Lost Memories - Snamione
24 Lágrimas
Notas iniciais

– Se eu não lhe conhecesse, Severo, diria que está, digamos assim... sofrendo.- comentou o diretor logo após o pedido de Snape por alguma folga daquela escola e seus alunos ignorantes.
Snape não quis acreditar no que ouviu. Sofrendo? Ele? Por quem e por qual motivo? Ah, sim... Alvo estava se tornando cada dia mais alcoviteiro. Tudo bem que a verdade era que o mestre em Poções queria uma folga para parar de pensar na Granger, mas isso ele nunca admitiria.
Estreitou os olhos, fechou a cara numa carranca que faria Longbottom tremer.
– É óbvio que não. Da on...
– Isso não foi uma pergunta, meu caro. Vá, terá essa noite e o dia de amanhã livres. E como dizem os trouxas "A Noite é uma criança". Divirta-se.- concedeu.
Snape bufou e se retirou do gabinete cuspindo fogo. O quê aquele velho senil quis dizer com "Divirta-se", aqueles doces trouxas não estavam fazendo bem á ele.
************************************************
Severo se dirigiu para a Floresta Negra e de lá aparatou em Hogsmeade e foi caminhando até a Travessa do Tranco. Em sua cabeça os pensamentos fervilhavam, sempre Granger. Precisava esquece-la não se permitia ser tão dependente de uma mulher.
Aquele lugar era somente frequentado á noite por homens de todos os tipos e principalmente por aqueles que como ele, tentavam esquecer uma mulher afundando-se no corpo de outra.
Entrou no recinto, um Bordel não era o seu lugar predileto, as músicas que tocavam eram muito desagradáveis, ele se importaria com isso se estivesse realmente prestando atenção, mas no momento seus olhos estavam focados somente numa cabeleira castanha e ele não se importava com mais nada. Não muito distante havia uma mulher de cabelos não muito longos, cacheados e castanhos, muito bonita, na opinião dele lembrava Granger.
Que ironia do destino, não? Maldição.
Foi até o Balcão, e uma bela jovem o atendeu. Pediu um Copo de Fire Whisky e se pôs a beber, sempre com os olhos atentos a cada movimento daquela mulher que o fascinou.
Recusou umas três prostitutas, nenhuma delas atraiu sua atenção. Depois da quarta recusa ele tomou coragem para ir até ela.
Ela não parecia ser como as demais, não ia atrás dos homens, esperava que eles viessem até ela e ele foi. Ela estava perto do Balcão, bebendo e observando o movimento. Severo se aproximou.
Não estava afim de conversinha, então por quê não ir direto ao ponto?
– Está livre agora?
– Sete Galeões, por uma hora, programa completo. — respondeu sem rodeios
Agora ele percebeu, os olhos da garota não eram iguais aos de Grange,r eram azuis intensos.
Granger, Granger, Granger, que inferno!
– Ótimo, dinheiro não é problema.
***********************************************
Ele não estava lá para romance. Queria esquecer Hermione. Esquecer de como seu corpo ficava perfeito junto ao dele. Esquecer de tudo, embora ele achasse impossível.
Não teve cuidado ao penetrar a mulher, nem durante o ato em si. Esperava aliviar aquela tensão. Manter sua sanidade sem pensar na Griffana que ele desejava na realidade. A queria tanto que quase disse seu nome enquanto fodia aquela mulher cujo o nome não lhe interessava, mas seus cabelos eram tão iguais aos dela...
Durante uma hora ele fez o que quis, e deixou o quarto jogando os galeões em cima do criado-mudo. Saiu cambaleando sem dizer uma palavra para a bruxa deitada na cama.
Sentia-se zonzo, havia bebido demais, sua mente nublada pelo álcool não pensava e também não falava nada coerente.
Se encaminhou para fora do Bordel e aparatou. Por sorte não estrunchou. Desaparatou na floresta. Andou cambaleante para dentro do Castelo e Filch teve que ajuda-lo a chegar até as Masmorras. Ao chegar se despiu de qualquer jeito e foi direto para a cama. Seus olhos já não conseguiam se manterem abertos.
***********************************************
Draco Malfoy estava abatido. Suas olheiras denunciavam as noites mal dormidas. Sempre que conseguia o feito de pregar os olhos, se via novamente dentro daquela casa cercado por pessoas encapuzadas. Na sua frente uma criatura pálida, de roso ofídico, sorriso diabólico e um olhar que cortaria a alma de quem aquelas órbes olhassem.
Não posso falhar. Não posso falhar... Repetia para si mesmo enquanto jogava água em seu rosto. Aquela maldita missão estava o deixando angustiado. Facilitar a entrada de Comensais em Hogwarts não era nada comparado a ter de matar um bruxo brilhante como o diretor do castelo. Não queria ser uma assassino como seu pai. Não que ele ligasse para aquela merda toda de guerra entre os bruxos. Mas, não abandonaria sua mãe sozinha entre aqueles porcos que estavam sempre em sua casa.
Entrou em um dos box no banheiro abandonado da murta. Agradeceu dela não estar ali, apesar de estar sendo uma grande confidente durante as vezes em que esteve ali se lamentando do inferno que se tornara sua vida.
Sozinho, se permitiu chorar. O medo que estava sentindo de fracassar em sua missão fazia essas lágrimas serem um escape para sua dor.
Sentado sobre a tampa do sanitário, abraçado aos joelhos, não notou a presença de mais alguém no seu pequeno refúgio abandonado.
Lovegood gostava de conversar com os fantasmas do castelo, Nick-quase-sem-cabeça, mesmo sendo da Sonserina ela falava também com o Barão Sangrento, a Dama cinzenta, a Murta-que-geme... para ela, não era porquê eles não estavam mais vivos que não podiam ter amigos. Ela era amiga deles.
Entrou no banheiro para conversar com a Murta, fazia alguns dias que não falava com aquele fantasma. Ouviu o choro da mesma vir de uma das cabines. Murta não conseguia superar sua morte precoce.
– Murta?- chamou empurrando a portinhola e vendo um garoto de cabelos tão loiros quanto os seus ali chorando indefeso.- Draco?- Malfoy levantou bruscamente encarando aqueles olhos azuis sonhadores.
Maravilha! A lunática me vendo chorar.
– Cai fora, Di-Lua!- rosnou fechando a porta.
Porcaria de banheiro, não posso mais nem ficar sozinho.
Luna se encheu de compaixão ao ver dor naqueles cinzentos olhos aguados. Foi para o box do lado e também se sentou na tampa do sanitário.
– Aconteceu alguma coisa, Draco?- questionou balançando os pés. O loiro grunhiu irritado. Aquela garota era surda? Nem se deu o trabalho de responder, com sorte ela desistiria e sumiria dali.- Está passando mal?- tornou a perguntar.
– Lovegood, qual a parte do 'cai fora' você ainda não entendeu?- retrucou secando o rosto.
– Quando estou triste, minha mãe costumava me fazer chocolate quente com canela.- divagou sem se importar com o mal humor do Sonserino.- Quer que eu traga um chocolate quente pra você?- Malfoy não queria conversar com ninguém, muito menos estar tendo aquela droga de conversa com a Di-lua.
– Que droga garota! Por que está aqui ainda? Até você perceberia que quero ficar sozinho...então, que porra ainda está fazendo aqui?- de alguma forma se sentia mais calmo, apesar da explosão com a Corvina.
Luna chamou Dobby baixinho, e pediu dois chocolates quentes com canela, que veio em instantes depois.
O loiro achou que de fato a garota era louca. Resmungava sozinha. Um Poc se fez duas vezes o que intrigou o garoto. Tentou olhar por baixo da divisória, ela não estava mais ali. Não sabia se ficava tenso ou aliviado por ela ter ido embora. Negaria qualquer coisa que ela dissesse sobre tê-lo visto chorando. A portinhola abriu mostrando a menina segurando uma bandeja com duas canecas.
– Eu não sei, mas acho que não é legal tomar chocolate quente sentado ai... mas se você prefere assim.- comentou colocando a bandeja no colo do garoto sem reação diante daquela espontaneidade.
Draco se levantou segurando a bandeja encarou os olhos da menina tentando entender que raios ela estava tentando fazer. Viu carinho naquele azul, sentiu-se mal pela forma que tratara ela. Não estava sensibilizado por ela, mas ela não tinha culpa dos seus problemas. E quê mal haveria em tomar aquele chocolate que estava cheirando bem?
Saiu daquela cabine e perto da pia se sentou escorando-se na parede. Logo a Corvina se juntou á ele.
– Oh, espere!- exclamou Luna refreando o Sonserino que já ia dar seu primeiro gole.- Coloque isto.- pegou pedacinhos de marshmellow e colocou por cima do chocolate de Malfoy.- Fica mais doce.- informou colocando os pedaços do doce em sua caneca também.
Draco sorveu uma pequena quantidade, e realmente se sentiu reanimado.
– Por que estava chorando?- Lovegood foi direta. Draco se viu querendo responder. Fechou a cara e olhou para a caneca.
– Você colocou Veritasserum nesse chocolate?- indagou. Era a única explicação para querer responder a alguém como a Di-lua.
– Eu não.- Luna franziu o cenho e olhou a própria caneca.- Está com gosto dela?
– Veritasserum não tem gosto.- respondeu o jovem bebericando sua bebiba.
– Por que estava chorando?- insistiu.
– Nada importante.
– Se não fosse importante, não o faria chorar...você não me parece alguém que chora por banalidades.- pontuou limpando seu bigode de chocolate com um pedaço de marshmellow e comendo-o em seguida. Malfoy quis rir daquela cena, a lunática parecia uma criança. Porém, não riu, isso acabaria com sua imagem Sonserina.
– Problemas com meus pais.- respondeu simplesmente. Não era mentira, mas tão pouco toda a verdade. Como diria pra ela que seu problema era matar o professor Dumbledore? Não tinha como dizer aquilo.
– Entendo.- Luna observou o menino, reparou nas olheiras.- Por isso, não tem dormido direito?- pontuou.
– Ãm, também...- o garoto estreitou os olhos para a loira. O que ela pretendia com aquilo?- Por que está fazendo isso?-perguntou com o maxilar tensionado.
– Eu gosto de molhar o marshmellow.- respondeu molhando mais um e comendo.- Ele parece uma esponja cheia de chocolate.- comentou mastigando.- Experimente.- ofereceu.
Que conversa mais estranha. ESSA garota é estranha. Riu por dentro. Fazia dias que não relaxava daquele jeito. Era uma coisa simples, mas que estava fazendo uma diferença para ele. Esquecera momentaneamente de sua missão e se concentrou naquela conversa de louco que estava tendo com a Lovegood.
************************************************
– Bom Dia, alunos. Eu sou o senhor Miller, e estarei substituindo o Professor Snape hoje.- anunciou um homem entrando na sala de aula.
Ouviu-se vários burburinhos, era certo que os alunos estavam especulando o real motivo do Snape ter faltado já que isso era algo muito raro. Em sete anos era a primeira vez que acontecia, para eles a ausência do Mestre não era algo ruim, mas para Hermione era ao contrário já que essas eram as únicas horas que o via.
– Deve estar doente — Comentou Harry.
– Ou lavando aquele cabelo seboso — Completou Ron.
– E você devia lavar essa boca para falar dele — Disse Hermione num tom ríspido e se repreendeu no mesmo momento. Por que foi abrir o bico? O quê eles iriam pensar agora.
Droga!
– O quê deu em você em , Mione? Anda defendendo muito o Snape. Por acaso está afim dele? — Indagou Ron rindo, sendo acompanhado por Simas e Dino, que estavam sentados logo atrás.
Por Merlim, como Ron era patético.
Sua vontade era responder "Se estou ou não, não é problema seu", porém resolveu dar uma resposta á altura.
– Ah, com certeza, Ron. Estou até pensando em convida-lo para ser meu par na festa do Slugh, não que você tenha alguma coisa com isso, mas entre Córmaco, você e ele, acredito que a companhia dele seria mais agradável.
Depois dessa pequena discussão a aula seguiu com alunos inquietos, aproveitando a ausência de Snape para não calarem as matracas.
Hermione estava muito preocupada com Severo. Será que ele estava bem? Ela não estava com um pressentimento bom, será que ele se importaria se ela fosse lá? Se importando ou não ela iria da mesma forma, e foi isso o que fez, faltou a aula de Herbologia para vê-lo.
Ainda bem que não havia nenhum Sonserino pelo corredor. Seguiu reto. Aproximou-se da porta e bateu uma, nada. Duas, nada. Três vezes e ninguém veio atende-la. Resolveu que se estivesse destrancada ela entraria e se não, não voltaria a procura-lo hoje.
Colocou a mão sobre a maçaneta e girou-a. Abriu. Sim! Abriu, a sala se encontrava numa penumbra, procurou-o e ele não estava lá.
Ela seria enxerida se entrasse nos aposentos dele? Sim, mas o que ela podia encontrar lá dentro? ele dormindo no máximo.
Assim que colocou os pés no quarto do Professor sentiu um cheiro forte de álcool e... perfume? É, um perfume barato de mulher, esperava que seu olfato estivesse enganado, não podia ser. Será que ele tinha companhia? Recusou-se a pensar nessa possibilidade.
Algumas garrafas vazias jaziam jogadas pelos cantos.
O quê aquele cabeça dura andou fazendo?
Perguntou a si mesma e se arrependeu no mesmo momento. Seus olhos focaram no homem que dormia tranquilamente em cima da cama, notou que as costas dele estavam arranhadas, arranhões de mulher pode constatar. A camisa branca que jazia no chão com algumas marcas de batom.
O quê ela sentia naquele momento? Raiva? talvez. Dor? não sabia bem. Era um misto de emoções e sentimentos.
Ridículo, estúpido, babaca.
Severo Snape era definitivamente um perfeito idiota. Como ele se rebaixou daquela maneira, uma mulher da noite? Imbecil. E se não fosse uma mulher da noite, uma namorada quem sabe...
Merda!
Não iria ficar ali presenciando aquela cena deplorável, e ao perceber que o homem estava acordando saiu depressa a passos largos e decididos, fechando a porta num baque que fez alguns quadros tremerem.
Severo acordou com uma dor de cabeça infernal, dormiu muito bem e Granger povoou os seus sonhos novamente, quando acordou teve a leve impressão de ainda estar sonhando, pois podia jurar que a viu na porta.
************************************************
No café da manhã, Granger remexia em seu prato. Definitivamente estava sem fome. Sua noite foi péssima, dormira mal, mas não demonstraria sua dor. Resolveu prestar atenção no diretor que se levantara para algum comunicado.
– Um bom dia á todos.- saudou o senhor.- Estamos vivendo tempos difíceis, caros alunos. Temos de estar preparados para o que nos espera fora desse castelo.- os olhinhos cheios de sabedoria percorreram o Salão.- E por esse motivo, a partir de hoje, as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas serão práticas. Com o foco em duelos.- Alvo olhou para Snape que estava com a mesma carranca de sempre.- Se empenhem ao máximo.- pediu finalizando seu discurso.
************************************************
Rony caminhava pelo Salão Principal rumo a mesa da Grifinória, o nervosismo estava estampado em seu rosto. Por onde passava recebia " Boa Sorte ", ou comentários desagradáveis e não era pra menos já que hoje era seu primeiro jogo como goleiro oficial da Grifinória.
Simas o parou e disse que havia feito uma aposta a favor de seu time, mas aquilo não tranquilizou o ruivo, o deixou pior ainda.
Sentou-se a mesa, de frente para Harry e Hermione, olhou para seu café da manhã, e por incrível que pareça, ele não estava com fome.
Encarou os amigos e perguntou.
– E aí como foi aquele jantar de vocês?
– Ah... foi muito chato. — Respondeu Hermione sem animo algum, enquanto lia o Profeta Diário. Um silêncio se estendeu e Hermione o quebrou.
– O professor vai fazer uma festa de natal...E nós podemos levar alguém — Disse.
– Eu acho que você vai levar o McLaggen, ele está no Clube do Slugh não está?- tentou parecer indiferente.
– Por que não... — Respondeu pensando na possibilidade, se Severo podia se divertir, por quê ela não?
– Boa Sorte hoje, Ron. Eu sei que você vai ser brilhante. — Desejou uma garota de cabelos loiros... Qual era o nome dela mesmo? Ele havia esquecido.. Ah, sim Lavender Brown. Dizendo isto ela se retirou. E Hermione a seguiu com o olhar.
– Eu vou desistir, depois do jogo de hoje McLaggen pode ficar no meu lugar. — A insegurança na voz do ruivo era quase tangível.
– Como quiser... suco? — Ofereceu Harry, enquanto depositava um copo em frente ao amigo.
– Quero...
– Olá pessoal — Saudou Luna vestindo seu chapéu de leão.- Você está péssimo Ron, foi por isso que pingou aquilo no copo dele — olhou para Potter.- É um tônico?
Harry guardou um pequeno frasco nas vestes e Hermione logo entendeu o que ele havia feito.
– Sorte Liquida... Não bebe, Ron — Pediu.
O Ruivo fez ao contrário, bebeu todo o conteúdo do copo num gole só.
– Pode ser expulso por isso. — Advertiu olhando para Harry.
– Não sei do que está falando. — Rebateu o moreno.
Weasley imediatamente se sentiu mais confiante, sorrindo disse:
– Vamos Harry, temos um jogo para ganhar.
************************************************
Durante o Jogo, Ron mostrou ser um goleiro excepcional. Protegia os aros com maestria, e a torcida vibrava a cada tentativa frustrada de Gol do time adversário.
Snape na arquibancada da Sonserina assistia ao jogo com uma vontade imensa de estuporar o ruivo.
Garoto idiota.
Mas não era pelo fato do time de sua casa estar perdendo que ele estava daquela forma, e sim porque Granger não parava de mostrar os dentes para aquele cabeça de tocha. Derretia-se toda a cada gol defendido pelo rapaz. Estúpida, Weasley não estava nem aí pra ela, será que ela nunca iria perceber?
Percebendo ou não, isso não é da minha conta, eles se merecem.
A torcida novamente vibrou, Grifinória havia vencido, foi a gota d'água para Snape, que tratou logo de ir para as Masmorras, não estava nem um pouco afim de presenciar um bando de cabeças-ocas festejando por causa de uma vitória idiota. Sem contar a dor de cabeça que sentia devido a noite anterior.
************************************************
No Salão Comunal dos Leões ouvia-se somente vozes em uníssono gritando " Weasley " repetidas vezes.
Num canto estavam Harry e Hermione observando a alegria do amigo.
– Não devia ter feito aquilo. — Lembrou Hermione.
– Eu sei, acho que eu devia ter usado o feitiço Confundus.
– Aquilo era diferente, só testes... Esse jogo foi de verdade.
Potter retirou o vidrinho cheio de poção Felix Felicis do bolso da camisa e mostrou para a menina.
– Não colocou nada? Mas.. o Rony achou que sim.
Potter balançou a cabeça em afirmativa sorrindo, ao mesmo tempo em que olhava para Ron e o via agarrado, beijando Lilá Brown, olhou para o lado e Hermione não estava mais lá.
Foi procurá-la e a encontrou em uma sala de aula vazia, sentada.
– Você não achou que eu iria ficar lá presenciando aquilo, achou? — Perguntou a Harry.
Óbvio que não iria ficar, já não nutria os mesmos sentimentos por Ron, só sentia um pouco de raiva pelo ruivo ser tão estúpido a ponto de ficar com a Lavender, se ele não percebia que ela só estava com ele por interesse, não era ela, Hermione Granger quem iria dizer isso á ele.
Harry se sentou ao lado dela e ela não pode segurar, abraçou o amigo e chorou em seu ombro. Há dias estava precisando fazer aquilo, precisando de um amigo como Harry que não a questionava, Harry devia pensar que estava daquela maneira por causa do Ron, e era melhor assim, Hermione não queria explicar que estava sofrendo por outra pessoa e outros motivos.
Como Severo pode ter feito aquilo com ela? Transou com uma mulher qualquer, canalha.
Eu fui muito idiota de acreditar que ele era diferente, que podíamos ter tentado, fiz um papel ridículo indo atrás dele, maldita hora que li aquele maldito livro, maldita hora que o conheci.
Droga não era para estar chorando, havia se segurado até agora.
Aposto que enquanto estou aqui me lamentando ele não está nem lembrando da minha existência.
Risinhos foram ouvidos, Ron e Lilá entraram na sala, provavelmente procurando um lugar vazio para se agarrarem.
– Opa acho que aqui já está ocupado. — Disse Lilá, entre risinhos para Ron e saiu puxando-o para fora e os dois se foram.
************************************************
Na aula de DCAT.
Depois de ver seu companheiro de duelo ser levado, Hermione tentou falar com Ronald, convidá-lo para ir com ela á festa de natal do professor Horácio.
– Srta. Granger.- chamou Snape antes dela conseguir chegar no ruivo.- Já que suas 'brilhantes' habilidades mandou o sr. Smith para enfermaria, terá que praticar comigo.- informou acenando para que ela se aproximasse dele.- Vejamos se consegue aprender algo .- zombou.
– Certamente, professor.- rugiu cuspindo as palavras. Só de vê-lo sentia seus olhos arderem pela lembrança que teve do corpo dele marcado por uma outra mulher. Onde estava a promessa que fizeram? Claro que ele não cumpriria. Homens, nunca confiáveis.
Severo sentia a fúria com que ela o atacava com feitiços silenciosos. Que ela era boa em feitiços, isso ele sempre soube, mas nunca a viu emanar aquela energia antes. Estaria furiosa com o quê? Seria ciúmes do Weasley com a srta. Brown?
Rangendo os dentes soltou a língua ferina.
– Está gastando energia á toa, srta. Concentre-se no duelo e deixe seus problemas sentimentais para depois.- disse frio.
– Meus problemas não são de teor sentimental, professor.- jogou outra azaração. Seu coração gritava pedindo ajuda para acabar com aquela dor.- Apenas estou pensando em quem levar à festa de natal do professor Slughorn.- comentou bloqueando o feitiço do homem.
Que mentirosa...está na cara que está sofrendo, se vê nos olhos que está decepcionada. Ser trocada por uma cabeça-oca fútil é de deixar qualquer uma pra baixo.
– Não sei quem convidar...- continuou a Griffana colocando mais energia em seus feitiços não-verbais.
– Aposto que irá levar o McLaggen, já que os vi na outra vez voltando juntos de uma reunião.- tentou soar indiferente, mas não queria que ela fosse a festa de natal com o engomadinho do Córmaco. Muito menos com qualquer outro.
Que mal teria em ir sozinha? Ou melhor, ficar em seu dormitório, segura, longe de qualquer porco que quisesse por as mãos nela...
– Talvez eu o chame.- deu os ombros fazendo o juízo do homem fugir do controle.
– Claro, poderiam namorar, assim o leão marinho os denomine Rei e Rainha da festa.- as palavras ácidas irritaram a garota. Por que ele estava falando daquela maneira, como se se importasse com quem ela iria ou não para a festa? Ele não tinha mais esse direito . Não depois de romper a promessa que fizeram.
– Não se o senhor levar a vadia com quem andas dormindo ao envés de vir dar aula.- retrucou baixo bloqueando um feitiço e rebatendo com outro.
Severo paralisou com aquela afirmação e foi derrubado pelo feitiço da morena.
Como ela saberia o que ele fazia fora do castelo? Não tinha como, ela não conseguiria passar pela sua barreira de Oclumência. Estaria ela daquele jeito por sua causa?
Os outros alunos pararam estáticos. Professor Snape derrotado por uma aluna? Grifinória? Hermione Granger? Era o apocalipse e ninguém sabia? Um mundo paralelo?
Cansada e com os olhos marejados se aproximou do homem caído que a olhava curioso e abismado, sussurrou somente para ele ouvir;
– Pelo perfume barato suponho que não tenha pagado-a bem.- começou cheia de amargura.- Diga-me Professor Snape quanto pagou á ela? Dois nuques?- desdenhou.- Agora sabemos quem venceria aquele duelo¹, Professor.- uma lágrima teimosa rolou pelo rosto da menina antes dela arrumar seu material e sair da sala.
¹referência ao diálogo do capítulo 8.
Fale com o autor