Lost Tales: Ghoul
2 Primeiro selo
Notas iniciais
O dia seguinte foi chato, acordei cedo, comi alguma coisa que nem me lembro mais o gosto, fui pra escola, fiz a prova no primeiro horário e fui embora, a maioria dos estudantes estavam com olheiras por causa da noite de estudos.
“Hipócritas”
Eu pensei, se mataram de estudar, apenas para conseguirem entrar em uma universidade que é o sonho dos seus pais.
– Você deve estar pensando que todos são hipócritas por terem estudado tanto para realizar um sonho que não é deles. – Nicolas a coisa grudenta.
– Passou? – sem olhar para trás continuei a me dirigir para fora do recinto, em direção à rua.
– Claro, mas não sei se vamos voltar a tempo de fazer a inscrição para a universidade. – chamei um taxi.
Ambos entramos, continuamos a jornada para o aeroporto em silencio.
A viagem foi cansativa, 11hrs sentado, ouvindo o ronco do Nicolas do meu lado, odeio avião, prefiro usar meio mais convencionais como teletransporte ou algo assim, apesar de tudo a viagem foi tranquilo sem muita turbulência ou temporais, mas uma estranha sensação de ser observado me causava calafrios.
Era de madrugada quando chegamos no aeroporto de Tóquio sem saber para onde ir, simplesmente começamos a caminhar pela cidade, procurando algo para comer que não seja frutos do mar, repolho, massa ou algo do tipo, o que foi meio que impossível, então como qualquer pessoa normal faria fomos achar um hotel para ficar.
Assim que achamos um que nos agradou, entramos, era um templo/pensão perto do mar.
– Boa noite, o que posso fazer por vocês? – o recepcionista não era japonês e falava um inglês um pouco arranhado.
– Dois quartos, cama de solteiro, apenas para uma noite! – Nicolas estava cansado, mesmo tendo dormido todo o voo, então queria resolver isso o mais rápido possível.
Ele nos entregou as chaves fez um rápido check-in, e nos direcionou até os respectivos quartos.
O meu era virado para o lado do templo, a única luz que passava pela janela era o brilho de um cigarro aceso do outro lado, ignorei por um momento aquilo, fechei a cortina, tirei minha roupa e fui tomar um banho, e claro uma banheira, não sei o que esse povo tinha contra chuveiros convencionais.
Umas 7hrs alguém bateu na porta do quarto e entrou, deixou uma bandeja em cima da cômoda e saiu, ainda sonolento levantei e fui ver o que tinha dentro, era uma carta destinada a mim.
“Caro Noah,
A senhorita Elizabeth, me avisou de sua chegada, estarei esperando no templo sul, para continuar com seu treinamento, algumas pessoas não gostaram do que fez matando o Guia, então tome cuidado, a pedra do fim está aqui no Japão e muitos caçadores vieram de longe para pega-la, recomendo utilizar o amuleto para esconder suas auras, quando mais rápido sumirem melhor.”
“Sem endereço nem nada não ajuda muito”
Tomei outro banho para ver se tirava aquele sono restante, mas não funcionou muito, vesti algumas roupas leves e ativei o amuleto de anulação apagando completamente minha aura.
Sai do quarto e fui até o balcão para ver se conseguia informações sobre esse Templo Sul.
– Bom dia s.r., acordou cedo hoje! – o recepcionista da noite passada ainda continuava no balcão mas por algum sinal estava mais feliz.
– Preciso de uma ajudinha aqui – caminhei até ele, e por algum motivo ele recuou mas depois se recompôs – Como faço para chegar ao Templo Sul?
– Esse templo, o s.r. tem algum tipo de negócio com o pessoal de lá? – ele não parecia confortável.
– Bem, de certa forma...
– Certo, eu posso leva-lo até lá, assim que meu turno terminar, aquele que veio junto com o s.r. disse que ia procurar glicose de qualidade.
– quando acaba seu turno? – ele olhou para seu relógio de pulso
– Daqui uma hora...
– ótimo, vou pegar o Nicolas e encontro você aqui em meia hora.
Sai do templo, estava calor, muito calor, peguei um dos amuletos que mantinha comigo e comecei a rastrear o Nick, ele estava se afastando rápido, perseguindo duas auras desconhecidas, até que ele parou e começou a retroceder, 200m, 100m, 50m, olhei para os lados mas não o vi, até que senti uma mão em meu ombro.
– to aqui...
– você não recebeu a carta certo?
– que carta? – ele ficou curioso
– aquela que dizia para não usar nossos poderes, ocultar nossas auras, e encontrar nosso novo mestre. – ele pensou um pouco
– Há aquela carta, sim u recebi uma– ele a tirou da calça.
– ótimo agora– entregue um doa amuletos para ele– apague seus rastros.
– é você sabe que eu não sei como fazer isso...
– Caralho velho, eu não vou estar aqui para sempre, se vira dá um jeito ai. – Ignorei seu pedido de ajuda e sentei no topo da escada vendo ele falhar miseravelmente tentando fazer o amuleto funcionar.
– DICA – Gritei lá de cima– coloque um pouco de sangue e aura no meio do círculo.
Ele fez como eu mandei e o amuleto reagiu ao comando e apagou tudo. Depois ele subiu e sentou ao meu lado com aquela cara de satisfação.
1hr depois o recepcionista apareceu vestindo um quimono e carregando uma mochila na costa.
– Vamos, aproposito meu nome é Yuury, o Templo Sul fica a mais ou menos 2,5km floresta adentro, se conseguirem me acompanhar chegaram lá rapidinho.
Ele nos conduziu até a entrada da floresta e começou a correr rapidamente, pouco tempo depois já o tínhamos perdido de vista.
– Toma no cu, todo mundo aqui é rápido assim? – praguejou Nicolas.
– não me diga que você amoleceu depois de anos sem se exercitar? – retruquei.
– Claro que não apenas enferrujei um pouco.
– Ótimo, vamos apostar uma corrida quem chegar lá por último deve um sorvete com café e licor de menta. – ele pensou um pouco e logo viu que valia a penas.
– fechado, você me deve. – e desapareceu no meio das arvores.
– Idiota não tem como ganhar de mim.
Subi no topo de uma arvore que tinha ali próximo para ver se encontrava o tal do templo, mas a única coisa que vi foi o mar e arvore por tudo, procurei pela aura de ambos, o Nicolas estava quase alcançando o Yuury, do outro lado da montanha, simplesmente impulsionei um pouco meu pé na arvore, e tudo virou um borrão, em instantes já havia alcançado ambos que numa disputa infantil tentavam passar um ao outro, pousei em cima de uma arvore alta e grossa no topo de uma colina, algumas pessoas se movimentaram na embaixo quando eu pousei, achando que era o templo eu me joguei lá de cima, conseguindo chegar inteiro no chão, e em instantes algumas pessoas usando quimonos parecidos com o que Yuury usava me rodearam.
– Quem é você– gritou um velho que se aproximava com o auxílio de um cajado de madeira.
– calma ai, só estava apostando uma corrida com o Yuury e meu amigo, nada de mais– alguns começaram a cochichar o velho bateu o cajado no chão e todos voltaram as suas posturas iniciais.
– O Yuury é um dos melhores alunos do mestre Xura, ele não perderia tão facilmente uma corrida para um estrangeiro. – ele se virou e sentou em uma cadeira de barro.
Os outros instintivamente me atacaram usando suas auras nos punhos, não tive nem tempo de liberar o encantamento para poder lutar, então usei o que tinha mais aberturas como escudo enquanto recitava um contra-ataque, consegui usá-lo por pouco tempo quando ele recuperou sua postura e se soltou de mim já era tarde o encantamento destruiu a aura de todas que me atacaram deixando-os assustados, eles se refugiaram atrás do velho que se levantou e apontou seu cajado para mim.
– Vejo que você é alguém, então como honra irei lutar contra você com um dos meus selos liberados, creio que você também vai querer retirar o seus.
– Não preciso, apenas minha aura básica será o suficiente para te destruir, Velho. – ele achou rude da minha parte e atacou sem aviso.
Para um velho ele era rápido, mas não o suficiente seus ataques eram fortes, mas aquele bastão apenas o atrapalhava, por algum motivo ele continuava lutando me atacava de todas as maneiras e de todos os lados, mas eu não iria revidar até que ele lutasse a sério.
– se não revidar ira morrer sem honra rapaz.
– não vejo o motivo para tal, se nem você está lutando a sério.
– bons olhos, bons olhos, se eu lutar sem isso – ele esticou o bastão– será capaz de seguir o ritmo?
Jogou o bastão para um dos seus alunos, e liberou um pouco mais de aura, seus ataques ficaram violentos e mais rápidos, meus olhos quase não conseguia a acompanha-lo, não tinha abertura, mas era o mesmo processo dos outros ele deixava aura conforme atacava ele não se importava com aquilo, senti a aura do Nicolas se aproximando era melhor terminar rápido, um dos punhos do mestre passou de raspão em minha orelha, quase a perdi, assim que ele se preparava para mais um ataque enfiei minha aura dentro da aura dele e me afastei, não era o suficiente para mata-lo sem liberar um selo não conseguiria fazer isso, ele parou de atacar assim que percebeu que algo estava errado.
– Quando me atacou? – ele estava confuso, e a expressão em seu rosto era impagável.
– tudo o que eu fiz foi injetar minha aura dentro da sua assim que apareceu uma oportunidade– selei minha aura novamente.
– então você é do tipo indireto isso é raro hoje em dia.
Ele procurou sentar, mas caiu no chão.
– Vei que bagunça, esquentadinho você não? – Nicolas aproximou de mim coçando a cabeça seguido pelo Yuury.
– Mestre Sion. – Yuury correu até o velho caído tentando retirar minha aura de dentro dele.
– Seu poder não é forte o suficiente para isso Yuury – Sion segurou sua mão impedindo-o de usar sua aura.
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