Lost Or Found
13 E agora?
Notas iniciais
Katniss ficou devastada, também, não era pra menos. Ninguém se atrevia a ir falar com ela, e eu, pessoa linda e diva que sou, resolvi fazer alguma coisa. Coitada, não basta o namorado querer matar ela, ela ainda não tem ninguém pra desabafar. Rodo o distrito 13 procurando-a e encontro ela em seu quarto, encolhida em um canto com uma perola na mão.
–Ér... Oi Kat – digo sentando ao seu lado. Ela ergue os olhos e volta a choramingar. – Sei que deve estar sendo difícil pra você, na verdade deve estar sendo dificílimo, e quero que saiba se quiser desabafar, conversar com alguém, eu estou aqui tá?
–Valeu Alice – diz limpando as lágrimas- mas sabe, é muito complicado você esperar meses por uma pessoa, esperar e sonhar como será reencontra-la e quando isso acontece ela quase te mata. Eu sei que ele foi telessequestrado e coisa e tal, mas ele se parece tanto com ele mesmo, com o meu Peeta.
– Imagino. Mas tenha paciência que tudo vai se resolver, vocês vão conseguir superar essa, tenho certeza. Se vocês conseguiram mudar as regras dos Jogos Vorazes e conseguiram sair vivos nesse processo, vocês já merecem um prêmio. Tenho certeza que o amor de vocês não vai acabar assim, quem sabe um dia vocês casam, tenham filhos, construam uma família...
–Nossa, agora você que tem que ter calma Alice, não precisa pensar tão a frente não – diz assustada e rimos. Mal sabe ela que sua história com o Peeta já está toda escrita. – Obrigada.
–Por nada, sempre que precisar de um conselho, ou só rir um pouco, pode contar comigo. Agora levanta daí, ficar chorando não vai ajudar em nada. Vai ler um livro, ajudar nos planos da Coin, dar uma volta lá fora, sei lá, vai fazer alguma coisa.
–Pode deixar, senhora- diz fazendo continência. Seus olhos ainda estavam vermelhos e inchados, porem seu semblante era mais feliz, fiquei feliz por poder mudar seu humor.
...
Finn estava feliz. Mas tipo, muito feliz mesmo. Eles conseguiram resgatar a Annie e ele estava pulando, pirando de alegria. Não via a hora de poder vê-la e ficava me importunando toda hora: “Eu estou bonito?”; “Estou com olheiras?”; “Meus olhos estão brilhando?” ou ainda “Tem comida nos meus dentes?”. Mas que pessoa mais insegura, senhor.
– Você ta perfeito Finn, agora da pra parar e me deixar comer em paz?
–Obrigada Lice, você vai ver, a Annie é tão demais. Espero que você goste dela, na verdade não tem como não gostar dela... Consegue imaginar Lice? Eu, você e Annie em uma casinha, um cuidando do outro? – diz com olhar sonhador e meus olhos marejam.
–Olha Finn, espero de verdade que isso aconteça. Infelizmente não sei se vai ser possível, minha mãe ta me esperando em casa. Mas olhe, eu te amo viu? Sério, amo mesmo. Nesse tempo eu percebi que você também é lindo por dentro, tanto como você é por fora. Você é demais Finn, nunca se esqueça disso, sempre serei grata ao que fez por mim e me acolher como você me acolheu. Obrigada por cuidar de mim como um pai, e saiba que você me mostrou como é ter um e eu vou ser grata a você pra sempre. Espero que você não se esqueça de mim quando eu for embora, porque, bem... Eu nunca, nunca, nunca vou me esquecer de você. – disse abraçando-o. Senti que ele começou a chorar e eu também, molhando sua camiseta.
–Ô minha pequena, desculpa... Eu te amo também, nunca vou esquecer você. Se eu tiver uma filha, ela vai se chamar Alice e se ela tiver metade da graça que você tem já ficarei muito feliz. – diz afagando meus cabelos.
Não sei porque, mas senti que precisava falar com ele agora. Uma coisa que eu aprendi é pra não deixar as coisas pra fazer depois, porque você não sabe se vai ter depois.
...
Conheci Annie, uma menina bem fofa, devo dizer. Foi super gentil comigo, apesar de ser meio avoada e falar algumas coisas nada a ver com outras, ela é uma pessoa muito amável. Finn ficava olhando-a falar, piscar, mexer no cabelo, tudo com um fascínio imenso, seus olhos brilhando tanto como um diamante.
Resolvo dar algum tempo a eles e fui para o corredor. Sim, o corredor. Adoro ficar sentada nos corredores e ver as pessoas ir e vir, sempre atarefadas, conversando uma com as outras, as vezes quietas, as vezes nem percebem que eu estou lá. Quando sentei percebi o quanto eu estava cansada. Minha cabeça tombava de tanto sono. Sinto um corpo ao meu lado. Abro um dos olhos. Gale.
– Olá miss.
– Oi Gale, como ta as coisas?
– Comigo ta tudo bem. A Kat por outro lado ta acabada, ela não deve se importar tanto com esse galego não, se ele quer matá-la o melhor que ela pode fazer é esquece-lo, nunca vou entender isso...
– Isso é o amor Gale, ele te faz estupida, e outra, Peeta sofreu um tipo de lavagem cerebral pra estar desse jeito, ela sabe que ele não é assim ... – ficamos em silencio por algum tempo e ele me pergunta:
– Você já se apaixonou miss? Tipo de verdade? — se eu já me apaixonei? A imagem de Draco vem a minha mente e é tão dolorosa e tão tocante que quase não suporto, quase começo a chorar. Meu coração da voltas e se aperta só em pensar nele, em seus beijos, em seu sorriso...
–Sim, mas não quero falar sobre isso por favor, e você?
– Sim, acho que já me apaixonei pela Kat. Mas ainda acho que ela não é a pessoa certa pra mim entende? Acho que a pessoa certa nem está aqui, nesse distrito, talvez em outro, mas é muito cedo pra eu dizer alguma coisa...
– Entendo. Olha Gale, vou te dar um conselho de amiga. Cuidado com as coisas que você faz, com as coisas que fabrica. Isso pode te custar muito, um preço que eu acho que você não irá querer pagar. Sei que você ta pensando que eu to falando grego, mas é sério, cuidado.
– Tudo bem miss, eu tomarei – diz, mas assim que as palavras saem da sua boca eu sei que é mentira. Como aquela pergunta das professoras: “Entenderam?”, ninguém entendeu nada, mas todos concordam; esse é Gale agora. Ele ainda vai se arrepender por não prestar atenção em mim, isso eu tenho certeza.
...
Depois do jantar fui direto para meu quarto, estava sentindo uma dor de cabeça insuportável. Fiquei deitada por horas a fio, e nada de resolver. Deito pra cima, pra direita, pra esquerda, de barriga pra baixo e nada. Assim, coloco o travesseiro no meu rosto, achando que talvez por mágica isso melhorará alguma coisa. Enquanto estava nesse compasse, meu umbigo estava sendo repuxado, aquela sensação de novo. Logo, o clarão. E agora? O que acontecerá comigo? Pra onde irei?
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