Lost stars

1 But are we all lost stars


Notas iniciais
Jouir!

O amor é um precipício, às vezes a gente pensa que está voando e já está caindo.

Lisbela e o prisioneiro

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Uma jovem se encontrava como em várias outras vezes admirando o céu iluminado pelas estrelas. Essa noite estava diferente de todas as outras. A lua se escondia e as estrelas, antes um pouco ofuscadas pelo brilho da grande dama da noite, hoje brilhavam livremente, espalhadas pelo céu.

Aquele tipo de prazer simples, sempre atraiu Lily, ela se debruçava no parapeito da torre de astronomia, como se ao fazer isso pudesse se aproximar mais do céu.

Era uma espécie de pausa na vida, ela ao contemplar o céu sentia como se sua vida ficasse em suspenso. Nada de aulas, trabalhos, provas, obrigações de monitoria. Nada de perigos, decepções, tristezas. Seu coração inexplicavelmente se enchia de uma sensação que ela nunca tinha conseguido definir e nem queria na verdade. Mas desta vez, assim como a noite, era diferente.

Ao contemplar o céu estrelado daquela noite fria de inverno Lily pensava em como as coisas tinham mudado nesses últimos anos, em como o medo e terror pairava sobre todos. Amizades destruídas, vidas perdidas tudo por causa de um ideal preconceituoso que infelizmente muitos tinham se deixado seduzir, inclusive seu ex-melhor amigo Severo Snape de quem ela tinha se afastado desde o final de seu 5º ano, pensar nele ainda fazia seu coração doer. Ele era mais um exemplo do que vinha acontecendo no mundo bruxo, em Hogwarts menos que lá fora, mas mesmo assim todo esse silêncio intolerante soava alto demais aos ouvidos dela.

Era quase insuportável o clima que tinha descido sobre a sociedade bruxa e até mesmo sobre os trouxas. Era como se uma fina névoa tivesse aos poucos chegado sem que ninguém percebesse e que agora sufocava a todos, sufocavam suas vozes, seus gritos. Os pesadelos, os medos... tudo era terrível, porém a pior parte era todas as manhãs acordar com aquele frio na barriga, sem saber como o dia acabaria, sem saber em quem poderia confiar, com medo até de andar pelos corredores sem companhia.

Aquele dia também tinha sido diferente. Lily não se surpreendia mais quando um aluno da sonserina fazia alguma piadinha de mal gosto sobre sua origem trouxa, mas antes eles eram mais discretos, sussurravam ofensas disfarçadas de humor negro quando encontravam a jovem pelos corredores, olhavam de forma altiva para a diminuir. As pessoas sabiam que isso acontecia com nascidos trouxas mas era algo difícil de controlar, não se podia proibir alguém de pensar algo.

A tarde após o fim das aulas Lily estava voltando da biblioteca e topou com um grupinho conhecido da sonserina, entre eles estava Severo Snape. A grifinória sempre foi do tipo que não gostava de procurar confusão, mas também não ficava calada se mexessem com ela. Os sonserinos desta vez não tentaram disfarçar sua repulsa e com palavras terríveis ofenderam a jovem bruxa, não pareceram se importar com a possibilidade de serem pegos. Lily podia aguentar as ofensas, sabia que não era nada daquilo que eles falavam, porém, ao olhar para Snape e ver ele rindo junto com seus companheiros, fez com que as barreiras de Lily caísse e ela se sentiu afetada pelas palavras ali proferidas. A jovem bruxa travou e não conseguiu responder a altura como o de costume.

Ela saiu correndo de lá antes que pudesse desabar na frente deles, correu para o banheiro e chorou durante algumas horas, a humilhação, a mágoa, a decepção, a frustração fez com que a grifinória, sempre tão corajosa, sucumbisse. Ela não achava que seria possível, mas Severo Snape tinha conseguido quebrar seu coração novamente.

Quando ela saiu do banheiro já tinha passado do toque de recolher e os corredores estavam então vazios. Ela nem sequer hesitou e seguiu para torre de astronomia, a ruiva não sabia que horas eram, mas também não se importava, estar naquele lugar, contemplando as estrelas, fez com que ela se sentisse um pouco melhor, a fez se lembrar de quando era pequena e deitava no jardim de sua casa nas noites de verão e observava esse mesmo céu, cheio de estrelas, naquela época não havia preocupações.

Mesmo se a ruiva não estivesse tão distraída com seus pensamentos ela não teria escutado a aproximação de uma pessoa, James Potter sabia ser silencioso quando queria, anos de prática ao andar de madrugada pelos corredores aprontando marotices.

Ele se aproximou cuidadosamente para não a assustar, e, assim como ela se apoiou no parapeito da torre e ficou observando o céu. Alguns minutos se passaram até que a moça percebesse que não estava mais sozinha. Nos últimos meses James e Lily tinha desenvolvido uma inusitada amizade, o que permitia conversas e brincadeiras sem que gritos fossem ouvidos, mas ainda era uma amizade frágil.

— Prometo não contar para a monitora-chefe que você está fora da cama. – James disse e Lily sorriu.

Eles ficaram em silêncio por mais alguns minutos até que James voltou a falar:

— Você não apareceu no jantar hoje. Está tudo bem?

— Estava sem fome.

James percebeu que a ruiva evitava encará-lo, ele seguiu seu olhar contemplando também as estrelas e resolveu ser mais direto.

— Eu vi o que aconteceu no corredor hoje mais cedo. – Lily olhou surpresa para ele. – Eles estão errados, você não é nada daquilo que eles falaram. – James olhou para ela novamente. – É a pessoa mais incrível que conheço.

— Mais do que você? – Ela perguntou sorrindo.

— Sim. – Ele sorriu. – Mais do que eu.

— Eu sei, só é difícil as vezes ignorar o que eles falam. – Ela disse fugindo mais uma vez do olhar do rapaz.

O silêncio dominou a noite mais uma vez, enquanto cada um se perdia em seus próprios pensamentos.

— Obrigada. – Desta vez quem quebrou o silêncio foi Lily. – Você tem sido um ótimo amigo.

James segurou as mãos dela se aproximando um pouco mais.

— Você sabe que se dependesse de mim seriamos muito mais do que amigos. – Ele disse colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha dela.

Lily fechou olhos apreciando o toque. Ela já tinha pensado diversas vezes em como seria se tentasse, mas nunca tinha tentado. Vinha sentindo algo diferente pelo maroto já há algum tempo, ela sabia, James finalmente a tinha enfeitiçado.

Lily se afastou e James achou que ela precisava de espaço, um passo de cada vez.

— Boa noite Lily. – Ele deu um beijo na testa dela e caminhou em direção a saída da torre.

Antes, porém, que ele fosse muito longe a ruiva o chamou.

— James? – Ele se virou novamente.

Lily acabou com o espaço que os separava e o beijou.

Lá fora o medo ainda existia, a insegurança, o preconceito. Eles ainda tinham uma guerra para lutar, ainda não sabiam em quem confiar. Mas nesse momento nada disso importava.

Notas finais
Espero que tenha gostado! Se gostou deixa um comentário aí! E se ainda não conhece as outras histórias que eu postei, dá uma passada lá e deixe o seu comentário lá também! Vou ficar muito feliz! Au revoir! ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!