Notas iniciais
Mais um capitulo!!! Sinceramente fiquei em dúvida se este seria o último... mas decidi fazer mais um ou dois. Por isso não fiquem triste!! E antes que eu me esqueça eu gostaria de pedir para que todoss os meus leitores sem exceção lessem a última fic one-shot que escrevi. Ela é super pequena tem apenas 769 palavras. Se chama: O amor medido na fita. Ficaria muito feliz se pudesse compartilhar com vocês um novo tipo de escrita que experimentei... E só uma dica: Ela é baseada em fatos reais!! Boa leitura!

Tudo estava escuro em um momento, e logo após eu havia apagado completamente. Quando enfim abri os olhos de novo estava na superfície. Mais especificadamente na areia prateada da praia. Esperava me encontrar molhada, mas como eu havia pensado aquilo não era água. Meu corpo estava dolorido e tinha fortes dores de cabeça. Levantei quase perdendo o equilíbrio, e olhei ao redor, pensando em como tive um pesadelo muito fora do normal. Meus olhos piscaram algumas vezes, desacostumados com uma luz tão... Iluminada. Procurei desesperadamente o Gus pela praia, olhando ao redor. E me recordando das suas palavras: E-u t-e a-m-o. Mais lágrimas voltaram a deslizar pelo meu rosto, me recusando a acreditar naquilo. Quase me senti como se tivesse dificuldade em respirar novamente. Com todos os maus voltando para me assombrar. Enquanto procurava por algum sinal de vida, meus olhos pararam no vovô duende, e em uma mulher ternamente bonita que estava ao lado dele. Como se em busca de explicação fui correndo até eles, que me olhavam satisfeitos. Parando a frente deles, caí de joelhos na areia fofa que brilhava refletindo a luz.

— O que aconteceu? — Perguntei em tom exigente e com raiva.

Eles apenas me encaravam, o que me deixou enraivecida. A mulher ao lado do vovô duende era ainda mais bonita de perto. Vestia uma túnica branca, como a dos deuses gregos antigos, e possuía cabelos claros e ondulados. Os seus cachos caíam pelos seus ombros como em uma cascata. Tinha olhos prateados como a areia. Era extremamente bonita, que parecia pertencer aquela paisagem magnífica. Por incrível que parecesse não conseguia mais ver a beleza daquele lugar de tão triste e deprimida que estava. Nada mais parecia tão bonito para mim, como poderia ser. Quando levantei novamente a cabeça para olhá-los a mulher finalmente falou.

— Hazel Grace Lancaster... — Sua voz era o que alguns poderiam chamar de mais puro que o céu e mais delicado que um fio de seda. — Parece que sua vinda até o I.M.A, teve algum efeito afinal.

— I.M.A? — Perguntei com dificuldade em pronunciar as palavras.

— Instância mediadora de almas. É o lugar em que você está... Não reconhece?

— Eu achava que estava no céu...

A mulher deu uma suave risada, que era quase hipnotizante.

— No céu? — Riu novamente. — Mas que bobagem... O céu é algo muito mais magnífico que isso...

Era realmente difícil acreditar que existisse algo ainda mais esplendoroso e incrível que aquilo. Apenas a encarei confusa, e ela continuou.

—....E além do mais, lá eles não permitem a entrada de intrusos. — Ela olhou fixamente para mim, enfatizando que eu era a intrusa ali. — Sou a responsável por este I.M.A, pode me chamar de Divina.

O nome realmente fazia jus à pessoa, foi o que pensei.

— Espera aí... Eu não estou entendendo o que está acontecendo. — Disse balançando a cabeça em descrença, e observando que aquela tal de Divina estava ignorando a inexistência do Gus ali.

— Estava tendo problemas com ele... — respondeu Divina suspirando.

— Ele?

— Augustus Waters... Quem mais poderia ser?

— Que tipo de problema?

— Acredito que ele já comentou isso com você... Ele precisava ir embora, mas estava se segurando para não partir deste plano. Ele não queria acreditar que estava morrendo.

— Eu sei... Ele me disse isso — respondi sem animação — Falou que estava sendo forçado a esquecer seu passado. Mas em nenhum momento falou que precisava ir embora daqui.

Divina me encarou sem pressa. O olhar desafiador dela era tão profundo que senti que ela estava fazendo um raio-X em mim. Depois de um longo tempo me observando ela somente suspirou e comentou:

— Hazel eu não te odeio. — Falou como se tivesse a obrigação de me odiar. — Mesmo você sendo uma intrusa... Não gosto de intrusos. Mas sei que não é exatamente sua culpa isso ter acontecido.

— Espera aí... — Balancei as mãos para tentar organizar meus pensamentos — Você esta querendo dizer que eu não estou morta? — Só de pensar na possibilidade senti arrepios pelo corpo.

— Para tentar explicar melhor... Pense que entre o céu e o inferno existem dois intermédios onde todas as almas têm que passar para poder irem para o seu destino. Este aqui é o I.M.A que fica entre o céu e a terra. — Divina fez uma pausa para ver se eu estava entendendo, e prosseguiu. — Eles são conhecidos como I.M.A, como disse antes. Esse é o plano onde os médiuns conseguem se comunicar com os “mortos”. Eles não podem ir para além disso, ou melhor dizendo... Eles não conseguem ir além disso. Tecnicamente dizendo, esse é o plano que algumas pessoas que tiveram uma experiência pós-morte viram. Eles nunca chegaram a ir até o céu. Se o tivesse feito não poderiam voltar para contar.

— Então... — Interrompi ela, com inúmeras perguntas fervilhando em meu cérebro — Você está querendo dizer que o Gus está vivo assim como eu?

Divina olhou para o horizonte evitando meu olhar.

— Ele já atravessou esse plano. — Respondeu calmamente.

— Como...? — As palavras ficaram emperradas dentro de mim antes de eu poder pronunciá-las. De repente tudo o que estava sentindo de mais horrível durante o enterro do Gus voltou. As minhas palavras de consolação. O elogio fúnebre. Tudo tinha voltado. E eu percebi que se aquele foi meu último momento com o Gus. Debaixo daquele mar que não era mar. Com todas aquelas lembranças do que poderia ter sido. Ele sabia o que estava acontecendo. Sabia que aquela era nossa despedida. Que nós não nos veríamos mais. Levantei a cabeça olhando para o que deveria ser o céu. Tecnicamente falando. E ouvi a voz dele soar na minha cabeça.

Eu te amo

Poderia ser apenas uma pegadinha do meu cérebro, como se para me testar. E deu certo. Comecei a chorar desesperadamente. Pouco me importando com os “maus modos” diante uma deusa ou não sei lá o que. Tudo aquilo era tão bizarro. Lembrei que depois que o Gus morreu falei com o Patrick que gostaria de morrer. E ele tinha me perguntado: “Então porque não morre?” Considerando que agora eu estava meio morta, percebi que aquela havia sido a melhor piada do século. Meu namorado tinha morrido e desejei morrer também... E quando morro o destino nos separa porque simplesmente não estou completamente morta. Ironicamente em meio a lágrimas comecei a rir, mas em nenhum momento parei de chorar.

— Agora só falta você me dizer que tem uma faixa etária de pessoas que podem ou não podem entrar no céu... — Disse com uma mistura de raiva e tristeza.

Divina me olhou sem dizer nada.

— Será que não dá para você me matar... Para eu morrer? — Disse enquanto apertava a areia prateada entre meus dedos.

— Seu corpo te chama. Não tenho o direito de interferir no inevitável.

Olhei ao meu redor e uma ideia me veio à mente.

— Mas por que ele atravessou o plano assim que entrou naquilo? — Perguntei estranhando o fato.

— A alma dele já estava muito sobrecarregada... Faz um bom tempo que ele estava aqui e teve que resistir a dor de ser puxado forçadamente para o outro plano... E a Águas dos mortos é uma das formas de levá-los. Creio eu que quando você veio para cá ficou hipnotizada pela beleza do lugar e sentiu vontade de entrar nas águas.

— Sim... — Respondi relembrando de como o Gus me sacudiu forte para eu acordar do transe. — Águas da morte... — Disse amaldiçoando o nome inusitado.

— Ele sabia que não deveria entrar lá... — Instigou Divina — Com você não estava totalmente morta, as Águas da morte iriam tirar completamente sua consciência e você provavelmente ficaria lá vagando. Ele entrou para te resgatar.

—... Então quer dizer é tudo minha culpa... — Gaguejei assustada. —Ele ainda está lá?

— Não se preocupe. Como ele estava morto de verdade as Águas da morte não vão ferí-lo.

Abaixei a cabeça desolada.

— Não se culpe... Cedo ou tarde ele iria acabar partindo, você só adiantou algo inevitável. E te agradeço por isso, estava começando a ficar preocupada com ele. Quem sabe o que poderia acontecer se ele continuasse com essa loucura. Provavelmente perderia sua alma. Você o salvou.

Ele me salvou. — Corrigi.

— Bem... Não posso mais prolongar sua estadia aqui. Você precisa voltar.

Como se para gravar a imagem na minha cabeça, olhei uma última vez para tudo a minha volta. E a voz do Gus repetiu-se novamente na minha cabeça, me fazendo chorar mais.

Eu te amo

Notas finais
Quanta emoção... não se esqueçam de olhar a one-shot que eu mencionei. Comentem!