Lost Memory

14 Chapter Fourteen


Notas iniciais
Queria agradecer os comentários de vcs eles são maravilhosos. e aqui está mais um cap pra vcs.

Sara não queria que o marido ainda soubesse daquilo, mas se foi assim... Então que fosse!

Voltando seu olhar para Shirley, a mulher de Grissom pediu gentilmente à outra mulher que lhe deixasse a sós com o marido para que pudessem conversar sobre o que ele ouviu.

Shirley assentiu e avisou-a de que aproveitaria para ir rápido a farmácia comprar o tal teste. Sara se limitou a apenas dizer um "tudo bem" e, então, Shirley saiu do quarto deixando os patrões sozinhos como havia sido pedido por Sara.

— Então era por isso que vinha passando mal? Você está... grávida?

Ele sussurrou a última palavra enquanto se aproximava lentamente da esposa, que naquele momento havia se sentado na beirada da cama.

— Ainda não tenho certeza sobre a gravidez, mas é MUITO provável que seja por causa dela os meus mal-estares mesmo, Grissom! — replicou a mulher encarando o chão, pois não tinha coragem de encarar o marido para falar aquilo.

Aquela descoberta deixou Grissom momentaneamente "fora de órbita". Um bebê viria no meio daquela confusão toda em que ele estava passando com sua perda memória.

Não lhe parecia o momento mais oportuno para algo assim acontecer, mas... No fundo não pode deixar de ficar feliz, já que era um filho seu que viria.

— Nossa!... Eu vou ser pai de novo?! — murmurou meio surpreso enquanto se sentava ao lado de Sara.

— Possivelmente! — retrucou a mulher sem olhar para o marido e por conta disso, perdeu o sorriso sútil dele ao falar.

Tudo bem que ele sequer se lembrava dos filhos que já tinha com Sara e agora ainda viria mais um. Só que este podia ser diferente, pois ele construiria lembranças. Talvez fosse mais fácil!

De repente o olhar do supervisor encarou um ponto qualquer daquele quarto e foi como se Grissom desligasse do mundo. Assim como acontecia com Sara ao seu lado, que fitava o chão do quarto.

Como ia ser agora?

Esta questão pairava a cabeça tanto de Grissom quanto de Sara ao mesmo tempo enquanto o casal se encontrava lado a lado e em completo silêncio desde a última fala da mulher.

De volta a órbita Grissom olhou de soslaio para esposa sem saber o que dizer e muito menos o que fazer. Desse modo, manteve-se calado tentando encontrar palavras para dizer a esposa, mas estava difícil.

Ao seu lado Sara que havia tirado os olhos do chão e agora fitava Grissom, tentava decifrar através da expressão que via no rosto do marido, o que ele estaria pensando e achando daquela situação. Mas o semblante de Grissom não lhe deixava muita margem para isso.

Aos olhos de Sara, seu marido parecia indecifrável e isso a estava matando. Se fosse o "seu Gil", ele certamente estaria lhe rodopiando pelo quarto, feliz da vida pela notícia de que a família iria aumentar. Mas ela sabia que não podia esperar nada disso vindo desse Grissom desmemoriado.

Foi só depois de mais alguns minutos que Sara o ouviu lhe questionar em um tom sério de voz e sem sequer olhá-la:

— Por que não me contou sobre essa possível gravidez antes, Sara?

Passado o momento de ficar feliz com aquilo, agora, inexplicavelmente, Grissom estava sentido com a esposa. Aquela omissão dela sobre a possibilidade daquela notícia ser verdade lhe fez sentir certa raiva de Sara.

Como ela podia ter omitido uma coisa daquelas vendo o quão preocupado, ele vinha se mostrando acerca do estado de saúde dela nos últimos dias por conta desses seus constantes mal-estares? Não podia ter feito isso com ele!

Sentindo o ressentimento explícito na voz e na pergunta do marido, Sara se pronunciou para explicar-se.

— Grissom... Eu não te contei antes porque... — ela mesma se interrompeu e ficou a buscar palavras para justificar sua omissão.

— Por quê? — cobrou Grissom olhando por fim pra esposa.

O quê Sara viu nos olhos do marido lhe fez engolir a seco. Ele estava com raiva e ela sabia que aquela raiva era com ela.

— Eu não tinha coragem de te contar e nem tinha certeza da gravidez, apenas desconfiava.

— Mas você viu o quão preocupado eu estava com você, podia ter me partilhado sua desconfiança, Sara. Mas não fez isso. Por que? — tornou a cobrar.

— Já disse. Não tinha coragem.

Ele suspirou e apoiando os cotovelos nas coxas, cobriu o rosto com ambas as mãos. Ela podia ter sido sincera com ele quando suas desconfianças apareceram. Só que não fez isso. Ficou lhe escondendo aquela situação. Se ele não tivesse escutado sem querer sua conversa com Shirley, era bem provável que Sara ainda continuasse a lhe esconder aquela possível gravidez.

— Até quando ia ficar omitindo isso de mim, Sara?

Ela não aguentou mais tantas perguntas e cobranças vindas do marido.

— Por favor, pare de ficar me bombardeando com perguntas. — pediu com a voz embargada.

Ao ouví-la, Grissom tirou a mão do rosto e fitou a esposa. Encontrou-a com os olhos marejados.

— Você não faz idéia de como estou me sentindo com essa situação toda! — parecia que as coisas resolveram cair em cima dela tudo de uma vez. Primeiro, a amnésia do marido. Agora essa inesperada gravidez (se confirmada). — Se eu pudesse escolher, certamente, essa gravidez não viria, tá bom? Não nesse momento em que estamos nos vendo as voltas com esse seu problema de amnésia. Porém aconteceu e não posso fazer nada. Então te peço, que pare com esses questionamentos e cobranças em cima de mim, por favor.

Grissom viu Sara começar a derramar as lágrimas que ela vinha tentando segurar.

De alguma forma, aquelas lágrimas dela fizeram doer nele. Vê-la daquele jeito extremamente frágil, não foi bom. Sentiu-se mal, porque, ao invés de, lhe perguntar como ela estava se sentindo com aquela notícia de uma possível gravidez, ele estava lhe fazendo cobranças; vendo apenas o lado dele de não ter sido informado antes por ela daquela situação.

Não estava sendo nenhum pouco compreensível e prestativo, como ela foi e vinha sendo com ele e seu problema de amnésia.

Idiota!, Xingou-se o homem.

Num único movimento, ele se arrastou e aproximou-se da esposa a ponto das laterais de suas coxas se tocarem. Então timidamente, esticou sua mão direita e tomou a esquerda de Sara na sua.

A mulher lhe olhou com novas lágrimas se acumulando nos olhos.

— Me desculpa! — ele pediu. Parecia ser sua sina desde que despertou desmemoriado, viver pedindo desculpas a esposa, pois vire-mexe estava fazendo besteira à ela. Felizmente, Sara era compreensiva demais e aceitava todas as suas desculpas. Grissom esperava que mais uma vez Sara fizesse isso também.

Diante daquele pedido a mulher baixou a cabeça e seus olhos embaçados pelas lágrimas, vislumbrou a sua mão agarrada a do marido, seus dedos entrelaçados aos dele como tantas vezes ela viu.

Grissom havia segurado a sua mão de forma carinhosa, a mesma forma que costumava fazer antes de perder a memória.

Levantando a cabeça, Sara voltou a olhar para o homem que era sua vida, assim como, os filhos que tinham juntos. Já ia se pronunciar, quando Grissom se antecipou:

— Com certeza, você já deve estar cansada de ouvir meus pedidos de desculpas, já que não têm um dia em que eu não o faça a você desde que acordei desmemoriado. Mas de verdade... — ele acariciou as costas da mão dela com seu polegar. Outro gesto corriqueiro dele de antes de perder a memória. E tal gesto arrancou um melancólico sorriso da esposa. — Me desculpe, Sara. Eu fui um insensível em ficar te enchendo de questionamentos e cobranças, ao invés de, me preocupar em saber como está se sentindo com tudo isso. Não era a minha intenção te cobrar, mas sem querer acabei fazendo isso.

Ele viu novas lágrimas escorrerem pelo rosto da esposa.

— Não chore, por favor!

Sem conseguir se conter o homem levou sua outra mão livre a face da esposa, e com o polegar enxugou as lágrimas dela.

Foi natural e instintiva a reação de Sara em fechar os olhos ao sentir o toque de Grissom. Era difícil para ela lidar com a falta que sentia dos carinhos de seu marido. E aquele pequeno gesto dele de tocar seu rosto foi como um alento enorme para sua alma.

— Será que pode me desculpar mais uma vez, Sara?

Grissom usou um tom de voz sereno e amável enquanto delicadamente tirava a mão do rosto da esposa, fazendo-a abrir os olhos e fitá-lo.

A vontade de Sara naquele momento, era de se jogar nos braços de Grissom e ficar agarrada à ele como tantas vezes gostava de fazer, quando se sentia vulnerável como agora estava se sentindo. Precisava tanto do "seu Gil"!

E apesar dela e aquele Grissom desmemoriado estarem mais pertos do que no começo da amnésia dele, onde já vinham tendo um convívio melhor e até dormiam no mesmo quarto e na mesma cama, Sara mesmo assim sentia que eles ainda estavam bem distantes um do outro.

Seu marido era preocupado e cuidadoso com ela da mesma forma que era, quando não havia amnésia alguma. Mas para Sara faltava algo... O amor e o carinho que Grissom nunca lhe deixou faltar em momento algum, nesses mais de quinze anos que estão juntos, mas que com a amnésia acabou por se apagar dele.

— Deixa eu te abraçar?... Eu preciso muito disso agora. — ela pediu com a voz embargada.

A necessidade em ter aquele contato físico com ele, ainda que fosse por breves segundos, era demais em Sara. Ela queria muito aquilo! Ou melhor, precisa muito naquele momento dos braços de seu marido entorno de seu corpo para se sentir segura e protegida, por um mísero instante.

Meio pego de surpresa e totalmente sem jeito, Grissom com certa hesitação concedeu alguns segundos depois, aquele pedido à esposa.

Então ela lhe abraçou e ele prontamente retribuiu o gesto com certa dificuldade, já que estavam sentados na cama.

A cabeça de Sara se repouso no ombro de Grissom e seu rosto se escondeu no pescoço dele. E assim que o homem teve a esposa em seus braços, sentiu uma onda de eletricidade percorrer seu corpo por inteiro. E seu coração acelerou parecendo um caminhão sem freio.

Aquele abraço permitiu a Grissom mais uma vez sentir de pertinho o perfume delicioso de flores da esposa. Foi inevitável não fechar os olhos e se perder naquele cheiro.

O supervisor podia jurar que não queria mais se desprender da esposa. Tê-la daquele jeito em seus braços era algo indescritível. Não havia nada melhor do que aquilo.

Tal pensamento do supervisor era compartilhado por Sara. Para a mulher estar sentindo seu marido lhe abraçar novamente, algo que não acontecia desde daquela fatídica manhã em que ele acordou desmemoriado, estava sendo como uma viagem no tempo para Sara.

O cheiro de Grissom, os braços fortes e aconchegantes dele, a fizeram por milésimos de segundos reviver o tempo em que seu marido a tinha perfeitamente em suas lembranças e nas vezes em que ele lhe acalentava daquela mesma maneira a qual fazia agora.

Como ela sentia falta de ficar assim com ele!

Não era fácil para Sara, uma mulher apaixonada pelo seu marido, ter que conviver com o distanciamento do mesmo, porque ele não se lembrava de como era seu amor por ela.

Os segundos foram se passando e o casal permanecia do mesmo jeito: abraçados, como se tivessem sido congelados naquela posição. Foi então que em algum momento dali, Grissom ouviu Sara murmurar quase inaudível, que o desculpava e que sempre ia desculpá-lo porque o amava mais que tudo.

O homem tentou afastá-la um pouco para poder desfazer o abraço e lhe dizer algo, só que Sara o impediu se agarrando mais a ele enquanto lhe pedia que não lhe largasse ainda, e que eles ficassem só mais um pouco abraçados.

Ela queria aproveitar aquele momento ao máximo. Não sabia se Grissom em sua atual situação de desmemoriado lhe daria outra brecha para tal gesto entre eles.

Mais uma vez Grissom resolveu atender ao novo pedido da esposa. Eles ficaram abraçados por mais um bom tempo. E nem sequer perceberam que da porta do quarto eram observados por seus dois filhos e por Shirley .

....

— E então, o que deu?

Levantando-se da cama Grissom não tardou a questionar a esposa assim que ela saiu do banheiro onde tinha se metido para fazer o teste de gravidez, que Shirley tinha comprado.

— Positivo! — Sara revelou. Sua voz não denotava um pingo de animação pela notícia. Se fosse em outra ocasião que não a atual, estaria exultante com a notícia.

Grissom ficou sem fala por uns instantes. Um misto de sentimentos que ele não sabia distinguir, faziam um rebuliço dentro de si.

Será que havia sentido aquilo também quando soube das outras vezes em que Sara lhe contou que estava grávida?

Droga! Como era horrível não se lembrar disso e de tudo mais que fazia e faz parte de sua vida.

— Eu não sei o que dizer! — conseguiu falar após um breve tempo em silêncio. Mas ele estava contente com a confirmação daquela notícia. Só não sabia expressar aquilo.

— Não tem problema. — Sara tentou livrá-lo daquela situação.

— E agora o que vai fazer?

Ela se dirigiu a cama onde se sentou.

— Vou a minha médica. Com certeza, ela vai me pedir pra fazer outro teste gravidez.

— Outro? Mas esse não está confirmando. — Grissom foi se sentar ao lado da esposa.

— Sim. Um teste de sangue é um procedimento padrão. Depois que ela fizer isso, vamos começar a cuidar da gravidez com consultas periódicas.

— Hum... — sibilou Grissom.

Um breve instante de silêncio e o supervisor já ia falar algo, mas a batida na porta do quarto o impediu de tal ato.

— Dona Sara e aí qual foi o resultado? — parada na soleira da porta entreaberta, Shirley era o poço da curiosidade. Ela estava torcendo para vir um bebê, pois a seu ver aquilo traria um novo ânimo a casa.

— Eu estou grávida mesmo, Shirley!

— Ai! Meus parabéns, senhora! — a empregada sorriu toda feliz para Sara. Estava realmente contente pela notícia ao contrário do que demonstrava sua patroa.

— Obrigada! — Sara forçou um sorriso ao agradecer. A mulher queria muito estar feliz com aquela notícia, mas por hora não conseguia. Talvez precisasse de um pouco de tempo para isso.

Shirley deu animadas e alegres felicitações a Grissom também, e este apenas se limitou a balançar a cabeça. Depois disso a empregada saiu dizendo que ia preparar o lanche da tarde.

— Você já vai contar ao Matt e a Jully sobre o bebê? — Grissom a questionou, rompendo o breve silêncio que se instaurou no quarto após a saída de Shirley.

— Ainda não, só depois.

Ele meneou de maneira positiva.

— E quando pretende ir ao médico?

— Vou ligar pra minha médica e agendar uma consulta pra logo.

— Quero ir com você! Estar do seu lado nessa consulta, já que sempre me acompanha e está ao meu lado quando tenho que ir as minhas consultas.

— Tudo bem. — ela aceitou, olhando para ele. Preferia que Grissom tivesse dado outra razão para lhe acompanhar ao médico e não aquela.

Grissom se chegou mais a esposa.

— Olha, eu sei que não estou em meu melhor estado por conta dessa maldita amnésia, mas pode ter certeza que no que for preciso vou te ajudar e te apoiar assim como tem feito comigo... Eu vou estar aqui com você, Sara.

— É bom saber disso! — sorriu timidamente.

....

Alguns dias depois e Sara estava se consultando com sua médica e tendo Grissom de acompanhante. A gravidez foi confirmada. Seis semanas de gestação!

A médica recomendou a Sara uma bateria de exames para saber como o bebê estava e ela também, já que pode notar que sua paciente andava muito pálida e visivelmente abatida. Saíram dali com a próxima consulta agendada para daqui a uma semana que era o tempo que os exames que ela faria ficariam prontos.

Assim que chegaram em casa Sara resolveu contar aos filhos logo sobre a vinda do novo bebê. Ela tinha decidido esperar a confirmação médica para só então revelar aos filhos sobre eles ganharem uma irmã(o).

Jully quando soube da notícia vibrou de felicidade. Já Matt de primeira não gostou nada dessa história de novo bebê. Mas foi só Shirley dizer de um jeito todo especial que esse bebê que viria, seria um companheiro(a) para brincar com o pequeno, que o menino aceitou melhor a idéia de ter mais um irmãozinho.

Já a noite acomodados na cama Grissom pode ver Sara pensativa e com um olhar longe.

— Algum problema?

A pergunta dele atraiu a atenção da mulher, que virou o rosto para olhá-lo.

— Não. Só estou pensando em como terei que me desdobrar pra conseguir dar conta dessa gravidez, da casa, das crianças, do meu trabalho quando voltar a ele e de ajudar você. Acho que não vou dar conta disso tudo.

— Ei! — deitando-se de lado para olhá-la melhor, Grissom repousou sua mão sobre a da esposa que descansavam ao lado do corpo dela. — Eu disse a você que vou estar aqui pra te ajudar, então não se preocupe vai dar tudo certo!

Ela deu um meio sorriso para ele.

— Era eu quem devia estar dizendo isso pra você, não o contrário!

Notas finais
Espero q tenham gostado. O Gil foi um fofo com a Sara. Bem tenho que avisa-las de q o proximo vai haver uma passagem de tempo. É isso bjs e ate!