Lost Stars
19 Capítulo 18
Notas iniciais
"Now that we are over
As the loving kind
We'll be dreaming ways
To keep the good alive
[...]
Friends, lovers or nothing
There can only be one
We'll never be an 'inbetween'
[...]
Anything less than I love you is lying"
– Então nossa primeira parada é na praia. — Percy observou enquanto fechava a porta do conversível preto e retirava os óculos escuros — Gostei.
A baía de San Francisco, mesmo que ainda pela manhã, estava movimentada.
Talvez fosse por conta do céu azul límpido que se estendia por trás das montanhas e da famosíssima Golden Gate Bridge.
O clima mais quente era algo um pouco estranho para Percy, que era acostumado com as temperaturas mais geladas da Europa, mesmo quando a estação em questão era o verão.
– Tem o melhor ângulo para se ver a Golden Gate — Annabeth caminhou até ele, entrelaçando seus braços.
Percy a olhou e suspirou.
Não se lembrava de já tê-la visto tão... leve. E ele não se referia somente às roupas que Annabeth usava, short de sarja preta e camisa jeans de botões, mas também ao jeito dela de agir, seu aparente estado de espirito.
A simples visão dela segurando em seu braço, os fios de cabelo loiro escuro iluminados pelo sol, se balançando por conta do vento e presos somente pelos óculos escuros no topo da cabeça, foi o bastante para que ele refletisse que nunca seria algo difícil se apaixonar por ela.
– Cartão Postal da cidade — Percy comentou por fim.
– Não se pode vir até San Francisco e ficar sem ver essa vista pela baía, além da ponte.
– Ainda mais se você tem uma estudante de arquitetura como guia.
– Era melhor sairmos por aí do que ficarmos em casa. O dia está relativamente agradável.
– Nós vamos ficar na praia? — o rapaz perguntou, esperançoso.
– Não — Annabeth negou com a cabeça — Vamos caminhar até chegarmos ao Píer.
– Mas... e a praia?
– Essa praia não é tão boa, Percy — disse a garota — Mas fique tranquilo, nós iremos à Santa Cruz mais tarde.
– Sério?
– Sério. Mas, antes nós vamos no Píer 39.
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O Píer 39 era nada mais, nada menos, que a mais disputada área de lazer de toda a cidade. Funcionava mais ou menos como um shopping center à céu aberto, localizado ao alto da baía.
A primeira coisa que Percy sentira ao entrar lá fora fome.
Era tanto cheiro de comida que, de repente, ele só queria comer.
– Percy? — Annabeth chamou.
– Hum?
– O que você tem?
– Fome — ele respondeu com sinceridade.
– Mas já? — ela indagou, afinal, tinha comido na mesma hora que ele e, ainda assim, não estava com fome.
– Homens sentem mais fome, é por isso — respondeu ele como se estivesse lendo a cabeça dela.
– E o "Aquarium of the Bay"? Você não quer mais ir até lá?
Ele ficou indeciso. Realmente queria ver os animais marinhos enquanto passava pelo túnel de vidro do aquário gigante.
– Tá bom — Percy resmungou — Nós vamos até lá primeiro.
Annabeth o analisou.
– Eu não estou te obrigando a ir lá — disse ela — Se você quiser...
– Não — ele interrompeu — Eu só estava tentando decidir entre a comida e os animaizinhos marinhos.
– E os animaizinhos venceram a comida? — ela arqueou as sobrancelhas.
– Sim.
– Então tá. É você quem sabe.
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Percy achava que a ideia de ir ao aquário antes de comer tinha sido boa, porque, no fim das contas, nem tinha sido tão difícil percorrer o lugar .
Talvez tivesse sido relativamente mais rápido se o local estivesse um pouco menos cheio.
Mas fazia parte, afinal, era domingo, o dia em que os pontos turísticos sofriam de maiores visitas, e ele tinha achado sido interessante ver de perto, separado apenas por paredes de vidro, os muitos peixes, de todos os tamanhos e tipos, ou os tubarões, tartarugas, entre outros.
No final do passeio, ele e Annabeth haviam caído diretamente numa loja de souvenirs, onde se via milhares de animais em versão de pelúcia.
Definitivamente, Percy nunca tinha visto centenas de crianças loucas para comprar alguma daquelas coisas.
Tudo bem. Ele admitia que tinha umas pelúcias muito fofinhas e tal, mas isso não explicava a alucinação infantil.
– Ah! Olha que gracinha, Percy! — Annabeth segurou um dos mini pinguins de pelúcia e fez um muxoxo.
Ele balançou a cabeça, um sorriso se formando nos lábios.
– Vou comprar um.
A loira torceu o nariz e o encarou, cética.
– Pra quem?
– Pro... — ele pensou um pouco — ... meu filho.
– Que filho, Percy? Você não tem nenhum.
– Agora. Eu não tenho agora — disse ele — Mas eu compro um bichinho de pelúcia e, quando eu me tornar pai, dou pro meu filho.
– É mais fácil se você simplesmente voltar ao aquário quando for pai.
– Não. Porque eu não quero que meu filho fique nesse estado — o moreno indicou uma das crianças que chorava — Aqui dentro.
– Você não gosta de crianças?
– Gosto. Claro que gosto.
– Então.
– Mas de crianças educadas. Não de crianças que fazem pirraça.
Annabeth abriu a boca para responder, mas Percy foi mais rápido e a interrompeu.
– E antes que você pense alguma coisa, eu vou deixar bem claro que, não, eu não vou comprar esse mini pinguim fofo para colocar no canto da cama e abraçar durante a noite.
A garota riu e bateu de leve no braço dele.
– Percy! Você tem vinte e quatro anos de idade! Deveria se envergonhar desse tipo de coisa.
– Qual é! São ursinhos de pelúcia — ele reforçou franzindo o cenho e formando um biquinho nos lábios — E eu nem sou tão velho assim. Sou quase uma criança mesmo.
– Aaaah — Annabeth assentiu — Disso eu não posso discordar, até porque, você está agindo como uma nesse exato momento.
– Ótimo — ele murmurou — Pelo menos assim eu tenho uma desculpa pra comprar minha pelúcia em paz.
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– Esse — Annabeth indicou o letreiro em que se lia "Original Joe's" — É o melhor restaurante de toda San Francisco. Acho que você vai gostar da comida daqui.
– Sinceramente — ele disse enquanto se sentavam numa das poucas mesas vazias — Eu não me importaria de comer algo de péssima qualidade, contando que estivesse comendo.
– Credo, Percy — a loira fez uma leve careta — Se estamos indo almoçar, pelo menos que seja num bom restaurante.
– E caro — ele acrescentou analisando o lugar.
– Isso é um detalhe — ela discordou — Mas vale a pena o preço, os pratos são excepcionais.
– Veremos se terá a minha aprovação.
– Se você não gostar, eu te dou qualquer coisa que queira.
Percy pareceu se animar com a condição.
– Qualquer coisa mesmo?
– Qualquer coisa. Juro.
– Então tá — ele pegou um dos cardápios disponíveis na mesa, analisando atentamente cada um dos pratos — Deixe-me ver o que eu vou escolher.
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– Não foi justo. — Percy reclamou do lado de dentro do carro, prendendo o cinto de segurança em si — Agora eu não vou ganhar nada, só porque aquela comida era maravilhosa.
– Eu te disse — a garota sorriu satisfeita, parando o carro diante de um sinal vermelho.
Ele balançou a cabeça de um lado pro outro repetidas vezes.
Annabeth virou um pouco o rosto para o olhar, mas seu olhar cinzento se focou mesmo foi na motorista morena do veículo ao lado do seu, que encarava indiscretamente Percy e cochichava algo com uma outra garota ao lado do passageiro, sua amiga, deduzira Annabeth.
– Aquelas meninas gostaram de você, Percy.
– O quê? — os olhos verdes dele se semicerraram, demostrando confusão.
– Olha pro seu lado direito.
Ele virou a cabeça na direção que Annabeth dissera, e acabou por encontrar duas garotas, obviamente adolescentes, o encarando com os vidros do carro abaixados.
Uma delas sorriu, a outra piscou.
Percy, imediatamente, voltou o olhar para Annabeth .
Ela segurava o riso.
– E então, querido — a loira chamou, fazendo questão de que as duas oferecidas a escutassem — O que acha de irmos para a minha casa?
O rapaz sorriu e coçou o pescoço, entendendo a intenção da amiga.
– É uma ótima ideia, meu amor — ele concordou entrando na brincadeira e, olhando de soslaio para o outro carro.
Annabeth se inclinou sobre o volante e deu um falso sorriso doce na direção das duas garotas, que tinham fechado a cara diante do que escutaram.
O sinal mudou para verde e , antes da loira acelerar o carro, Percy acenou pras meninas da faixa ao seu lado, que, se bem ele viu, se limitaram a sorrir de novo.
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– Sabe o que esse Parque me lembra? — Percy murmurou ao passar, despreocupadamente, um dos braços pelos ombros de Annabeth enquanto andavam pelo Golden Gate Park.
– A primeira vez em que nós dois saímos e você me levou ao Hyde Park? — ela lembrou.
– Exato. — mesmo sem olhá-lo, ela sabia que ele devia estar sorrindo — Você não queria sair comigo.
– Você foi insistente. Mas, no fundo eu queria sim, sair com você.
– "Mas eu nem te conheço" — repetiu ele — Foi isso o que você disse pra mim, além de achar que eu era uma espécie de cara do mal que sequestrava universitárias.
– Não foi assim.
– Foi assim, sim.
– O que importante é que no final deu tudo certo.
– Claro — Percy assentiu — Olhe pra nós dois agora. Somos inseparáveis.
Ela tirou o braço dele de seus ombros e se sentou num dos bancos brancos, observando o movimento do parque.
– Quem diria que nos tornaríamos amigos, não é?
– Agradeço até hoje por você ter sido desastrada o suficiente para esbarrar em mim no corredor daquela Universidade.
– E a chance de nos encontrarmos novamente era ínfima, levando em consideração o tamanho de Londres. — completou Annabeth — E entretanto, por coincidência, você me achou.
– Destino — corrigiu Percy — Eu chamo de destino o nosso reencontro.
– Acredita mesmo nisso? Em destino, quero dizer.
– Bem, sim — admitiu o rapaz — Acredito que nossas vidas estavam sim, destinadas uma à outra.
Já era quase o final da tarde, o que significava que logo o pôr do sol viria, e Annabeth ainda tinha que levar Percy à Santa Cruz.
Ela se levantou e estendeu a mão para ele.
– Eu ainda quero ver o pôr do sol de lá da praia. Você vêm?
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Os 115 km que separavam San Francisco de Santa Cruz tiveram uma hora e meia de duração pela Highway 1.
O clima, apesar do entardecer, estava perfeitamente agradável, ainda mais com o vento que batia no carro da mãe de Annabeth e insistia em bagunçar dez vezes mais o cabelo já naturalmente bagunçado de Percy.
Em determinado momento, ela decidiu estacionar o veículo numa vaga qualquer, perto da calçada que se estendia antes do gigante tapete de areia.
Ao contrário da de San Francisco, a praia de Santa Cruz não estava nem de perto movimentada, a razão talvez fosse o horário, ou então, a sorte, que parecia ter reservado a visão das águas frias do pacífico restritamente à Percy e Annabeth naquele dia.
Retirar as sapatilhas dos pés fora a primeira coisa que a garota fizera, induzindo o rapaz a seguir o exemplo e tirar os sapatos também.
Sem nada dizerem, puseram-se a caminhar um ao lado do outro, apenas sentindo a areia morna entrar em contato com os pés e o vento bater nos cabelos.
– Sabe — iniciou Annabeth — Por mais que eu ame Londres, ela nunca me proporcionará momentos como esse, tipo... andar na praia, sentir a brisa marinha ou o aroma de maresia.
– Tem razão. Acho que nada se compara a isso — Percy concordou.
– E então, Percy? — ela o olhou d elado — O que você achou desse nosso dia?
– Incrível — respondeu ele — Só não digo que foi perfeito porque faltou uma coisa.
Annabeth franziu as sobrancelhas.
– Faltou? Mas nós vamos em diversos lugares.
– Não é um lugar à que me refiro, e sim à um... ato.
– Não acredito que falhei em fazer desse dia um perfeito para você.
– Acho que você ainda pode fazer com que ele seja perfeito — ele segredou.
– Ah é? — Annabeth parou de repente, se virando de frente pro mar e se sentando na areia.
Percy a encarou e, após alguns instantes, entendeu que também deveria repetir a atitude dela.
Exatamente como a loira, ele se sentou e apoiou ambos os cotovelos sobre os joelhos.
A única coisa que se ouvia por ali era o som do mar.
O pôr do sol se fazia presente, formando uma espécie de plano de fundo.
A brisa ainda batia no cabelo dos dois, e Percy girava os óculos no dedo quando Annabeth enfim se cansou do silêncio.
– Percy — ela chamou com a voz baixa um tanto suave — Você não tem nada para me dizer?
O rapaz deu um breve riso sem humor algum, ainda olhando para frente.
– Na verdade, eu tenho sim — confessou ele — Mas não sei como ou por onde começar.
– Precisa de um incentivo? — a garota virou o rosto de lado, na direção de Percy, que mordia parte do lábio inferior.
– Incentivo ... — ponderou ele até se decidir e, então também se virar para Annabeth, que o observava intensamente.Os ombros dos dois se tocavam, os rostos estavam à cinco míseros centímetros de distanciamento.
Percy suspirou pesadamente.
– Preciso — murmurou por fim — Eu preciso de um incentivo.
Annabeth deu um pequeno sorriso com o canto da boca e assentiu com a cabeça, borboletas se revirando no estômago de tanta ansiedade.
O olhar dela se prendeu completamente ao dele.
A respiração de Percy já estava meio descompassada quando Annabeth finalmente quebrou a distância entre os dois, colando seus lábios sobre os dele.
Os dedos dela se dirigiram aos fios negros do rapaz, passeando delicadamente por seu couro cabeludo, enquanto ele, por sua vez, prendia a nuca e parte da bochecha da garota com uma das mãos.
Não fora um beijo voraz ou desesperado.
E sim apaixonado, delicado, necessário e, esperado.
Por mais que ambos tivessem uma perspectiva formada sobre como seria, um dia, beijar um ao outro, todas as ideias foram, com toda a certeza, superadas naquela hora.
Percy foi o primeiro a se afastar minimamente, o coração pulsando forte no peito, a barba mal aparada ainda roçando na pele de Annabeth, os narizes de frente um pro outro, as testas coladas.
– Sei que é meio óbvio e tudo — sussurrou ele, procurando o olhar negro dela — Mas minha vida não tinha sentido antes de eu te conhecer. Me apaixonei perdidamente por você, Annabeth. Tanto que... acho que nunca seria capaz de expressar em palavras o que sinto.
Assim que ele proferiu tais palavras, Annabeth soltou um leve suspiro meio arfado, como se algo dentro de seu peito tivesse derretido.
– Recíproco — ela disse aturdida — É tudo recíproco.
Percy sorriu de nervoso e se inclinou sobre ela, tomando seus lábios em outro beijo, porém mais intenso dessa vez.
– Deduzo que não cabe mais sermos amigos — ele continuou — Então seguimos como amantes, nos tornamos namorados ou...acabamos por aqui, como se nada nunca tivesse acontecido e as nossas vidas nunca tivessem se cruzado?
– Nunca vou me separar de você, não importa aonde esteja — Annabeth declarou — Mas preciso que você faça o pedido, Percy.
– O pedido — ele inspirou e expirou o ar — Certo.
Annabeth o olhou em clara expectativa.
– Annabeth Chase — os olhos verdes dele brilharam — Me concederia a inestimável honra de se tornar minha namorada?
Ela puxou o colarinho da camisa do rapaz, aproximando seus lábios novamente.
– É o que eu mais quero, Perseu Jackson.
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