Lost in Love
8 CAPÍTULO VIII - Lost in Love
Notas iniciais
Lost in Love
(Perdidamente Apaixonado)
HINATA POV'S ON
Os dois dias que se seguiram até o dia da viagem passaram rápido e logo eu e Naruto estávamos no aeroporto em um vôo de dezenove horas com destino a Cancun. Horas que passaram relativamente rápido entre conversas aleatórias, beijos tímidos e cochilos desajeitados.
Quando o avião pousou já era uma belíssima manhã ensolarada no paraíso e o trajeto do aeroporto até o hotel resumiu-se a mim como guia turística do loiro apontando lugares e curiosidades de tempos em tempos.
— Reserva de dois quartos em nome de Hyuuga Hinata. — Falei com a recepcionista e Naruto disfarçou um olhar de desapontamento.
— Aqui estão as chaves Srta. Hyuuga. — A mulher entregou dois cartões magnéticos e chamou o carregador para apanhar as malas.
— Hinata! — Ouvi alguém chamar e me virei deparando-me com Kiba, o adestrador das cantadas terríveis de minha primeira viagem à Cancun. — Isso seria algo como destino? — O moreno beijou minha bochecha deixando-me constrangida.
— Não é destino se a fofoqueira da Ino te contou que eu viria. — Empurrei Kiba e teatralmente apresentei Naruto, que estava com uma carranca ao meu lado.
— É uma pena que está acompanhada... — Kiba disse desapontado. — Queria te apresentar o filhote que adotei recentemente.
— Além de não estar interessada também estou com pena do coitadinho do filhote! — Segurei uma gargalhada e vi o moreno se retirar ofendido.
— Eu poderia ter te livrado dessa Hina. — Naruto falou ainda carrancudo.
— Eu não preciso que você banque o macho alfa Naruto... eu sei lidar com esse tipinho. — Pisquei e mostrei o caminho para o restaurante.
Após um delicioso café da manhã com cara de almoço no restaurante do hotel nós seguimos para os quartos em busca de algumas horas de sono, que se arrastaram até o entardecer quando fui sutilmente acordada por batidas incessantes na porta e a voz nada escandalosa de Yamanaka Ino me chamando.
Destranquei a porta e quase fui derrubada no chão pelo furacão loiro que entrou falando um milhão de coisas ao mesmo tempo, seguida de um Naruto descabelado e nervoso.
— Hinata minha filha, acorda! A-C-O-R-D-A! — Ela estalava os dedos perto do meu rosto.
— Estou acoor-dada. — Respondi em meio a um bocejo. — Você é tão escandalosa! — Revirei os olhos.
— Você acha? — Naruto perguntou meio rabugento.
— Olha só quem fala! — Ino disse sarcástica. — Você que fez o maior showzinho no corredor quando eu lhe respondi educadamente para que vim buscar a Hina.
— Não foi um "showzinho"! — Naruto falou alto. — É só absurdo você achar que a Hinata vai com você encher a cara em uma boate vendo homens quase sem roupa! — O loiro praticamente gritou.
— Ela vai sim e vou te dar três bons motivos pra isso! — Ino colocou o dedo no peitoral de Naruto e enumerou. — Um: Ela é minha amiga! Dois: É a minha despedida de solteira! Três: Você não manda nela. — A loira sorriu debochada deixando Naruto mais nervoso e deu uma piscadela suspeita para mim sem que o loiro pudesse ver.
Antes que Naruto pudesse retrucar minha gargalhada preencheu o quarto fazendo com que ele me fuzilasse com o olhar.
— O que é tão engraçado? — Naruto perguntou alterado.
— Vocês dois estarem brigando quando são tão parecidos. — Continuei rindo muito.
— Eu e essa louca não temos nada a ver! — Ele olhou Ino com desdém e ela fez o mesmo com ele.
— Se você diz... — Dei de ombros. — Para todos os efeitos... Ino esse é o Naruto meu namorado, Naruto essa é a noiva, Ino. — Revirei os olhos quando eles nada responderam.
— Você vem Hina? — Ino perguntou ignorando as bufadas de Naruto.
— Claro! — Respondi entrando no circo que a loira armara, eu sabia que a despedida seria no clube perto da praia e que não haveriam homens semi-nus simplesmente porque isso não era permitido. Vou tomar um banho e colocar uma roupa e te encontro lá! — Pisquei e a loira foi embora saltitante rindo da cara de incredulidade de Naruto.
— Você vai? — O loiro perguntou sem acreditar ainda.
— Vou. — Usei toda minha concentração para não rir das diferentes expressões que surgiam no rosto dele. — Não é nada de mais... vou pelos drinks e a companhia de Ino, se quiser pode vir também. — Dei uma risada disfarçada da cara de indignação dele enquanto abria a mala e procurava algo para vestir.
É claro que vou! — Naruto me puxou de maneira um pouco brusca e me abraçou. — Garantir que nenhum engraçadinho vai se meter com você. — Sussurrou no meu ouvido e saiu do quarto me deixando em uma crise de riso silenciosa.
Tomei um banho rápido e coloquei um vestido de praia azul-mar liso com um decote em formato de "V" nem tão discreto assim. Deixei os cabelos soltos, fiz uma maquiagem básica com muita máscara nos cílios e delineado de gato com um batom discreto e coloquei uma sandália de salto aberta. Naruto bateu na porta avisando que estava pronto e eu abri a porta, dando de cara com ele de bermuda preta e camisa alaranjada e seu habitual perfume cítrico que parecia ainda mais atraente em Cancun deixando-o ao mesmo tempo surpreso e mais carrancudo.
— Você vai assim? — Perguntou grosseiro.
— Assim como? — Me fingi de desentendida pelo decote aparente.
— Tão atraente a um lugar cheio de homens sem roupa. — Murmurou impaciente.
— Claro que vou! Quem você acha que vai colocar notas de 1 dólar na sunga deles? — Retruquei debochada dando gargalhadas em seguida pela expressão formada na face do loiro ao perceber a brincadeira.
— Desculpe Hina... ver você tão linda assim perto de outros homens me deixa louco! — Naruto confessou sem jeito.
— Vai querer que te internem quando me vir bêbada então! — Provoquei enquanto fechava minha bolsa e a porta do quarto.
— Eu só te vi bêbada uma vez e você ficou um pouco violenta... — Relembrou o incidente em que eu o enxotei da minha casa aos tapas e em prantos quando de fato descobri sobre as traições com Sakura.
— Você viu uma bêbada de coração partido e não a bêbada que parte corações. — Afirmei arrancando uma dupla de sobrancelhas muito arqueadas do loiro.
Pegamos um táxi nas proximidades do hotel até o clube avistando toda a extensão da praia em parte do trajeto. Uma música latina tocava alta dentro do clube e várias pessoas estavam na entrada fazendo fila para entrar, incluindo Shikamaru que parecia entediado.
— Achei que o irmão da noiva fosse VIP. — Brinquei com o moreno.
— Achei que você não voltaria nunca mais para visitar! — Shikamaru sorriu e me abraçou fazendo Naruto se mexer incomodado atrás de mim. — Como vai? — Ele estendeu a mão para Naruto que retribuiu o gesto desconfiado.
— Naruto — Shikamaru, irmão da Ino. Shikamaru — Naruto, meu namorado. — Apresentei. — Cade a Tema? — Perguntei procurando em volta.
— Chegou com a Ino pra fazer coisas de mulher antes da festa e me disse para esperar Gaara aqui. — Ele deu de ombros com cara de entediado.
— Vou atrás delas então! Você pode fazer companhia para o Naruto por alguns minutos? — Juntei as mãos em sinal de "por favor".
— Vocês são todas problemáticas! — O moreno revirou os olhos e fez sinal para o segurança dizendo que eu era convidada da noiva.
HINATA POV'S OFF
NARUTO POV'S ON
Depois de conhecer a loira completamente doida amiga de Hinata, fui abandonado por ela vestida em roupas provocantes em frente a um clube de strip para mulheres ao lado de um desconhecido entediado por 40 minutos inteiros. Só o que faltava para piorar a noite excessivamente quente era Hanabi em toda sua supremacia diabólica brotar do chão para me infernizar.
Infelizmente o "ser" que faz o ajuste de contas no universo isso não era suficiente, pois nitidamente ele precisava esmagar qualquer vestígio de uma noite agradável naquela porcaria de lugar.
Um carro evidentemente caro estacionou bem em frente onde eu e o tal Shikaru estávamos e de lá saiu o ruivo metido que me sacaneou sobre o casamento com Hinata, ele se aproximou e nos encaramos por um longo tempo antes que Shikaru quebrasse o clima tenso.
— Finalmente veado! — Achei que ia ficar plantado aqui a noite toda. — Shikamaru falou.
— Você não achou que eu viria para uma noite tão memorável de qualquer jeito né? — A voz do ruivo se fez presente.
— Esse aqui é o... — Shikamaru ia falando.
— Namorado da Hinata. — Tanto eu quanto Gaara falamos em uníssono.
— Vocês já se conhecem? — Shikamaru exclamou surpreso.
— Conversamos uma vez há muito tempo. — Gaara se antecipou e disse antes que eu pudesse falar qualquer coisa.
— Eu não quero saber de conversa problemática nenhuma. Vou entrar e procurar minha irmã que já deve estar embebedando a sua irmã e a Hina.
— Então vamos juntos. — O ruivo disse já se dirigindo aos seguranças na porta. — Estou louco para ver la hermosa Hinata e tomar alguns drinks com ela.
Eu estava puto — com ênfase no puto — por te que engolir qualquer provocação ou indireta que viesse do mexicano miserável a minha frente. Prometi a mim mesmo antes de entrar no avião para Cancun com Hinata que devolveria todas aquelas palavras do elevador com a mesma classe que Gaara tivera. Entrei no clube com a mente focada apenas em achar Hinata antes do desgraçado e então mostrar a quem o coração dela realmente pertencia.
O clube estava lotado, mas de jeito nenhum tinha a ver com striptease. Era uma salão com vista para o mar bizarramente todo decorado em roxo. Haviam várias mesas, uma pista de dança e um bar, mas nada de homens semi nus desfilando pelo local como a noiva havia mencionado.
"Você foi feito de trouxa."— Meu cérebro acusou e eu ri sozinho percebendo um flash atordoante bem na minha frente.
— Sai espero que você tenha registrado a cara que ele fez com precisão. — Ouvi a voz de uma Hinata bem animada na minha frente.
— Então vocês resolveram tirar uma com a minha cara? — Perguntei com uma falsa cara de sério.
— Foi tudo ideia da loira! — Hinata jogou as mãos para o alto como símbolo de rendição.
— Você ajudou a executar então é tão culpada quanto ela. — Puxei ela para falar em seu ouvido de forma sedutora. — Criminosa.
— Pena que você seja arquiteto e não da polícia. — Ela imitou meu gesto e se embrenhou na multidão rumo ao bar comigo em seu encalço.
Ficamos juntos por horas bebendo e nos divertindo junto aos noivos. Ino era uma ótima atriz, me enganou ardilosamente sem pensar duas vezes e mostrou-se uma pessoa muito engraçada no decorrer da noite. Em algum momento da noite concordei mentalmente com Hinata... ela tinha razão ao dizer que eu e Ino somos parecidos... Shikamaru — e não Shikaru— me corrigi mentalmente 307 vezes e sua esposa também eram pessoas tão divertidas quanto tantas outras pessoas que Hinata me apresentou e eu nem sequer lembrava dos nomes. Ainda que eu tivesse sido apresentado a maior parte das pessoas ali e estivesse bebendo com elas os olhares desejosos de homens aleatórios me incomodava e eu a puxava para mim.
Mas a noite inteira brincamos de gato e rato com ela fugindo das minhas investidas. A noite inteira ela foi cobiçada pelos mais diversos tipos de homens, ora quando ia buscar uma bebida, ora quando estava dançando.
Tão linda, tão sexy e tão solta. — Pensei ao vê-la dançar bêbada no ritmo da música.
Tão diferente da outra Hinata sempre reservada e de poucas palavras que fazia tudo pelo "nosso" amor. Nem mesmo parece que somos namorados nesse momento, pareço apenas mais um dos homens aleatórios que a desejam e ela dispensa cruelmente com sorrisos doces e palavras gentis.
"(...) a bêbada que parte corações."— A voz dela ecoou na minha cabeça.
Resolvo dançar junto a ela, que agora estava parada olhando para o lado contrário e debilmente me locomovo até onde ela está pela esquerda e Gaara coincidentemente faz a mesma coisa pela direita.
Ela sorriu para mim e voltou a se mexer no ritmo da música enquanto eu e o ruivo nos encaramos avaliando a situação. Eu a puxo bruscamente para mim e fecho a cara desafiando o ruivo a fazer alguma coisa.
Hinata começam a rir descontroladamente e com a raiva misturada a uma quantidade razoável de álcool eu a carrego para fora do clube sob olhares curiosos e seguido pelo ruivo mexicano.
— Se for pra vocês me fazerem de palhaço é melhor acabarmos com isso agora mesmo. — Gritei colocando ela no chão e encarando suas pérolas confusas pela embriaguez.
— Porque está tão nervoso Naruto? — Hinata perguntou tentando não parecer tão alcoolizada.
— Você só me trouxe aqui pra me dar uma lição não é? — Desviei o meus olhos dos dela e encarei Gaara. — E você pode dizer o que quiser, mas não acredito que não esteja apaixonado por ela! — Cuspi as palavras raivosamente.
— Isso não faz sentido nenhum! — Ela balbuciou balançando a cabeça de um lado para o outro em forma de negação.
— Vocês estão bêbados Hina... não vai fazer sentido até amanhã de manhã. — Gaara disse mostrando-se sóbrio o suficiente para manter um diálogo. — E se eu estivesse apaixonado como você insiste — ele se virou para mim — ela não teria voltado para o Japão sem uma aliança no dedo. — O ruivo disse debochando.
— Diz pra ele que você nunca pensou em se casar comigo e que só fez isso pra eu parar de ser teimosa e desistir de fugir dele! — Hinata exigiu e colocou o dedo no peito de Gaara com força e apontando para mim.
— Se ele é idiota o suficiente para não acreditar em você então ele não te merece! — Gaara fez um gesto nervoso e se aproximou. — Eu vou ter que me casar com ela pra você perceber que é um imbecil cego?
Tentei acertar um soco no ruivo sendo parado pela morena que se jogou na frente de Gaara quase sendo acertada.
— CHEGA! — Ela gritou e avançou para cima de mim me deixando sem reação. — Porque exatamente você quer bater nele? — Ela questionou se afastando em um momento de lucidez.
— Vai fingir que não viu ele se engraçar pra se esfregar em você? — Gritei de volta.
— Você tem algum problema?! Gaara nunca faria um absurdo desses! — Ela afirmou ainda gritando.
— Não foi o que pareceu! — Me afastei nervoso. — E porque você está defendendo ele?!
— Ao contrário das suas suposições sem sentido, ele parou a minha "coreografia" — ela fez aspas com os dedos — pra me dizer que eu estava ridícula dançando longe de você depois de tudo! — Ela respirou fundo tentando organizar os pensamentos e continuou. — Além de estar bêbado você é um idiota, ciumento, possessivo e lento que não reparou que nós estávamos conversando aos gritos no meio da pista de dança!
— Você está tão bêbada quanto eu e me dispensou a noite inteira! — Eu finalmente disse o que me incomodou a noite inteira.
— Você está imaginando coisas! — Hinata me olhava possessa.
— Isso é entre vocês dois. — Gaara disse alto. — Eu não sou ninguém para julgar o que aconteceu entre vocês e não vou me envolver além do que já está feito. — O ruivo ousou dar um beijo na testa de Hinata e voltou ao clube sem dizer mais nada.
— Se eu quisesse estar com Gaara você nem estaria aqui Naruto! — Ela apontou furiosa para a porta do clube. — Eu não te devo satisfações do meu passado.
— Eu...- Eu não sabia bem o que dizer. — Eu não quero te perder de novo, mas saber que vocês já tiveram algo me deixa louco! — Me aproximei segurando o rosto dela.
— Assim como você dormiu inúmeras vezes nos braços de Sakura sem sentir nada além de desejo eu passei noites e noites fazendo o mesmo com ele! — Hinata lançou-me um olhar duro. — Você não é ninguém para julgar.
— Você tem razão. — Beijei o topo da cabeça dela me sentindo ridículo pela cena de ciúmes e a envolvi em um abraço que pareceu durar uma eternidade. — Você está tão linda e todos ficaram te olhando como um pedaço de carne... Eu perdi a cabeça! Me desculpe.- Afrouxei o abraço um pouco.
— Acho que isso não vai dar certo Naruto. — Ela me encarou séria. — Eu preciso ficar sozinha... — Hinata se soltou definitivamente do meu abraço e caminhou pela orla da praia até desaparecer onde o sol começava a nascer.
Eu quis segui-la, mas apenas observei seus passos na areia serem apagados com as ondas que iam e vinham enquanto pouco a pouco a música, as pessoas e a noite se dissipavam no clube. Em algum momento percebi estar andando de volta para o hotel e completamente perdido... tanto de amor quanto na cidade.
"Ótimo." — Pensei ao constatar que meu celular havia descarregado e que minha busca por algum rosto conhecido fora inútil. Ainda era muito cedo e as lojas estavam abrindo, decidi me deitar no primeiro banco que vi e esperar pela ressaca que já dava seus primeiros sinais. Adormeci refletindo sobre meus erros e acordei com a cabeça latejando de dor sob um sol infernal com alguém me cutucando nas costelas. Abri os olhos e estava cego pelo excesso de luz e então ouvi uma voz estridente perfurando meus tímpanos.
— Naruto! Acorda! — Ino falava alto.
— Para de falar por favor... — Eu disse com a voz rouca devido a boca seca causada pelo álcool. — você vai explodir minha cabeça!
— Você nem deveria estar sendo acordado pela noiva em um banco na praia! — Ela deu um cutucão particularmente doloroso.
— Tá! Tá! Acordei! — Me sentei olhando para a figura esbelta na minha frente. — Que horas são Ino?
— Quase duas da tarde! — A loira falou sentando-se ao meu lado. — A Hinata está louca atrás de você que não apareceu no hotel até agora! — O que diabos aconteceu entre vocês ontem?
— Muita bebida. Eu fui um babaca. Nós brigamos. Ela foi embora. Eu fiquei perdido. — Usei frases curtas porque era o máximo que meu cérebro conseguia naquele momento. — Pode me dizer como chegar ao hotel?
— Posso, mas você vai escutar o que tenho para dizer antes. — Ino colocou seus olhos azuis contra os meus. — Quando Hinata chegou aqui ela estava de coração partido e vivia perdida em pensamentos e eu empurrei ela pra tudo quanto ela foi lado para tentar animá-la.
— Onde você quer chegar com isso? — Perguntei impaciente massageando minhas têmporas.
— Cala boca e me escuta. — A loira falou apressada olhando as horas no celular. — Eu apresentei Gaara a ela, eles tiveram um tipo de paixão explosiva que terminou com um beijo clichê no aeroporto com ela voltando para casa. Por alguns meses ele ligou para ela, mas ela estava sempre ocupada demais para dar atenção. — Ela revirou os olhos como se o que dissesse fosse óbvio. — Meu ponto é, ela nunca quis se apaixonar pelo ruivinho porque mesmo não querendo ela ainda te amava. — Ino terminou se levantando.
— Obrigado, me sinto três vezes mais idiota agora. — Coloquei as mãos no rosto bufando. — Onde fica o hotel e como eu acho um táxi? — Perguntei cansado.
— Não é muito longe, eu te levo até lá. — Ela disse me puxando apressada. — Ainda preciso pegar meu vestido e para sua sorte é lá perto do Hard Rock.
Andamos aproximadamente vinte minutos e a loira me deixou nos arredores do hotel desaparecendo por uma das ruas próximas. Passei pelo saguão, perguntei a recepcionista o número do quarto que eu estava e subi quase correndo para tomar um banho e tirar o cheio da bebida de mim.
Para minha total surpresa Hinata me esperava dentro do quarto designado para mim. Quando nossos olhares se encontraram pude ouvir um suspiro cansado entoar sua voz chamando meu nome.
— Hina... — Falei ainda da soleira da porta.
— Onde você esteve? — A morena observava minha aparência acabada.
— Dormindo em um banco na praia. — Respondi sem graça. — Ino me encontrou e me trouxe até o hotel.
— Você se perdeu? — Hinata questionou incrédula. — Porque não me ligou?!
— Acabou a bateria. — Me aproximei mostrando o celular sem qualquer sinal de vida. — Espero não ter te preocupado...
— Naruto... — As orbes peroladas me encaravam nubladas em pensamentos e antes que ela tivesse a chance de me afastar ou duvidar ainda mais dos próprios sentimentos eu a beijei.
O mundo todo parou naquele beijo. Eu não me importava de estar sujo, descabelado e fedendo à cachaça. Eu queria aqueles lábios nos meus para sempre e não queria explicar o quão estúpido estava sendo com minha crise de ciúme infundada.
— Naruto. — Hinata separou o beijo arfante. — Ontem você...
— Eu estava sendo um idiota ciumento! — Enlacei sua cintura colando nossos corpos. — Essa "nova você" me deixa inseguro, confuso... perdido. — Ela ponderou minhas palavras e deu um sorriso enigmático.
— Eu não quero me lembrar do mal entendido de ontem, muito menos que ele se repita. — Os olhos pérola me encararam sérios. — O casamento é daqui algumas horas e eu preciso ir me arrumar na casa de Temari.
— Quem é essa mesmo? — Perguntei sem graça.
— Esposa do Shikamaru e irmã do Gaara. — Hinata respondeu calmamente. — você é capaz de se comportar pelas próximas horas na presença dos meus amigos — ela frisou a palavra amigos — ou prefere ficar no hotel e quando eu estiver pronta volto para irmos juntos ao casamento?
— Eu posso me comportar Hina, mas só se você me der um beijo e disser que perdoa minha insensatez! — Fiz cara de cão arrependido.
— Só ganha beijinho quando estiver arrependido de verdade. — Ela arqueou a sobrancelha e eu fiquei a tentado a roubar um beijo, mas me contive. — Tome um banho, separe sua roupa para o luau de casamento e coma alguma coisa para irmos para a casa da Tema. — A morena quase pontuou cada item e em torno de 45 minutos tudo estava ok.
Eu havia tomado um merecido banho, feito a barba, trocado de roupa, achado um remédio para a terrível ressaca que me afligia, separado a roupa "de casamento" com a ajuda de Hinata e comido tudo que fora oferecido de almoço no restaurante do hotel.
Enquanto Hinata se aprontava junto com Ino e Temari eu e Shikamaru fomos enxotados para a cozinha com o noivo, que recebeu ameaças de morte caso se aproximasse do quarto onde as meninas estavam.
Algum tempo depois Gaara chegou acompanhado de uma mulher simpática que nos cumprimentou e entrou em uma conversa aleatória com Shikamaru. Senti o olhar do ruivo me analisando e por fim sua voz ressoar no ambiente.
— Será que podemos conversar? — Gaara disse com uma expressão indecifrável.
— Eu acho que devemos. — O acompanhei até a parte de trás da casa.
— Eu não te conheço... — O ruivo disse me encarando. — Eu não sei o que diabos você fez para magoar Hinata e até devo desculpas pela história do casamento, mas te peço que não magoe mais a Hina.
— Eu... — Tentei falar o que eu havia ensaiado mentalmente, mas nada saiu.
— Talvez você não queira escutar o que tenho para dizer, mas me sinto na obrigação de dizer mesmo assim. — Gaara desviou o olhar para a porta de vidro atrás de nós dois e continuou. — É verdade que eu me apaixonei por ela, mas quem não se apaixonaria Naruto? — O ruivo deu um sorriso mínimo. — Já reparou na sorte que tem? Ela é incrível em todos os aspectos possíveis e ainda assim você parece não entender como ela só tem olhos para você!
— Obrigado. — Eu disse por fim e ele suavizou a expressão séria que mantinha. — Você não precisaria ter feito nada disso se eu não tivesse sido um cretino. Eu nem mesmo posso me redimir pelos meus erros ou me dar ao luxo de não gostar de você. — Desviei meu olhar para um ponto qualquer.
— Um ano atrás... — O ruivo se dirigiu à porta de vidro. — se Hinata tivesse me olhado ao menos uma vez da mesma maneira que te olha, é bem provável que você não estivesse aqui hoje.
— Acho que sou um cara de sorte. — Sorri sem emoção.
— Não. — Gaara disse simplesmente e olhou através do vidro procurando sua acompanhante. — Eu sou um cara de sorte por ter encontrado Sari, pois ainda que Hinata me olhasse como olha pra você ela não seria minha alma gêmea.
— Eu odeio ter que admitir que você é um cara legal... Se você e Hinata não tivessem uma história juntos eu acho que até poderíamos ser amigos. — Eu ri da cara surpresa que o ruivo fez.
— Se você não fosse um completo idiota, quem sabe. — Gaara sorriu debochado e entrou novamente na casa.
Algum tempo depois o ruivo, Sari e Sai seguiram para onde ocorreria a cerimônia. Shikamaru e eu apenas esperávamos nossas acompanhantes e claro, a noiva. Quando elas finalmente saíram do quarto, Ino estava radiante como toda noiva devia estar no dia do casamento, mas Hinata para mim estava parecida com uma deusa.
Os cabelos dela estavam totalmente presos e pareciam organizadamente bagunçados com uma espécie de presilha brilhante na lateral. Ino escolhera tanto para Hinata quanto para Temari vestidos cuja cor era algo entre o rosa e o laranja até pouco antes dos joelhos e o restante da combinação era uma variação das duas cores.
A cerimônia ocorreu no fim da tarde durante um belo pôr-do-sol que tingia o céu e o oceano em tons de alaranjado que eu percebi combinar propositalmente com as cores nos vestidos das duas madrinhas e fazia Ino reluzir em seu vestido branco embaixo da tenda florida arrumada de frente para o mar.
Sai e Ino pareciam hipnotizados um com o outro e sua felicidade durante a cerimônia era tamanha que se tornava quase palpável. Durante a comemoração o casal fez um breve discurso de agradecimento, dançou sua valsa e posou para várias fotos. Ino fez até questão de uma comigo!
Enquanto a noite caia tudo o que eu fiz foi observar Hinata esbanjar sorrisos a dezenas de desconhecidos e algumas vezes lançar olhares rápidos direcionados a mim. Vi Hinata se afastar para uma parte mais deserta da praia e sentar para contemplar o mar escondido pela escuridão noturna, exceto pela espuma formada nas ondas.
— Diferente dos seus pensamentos, o mar parece tranquilo. — Eu disse suavemente parado atrás dela.
— Eu não tenho certeza se devemos continuar com isso. — Hinata repetiu seu discurso da noite anterior em meio a um suspiro quase imperceptível.
— Eu concordo com você. — Sentei ao lado dela. — Antes de qualquer coisa, nós ainda precisamos dançar juntos! — Sorri sem olhar para ela.
— Naruto... — Ela tentou dizer algo e eu a impedi pegando sua mão para levá-la de volta a festa.
Hinata me seguiu para a pista de dança improvisada e eu pedi ao DJ uma música lenta. Eu não imploraria novamente para ela não me deixar e tampouco a pediria em casamento como pensei fazer desde o momento em que a vi naquele altar antes da entrada da noiva.
Essa noite eu apenas apreciaria a melhor e mais bela das companhias: Hyuuga Hinata. Juntei seu corpo ao meu e a cada passo no ritmo lento que tocava eu acariciava suas costas sentindo ela se arrepiar. No fim da dança eu apenas observei cada detalhe da face angelical com atenção e em algum momento me senti perdido naqueles olhos cor de lua.
Eu poderia ficar preso naquele olhar até o amanhecer, mas não aquela noite. Em uma fração de segundo nossos corpos colidiram na mesma direção fazendo nossos lábios se tocarem com certa violência.
— Literalmente um empurrãozinho! — Ouvi uma Ino possivelmente bêbada declarar atrás de mim.
— Empurrão duplo pra não ter erro! — Sai ria histérico nas costas de Hinata.
— Engraçadinhos. — Hinata falou corando como a tempos não fazia.
— Vocês perceberam que nós estávamos quase nos beijando ou tanto álcool afetou a visão? — Menti para deixá-la mais vermelha obtendo sucesso.
— Vocês estão nesse "quase" tem muito tempo! — Ino revirou os olhos. — Toma aqui mais um empurrão. — A loira foi até onde o DJ estava e tomou o controle do microfone.
— Caras amigas que estão na expectativa de desencalhar ao agarrar o buquê hoje a noite — sua voz aguda ecoou alta — sinto muito decepcioná-las, mas a Hinatinha ali foi a abençoada da noite! — Ino sacudiu seu buquê de violetas para o alto e o jogou na direção de Hinata.
Hinata o agarrou sorrindo constrangida e deu um beliscão em Ino quando esta voltou. "Você me paga sua louca." — Foi o que eu ouvi a morena sussurrar para a loira entre dentes.
— Mas até lá, é você quem me deve! — Ino piscou para mim como se eu tivesse algo a ver com aquilo e saiu puxando Sai para um canto qualquer da festa.
— Então vocês estavam mancomunando! — Hinata semicerrou os olhos para mim.
— Eu... — Olhei para um canto aleatório procurando a loira, mas ela já tinha virado fumaça. — De certa forma sim... — Respondi e a boca dela se abriu em um perfeito "O".
— Eu não sei o que dizer sobre isso. — Hinata manteve seu olhar preso ao meu. — Parece um tanto quanto impulsivo da sua parte.
— É você quem está tirando conclusões um tanto quanto precipitadas. — Rebati.
— Você sabe muito bem o que significa pegar o buquê Uzumaki Naruto. — Hinata disse impaciente.
— É claro que sei... Também sei que você ganhou o buquê e não pegou ele da forma tradicional. — Retruquei como se fosse óbvio para deixá-la nervosa.
— Mas... você disse que estava junto com a Ino nessa! — Ela franziu o cenho confusa.
— Eu disse que "de certa forma sim". — Repeti minhas próprias palavras de momentos antes. — Ino de alguma forma entrou na minha mente, previu o futuro ou leu nas estrelas que eu estava pensando em casamento e resolveu deixar isso explícito com esse buquê de flores. — Expliquei a coincidência.
— Eu preciso de uma bebida. — Hinata tentou ir em direção ao bar e eu a puxei de volta para meus braços.
— E eu preciso que você realmente me perdoe por ontem. — Segurei o rosto dela com as duas mãos. — Eu tenho me comportado bem... até mesmo pedi desculpas ao cabeça de fósforo! — Fiz um bico e ela esboçou um sorriso.
— Eu ainda preciso de uma bebida. — Hinata se desvencilhou e fugiu em direção ao barman.
Fiquei parado feito uma estátua refletindo sobre as reações dela e concluí que ela precisava de espaço e tempo para digerir minhas novas intenções. Resolvi que voltaria para o hotel já que na noite anterior meu fígado extrapolou os limites de álcool permitidos para toda uma década. Pedi a Shikamaru, que se manteve longe das bebidas após um PT com direito a filmagem e tudo no clube, que avisasse Hinata quando ela reaparecesse e segui rumo ao hotel caminhando.
No quarto de hotel apenas liguei TV e troquei de canal até pegar no sono pensando nela e eu todas as coisas que eu queria para nós. Ainda era noite quando acordei com um barulho alto e insistente, verifiquei o celular e constatei quase duas da manhã. Abri a porta e no corredor estava Hinata tentando "arrombar" a porta com pontapés tortos.
— Alguém bebeu demais hoje. — Eu disse carregando ela para dentro do meu quarto.
— Naruto-kun! — Hinata sorriu abraçando meu pescoço. — Eu procurei você por toda parte! Achei que tinha se perdido outra vez! — A voz dela era vacilante e mostrava os níveis absurdos de bebida consumidos.
— Parece que a única que se perdeu hoje foi você! — Coloquei a pé de cana deitada na cama e com um movimento rápido demais para uma bêbada Hinata entrelaçou as pernas em volta de mim e ainda agarrada ao meu pescoço me puxou para cima dela.
Eu encarei os olhos cor de pérola tão de perto que pude ver as nuances de roxo, violeta e lilás em sua íris com clareza. Também vi o mesmo olhar cheio de mistério da nossa última noite juntos antes dela fugir de mim no primeiro vôo para Cancun tempos atrás e nesse momento deixar seus lábios longe dos meus pareceu impossível. As pernas torneadas, nádegas firmes e seios fartos que despertavam meus instintos mais primitivos. A pele macia, quente e convidativa que me envolvia completamente. Cabelos negros e com um cheiro doce de lavanda emoldurando um rosto angelical com lábios que mordicavam inconscientemente só para testar meus limites.
A cada segundo o beijo que se sucedeu tornava-se mais urgente enquanto minha mente era bagunçada por sensações ainda mais intensas do que eu costumava me lembrar ao tê-la em meus braços daquela forma: entregue.
Eu queria aquele momento.
Meu corpo desejava o de Hinata assim como fogo deseja gasolina, mas minha razão alertava que aquilo seria errado. Ela estava bêbada, confusa e vulnerável e mesmo que tempos atrás eu fosse um cafajeste, eu não era esse tipo de homem.
Hinata me beijava, mordia, arranhava, apertava e ainda rebolava contra meu membro. Quando ela tentou arrancar minha bermuda e única peça de roupa que eu estava usando percebi que era hora de dar um jeito naquela situação. Mais uma vez o chuveiro foi minha ideia brilhante e lá estávamos debaixo dele, dessa vez para curar a bebedeira. Fugir das investidas de Hinata testou meus limites por um longo tempo até que ela finalmente cedeu a um momento de lucidez, que levou a outro momento de muito vômito comigo segurando seu cabelo no vaso sanitário, e, finalmente, ao momento em que ela só queria se jogar a cama e dormir sem saber exatamente o que estava fazendo.
No caminho para a cama ela insistiu em se sentar no chão do quarto para tirar a as sandálias e apagou escorada em uma das paredes com a roupa encharcada pelo banho e o rosto todo manchado pela maquiagem borrada.
Retirei as sandálias do pé de com facilidade, mas tirar o vestido nem tanto.
O universo queria ferrar completamente com minha sanidade em plenas quatro da manhã.
— Porque sem sutiã? — Praguejei observando o decote afrouxar e deixar ainda mais evidente o par de peitos mais lindos da face da Terra.
Peguei uma blusa grande e vesti em Hinata por cima do vestido mesmo fazendo a maior confusão para tirar as alças do vestido por baixo da blusa, depois de muitas tentativas obtive sucesso em rasgar um pedaço do vestido, mas ela estava seca e pronta para dormir. Deitei Hinata na cama e pelo resto da madrugada ela dormiu como um anjo murmurando uma ou outra coisa desconexa.
Fiquei observando ela dormir pelo restante da madrugada e quando amanheceu liguei para a recepção pedindo uma bandeja com um café da manhã caprichado para alguém de ressaca, assim que o pedido chegou coloquei a bandeja na mesinha de centro e dormi esperando ela acordar.
NARUTO POVS OFF
***
HINATA POVS ON
Acordei grogue em um quarto escuro e desconhecido que cheirava a café e água salgada. Eu estava com o cabelo úmido, seminua e sem nenhuma ideia do que poderia ter acontecido com meu vestido e sapatos. Em um salto levantei da cama quando minha cabeça parou de girar e deu lugar a completa e absoluta lucidez: Naruto me carregando para a cama sem camisa, beijos, carícias, gemidos, chuveiro, vômito e um borrão do que foi o resto da madrugada. Uma dor terrivelmente aguda me fez sentar e só então pude reparar melhor onde eu estava.
O quarto dele.
"O mesmo cretino de sempre." — Pensei enquanto massageava minhas têmporas doloridas.
— Hina? — Ouvi uma voz sonolenta e a cabeleira loira aparecendo atrás do sofá.
— Como você pôde? — Avancei em cima de Naruto sem pensar duas vezes caindo por cima dele no sofá e indo de encontro ao chão no segundo seguinte.
— Pude o quê? — Os malditos olhos azuis me fitavam com confusão deitado ao meu lado no chão.
— Se aproveitar para dormir comigo bêbada! — Falei entre dentes furiosa.
A gargalhada que Naruto deu me fez sentir ainda mais raiva. Tentei me levantar para acertar um bom tapa naquele rosto, mas o abusado foi mais rápido e ficou por cima de mim prendendo meus dois braços acima da cabeça.
— Você fica uma gracinha nervosa. — O loiro provocou.
— E você não mudou nada! — Encarei a expressão inalterada de Naruto.
— Ontem você presume que eu te pedi em casamento porque Ino te deu um buquê e hoje me acusa de abuso sexual contra uma vulnerável. — Naruto chegou o rosto bem próximo do meu até os lábios encostarem em minha orelha fazendo-me arrepiar inteira e depois levantou-se abruptamente deixando a mão para que eu me levantasse também.
— Se nós não transamos porque eu estou vestindo uma camisa sua sem nada por baixo e você está só de boxer? — Questionei me desvencilhando.
— Você queria meu corpo nu e não me deixou opção... — O loiro parecia uma criança dizendo aquilo com a maior cara de inocente. — Olha só o que a sua bebedeira fez com minhas costas! — Naruto me soltou e se virou para que eu pudesse ver as marcas de unhas.
— É assim que você pretende me convencer de que de que não transamos? — Perguntei sarcástica.
— Você por acaso acha que eu faria algo do tipo com você? Mesmo quando eu enquanto era um filho da mãe cafajeste?! — A voz do loiro saiu um tanto quanto amargurada e minhas convicções sobre a noite anterior foram abaladas.
— Você pode me culpar? — Perguntei encarando o loiro em busca de mentiras. — Eu só consigo me lembrar de você sem camisa em cima de mim e da gente se beijando, depois eu acho que vomitei e você estava comigo no chuveiro. — Senti meu rosto queimar de vergonha ao ver o vestido ainda molhado que Naruto tirou do banheiro.
— Um: você chutou a porta bêbada, — e ele continuou enumerando com os dedos — deixou a Hinata Maligna se aproveitar de mim, fez eu me molhar em plenas três da manhã, vomitou no meu pé, usou um vestido sem sutiã e me fez trocar sua roupa molhada enquanto você dormia. — O loiro fingiu contar nos dedos novamente. — Sim, eu posso culpar você!
— Mas não quer dizer que não tenha se aproveitado de mim enquanto bancava a babá. — Retruquei tentando me lembrar de qualquer fato que pudesse condenar as atitudes de Naruto.
— Hinata... — Naruto me olhou muito sério e soltou um suspiro cansado. — Eu já te vi com muito menos roupa antes e embora eu tenha deixado você fazer o que bem quisesse enquanto tentava entender a situação de ontem e até mesmo visto um pouco mais do que devia enquanto trocava seu vestido, eu jamais — ele enfatizou a última palavra — teria avançado as coisas sem o seu consentimento.
Se antes eu estava vermelha e com as convicções abaladas, tudo desmoronou quando Naruto me puxou para um abraço e beijou o topo da minha cabeça. Aquele momento confuso durou só até minha barriga roncar de fome.
— Toma um café e depois um banho. — O loiro disse atacando algumas torradas na mesinha de centro. — Você está péssima!- Afirmou entre risos.
Tomei uma enorme xícara de café e comi um pedaço de bolo como se o mundo estivesse acabando para em seguida entrar no chuveiro para um banho longo e demorado. Mais uma oportunidade para pensar no que ele havia dito ontem sobre casamento e perceber que beber tanto para tentar entender as loucuras de Naruto foi uma péssima ideia.
Saí do banho enrolada na toalha porque não levei em consideração que eu não estava no meu quarto. Naruto não me notou de imediato, pois estava distraído com algo no celular.
— Naruto, você sabe onde está minha bolsa? — Perguntei enquanto procurava aleatoriamente.
— Em cima da minha mala. — Ele respondeu abrindo um sorriso divertido ao me ver. — Eu estou seguro Hina? — Naruto gargalhava com a careta de indignação que eu fazia. — Não vai me atacar de novo?
Nem me dignei a responder a provocação, joguei uma camisa suja nele e rumei para o meu quarto ouvindo antes de sair um "Você está muito violenta hoje Hina" entre risos de Naruto. Aquele era meu último dia em Cancun e eu havia planejado aproveitá-lo na praia, mas a ressaca acabou com toda minha disposição. A última coisa que eu faria seria ir até a casa de Temari e Shikamaru para me despedir dali algumas horas para então voltar para casa cheia de histórias malucas para Hanabi.
Ficar deitada esperando a ressaca ir embora foi o suficiente para um cochilo que durou quase a tarde inteira. Acordei com batidas na porta e eu sabia que era Naruto me chamando, provavelmente para o jantar, já que o nosso almoço foi o café. Abri a porta e o dito cujo estava fantasiado de havaiano com uma camisa escandalosamente florida em laranja e amarelo, um colar de flores havaianas e uma bermuda azul escuro, além do seu perfume cítrico habitual.
— Você errou de fantasia Naruto, o Havaí é para o outro lado.- Ri da careta de ofendido que ele fez.
— Eu ia te chamar para a fogueira na praia, mas meus sentimentos foram feridos de forma tão letal que vou só ficar parado aqui para você contemplar minha tristeza. — O loiro falou dramaticamente e ficou parado fazendo beiço.
— Contanto que tenha comida nessa fogueira... eu estou morrendo de fome. — Reclamei me espreguiçando.
— Põe a fantasia logo e vem, a gente vai perder a melhor parte! — Naruto dizia animado.
— Que fantasia? — Arregalei os olhos tentando acreditar que o que outrora eu pensei ser um buquê de flores na mão do loiro, era na verdade um top com flores multicoloridas coladas.
— Não achei nenhuma saia havaiana, então usa uma sua mesmo ou um short, sei lá. — Naruto se virou fechando a porta sem me dar a chance de contestar.
Prendi os cabelos, coloquei aquele pedaço de fantasia espalhafatoso e um short jeans e o resultado ficou melhor do que eu esperava. Hanabi riria horrores de uma foto dessas! Peguei o celular, tirei uma selfie fazendo careta e mandei para ela. Naruto batia novamente na porta e quando abri ele me pegou no colo e me carregou para fora do quarto trancando a porta com um baque surdo e minhas reclamações por estar em uma situação tão desconfortável. Só me colocou no chão dentro do elevador, que por sorte estava vazio ou teriam certeza de que se tratavam de dois loucos.
— Para quê tanta pressa? — Perguntei arrumando a roupa.
— Você vai ver! — Ele me puxou pela mão fazendo com que eu tivesse que correr pelo saguão até chegarmos à praia.
— Pronto. — Nós paramos de frente para o mar de mãos dadas.
Havia uma fogueira improvisada crepitando longe o suficiente da água contrastando com os reflexos do pôr do sol na imensidão azul. Na linha longínqua que separava o céu e o mar brotavam timidamente as primeiras estrelas. Nos arredores da fogueira haviam várias toalhas imensas de cores diferentes seguras com pedras e uma cesta enorme em cima de uma delas. A brisa soprava suave e era possível ver barcos velejando e ouvir as vozes das pessoas rindo e aproveitando o fim daquele majestoso dia.
— É sempre incrível de ver. — Eu disse bobamente olhando para a vista.
— Me disseram que hoje apareceriam o Sol e a Lua juntos. — Naruto vasculhou o céu com os olhos. — Quem precisa da lua quando se tem os seus olhos não é mesmo Hina? — Um sorriso absolutamente lindo apareceu e ali estava eu envergonhada como uma garotinha.
Sorri de volta e disfarcei pegando uma concha na areia e a devolvendo à água enquanto ele se sentou nas toalhas e foi retirando e organizando montes de comida. Meu coração estava batendo ligeiramente descompassado e a presença de Naruto me desnorteava. A diferença entre o antes e depois do nosso relacionamento era gritante e estava me nocauteando! Não haviam sorrisos para seduzir, não haviam tentativas desesperadas de me levar para a cama, nem espera por ligações que não aconteciam ou súplicas por migalhas de atenção, não haviam desculpas para não estarmos juntos e não havia nenhuma Sakura.
Somente nós: Naruto e Hinata.
Por meses a fio eu menti para mim mesma dizendo que não deixaria que ele voltasse a minha vida. Recusei-me a acreditar em seu arrependimento, fugi de suas desculpas e me enganei dizendo que não haviam resquícios de sentimentos por aqueles olhos azuis quando na verdade eu continuava perdidamente apaixonada por eles.
Meu lado orgulhoso dizia que aquilo era só mais uma expectativa que acabaria em decepção enquanto meu coração queria acreditar em segundas chances.
Agora tudo eram dúvidas, mas não houve tempo para pensar sobre nada disso. Uma música começou a tocar de forma suave sendo sobreposta vez ou outra pelo barulho das ondas e percebi ser o celular de Naruto o responsável. Sentei ao lado dele em uma das toalhas e ataquei a variedade de comidas que ele trouxe enquanto conversávamos sobre o casamento de Ino esclarecendo alguns pontos daquela noite louca.
Aproveitamos a companhia um do outro sem segundas intenções por algumas horas naquela praia, ora dançando em volta da fogueira feito dois bobos ora atribuindo nomes à conchas e estrelas do mar feito crianças ou aproveitando as fracas ondas para molhar os pés até que estivéssemos cansados. Nos sentamos novamente nas toalhas coloridas e uma das flores havainas caiu do meu top e Naruto com algum tipo de improviso prendeu-a em meu cabelo fazendo-o soltar do coque frouxo de outrora. Seu polegar deslizou suavemente por minha bochecha enquanto nossos olhares se cruzavam presos em expectativa fazendo meu interior queimar involuntariamente.
— Isso tudo me assusta. — Falei me aproximando do loiro. — Mas estou cansada de fugir.
Afastei qualquer vestígio de lógica e atendi minha louca vontade de beijar o Uzumaki até perder o fôlego unindo nossos lábios em um beijo sôfrego e quase selvagem que foi correspondido por um Naruto surpreso. O ar faltava de tempos em tempos e nós insistimos no ato como dois adolescentes inexperientes deitados na areia em meio a amassos que iam se tornando cada vez mais ousados a medida que a praia esvaziava. Eu sabia que Naruto queria provavelmente estar em um quarto, mas estávamos em um local mais afastado seguros por elevações rochosas altas o suficiente para não sermos pegos. Eu o fiz esperar pacientemente até que a praia ficasse deserta para provocá-lo e induzi-lo a me seguir para uma parte mais funda do mar que nos cercava.
— Hinata... — a voz do Uzumaki estava completamente rouca e carregada de desejo. — Esse mar gelado não é o suficiente para me acalmar.
— Esse mar gelado vai ser a única testemunha da nossa loucura esse noite. — Sussurrei no ouvido dele enquanto entrelaçava minhas pernas já livres do short em sua cintura e abria a camisa havaiana para exibir o peito desnudo do loiro.
— E se nós formos pegos? — O loiro perguntava tentando manter-se consciente dos próprios atos.
— O risco vale a recompensa. — Finalmente desabotoei a bermuda que ele usava para revelar sua excitação pulsante.
Já louca de tesão e sem cerimônias me encaixei naquele membro duro e de uma vez fiz Naruto entrar em mim arranhando suas costas por baixo da camisa aberta. Ele gemeu alto e o barulho das ondas abafou enquanto ele me apertou mais contra seu corpo me fazendo aumentar o ritmo dos movimentos e consequentemente os meus gemidos. Puxei o top florido para baixo enquanto meus seios pulavam e próximos ao rosto do loiro que tentava abocanhá-los e vez ou outra me sustentava com uma só mão para poder tocá-los. Cansado do desconforto provocado pelo atrito direto com a areia Naruto ainda dentro de mim me levou para onde estavam as toalhas e continuou o vai e vem que eu havia começado coberto por uma delas com um pouco mais de discrição que momentos antes. Eu puxava os fios loiros e tentando conter gemidos sem muito sucesso e a cada minuto estava mais perto do ápice até que senti Naruto gemer longamente se desfazendo dentro de mim, o que provocou um orgasmo forte que me fez relaxar instantaneamente.
Deitamos lado a lado na areia ainda cobertos pelas toalhas e por um curto período ficamos em silêncio apenas contemplando o céu estrelado ao som do mar tranquilo. Até que ambos tentamos falar algo exatamente ao mesmo tempo.
— As damas primeiro. — Naruto se virou e ficou me olhando de um jeito muito intenso com seus olhos azuis.
— Perdi meu shorts no mar. — Mordi os lábios involuntariamente em uma mistura de constrangimento e diversão.
O loiro deu uma gargalhada sonora me fazendo ficar ainda mais envergonhada.
— Ainda bem que você falou primeiro. — Ele deu um sorriso enigmático. — Assim minha crise de riso não estraga o pedido de casamento...
Ainda enrolados nas toalhas Naruto se levantou me ajudando a fazer o mesmo e em seguida tirou uma caixinha de veludo azul debaixo de uma toalha que estava dentro cesta de piquenique. Nenhum pouco abalado pela minha cara de espanto, o loiro se ajoelhou e abriu a caixa revelando um anel de ouro branco que envolvia uma pedra azul mar no centro rodeada por quatro mini diamantes.
— Hyuuga Hinata, você aceitar se casar comigo? — As orbes azuis me fitaram ansiosas e carregadas de expectativas.
O ar ficou repentinamente pesado e o mundo pareceu girar rápido demais. Eu havia ouvido e entendido a pergunta, mas meu cérebro não processou a resposta na mesma velocidade.
— Aceito. — Disse ainda atônita e senti ele encaixar o anel delicadamente em minha mão direita.
Naruto me tirou do chão: metaforicamente e de forma literal e encheu meu rosto de beijos com um sorriso de orelha a orelha. Assim que o susto passou e minha ficha caiu por completo percebi que a luz da lua não se comparava a felicidade que todo o meu ser irradiava e tampouco o sol faria falta quando amanhecesse dali algumas horas... Naruto era o próprio Apollo naquele momento.
No caminho de volta para o hotel refleti sobre minha resposta impensada para o pedido de Naruto. Dizer "sim" parecia tão certo... meu coração acelerava e um sorriso brotava em meus lábios só de pensar em nós. Em um minuto eu estava em queda livre, deixando o medo de lado para me entregar e no outro um anjo voava ao meu lado me dando certeza de seu amor e proteção.
Depois de tudo eu ainda tinha aquela certeza de quando nos conhecemos: ele era o certo, mesmo quando era errado. Sempre seria.
Arrumamos as malas e cochilamos antes de ir para o aeroporto, não se antes tomar um banho juntos para se livrar de toda aquela areia que estava por todos os lados. Não havia tempo para uma despedida velejando em um iate e fazendo festa como da última vez, mas fiz questão de escrever cartões para todos e deixar no serviço de postagem do hotel.
— Vou sentir falta desse lugar. — Comentei já embarcada no avião.
— Eu nunca imaginei que eu também sentiria. — Naruto observou as nuvens pela janela sonolento e eu me apoiei em seu ombro já de olhos fechados pronta para adormecer.
A rotina me atingiu em cheio e muito trabalho me esperava no dia seguinte. Não sem um interrogatório de Hanabi, que exigiu saber acontecimento por acontecimento para "saber que bebida mexicana havia me feito concordar em casar com Naruto" e estava fazendo todo o estardalhaço que imaginei provocando Naruto nos corredores.
Na hora do almoço ela sabia que Naruto me procuraria e ficou de prontidão na minha sala esperando para aprontar mais uma com meu futuro marido. Fiquei pensando nessa expressão e nem reparei quando o loiro apareceu.
— ...de almoçarmos no Ichikaru hoje? — A voz dele no batente da porta me despertou.
— Claro, em um minuto! — Eu só havia entendido Ichikaru e para um bom entendedor um rámen basta.
— Você é bem vinda no nosso almoço, demônio-sama! — Naruto não perdeu a oportunidade de revidar as farpas do corredor.
— Sabe Naruto, falar com a Hina-chan foi a parte fácil. — Hanabi falava com cara de inocente. — Mas vamos ver como você se sai com papai. — Sorriu diabólica enquanto discava o contato do temível Sr. Hyuuga.
— Hanabi! — Tentei alcançar o celular, mas estava muito longe.
— Otou-san! — Voltou a falar de forma "inocente".
— Boa tarde Hanabi. — A voz autoritária de nosso pai no viva voz preencheu o ambiente. — Como você e Hinata estão? — Perguntou cordialmente.
— Estou maravilhosa como sempre e Hinata um mar de meiguice e felicidade. — Riu da minha expressão nada meiga que fazia ameaças silenciosas. — O Naruto quer falar com você papai, vou passar! — Hanabi colocou o celular na mão de Naruto, que estava com a expressão indecifrável.
Papai nunca soube das minhas idas e vindas com Naruto, apenas que fomos namorados com problemas no relacionamento como qualquer outro casal. Isso nunca impediu Hyuuga Hiashi de chamar Naruto de "miserável espalhafatoso indigno" do coração da sua filha. Ele simplesmente não gostava de Naruto, sem brechas para discussão.
— Naruto tem razão! — Sussurrei enquanto dava um beslicão o braço no braço de Hana com força. — Você é mesmo uma diaba! — Hanabi se limitou a esfregar a mancha vermelha e observar Naruto rindo em silêncio.
— Em que posso ajudá-lo Naruto? — Papai perguntou no mesmo tom autoritário de sempre.
— Gostaria de convidá-lo para almoçar comigo e Hinata esse fim de semana. — Naruto respondeu firme.
— Estarei ocupado. — Ele disse previsivelmente.
— É uma pena que o senhor vá perder o anúncio oficial do nosso noivado. — A voz de Naruto saiu tão fria como a do outro lado da linha. — Entendo que não tenha tempo para formalidades, mas eu realmente gostaria de pedir a mão dela como deve ser feito. — Naruto sorria com os olhos para mim.
— Passe para Hinata. — A voz de meu pai ordenou.
— Olá papai. — Cumprimentei completamente desconcertada. — Como estão as coisas por aí?
— Você está feliz? — Foi direto ao ponto.
— Como nunca estive antes. — Fui sincera.
— Você tem minha permissão, Naruto. — Pela primeira vez a voz de Hiashi Hyuuga pareceu um pouquinho amigável. — Nos vemos amanhã meninas. — A ligação foi desligada a expressão na cara de Hanabi era de incredulidade, a de Naruto alívio e a minha felicidade plena. Eu ia mesmo me casar!
Nem papai nem minha irmã facilitaram a vida de Naruto no almoço ou em qualquer outro dia após aquele e ainda trouxeram meu amado primo Neji, mentor de Hanabi, para o time de tortura do pobre Uzumaki.
Quase um ano se passou desde aquela noite na praia e o grande dia havia chegado. Escolhemos nos casar ao entardecer de um dia primaveril embaixo das enormes glicínias do jardim da mansão Hyuuga enfeitadas por lanternas multicoloridas em uma cerimônia quase tradicional apenas para amigos íntimos. Naruto estava trajado em uma yukata negra contrastando com meu kimono branco de flores variando entre o lilás e o violeta.
Intimei Ino para ser minha madrinha fazendo par com Gaara, assim como todos os meus amigos de Cancun a comparecer. Hanabi me xingou horrores por não colocá-la com o ruivo, mas sim com Konohamaru, um grande amigo de Naruto. Ambas as madrinhas estavam com kimonos azul-oceano preenchidos por flores discretas na cor rosa com uma faixa alaranjada marcando a cintura enquanto os padrinhos trajavam yukatas cor chumbo.
Do lado direito do jardim ficaram meus familiares, amigos e alguns colaboradores da empresa que eram como da família para mim. Como os pais de Naruto faleceram há muito tempo, do lado esquerdo dois lugares ficaram reservados in memorian e foram convidadas pessoas que marcaram sua vida, entre elas sua avó adotiva Tsunade, o professor Iruka, sua prima Karin, alguns amigos de faculdade como Rock Lee e Yahiko e colegas de trabalho.
Oficializamos a cerimônia com um beijo rápido em vez da tradição dos copos de sakê e assim como Ino fizera comigo presenteei Tenten -namorada de Neji- com o buquê de rosas brancas adornadas com ramos de lavanda.
Ver a incredulidade estampada na cara de Neji foi só o começo da diversão.
Dançamos nossa valsa de casamento trocando olhares e sorrisos bobos de felicidade. Ao fim da música fomos felicitados por todos os convidados que em seguida já desfrutavam da sofisticada festa de casamento também realizada no jardim, onde foram servidas refeições típicas e iguarias diversificadas, além de doces para todos os gostos. Naruto zombava das caretas de Gaara comendo as "menos piores" nas palavras do ruivo.
O ruivo fez um brinde dando início a temporada alcoólica da recepção seguido de Neji e Karin. Todos discursaram sobre o amor, a felicidade, filhos e ameaçaram Naruto de alguma forma. Shikamaru nos parabenizou discretamente e reclamou sussurrando que era realmente problemático ter uma esposa temperamental grávida enquanto Sari fazia companhia para Temari e sua barriga de cinco meses oferecendo inúmeros doces para a loira que estava possessa por não poder beber.
Sai estava fazendo algazarra tirando fotos de tudo que podia enquanto Ino bombardeava meu pai sobre as diversidade de flores consideradas raras no jardim. O ponto alto da noite foi protagonizado por Hanabi e Tsunade que entraram em uma competição para saber quem beberia mais saquê e terminou com a loira dormindo na mesa e minha irmã aos beijos com Konohamaru.
Sorte da Hana que papai já havia se retirado para seus aposentos há muito ou eu estaria dividindo o patrimônio Hyuuga com Neji no minuto seguinte. Aos poucos convidados e também hospedes foram esvaziando o jardim. Para mim, Naruto, Sai, Ino, Karin, Yahiko, Gaara, Sari, Hanabi e Konohamaru a comemoração durou a madrugada inteira e quando a finalmente a manhã chegou trazendo consigo o sol nós fomos dormir bêbados e felizes, afinal o mar azul caribenho e as bebidas calientes de Cancun nos esperava em lua-de-mel no dia seguinte...
"A felicidade maior do ser humano é libertar-se do medo."
— Walther Rathenau
FIM
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