Lost in Love
7 CAPÍTULO VII - A Sky Full Of Stars
Notas iniciais
A SKY FULL OF STARS
(Um Céu Cheio de Estrelas)
HINATA POV'S ON
Por vários minutos fiquei apenas sentada no carro estacionado, meio boba, rindo sem saber exatamente o porquê. Um sentimento estranhamente divertido passava por todo o meu corpo, que a tempos já se acalmara após o explosivo contato com Naruto.
— Onde eu estava com a cabeça ao beijá-lo? — Perguntei a mim mesma várias vezes e não cheguei a uma resposta, apenas relembrava os sentimentos proporcionados pelo inesperado encontro daquela tarde.
No momento em que ouvi a voz de Naruto no batente da porta soube que não poderia fugir de um confronto de sentimentos e enganar a mim ou a ele por muito mais tempo e como sempre minha resistência me traiu. Acordei cara a cara com Naruto e me perdi em suas palavras tão... sinceras. O real desespero dele me sufocava e concentrei-me com afinco em não chorar, mas estar tão próxima me desestruturava por inteiro... de olhos marejados, sem ar e com o coração frenético. A surpresa daquelas revelações cheias de significados não me deixavam pensar com clareza tampouco os olhos azuis exuberantemente intensos que me fitavam. Ao ser questionada sem escapatória sobre meus sentimentos por ele o medo de não resistir ao loiro, de ser fraca e me machucar novamente me invadiu e em um momento de lucidez lembrei-me das palavras de Gaara.
"Você sabe como voar."
Tal pensamento me deu plena confiança de que eu poderia lidar com Uzumaki Naruto e seus malditos olhos sem me perder no amor. Mais uma vez determinei que ele era minha presa e não eu a dele e que dessa vez a melhor defesa era o ataque e aquilo me fez rir no caminho para casa.
No entanto, no dia a dia não foi tão divertido assim... estava mais para constrangedor e desconfortável. Eu ainda estava tentando me convencer sobre correr os riscos de uma nova chance para nós e ver os olhares esperançosos dele não ajudava em nada. Naruto me fez sete convites para jantar, um para cada dia da semana e um dia após o outro eu inventei uma desculpa, um compromisso ou simplesmente disse não. Incansável e obstinado, mais convites ele me fez nas duas semanas seguintes até uma segunda, em que tudo o que recebi da secretária foi um bilhete saindo de minha sala após o fim do expediente.
" Está uma noite linda lá fora e você vai dizer não outra vez.
Demorei a perceber que estou indo rápido demais... um jantar é muita coisa!
Então que tal eu te pagar um sorvete um dia desses para nos conhecermos melhor e você me dá um sorriso em troca?
Naruto"
— E então? Um sorvete de baunilha você aceita? — Naruto perguntou esboçando um daqueles sorrisos radiantes ao sair do elevador.
— Eu tenho escolha? — Revirei os olhos enquanto andava na direção dele.
— Hoje a única escolha que você tem é o sabor do sorvete! — Naruto beijou minha mão e chamou o elevador.
O silêncio se restabeleceu enquanto esperávamos o elevador e a sensação desconfortável de não saber como agir começava a aparecer, mas Naruto não parecia estar disposto a deixar a noite tornar-se desagradável de forma alguma.
— Isso não é um encontro ok? Somos só dois colegas com tempo livre para um sorvete depois do trabalho. — O loiro falou entrando no elevador recém aberto.
— Como quiser Sr. Uzumaki. — Entrei na brincadeira.
— Não precisa ser tão formal chefe! Te deixo me chamar de Naruto. — Ele piscou brincalhão.
— Tá certo Kurama. — Falei sem pensar e coloquei as mãos na boca imediatamente ficando completamente vermelha.
— Golpe baixo Hina-chan! — Naruto fechou a cara e um segundo depois gargalhou alto. — Você deveria ter visto a sua cara! — Ele continuou rindo enquanto meu rosto pegava fogo.
— De qualquer forma não era eu que tinha um amigo imaginário no colégio e inventei que o nome dele era o meu apelido para ninguém ficar sabendo... — Sorri maldosa.
— Sua malévola! Pois fique sabendo que eu preferia o Kurama ao seu primo chato e rabugento! — Ele disse se fingindo de ofendido.
— Eu também! — Rimos juntos enquanto saíamos do elevador em direção a rua.
O vento noturno era suave fazendo a caminhada até a sorveteria agradável. O local estava vazio a não ser pelo jovem que prontificou-se em nos atender e rapidamente escolhemos nossos sorvetes e nos sentamos numa mesa qualquer em silêncio.
— Esse silêncio é horrível. — Naruto comentou enquanto se lambuzava com um sorvetão de chocolate. — Que tal um jogo?
— Jogo? — Ergui uma das sobrancelhas para ele.
— Enquanto tomamos sorvete cada um faz três perguntas e o outro responde. — Naruto explicou.
— E se eu não quiser responder um pergunta? — Perguntei incisiva.
— Não responda oras, mas aí vou poder fazer outra pergunta! — Ele riu e eu relaxei um pouco.
— Pode começar então. — Encarei os olhos azuis ainda desconfiada e ele ficou um tempo calado só tomando o sorvete.
— Você prefere olhos verdes ou azuis? — O loiro perguntou.
— Azuis. — Respondi sem nem pensar duas vezes e corei ao perceber qual a verdadeira intenção da pergunta. — Me lembram o mar. — Esmeraldas ou pérolas? — Devolvi a pergunta.
— Pérolas. — Ele sorriu. — Além de serem belas e delicadas combinam com o azul do oceano. — Um arrependimento? — Ele fixou o olhar no meu.
— Iludir um pobre coração. — Fui sincera. — A coisa mais bizarra que você já viu? — Desviei do assunto corações partidos.
— Uchiha Sasuke tentando sorrir. — Naruto fez uma careta e depois riu alto. — Sério! Foi medonho! Ok. Última pergunta: posso te convidar de novo qualquer hora dessas? — Ele piscou.
— Vou deixar essa no ar. — Lancei um olhar enigmático e me levantei para ir embora. — Até mais Naruto.
— Você ainda tem uma pergunta. — Ele e levantou também.
— Amanhã às oito? — Perguntei marota.
— Fui feliz por um momento... — O loiro revirou os olhos — ... até perceber que se trata de uma reunião que inclui sua honorável e demoníaca irmã. — Até amanhã Hina.
Fomos várias outras vezes naquela mesma sorveteria para tomar sorvetes de baunilha e chocolate e fazer o jogo das três perguntas e naqueles rápidos momentos eu era apenas aquela Hinata boba do colegial e ele o Naruto por quem eu me apaixonei tanto tempo atrás.
Não.
Esse era definitivamente uma versão melhor do loiro hiperativo do colegial ou do Naruto com quem eu namorei... os olhares, os sorrisos e as palavras dele no passado são diferentes do Naruto de agora, porque eu sinto que todas essas coisas realmente são para mim. Os dias iam passando e pensar em nós já não me incomodava mais, não me machucava nem me deixava apreensiva. Em algum momento substituímos a sorveteria após o expediente por cafeterias, lanchonetes e finalmente restaurantes.
— Você sempre diz que não são encontros. — Naruto ajeitou a cadeira do restaurante para que eu me sentasse.
— E você insiste que são. — Sorri.
— Hoje você não pode dizer isso porque estamos em um restaurante. — Ele se sentou de frente para mim.
— O que você vai pedir? — Perguntei atenta ao cardápio.
— Nesse momento apenas vinho. — O loiro fez sinal para o garçom e pediu uma boa recomendação entre os vinhos da casa.
— Salmão ao molho de limão acompanhado de ostras por favor. — Pedi.
— Hinata. — Naruto me chamou parecendo apreensivo. — Eu gostaria que me respondesse uma coisa.
— Está com medo de perguntar? — Eu brinquei na tentativa de descontrair.
—Não, estou com medo da resposta. — Ele manteve os olhos azuis fixos em mim deixando-me tensa. — Se Gaara te pedisse em casamento qual seria a sua resposta? — O olhar de Naruto parecia querer me perfurar nesse momento.
Por um breve momento eu fiquei em silêncio processando as palavras "Gaara" e "casamento" e lágrimas começaram a se formar nos cantos dos meus olhos junto com uma crise de riso que parecia não querer acabar nunca.
— Devo ser um palhaço mesmo. — Ele disse irritado.
— Eu... — Tomei um copo de água e respirei fundo para tentar responder sem rir. — De onde — risos — você tirou — risos — esse — risos — absurdo Naruto?
— Gaara me sugeriu que poderia lhe propor casamento e eu ouvi sua secretária confirmando sua viagem a Cancun depois de amanhã. — O loiro desviou o olhar constrangido.
— Me dê um momento por favor. — Peguei o celular na bolsa e disquei o número do ruivo.
***
— Hinata. — Gaara disse cordialmente. — São cinco da manhã em Cancun...
— Pode me explicar que história é essa que você ia me pedir em casamento? — Perguntei um pouco exaltada.
— Eu fingi que ia. — Ele disse sonolento como se fosse uma coisa rotineira.
— Quando? Por quê? — Perguntei ainda mais intrigada do que antes.
— Meses atrás quando te visitei para entregar o convite de Ino e porque foi preciso. — Gaara disse em meio a um bocejo. — Você e Naruto queriam estar juntos, só não tinham coragem então eu dei um empurrãozinho.
— Sábado você vai me explicar essa história direitinho, agora não dá para conversar. — O ruivo gargalhou e desligou falando "De nada". Encarei Naruto novamente, mas dessa vez completamente sem graça.
***
— Isso é tudo um mal entendido. Gaara já tem alguém na vida dele... — Falei sem rodeios. — ... e ainda que não tivesse minha resposta seria não. — Foi minha vez de mirar o loiro. — Eu vou a Cancun para o casamento de uma amiga. — Expliquei a questão da viagem.
— Eu nem devia ter te perguntado isso, era óbvio que ele tava me sacaneando. — Naruto coçou a cabeça irritado.
— Gaara não fez por mal. — Ri mais um pouco da cara de poucos amigos de Naruto.
— Queria dar um belo soco naqueles dentes brancos... também não seria por mal. — O loiro bufou.
— Bela maneira de agradecer a pessoa que me convenceu a lhe dar uma chance. — Enchi a boca com o salmão que havia chegado aos risos enquanto Naruto parecia ainda mais indignado.
— Só falta querer que eu agradeça. — Ele virou o restante do vinho que estava em sua taça.
— Se você insiste... — Falei quase engasgando de tanto rir. — Pode ir comigo a Cancun fazê-lo pessoalmente se quiser. — Brinquei.
— Então eu vou. — Naruto falou e quase levou um banho de vinho.
— Como? — Perguntei em pânico.
— Vamos juntos a Cancun e eu vou agradecer o cabeça de fósforo. — Naruto sorriu travesso. — Você já me convidou e seria descortês da sua parte retirar o convite...
— Eu não... — "Convidou sim." — Meu subconsciente acusou. — Espero não me arrepender disso Naruto. -"Agora é tarde!"— Meu subconsciente zombou.
— Você pode se surpreender comigo Hina. — Naruto piscou e escolheu seu jantar.
O restante do jantar Naruto pareceu um pouco pensativo e não mencionou nem sequer mais uma vez Gaara e aquela ideia louca de casamento ou a viagem a Cancun. Comemos a sobremesa e no fim da noite ele me levou até a casa de Hanabi, onde eu estava temporariamente alojada.
— Foi um jantar memorável. — Falei encolhendo-me pelo vento cortante do fim da noite.
— Foi um jantar esclarecedor. — Naruto replicou enigmático.
— Boa noite. — Eu disse nervosamente observando atentamente o céu cheio de estrelas acima de nós dois.
— Eu não sei onde estamos com essa brincadeira Hina... — Naruto me abraçou para afastar o frio e eu estremeci sob seus braços — eu sei onde gostaria de estar, mas não vou te pressionar para assumir um compromisso. — Ele beijou minha testa e com um singelo boa noite afastou-se.
— E se a resposta para o compromisso fosse sim? — Engoli todo o misto de surpresa e nervosismo e perguntei.
— Então aconteceria apenas uma coisa nesse momento. — A voz grave de Naruto ressoou ao pé do meu ouvido.
Naruto aproximou-se o máximo que a física permitia e sem avisos ou ressalvas me beijou. Instantaneamente desliguei todo o mundo exterior e entreguei-me ao momento deixando-o aprofundar o contato entre nossas línguas, apenas aproveitando cada segundo e esquecendo que seres humanos precisam de ar para viver.
— Fala sério Hinata! — Hanabi gritou da janela fazendo cara de poucos amigos. — Em vez de pegar o ruivo gostosão mexicano você aparece com ISSO? — Terminou me encarando com um bico que poderia ser visto da esquina.
— Volta pro seu trono no inferno Hanabi! — Naruto gritou com um sorriso imenso nos lábios. — Ela pode me despedir se quiser. — Ele disse baixinho ainda sorrindo e com os olhos azuis fixos em mim.
— É melhor eu entrar antes que ela venha até aqui... — Falei divertidamente imaginando o confronto com riqueza de detalhes. — Boa noite.
— Boa? A melhor noite de todas! — Naruto não parava de sorrir. — Até amanhã malévola! — O loiro encheu meu rosto de beijos por toda parte e desapareceu com seu carro pela noite de Tóquio.
Hanabi nem se incomodou em fazer um sermão de irmã super-protetora, limitou-se em deixar claro seu descontentamento com o que viu através de um olhar assassino e subiu as escadas em silêncio deixando eu e meu sorriso bobo para trás.
HINATA POV'S OFF
''Cada dia é uma chance pra ser melhor que ontem. Cada respiração é uma segunda chance."
— John Foreman
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