Bakugo se pronunciou. Haviam ficado algum tempo naquele silêncio e já haviam terminado seus sanduíches, mas Ochako ainda estava em seu ombro e a mão que Katsuki limpou fazia um carinho em seu cabelo.

ㅡ Hoje está legal.

Uraraka acena firmemente com a cabeça. Eles sabiam os significados implícitos na frase e sabiam que não tinha problema. Só eles dois estavam ali; poderiam ser sinceros e deixar o coração falar um pouco mais alto ㅡ mesmo que não pensassem ou percebessem isso. Era só... automático.

ㅡ Está, mesmo. ㅡ Ela responde, segundos depois, enquanto se estica, agora, para pegar um pouco do suco de maracujá. A mão de Katsuki, alheio ao movimento dela, caiu para suas costas. Ele deu de ombros, continuando com o carinho assim mesmo. Ochako aproveita. ㅡ E até agora você não pegou fogo, eu acho que está sim, tudo bem.

Revirando os olhos e subindo as mãos para seu cabelo novamente, Katsuki puxou de leve uns fios do cabelo dela. ㅡ Que maduro da sua parte, hein? Se eu pegar fogo, tomara que dê para ver do Castelo. ㅡ Voltou a mão para si, agora, coçando seu queixo. Arranhou de leve seu indicador e o dedo médio. É, nem só de fazer armamento vive o homem; a navalha o chamava para cortar a barba nascendo.

Mas, novamente o dever foi adiado. Assim que Katsuki piscou, Ochako já estava perto de si de novo, mas não deitando em seu ombro, apenas o olhando.

Olhando e olhando. Piscando devagar e olhando mais.

Observando com esses grandes olhos marrons. Brilhantes como estrelas e metal em brasa.

Estava tão entretido olhando nos olhos dela e se concentrando em memorizar tudo ali, que mal notou a mão dela se aproximando. Só notou quando sentiu o toque dela em seu braço. Seus olhos se arregalaram: ele não estava esperando por isso.

Quer dizer, o toque dela, sua pele na sua era algo ele estava acostumado, sempre esteve, cresceu sendo cercado de abraços ou carinhos, mas agora-

Agora era quente.

Era quente como brasa.

Se era Ochako quem estava pegando fogo ele não sabe, mas ele tem plena certeza de que poderia entrar em combustão.

O toque dela, quente na sua pele, com aquela mão pequena e bonita, mas firme. O toque era seguro, Katsuki sabia disso. Era firme. Em algum lugar, no âmago dele, ele sabia que o toque era seguro.

E é por isso que ele entrou em combustão. (Resta saber se ele vai morrer e os guardas reais vão prender Ochako.)

O braço inteiro formigava e sua boca, entreaberta, parecia não pegar ar suficiente. Seu nariz havia parado de funcionar, a única coisa que sentia era o cheiro dela.

Foi tudo muito rápido. Tudo durou muito pouco, mas pareceu uma eternidade. Meros segundos se tornaram horas. Katsuki se sentiu preso ali, totalmente embriagado. Por nada.

... Se bem que, para falar a verdade, Ochako nunca era nada.

Katsuki pisca, rápido demais, ao perceber que sua mão estava levantada, mas parou no ar.

Ele podia entender, afinal, ele também estava estagnado no lugar. Nem sabe quando ou como mexeu a mão. Não sabe nem mesmo se não foi Ochako.

Perdeu completamente os sentidos. A única coisa que tinha certeza é do olhar dela penetrando o seu e sua mão delicada o tocando e seu corpo em chamas e como seu coração batia rápido e em como ele sentia que ela também poderia estar entrando em combustão de certa forma e-

E-

— Ei, Katsu- — Ela começou, depois de mais alguns segundos em silêncio. Mas se interrompeu. Katsuki, atordoado, desviou o olhar. Respirou fundo, fingindo que não e só depois que percebeu que ela não ia falar nada, conseguiu coragem para a olhar novamente.

Seus olhos ainda o fitavam, sua mão tocando o braço dele e a dele parada, levantada.

Possibilidades passam por sua mente, ela não sabe o que ele vai fazer com essa mão, mas algo diz que não é nada que ela não queira.

Ela não entende isso, mas entende que Katsuki se arrepiou quando ela o tocou e ainda está arrepiado. Ochako consegue sentir o coração dele batendo forte.

De repente, ela está sorrindo. É quase imperceptível, mas ele consegue vê. Não só porque estavam perto, mas também porque conhece cada detalhe nas expressões dela.

— Ei, Bochechas.

Agora, Katsuki também não entendia. Tudo estava muito confuso e sentia que estava recebendo informações demais. Por outro lado, sentiu-se um pouco mais calmo, porque finalmente percebeu que Ochako também estava assim.

Do jeito dela, claro. Mas estava.

— Sim?

Ele também sorriu. O sútil levantar no lábio superior.

Katsuki também se interrompe.

— Hoje-

Na verdade, algo interrompe ele. O Bakugo demora um pouco para perceber, mas foram tomados pelo susto e agora os dois estão afastados, mais longe do que estavam quando sentaram-se ali primeiro.

Agora, é o próprio coração que Ochako sente acelerado.

Uma borboleta pousando em seu nariz é tudo que fica em seu campo de visão. Bem, já estava há alguns segundos, mas só agora que ela, de fato, viu.

Soltando um muxoxo, Uraraka percebe que está assim porque agora não tem mais o loiro em seu alcance de vista, já que agora só vê uma borboleta.

Rosa, brilhante e com antenas amarelas.

Um estalo ocorre, e Ochako pisca com força, endireitando a postura, mesmo que não precise. Os olhos de Katsuki estão cravados nela, ela consegue sentir (mesmo que agora seja diferente). Mas não se importa de agir como uma estranha ㅡ ele mesmo já presenciou isso várias vezes, então ele que se acostume!, pensa ela.

"Uracchan." Uraraka se lembra do tom de voz tão confortável quanto algodão em sua pele, calmo e tranquilo. "Essas são as minhas borboletas! Legal, né?!" A memória por si só também é confortável.

A memória era antiga, quando elas tinham nove anos e Mina foi, feliz da vida, contar para o grupo de amigas que agora as larvas viraram lindas borboletas (as únicas que ela consegue minimamente controlar, para falar a verdade).

Sorrindo, ela estende o dedo indicador para cima, perto de seu nariz. A borboleta vai para ele, saindo do lugar em que estava.

O toque em seu dedo é breve, como cosquinha.

Agora ela percebe que a borboleta a tirou do transe que estava.

Acenando com a cabeça, assiste o bater das asas levar o pequeno animal até o emaranhado cabelo com cor de raios de Sol que Katsuki tem. Uraraka adora eles, o jeito que eles realmente parecem raios de Sol quando ele está ao ar livre e em como parecem chamas laranjas e fortes quando ele está trabalhando.

Um suspiro que ela nem percebe sai por seus lábios.

Mas assim que percebe, finge que foi um bocejo.

ㅡ É a... ㅡ Ele gesticula, mexendo muito a mão e a castanha pondera: ele está dizendo jacaré, luas ou flores? ㅡ Aquela... ㅡ Ela prefere ir por flores.

ㅡ Sim. ㅡ Concorda com a cabeça, rapidamente. Não era estranho saber de quem ele falava com tão pouco... Conteúdo de especificação, mas dessa vez pareceu. Será que era normal? Decidiu que era. Indecisa entre se levantar e continuar sentada, ela suspira de novo, erguendo as pernas no comprimento da toalha xadrez e cruza os calcanhares antes de olhar para ele de novo. ㅡ A Mina, sim, ela. Não sei porquê, mas acho que a gente vai ter que dar uma pausa... Quando ela manda borboletas é...

ㅡ Importante, eu lembro. ㅡ Completou, de forma automática; estava mais focado na borboleta que avança em sua direção com calma, fazendo movimentos para cima e para baixo, do que em qualquer outra coisa. Por mais que sempre prestasse atenção em Ochako, Katsuki ainda achava tempo para apreciar as belezas da natureza.

E é provavelmente por isso que seu olhar, rapidamente, caiu na amiga.

Ela também o olhava, com um sorriso crescendo fraco nos lábios e os olhos tão perdidos nele e em toda a situação que os englobava. De novo.

De repente, ela piscou com força, quase como se estivesse levando um susto. Não entendeu porquê ela fez isso, mas o desentendimento durou pouco. Quando o olhar dela focou em si, ele fez o mesmo.

O momento de susto estranho passou quando ouviu o pequeno sorriso dela se transformar numa risada, aquele som gostoso preenchendo o ambiente. Katsuki sentiu os tímpanos sorrirem.

A borboleta, finalmente pousando em si depois de ter começado a rir junto o lembrou que estavam falando de... Não, não adianta. Katsuki não lembra o nome dela.

ㅡ Bem ㅡ Uraraka começou, a voz soando como se estivesse saindo porque estava sendo forçada a falar ㅡ, vamos, então?

Katsuki responde, mas não tão rápido quanto gostaria. Agora era o seu nariz em que a borboleta pousou, os olhos nos seus, quase que o julgando. Se é que borboletas julgam.

ㅡ Sim, é... ㅡ Coçou a garganta, que de repente parecia seca. Mais seca do que antes. A mente voando e só quando pegou o copo com suco de maracujá para beber de novo que ele entendeu. É, eles não queriam ir embora. ㅡ Vamos, quanto mais rápido você chegar sã e salva na... Nela ㅡ não adianta, ele realmente ainda não se lembra ㅡ, mais rápido a gente pode sentar num jardim pra terminar de comer.

Uraraka soltou uma risadinha. Não daquelas de quem está com vergonha ou de quem não pode rir, mas uma risadinha típica dela, que combinava com o olhar furtivo que ela o direcionava há alguns minutos e com eles não querendo descer a colina.

Bakugo achou adorável. (Bem, ele acha tudo nela adorável, mas agora, esse conjunto foi uma espécie de estopim.)

Ele também achava a borboleta adorável, mas infelizmente, agora ela também não parece mais muito digna de sua atenção. Mesmo que esteja parada na ponta de seu nariz, olhando-o como se soubesse de seus mais profundos segredos e obscuros medos.

Por fim, começaram a guardar as coisas.

ㅡ Você vai querer passar para jantar lá em casa? A Tsucchan disse que aprendeu uma receita muito interessante com espinafres. ㅡ Perguntou, agora, ajoelhada na toalha para começar a guardar as coisas nas cestas.

ㅡ Pode ser. ㅡ Concordou com a cabeça, e só quando ouviu um suspiro, que com certeza era um daqueles suspiros aliviados que percebeu o que fez. ㅡ Ah, não. Não me diga que ela quer virar... Aquele negócio de quem só come plantas. Que merda, Bochechas.

Agora, ela ria. É, ele acabou de assinar sua sentença de morte.

ㅡ Tomara que ela tenha melhorado os hábitos culinários, Bochechas. ㅡ Numa pausa, terminou de guardar as coisas e agora, se levantou, esperando ela para começar a dobrar a toalha. ㅡ O Deku vai também?

ㅡ Nossa, mas agora só quer saber dele, hein? Pergunta pra ele e eu digo se esperava ou não. ㅡ Revirou os olhos. O outro, começando a dobrar a toalha, viu que o tom de rosa claro combinava com o vestido dela. Era bonito. Em algumas pessoas poderia parecer infantil, mas nela tudo ficava tão... Maduro. Mesmo que às vezes ela fosse uma criançona. ㅡ E já adiantando: espero.

ㅡ Que chata, pipipi, mimimi, ji idiintindi, ispiri. ㅡ Debochou, finalmente acabando de dobrar e deixando pronto para guardar. ㅡ Mas, ok. Vou perguntar logo depois de deixar a vossa senhoria princesa em casa... ㅡ Fez uma pausa, pensando, enquanto estendia a mão e ajudava a outra a se levantar. ㅡ Pronto, princesa. Vamos?

ㅡ Vamos, senhor guarda... ㅡ Segurou sua mão, sorrindo fraco e o olhando de forma curiosa, até que continuou a falar: ㅡ guarda que não entrou em combustão, hein? ㅡ A sobrancelha arqueada era a única indicação de que Ochako estava brincando, mesmo que o tom de sua voz fosse sério.

ㅡ Hm, não sei muito sobre isso aí não. ㅡ Respondeu, em meio a algo que deveria ser uma risada. Bem, não que Katsuki tivesse achado graça... muito pelo contrário, na verdade. — Mas, sim. Concordo. Agora vamos.

Ochako não responde, mas vai até sua cestinha e a dele, entregando-a para Katsuki. Logo depois, juntou ambas as mãos de novo.

O silêncio ainda é confortável, mas Bakugo se sente inquieto. Olhando para a castanha pelo canto dos olhos, fica mais inquieto ainda. Quando sente o vento em seu cabelo, piora. Quando percebe a borboleta pousada no ombro dela, piora.

Quando ela começa a balançar suas mãos, piora mais ainda. Ele aperta a dela, no automático; como mero reflexo. Uma risada soprada sai de seus lábios.

Katsuki ainda está a olhando.

Eles estão descendo a coluna e está ventando, mas não o suficiente para fazer frio.

A grama ainda está úmida.

Ochako olha para ele.

Um sorriso fraco aparece em seus lábios, rosados e bonitos.

Katsuki, suspirando, percebe que tem certeza que ela está brilhando mais do que o Sol.

Fogo e ferro batendo em ferro. Além de vozes e tosses, era só isso que se ouvia na forja de Katsuki. Este, que era o forjador e estava a dois passos de martelar a cabeça daquele Deku idiota. Agora ele falava em códigos?!

Ou até mesmo ele... Será que Katsuki estava falando em códigos? Só pode, parecia conversa de surddo; ninguém se ouve e ninguém se entende.

ㅡ Se relacionar, Deku. Eu estou falando sobre relacionamentos. ㅡ Ditou, revirando os olhos e bufando.. Será que era tão complicado assim de entender? ㅡ É meio chato, fora que parece muito irritante... As pessoas e as coisas. E eu lá tenho cara de quem quer ou vai viver um felizes para sempre? Fora que não sou nenhum príncipe no cavalo branco... Muito pelo contrário. ㅡ Deu risada.

ㅡ Que amargurado... Credo. ㅡ Revirou os olhos também, tentando momentaneamente não rir. ㅡ Você não acha que está exagerando demais? ㅡ Izuku perguntou, depois de tossir um pouco. Odiava respirar perto do fogo.

ㅡ Não. ㅡ Katsuki nem levantou o olhar para si, focado demais na chama que crepitava. ㅡ Por quê?

Mordendo o lábio, Izuku suspirou. Nunca foi fácil falar sobre essas coisas com o outro.

ㅡ Porque eu acho que sim. Quer dizer, para você ter uma noção, eu só sei mais do que você me contou sobre isso porque a Mina falou para a Asui...

ㅡ Eu não ligo para o que elas pensam, Deku. E afinal, o que isso poderia ter a ver comigo? Você sabe muito bem que não me importo com o que pensam sobre a minha vida romântica... Ou a falta dela. ㅡ Finalmente, Katsuki o olhou. Ele poderia parecer ameaçador, mexendo em ferro quente com as mãos puras enquanto o olhava, mas Izuku sabia que ele estava mais assustado do que irritado. ㅡ Fora que... O que você quer dizer com saber mais do do que eu te conto por causa delas?

ㅡ Você sabe, Kacchan...

ㅡ Não.

ㅡ A Mina disse que ouviu o Shoto-kun conversando com a Momo sobre uma coisa que a Hagakure viu. ㅡ Respondeu, mas só isso. Com certeza faltava informação, mas o olhar de Izuku era o mesmo de quem entrava no mar com um pé só, para testar as águas. Katsuki ergueu as sobrancelhas, indicando para ele continuar. ㅡ Sobre aquele... Monoma, e...-

Houve um barulho alto.

Ele estalou e ecoou pelos cantos daquela "caverna".

E foi um contraste contra a voz de Midoriya, que era calma e baixa.

O esverdeado não precisou olhar para as mãos do amigo para saber que o pedaço de ferro quebrou.

...pelo menos era fino, pensou.

ㅡ Você não precisa dizer mais nada, Deku.

De fato, não precisava. Agora fazia todo o sentido: Monoma, sua vida amorosa e as fofoqueiras. Começou a se sentir muito frustrado só de pensar nas possibilidades de besteiras que teriam sido faladas.

ㅡ Mas- mas... Mas você nem sabe o que eu vou dizer!!

ㅡ É óbvio que eu sei. ㅡ Ele olhou para Izuku por alguns segundos antes de se virar e ir novamente para perto do fogo. Quando voltou a falar, ditava levianamente Nem parecia que tinha um sorriso muito... Problemático no rosto. ㅡ Todo esse nervosismo e você se cortando nas frases... Fora que desde que você chegou parece que você- ou melhor, que eu vou explodir. E com você falando daquele... Ugh, desse Neito, ainda mais assim, só tem uma alternativa possível...

ㅡ O Kaminari... ㅡ Izuku completou, olhando como Katsuki realmente estava perto do fogo. Fazia sentido, afinal. Bakugo encontrava seu abrigo em coisas quentes. Midoriya suspirou. Ele realmente achou que Katsuki fosse explodir, mas agora... Até mesmo o pedaço de ferro restante em sua mão pareceu esfriar.

ㅡ Ah- Ah! Sim, com certeza... ㅡ Ele afirmou, acenando com a cabeça lentamente, parecendo ainda mais perdido. Seus olhos vagaram pelo rosto de Izuku antes de continuar a responder. ㅡ Pode me lembrar porquê ele é perigoso quando se envolve... ㅡ Ele fez uma pausa. Agora estava realmente confuso, com seus pensamentos voando. ㅡ O Denki?

Midoriya, o olhando com o cenho franzido, deu de ombros. Kacchan estava engraçado, com sua cabeça erguida para frente e falando um pouco mais baixo. Engraçado, hah... Kacchan só fazia isso quando...

Izuku arregalou os olhos, com suas sobrancelhas no alto. ㅡ Kacchan! Você está mentindo!

ㅡ O quê?! Por quê? ㅡ Os olhos de Katsuki se abriram mais ainda. Fora... Pego no flagra. Mais tarde do que achou que seria, mas foi.

ㅡ Você não sabia o motivo! E você sempre sabe o motivo! ㅡ Pontuou, com a voz elevada. Chegava ao nível de histeria... Era usual, infelizmente. Katsuki reviraria os olhos, se estivesse normal. ㅡ É o Monoma, Kacchan!

ㅡ Exatamente!! ㅡ Esbravejou, também. Não estava histérico, mas com certeza estava falando alto e gesticulando demais. ㅡ O desgraçado do Monoma! Que vive dando em cima da Ochako, com aquele sorriso de merda no rosto, aquele cabelo- ele é até loiro, Deku! Loiro! E fica- fica de paquerazinha- ㅡ Grunhiu, apertando o ferro em mãos. ㅡ Que droga, Deku!

Agora Izuku entende que sim, os olhos conseguem se arregalar bastante.

ㅡ A... Ochako... A Uracchan?! ㅡ Sua voz fraqueja.

ㅡ É óbvio! Quem mais seria?! ㅡ Ele respira fundo, puxando todo o ar que conseguia. Se não estivesse tão acostumado a (falta de) qualidade do ar ali, estaria tossindo. ㅡ É só... Ela. E o Neito.. E a desgraça... Do Neito. ㅡ Se encostou na mesa de madeira, os braços se segurando ali. Midoriya, olhando, se questiona se Katsuki vai desabar. ㅡ O que ele fez com o Denki, Deku?

Pelo tom de voz de Bakugo, estranhamente calmo, Izuku percebe que ele já desabou. Izuku percebe o que aconteceu quando ele está pegando a parte do metal que caiu de sua mão. É o jeito que o olhar dele ainda parece desfocado, como se não soubesse no que exatamente focar.

... como se não soubesse se devesse focar em Ochako sendo alvo do Neito, mesmo que... Kacchan! ㅡ Se interrompeu, finalmente falando em voz alta. Katsuki já o olhava, mas parecia só prestar atenção porque Deku começou a murmurar sobre Ochako. ㅡ Você tem que começar a falar as coisas, Kacchaaan! Que coisa, você... Como que o Eijiro falaria? ㅡ Ficou em silêncio por alguns segundos enquanto chegava mais perto de Katsuki. ㅡ Seja másculo, Kacchan!

ㅡ Está querendo dizer que não sou?!

ㅡ Estou querendo dizer que o Monoma nem mesmo gosta de moças, Kacchan! ㅡ Soltou, encarando o mais velho como se ele fosse cego. E burro. ㅡ Você não lembra?! O Kaminari está com o Shinso...

ㅡ E o que isso tem a ver com eu ser másculo, Deku?! Seja lá o que ele for, eu não me importo, contanto que seja bem longe de mim. ㅡ "e da Bochechas", completou, mentalmente. Sua mente, com pensamentos voando, uma frase se destacou.

Nem mesmo gosta de moças.

Monoma... Não gostava de moças.

Katsuki piscou com calma, mas o que Izuku vê é que ele está tendo tiques no olho.

ㅡ Entendeu agora, Kacchan?

Ele pensou um pouco antes de responder. ㅡ Não sei. Que eu vou... Lutar com o Shinso para chutar a bunda do Neito...?

Agora o cenho de Katsuki está franzido. Izuku bufa e dá um peteleco bem no meio da testa dele.

As coisas realmente pararam de fazer sentido.

ㅡ Não, Katsuki Bakugo!!!!!!! ㅡ Se deu um tapa na testa. Fraco, é claro. Estava indignado com o amigo. ㅡ Quer dizer, sim, talvez, se você quiser... Mas eu estou falando da Uracchan!! Monoma te provocava com ela, é claro. Nunca achei que fosse realmente surtir efeito... Tenho que pagar o Shoto-kun, então... ㅡ Murmurava. ㅡ Bem, o que eu quero dizer é-

ㅡ Como assim... Pagar o Todoroki, Deku?

Ele coçou a nuca, desviando o olhar. É, agora quem havia sido pego no flagra foi ele.

ㅡ Ah, é... Veja bem, o Monoma ficava provocando você, ele não... ㅡ Izuku olhou para Katsuki novamente. Que seja dita a verdade, então. ...Ou Kacchan vai arrancar ela de mim com esses ferros... Izuku deu um passo para trás antes de continuar. ㅡ Agentemeioquedesconfiavaquevocêpoderiaquemsabetalvezassismnédependegos-

ㅡ Com calma, Izuku! Se eu não entender o que você fala, como que eu vou entender o que você quer que eu faça, homem?!

Ele respirou fundo. De novo. Agora ou nunca.

Kacchan não é tapado, né... Será que eu posso mesmo fazer isso- não, eu tenho que fazer isso! Como seu melhor amigo, é meu dever orientar ele.

ㅡ Eu e Shoto-kun suspeitávamos que você e a Uracchan poderiam estar precisando de ajuda para assumirem.. Seus, é... Sentimentos. Ufa! Achei que você-

ㅡ Vocês- vocês o quê?! A gente- a gente não... A gente não se gosta, Deku. Somos bons amigos. O idiota do Neito com aquelas paqueras falsas que se vire, então- e você e o Shoto-

E um estalo soou de novo.

Katsuki não sabia o que pensar. Seu corpo só... Reagiu.

ㅡ Eu acho melhor... A gente ter essa conversa lá fora, Kacchan. ㅡ Izuku disse, algum tempo depois. Novamente, como se testasse as águas.

Fitar o Bakugo nesse momento foi uma experiência nova. Um dos únicos momentos que Midoriya realmente o viu parecer desolado.

A voz dele continuava firme enquanto falava, mas era vazia. Sua voz firme não significava nada enquanto ele parecesse estar sem chão.

ㅡ A gente não vai conversar lá fora, Deku. ㅡ Afirmou, ríspido. Talvez não fosse proposital, mas pareceu querer encerrar o assunto; a voz crepitando igual as chamas. Izuku não entende como ou porquê essa mudança repentina, mas era algo... Definitivo.

A água não estava boa, Izuku conclui.

ㅡ Kacchan...

ㅡ Nós não vamos ter essa conversa. Não de novo. Dê seu dinheiro para o Todoroki ou que seja, mas... Não teremos essa conversa de novo.

Midoriya suspirou, erguendo seu olhar ao outro. Realmente, algo definitivo aconteceu. Agora, o olhar de Bakugo se focou.

O cacheado só não sabe se foi na raiva ou no medo.

ㅡ Tudo bem... Kacchan...

Preferia que fosse em Ochako, mas agora não sabia se realmente Ochako é alguma coisa.

ㅡ Ei, Kacchan...? ㅡ Izuku se lembra do discurso encorajador que fez para si mesmo há alguns segundos. Sim, era melhor amigo do loiro, era seu dever o ajudar. Então, já quase saindo da caverna, decide jogar sua "cartada final": ㅡ O Monoma realmente não gosta de moças, até onde eu sei... Mas nada impede ele de ter mentido quando me disse isso, certo?

Antes que Katsuki pudesse responder, ele sai. E então ele está perto da floresta da cidade.

ㅡ Credo, Kacchan... Que longe do centro. ㅡ Murmura, revirando seus olhos. Teria que andar muito para voltar.

Enquanto Izuku caminha, Katsuki, lá dentro, sente-se sufocado.

O ar em sua forja nunca era realmente ruim. Fazia um mal absurdo, com certeza, mas ele se cuidava. Ou então fazia algo bem próximo disso.

ㅡ Será... ㅡ Começou. Sua voz saía... Frágil. Realmente, era algo novo.

Quer dizer, a situação...

A situação podia não ser nova, durante seus vinte e três anos de vida pelo menos quatro vezes ele já se pegou nesse dilema. Mas nunca... Nunca foi tão forte assim, nunca tão... Estranho.

Nunca foi realmente assim.

Dessa vez foi.. Avassalador. Não existia outra palavra, não mesmo. Foi um descontrole total, ele nem mesmo percebeu que estava desestabilizado o suficiente para nem mesmo perceber que conseguiu quebrar o ferro que estava mexendo.

Pelo menos, com Deku saindo, ainda mais- ainda mais depois de dizer aquilo-. Nossa.

Katsuki... Estava perplexo.

Não existe outra palavra que realmente define a situação.

E ficou mais ainda quando, sentando-se no chão, um grunhido dolorido escapa de sua garganta.

Ele olha para os lados, tentando identificar o que teria feito isso acontecer, até que seu olhar cai em sua mão, o apoiando no chão.

Sua mão... Que estourou... Dois pedaços de ferro...

Num curto período de tempo...

ㅡ Merda, Katsuki, seu burro do cacete. ㅡ Resmungou, levantando-se. Agora que a letargia da adrenalina havia passado, seu corpo recobrou os sentidos. Que merda, agora tudo doía.

Suas mãos, sua cabeça e, sinceramente? Até mesmo alguma parte de seu interior.

Mesmo que... Ele não queira admitir nem para si mesmo.

Apagou a chama que estava usando há minutos atrás e saiu, andando até o lago que fica perto da caverna que usa como forja, ele não perde tempo: deita de bruços na grama e enfia seus dois braços no lago.

A água gélida dá um certo choque de realidade, além de que parece o xingar também.

Bakugo olha se estica e olha seu reflexo no lago.

Patético.

Descontrolou-se por tão pouco... Tão... Tão pouco.

Mas foi só pensar nisso que a voz na sua cabeça, a mesma voz que disse que o Deku maldito com certeza estaa falando da Ochako, diz que ela não era pouco.

Ochako era realmente muitas coisas. Era o motivo de várias coisas.

E isso...

Isso era muito.

E como se a ardência estranha no seu dedo e a interna não fossem ruins o suficiente, sua mente começa a repetir toda a conversa que acabou de ter com Izuku.

Agora...

Agora ele percebeu que se não estivesse tão focado em seus relacionamentos, provavelmente teria entendido logo que era do Denki que Deku estava falando...

Só que não.

Nem mesmo se lembrando de tudo que ele e o Kaminari já conversaram e de tantos socos já deu em Monoma ou como brigou com aquele tal de Hitoshi quando Denki apareceu chorando, nem mesmo lembrando de tudo isso ele conseguiu entender como havia confundido ele com Ochako.

Nem mesmo com Deku repetindo sobre Shoto.

Neito não estaria perto de onde Shoto e Momo moram.

Não se não fosse pelo Kaminari...

As coisas, realmente, não fazem mais sentido.

E perdem toda a chance de fazer quando aquela voz, no fundo de sua mente, sussurra seu maior medo. No mesmo tom que Katsuki usava quando estava apavorado, mas fingia que não:

A Ochako não sai da sua cabeça, é óbvio que você vai achar que as coisas são direcionadas a ela... Mesmo quando não são.

Depois disso, Katsuki não perdeu tempo.

Jogou-se no lago.

Que se danem os peixes, Katsuki já era acostumado demais com eles.

E agora, infelizmente, não é mais hora de testar as águas.

A porta se fecha com força, já que Uraraka a deixou fechar sozinha. Estava ventando muito naquela manhã.

ㅡ O que aconteceu com a sua mão, grande idiota?! ㅡ Perguntou, assim que estava perto o suficiente.

Perto demais.

Novamente, Katsuki percebeu que havia assinado uma sentença de morte.

Ochako era um furacão.

Daqueles que te destroem e você nem percebe.

ㅡ Oi também, Bochechas. Sim, eu já tomei café. Falando em café, você não acha que está muito cedo para entrar na minha casa gritando assim? ㅡ Ergueu uma das sobrancelhas enquanto se sentava na cadeira de madeira novamente. Havia levantado pelo susto, mas agora passou. O susto inicial, pelo menos, porque seu coração ainda batia feito louco.

ㅡ Que bom! ㅡ Esbravejou, começando a andar em círculos, depois de se afastar um pouco. Katsuki deveria ter reparado que ela só faz isso quando está para ter algum tipo de surto, mas só conseguia reparar no quão fofo era o tom de rosa de suas bochechas e em como a saia de seu vestido rodava. ㅡ Não, não está cedo, o Sol já nasceu! E só soube que você se machucou feio porque o Deku me disse que você estava com a mão tão vermelha como seus olhos! Droga, Katsuki! Te trouxe jades, mas acho que deveria ter trazido rubis!!!

O Bakugo piscou, forte. E rápido.

Ele não sabia em qual informação focar.

ㅡ Trouxe mais jades? ㅡ Então ele foi pelo que mais era interessante. Se era porque adorava as pedras que Ochako lhe dava ou porque não queria falar sobre Izuku e sua mão, só ele sabe.

ㅡ Sim, trouxe, eu falei que ia trazer, não falei? Ou você já esqueceu? Aah, Tsuki, você é muito novo para começar a ter problemas na memória.

ㅡ Eu me esqueci, tá, porque esses últimos dias... ㅡ Ele se corta. Porque eu estava pensando em você. Ou porque você é tudo o que eu penso e não é de hoje, isso. É algo assim que iria dizer? A frases queimam em sua garganta, querendo sair. Ochako o olha, curiosa e é quando ele sente sua mão arder de novo que ele fala. E não é nada do que ele pensou. ㅡ Eu recebi ouro.

ㅡ Você ficou ocupado porque você recebeu ouro? ㅡ Perguntou, naquele tom de quem não acredita muito, enquanto sua mão deixava a cesta florida e com sanduíches na mesinha. A próxima coisa que Katsuki sente é as mãos dela em seu braço de novo. Os arrepios tomam conta de seu corpo.

Do que eles estavam falando mesmo?

ㅡ Ahn, sim. ㅡ Assente, no automático. Ela percebe, como sempre, mas finge que não, enquanto tira um pote branco e verde do bolso. Pelo sapo desenhado na tampa, Katsuki não precisa de mais dicas para saber o que é.

Eles ficam em silêncio por alguns instantes.

Ochako, mesmo secretamente, aprecia o contato da pele áspera dele na dela. Fica massageando a pele com a pasta de algas e mais algumas ervas por mais tempo do que deveria, mas com calma e um brilho muito bonito no olhar.

Ela está tão...

Linda. Assim, concentrada... Um suspiro sai dos lábios do Bakugo.

Ochako, com os olhos arregalados, de repente aperta um pouco a região. ㅡ Desculpa, o que você disse? ㅡ Perguntou, com a voz trêmula. Elogios eram usuais, claro que sim. Mas quando estavam naquela proximidade, com ele tremendo e quente sob o toque dela... As coisas ficam diferentes.

ㅡ Ah? ㅡ Murmura, erguendo os olhos para os dela. ㅡ AH! É, eu quis dizer que você está muito bonita hoje, Bochechas. Belo vestido.

ㅡ Você... Também. Mesmo que com essa cara você seja um grande idiota, pela sua mão, eu te perdôo. ㅡ Respondeu, fazendo um bico com os lábios e corando um pouco. Katsuki até faria algum comentário sobre as bochechas rosadas dela, mas ele sabe que está do mesmo jeito. E ele nem reparou que ela disse como se soubesse o que havia acontecido.

O loiro, deitando mais na cadeira, puxou uma outra com o pé, para Ochako se sentar. Agora sim, olhava-a sem ter que erguer a cabeça; poderia contemplá-la melhor assim.

Em meio a um suspiro, Katsuki tornou a falar:

ㅡ Quebrei dois metais antes de ontem. Deku fez alguns comentários e eu me descontrolei. Ele ainda está inteiro, mas parecia preocupado. Pelo jeito que você entrou aqui, imagino que já saiba que o principal motivo era aquele loiro desgraçado.

ㅡ Loiro desgraçado... Está falando de você na terceira pessoa, Tsuki?

ㅡ Ora, Bochechas. ㅡ Ergueu uma das pernas para dar um chute na perna dela, de leve, que ria. ㅡ Estou falando do desgraçado do Neito.

Uraraka o olhou mais um pouco antes de voltar a passar a pasta que "cura milagrosamente" de Tsuyu e respondê-lo.

ㅡ Eu sei. O Izuku me disse quando a gente se encontrou. Eu perguntei se ele sabia porque você não tinha aparecido na loja, outro dia. A gente se encontrou na feira, foi até engraçada a cara que ele fez, quando eu perguntei sobre... Ele pareceu bem tenso, corado e tudo. ㅡ Deu de ombros, deixando o potinho em cima da mesa. ㅡ Você está bem? É uma queimadura feia.

ㅡ Eu não sei. Que é feia eu sei, no caso, mas se estou bem... Isso é um assunto a ser resolvido, ainda. ㅡ Disse, encostando a cabeça na cadeira, olhando-a de longe. Uraraka também o olhava.

E então ela deu um sorriso.

Katsuki sentiu que ficaria bem no dobro do tempo se ela sorrisse assim para ele de novo. (Ele sabia que ela o faria.)

ㅡ Então, sei exatamente o que iremos fazer.

E foi tudo o que ela disse antes de começar a zanzar pela casa dele, arrumando algumas coisas. Provavelmente comidas, pensou.

Bem, estava certo: meia hora depois, estavam observando o Sol brilhante da manhã no mesmo topo da colina de antes.

Katsuki quis esganar Ochako. Pela milésima vez.

ㅡ Vai me dizer porquê estamos aqui? É a terceira vez na semana e a gente nem mesmo veio fazer piquenique hoje!

Mas, ao invés disso, assim como ela, tirou o sapato, para subir o resto da colina com os pés na grama.

ㅡ Estamos aqui porque sim. ㅡ Respondeu, pela primeira vez. Ochako já havia perguntado a mesma coisa pelo menos cinco vezes nas últimas duas horas. Era a primeira que Katsuki respondia. ㅡ Porque hoje é um dia lindo e nós vamos aproveitá-lo aqui.

ㅡ Antes você perguntava se eu queria vir... ㅡ Comentou, em tom de lamúria, enquanto encostava a cabeça no ombro dele. Automaticamente, entrelaçou seu braço no dele. Um calor legal a encheu. ㅡ Mas agora, ai, ai. E se eu não quisesse vir?

Revirando os olhos, Katsuki solta o ar pela boca, numa risada fraca, mas convencida. ㅡ Se você não quisesse vir, simplesmente não teria vindo. Eu te conheço. Antes eu te perguntava porque não sabia se você realmente queria vir. E, faça-me o favor, Bochechas, a gente não se pergunta mais se queremos vir aqui há, pelo menos, sete anos.

ㅡ Aniversário da Mina, né? Eu também lembro, foi tão legal... ㅡ Ela disse, com um sorriso muito bonito no rosto, mexendo a rosa em mãos. Uma única rosa, vermelha e bonita. ㅡ Nem parece, mas já faz tanto tempo...

ㅡ Só para você, né. Eu sinto que faz muito tempo. ㅡ Comentou, observando o céu e vendo algumas aves voarem. ㅡ Quase como uma outra vida. Você acha que nossa adolescência foi estranha?

Ochako foi, para dizer o mínimo, pega de surpresa. Mas negou com a cabeça.

ㅡ Não, não acho. ㅡ Respondeu, pensativa. Alguns segundos depois, enquanto olhava o brilho refletido nos olhos dele, com o cabelo voando e tão perto, literalmente dentro de seu braço, ela sente que entendeu o que ele quis dizer.

Mas é só quando o coração erra uma batida que ela tem certeza. E ele a olha, com aqueles olhos vermelhos tão bonitos que ela, mesmo que momentaneamente confusa, não consegue fazer muito além de olhar para ele, de volta.

Não faz muito sentido, ele pode estar querendo dizer qualquer coisa. Ela sabe disso.

Mas agora, de braços dados, depois de passar a tarde inteira com ele ajudando na forja e sendo paparicada com um pedaço pequeno de obsidiana que ele disse que achou por aí, ela sabe exatamente do que está falando.

Ela sabe perfeitamente o porquê ele olha para ela com esses olhos rubis tão brilhantes e intensos.

Ela sabe, porque assim que seu coração errou uma batida, ela sentiu o dele errar também.

ㅡ Eu... Eu realmente não acho que nossa adolescência tenha sido estranha. ㅡ Ela diz, alguns segundos depois de desviar o olhar. Muito contato visual com ele a deixava fraca. ㅡ Nem a nossa infância e, caso você queira saber, não acho que nossa vida adulta esteja sendo.

Quando ele não responde, ela sente a bochecha começar a se colorir antes mesmo de voltar a falar.

ㅡ E... Não acho que vamos ser velhos caducos estranhos. Quer dizer, velhos são, sim, estranhos mas... Nada é... Realmente estranho, sabe... Não... ㅡ Uraraka respirou bem fundo, antes de continuar. Todo o ar que tinha pareceu faltar-lhe assim que ele voltou a olhar para ela também. ㅡ Nada é realmente um estranho ruim quando eu estou com você. ㅡ Ela terminou, num fôlego só.

Se cinco minutos atrás o coração de Katsuki pareceu errar algumas batidas, agora ele tinha certeza que só se mantinha vivo porque se lembrava de respirar.

ㅡ Você não tem nenhuma piedade com o meu coração... ㅡ Comentou, num muxoxo.

Ochako apenas riu nasalmente, firmando o braço no dele. Essa movimentação fez algo crescer mais ainda dentro dele.

Então ele se virou, ficando de frente para ela e fazendo ela ficar assim também.

ㅡ Ochako.

ㅡ Katsuki.

O tom era sério. Eles não sabem de onde veio a mudança repentina, mas quando os olhos se encontraram e as mãos se tocaram, com os dedos entrelaçando e enquanto a pupila de Katsuki aumentava, Ochako teve absoluta certeza de que até seus corações batiam juntos.

Sincronizados.

ㅡ Vamos nos casar.

Arregalando os olhos, apertou a mão dele um pouco mais forte, em reflexo.

ㅡ Vamos... ㅡ Fez uma pausa, para coçar a garganta. A firmeza na voz dele fez ela se desestabilizar um pouco. ㅡ Desculpe, vamos, o quê?!

ㅡ Casar. ㅡ Apertou a mão dela também, chegando a cabeça para frente. Ela, espelhando-o, fez o mesmo. ㅡ Nós dois, eu e você. Casar.

ㅡ Casar... ㅡ Sussurrou, enquanto um sorriso começava a crescer em seus lábios. Katsuki começou a sentir-se gelado demais; estava começando a suar frio. Ele abriu a boca, palavras demais lutando para sair, mas antes que o fizesse, ela acabou rindo.

Rindo.

Quem arregalou os olhos, dessa vez, foi Katsuki.

ㅡ O que-

ㅡ Estamos pulando, pelo menos, duas etapas, não?

ㅡ Achei que você fosse negar. ㅡ Comentou, soltando as mãos apenas para se virar e ir em seu casaco. Ochako reconheceu o brilho vermelho e não demorou para ele entregar a pedrinha de rubi em uma mão.

Bakugo não era nenhum mágico, mas Ochako achou um elo truque ele fazer surgir dois anéis na outra mão enquanto ela-

Piscava-

Dois anéis.

ㅡ Eu- eu posso ter negado. ㅡ Se engasgou nas palavras. Era um par de anéis.

ㅡ E negou? ㅡ Quando abriu a palma de sua mão, Katsuki viu os olhos dela brilhando.

São dois...

ㅡ Um pra mim e um pra você. ㅡ Falou, baixinho. ㅡ Jades e granadas.

ㅡ E... Ouro...

ㅡ Sim. ㅡ Afirmou, deixando os anéis na mão dela. Um ato silencioso que dizia que a escolha era dela. ㅡ Aquele dia, quando eu disse que fiquei ocupado porque recebi ouro... Eu recebi o resto de um pagamento de melhorias que fiz para o Batalhão do Rei. Na bainha das espadas... Então... Pareceu... É, bem...

Certo. ㅡ Ela completou, segurando cada anel em uma mão. Fixou as orbes ali antes de olhar para Katsuki. Nesse momento, pegou a mão dele. ㅡ Pareceu certo.

ㅡ Sim. ㅡ A voz quase falhava enquanto observava os atos dela. Em segundos, o anel mais fino estava nas mãos do loiro. ㅡ Porque pareceu certo.

Quando se olharam de novo, em meio ao brilho bonito no olhar da castanha, Katsuki viu as lágrimas. Não fez nada, porque não tinha muito controle do próprio corpo. A única coisa que realmente conseguiu fazer foi colocar o aro de ouro no dedo anelar dela ao mesmo tempo em que ela fazia o mesmo com ele.

Ao mesmo tempo.

Novamente, sincronizados.

Katsuki também sentiu a bochecha molhada, segundos depois.

Sorriram, largo em meio às lágrimas. A risada preencheu o ambiente, enquanto as testas se encostavam.

ㅡ Pulamos mesmo vários passos. ㅡ Bakugo comenta, depois de algum tempo, enquanto entrelaçava os dedos nos dela. Ambas as mãos com os anéis.

Anéis de compromisso.

ㅡ Talvez sejamos, sim, um pouco estranhos, afinal. ㅡ Ela respondeu, enquanto a mão ia para a rosa que trouxe. Deixou encostada na perna dele.

Ele, por fim, finalmente a entregou o pingente de rubi.

ㅡ Sim. ㅡ Concordou, soprando uma risada e pegando a flor com a mão livre. Uma rosa rosa. ㅡ Mas não tem problema ser estranho com você.

Ele não teve outra resposta além do sorriso dela.

Largo e brilhante.

Não precisou de mais nada além disso, porém.

Katsuki Bakugo e Ochako Uraraka são grandes amigos. Conhecem-se desde o berço e conhecem o outro como conhecem a palma da própria mão. Seja por isso ou não, eles adoram ficar de mãos dadas.

Ochako adora pedras e Katsuki, como bom forjador que é, nunca vê problema em fazer coisas para a amiga. Nem mesmo quando, vinte e três anos depois de se conhecerem, o que ele está fazendo para ela não eram aquelas pulseiras estranhas ou qualquer coisa que Ochako quisesse (como um espelho que ele teve que derreter pelo menos três moedas de ouro que ela trouxe e mais um pouco das dele para fazer, mas não que ela soubesse da última parte.).

Ele estava fazendo um par de anéis.

Porque ele soube que Ochako também sentia o corpo formigar.

Principalmente quando davam as mãos.

E agora, quando davam as mãos, sentiam ali pedrinhas pequenas de jade e granada misturadas com ouro. Um pequeno símbolo misturado com todo o imenso comprometimento mútuo que tinham um com o outro.

Sorriram, descendo a colina tão conhecida por eles.

Katsuki, com uma rosa na orelha e Ochako com um pingente de rubi em seu colar.

O vento bagunçava seus cabelos e o Sol estava se pondo.

Era uma bela visão, eles concordam.

Mas concordam quando as testas se juntam e os olhos vermelhos de Katsuki se perdem mais uma vez nos castanhos de Ochako e quando os lábios se juntam.

No final, sim.

Tudo parecia muito certo.

Notas finais
isso aqui tá grande, mas vamo lá. fé.

oioi boa #noite. se você chegou aqui, que bom. tomara que tenha ficado bom

LTDM tem uma playlist literalmente Loteria de Diamantes (por atlantic's tune) no spotify e o mesmo nome por Atlantic's no youtube. o link tá aqui https://open.spotify.com/playlist/47WYKmuolZwSCw423JVbQH?si=7a253e6b64a149ab (spotify) e https://www.youtube.com/playlist?list=PL50FLHFMA_ACB0NvcGXIxQDXdVCJeNR-V (youtube).

valeu também as beta ( @kuriyama_nyah ) e capista ( @dilophosaurus_ )pelo bom trabalho e pela paciência p lidar comigo KKKKKK

enfim. adorei escrever isso. romance não é meu forte mas foi uma experiência divertida. achei também muito bom o lance do pedido de casamento... apesar de pequeno, foi a parte principal do plot. tomara que tenha ficado decente.

enfim de novo, é isso. debutei em BNHA com bakuocha baitolas e no projeto

agora, o glossário:

Granada: amor, proteção e sucesso. geralmente tem tons avermelhados & age em relacionamentos amorosos e saúde física e mental.
Jade: pureza, beleza e poder, além de trazer bem-estar e proteção.
Ouro: perfeição, iluminação, conhecimento, nobreza, realeza e imortalidade. também simboliza o fogo purificador e masculinidade.
Rosa (flor): simboliza amizade.
Rubi: energia, que fortalece e aumenta motivação, dá sensações de confiança.
Obsidiana (preta): protege e forma um "escudo" contra a negatividade, também fortalecer, ajudar na ansiedade.

e foi #isso. acho que deu pra entender um pouco o rumo da história e os motivos das pedras/cristais serem citados. mas o da rosa, caso não tenha ficado muito claro, a Ochako deu pra ele porque, mesmo indo casar, ainda seriam melhores amigos, sabe. coisas do tipo

agora sim, nossa. se você chegou até aqui, voce eh #guerreiro. valeu pela leitura; bebe água, cuidado com o corona e até a próxima

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!