Lost Memory
10 Chapter Ten
Notas iniciais
Ao sentir o quão febril estava Sara, Grissom se preocupou com a esposa e no mesmo instante sentou-se ao lado dela e começou a chamá-la devagar. Foi só após o terceiro chamado que Sara acordou e olhou para o marido.
— Gil?
A voz anasalada dela era mais evidente agora.
— O que está sentindo Sara? — perguntou sem conseguir esconder a preocupação.
Ela hesitou um pouco em dizer para não preocupá-lo mais do que ele já se mostrava. Contudo, acabou por responder com a verdade o que ele lhe perguntou.
— Minha cabeça, meu corpo e minha garganta estão doendo demais.
Ela o ouviu suspirar pesadamente e no instante seguinte ela foi tomada por uma sucessiva tosse.
— Céus! Não devia ter vindo ontem naquela chuva toda, Sara. Olha só no que deu, ficou doente!
Era mais um lamento do que uma reclamação.
— É só um resfriado, Gil, logo passa. — tentou dissipar a preocupação que via nele. Mas a julgar pela cara dele enquanto lhe olhava, ela não havia conseguido se nada convincente.
Shirley apareceu na porta do quarto. Preocupada com a demora do patrão em voltar para a cozinha, a empregada subiu para saber o que tinha acontecido.
— O que houve senhor?
— Ela está com muita febre Shirley.
A empregada entrou no quarto depressa e chegou perto de Sara. Tocou em sua testa com as costas da mão esquerda e se assustou ao sentir o quão febril a patroa estava.
— Minha nossa, está fervendo!
— Eu acho que estão exagerando. Só estou com um pouco de febre.
— Não está não, Sara. Você está muito febril! ... Shirley tem algum remédio pra darmos a Sara pra baixar essa febre dela?
— Tem sim, senhor. Vou buscar agora mesmo! — Shirley saiu as pressas do quarto para pegar o medicamento e um copo de água.
— Detesto tomar remédio! — Sara resmungou de olhos fechados.
— Mas você vai ter que tomar senão como vai melhorar? — havia um tom calmo e sereno na voz de Grissom ao falar.
No mesmo instante Sara o olhou com uma das sobrancelhas arqueadas. Ele tinha acabado de usar as mesmas palavras que costumava lhe dizer, quando ela ficava doente e se recusava a tomar remédio, como agora.
Grissom franziu a testa estranhando a forma com a qual Sara lhe olhava agora. Ia perguntar o porquê daquilo, mas Shirley voltou ao quarto trazendo o remédio e, então, Grissom não teve chance de fazer pergunta alguma.
— Aqui o remédio. — Shirley entregou a Grissom.
Ele repassou o comprimido e a água a Sara, que meio a contragosto tomou a medicação que Grissom lhe deu. Após engolir o remédio Sara fez uma careta.
— É amargo isso! — reclamou à morena entregando o copo de água a Shirley.
— Mas é um excelente remédio, senhora. — Shirley falou, pegando o copo. — Agora tem que se cobrir toda pra que soe e assim a medicação faça efeito.
— Shirley está certa. Você tem que se cobrir.
Grissom puxou o coberto sobre Sara, cobrindo-a com cuidado. A mulher não pode deixar de negar que estava gostando daquela atenção e preocupação toda que o marido demonstrava com ela.
Shirley que havia sido a 'causadora' daquilo ao contar a Grissom sobre o estado da esposa, resolveu sair dali para deixar os dois sozinhos.
— Senhor, eu vou descer pra cuidar do serviço. Se precisar de algo é só me chamar.
— Tudo bem, Shirley. Se quiser tirar a mesa do café pode fazer isso. Vou ficar aqui com Sara, depois desço e como qualquer coisa.
— Sim, senhor.
— Ainda não tomou café?
Sara o questionou após Shirley ter saído do quarto e deixado o casal a sós.
— Não. Ia fazer isso quando a Shirley me contou que você não estava bem. Fiquei preocupado, então resolvi vir aqui pra ver como você estava.
— Eu pedi a ela que não contasse nada a você pra justamente não preocupá-lo, mas acho que falei grego e ela não me entendeu, porque não fez o que pedi.
Ia se lembrar de chamar a atenção de sua empregada por isso. Se bem que se ela não tivesse lhe contrariado, não estaria sendo 'cuidada e paparicada' pelo marido daquele jeito.
— E ainda bem que ela não fez mesmo o que você pediu, porque senão nós não descobriríamos que estava ardendo em febre.
— Isso é só um resfriado que logo irá passar, vai ver. Não precisa ficar preocupado comigo.
— Mas eu fico!
Ele acabou confessando a meia voz, mas audível suficiente para Sara ouvir.
Um silêncio os envolveu e eles ficaram se olhando por um breve momento.
Ela não esperava ouvir aquilo dele. Não na atual situação deles.
E ele não esperava dizer aquilo tão naturalmente assim para ela, pela mesma razão: a situação complicada que viviam.
Mas se fez tão necessário deixar claro sua preocupação, que Grissom não se limitou em dizer o que sentia.
A cabeça podia não lembrar... Ele podia não se lembrar... Mas a preocupação com a esposa está ali... Dentro dele, escondida no vazio de uma mente em branco.
— Eu... Acho que seria bom você dormir um pouco para o remédio... Fazer efeito mais rápido.
Grissom se pronunciou, quebrando o silêncio entre a esposa e ele, e desviando o olhar de Sara. Sentia que os olhos dela o intimidavam de um modo que não sabia explicar.
Sara percebeu o desconforto do marido, mas decidiu não dizer nada a respeito daquilo para não deixá-lo mais desconfortável ainda.
— Tem razão. Vou fazer o que disse.
— Eu vou ficar aqui do seu lado pra caso precise de algo.
— Gil não há necessidade. — ela deu um meio sorriso. Ele estava mesmo preocupado com ela e aquilo era lindo de ver. Parece seu marido de sempre cuidando dela como habitualmente fazia em situações dessas.
— Não quer que eu fique aqui?
Um misto de decepção com ressentimento se fez presente em sua voz ao imaginar que sua presença ali estivesse incomodando a esposa.
— Não é isso. — ela esticou a mão e tocou a dele que descansava sobre o colchão. — Você pode ficar se quiser, mas... Olha, eu vou dormir, por que não aproveita e desce pra tomar seu café? Aí, depois você volta e fica aqui. Eu vou ficar bem. Já tomei o remédio e logo essa febre baixa mesmo.
Ele a fitou uns instante considerado a proposta dela. E mesmo não querendo sair dali para não deixá-la sozinha, ele aceitou sua proposta.
— Tudo bem então. Vou descer pra tomar meu café, mas depois volto.
— Está bem! — ela lhe sorriu.
— Já volto.
Sara apenas assentiu.
Grissom, saiu e foi tomar seu café como foi o combinado com Sara. Não levou mais do que alguns minutos na refeição, pois não queria deixar a esposa sozinha muito tempo. Retornou ao quarto e encontrou Sara dormindo serenamente. Percebeu que ela já começava a soar, o que demonstrava que o remédio estava começando a fazer seu efeito. Grissom ficou ali com ela por um período até resolver sair, deixando Sara a sono mais que profundo.
Sem vontade pra ficar sozinho em seu quarto, Grissom voltou para a cozinha e ficou ali conversando com Shirley enquanto ela preparava o almoço.
....
Uma buzina soou interrompendo o papo de Grissom e Shirley.
— Deve ser a Jully e o Matt que chegaram da escola. — ela comentou com Grissom que estava perto da porta da cozinha que dava acesso a sala da casa.
Uns segundos depois eles viram os dois entrarem pela outra porta da cozinha que dava para os fundos da casa.
— Tia Shirley, eu já tô de férias! — Matt falou todo empolgado e indo abraçar a mulher que logo o carregou.
— É por isso que está contente desse jeito?
— Um pouquinho! — o garoto respondeu com um sorriso travesso.
— Um pouquinho? — Jully falou rindo. — Tia Shirley, ele veio falando o caminho todo dentro da van que estava de férias. — a jovem contou ainda rindo.
— Pensei que gostasse de ir a escola Matt?
— Eu gosto, tia, mas é que agora vou poder acordar tarde.
— Ah, sim!
De onde estava Grissom observava calado aos filhos falarem alegremente com Shirley. Eles pareciam gostar muito da empregada, pelo que ele percebeu.
Shirley percebendo que Grissom os olhava, chamou a atenção dos filhos do supervisor, que nem haviam falado com o pai até agora.
— Ei, não vão falar com o pai de vocês não? Ele está bem ali, sabia?
— Oi, pai! — os dois apenas disseram juntos.
Em outros tempos, eles correriam até o pai, o abraçariam e certamente ganhariam beijos dele. Mas a amnésia de Grissom mudou isso.
— Oi! — ele saudou os dois de maneira simples como foi saudado pelos filhos.
— Cadê a mamãe?
— Está dormindo, Matt. — Shirley respondeu.
— Mas a mamãe não dorme até essa hora, tia. — estranhou Jully.
— É que ela está se sentindo um pouco indisposta por conta da chuva que pegou ontem. Mas já tomou um remédio e por isso está dormindo.
— Bem que imaginei que fosse isso. Ela não parecia nada bem de manhã enquanto preparava o café. — recordou-se Jully. — Perguntei o que tinha, mas ela mentiu, dizendo que estava bem.
— A mamãe tá doente?
— Só resfriada, meu anjo.
— Eu quero ir lá com ela.
— Depois Matt. — Shirley falou aquietando o garoto em seu colo. — É melhor deixar sua mãe repousar senão o remédio não vai fazer efeito. Depois, quando ela acordar, você vai lá ao quarto vê-la.
— Tia Shirley tem razão, Matt. Deixa a mamãe descansar pra ficar boa.
— Ela vai ficar boa logo, não é Jully?
— Vai sim.
— Então eu vou esperar que ela acorde pra ir lá no quarto.
— Isso mesmo. Agora você e sua irmã subindo para seus quartos, tirar essa roupa.
Shirley desceu Matt de seu colo e o colocou no chão.
— Jully, você ajuda seu irmão a tirar o uniforme dele pra mim, por favor, querida?
— Ajudo, sim tia. Vem Matt! — a garota segurou na mão do irmão.
— Depois desçam pra almoçar certo?
— Certo! — os dois responderam juntos.
Grissom observou os filhos subirem as escadas pra irem para seus quartos.
— Eles são bastante obedientes, não é?
— Sim!
Alguns instantes depois Grissom e os filhos estavam almoçando. Enquanto eles comiam, Shirley subiu até o quarto de Sara para levar algo para patroa almoçar. Entrou no quarto e viu Sara acordada e sentada à beira da cama.
— Fiz uma sopa pra senhora. — ela mostrou a bandeja em suas mãos.
— Obrigada Shirley, mas não estou com um pingo de fome.
— Mas tem que comer nem que seja um pouco, dona Sara. Não pode ficar sem nada no estômago.
— Eu sei, só que...
Shirley viu Sara ficar de pé e cambalear um pouco, logo em seguida a patroa voltou a sentar-se na cama com tudo. Mais que depressa a empregada largou a bandeja em cima da cômoda e foi até Sara.
— O que foi dona Sara? — agachou-se preocupada em frente a ela.
— Uma tontura. — disse de olhos fechados tendo uma das mãos sobre a testa.
No momento em que ficou de pé, Sara viu tudo ao seu redor começar a girar, então resolveu se sentar de novo na cama para não cair no chão.
— Essa tontura deve ser bem, porque não comeu nada até agora. Faça um esforço e coma só um pouco.
Mesmo ciente que não estava com fome alguma, Sara acatou aquele pedido de Shirley.
— Tudo bem, eu vou comer, mas antes preciso ir ao banheiro.
— Eu ajudo a chegar até a porta.
Com o auxílio de Shirley, Sara foi ao banheiro. Fez sua necessidades, jogou água no rosto e voltou para se acomodar a cama. A empregada ajeitou a bandeja sobre o travesseiro posto em cima das coxas de Sara e aos poucos, a mulher começou a comer.
— Não sinto o gosto da comida. — Sara reclamou após duas colheradas de sopa.
— Esse resfriado lhe derrubou mesmo não?
— É... — ela tossiu um pouco e isso fez sua cabeça latejar, além de sentir o corpo doer. — E a Jully e o Matt? — perguntou depois de cessar a tosse e antes de leva outra colher de sopa a boca.
— Almoçando com o patrão.
— Hum... — Sara apenas sibilou a palavra.
— Por falar nele, tinha que ver como o patrão ficou preocupado com a senhora. De vez em quando ele vinha aqui se certificar se sua febre já havia passado. Parecia até um enfermeiro dedicado. — brincou Shirley fazendo Sara sorrir um pouco. — Quem sabe esse seu resfriado não faça seu marido criar mais proximidade com a senhora, hein?
Sara suspirou.
— Eu não quero apenas a sua proximidade, Shirley. Eu quero o meu marido sendo o mesmo de antes.
— Paciência, senhora. Logo, ele volta a ser o mesmo, vai ver!
Durante o resto do dia Sara teve febre só mais uma vez. Seu "enfermeiro" foi substituído por dois, no caso seus filhos. Os dois passaram à tarde cuidando dela, lhe paparicando e fazendo companhia no quarto. Grissom também ficou por perto, só que não mais tão próximo quanto havia sido pela manhã, mas permaneceu sob as vistas da esposa, que gostou disso.
....
Já era quase dez da noite e Sara estava com Matt e Grissom em seu quarto vendo TV, enquanto Jully estava em seu quarto conversando com uma amiga pelo celular. O programa que eles viam acabou e Sara avisou a Matt que já estava na hora dele ir para seu quarto dormir. Manhoso o menino perguntou se não podia dormir com ela hoje.
— Meu amor outro dia você dorme aqui. É que a mamãe está assim gripada e se você ficar muito perto de mim vai acabar ficando gripado também e eu não quero isso.
— É que eu queria ficar aqui pra cuidar de você. — disse com uma voz baixa.
Sara sorriu com aquilo. Zelo! Seu menino puxou ao pai naquilo.
— Mas a mamãe já está melhor, meu amor. — tentou despreocupa-lo
— E se você ficar com febre de novo como a gente vai saber? — perguntou preocupado.
Apesar da pouca idade, Matt ficava preocupado com a mãe quando ela adoecia e não era só com ela isso. Ele também ficava assim quando era com o pai e a irmã.
Grissom percebendo a preocupação do filho, resolveu intervir naquela conversa dando uma sugestão.
— Matt! — ele chamou o menino que o olhou no mesmo instante. — Por que não fazemos assim... você vai dormir no seu quarto e eu fico aqui cuidando da sua mãe pra você. O que acha?
— O senhor vai dormir aqui pra cuidar dela?
O supervisor olhou rápido para Sara antes de responder.
— Vou!
Sara pensou ter ouvido errado. Ele ia dormir ali com ela? No mesmo quarto e na mesma cama?
— Então assim eu durmo no meu quarto. — o garoto respondeu com esperteza.
— Ótimo. Então dê um beijo de "boa noite" na sua mãe que eu te levo para o quarto.
— Vai me colocar pra dormir como fazia antes de se esquecer da gente? — os olhinhos arregalados do garoto até brilharam de alegria e surpresa, pois desde que seu pai havia ficado sem memória, que não o colocava mais para dormir.
— Sim!
Foi nítido para Grissom a alegria do filho ao ouvir sua afirmativa.
— Boa noite, mamãe! — o pequeno beijou o rosto de Sara e pulou da cama todo alegre para ir com Grissom. Gostava muito quando o pai lhe colocava para dormir.
— Boa noite, meu amor! — ela sorria por ver a alegria do filho. Vê-lo assim era a melhor coisa para ela. E que bom que Grissom estava de fato tentando se aproximar dos filhos. Ela e as crianças agradeciam por isso.
De mãos dadas pai e filho saíram do quarto sob o olhar alegre de Sara.
Ao entrar no cômodo onde Matt dormia, Grissom ficou admirado por ver a decoração do quarto, já que aquela era a primeira vez que adentrava ali.
— Puxa, seu quarto é bonito! — o supervisor olhava tudo aquilo extasiado. Se sentia no próprio espaço cercado de planetas, estrelas e tudo mais.
— Foi o senhor que fez pra mim!
Matt largou a mão do pai e correu para sua cama.
Grissom se sentiu desconfortável por aquilo, além de triste. Ele tinha feito aquilo e não se lembrava disso assim como não se lembrava de tantas outras coisas. Perguntou-se até quando ficaria assim no "escuro", sem lembrar-se da sua família e tudo mais.
— Papai!
O chamado de Matt lhe fez despertar. E algo dentro de si balançou ao ouvir a voz do filho lhe chamando daquela forma doce e carinhosa. "Pai", essa palavra lhe dava uma sensação boa e conhecida, só não conseguia lembrar qual era.
— Oi! — ele se sentou na cama de Matt.
— O senhor passa a mão na minha cabeça pra eu dormir?
Um pedido daqueles era quase impossível de se recusar.
— Passo!
O menino se deitou de bruços e Grissom começou a deslizar a mão pelos cabelos finos e claros do filho pequeno.
— Eu gosto quando o senhor faz isso.
— É?
— Uhum
— Eu sempre fazia isso, Matt?
— Quando não ia trabalhar fazia!
Ele sorriu para o pai, mas logo depois o sorriso que o menino exibia sumiu e ele ficou apenas olhando para Grissom de um jeito que o supervisor achou estranho.
— O que houve Matt?
— Ainda vai demorar muito pra se lembrar da gente?
Quisera ele saber a resposta para aquela pergunta. Se dependesse só dele já teria se lembrado daquelas pessoas, mas infelizmente não era assim. Não conseguia lembrar, mesmo que se esforçasse.
— Matt... — suspirou. — Eu não sei quando vou me lembrar de vocês... — ele viu o filho baixar os olhos e parar de fitá-lo. — Mas, oh, prometo que vou me esforçar pra isso acontecer o mais breve possível, está bem?
O menino voltou a olhá-lo e só balançou a cabeça positivamente.
— Agora, feche os olhos pra dormir já está tarde.
— Tá, mas antes você desliga a luz e acende a luminária?
— Onde fica?
— Ali. — ele apontou pra mesinha perto do guarda-roupa onde estava a luminária.
Grissom foi ate lá, ligou a luminária e desligou a luz do quarto.
— Pronto! — sentou-se novamente perto do filho. —.Acho que agora pode dormir.
— Uhum... Boa noite, papai! — o menino disse depois de um bocejo e já de olhos fechados.
— Boa noite, Matt!
Grissom voltou a passar a mão pelos cabelos do filho até vê-lo pegar no sono. Assim que se certificou que isso tinha acontecido, Grissom parou com o carinho e ficou apenas observando o menino dormindo.
Eu vou aprender a amar, você, filho!... Você, sua irmã e... A Sara!
Ainda permaneceu ali mais um tempo antes de sair do quarto voltando ao de Sara.
— Pelo jeito ele dormiu rápido. — ela comentou ao ver Grissom aparecer na porta do quarto.
— Ele costuma demorar pra dormir?
— Geralmente quando é você quem vai colocá-lo na cama, sim.
Os dois ficaram se olhando em silêncio por um breve instante.
"Será mesmo que ele vai dormir aqui?"
"Será que ela aceita que eu volte a dormir aqui?"
Cada um tinha sua dúvida e receio. E coube a Grissom tomar a iniciativa.
— Bem eu vou ao meu quarto pegar meu travesseiro pra poder dormir aqui.
— Você vai dormir aqui mesmo? — ela ainda custava a acreditar que isso fosse acontecer. Até uns dias atrás, ele saiu dali e foi para o quarto de hóspedes alegando que não queria dormir com ela, porque não se sentia confortável. Aí, agora vai voltar a dividir a cama com ela.
— Sim. Prometi ao Matt que faria isso pra cuidar de você, a não ser que se incomode com a minha presença e não queria que eu fique. — arriscou receoso de que ela confirmasse. Mas foi totalmente o contrário que Sara fez.
— Sua presença nunca vai me incomodar, Gil. Você pode dormir aqui, claro. Esse quarto também é seu e você pode ficar aqui quando e quanto quiser.
Ele sorriu com discrição, feliz por ela não rejeitar sua companhia depois dele ter feito isso, logo que havia perdido a memória.
— Então vou lá no quarto de hóspedes e já volto.
Mesmo que fosse só para satisfazer a preocupação do filho, ela apreciou a ideia de ter seu marido dormindo novamente com ela.
Ele voltou ao quarto deles e Sara lhe indicou o lado da cama que ele costumava dormir. Grissom se ajeitou ali mantendo uma pequena distância de seu corpo para o de Sara.
— Qualquer coisa que sentir me chame está bem? — ele disse deitado de frente para ela.
— Sim!
— Boa noite, Sara!
— Boa noite, Gil!
Eles fecharam os olhos e um tempo depois já dormiam profundamente.
E quando foi de madrugada, inconscientes pelo sono, seus corpos se encontraram no espaço daquela cama e eles acabaram se abraçando e dormindo agarrados um ao outro como costumava ser antes de Grissom perder suas lembranças.
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