Notas iniciais
Voltei cedo õ/ Com mais um capítulo ahuehe Boa Leitura e obrigado pelos comentários anteriores :3

Severo voltava para o Salão da Sonserina. Há muito já passava do toque de recolher. Ficou com Hermione na cozinha até ela terminar de comer e foi até o quadro do dormitório dela. Granger tem se saído uma boa colega nos últimos dias, sabe ouvir e o que falar, e fala coisas inteligentes.

Percebeu que ela tinha um olhar triste as vezes, e que mudava de assunto sobre os pais e onde morava. Decidiu deixar quieto o assunto. Não era da dua conta o que se passava com ela. Porém, sua mente não se desligava do fato. Pensava em muitas possíveis razões para ela fugir do assunto. Cada uma mais provável que a outra. Os pais poderiam ser como seu, trouxas da pior espécie. Ou morreram. Ou eles eram separados....

Seus pensamentos foram interrompidos por gemidos logo á frente. Sacou sua varinha e ficou atento.

O corredor para as masmorras eram frios e escuros. Lugar assustador para quem não está habituado á ele. E os gemidos estavam mais altos. Apressou o passo ao ver uma figura vestida toda de negro, curvada, escorada na parede. Reconheceu os cabelos loiros de seu amigo.

– Lúcio!?- o segurou antes deste cair.- Andou bebendo?- ralhou apoiando-o em seu ombro.

– Eu não bebi.- disse arfando.- Eu....

– Está bem, não diga nada. Vou te levar para o dormitório.- Snape ficou irritado com a situação. Onde seu amigo estava com a cabeça para andar pelo castelo caindo de bêbado? Sorte ser ele e não Filtch e sua gata pulguenta quem o encontrou.

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O horário do almoço, Severo tirou para ver como o amigo estava. Mal dormiu pois, o loiro ficou gemendo, e se debatendo na cama praticamente a noite inteira.

Entrou no quarto e viu Malfoy sentado segurando o braço esquerdo e uma careta de dor.

– Até que enfim acordou!- exclamou Snape.- Agora pode me explicar por quê bebeu ontem?- perguntou sentando-se na outra cama de frente para o loiro.

– Eu não bebi.

– E fez o quê então?- disse cansado daquela conversa que não daria em nada se Malfoy continuasse a negar.

– Eu saí.- Severo o olhou para que continuasse o relato.- Fui pra casa.

– Saudades da mamãe?- debochou o moreno.

– Deixe disso, Severo! Fui porquê meu pai me chamou para uma reunião...- replicou nervoso com o amigo.

– Bom, só passei pra ver se estava melhor, já que não parou de gemer e se debater essa noite.- comunicou pegando seu material e saindo.

Lúcio se levantou tirando a camisa suada para tomar um banho. Sua marca latejava e se remexia em seu braço. Suspirou cansado e abriu o guarda-roupa pegando uma toalha. Não se arrependia do que havia feito, mas precisava doer?

– Droga, esqueci meu trabalho.- praguejou Snape adentrando novamente o quarto.

Malfoy virou-se rápido para o amigo que estancou no meio do quarto. Seus olhos estavam presos no pulso do loiro.

– Então foi essa a "reunião" na sua casa, Lúcio?- falou desgostoso pela falta de confiança do amigo para não lhe contar a verdade.

– Não pode contar a ninguém Severo.- pediu.- Me levariam para Azkaban.- pontuou fitando o moreno.

– Não direi. Não é da minha conta.- foi até seu criado mudo e pegou dois rolos de pergaminho.- Ele já lhe disse sobre sua missão? Pois, eu sei que todo aquele que recebe essa marca, tem que cumprir algo....- concluiu olhando para uma tatuagem extremamente preta, de uma caveira "enroscada" numa cobra. A pele de Lúcio estava avermelhada ao redor da marca.

– Tenho que conseguir mais seguidores para a causa.- arfou segurando o braço.- Argh! Essa merda não para de arder.- resmungou.

– Depois da aula passo na enfermaria e peço uma poção para dor.- disse Snape já a caminho da porta.

– Severo, não quer se juntar á nós?- questionou sorrindo para o amigo.

– Não.- Severo entendia e apoiava, em partes os ideais do Lorde das Trevas, mas não iria se juntar á um massacre de nascidos trouxas, se sua amiga, e dona de seu coração era uma.

– Vou deixar você pensar um pouco Severo, sei que vai mudar de ideia.

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Deitada na grama perto das estufas, Hermione descansava de olhos fechados. A saudade que sentia dos amigos deixava-a triste, queria que estivessem ali com ela. Harry iria adorar poder ver os pais, mesmo que estes nem saibam quem ele é, e que poderia se decepcionar com o pai.

Sentiu alguém se aproximar e se sentar ao seu lado. Abriu os olhos e viu Lupin olhando-a

– Oi.- disse ele.

– Oi Lupin, como tem passado? Quase não conversamos nesses últimos dias.- sentou-se e analisou o garoto. Pálido, cabelos bagunçados e olhos cansados. "Sintomas da lua cheia." Pensou.

– Bem, e você?- o rosto do menino começou a atingir uma vermelhidão que contrastava com o resto do rosto pálido.

– Um pouco cansada pelos trabalhos, mas não posso reclamar, gosto disso.- lhe sorriu.

– Er.- pigarreou.- Hermione, você quer... ir comigo ...á visita ao vilarejo?- perguntou gaguejando. Remo decidiu seguir o conselho de Lily, e chamar a morena para o passeio. Nem que fossem como amigos.

– Preciso falar com o professor Dumbledore primeiro. Ele é quem está com minha autorização...- a garota viu o menino ficar decepcionado e sentiu-se mal por isso.- Ei, eu aceito ir com você, mas tenho que falar com o diretor antes.- confortou-o afagando-lhe o ombro.

– Certo. Sem problemas, Hermione.- sorriu.- Te vejo depois.

Severo rabiscava em seu livro teorias de um feitiço novo. Não sabia se estava bom, se era seguro usar, se precisava de ajustes.

Havia passado no dormitório de sua cobaia, a Granger, mas o duende do quadro lhe disse que esta saíra. A procurou na biblioteca, era sempre onde a encontrava, porém, não a encontrou lá.

Foi para os jardins a sua procura. Viu Lily junto com Marlene na beira do lago e foi ter com elas.

– Oi Lily.- saudou vermelho.- Marlene.- cumprimentou.- Alguma de vocês viram a Granger?- questionou.

– Por acaso é aquela ali?- Marlene apontou para Hermione do lado de Lupin próxima as estufas.

– É.- estreitou os olhos para tentar fazer leitura labial, mas o maroto estava de costas e tampando sua visão.- Ela está ocupada, depois eu falo com ela.- falou com um pouco de irritação na voz.

– Severo?- Lily estranhou o jeito do amigo.

– Oh, ela está sozinha agora.- comentou Marlene.

Snape viu Remo se afastar da garota com um sorriso no rosto. Viu aquilo com total desprezo e foi até a garota que tornara a se deitar na grama. Foi a passos rápidos até ela. Hermione estava com os olhos fechados, os cachos espalhados pelo chão, e seu semblante era sereno. Mas, Severo viu quando uma lágrima escorreu pelo canto de seu olho esquerdo.

Pensou em usar Legillimência para saber o porquê daquela lágrima, no entanto achou que não seria honesto. Além disso, aquilo não era da sua conta. Se não era, por quê estava se importando?

Ficou discutindo consigo e não percebeu que ela já abrira os olhos e fitava-o.

Jamais Hermione pensou que seria amiga de Snape, seu temido professor. E por alguma razão ela gostava de ser amiga dele. Era tudo tão fácil com ele, ela podia falar sobre qualquer coisa que ele entenderia. Com Rony seria complicado, ela teria que explicar várias vezes até se cansar. Mas sentia saudades do cabeça de cenoura atrapalhado.

Tinha se emocionado, por lembrar de quando seus amigos a salvaram do Trasgo no primeiro ano, de como Rony a defendeu do Malfoy, de como Harry foi corajoso no Torneio Tribruxo, e como ano passado enfrentou as criticas dos demais alunos sobre a volta de Você-sabe-quem, tendo Rony e ela ao seu lado, e de como Harry sofreu a perda de Sirius.

Então, ali estava ela, olhando para Snape que estava com a testa franzida, os cabelos caídos na lateral do rosto, as pupilas dilatadas, pensando em algo, e por ser ele, devia ser brilhante.

– Como vai Snape?- saudou.

Severo pareceu sair do transe em que se encontrava e se sentou com a menina. Não lhe interessava pelo quê Granger estaria conversando com Lupin, nem porquê estaria chorando.

– Estava te procurando para lhe mostrar isso.- Hermione se levantou pegando o livro que Snape lhe estendeu aberto.- É um feitiço Trava-língua, ele cola a língua do oponente em seu céu da boca.- explicou mexendo nos cabelos.- O que acha? O professor Flitwick vai me dar uma nota boa por ele?

– Snape, acho que você tem complexo.- afirmou.- É claro que vai tirar uma ótima nota com esse feitiço.- Hermione lia a explicação e a forma de executar o feitiço.- Já testou?

– Vai ser minha cobaia, Granger?- sorriu de lado.

– Só mais desta vez.- entregou o livro à ele.- Não se acostume.- adivertiu rindo.

– Langlock!- murmurou apontando a varinha para a garota.

– Io, oi uio on (Isso, foi muito bom).- a garota tentava falar, mas as palavras saiam embolada, e Severo riu retirando o feitiço dela.- Obrigada. Você é muito bom em feitiços, por quê não está no clube de duelos?

– Não sei.- deu os ombros.- Você está?

– Estou. E a única pessoa que converso e que é muito bom lá, é o Lupin. Seria bom ter mais alguém relativamente bom.

– Lupin...- murmurou desgostoso.- Vi vocês dois conversando hoje...- soltou.

– Ele estava me chamando para o passeio ao vilarejo.- comentou simples.- Vai ao vilarejo?

– Acho que sim, preciso de pergaminhos e tinta.- o garoto olhou para o lago e viu Lily discutindo, novamente com Potter. Hermione viu o olhar devoto do garoto para a ruiva.

– Deveria disfarçar, Severo.- cochicha divertida a morena.

– Ela ainda vai ser minha.- rebate ele.

– Está enganado...- sussurra Hermione.

Snape a olha cerrando os olhos e contraindo a mandíbula.

– Por quê diz isso?

– Nota-se que ela e Potter foram feitos um para o outro.- tentou concertar.- Mas são orgulhosos para admitir, por isso, brigam.

– Ele é um idiota, não merece ela.

– Concordo, mas o amor é assim mesmo. Não se entende, se sente...- suspirou a garota.

– Falando assim, parece estar apaixonada, Granger.- olhou-a interessado na resposta.

– Eu pensava que sim, mas esse mês que eu passei aqui, serviu para questionar esses meus sentimentos...- divagou.

A vontade de entrar na mente dela e ver de quem ela falava, foi tentadora para o garoto. Mas repetiu internamente: "Isso não é da sua conta. Não importa de quem ela está falando."

– Bem, eu vou para o meu dormitório terminar a tradução da aula de Runas.- comunicou Hermione já de pé.

– Eu te acompanho.

Snape gostava de ter uma pessoa inteligente para debater assuntos acadêmicos e cotidianos. E a garota estava se saindo melhor do que ele esperava. Não via o tempo passar quando conversava com Hermione. Logo que entraram no castelo, se viram na frente do quadro do duende.

– Daqui a pouco é o jantar, não me faça vir aqui outra vez te arrastar, Granger.- Severo ameaçou-a brincando.- Até mais.

Snape queria tomar um banho antes do jantar. E no inverno as masmorras ficavam mais frias, fazendo o banho ser mais cedo do que ele era acostumado a tomar, sempre depois do jantar. No entanto, nessa época do ano, gostava de tomá-lo antes, para evitar pegar um resfriado.

Depois do banho, colocou roupas quentes, e desceu para jantar. Seu cabelo estava úmido ainda, e com o ar frio, ficaria revolto.

O dia não tinha sido de todo ruim para Snape. Não até aquele momento, em que virou um corredor. Cabelos vermelhos bagunçados, assim como as roupas da garota encostada na parede por outro de cabelos escuros, óculos tortos, e mãos que seguravam a ruiva de forma intimista. O mundo de Severo pareceu ruir. Algo dentro dele se quebrou ao ver aquela cena. Lily, a doce Lily, aos beijos com Potter. E o pior, era que não parecia ser o primeiro, nem o último. E a julgar pela expressão no rosto do casal, Granger estava certa (como sempre), eles foram feito um, para o outro.

Forçando seus pés a andarem, deu meia volta e saiu dali com os olhos ardendo, com o nariz coçando e aquela coisa no peito a chorar.

Não sabia o porquê de estar indo para aquele lado, mas era onde seus pés lhe levaram, e ficou grato por isso. Parou de frente ao quadro do duende e pediu, por favor, que chamasse a Granger. O duende espantado pela forma que fora feito o pedido, obedeceu.

O garoto fechava os olhos e a cena vinha á sua mente. Respirando fundo, controlando sua amargura e tristeza encarou a morena que aparecera por de trás do quadro.

– Você tinha razão Granger, tinha toda razão...- pelos olhos quase negros escorreram lágrimas.

Notas finais
Estou com dó do Snape, se ele viesse até mim... Secaria aquelas lágrimas num minuto. Comentem please. Deixe-nos saber o que você pensa? Beijão e até o próximo ~Naomi