Lost Memory

12 Chapter Twelve


Enquanto se acomodavam na cama, Grissom resolveu aproveitar a oportunidade para saber da esposa sobre como foi a consulta com o psiquiatra, já que ainda não tinham tido chance de fazer isto.

— Sara... Como foi lá com o psiquiatra? O que ele disse sobre o meu caso?

Ela lhe lançou um olhar antes de responder. A consulta não tinha sido ruim, mas também nada animadora e a mulher não sabia como o marido ia reagir diante do prognóstico não tão esclarecedor e nada animador. Contudo não podia lhe esconder as coisas, ainda mais, se estavam relacionadas a ele próprio.

— Quando eu contei ao médico sobre seu caso, ele à primeira vista achou estranha a forma como você perdeu a memória uma vez que, até então, ele nunca tinha visto um caso assim.

— Que ótimo sou uma aberração! — ironizou o supervisor erguendo os olhos para o teto.

— Não diga isso! Você não é nenhuma aberração. — com uma voz branda e tocando o braço do marido, Sara atraiu de volta para si a atenção de Grissom. — O seu caso é apenas incomum, Gil.

— Ou seja, é o mesmo que eu disse, só que com uma palavra diferente. — Ele replicou insatisfeito.

A esposa suspirou.

— Gil...

— O médico disse o que pode ter motivado essa minha repentina amnésia? — Grissom questionou, atropelando a fala da esposa, pois tinha a impressão de que ela ia lhe chamar atenção pelo que disse anteriormente. E não querendo entrar em conflito com a mulher, o supervisor se apressou em lançar-lhe aquela pergunta.

Sara encarou o marido um breve instante. Queria comentar sobre o que ele havia dito antes da pergunta, mas optou por não fazê-lo e somente responder a questão lançada por ele.

— O médico disse que possivelmente essa amnésia possa estar atribuída a algo psicológico ou estresse mesmo, já que revelei a ele que uns dias antes de acontecer essa perda de memória, você vinha trabalhando muito mais do que o normal por causa das férias que pretendia tirar em breve.

Seu marido vinha dobrando turnos atrás de turnos, e fazendo o possível para não deixar pendências, e ser incomodado em suas merecidas férias com a família.

— Ele falou se vou recuperar a memória e quando?

Grissom viu Sara hesitar para responder e ficou temeroso.

Será que ficaria assim para sempre?

O homem já estava pronto para cobrar uma resposta da esposa, quando Sara se pronunciou.

— O médico precisa primeiro avaliar você pessoalmente e procurar buscar informações sobre algum caso que possa exista e seja semelhante ao seu, pra só então poder dar alguma resposta quanto a essa questão, Gil.

Se havia sido algo no qual o médico tinha sido evasivo, fora exatamente sobre quanto ao "retorno de lembranças". Por hora, ele afirmou a Sara que não diria nem que sim e nem que não a esse respeito. "Vamos um passo de cada vez!", Foram as palavras dele.

— Ou seja, esse médico não sabe se recuperarei a memória, não é?

— Ele não disse isso, Gil.

— Mas é provável que seja desse modo.

— Ei! Você tem que ser positivo. Não é porque ele ainda não deu um parecer concreto que isso signifique, que você vá ficar assim pra sempre. Ele só quer primeiro se inteirar do assunto, pra depois nos dar algo mais conclusivo e seguro.

— Sei...

— Além do mais, essa foi só a primeira consulta e o primeiro médico que fomos. Nós ainda vamos a outros pra buscar novas avaliações. E iremos a quantos forem preciso.

— Você ainda pretende voltar nesse médico?

— NÓS dois vamos voltar nele. O doutor quer que você vá à próxima consulta pra que possa conversar com você. Irá, né?

— Não sei. — ele resmungou, torcendo o nariz.

— Como não sabe?

— A verdade é que... Eu não quero ir a um psiquiatra, Sara. — admitiu. A simples menção daquele profissional já lhe deixava desconfortável. E estar numa consulta com aquele tipo de médico, certamente lhe deixaria mais desconfortável ainda.

— Qual é o problema de ir nesse médico?

— É que eu não estou louco pra ir nele. — a cara amarrada dele ao falar tais palavras, arrancaram um breve sorriso de Sara.

— Não são só loucos que vão nesse tipo de médico, Gil.

— Tanto faz. Eu não quero ir, Sara!

— Vamos, por favor. — ela pediu, na verdade, suplicou.

Grissom a encarou e se viu sem saída diante de tal pedido, pois a forma suplicante como Sara lhe olhou e a qual manteve após a fala, fez com que a recusa que estava pronto a lhe dar, caísse totalmente por terra. Não havia como dizer "não" aquela mulher. Por mais que quisesse, estranhamente não dava. Desse modo, o supervisor cedeu:

— Tudo bem, eu vou!

Sara sorriu contente e esse seu gesto encantou Grissom. Era a primeira vez que ele a via sorrir daquela maneira desde que a "conheceu" após acordar desmemoriado.

~~~~0~~~~

Dois dias depois eles estavam na sala de espera do Hospital Central aguardando serem chamados para a consulta que Grissom teria agora com o Neurologista. Enquanto estavam sentados esperando, Sara pode notar que seu marido não parava de balançar a perna, e vire-mexe Gil apertava as mãos e ficava se remexendo inquieto na cadeira. Conhecia aquela sua inquietude, ela significava apenas uma coisa: nervosismo!

— Está nervoso, né?

— Um pouco!... Será que esse médico vai dizer o mesmo que o psiquiatra te disse?

— Pode ser que sim, como pode ser que não. Temos que esperar pra saber, Gil.

Com angústia e um pouco de impaciência já pela espera de minutos, ele olhou para o corredor que levava para o consultório médico.

Será que ouviriam coisas boas do doutor?

Torcia para que sim!

— Sara...

Ele olhou de volta para a esposa com a intenção de lhe dizer algo, mas ao encará-la viu Sara com uma expressão estranha no rosto.

— Está tudo bem com você?

— Não sei. De repente senti uma náusea e uma leve dor no estômago.

— Quer que eu pegue um copo de água pra você?

— Agradeceria se fizesse isso. — ela disse de olhos fechados e passando a mão sobre a barriga.

No mesmo instante Grissom se levantou da cadeira e foi rapidamente até o bebedouro situado há uns passos de onde estavam sentados, pegar água a esposa.

— Tome! — ele lhe estendeu o copo descartável com uma razoável quantidade de água.

Sara bebeu devagar todo líquido transparente, sentido a náusea ir dissipando. Devolveu o copo a Grissom para que o jogasse na lixeira.

— Melhorou? — ele quis saber ao se acomodar ao lado da esposa após ter ido jogar o copo no lixo.

— Sim, obrigada.

— Tem certeza?

— Tenho, Gil. — ela sorriu de leve para acalmá-lo. Realmente se sentia melhor. Foi tão estranho o que sentiu, pois veio tão de súbito quanto se foi. — Acho que exagerei um pouco no almoço e por isso me senti mal assim. Mas já passou!

Tão logo ela acabou de falar e uma enfermeira veio lhes avisar que era a vez deles de entrarem para falar com o médico. O casal se levantou e a mulher de branco indicou a porta do consultório a qual eles seguiram.

— Olá! — o médico, um homem mediano, branco, cabelos grisalhos, usando óculos de grau, saudou o casal assim que eles entraram em seu consultório. — Sou o doutor Mark Owen, mas podem me chamar só de Mark mesmo, ok? — ele se apresentou, estendendo a mão para cumprimentar aos dois que entraram.

Após trocaram cumprimentos e Grissom e Sara terem se apresentado ao médico, os três se sentaram e o doutor Mark quis saber qual era o problema com Grissom.

Como a pergunta foi dirigida ao próprio paciente então Grissom mesmo foi quem a respondeu. Ele contou o que havia lhe acontecido e o médico ouviu a tudo com atenção e fazendo algumas anotações em um caderno. Assim que Grissom acabou de falar tudo, o doutor se dirigiu a Sara, que até o momento se mantinha calada ouvindo o marido relatar a situação dele.

— Senhora, o seu marido sofreu algum abalo emocional ou passou por alguma situação de grande estresse antes de tudo isso ocorrer? — ele olhou rapidamente para Grissom, e lhe explicou: — Eu estou perguntando isso a sua esposa, porque como o senhor perdeu a memória não tem como me responder, certo?

O supervisor assentiu para o doutor.

Em sua resposta Sara negou sobre a questão do abalo emocional, porém informou ao neurologista que ultimamente seu marido vinha trabalhando dobrado por conta de umas férias que tiraria. E que por conta disso, talvez, seu estresse tenha ficado um pouco mais alto, bem como o cansaço que era evidente nele de umas semanas para cá.

— O senhor acha que isso tem haver com a perda de memória do meu marido?

— Em um primeiro instante temos que levar em consideração qualquer hipótese e depois vamos descartando-as ao longo do caminho, certo? — Sara e o marido assentiram ao doutor. — Senhor Grissom desde que acordou desmemoriado o senhor tem sentido dores de cabeça ou alguma pontada mesmo que seja de leve?

— Não!

— E sonolência?

— Um pouco.

— Certo.

Toda a resposta que Grissom dava o médico anotava em sua ficha. Toda informação dada por ele era de suma importância.

— Doutor, o senhor já viu um caso assim como o meu?

Ele queria ouvir que pelo menos algum caso semelhante pudesse ter existido para que assim, não se sentisse uma aberração.

— Anos atrás tive um paciente com esse mesmo problema, só que no caso dele a perda de memória durou apenas oito horas, é o que chamamos de Amnésia Global transitória. O indivíduo desse caso geralmente tem uma perda de memória com curta duração, que pode ir de alguns minutos até algumas horas. No seu caso essa amnésia parece se aplicar, porque a sua amnésia já dura uma semana como me contou.

— Eu tenho chances de recuperar minha memória ou vou ficar sem ela pra sempre?

O doutor lançou um olhar para a esposa de seu paciente antes de resolver, respondê-lo:

— O senhor quer a verdade?

Mark prezava pela honestidade com seus pacientes, mesmo que esta fosse dolorosa e não agradasse aos ouvidos deles.

— Sim, doutor!

— Há 50% de chances de recuperá-la, como também há 50% de não recuperá-la. — ele viu seu paciente cubrir os olhos com uma das mãos. — Mas esta divisão de porcentagem pode mudar positivamente ao longo do tratamento e das consultas que fomos tendo.

— E pode também não se alterar ou piorar, né?

O pessimismo de Grissom fez sua esposa e o médico se entreolharem.

— Senhor Grissom... — começou Mark com cautela e tirando seus óculos de grau. — ... Entenda uma coisa... casos que envolvem perda de memória são algo incerto de dar prognóstico conclusivos assim. Temos que ir devagar quanto a volta de suas lembranças, tudo bem?

— Tudo bem! — resmungou o supervisor nada satisfeito com aquela evasiva resposta.

— Eu quero que o mais rápido possível seu marido, senhora... — se dirigiu a Sara recolando seus óculos e puxando um bloco de papel. — ... Faça uma tomografia computadorizada pra vermos se há alguma lesão no cérebro. Se quiser podem fazer aqui mesmo no hospital pela parte da manhã é só agendar o dia e horário. Assim que estiverem com os resultados voltem aqui pra que eu possa vê-los, ok? — estendeu a Sara o papel com a solicitação do exame que Grissom faria.

— Sim, doutor.

— Tendo esse resultado em mãos, eu posso começar a procurar um tratamento adequado para o seu caso, senhor Grissom. — encarou o paciente por cima de seus óculos.

— Certo, doutor! — concordou o supervisor.

~~~0~~~~

No caminho de volta pra casa, o silêncio imperava dentro do carro guiado por Sara. A mulher lançava vire-mexe olhares discretos ao marido. Ela queria falar algo, perguntar a ele o que tinha achado da consulta, mas Grissom parecia tão alheio e pensativo, que ela resolveu manter o silêncio.

"No que será que ele está pensando?"

Observando a paisagem que passava pela janela e sentindo o vento bater de encontro ao seu rosto, Grissom repassava mentalmente a consulta de ainda pouco. Cada fala de seu médico ecoava dentro de sua cabeça e o supervisor não conseguia sentir qualquer esperança vindo das evasivas palavras do doutor.

Quisera ele resolver essa situação toda que lhe aconteceu, com um simples estalar de dedos. Contudo, não era assim tão fácil. Aquela sua situação parecia tão longe dever resolvida tão cedo e facilmente.

O carro parou no sinal vermelho. Próximo dali ficava um parquinho. O lugar estranhamente chamou a atenção de Grissom, tanto que ele pediu na mesma hora a Sara se ela não podia parar mais a frente para que eles pudessem dar uma volta pelo parque.

— Por que quer passear nesse parque?

Ela o olhava surpresa por seu pedido.

Será que aquele lugar lhe despertou alguma lembrança?

— Esse parque... de uma forma que eu não sei explicar... chamou minha atenção. — contou desviando o olhar da direção do parque para fitar sua esposa ao volante do carro.

Ouvir essa resposta do marido fez Sara sentir o coração dá uma acelerada rápida.

Aquele lugar era especial tanto para ela quanto para o marido. E, talvez a lembrança forte, porem inexistente em sua mente, mas aparentemente viva dentro dele, o tivesse chamando e fazendo sentir que aquele parque não era um lugar qualquer e realmente não era.

Tinha sido ali, em uma tarde bonita como a que fazia naquele momento, que Grissom pediu Sara em casamento há cerca de quinze anos. E era ali também, que algumas vezes eles costumavam vir passear sozinhos ou com os filhos, quando estes já eram nascidos.

O sinal abriu e Sara dobrou a esquina, logo depois estacionou o carro mais a frente ao parque.

— Vamos dá uma volta aqui então, Gil! — disse enquanto tirava o cinto de segurança e sorriu para o marido.

Ele assentiu, sorrindo e também tirou o cinto.

No parque haviam algumas poucas pessoas que no geral eram casais, que estavam ali provavelmente, aproveitando o fim de tarde para passear, conversar ou apenas namorar.

Aquele lugar em dia de semana não era tão movimentado quanto nos fins de semanas e feriados, mas até que para uma segunda-feira estava com mais gente do que o normal.

Enquanto passeavam em silêncio e sem trocar qualquer palavra desde que saíram do carro, Sara se permitiu lembrar das inúmeras vezes em que já estivera por ali com os filhos e o marido, ou somente com o Grissom.

Tinha ótimas lembranças de momentos especiais e em família que compartilharam naquele lugar.

Ela olhou discretamente para Grissom que estava ao seu lado para ver se ele esboçava algum tipo de reação por se encontrar no local que tinha um grande significado e importância para eles, ou muito remotamente, ele se lembrava de algo dali.

Mas infelizmente o olhar vago denunciava que seu marido não parecia lembrar de nada. Ela o via observa cada canto daquele parquinho admirado como se aquela fosse a primeira vez que estivesse ali.

Desmemoriado como estava mesmo... Aquela era a primeira vez naquele parque!

O casal caminhou por alguns metros sempre em silêncio. Chegaram a um banco vazio e por sugestão de Sara se sentaram nele.

— Engraçado...

Grissom se pronunciou, quebrando enfim o silêncio que já se fazia longo entre a esposa e ele. O olhar do homem se pôs a observar uma bonita fonte em que haviam três estátuas de anjos com asas e segurando flechas, a qual ficava localizada poucos metros de distância do banco em que o casal estava sentado.

— ... Eu olho pra esse lugar e não o reconheço nenhum pouco, mas inexplicavelmente tenho a impressão de que ele é especial pra mim.

Sara sorriu de maneira imperceptível enquanto seus olhos observavam aquele lugar que tanto gostava. Amava aquele parque e seu marido antes, quando não havia perdido a memória... Também amava aquele lugar. E pelo visto a força da lembrança dali que, certamente, lhe dava essa impressão mencionada por ele.

— Não é só impressão sua Gil, realmente esse lugar é especial tanto pra você quanto pra mim. — revelou Sara agora olhando para o marido.

O supervisor que ainda seguia encarando a fonte, então desviou o olhar dela para fitar Sara. Antes que ele perguntasse o motivo daquele parque ser especial pra ambos, Sara lhe contou isso.

— Foi aqui que você me pediu em casamento há quinze anos, mais precisamente em frente aquela fonte a qual estava olhando antes.

Enquanto lhe revelava aquilo com certa nostalgia, Sara não olhou para Grissom. Foi só após ter terminado de falar, que ela encarou o marido e pode vê-lo lhe fitando com uma tristeza pairando em seus orbes azuis. Talvez aquilo fosse por não se lembrar daquele momento tão especial e importante para ambos.

— Sinto muito por ter me esquecido de uma lembrança tão especial quanto essa, Sara. — ele suspirou, baixando a cabeça e se sentindo a pior pessoa do mundo.

Maldita amnésia! Veio para arruinar a vida feliz e perfeita que ele parecia ter ao lado daquela mulher.

As palavras de Grissom fizeram Sara suspirar também sentindo tanto quanto o marido por ele não se lembrar de um momento tão especial como aquele revelado.

Um momento que eles compartilharam ali e que havia sido tão mágico, mas que agora tristemente havia sido esquecido por Grissom não por culpa dele e sim, por uma fatalidade ainda inexplicável.

— Gil? — ela o chamou, fazendo o marido levantar a cabeça e olhá-la de novo. — Essa amnésia pode ter apagado as lembranças da sua cabeça, mas pelo visto não as do seu coração. — a mão direita dela repousou sobre o lado esquerdo do peito de Grissom. — Você pode não se recobrar delas com exatidão, mas as sente aí dentro de você, o que pra mim já é uma esperança!

Ele apenas balançou a cabeça concordando com a esposa.

Ela retirou sua mão do peito dele e ajeitou sua postura, de modo que ficou de frente para a fonte.

Outro silêncio se instaurou entre o casal e com isso, cada um se pôs a observa um canto diferente do parque.

Enquanto Grissom fitava o lindo pôr-do-sol, Sara observava a fonte e inevitavelmente a lembrança vivaz do momento mais que especial que viveu ali, repassou em sua cabeça.

Fazia uma tarde bonita com um pôr-de-sol igualmente bonito. Grissom e Sara estavam ali, em frente àquela fonte e a perita morena não entendia nada da razão de estarem naquele local bonito. Só conseguia ver que seu namorado parecia um tanto nervoso e também não deixou de ficar nervosa com isso.

— Gil o que houve, por que me trouxe aqui?

Ela já estava impaciente com todo aquele suspense que seu namorado fazia e resolveu questioná—lo. Desde que saíram do laboratório que Grissom não dizia muita coisa só frases vagas que a deixaram apreensiva o caminho todo até chegarem aquele lugar, que Sara nem conhecia.

— Sara... — ele então começou a falar. — ... Você sabe que não sou muito bom com as palavras, mas nesse momento, vou tentar ser só não garanto conseguir, espero que sim!— um sorriso nervoso lhe escapou.

Era a primeira vez que faria aquele pedido a uma mulher e não era qualquer... Era Sara, a única por quem ele se apaixonou verdadeiramente.

Estava muitíssimo nervoso e ansioso quanto ao que sua amada namorada diria quando ouvisse a proposta que tinha para ela.

Tomou fôlego, respirou fundo e retomou a palavra, enquanto Sara só o observava sem ainda fazer idéia ou sequer entender o que eles faziam ali e do porquê Grissom está tão nervoso quanto aparentava.

— Eu te trouxe aqui com uma única intenção que é de te fazer um pedido muito especial.

— Pedido? Que pedido Grissom? — ela franziu a testa sem ainda entender o que ele queria lhe pedir.

Grissom então se ajoelhou em frente a Sara que logo ficou estática com o gesto do namorado, pois começou a entender o que aquilo significava.

'Ele não vai fazer isso, vai?', Ela pensou sem acreditar.

— Quer casar comigo? — perguntou Grissom sem entremeios.

No mesmo instante Sara arregalou os olhos. Ainda que o gesto dele de segundos atrás já lhe desse margem para cogitar que fosse isso que Grissom pudesse vir a pedir, Sara não pode evitar se surpreender com aquela proposta inesperada de casamento.

— Eu sei que estamos namorando a apenas quatro meses. — ele se apressou ao ver a cara de surpresa da namorada, entendo com aquilo que ela estava cogitando isso. — Porém quero que saiba, que esse pouco tempo em que estamos juntos, já é tempo suficiente para eu ter certeza absoluta de que você é a mulher da minha vida, com quem quero dividir e viver o resto dos meus dias. E é por isso que estou aqui te pedindo em casamento... Você aceita casar comigo, Sara Sidle?

— Ai, meu Deus! — escapou de Sara antes dela levar as mãos sobre a boca.

Lágrimas começaram a molhar seu rosto e Sara parecia ainda não acreditar naquele pedido. Aquilo só podia ser um sonho, o melhor sonho que já tivera em sua vida!

De repente era como se o mundo ao redor não existisse e só houvesse ela e seu namorado ali naquele bonito lugar.

As palavras não conseguiam sair da boca da mulher e seu coração batia acelerado feito um trem sem freio. Mas ela precisava falar, tinha que dar uma resposta a proposta lhe feita.

— Gil, eu... — ela começou a falar, mas travou logo depois.

Grissom ficou apreensivo pela resposta interrompida de sua namorada. Viu Sara hesitar e travar do nada no meio do que ia dizer. Talvez, ela estivesse pensando que fosse cedo demais por conta do tempo que estavam juntos como ele mesmo chegou a mencionar momentos atrás. Em virtude disso tentou tranqüilizá—la, dizendo:

— Sara se você achar que é muito cedo pra nos casarmos... eu posso esperar. Não tem problema nenhum pra mim isso. Por você, eu espero o tempo que for preciso, pois... Te amo mais que tudo nesse mundo!

Um sorriso largo e infinitamente bonito surgiu em Sara diante aquela linda declaração de amor do namorado.

— Você não vai precisar esperar tanto tempo assim, porque... eu aceito seu pedido Gil. Me caso com você agora mesmo se quiser! — ela disse ainda sorrindo.

Diante desta resposta foi a vez dele sorrir igualmente a ela. Logo depois se levantou e beijou a namorada mais que apaixonadamente.

— Eu sou o homem mais feliz desse mundo! — Grissom murmurou após o beijo e colando sua testa colada a de sua namorada.

Sara foi tirada daquela doce lembrança, quando Grissom tocou levemente seu braço e chamou seu nome de maneira mais firma.

— O que foi Gil? — olhou para ele ainda se restabelecendo da lembrança que tinha vindo invadir sua mente.

— Eu é quem pergunto, Sara. O que foi? De repente você ficou longe.

Segundos atrás, ele olhou para ela com a intenção de comentar algo, mas a encontrou com o olhar perdido e distante, como se estivesse envolta em algum pensamento. Chamou-a uma, duas e três vezes, mas nada. Só quando chamou-a uma quarta vez e de maneira mais firme, que ela lhe ouviu.

— Não foi nada, Gil. Apenas estava lembrando de algo e acabei me desligando totalmente do mundo a minha volta.

Ele quis perguntar se era alguma lembranças deles naquele lugar. Contudo, não se sentiu com confiança suficiente para isso.

Por mais um tempinho eles permaneceram no parque até Sara sugerir de irem embora. Então, eles foram pra casa, pois também já estava começando a escurecer.

~~~0~~~

Era madrugada quando Grissom foi despertado por barulhos estranhos vindos do banheiro. Olhou para o outro lado da cama e não viu Sara. Só podia ser ela no banheiro a responsável pelos sons que escutava.

Se levantando da cama, o supervisor foi até o banheiro. Ao empurrar a porta encontrou Sara debruçada sobre o vaso sanitário se acabando de vomitar.

Mais que depressa, o homem se aproximou da esposa e segurando seus cabelos que caíam cobrindo o rosto dela, ficou passando a mão em suas costas enquanto ela seguia vomitando. Grissom chegou a se preocupar com aquela sessão de horror que parecia não cessar. Daquele jeito sua esposa colocaria sua alma para fora.

Assim que por fim ela acabou de vomitar, o marido a ajudou a se levantar. Dando a descarga e enlaçando a cintura de Sara, Grissom conduziu a esposa até a pia onde a mulher passou água na boca e jogou um pouco no rosto.

— Você acha que dá conta de ir andando para o quarto? — ele quis saber assim que ela desligou a torneira e apanhou a toalha de rosto do gancho ao lado da pia.

— Acho que sim! — afirmou após enxugar o rosto e as mãos.

— Então vamos que eu te ajudo a chegar a cama.

Mantendo o braço em torno da cintura da esposa, Grissom levou Sara de volta para a cama.

— Desculpa, acabei te acordando não foi? — falou se sentando na cama.

— Não tem problema!

— Acordei sentindo de novo aquele mesmo mal-estar que do hospital. Levantei e fui ao banheiro jogar água no rosto pra vê se melhorava, mas de repente senti uma forte náusea e acabei colocando quase que minha alma pra fora.

— Devia ter me chamado e dito que não estava bem, Sara.

— Não queria te acordar e nem preocupar.

— Está pálida. — comentou ao observar bem seu rosto e notar o quão branco ele estava. — Não seria bom você procurar um médico amanhã pra saber o que está acontecendo? É a segunda vez que passa mal assim.

Aquilo não parecia normal para ele. Vai ver que ela pegou alguma infecção intestinal.

— Não tem necessidade alguma de eu ir procurar um médico, Gil. Isso é só um mal-estar bobo que por sinal já está até passando. — ela falava de olhos fechados.

— Tem certeza que está passando?

Ele não conseguia acreditar muito nela. Vai ver estivesse dizendo aquilo somente para não lhe preocupar, como foi quando pegou resfriado.

— Tenho, sim!

— Então por que está de olhos fechados? Acho que ainda está se sentindo mal e não quer me dizer pra não me preocupar.

— Eu estou bem, Gil. E só estou com os olhos fechados, porque bateu sono! — respondeu com um pequeno sorriso antes de bocejar. — Vamos voltar a dormir já me sinto melhor, sério. — ela abriu os olhos e encarou o marido sentado ao seu lado na cama, estampando uma preocupação nos olhos.

— Sara...

— Estou bem de verdade. Não fique preocupado. — ela tocou com carinho o rosto dele.

— Tudo bem então, mas se sentir-se mal de novo me chame, por favor. — pediu.

— Eu chamo!

Eles voltaram a se acomodar na cama e em poucos segundos Sara já havia pego no sono, enquanto que Grissom ainda preocupado com ela demorou bem mais para dormir.

Notas finais
Hum... Alguem faz ideia do q possivelmente a Sara anda passando mal? Acho q sim não é! Espero q tenham gostado do cap. Bjs e ate o proximo!